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João Sousa: história, história e mais história

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A participação de João Sousa no Mutua Madrid Open – torneio de categoria Masters 1000 – chegou hoje ao fim. No entanto, o português só foi travado pelo melhor jogador de todos os tempos em terra batida: Rafael Nadal. Ao cabo de mais de duas horas de encontro, e com os parciais de 6-0, 4-6 e 6-3, o português sucumbiu para o espanhol. Todavia, só podemos, e devemos, estar orgulhosos da prestação (mais uma) do vimaranense.

Cristiano Ronaldo não quis perder o encontro de João Sousa frente a Rafael Nadal Fonte: Facebook Oficial do Mutua Madrid Open
Cristiano Ronaldo não quis perder o encontro de João Sousa frente a Rafael Nadal
Fonte: Facebook Oficial do Mutua Madrid Open

Na primeira partida, tal como era esperado, Nadal foi muito superior a Sousa. O português, que estava a ter grandes dificuldades em lidar com o topspin das pancadas do espanhol, cometia demasiados erros e parecia algo nervoso. O dia solarengo que se fazia sentir na capital espanhola teve também influência no decorrer do primeiro set: o sol faz com que a bola fique mais leve e, desta forma, as pancadas de Nadal tornam-se ainda mais eficazes. Ora, beneficiando disso mesmo, o espanhol acabaria por aplicar uma rodinha de bicicleta (6-0) ao português.

Contudo, no segundo set, a história haveria de ser outra. Quando o marcador estava igualado a dois jogos e com ponto de break favorável ao espanhol, o teto teve de ser fechado devido à chuva e as condições de jogo alteraram-se brutalmente. Neste caso, e como referi anteriormente, retirando eficácia ao jogo de Nadal. Juntamente a este fator, João Sousa elevou o nível do seu jogo e acabou por conquistar com toda a justiça o segundo set por 6-4.

As Conveniências do Convento da Luz

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Eu tenho-me fartado de rir. Meus caros, vejo-me forçado a dizer que o futebol é uma comédia e que não tardará muito a vermos os adeptos mais fervorosos pisarem os palcos de stand-up comedy.

Posso já vir tarde, mas ainda não tinha tido a oportunidade de comentar a grande vitória do Sporting frente a um rival de peso. Foi um jogo muito difícil mas que demonstrou o que a qualidade e a determinação podem fazer. Agora o pós-jogo é que me tem divertido imenso, principalmente aqueles adeptos benfiquistas que estavam confiantes de que o Sporting ia perder e que poderiam estar já a montar a tenda no Marquês.

Mas acima de tudo fiz uma descoberta impressionante, que é o que me tem divertido mais. Descobri que afinal o SL Benfica é não só uma escola de santidade, como também alberga madres, padres, monges, beatas e até anjos, tal é o nível de elevação e santidade. Agora percebo porque é que têm um papa e porque é que chamam de “Catedral” ao estádio. Até Jesus (o Cristo) devia ser benfiquista.

Antes de avançar quero apenas fazer uma ressalva. Reconheço perfeitamente que não se pode generalizar e que a atitude de uns não é a atitude de todos. Quando assim falo de clubes ou adeptos, não é para denegrir a instituição, mas sim os fanáticos e fundamentalistas que fazem da irracionalidade e da paixão ardente o seu mote para falarem de futebol.

O sabor da vitória numa demonstração de força contra más línguas e mau olhado. Fonte: Sporting CP
O sabor da vitória numa demonstração de força contra más línguas e mau olhado.
Fonte: Sporting CP

Com o aparte feito, esta descoberta de um símbolo da pureza e da santidade em Portugal chegou até mim como uma bênção. As pessoas que acompanham as minhas crónicas sabem que tenho sido um crítico da forma como a guerra e o ódio desportivo têm sido disseminados no futebol português. A essas minhas críticas os iluminados mostraram-me o caminho do bem e do único culpado, Bruno de Carvalho, o anti-cristo, causador do ódio, da insegurança, da crise financeira e do acidente nuclear em Chernobyl.

Profetizam os iluminados de que, antes de Bruno de Carvalho assumir a presidência do Sporting tudo estava bem e equilibrado, o Benfica forte, um Porto a dar luta q.b e o Sporting no 7º lugar. Tinha de vir Satanás quebrar o status quo duma liga portuguesa tão conveniente para os devotos. Ou seja, basicamente afirmam que BdC anda a dançar o tango sozinho e que no interior da “Catedral” não existem senão puritanos que promovem a paz e o respeito. Na verdade, cegos pela vossa pureza e pela aura que vos ilumina não percebem que a vossa guerra é santa, mas como diz o ditado popular, em terra de cegos quem tem olho é rei.

Não houve surpresas nos quartos-de-final

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Cabeçalho modalidadesO primeiro dia da final a 8 da Taça de Portugal não nos trouxe qualquer surpresa, uma vez que todos os teóricos favoritos avançaram para as meias-finais da competição disputada no pavilhão de Desportos Municipal da Póvoa de Varzim.

No primeiro encontro do dia, o Leões de Porto Salvo eliminou o Futsal Azeméis por quatro bolas a duas, num jogo que contou, desde logo, com uma claque muito barulhenta no apoio à equipa de escalão inferior, criando um ambiente fantástico, poucas vezes visto nos jogos da Liga Sport Zone. Os Leões não entraram muito bem na partida mas souberam contrariar o ímpeto da equipa aveirense, sobretudo na segunda metade. Não devo deixar de referir a excelente réplica dada pelo Futsal Azeméis, que conseguiu criar enormes dificuldades à equipa teoricamente favorita.

Pouco depois, entraram em campo as equipas do SL Olivais e do Viseu 2001 e foi um pouco à imagem do anterior: um jogo extremamente equilibrado, onde quase não se notou a diferença de escalão entre as equipas. Só na parte final é que a equipa beirã claudicou e deixou assim escapar a sua hipótese de continuar a fazer história, pois a apenas 3 minutos do fim o encontro estava empatado a um golo.

Diogo foi a grande figura do encontro  Fonte: FPF
Diogo foi a grande figura do encontro
Fonte: FPF

Também em relação ao primeiro dia de jogos, o Sporting CP evitou qualquer tipo de surpresas frente ao Unidos Pinheirense, com uma entrada bastante forte no encontro coincidindo com alguma displicência da equipa gondomarense, que acumulou vários erros defensivos. O papel de “homem-golo” coube, como já tem sido habitual, ao brasileiro Diogo, que assinou um hat-trick e mostrou a sua boa forma, algo que o levou ao topo na lista de melhores marcadores do campeonato. Foi, portanto, um jogo onde a lógica imperou e só não foi mais equilibrado por causa da má entrada em campo da formação nortenha, que só pareceu querer reagir quando se viu a perder por cinco golos sem resposta ao intervalo.

Por fim, o único encontro onde se enfrentaram duas equipas do principal escalão, o SL Benfica e o Modicus-Sandim, e foi também o único jogo em que uma das equipas ficou em branco, com a vitória a sorrir aos encarnados por três bolas a zero. Numa primeira metade sem golos – muito devido à ineficácia do Benfica – mas também graças à forma como a formação gaiense soube aguentar o nulo no marcador. Patias foi, mais uma vez, o grande destaque do jogo, ao apontar dois golos no fim que serviram para sossegar os adeptos benfiquistas (apontou o 2-º e 3.º golo).

Nas meias-finais, a disputar neste sábado, iremos ter dois encontros entre leões e águias, com os Leões de Porto Salvo a defrontarem o SL Benfica e o Sporting CP a ter pela frente o SL Olivais.

Foto de capa: desportivotransmontano.com 

Malas, sacos, luvas… À moda da corrupção

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Parece que agora virou moda tweetar e comentar que o Sporting anda a pagar prémios de jogo aos oponentes do seu adversário directo. Ao mesmo tempo, conseguem dizer que o mesmo Sporting está sem dinheiro. Eu sugiro que se decidam. Parece haver por aí alguma contradição.

E, já agora, quero dizer que acho um mau investimento pagar a uma equipa para jogar bem, até porque eles podem querer e não conseguir ou saber. Pelo contrário,  acho um óptimo investimento pagar a alguma equipa para perder, até porque não tem risco. Se quiserem perder, perdem de certeza. O Sporting – estando falido  não iria fazer investimentos de tão elevado risco, certamente.

Mas, um pouco no mesmo âmbito deste tipo de insinuações, venho relembrar algumas situações que se passaram nos últimos anos.

Desde há um tempo a esta parte houve um processo chamado “Apito Dourado”, que alguém ainda denominou de “Apito Azulado”, com frutas e algum café por lá misturados.

No mesmo dia que esse processo começou eu disse/pensei que não daria em nada, pelas pessoas envolvidas e pelo meio em que estavam inseridas (é que, não sei se repararam, mas as pessoas só são condenadas ou pelo menos tornadas arguidas após abandonarem o mundo do Futebol; por isso é que alguns teimam em não sair). E à primeira vista não deu. Mas a verdade é que deu, e desde aí muito mudou no futebol português.

O “Apito Dourado” serviu para enviar um aviso a quem mandava antes, de quem mandava agora.

Entretanto, o árbitro do jogo do Benfica é apanhado desta maneira nas redes sociais
Entretanto, o árbitro Luís Ferreira é “apanhado” desta maneira nas redes sociais

Com esta investigação aquele que era chamado de “o papa” do futebol português foi posto no seu lugar com incriminação em situações que existiram efectivamente, mas que não levaram a condenação porque não era esse o objectivo.

O objectivo era dizer ao “papa” que estava na hora de renunciar e dar espaço a outros, que se estavam a posicionar há muito. A mensagem era a de que se poderia fazer o que se quisesse, até mesmo mandar prender o, até aí, todo-poderoso do futebol português.

A finalidade não era destruí-lo, mas colocá-lo no seu lugar; deixá-lo ali “com o rabo entre as pernas”, o que poderia dar jeito para futuras parcerias.

Conseguiram também, através de uma “pomba”, tramar o “papa”. Escreveram-lhe o guião – para declamar em tribunal –, que viria mais tarde a dar em livro. Quem terá patrocinado a produção do mesmo? Com certeza não terá sido ela, apesar do seu apurado olho para os negócios.

A senhora fez o trabalho, recebeu, e desapareceu. E sem um arranhão. Convenhamos que o “papa”, nos seus tempos Áureos, não deixava passar isto pelos pingos da chuva. (Quem não se lembra de petardos a rebentar por baixo dos carros de jogadores após uma derrota? E eram jogadores da sua equipa.) A senhora tinha que ter uma boa protecção.

Os canarinhos de Fabiano Soares

Cabeçalho Futebol Nacional

Fundado em 1939, nos tempos da II Grande Guerra, o Estoril é um histórico da zona de Lisboa ao qual conta com sucessivas participações na Primeira Liga Portuguesa desde 1944 onde, numa fase inicial conta com uma final da Taça de Portugal, a maior goleada da história da Primeira Divisão, uns expressivos 10-0 contra o Lusitânia F.C e ainda com 96 golos marcados em 1946/47. Apesar destes fatores bastante positivos, os Canarinhos contaram com 23 anos consecutivos na Segunda Divisão e ainda com uma descida para a Segunda Divisão B (atualmente Terceira Divisão).

Entre contínuas subidas e descidas de escalão, décadas mais tarde, o Grupo Desportivo Estoril Praia enfrentou uma grave fase na sua longa história onde, devido a uma grave crise financeira, por pouco não fechou portas e parece agora voltar a erguer-se desde que, ao comando de Marco Silva, venceu a Segunda Divisão Portuguesa e, desde então, tem-se mantido na Liga NOS nos últimos quatro anos, contando com um quarto e quinta lugar no campeonato, apurando-se assim para duas edições consecutivas da Liga Europa.

Se olharmos para os jogadores que tiveram no Estoril a sua rampa de lançamento para os três grandes do Futebol Português ou até mesmo para as principais ligas do futebol europeu, não podemos ficar indiferentes a jogadores como Pauleta, Carlitos, ou mais recentemente, Jefferson, Carlos Eduardo, Evandro ou Bruno César, Marco Silva foi o novo impulsionador deste clube que continua à procura de reforçar o seu estatuto de clube assíduo na Primeira Divisão onde foi seguido atentamente pelo seu anterior Treinador Adjunto e agora Treinador da equipa principal, Fabiano Soares, o antigo jogador brasileiro que atuou durante bastantes anos em Espanha, inclusive ao serviço do Celta de Vigo.

Após a saída de José Couceiro em 2015, Fabiano Soares tem dado cartas com o seu futebol implementado com ideias fixas e bastante interessantes e é, neste momento, o único treinador brasileiro a comandar uma equipa da primeira divisão dos principais campeonatos da Europa.

Fabiano Soares tem feito um bom trabalho no GD Estoril-Praia Fonte: GD Estoril-Praia
Fabiano Soares tem feito um bom trabalho no GD Estoril-Praia
Fonte: GD Estoril-Praia

À primeira vista, quando ouvimos falar de um treinador brasileiro, julgamos sempre um futebol criativo, parado e preso às emoções do jogo onde, a tática e a organização defensiva, não são aspetos primordiais. Pois bem, Fabiano Soares teve o seu curso de treinador em Espanha e as filosofias do futebol europeu estão bem explícitas no estilo de jogo que incute nos seus jogadores.
Numa luta acesa pelo último lugar que dá acesso às competições europeias com o Rio Ave e o Paços de Ferreira FC, Fabiano Soares é um dos treinadores revelações e a ter em conta para um futuro, dada é a sua evolução e a sua capacidade de assimilar erros e de implementar as suas ideias, qualquer que seja o adversário.

O Leicester é campeão. Da utopia à epopeia: os números por trás da surpresa

Cabeçalho Futebol Internacional

Leicester City é campeão da Premier League 2015/16 e… deixou o mundo todo de boca aberta!

É unânime afirmar que no início do campeonato seria praticamente impossível imaginar que o Leicester pudesse vencer o campeonato Inglês frente a tantos gigantes. Com o decorrer da competição houve quem equacionasse esta possibilidade e na reta final já poucas dúvidas restavam que este feito se tornaria uma realidade. Esta é uma epopeia à imagem do “David e Golias”.

Algumas pessoas vêm referindo que esta vitória do Leicester mais do que uma transcendência coletiva ou superação competitiva, significa uma evidente perda de qualidade do campeonato inglês. Um decréscimo no grau de competitividade. Inclusive, que os Foxes jogam um ‘futebol menos bonito’ ou que só apostam num futebol “box-to-box” por bolas diretas. Se ainda juntarmos o fato da equipa ser treinada pelo ‘mal-amado’ ou ‘falhado’ Claudio Ranieri – sobretudo após o fracasso na Grécia, tudo favorece os tradicionais defensores da ‘sorte dos pequenos’ ou do ‘demérito dos grandes’.

Eu penso de forma, claramente, diferente. Eu acredito que este feito, juntando também, o excelente desempenho do Tottenham, West Ham e Southampton estamos assistindo às mudanças evolutivas daquilo que é o Futebol de alto-rendimento. Esta é a particularidade do campeonato Inglês: competitividade nivelada por cima; futebol intenso; desgaste imenso; espectáculo garantido e resultado incerto. O campeonato Alemão, Francês e Espanhol também o poderiam ser se não existisse tanta diferença entre Bayern, Barcelona, Real, PSG e os outros.

Creio que está custando a muita boa gente perceber que o Futebol está diferente e o crescimento de algumas potências não significa necessariamente que outras estejam enfraquecidas: a Islândia, a Austria, a Albânia, a Bélgica, a Colômbia, o Chile, o Equador e a Argélia vem mostrando isso nos palcos da FIFA, onde os orçamentos não exercem tanta diferença assim.

Vou mais longe. Alguém recorda o Boavista de 2000/01 (única vez campeão Nacional); a Roma de 2000/01 (venceu o último e apenas a 3ª Série A da sua história); o Deportivo de 1999/00 (vencedor da La Liga pela única vez); o Montpellier de 2011/12 (a única vez campeão Francês); o Wolfsburgo de 2008/09 (campeão pela 1ª e única vez); o Rubin Kazan de 2008 e 2009 (as únicas duas vezes campeão na Rússia); o AZ Alkmar e FC Twente em 2008/09 e 2009/10 (campeões incomuns)?!

Todos eles se intrometeram pela disputa do campeonato, contrariando as expectativas e ergueram o troféu de campeões nacionais. Todos, sem os recursos financeiros dos ditos ‘grandes’. São os chamados inusitados ou “insólitos da bola”! Acontecem, porque a bola é redonda e porque o futebol é mais do que um mercado da moeda. Se o analisarmos de uma forma relativa, naturalmente! Mais à frente no artigo vão perceber por que refiro: ‘se analisarmos de forma relativa’.

Fonte: Daily Mail
Fonte: Daily Mail

Porém, entre estas equipas e o Leicester, há uma verdade que se esconde por trás da surpresa: são os números. Não só os da tabela classificativa, mas também os da “motivação”!

Vamos a eles!

Vamo-nos calar agora e simplesmente acreditar!

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Gosto do futebol por todas as paixões que alimenta, pelas discussões por pequenos nadas e pela emoção da bola a correr no relvado;

Gosto do futebol pela possibilidade de verdadeiras histórias de encantar poderem surgir e de uma equipa sem qualquer probabilidade sagrar-se campeã contra inúmeros “tubarões”;

Gosto do futebol porque nos leva para um universo paralelo e porque nos permite libertar de raivas e angústias e abraçar o desconhecido ao nosso lado;

Gosto do futebol pelos mind-games, pelas provocações, pelas brincadeiras daí inerentes; no fundo o futebol faz-nos brincar e picar mutuamente, alimentando as nossas conversas diárias.

E o que não gosto no futebol? Durante as próximas duas jornadas não o irei referir; é este o meu conselho para a estrutura do Sporting Clube de Portugal… Se sim, concordo que se deva falar e apontar o dedo, acho que este é o momento de calar! CALAR SIM… agora só nos resta fazer uma coisa: CORRER, JOGAR E ENCANTAR DURANTE 180 MINUTOS.

É isto que quero agora, de nada adianta chorar sobre o leite derramado, de nada adianta (agora) criticar o que deve ser criticado. Agora é acabar a época como temos vindo a jogar, se o título vier, será bem recebido, e se não vier fica a sensação de que devia ter vindo!

Se terminarem a época a jogar como têm jogado, para o ano o estádio não terá uma taxa de ocupação de cerca de 80%, mas sim de 90% ou 100%, acreditem em vocês que nós sempre o fizemos; mesmo quando não o mereciam, mesmo quando não devíamos e nada era racional para o fazermos…

São estes aqueles que vocês têm de orgulhar, são para estes que vocês têm de jogar e deixar tudo em campo… o mais? O mais é nada! Fonte: Sporting CP
São estes aqueles que vocês têm de orgulhar, são para estes que vocês têm de jogar e deixar tudo em campo… o mais? O mais é nada!
Fonte: Sporting CP

Corram para cada bola como se fosse a última do campeonato, disputem cada lance como se fosse o último da vossa vida, sintam a vibração de um público que por vocês dá toda a garganta, todo o empenho, todos os aplausos…

Não vos peço que façam nada extraordinário, simplesmente sejam SPORTING CLUBE DE PORTUGAL. Decerto já perceberam que no mundo não há igual, o apoio que sentiram é de uma massa adepta que há muito não tem enormes alegrias, imaginem o que poderá ser se a glória aparecer.

Calem-se, não discutam, lutem, marquem golos, façam jogadas fantásticas… o que tiver de ser, será! Mas nunca se esqueçam que ao vosso lado todo um estádio gritará e qualquer adepto acreditará!

Este ano tem sido fantástico e por isso mesmo não o deixem terminar em baixo.

Aconteça o que acontecer, se terminarem o campeonato como estão agora só me resta agradecer a todos: à estrutura, à equipa, e aos milhares de amigos que partilham o estádio comigo semana após semana…

 

O resto, o resto são “peaners”!

Foto de Capa: Sporting CP

Real Madrid CF 1-0 Manchester City FC: Objetivo cumprido, venha o Atlético

Cabeçalho Futebol Internacional

Numa meia-final inédita entre o Real Madrid e o Manchester City, após um empate sem golos na primeira-parte em Manchester, pairavam algumas dúvidas em Madrid. Iria repetir-se a final de 2014 no Estádio da Luz? O Manchester City alcançaria a sua primeira final europeia? Cristiano Ronaldo estaria recuperado ao ponto de ser titular?

O português Ronaldo foi titular mantendo assim, Zidane, o habitual 4-2-3-1 com Isco no lugar habitual de James e Jesé no centro do ataque. O Manchester City manteve também o seu habitual 4-2-3-1, com os dois trincos Fernandinho e Fernando porém com De Bruyne descaído para a esquerda e Yaya Touré como elo de ligação entre o meio campo e Sergio Kun-Agüero.

Assim como se pode observar na primeira mão, com duas equipas bastante compactadas e com ataques de pouco risco, sem transições descompensadas, o clube inglês entrou sem medo com a sua defesa muito subida e com um jogo de gestão com quase todos os jogadores no meio campo adversário. Um duro golpe acaba por ser a lesão de Kompany aos 8’ minutos de jogo, obrigando Pellegrini a mexer, fazendo entrar o ex-portista Mangala.

No Real Madrid, assistia-se a uma enorme mobilidade no ataque com a defesa também subida e com Jesé, um jogador versátil que descai para ambas as alas, permite que Ronaldo e Bale apareçam constantemente no centro do ataque, confundido as marcações da linha defensiva dos citizens.

Um Benfica todos os dias – nem sabe o bem que lhe fazia!

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O Leicester é campeão de Inglaterra! O desfecho surpreendente e admirável da (incomparável) Premier League teve o condão de fazer devolver a esperança na esperança e num ápice, um pouco por todo o mundo, um sem número de adeptos do género romântico passou a exigir às respectivas direcções e equipas técnicas algo perto do milagre em gestão desportiva capaz de colocar o clube da terra na rota dos títulos nacionais – como sonhar não paga imposto, deverá ser suficiente, para tal, obter as cerca de 40 milhões de libras para compor orçamentos; ou então, deslocalizar o clube para as misteriosas East Midlands (naquele triângulo feito por Derby, Nottingham e Leicester deve existir algum segredo).

Concordo que, à primeira vista, a tarefa parece difícil de concretizar. No entanto, se observarmos mais atentamente, será possível identificar um atalho na busca pelo “Leicester português”, sem necessidade de recorrer à divisa tailandesa ou a qualquer outro transtorno. No nosso país, para que equipas de meio da tabela tivessem a possibilidade de chegar ao título bastaria terem a oportunidade de encontrar o Benfica em campo todas as semanas, para a habitual jornada do campeonato. Na condição de visitado, ou mesmo como visitante, pouco importaria, pois, como os últimos dois meses puderam comprovar, das fraquezas se fariam forças – sempre a máxima força! – e a vontade e talento emergiriam, pouco importando os contextos físicos ou anímicos imediatamente anteriores. Consigo imaginar perfeitamente: Arnold, o Mahrez de Setúbal; Postiga, o Vardy de Vila do Conde; Josué, o Huth de Guimarães; e muitos mais.

Seria interessantíssimo termos em Portugal uma mão cheia de candidatos ao título. Libertávamos o campeonato da hegemonia dos três “grandes” e, principalmente, pouparíamos o adepto comum de um Benfica campeão, refém de uma qualidade individual e colectiva tão depreciada e que, para já, serve apenas para ter mais pontos, mais golos marcados e menos golos sofridos. Infelizmente, os transtornos do quadro competitivo não o permitem. É necessário jogar todos contra todos e isso é algo que tem criado sérias e inesperadas dificuldades a vários concorrentes – o V. Guimarães, por exemplo, candidato ao título neste imaginário campeonato a dois, não vence desde 29 de Janeiro (mesmo nos poucos jogos em que Sérgio Conceição não foi expulso ou esteve suspenso).

É preciso suar e sofrer para ultrapassar os nossos obstáculos Fonte: SL Benfica
É preciso suar e sofrer para ultrapassar os nossos obstáculos
Fonte: SL Benfica

Qualquer equipa deve ambicionar ganhar o jogo – todo e qualquer jogo! O que me parece estranho, neste caso concreto, é a necessidade de um treinador enfatizar – como fez Sérgio Conceição –, na véspera da recepção ao Benfica ou da deslocação à Luz, que a sua equipa “fará tudo para pontuar”. Dá-me sempre a sensação que, em algum momento da época, essa mesma equipa nem sempre fez tudo para pontuar ou, pelo menos, nem sempre considerou tão urgente ou vital obter a pontuação. Parece-me inusitada esta necessidade de se afirmar o óbvio: quando é que uma equipa de futebol profissional, que trabalha diariamente tendo em vista um jogo ao fim-de-semana, não faz tudo para ganhar o jogo? E, já agora, o que se pode entender por “tudo”? – é que, até ao momento, ainda só vi coisas feias.

Num texto recente, escrevi que o Benfica para vencer (o jogo e o campeonato) tem sempre de jogar o dobro do seu adversário. É algo natural e que acontece por a recepção ou a visita ao maior clube português ser (sempre) o ponto alto da época para qualquer equipa. Nas últimas semanas, verifiquei outra coisa, algo que explica perfeitamente aquilo que falta a um putativo “Leicester português”: essa mesma equipa, que tão legitimamente se transcende perante o Benfica, só consegue jogar pela metade na semana seguinte, ou pior ainda, na semana anterior.

Foto de capa: SL Benfica

O absolutismo benfiquista ou quando o delírio se torna regra

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Vivem-se dias agitados para os lados da Luz. Nitidamente, a chamada estrutura benfiquista não contava que o Sporting ganhasse no Dragão, razão pela qual teve de tomar medidas. Como tal, nos últimos dias, assistiu-se a um corrupio de figurões encarnados, na ânsia de levantarem suspeitas sobre o Marítimo, sobre o Sporting, sobre o que calhar. Primeiro foi João Gabriel e o “jogo da mala”; depois foi José Eduardo Moniz – ex-opositor de Luís Filipe Vieira e, actualmente, mais um a amar o Grande Irmão – a “estranhar” que o Marítimo tenha poupado jogadores em risco de exclusão para a recepção ao Benfica (que mania esta de os clubes quererem ter os melhores jogadores disponíveis, José; enfim, do mesmo modo, também qualquer pessoa poderia “estranhar” como é que um antigo opositor se transforma em yes-man…); por fim, Rui Gomes da Silva, cuja honestidade intelectual é semelhante à de uma maçaneta de porta, escreveu no Facebook que tem dois princípios de que nunca abdica (se o próprio não se auto-elogiar, quem o fará…) e despejou frases de filósofos que provavelmente conheceu três minutos antes no citador.pt. O objectivo é sempre o mesmo das últimas semanas: levantar todo o tipo de suspeitas sobre o Sporting e o próximo adversário do Benfica. O vice-presidente encarnado atreveu-se mesmo a usar a expressão “contra tudo e contra todos” (já falei da sua honestidade intelectual?). Notável.

Esta reacção é mais um episódio do absolutismo benfiquista que, nos últimos anos, se instalou entre nós. Tal como os monarcas medievais, também Vieira, secundado pela sua corte de esbirros, gere um império autoritário, intolerante e obstinado, que julga possuir o direito divino ao poder e que olha a todos como seus servos. Todos devem prestar vassalagem ao Benfica. Qualquer atitude que se desvie do que o clube pretende é encarada como subversiva e alvo de uma campanha exemplar de acusações, contra-informação e represálias. Em sentido inverso, quem se porta bem é premiado. O Benfica mandatar um dirigente para se queixar da gestão do plantel do Marítimo é tão surreal como se o Tottenham tivesse feito birra por o Chelsea ter utilizado os melhores jogadores na partida que deu o título ao Leicester. No fim de contas, os blues, tal como o Marítimo, também já não estavam a lutar por nada, mas não deixaram de ser ambiciosos no desempenho do seu trabalho. No entanto, tudo isto é incompreensível para muitos benfiquistas. Como não podia deixar de ser, a turba encarnada aplaude freneticamente os seus dirigentes. Perante tão evidente exemplo da famosa estrutura a carburar, importa esmiuçar, então, quem são estes adeptos do Benfica – não todos, é verdade, mas uma larga maioria – que se escandalizam com tamanha afronta levada a cabo pelo Marítimo. A lista é tão longa quanto esclarecedora. Vejamos:

– são os mesmos que tentam desculpar o facto de o actual presidente, como é sabido, ter sido apanhado a escolher árbitros – à boa moda Pinto da Costa Vintage, que Luís Filipe Vieira tanto criticava;

– são os mesmos que, em 2005, acharam normal que um Estoril-Benfica se tivesse jogado no Algarve;

– são os mesmos que passaram esta época a desvalorizar o caso dos vouchers e a dizer que não passava de “cortesia”, fazendo esquecer que o que está em causa é o facto de os quatro jantares oferecidos em cada cupão (eram e continuam a ser sete cupões por jogo) poderem facilmente ultrapassar a quantia permitida – não há qualquer mecanismo para impedir que tal aconteça;

– são os mesmos que acharam normal que Marco Ferreira, o último árbitro, durante mais de um ano, a assinalar um penálti contra o Benfica e a expulsar um jogador encarnado – e que por sinal foi também o último a estar em duas derrotas do clube na mesma época – tenha sido nomeado para a final da Taça e depois despromovido, vendo-se forçado a abandonar a actividade;

vouchers
O mesmo clube que considera natural oferecer jantares a àrbitros acha agora vergonhoso que o Marítimo tenha total autonomia na gestão do próprio plantel (!)
Fonte: CMTV

– são os mesmos que, quando se começou a falar de o Benfica ser o único clube sem penáltis ou expulsões contra, consideraram normal que Nuno Almeida tivesse assinalado uma grande penalidade aos 90 minutos do jogo contra o Braga (o Benfica vencia por 5-0) e que Bruno Paixão tenha expulsado André Almeida aos 90 minutos do jogo contra o Vitória de Guimarães, quando o jogador até já estava castigado para a partida seguinte por ter atingido o limite de amarelos. Assim se “quebram” recordes curiosos e se atira areia para os olhos dos adversários, para delírio de muitos adeptos encarnados;

– são os mesmos que desvalorizaram e abafaram o facto de Marco Ferreira, árbitro escorraçado no final da última época, ter vindo a público dizer que Vítor Pereira lhe ligava para favorecer o Benfica. “Nas semanas em que eu ia dirigir um jogo do Benfica ele ligava-me sempre a pedir para ter cuidado (…). E fazia isso não só a mim como a vários colegas”;

– são os mesmos que procuraram apagar o penálti de Luisão frente ao Estoril na 1ª jornada, quando o jogo estava empatado, pelo simples facto de que o Benfica acabou por golear por 4-0 (com todos os golos a surgirem nos últimos 15 minutos).

luisao estoril

– são os mesmos a quem nunca se ouviu uma palavra sobre o penálti claro de Mitroglou na Luz frente ao Paços de Ferreira, na 6ª jornada, quando havia 0-0;

penalti mitro

– são os mesmos que, de igual modo, nunca se pronunciaram sobre o penálti que ficou por assinalar no Benfica-Arouca, quando havia 1-0 para os encarnados.

19 lisandro arouca melhor

– são os mesmos que consideram normal que o Benfica seja o clube menos amarelado da Liga.

– são os mesmos que alimentam (des)conversas até à exaustão sobre o lance da mão de Tonel em Alvalade, aclamando Rui Gomes da Silva, que disse que o atleta do Belenenses “só fez mão porque quis” e que, se fosse adepto azul, “teria vergonha” do jogador. Porém, esses mesmos adeptos não levantaram quaisquer ondas (pois claro) quando Vilas-Boas, do Rio Ave, ofereceu o golo a Jiménez (não se lançam aqui quaisquer suspeições sobre o jogador do Rio Ave, porque são infelicidades que acontecem no futebol, como qualquer pessoa com um pingo de honestidade sabe; apenas se pretende demonstrar a hipocrisia reinante na Luz, alimentada pelas principais figuras do clube);

– são os mesmos que acham normal que Slimani tenha estado condicionado durante quase cinco meses, sem saber se iria ser castigado ou não, ainda para mais tendo-se aberto o precedente de ponderar um castigo no campeonato devido a um jogo da Taça;