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A diferença está na qualidade

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Fim de semana inglório para as cores azuis e brancas. Mais uma derrota frente ao Sporting CP esta época e mais uma tremenda desilusão para os adeptos portistas, que esperavam que a equipa mostrasse muito mais, no intuito de continuar a alimentar a esperança do regresso aos títulos com o aproximar da final da Taça de Portugal.

O grupo é esforçado, trabalha com muitas limitações (lesionados, castigados e chicotadas psicológicas), e muitas vezes é prejudicado severamente pela arbitragem, mas isso não serve de desculpa para o péssimo desempenho que a equipa apresenta. Neste momento o FC Porto não tem um jogador sobre o qual poderemos dizer, sem a menor dúvida, que no futuro representará um grande clube europeu e que vá render 40 milhões. Existe qualidade no plantel, sem dúvida, grandes jogadores promissores, mas o conjunto não funciona como um só, a aposta nos jovens é escassa e a qualidade que os adeptos sabem que os jogadores têm para dar não sai. Para quem quer ganhar campeonatos e ir longe em competições europeias, este plantel atual não chega.

Hulk e James fazem falta ao FC Porto Fonte: FC Porto
Hulk e James fazem falta ao FC Porto
Fonte: FC Porto

Onde andam os jogadores como Hulk, Falcão, Guarin ou João Moutinho? O FC Porto teve a oportunidade de contratar atletas como Lucas Lima, Salvio, Keylor Navas, Oliver Torres ou Lamela num passado recente, e deixou-os fugir para contratar jogadores como Adrian, Marega, Suk ou até mesmo José Angel. O que se passa com a política de constatações do FC Porto? Apesar de ser muito fácil apontar o dedo quando as situações não são de forma alguma favoráveis, todos estes dados dão que pensar sobre se realmente é esta a continuidade que os sócios querem para o clube.

Mais recentemente Sebastián Pérez, Divock Origi e Rafa (SC Braga) foram apontados como futuros reforços do FC Porto para a próxima época. A questão que fica no ar é a seguinte: irá a estrutura dos dragões preferir contratar Bonatini a Origi ? Ou Josué a Pérez? E quem sabe até manter Marega e deixar passar Rafa? Este é um assunto que irá merecer bastante atenção no próximo mercado de transferências nas hostes do FC Porto, já que o atual plantel peca muito, no que diz respeito à sua qualidade individual.

O público portista já tem saudades de vibrar com os grandes jogos europeus, tem muitas saudades de ter o escudo de Portugal ao peito, mas acima de tudo tem saudades de sentir confiança na sua equipa e de vê-la a praticar um bom futebol. Esta situação começa a deixar de ser sustentável. O FC Porto para a próxima temporada só pode ter um destino, que é ser campeão nacional. Doa a quem doer, não podemos estar mais um ano sem ganhar nada. Ainda há uma Taça para vencer; é aí que o FC Porto tem de concentrar todas as suas forças, pois é essa conquista que voltará a colocar o clube no lugar em que merece estar.

Foto de capa: FC Porto

«Ainda não cumpri os meus objetivos de carreira» – Entrevista a Fred Gil

entrevistas bola na rede

Fred Gil, como é agora reconhecido pelo ATP, é um nome que, com certeza, traz grandes memórias ao público português. A final do Estoril Open em 2010, os quartos-de-final do torneio de Monte Carlo ou a chegada ao lugar 62 do ranking foram alguns dos efeitos que Frederico Gil alcançou. Atualmente no lugar 532 da hierarquia, o tenista português não atira a toalha ao chão e afirma que se sente com muita força para continuar e que ainda não conseguiu atingir todos os objetivos de carreira.

Foi no Millennium Estoril Open, onde Fred Gil jogou pares com Felipe Cunha e Silva, e após um treino com Nicolas Almagro, que o Bola na Rede esteve à conversa com Frederico Gil. O passado, o presente e o futuro foram os temas desta conversa.

Bola na Rede: Este ano já contas com quatro títulos de pares. Quais são os teus objetivos para esta temporada?

Fred Gil: Neste momento, quero investir mais na minha carreira de pares. Mas não vou descurar a vertente de singulares, pelo contrário. O Catalin (parceiro com o qual Fred Gil conquistou os últimos dois títulos de pares) convidou-me para jogar com ele e eu gostei muito. Ele também me vai dar uma ajuda como treinador. Estou na luta. Os meus objetivos são voltar a ganhar pontos e recuperar a confiança. Eu tinha estabelecido chegar aos 300 primeiros nos singulares.

Frederico Gil com Catalin-Ionut Gard, parceiro com o qual já venceu 2 títulos de pares este ano Fonte: Facebook Oficial de Fred Gil
Frederico Gil com Catalin-Ionut Gard, parceiro com o qual já venceu 2 títulos de pares este ano
Fonte: Facebook Oficial de Fred Gil

BnR: Achas que ainda é possível alcançar esse objetivo?

F.G.: Acho, mas vou apontar mais no sentido de terminar nos 500 primeiros. Não entrei bem no início do ano e acho que os 300 primeiros talvez seja um bocadinho difícil de conseguir. Se conseguisse acabar por volta dos 500, já seria bom.

BnR: O ano passado, neste mesmo torneio, falavas que o mais importante era seres feliz a jogar ténis. Já está tudo resolvido?

F.G.: Para mim, está tudo resolvido. Sinto-me bem novamente. Estou, entre aspas, bem com a vida e agora é focar-me mais na minha carreira e na minha vida.

BnR: No ténis, a parte mental pode ser mais importante do que a parte técnica e tática?

F.G.: Sim, claro. Sou eu que estou lá dentro. Se não estiver bem a nível mental, dificilmente vou conseguir produzir o meu melhor ténis.

Leão com fome de títulos ataca os playoffs

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Após a realização das 26 jornadas da fase regular, é de salientar a grande forma da equipa que chega à fase dos play-offs como líder inequívoco da prova, o Sporting CP. Senão vejamos: dos 26 encontros disputados, a formação leonina logrou vencer 24 e empatar um, tantos como as derrotas, apenas cedendo cinco pontos em 78 possíveis!

Ora, assim podemos ver que esta é a melhor prestação desde 2012/2013, altura em que a mesma equipa então somou 25 triunfos. Mesmo em termos de golos marcados e sofridos este é um registo assinalável, com 146 tiros certeiros contra apenas 22 bolas encaixadas, dando assim uma diferença entre golos marcados e sofridos de 124, um recorde absoluto tendo em conta os anos mais recentes de disputa da principal Liga de futsal.

Para justificar esta boa prestação podemos olhar para as contratações de grandes jogadores que vieram acrescentar bastante qualidade ao já de si forte plantel verde e branco, como por exemplo Cavinato, Fortino ou Marcão, que vieram para ser titulares e estão, para já, a justificar plenamente a sua aposta.

Rodolfo Fortino, uma das grandes aquisições desta temporada  Fonte: Sporting CP
Rodolfo Fortino, uma das grandes aquisições desta temporada
Fonte: Sporting CP

O facto de o conjunto leonino apostar somente nas competições nacionais também ajuda, pois o SL Benfica foi o campeão nacional na época passada e foi esta época o único representante luso na UEFA futsal cup, permitindo assim dedicar o seu esforço apenas na taça e campeonato.

Graças a este desempenho, a equipa do leão irá defrontar o oitavo classificado na fase regular, o Belenenses, que já viveu dias bem melhores do que aqueles que enfrenta hoje em dia. Portanto, creio que com maior ou menor dificuldade os leões irão conseguir tornear este obstáculo.

De resto, o SL Benfica defronta o SL Olivais, num confronto que também promete bons jogos. O Burinhosa garantiu o terceiro posto na última jornada e marca assim encontro com o Modicus, sexto posicionado na tabela. E, por fim, o SC Braga/AAUM encontra a AD Fundão, no que me parece ser a eliminatória mais equilibrada das quatro em questão.

Resta-nos então esperar para ver qual o resultado final e o respetivo enquadramento das meias-finais e final, sendo que toda a gente espera mais um reencontro entre Sporting e Benfica na final, para podermos assistir a mais uma série de jogos extremamente equilibrados e sempre com grande incerteza no marcador. Mas temos que estar sempre atentos a eventuais surpresas, pois temos equipas com muito valor que dão o seu melhor todos os dias em prol do seu clube e merecem por isso todo o nosso respeito.

Foto de capa: Sporting CP

FC Bayern de Munique 2-1 Club Atlético de Madrid: O ano da morte do tiki-taka

Cabeçalho Futebol Internacional

O tiki-taka morreu.

Tal como a morte simbólica do catenaccio ocorreu no dia 31 de maio de 1972, hoje foi o dia da morte do tiki-taka. Naquela altura, depois de ter dado tão bons resultados ao Inter de Helenio Herrera, o estilo de jogo defensivo parecia ter vindo para ficar na Europa. No entanto, um grupo de holandeses tinha ideias diferentes. Com Rinus Michels no comando e Cruyff dentro de campo, o Ajax venceu a Liga dos Campeões frente ao Panathinaikos em 1971 e, no ano seguinte, voltou a vencer, mas frente ao Inter. Aí, já sem Michels no banco, mas com Cruyff a comandar a equipa no relvado, o confronto de estilos não podia ser mais evidente. E foi o próprio Cruyff, com dois golos, que matou o catenaccio naquele dia, dando início à era do futebol total.

Em 2016, ano da morte de Cruyff, também o tiki-taka morreu. Foi Diego Simeone quem acabou com ele. O Atlético de Madrid eliminou, consecutivamente, Barcelona e Bayern de Munique, os dois mais fiéis representantes da filosofia de Cruyff e do estilo tiki-taka, jogando um futebol totalmente oposto àquele. No tiki-taka, é no centro do terreno que estão as maiores estrelas. No estilo que hoje é vencedor as estrelas estão nos extremos: na baliza, Oblak foi enorme; na frente, Griezmann foi letal como habitualmente (enquanto Torres perdoou, também como habitualmente). Os médios são fundamentais, mas mais pelo trabalho sem bola do que com ela. Este estilo implica também sofrimento. Suportar as investidas de Alaba, que devia jogar sempre a lateral e nunca a central – foi ele que sofreu a falta para o golo de Xabi Alonso e foi ele que cruzou para o golo de Lewandowski; travar Ribery e Douglas Costa; estar preparado para os remates de Vidal; e tentar anular Müller, esse jogador tão difícil de definir como de marcar. Até na imagem dos seus ideólogos os estilos são contrastantes. Aos românticos Cruyff e Guardiola, opõe-se o pragmático Simeone.

Comandante Simeone: o homem que derrubou o tiki-taka Fonte: Atlético de Madrid
Comandante Simeone: o homem que derrubou o tiki-taka
Fonte: Atlético de Madrid

Na semana passada, a 29 de abril, a capa do La Gazzetta dello Sport mostrava uma montagem de Simeone no estilo Che Guevara, sob o título: “Comandante Simeone. Il Cholismo e la rivolta contra il Tiqui Taca.” É verdade que os italianos são suspeitos nesta coisa de apoiar o futebol defensivo, mas o aviso estava dado. De resto, o Leicester de Ranieri também deu um pequeno contributo para a morte do tiki-taka. É que o estilo de que Guardiola tanto gosta implica muito tempo de posse de bola, mas o Atlético e o Leicester não estão nada preocupados com isso.

O tiki-taka morreu. Pode ser que renasça, em Manchester, já daqui a uns meses. Hoje, saibamos apreciar o espírito de sacrifício, a organização e a eficácia do Atlético de Madrid (e do Leicester, já agora).

6 momentos da caminhada do Leicester City FC para a história

Cabeçalho Liga Inglesa

Fantástico, histórico e para mais um dia recordar. A campanha do Leicester merece receber todos os elogios possíveis e hoje o conto de fadas teve o seu culminar quando o Leicester foi campeão. Mas esta conquista teve vários momentos, desde as dúvidas iniciais sobre Claudio Ranieri até ao momento em que o Leicester se assumiu como candidato.

Um início de pré-época quente

Poucos pensariam que Ranieri alcançaria o que alcançou no Leicester Fonte: Leicester City FC
Poucos pensariam que Ranieri alcançaria o que alcançou no Leicester
Fonte: Leicester City FC

Apesar de a época estar a acabar em glória, o inicio não foi tão calmo como se esperava. Após o milagre de ter garantido a manutenção, Nigel Pearson, que também subiu com o Leicester, foi despedido. Isso levantou uma onda de contestação por parte dos adeptos. E pior foi quando Ranieri foi anunciado como treinador. O italiano reunia fracassos atrás de fracassos, tinha acabado de ser despedido da selecção grega, uma experiência que correu muito mal, e a ultima vez que treinou em Inglaterra foi despedido do Chelsea. Não tardou a ser apontado como o primeiro treinador a ser despedido na Premier League.

The Jester from Leicester

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Não venho falar do feito do Leicester City. Mas venho dar a conhecer uma cidade que fez dois campeões numa noite. Esta segunda-feira foi o dia mais feliz da vida de Mark Selby. Nasceu na cidade de Leicester e é pela segunda vez campeão do mundo de snooker. Agora continuam as comemorações. The Jester from Leicester é uma das muitas alcunhas que Selby tem. Mas esta é a que mais se aplica aos acontecimentos das últimas horas.

A pergunta valia 330 mil libras a Mark Selby. Ser campeão no Crucible pela segunda vez ou ver o Leicester City levantar a taça. Graças a Hazard, a cidade de Leicester é agora berço do campeão da Premier League e do campeão do mundo de snooker. Mark Selby pode agora desfilar com o troféu pelo King Power. Desde ontem que existia a possibilidade de uma dupla comemoração. Selby vencia oito dos 35 possíveis frames, frente ao chinês Ding Junhui.

Mark Selby foi campeão do mundo no dia em que o Leicester FC também venceu a Premier League Fonte:
Mark Selby foi campeão do mundo no dia em que o Leicester FC venceu a Premier League
Fonte: World Snooker

O inglês já tinha admitido a sua grande vontade em repetir a festa de 2014, quando levou o troféu de Campeão do Mundo ao Estádio King Power, depois de ter ganho a Ronnie O’Sullivan e depois de o LCFC ter sido promovido para a Premier League. Desde pequeno que é fã do clube e ontem levantou o troféu no Crucible, onze minutos depois de o Leicester City Football Club vencer o seu primeiro título na Liga Inglesa.

A final é disputada desde 1977 no Crucible Theather, e vai continuar a ser até 2027, esmagando o sonho chinês de ser palco do maior evento de snooker. O inglês de 32 anos mantém-se líder do ranking mundial e ocupa mesmo, há cinco anos consecutivos, os lugares de topo da classificação.

Foto de Capa: World Snooker

A lei da eficácia

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Depois do SL Benfica ter pontuado diante dos vimaranenses, a “batata quente” da pressão recaía novamente sobre o Sporting CP.

E melhor resposta seria impossível! Dos mais confiantes aos mais céticos, era visível o nervosismo misturado com a confiança. Se por um lado todos achavam possível vencer um FC Porto bem mais débil do que nas épocas anteriores, por outro, havia muita desconfiança relativamente à vitória, talvez porque os sportinguistas – ao contrário de outros – respeitam e não esquecem o passado.

No passado sábado, estivemos perante um grande jogo de futebol, com duas equipas muitíssimo bem organizadas e ambas com vontade de conquistar os três pontos.

Não serei demagogo e assumirei sem qualquer tipo de constrangimento que o resultado é o espelho da eficácia e não de um domínio avassalador.

Creio que foi essa a chave do encontro: a eficácia verde e branca. As equipas bateram-se taco a taco, olhos nos olhos, praticando um bom futebol e proporcionando talvez um dos melhores clássicos da época 2015/2016.

No final do jogo, o agradecimento, reforçando a empatia cada vez maior entre os jogadores a “onda verde” Fonte: Sporting CP
No final do jogo, o agradecimento, reforçando a empatia cada vez maior entre os jogadores a “onda verde”
Fonte: Sporting CP

Para o Sporting CP seria o jogo do título, para o FC Porto, o jogo do orgulho.

E sim, todos os intervenientes provaram querer alcançar o objetivo final, vencer o jogo.

Mas quando se tem a sorte e o orgulho de ter no plantel jogadores como João Mário, Adrien Silva, Coates e Slimani, a confiança é reforçada, os peitos enchem-se de orgulho e os olhos brilham quando saltamos para festejar mais um golo.

E todo este processo de vencer, começa bem lá atrás, na defesa, onde, Coates é imperador no jogo aéreo e não se revela duro de rins quando é preciso dobrar um colega.

Adrien continua igual a si próprio, o cérebro do meio campo, um verdadeiro “leão”.

Estranho seria não mencionar João Mário, um titular indiscutível e um médio de classe mundial. Foi ele mais uma vez que desequilibrou e ofereceu o golo a Slimani – que quanto a mim – está no top 3 de melhores cabeceadores que já passaram pelo Sporting CP, partilhando o pódio com Jardel e Liedson.

Mas sim, num jogo bastante equilibrado, os “leões” conseguiram ganhar o meio campo e sobretudo, foram mais eficazes. Não falarei na arbitragem, porque essa, já é protagonista demasiadas vezes.

Foto de Capa: Sporting CP

Leicester FC: ‘The Dream Came True’

Cabeçalho Liga Inglesa

Sonhadores ou não, há sempre uma réstia de esperança na concretização do que idealizámos. Porque um dia fomos crianças e projectámos, no refúgio da nossa imaginação, o maior dos nossos sonhos, independentemente da probabilidade de este se alcançar, porque só há uma coisa nesse sítio tão amplo que é a imaginação de uma criança: impossíveis.

Esses não existem. Sim, pode-se ter um tubarão como animal de estimação. Sim, podemos ser astronautas e partir numa missão intergaláctica com os nossos amigos. Sim, podemos namorar aquela rapariga do anúncio, mesmo que ela tenha 20 anos a mais que nós.

Num quarto qualquer de Leicester, Inglaterra, um miúdo sonhou ver a sua equipa campeã nacional. Com certeza vindo de Filbert Way (King Power Stadium, comercialmente), sentindo, ainda o suor do sofrimento do pai no jogo a que acabavam de assistir, tendo bem presente os sons dos gritos de apoio, o cheiro da relva acabada de regar e o azul vivo que preenchia todo o Estádio.

Terá contado esse sonho a um amigo mais velho, e ele ter-se-à rido. Jamais um clube que mal conseguia sobreviver na Premier League conseguiria conquistá-la. Havia tantos clubes grandes! O Manchester Ctiy, o Manchester United, o Chelsea e o Arsenal. Jogadores tão bons, das melhores selecções do mundo. E dinheiro! Essas equipas tinham tanto dinheiro. Era ridículo pensar num clube tão pequeno como os foxes.

Esse miúdo terá ido para casa desanimado, descrente do seu sonho. Mas hoje recuperou-o. Hoje celebra de punho cerrado aquilo com que sonhara. Hoje é a imagem viva de que vale a pena acreditar que o melhor pode, de facto, tocar-nos. Podemos ser nós!

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O resultado do título
Fonte: Chelsea FC

Era ridículo imaginar, há dois anos , Wes Morgan a marcar o golo do pontinho decisivo, com aquela carequinha negra, frente ao Manchester United. O golo do empate no Teatro dos sonhos que aproximaria os foxes do culminar bem-sucedido de uma jornada épica. O golo que não era suficiente, por si, mas que podia ajudar, como todos os pontos amealhados ao longo da temporada, a conquistar uma coisa com que todos sonharam, mas que poucos tinham coragem de dizer.

Faltava algo para que Segunda-feira, dia 2 de Maio de 2016, fosse um dia histórico na vida da cidade de Leicester, no futebol inglês, no futebol mundial… na vida. Era preciso o Chelsea empatar ou ganhar ao Tottenham.

Ao intervalo desse jogo, parecia impossível que o dia 2 de Maio de 2016 fosse o tal. O Tottenham vencia por 2-0, o Chelsea mais vulgar da época vinha ao de cima, desinspirado.

O golo de Cahill, porém, fez renascer as esperanças. O resultado estava 2-1, e houve gente que voltou a achar que aquele era o tal dia. E foi. E é! Hazard colocou um ponto final na ansiada espera e ofereceu, de bandeja, o título aos foxes.

Chora-se de alegria. Penetrando pelos olhares vagos de quem invade as ruas de Leicester é possível vislumbrar o miúdo que existe em cada um dos indefectíveis do Leicester, tenham eles a idade que tiverem.

Renasce a esperança na esperança. O Leicester campeão 2015/2016 faz ver que vale a pena acreditar… seja no que for.

Foto de capa: Leicester City FC

SL Benfica 2-1 SC Braga: Jonas e Jiménez descomplicaram o difícil

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Oito alterações no onze do Benfica (restaram apenas Ederson, Lindelof e Renato Sanches) para a recepção à sempre complicada equipa do Sporting de Braga para discutir o acesso à final da Taça da Liga. Face a tantas mudanças não seria, pois, tarefa fácil perante a qualidade da equipa de Paulo Fonseca. Não podemos esperar que jogadores que estão há vários meses sem jogar (casos de Luisão e Sílvio) ou que raramente são primeiras opções nos últimos tempos (casos de Carcela, Samaris, …) consigam, de imediato, funcionar como um bom colectivo.

É por aqui que se explica o mau futebol demonstrado na primeira parte e que fez com que o Benfica tenha jogado aos repelões em todo o primeiro tempo. Sem Jonas e Gaitán, a criação de jogo ofensivo dependia quase exclusivamente de Carcela, já que o motor de Renato Sanches já rebentou há algum tempo e vem acumulando maus jogos atrás de maus jogos. Mal esteve Rui Vitória ao lançá-lo em campo… O bom golo de Rafa, após falha de marcação de Salvio, dava à equipa bracarense uma vantagem que se justificava com o que se ia passando em campo: um Benfica totalmente inoperante e incapaz de construir uma jogada ofensiva e se deixava manietar pelo jogo de posse e transições rápidas do Braga, com Rafa, Wilson Eduardo e Hassan a colocarem a defesa encarnada em trabalhos.

Jiménez, sempre oportuno, marcou o golo que colocou o Benfica na final Fonte: #SL Benfica
Jiménez, sempre oportuno, marcou o golo que colocou o Benfica na final
Fonte: SL Benfica

Pois bem, a desvantagem no marcador ao intervalo obrigou Rui Vitória a ir buscar de um dos magos do plantel encarnado e tudo voltou diferente para os segundos 45 minutos. Jonas rendeu Renato Sanches, Talisca recuou para junto de Samaris e o domínio encarnado não tardou em aparecer. Bastou o Benfica colocar uma velocidade acima e a qualidade do futebol depressa veio ao de cima. Aos 58, Carcela descobriu Jonas sozinho entre os centrais do Braga e o craque brasileiro não teve dificuldades em repor a igualdade e justiça no marcador. No segundo tempo, o Braga foi mero espectador e praticamente não deu trabalho a Ederson. Foi sem surpresa que, aos 70 minutos, a vantagem pendeu para os homens da Luz: Raúl Jiménez aproveitou uma falha inacreditável de Matheus, que falhou um pontapé na bola, e só teve de a encaminhar para a baliza deserta.

Foi mais difícil do que se calhar seria necessário, foi preciso ir buscar Jonas ao banco, mas o mais importante está alcançado: o Benfica chega à sua sétima final em nove edições da competição e irá repetir a final do ano passado frente ao Marítimo. O campeonato, esse, segue dentro de momentos…

A Figura:

Grimaldo – Excelentes indicações do defesa-esquerdo espanhol, que promete dar muito trabalho a Eliseu (se se consumar a renovação do português) na próxima temporada.

O Fora de Jogo:

Salvio – Completamente fora de forma graças às duas gravíssimas lesões que teve, não conseguiu ganhar um duelo a Djavan. Esperemos que o argentino ainda volte a ser o que já foi.

Estoril Open 2016: Surpresas, desilusões e os melhores jogos

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A segunda edição do Millennium Estoril Open chegou ao fim no passado domingo. Resta agora saber quais foram as grandes surpresas, as maiores desilusões e os melhores encontros.

Verdasco, Sousa e Simon longe do seu melhor

Fernando Verdasco, que até recebeu um convite da organização para jogar o quadro principal do Estoril Open, mostrou muito pouco daquilo que é capaz de fazer. O espanhol até vinha de vencer um torneio ATP 250 em Bucareste. Todavia, a estadia no clube de ténis do Estoril foi curta. Pablo Carreno Busta derrotou Verdasco sem qualquer misericórdia como, aliás, demonstram os parciais: 6-1 e 6-3.

Atualmente no 18º lugar do ranking, Gilles Simon chegava ao torneio português como primeiro cabeça-de-série. No entanto, esteve longe, muito longe, do seu melhor. Após eliminar o compatriota Paul-Henri Mathieu, Simon caiu aos pés de Pablo Carreno Busta. O francês não conseguiu melhor a sua prestação de 2009, quando, no antigo Estoril Open, saiu derrotado por Albert Montanes.

Confesso que tive alguma dificuldade em escolher o terceiro nome desta lista. Coric, Kyrgios, Paire, Garcia-Lopez… Eram vários os nomes que aqui podiam estar, mas não seria correto que o nome de João Sousa não estivesse nesta lista.

João não conseguiu concretizar as esperanças que nele eram depositadas Fonte: Millenium Estoril Open 2016
João não conseguiu concretizar as esperanças que nele eram depositadas
Fonte: Millenium Estoril Open 2016

O vimaranense, é certo, não teve o mais feliz dos sorteios. Nicolas Almagro, que viria depois a vencer o torneio, é um jogador muito perigoso, sobretudo em terra batida. No entanto, a jogar em casa, João Sousa tem obrigação de fazer mais. Leonardo Mayer, Rui Machado e agora Nicolas Almagro. São três anos e três derrotas na primeira ronda. Nada disto mancha o estatuto de melhor tenista português de todos os tempos, todavia falta ainda no curriculum de Sousa vencer o Estoril Open.