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SL Benfica 4-1 CD Tondela: Cumpriu-se a profecia de Jesus

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Jorge Jesus disse: “Na segunda voltamos ao segundo lugar”. Não se sabe se as palavras do antigo técnico das águias eram uma profecia ou uma tentativa de colocar pressão nos encarnados. A verdade é que as palavras de Jesus se cumpriram e o Tondela mostrou não ter equipa para se manter na primeira divisão, aumentando a desvantagem, ainda mais, para o penúltimo classificado.

O Benfica entrou no jogo como precisava de entrar: na frente. O primeiro golo nasceu de um canto que descobriu a cabeça de Jardel na área. O central-brasileiro, de volta ao onze encarnado, não vacilou e inaugurou o marcador. A atitude do Benfica não foi de bicampeão, como aliás tem mostrado várias vezes esta época depois de marcar, a deixar-se relaxar e a ver o Tondela a tentar explorar a velocidade dos seus jogadores – apesar de sem sucesso.

No meio-campo Talisca estava longe de fazer a vez de Renato Sanches; ora os passes do brasileiro saíam com muita força ora demasiado compridos. No entanto, o Benfica fez aquilo a que nos tem habituado nos últimos jogos: foi pragmático. Numa jogada de Gaitán, a romper com a defesa do Tondela, o argentino cruza rasteiro para Jonas, que fez jus à alcunha “Jonas Pistolas” e fuzilou para dentro das redes defendidas por Claudio Ramos.

A partir daí o jogo ficou mais fácil e o Benfica foi crescendo, conseguiu trocar melhor a bola e chegar mais vezes à frente. O Tondela, visivelmente desmoralizado, tentou parar os encarnados com recurso a faltas. A equipa de Petit não conseguia chegar com perigo à baliza de Ederson e a profecia de Jorge Jesus no rescaldo do Estoril – Sporting parecia cumprir-se. O primeiro lugar era novamente do Benfica.

Jonas voltou a brilhar ao serviço do SL Benfica Fonte: SL Benfica
Jonas voltou a brilhar ao serviço do SL Benfica
Fonte: SL Benfica

O Benfica começou a segunda parte lento e a gerir, mas tal passou a ser apenas um mero golpe de teatro por parte de Rui Vitória. Logo aos 63 minutos entrou Salvio, e minutos depois Gonçalo Guedes, e tudo mudou. O Benfica, sem Gaitán, não perdeu a criatividade nem a capacidade de explosão; pelo contrário. Com as entradas do argentino e do internacional sub-21 português as águias ganharam velocidade e conseguiram levar, quase sempre, a melhor sobre os defesas laterais do Tondela, levando o perigo para a área da equipa do norte.

“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, diria provavelmente Jorge Perestrelo. E diria bem: tanto o Benfica foi à área do Tondela, sempre pelas laterais, que acabou por fazer golo. Jonas bisou no encontro e voltou a mostrar-se letal contra as equipas mais pequenas. O avançado brasileiro somou o 28.º golo no campeonato e subiu para a liderança da tabela dos melhores goleadores de campeonatos na europa.

No meio campo Fejsa foi sempre imperial, tanto nos passes como nos desarmes, a compensar muitos erros do Talisca. A dupla, com as substituições, alterou-se e passou a ser formada por Samaris e Pizzi, mais juntos e mais pressionantes a conseguir gerir a bola no sector mais recuado – também contra um Tondela mais ‘morto’, diga-se de passagem. A única vez em que se viu atirar para o chão foi aos 85 minutos após um remate de Erick Moreno.

Como se as coisas não estivessem já más para o Tondela, a equipa de Petit, perdida na angústia e na amargura do jogo, viu Mitroglou escapar e ficar frente a Claudio Ramos, e o grego com uma frieza finalizadora não poupou o último classificado e marcou.  A resposta do Tondela veio nos descontos com o melhor marcador da equipa, Nathan Junior, a reduzir para 4-1 o resultado final.

Sempre por baixo do jogo os pupilos de Petit nunca conseguiram dar resposta ou tão pouco causar perigo. Mostraram o lugar que ocupam. O Benfica por outro lado soube sempre gerir o jogo, independentemente da quebra após o primeiro golo. Foi um Benfica pragmático e um Rui Vitória inteligente a jogar bem com as substituições. Foi o jogo esperado, foi a profecia de Jorge Jesus cumprida.

A Figura:

Jonas – Bisou e volta ao topo da lista da bota de ouro com 28 golos.

O Fora-de-Jogo:

CD Tondela – A equipa de Petit não mostrou atitude e nunca foi capaz de causar perigo à baliza de Ederson.

Problema central

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Mais um fim de semana, mais um ataque de nervos. Depois de ver as suas aspirações de chegar ao título de campeão nacional caírem por terra, o FC Porto procurava uma boa resposta perante os 20 mil adeptos que pintavam as bancadas do Dragão, no jogo frente ao União. Pode dizer-se que passaram no teste, mas à “rasquinha”. A equipa continua na sua lastimável série de jogos a sofrer golos para o campeonato – já vai em sete consecutivos.

Sem brio e com pouco engenho, os dragões vão somando alguns recordes negativos. A zona defensiva regista a pior série dos últimos 12 anos; para registos piores só mesmo se recuarmos aos tempos de Octávio Machado e de Mourinho, em que nas balizas defendidas pelos azuis e brancos se encaixaram 28 golos em 26 jogos. Esta temporada a contagem já vai em 23 golos concedidos em 26 encontros. Sendo que nos últimos sete jogos se sofreram 12 golos, então significa que o FC Porto sofreu mais nesta má fase do que nos outros encontros já disputados.

A Invicta depara-se com um autêntico problema central. Não é por acaso que se tem sofrido tantos golos ultimamente. A defensiva portista de jogo para jogo altera os seus elementos de forma constante, seja por opção, seja por lesão, seja por castigo; existem sempre mudanças radicais nos pressupostos táticos no que diz respeito à transição defensiva da equipa. Esta situação, que se alastra já há bastantes jogos, não tem qualquer tipo de sustentabilidade, uma vez que o FC Porto passou da melhor defesa da Liga NOS para a quarta posição em apenas seis jornadas.

Pelos meandros do Futebol corre uma máxima que diz que “a melhor defesa é o ataque”. Máxima esta que é tudo menos posta em prática no FC Porto. Todas as perdas de bola tanto no miolo, como em zona de ataque acabam por dar perigo para a baliza de Casillas. Por mais que critique a inconsistência do guarda-redes espanhol, não se pode também deixar de reprovar a passividade dos criativos da frente. Atletas como Brahimi, Jesús Corona e Herrera são provavelmente os jogadores com mais potencial do plantel para vingarem em grandes clubes da Europa, mas jornada a jornada pecam muitas vezes na saída para o ataque, com inúmeros passes errados que se traduzem em golos das equipas adversárias. Nesta fase o que os portistas apenas pedem à equipa são vitórias, bom futebol e um melhor discernimento na tomada de decisão.

Nem tudo é mau nesta nova era de José Peseiro. Apesar de o futebol praticado ser muitas vezes atabalhoado, a equipa finalmente consegue puxar dos galões para recuperar resultados desvantajosos. Também é de referenciar a nova importância que Sérgio Oliveira começa a ter no plantel, assim como a inclusão do jovem defesa Chidozie, que já demonstra muito talento apesar da sua tenra idade e experiência. Do mesmo modo, a nova dimensão que Herrera tem trazido ao meio campo portista, apesar de o seu futebol ser por vezes “tosco”, tem demonstrado uma preponderância diferente agora como capitão, estando por sua vez ligado a vários golos dos azuis e brancos. É um jogador bastante mais maduro, algo que não se via, nem pouco mais ou menos, no comando de Julen Lopetegui.

Herrera tem assumido destaque na nova era Fonte: FC Porto
Herrera tem assumido destaque na nova era
Fonte: FC Porto

Ainda muito pouco tempo de trabalho, mas ainda estamos um pouco longe de conseguir ver este FC Porto como futuro vencedor de títulos. Existem muitos problemas por limar e muitas dores de cabeça por resolver. A sorte é que os adeptos conhecem a sua casa e sabem muito bem que os jogadores que por eles jogam podem ainda dar o triplo ou o quádruplo do que têm demonstrado. José Peseiro profere que melhores tempos virão e que, até este momento, teve pouco tempo de trabalho. A única coisa que os portistas sabem é que até ao final ainda há uma Taça, que nos escapa há muito tempo, para conquistar, e esperamos todos que nesse dia estejamos à altura, porque vai haver muito tempo para melhorar e para somar mais e mais vitórias.

Foto de Capa: FC Porto

Top 10: Clubes a destacar nos principais campeonatos europeus

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Fonte: ACF Fiorentina

A equipa que esta temporada se encontra sob o comando técnico do português Paulo Sousa tem mantido o registo regular de anos anteriores, estando a lutar pelos lugares que dão acesso às competições europeias na Serie A. No entanto, o conjunto de Florença tem esta época a hipótese de conseguir atingir um lugar de qualificação para a Liga dos Campeões, fator que daria uma elevada credibilidade à campanha de Paulo Sousa nesta sua primeira aventura por solo italiano como treinador. A equipa viola, que esteve parte da temporada no topo do campeonato, encontra-se no quarto posto da Liga Italiana, apenas a cinco pontos do terceiro classificado, posição que vale um lugar no play-off de qualificação para a maior competição de clubes na Europa.

Jogadores que Admiro #53 – Zico

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Arthur Antunes Coimbra. Poucas palavras são necessárias para descrever este monstro do futebol. Devo precaver o caro leitor de que fiz esta escolha pois prefiro nomes que sejam menos (mediaticamente) sonantes. Até porque a maioria que tiver a paciência de ler este pequeno texto apenas terá visto Zico jogar pelos vídeos espalhados nessa rede chamada Internet.

Obviamente, há um nome de uma instituição associado ao camisa 10: Clube de Regatas Flamengo. Foi lá que Zico jogou praticamente toda a carreira, formando grandes equipas com jogadores como Mozer, Júnior Leandro, Rondinelli e até o “doutor” Sócrates, com quem acabou por vencer o último campeonato da carreira, decorria o ano de 1987.

No Rio de Janeiro, Zico é visto como um Deus. Símbolo maior do Flamengo, ficou para sempre com o apelido de “Galinho de Quintino”. Enfim, o número de títulos por Zico nos rubro-negros é exemplificativo da importância que o filho de portugueses tem para os flamenguistas: quatro Campeonatos Brasileiros de Futebol (1980, 1982, 1983, 1987); a Copa dos Libertadores da América, em 1981; a Intercontinental no mesmo ano, destruindo a fortíssima equipa do Liverpool, por 3-0. A este respeito, Graeme Souness, um dos muitos escoceses integrantes dessa team do Liverpool, quando treinava o Benfica, apelidou Zico de E.T.. E era-o, de facto. Estes foram os títulos principais.

Zico ainda jogou dois anos em Itália, na modesta equipa da Udinese, numa época em que os melhores jogadores do mundo atuavam naquele país Transalpino. Marcou muitos golos pelos alvi-negros italianos e levou o clube a uma inédita qualificação para a Taça UEFA, algo visto como um grande feito para um clube tão pequeno. O Flamengo ressentiu-se da perda, não vencendo esses dois campeonatos. Na volta do “Galinho” para a Gávea, mais um título e o fim da carreira a grande nível no final dos anos 80. O 10 ainda jogou no Japão, onde é visto como um rei do futebol.

A reverência ao eterno 10 do Flamengo Fonte: globoesporte
A reverência ao eterno 10 do Flamengo
Fonte: globoesporte

Em termos de seleção, Zico e companhia deram dos maiores espetáculos de sempre. Em 1978, na Argentina, não perdem nenhum jogo e vão para casa, porquanto a classificação naquele tempo era diferente – grupos de três, onde contava a diferença de golos. O polémico Argentina-Perú ficará para sempre sob suspeita de que a equipa da casa tenha coagido verbal e fisicamente os peruanos, para que perdessem por mais de três golos. Anos conturbados e de ditaduras musculadas um pouco por toda a América Latina. Ficou 6-0. No Mundial seguinte, Zico e companhia voltam, uma vez mais, a encantar o mundo, numa das seleções mais fortes de sempre. O único jogo que Zico perdeu em Mundiais foi o famoso Brasil-Itália, jogado na Catalunha, sob um calor abrasador. Rossi não teve piedade e o Brasil foi para casa com o rótulo de melhor seleção do mundo, mas sem a Taça. O Brasil de 1982 era tão forte que certamente fez de propósito para não vencer este Mundial. Brinco, claro. Porém, era uma equipa à parte das outras, sem dúvida.

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É falta na entrada da área

Adivinha quem vai bater

É o camisa 10 da Gávea

É o camisa 10 da Gávea

(Música e letra de Jorge Ben Jor)

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Em 1986, as estrelas brasileiras, ainda juntas, estavam bem mais velhas (todos com mais de 30 anos) e já sem aquela capacidade para surpreender o mundo. Mesmo assim, o Brasil teve uma grande prestação, apenas eliminado nos penáltis pela França de Platini. Zico entrou a meio do jogo e falhou um penálti ainda no tempo regulamentar. O encontro terminou com o placard de 1-1. Aquando da marcação das penalidades, Zico não falhou, mas até hoje os brasileiros não perdoam aquela grande penalidade não concretizada por Zico, que daria o 2-1. Ao carioca só faltou mesmo ser Campeão Mundial; uma espinha entravada, de facto.

Enfim, um dos maiores de sempre: Top 10 dos melhores futebolistas brasileiros no século XX; 14.º melhor da História para a FIFA, sendo, neste quesito, o terceiro brasileiro a entrar no Hall of Fame daquele órgão, logo atrás de Pelé (1.º lugar) e Garrincha (8.º lugar). Zico detém ainda a marca capicua e invejável de maior artilheiro no Maracanã – esse mítico estádio do futebol mundial: 333 golos apontados ao serviço de uma camisa, a número 10 do Flamengo, que será para sempre sua.

Foto de Capa: imortaisdofutebol.com 

CF ‘Os Belenenses’ 3-0 SC Braga: Restelo mais perto da Europa

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Num fim de domingo e no intervalo de uma eliminatória importante com o Fenerbahçe, o Sporting de Braga visitou o Estádio do Restelo. Houve algumas mudanças efectuadas por Paulo Fonseca, dando a titularidade a Aaron, Arghus e Forbes e colocando Rafa e Hassan no banco. Do lado do Belenenses, a equipa habitual, com Miguel Rosa no banco.

Foi uma primeira parte morna, com as duas equipas encaixadas uma na outra. Poucos remates enquadrados com a baliza (três) e muitos remates para longe desta. Talvez pelo facto de o Braga estar no meio de uma eliminatória, foi o Belenenses a ter mais iniciativa. Por duas vezes, Marafona teve de intervir e salvar os minhotos do golo certo. Do lado dos arsenalistas, algumas investidas no ataque, mas apenas num lance Ventura teve de se aplicar. Num empate sem golos e num jogo que não foi muito atractivo, há a realçar os erros defensivos da equipa bracarense. Muita falha de comunicação entre jogadores e guarda-redes, muitos erros e bolas mal cortadas, principalmente de Arghus. É notório que não está entrosado com a equipa.

A segunda parte não foi muito diferente da primeira, tirando no pormenor mais importante do jogo, a finalização. Na primeira oportunidade de golo o Belenenses, através de Gonçalo Silva, inaugurou o marcador após canto de Carlos Martins. Aos 61 minutos Julio Velázquez mexeu na equipa, entrando Miguel Rosa, e a substituição não podia ter corrido melhor. O número 7 dos azuis na primeira vez que tocou na bola fez o 2-0 ao responder de cabeça a um cruzamento de Sturgeon.

Aos 66 minutos foi a vez de Tiago Caeiro também fazer o gosto à cabeça e matar o jogo. O avançado do Belenenses fez o 3-0 no terceiro remate da equipa do Restelo, na segunda parte. Uma eficácia de 75% na segunda parte que ditou a vitória do Belenenses; André Pinto remata por cima aos 73, no primeiro e único remate do Braga na etapa complementar do jogo.

Vitória mais do que justa dos azuis do Restelo num jogo algo morno e sem grandes oportunidades de parte a parte, mas o Belenenses foi a equipa que mais procurou a vitória.

Perguntas BnR: 

Paulo Fonseca ficou desiludido com o resultado da partida
Paulo Fonseca ficou desiludido com o resultado da partida

Paulo Fonseca – Sentiu que houve falta de entrosamento e de comunicação entre a defesa, principalmente na primeira parte, onde há um lance onde isso é notório? R: Senti isso mais na segunda parte, houve mexidas, mas, tirando os dez minutos dos golos, a defesa esteve bem.

Julio Velázquez – Tem dito que o objectivo é a manutenção mas no final do jogo tocou o hino da Liga Europa e o Speaker falou no tema; isso passou a ser um objectivo oficial do Belenenses? R: Não, o nosso objetivo é jogo a jogo. Agora estamos a pensar no Tondela e quando este jogo acabar pensaremos no Sporting, e assim sucessivamente. Quando aqui cheguei estávamos três pontos acima da linha de água e jogávamos com o Boavista num jogo decisivo. É esta a nossa mentalidade e vai ser assim até termos matematicamente assegurada a manutenção.

Julio Velázquez estava encantado com a equipa do Restelo
Julio Velázquez estava encantado com a equipa do Restelo

Os adeptos do Belenenses já colocaram uma tarja com o seu nome na bancada. É importante esse apoio da bancada, visto que o Julio era um desconhecido para muitos? R: Estou muito feliz por estar aqui. Este grupo tem sido fantástico, não pensa em individualismos. Os adeptos, obviamente, ajudam. Têm sido incansáveis no apoio. Estou a gostar de estar em Lisboa, de treinar este clube.

Miguel Rosa – Um comentário ao jogo? R: Vitória justa. Foi um jogo onde estivemos bem e merecemos os três pontos. Este grupo já merecia uma vitória assim.

A Figura:

Julio Velázquez – Mexeu, e bem, no jogo e a vitória tem muito mérito do espanhol, sendo que o próprio Paulo Fonseca elogiou o futebol do Belenenses. Encontrou a equipa em zona de descida e neste momento está a quatro pontos da Europa. Veio como um desconhecido mas está a mostrar uma óptima imagem.

O Fora-de-Jogo:

Defesa do SC Braga – As alterações na equipa foram decisivas para a derrota, principalmente na defesa. Nunca houve o entrosamento certo e foram notórias as falhas de comunicação.

Reportagem de André Conde e Rodrigo Fernandes

Seja bem-vindo, King William!

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O Sporting venceu neste sábado o Estoril na Amoreira, regressando assim, provisoriamente, à liderança do campeonato. Os “verde e brancos” reagiram bem à derrota no dérbi e colocam alguma pressão sobre o Benfica, antes do jogo destes contra o Tondela.

Frente aos “canarinhos”, Jorge Jesus fez algumas mudanças surpreendentes no onze inicial. Os regressos de Rúben Semedo e Zeegelaar já eram esperados, devido à falta de ritmo de Paulo Oliveira e à ausência forçada de Jefferson. Contudo, Schelotto e Teo Gutiérrez foram, para mim, titularidades surpreendentes. O lateral ítalo-argentino continua sem me convencer, tanto a nível defensivo como a nível ofensivo. Alguns cruzamentos e até remates despropositados, aliados àquele corte “kamikaze” no último lance da partida, que só não deu golo devido a Rui Patrício, comprovam que é um jogador demasiado inconstante para alinhar num esquema defensivo alto e arriscado como o do Sporting.

Mostra muita raça e garra, mas isso por si só não chega. É preciso mais e, neste momento, penso que João Pereira tem mais capacidade para tal. Já no que toca ao avançado “cafetero”, não vou bater muito mais no “ceguinho”. Apenas desejo que JJ comece a preferir Barcos em relação a Teo, devido à falta de compromisso do colombiano para com a equipa.

Contudo, este último jogo trouxe várias coisas boas. Slimani quebrou o jejum, bisando na partida (o primeiro golo é de uma classe cada vez mais vista no argelino); Coates e Rúben Semedo voltaram a estar muito bem na partida (as dificuldades que um jogador da qualidade de Paulo Oliveira está a ter para regressar ao onze são prova disso); Rui Patrício voltou a dizer “presente”, sendo fundamental para segurar mais três pontos; e, por fim, a última grande novidade: William Carvalho.

William Carvalho tem sido cada vez mais preponderante nos "leões". Fonte: Sporting CP
William Carvalho tem sido cada vez mais preponderante nos “leões”
Fonte: Sporting CP

O número 14 leonino, depois de um início de época afastado das opções por lesão e de alguns meses com uma qualidade exibicional longe do que já vimos dele, tem estado a realizar bons jogos, o que é uma ótima notícia, tendo em conta que estamos na reta decisiva da Liga e cada vez mais próximos do Europeu. Frente a Vitória de Guimarães, Benfica e Estoril, ou seja, nos últimos três jogos do campeonato, o médio defensivo leonino foi sempre dos melhores da equipa, sendo muito influente na recuperação de bolas e na segurança que ajuda a transmitir ao quarteto defensivo.

Também por aí se diz que o Vitória e o Benfica tiveram apenas uma ocasião de golo frente aos “leões”, tendo sido o Estoril aquele que mais incomodou Rui Patrício. Infelizmente, o setor ofensivo não esteve tão forte nas duas partidas anteriores, tendo a equipa amealhado resultados negativos. Contudo, isso não apaga o rendimento do subcapitão “verde e branco”. A sua passada larga no meio campo voltou a superiorizar-se à dos médios e avançados contrários; tem jogado com a cabeça cada vez mais levantada e a braçadeira de capitão, que utiliza nas ausências de Adrien, tem-lhe assentado muito bem. William parece estar cada vez mais sereno e a assimilar melhor as ideias pretendidas por JJ para as suas funções dentro das quatro linhas.

Promete uma luta intensa com Danilo Pereira pela titularidade na equipa das quinas, o que é uma ótima dor de cabeça para Fernando Santos. Finalmente, temos William!

Espero que o número 14 dê seguimento a esta forma recente e continue em grande plano até ao final da temporada, ajudando o Sporting a cumprir o sonho de ser campeão em maio.

Uma última nota para os panfletos que foram espalhados na última sexta feira, em algumas estações de metro da capital portuguesa. Encontrei uma dessas “relíquias”, já ao final da tarde, e ri-me. Ri-me bastante enquanto lia as coisas que lá estavam escritas, lembrando-me de sete ou oito “pessoas” que já as disseram publicamente. É fácil imaginar quem são os cobardes que criticam Bruno de Carvalho, utilizando panfletos porque têm medo de o confrontar publicamente. Pois eu, como sportinguista,  só tenho uma coisa a dizer: tenho muito orgulho em dizer que sou adepto do clube que tem Bruno de Carvalho como presidente.

Pode falar demais no Facebook, pode dizer demasiadas verdades aos árbitros, verdades que eles não gostam de ouvir, mas ao menos luta, de forma clara, por valores nobres como a verdade desportiva, pela elevação e pelo regresso à ribalta do Sporting Clube de Portugal, ao contrário de presidentes e candidatos a presidentes que almoçam com os Mr.Burns desta vida ou de presidentes que fizeram negócios ruinosos como a venda de Eric Dier por cinco milhões de euros, em épocas em que nem sequer participámos nas competições europeias.

Bruno, faça o favor de continuar sempre com o pé no acelerador na defesa dos interesses do Sporting Clube de Portugal!

Foto de Capa: Sporting CP

 

Magomed Ozdoev – Os novos voos da águia inguche

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Em Dezembro de 2015, aquando da visita do Liverpool FC ao terreno do FC Rubin Kazan em jogo a contar para a fase de grupos da Liga Europa (UEFA Europa League), o carismático treinador dos Reds, Jürgen Klopp, terá alegadamente estado à conversa durante cerca de quinze minutos com aquele que é talvez um dos mais promissores médios do futebol russo e um elemento de elevada importância na manobra ofensiva do emblema do Tartaristão: Magomed Ozdoev.

O teor da conversa entre ambos é desconhecido, mas sabendo-se da capacidade de persuasão do técnico alemão, será, talvez, legítimo dizer-se que terá conseguido deixar o jovem Ozdoev a pensar em como seria a sua vida em Anfield Road. Segundo o empresário do talentoso médio russo, existem actualmente diversas equipas interessadas em negociar a transferência de Ozdoev com o FC Rubin Kazan, que terá fixado para o efeito uma cláusula de cerca de seis milhões de euros. Equipas alemãs, mas também inglesas, estarão na frente da corrida para garantir os serviços do médio russo para a próxima temporada, mas também o Spartak Moscovo de Dmitry Alenichev terá manifestado interesse em contar com o jovem atleta a partir do próximo Verão.

Ozdoev é oriundo de uma localidade rural e pobre com um nome verdadeiramente impronunciável, Ordzhonikidzevskaya, na República da Inguchétia no norte do Cáucaso, e surgiu no mundo do futebol num clube modesto da região chamado FC Angusht Nazran. As qualidades futebolísticas que já se conseguiam antever aos 16 anos de idade fizeram com que se mudasse de armas e bagagens para os escalões mais jovens do FC Terek Grozny, um clube com outro arcaboiço, que lhe proporcionou, primeiro, uma breve passagem pela segunda equipa do FC Dynamo Kyiv e, mais tarde, fixar-se em definitivo no FC Lokomotiv Moscovo. Foi no emblema moscovita que, em 2010 e com apenas 18 anos de idade, começou a dar conta de si e foi aos poucos procurando o seu espaço no meio-campo da equipa.

Magomed Ozdoev ao serviço do FC Lokomotiv Moscovo a fazer um jovem adepto ganhar o dia após ter recebido a sua camisola Fonte: sportri.ru
Magomed Ozdoev ao serviço do FC Lokomotiv Moscovo a fazer um jovem adepto ganhar o dia após ter recebido a sua camisola
Fonte: sportri.ru

As oportunidades, contudo, tardaram em chegar e uma média de 12 a 15 jogos por época, eram pouco condizentes com a sua enorme qualidade e potencial. Na temporada passada, talvez cansado de esperar, Ozdoev procurou outras paragens e saiu por empréstimo para o FC Rubin Kazan, o emblema de maior destaque da República do  Tartaristão. Com Rinat Bilyaletdinov, pai do antigo internacional russo e jogador do Everton FC, ao leme da equipa, Ozdoev rapidamente conquistou o seu espaço no meio-campo encaixando na perfeição na função de organizador de jogo em zonas mais recuadas e elemento de ligação entre a defesa e a linha intermédia. Rinat Bilyaletdinov é um técnico conhecido pela sua capacidade em trabalhar e desenvolver jovens jogadores e com Magomed as coisas não foram diferentes.

Ozdoev participou em 32 jogos na temporada passada, cerca de 2500 minutos de jogo, e foi da maior importância para a boa época realizada pelo FC Rubin Kazan. O jovem médio inguche joga e faz jogar e nem mesmo a turbulência vivida pela equipa na primeira metade desta temporada, que espoletou a saída de Rinat Bilyaletdinov, fez esmorecer todo o talento de Ozdoev. A mudança de técnico não abalou minimamente o antigo jogador do FC Lokomotiv Moscovo e Valeriy Chaly, antigo adjunto de Bilyaletdinov, tem conseguido retirar o melhor do talentoso médio.

As exibições consistentes ao serviço do FC Rubin Kazan, que no passado Verão comprou o seu passe em definitivo, não lhe valeram, contudo, de forma algo incompreensível, o regresso à selecção, que já representou nos tempos de Fabio Capello, mas uma possível mudança para um grande clube do velho continente no final da temporada poderá fazer com que Leonid Slutsky mude de ideias.

Ozdoev é um médio versátil que desempenha variadíssimas funções no centro do terreno,  podendo actuar como armador de jogo mais recuado ou um pouco mais à frente como apoio aos avançados. O seu bom posicionamento em campo permite-lhe também desempenhar funções de cariz mais defensivo caso assim seja necessário. Magomed é um médio russo clássico, dotado de uma capacidade de passe de calibre elevado e de um sentido de jogo absolutamente notável. Os seus movimentos em campo mostram-nos um jogador com uma inteligência tremenda dentro do terreno, capaz de arcar com as responsabilidades de carregar a equipa nos momentos mais complicados.

Ozdoev ao lado de Denis Glushakov numa das suas passagens pela equipa nacional do seu país Fonte: rfpl.org
Ozdoev ao lado de Denis Glushakov numa das suas passagens pela equipa nacional do seu país
Fonte: rfpl.org

Numa altura em que o FC Rubin Kazan parece estar a voltar a crescer, como deixou transparecer a exibição da Jornada 19 da Liga Russa perante o FC Kuban Krasnodar, Ozdoev volta a assumir-se como o patrão do meio-campo da equipa, mas conta agora com a preciosa ajuda do talentoso médio croata Mijo Caktas, que chegou à formação tártara na passada janela de transferências, proveniente do HNK Hajduk Split.

Ozdoev já marcou um golo esta temporada, curiosamente contra o FC Terek Grozny, clube que representou na sua juventude, mas, ainda mais importante, é que já contribuiu com uma mão cheia de assistências para golo, tanto na Liga Europa como na Liga Russa.

Magomed tem tudo para ser um caso sério de sucesso, mas as decisões que tem a tomar quanto ao seu futuro nos próximos anos ditarão seguramente o nível que poderá, eventualmente, atingir. Ozdoev é o “herdeiro” de uma geração de futebolistas russos que, apesar de terem prometido bastante, ficaram claramente aquém das expectativas muito por causa da manifesta falta de ambição que revelaram. Esta nova fornada de jovens jogadores, na qual Ozdoev se insere, parece porém diferente daquela que a antecedeu, deixando prever um futuro muito risonho para um futebol que parece mergulhado num esmorecimento constante, como é o caso do futebol russo.

Foto de Capa: news.sportbox.ru

FC Porto 3-2 CF União: Mais do mesmo

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Após mais um resultado negativo para a turma de Peseiro, o FC Porto recebeu no Dragão um União da Madeira pressionado e a precisar de ganhar pontos. Os azuis e brancos alinharam novamente com uma defesa remodelada com a inclusão de Chidozie e de José Angel, estando Layún a ocupar a zona central da defesa ao lado do jovem nigeriano. Do lado dos Dragões, destaque também para a titularidade de Aboubakar e de Sérgio Oliveira. Na equipa insular, Norton de Matos também promoveu várias alterações no seu onze inicial face ao último jogo contra o Belenenses, nomeadamente a inclusão de Ricardo Campos, Diego Galo, Tiago Ferreira, Toni Silva e Miguel Cardoso.

O FC Porto entrou muito forte no início do jogo e tentou dar uma boa amostra ao pouco público que afluiu ao Dragão. O conjunto de Peseiro investiu muito numa troca de bola rápida e numa ligação forte entre o seu jogo interior e as suas alas. Já a equipa da Madeira tentou defender bem nos minutos iniciais e tentou aproveitar a velocidade dos seus avançados de maneira a procurar alguma descompensação da defesa portista. O FC Porto assumiu-se como dono e senhor do jogo desce cedo, pressionando bem e recuperando a bola depressa, mas não conseguiu criar um único lance de verdadeiro perigo. Depois de chegar várias vezes à área do União FC sem concretizar, os Dragões adiantaram-se no marcador aos 25´. Grande passe de Sérgio Oliveira a desmarcar Maxi e o uruguaio em esforço serviu Aboubakar para o primeiro golo da noite.

Aboubakar após ter inaugurado o marcador Fonte: FC Porto
Aboubakar após ter inaugurado o marcador
Fonte: FC Porto

O União tentou responder e chegou pela primeira vez à baliza de Casillas aos 34´, com um remate forte em arco defendido pelo guardião espanhol. Depois dessa oportunidade, o FC Porto procurou chegar ao 2-0 através da procura constante de desmarcações que descompensavam a equipa insular. Foi numa dessas desmarcações que proporcionaram uma grande oportunidade a Aboubakar, aos 36´. O camaronês esteve muito mal na finalização ao tentar fazer um chapéu que saiu horrível e acabou nas mãos de Ricardo Campos. Ao acabar a primeira parte o guarda-redes do União FC fez outras duas boas intervenções que negaram o segundo golo dos Dragões: a primeira a um cabeceamento de Herrera e a segunda a um remate de longe de Rúben Neves. Já no último minuto da primeira parte, a defesa azul e branca voltou a tremer como tantas vezes neste campeonato e Miguel Cardoso teve o empate nos pés, mas exagerou com fintas e acabou por perder a bola.

O resultado no final da primeira colocava os Dragões na liderança de forma justa, mas também colocava pressão em cima da equipa para o segundo tempo. O União FC teria que se aventurar mais na segunda parte para chegar ao empate e sair com algum ponto da cidade do Porto.

A segunda parte começou de forma idêntica à primeira. O FC Porto entrou forte e com vontade de ter o controlo do jogo através da posse de bola e só foram precisos seis minutos para se gritar golo no Estádio do Dragão. Herrera recebeu a bola já dentro da grande área do União FC, tirou um adversário da frente e fez um remate em arco que só parou no fundo das redes da equipa insular.

Norton de Matos quis mudar o rumo dos acontecimentos e fez entrar dois jogadores ofensivos nos primeiros quinze minutos: o goleador máximo da equipa Danilo Dias e o jovem venezuelano Cádiz. Já a equipa azul e branca não queria ficar por aqui e continuou a encostar o União FC à sua área. Para isso, a grande qualidade na troca da bola que os Dragões apresentaram foi crucial.  Mas a defesa do Porto continuou a mostrar as suas debilidades ao permitir que um cruzamento de Cádiz oferecesse mais um golo no campeonato a Danilo Dias. Estava feito o primeiro golo do conjunto de Norton de Matos que colocava muita pressão em cima dos jogadores do FC Porto e muitos nervos nos adeptos.

Herrera quis responder de imediato ao golo sofrido aos 62´ e num lance rápido de contra-ataque desperdiçou uma grande oportunidade que dava outra tranquilidade aos Dragões. O jogo tornou-se mais aberto na última meia hora de jogo uma vez que o União FC procurava o empate e a equipa da Invicta ambicionava o terceiro golo. Foi a equipa da Madeira que chegou ao empate apenas cinco minutos depois de ter reduzido a desvantagem. Cádiz aproveitou mais uma descompensação da defesa azul e branca e apesar de ter feito um remate torto, a bola sobrou para Danilo Dias que, mesmo em cima da linha de golo, empatou o jogo provocando uma grande revolta no público do Dragão.

Peseiro apostou na entrada de Suk para tentar chegar novamente à liderança do marcador e, nos últimos vinte minutos do jogo, o FC Porto encostou mais uma vez a equipa insular à sua grande área. Enquanto que os assobios e a onda de negativismo do costume assombravam as bancadas do Dragão, Corona rematou fortíssimo para o fundo da baliza de Ricardo Campos, dando vantagem à equipa do Porto aos 87´. Já em cima dos 90´, Brahimi teve nos pés a hipótese de matar o jogo com um remate forte de fora de área que foi defendido pelo guarda-redes da equipa visitante. No tempo de compensação, Marega entrou e Francisco Ramos estreou-se com a camisola principal do FC Porto, ajudando a equipa a defender um resultado que foi mais difícil de alcançar do que aquilo que se esperava.

A equipa de arbitragem liderada por Manuel Oliveira teve bem durante o jogo e só foi alvo de críticas num lançamento dado aos Dragões, uma vez que esse lançamento devia ter sido dado ao União FC. Na sequência do lance, o FC Porto fez o terceiro golo.

A Figura:

Norton de Matos –  Apesar do resultado, o treinador lisboeta fez com que o União FC jogasse bom futebol e conseguisse discutir o resultado até ao fim depois de ter estado a perder por dois golos. Acertou em cheio nas substituições que vieram a dar o empate à equipa Insular.

O Fora-de-Jogo:

A Defesa do FC Porto – Layún não é central, José Angel não é um jogador com nível para jogar no FC Porto e Chidozie ainda está muito verde para ser uma aposta credível. Mais uma vez a defesa dos Dragões voltou a tremer e a errar. Mas engane-se quem diz que a culpa é só da defesa. Muita falta de planeamento e muitas más decisões na gestão são os verdadeiros responsáveis por este fora-de-jogo semanal.

Foto de Capa: FC Porto

Estoril-Praia SAD 1-2 Sporting CP: Super & Mário

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Mais um jogo para a liga e nova revolução realizada por Jorge Jesus no onze dos leões. Tendo em conta o derby do passado sábado, foram cinco as alterações promovidas no Sporting. Coates foi o único a manter o seu lugar na equipa titular, tendo a companhia de Rúben Semedo no eixo defensivo. Zeegelaar e Schelotto assumiram as laterais e Teo voltou a fazer parelha com Slimani, relegando Ruiz para a posição de extremo.

Nas bancadas, hoje com o verde e branco como cores predominantes, ouvia-se a alto e bom som o apoio dos adeptos do Sporting ao seu clube e a tarja “A Guerra não se perde ao perder-se uma batalha” dava o mote para o acreditar leonino.

A resposta dos jogadores foi imediata e Slimani (quem mais poderia ser?) marcou o primeiro golo ainda antes do término dos primeiros cinco minutos, com um remate colocado. O lado direito dos leões,  Schelotto – que parece ser um extremo pela maneira como joga – principalmente, colocava Babanco em funções meramente defensivas; tentando os canarinhos surpreender através de Mattheus.

O jogo baixou em termos de intensidade, mas o Sporting nunca deixou de estar mais pressionante e de tentar procurar o segundo golo. Teo Gutierrez, por duas vezes, e Bryan Ruiz tiveram boas hipóteses para tal mas não conseguiram assustar Pawel Kieszek.

Já Coates e Semedo iam conseguindo anular a ameaça de Leo Bonatini e até por algumas vezes tentando sair a jogar; o central uruguaio é um verdadeiro patrão da defesa e é uma adição de qualidade a esta equipa de Jorge Jesus.

Ainda assim, o meio campo verde e branco ressentia-se da ausência de Adrien Silva; Aquilani não faz a mesma pressão sobre os adversários e não é tão lesto a sair a procurar linhas de passe como o capitão do Sporting. Ainda assim, estas lacunas não tiveram grande parte nesta primeira parte, uma vez que o jogo foi muito mais disputado nas zonas laterais.

Mesmo sobre o final do primeiro tempo surge o segundo golo dos leões. Um centro largo de Bryan Ruiz – onde Kieszek poderia ter feito mais e melhor – e Super-Sli faz o golo da tranquilidade.

Ao intervalo o resultado era justo e mostrava o que se passou realmente em campo. A equipa de Jesus continua a acreditar que pode quebrar o jejum e os adeptos continuam fiéis ao seu clube. Pela positiva destacavam-se Slimani, João Mário, Ruiz e Coates; no reverso da medalha encontrava-se o inevitável Teo Gutiérrez, que continua uma sombra do jogador que encantou na Copa América.

Slimani e João Mário foram os principais obreiros da vitória frente ao Estoril Fonte FPF
Slimani e João Mário foram os principais obreiros da vitória frente ao Estoril
Fonte FPF

A segunda parte começa com uma flagrante hipótese para o Estoril-Praia. Mendy, isolado perante Rui Patrício, tem tudo para fazer o golo estorilista, mas o guardião leonino faz uma enorme mancha e evita o tento da equipa da casa.

Rúben Semedo era o jogador mais em destaque nos primeiros 15 minutos, efectuando inúmeros desarmes providenciais e evidenciando a sua velocidade nas dobras, não permitindo aos comandados de Fabiano Soares criar grande perigo perto da área leonina.

Teo voltou a sair de jogo sem acrescentar nada aos leões, sendo por demais evidente que não é com o avançado cafetero que o Sporting poderá ter garantias de golos.

Com o desenrolar do segundo tempo o Sporting acabou por passar a controlar o jogo, baixando os níveis de pressão, o que levou a equipa da casa a acreditar. Aos 79′ Leo Bonatini reduz para a equipa da casa, na sequência de um pontapé de canto, colocando um interesse adicional na partida e aumentando o nervosismo nas bancadas.

Os últimos dez minutos foram assim disputados com um Sporting mais interventivo e a querer procurar o terceiro golo, sabendo que um golo do Estoril poderia ter repercussões graves na luta pelo título.

Os três minutos adicionais dados pela equipa de arbitragem trouxeram consigo o último fôlego da equipa passada, que subjugou os leões ao seu último reduto e obrigou Jesus a queimar tempo com a sua derradeira substituição, tirando João Mário para colocar Barcos.

Um final nada expectável perante o que as equipas mostraram em campo durante grande parte do encontro, mas o Sporting pode – e deve – continuar a acreditar.

 

A Figura:

João Mário – Critério e Classe. O médio leonino é o melhor jogador jovem do campeonato e é um prazer vê-lo jogar com a camisola verde e branca. Raramente falha um passe, raramente decide mal; é por demais evidente que tem que estar no Euro 2016.

O Fora-de-Jogo:

Teo Gutiérrez – O dia há de chegar em que o jogador colombiano não seja o jogador mais fraco em campo. Sem chama ou sem qualquer vontade de lutar pela disputa de bola, a teimosia (ou será acreditar?) de Jesus no número 19 dos leões acaba por parecer demasiado evidente.

 

Reportagem de Nuno Almeida e Vítor Miguel Gonçalves

Foto de Capa: Bola na Rede

Façam-nos felizes

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Benfiquistas, que fase que estamos a viver. Numa altura em que as competições se encaminham para o fim vemos um Benfica a liderar o campeonato e a depender apenas de si para ser campeão, um Benfica nas meias finais da taça da liga e nos quartos da Liga dos Campeões, coisa que já não acontecia há alguns anos. Depois de tanto sofrimento e de sermos tão rebaixados reerguemos-nos e voltamos ao lugar que temos ocupado nos últimos anos.
O inicio da nossa época em nada fazia prever esta enorme recuperação. Lembro-me de olhar para a nossa equipa e dizer para mim próprio que este ano seria para esquecer, seria um ano de transição, onde o mister teria de implementar o seu modelo de jogo e preencher as lacunas que o nosso plantel apresentava. Quem não se lembra da nossa pré época e do nosso arranque de época desastroso? O certo é que esse modelo foi assimilado mais rapidamente do que todos estávamos à espera e que aqueles que teriam de “nascer 10 vezes” se mostraram à altura para ir compensando as ausências inesperadas e para preencher os lugares onde tínhamos um défice de jogadores. Mesmo tendo sido criticado por tudo e todos, Rui Vitória conseguiu acabar com a brisa de descrédito que pairava sobre si e afirmou-se, não só nas competições nacionais mas também nas internacionais, o que torna esta época importante a nível de encaixes financeiros para o clube. Com um grande carácter, o mister vermelho e branco tem mostrado serviço de qualidade à frente da turma da Luz.
Rui Vitória ultrapassou todas as críticas e o 'seu' Benfica está em grande forma Fonte: #SL Benfica
Rui Vitória ultrapassou todas as críticas e o ‘seu’ Benfica está em grande forma
Fonte: #SL Benfica
A forma como “trabalhou” alguns jogadores da formação e os incorporou no onze e a veia goleadora que inseriu no Benfica são duas provas da excelente prestação que Rui Vitória tem tido, principalmente de Janeiro em diante. Apesar de por momentos termos duvidado, o certo é que a equipa não tremeu e conseguiu mostrar que união é a palavra que reina dentro do balneário encarnado. Com uma entrega enorme e com um espírito de sofrimento tremendo, o plantel encarnado tem ultrapassado os seus adversários sabendo jogar consoante os momentos do jogo e, acima de tudo, sabendo colmatar as suas lacunas.
Restam-nos nove finais, nove jogos onde os nossos corações vão palpitar desesperadamente, mas o futebol é isso mesmo, sem este nervosismo, sem esta incerteza não teria a mesma graça. Por isso, sem grandes euforias, vamos encarar todos os jogos com confiança e acreditar na nossa equipa, acreditar na vontade que eles têm de mostrar a tudo e a todos de que fibra são feitos os jogadores que carregam a águia ao peito.