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Shakhtar Donetsk: Venham os ucranianos

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Numa semana irregular em que começa com uma goleada sofrida em Belém e em que acaba de marcar pela segunda vez na sua história, e presença nos quartos-de-final da segunda grande competição europeia, o Sporting Clube de Braga volta a fazer história e irá agora defrontar os ucranianos de Donetsk, o FC Shakhtar.

Num sorteio que acabou por ser satisfatório, dadas as presenças de equipas como o Borussia Dortmund, o Liverpool e o atual bicampeão Sevilha, o atual segundo classificado do campeonato ucraniano, a três pontos do líder Dínamo, não será tarefa fácil de todo, e a prova disso é o facto de ter eliminado o Schalke 04 e o RSC Anderlecht.

O FC Shakhtar dispensa apresentações e, apesar de ser presença regular na Liga dos Campeões, procura repetir a sua única conquista europeia em 2008/09, em que foi campeão, vencendo o Werder Bremen F.C. na final por duas bolas a uma.

O clube liderado por Mircea Lucescu conta com 23 vitórias, quatro empates e sete derrotas, marcando 79 golos e sofrendo 34 vitórias. Note-se que cinco destas derrotas, com 16 golos sofridos, foram concedidas na fase de grupos da Liga dos Campeões, onde teve que medir forças com duas superpotências europeias, o PSG e o Real Madrid.

Dentinho faz parte da significativa "armada" brasileira do Shakhtar Fonte: FC Shakhtar
Dentinho faz parte da significativa “armada” brasileira do Shakhtar
Fonte: FC Shakhtar Donetsk

À imagem do seu treinador, o F.C. Shakhtar continua a apresentar um futebol de cariz ofensivo com muitos golos e, apesar de ter perdido o seu melhor marcador e um dos melhores marcadores da Europa para os chineses do Jiangsu Suning, continua a ser uma equipa que marca bastantes golos e apresenta movimentações ofensivas e objetivas idênticas àquelas que nos habituámos a observar nos últimos anos.

Com a instabilidade vivida na Ucrânia, a dificuldade em contratar jogadores aliou-se à venda, de certa forma forçada, de peças fundamentais como Mkhitaryan, Willian, Fernandinho, Douglas Costa, Luiz Adriano e, neste mercado de inverno, Alex Teixeira.

Gerou assim receitas na ordem dos 174 milhões de euros apenas com estes seis jogadores, possibilitando a compra de jogadores como Bernard, Fred, Taison (peças fundamentais do clube ucraniano) e muitos outros jogadores, maioritariamente sul-americanos como Dentinho, Wellington Nem, Facundo Ferreyra, Fernando, Ismaily, entre muitos outros.

Ángel, a grande nódoa do plantel

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Depois de um longo interregno de escrita (por motivos universitários e desportivos) eis que volto “à carga” no BnR, desta feita com um assunto que desde o ano passado me tem deixado com a “pulga atrás da orelha”: José Ángel.

Quando o lateral esquerdo chegou ao Dragão, com um percurso imaculado pelas seleções jovens da poderosa máquina espanhola e passagens por clubes como Roma ou Real Sociedad, vi nele uma boa opção para a possível ausência de Alex Sandro, lateral de luxo que estaria em vias de sair.

Pois bem, grande foi a minha expetativa, grande foi a minha desilusão. Parafraseando o rapper português Valete numa música em alusão ao Sporting de Paulo Bento e concretamente sobre Pereirinha, Ángel é um “lateral vegetal: mal ataca, mal defende”… Contam-se pelos dedos de uma mão os cruzamentos que o espanhol consegue fazer chegar à área, e não existem mãos nem dedos que cheguem para contar os cruzamentos falhados, para fora ou intercetados muito antes sequer de entrar na área.

Erros atrás de erros. Por exemplo, os golos sofridos frente ao Borussia em casa, os dois golos sofridos com o Moreirense e os golos recentes do Arouca tiveram um denominador comum: mau posicionamento defensivo de Ángel. É incrível a facilidade com que o número 14 dos Dragões é ultrapassado pelos adversários e, pior, é o típico jogador que só vê a bola, deixando as costas livres para, se necessário, ir cortar um cruzamento à lateral oposta, deixando o seu lado completamente livre e sem ninguém, o que tem custado muitos golos. E poderíamos falar de muitas mais coisas negativas do jogador, que foi, de longe, a “prendinha” mais envenenada que Lopetegui deixou para Peseiro.

Ainda assim, penso que o atual timoneiro azul-e-branco (digo atual, pois a conferência de Villas-Boas no final do Zenit-Benfica, fazendo alusão ao seu portismo, foi o “assinar” de um contrato verbal com os Dragões, e assim o espero!), José Peseiro, depois de mostrar uma enorme coragem ao lançar Chidozie na equipa principal, tem agora medo de lançar o jovem Verdasca quando se vê limitado de centrais, desposicionando o melhor lateral da liga para o centro (Layun) e vendo-se obrigado a jogar com Ángel, que quanto a mim não tem lugar em 90% das equipas da primeira liga. Pior que tudo, o jovem Victor Garcia, que é de longe o melhor lateral da segunda liga portuguesa e tem feito excelentes jogos sempre que chamado ao plantel principal, pode perfeitamente jogar na ala esquerda! Enfim.

José Ángel nunca convenceu desde que chegou ao FC Porto Fonte: FC Porto
José Ángel nunca convenceu desde que chegou ao FC Porto
Fonte: FC Porto

Custa-me dizer mas… Este pobre (em termos futebolísticos) lateral esquerdo recorda-me flops como Sankaya, Areias, Stepanov, João Paulo, Ezequias ou Mário Silva, com a diferença de que todos (ou quase todos) os nomes que referenciei foram campeões, certamente não pelo fraco contributo que os mesmos deram…

Que saudades tenho do “bad boy” Fucile, do “loco” Álvaro Pereira ou do “certinho” Sapunaru… Até de Marek Cech! Isto para não falar dos enormes Danilo ou Alex Sandro, que tão criticado fui quando escrevi que bastaria saírem do Porto para Dunga olhar para eles e irem para a seleção canarinha ocupar os lugares dos velhotes Dani Alves e Marcelo… Quem diria, ein?

Sendo que este campeonato (mais uma vez liderado pelas vergonhosas arbitragens que constantemente puxam o mesmo clube para cima e afundam quem querem e convém) está praticamente decidido, é hora de começar a arrumar de vez a casa em péssimo estado deixada por Lopetegui e mandar embora jogadores como Casillas, Maicon, Indi, Marega, Varela e Evandro e perceber até que ponto compensa manter o “não larga a bola e só joga bem na Europa” Brahimi, Aboubakar ou Maxi Pereira… O plantel precisa de uma lavagem urgente, tão urgentemente quanto necessita de títulos…

Felizmente, o pesadelo “Ángel no Dragão” parece estar a chegar ao fim, pois tenho a informação (não revelarei fonte nem dou 100% de certezas) de que o lateral, sendo um pedido expresso de Lopetegui, será “despachado” no final da corrente temporada e o jovem Rafa, entretanto cedido à Académica, fará parte do plantel 16/17.

Vamos lá, presidente; é nestas alturas que a sua palavra é chave!

Foto de Capa: FC Porto

“A Caminhada – Passo 6” Carnide Clube – Lousã V.C. 3-2

cab Voleibol

Com sorte, até ao fim da época, teremos o prazer de assistir a 3 ou 4 jogos como o CC-Lousã.

Independentemente de tudo o que esta época ainda tenha para nos contar mora em Carnide uma das melhores equipas do País na sua divisão e a jogar um voleibol com uma qualidade que só é superada pela garra e atitude que demonstra.

Jogamos contra, não haja a mínima duvida, uma equipa belíssima e cheia de talento. Este LVC é extremamente organizado e tem na central nº8 uma jogadora de eleição.

O último set é uma descarga de adrenalina sem preço num hino ao voleibol. Teve tudo! Mas o destaque vai para a emoção que trouxe… e, no que a nós diz respeito, aquela última sequência feita daquela maneira com a saída da Bia do banco nem nos melhores dramas do cinema seria tão bem escrita. Foi uma prova de grupo, foi épico e foi imensamente merecido personificado na pessoa ideal!

Houve notável noção da maratona que seria o jogo por parte do LVC, que o abordou muito bem, soube mudar cedo e acima de tudo teve a calma para resistir ao impacto dos 2 primeiros sets. Os 2 seguintes foi libertar um pendor incrível de disponibilidade física e qualidade, não fosse este um jogo imprevisível e que muda a qualquer momento e, contra outra equipa qualquer essa recuperação tinha-lhes dado a vitória. Mas não ali, não contra o CC, não contra este grupo! Encaramos a negra com a seriedade possível e fomos buscar ao talento individual e a profundidade do plantel o que nos faltou. Depois é a alma de toda uma equipa a correr a mil a hora, é o saber que isto no fundo é mais emoção que outra coisa qualquer e que se acreditarmos o suficiente, tivermos coragem e estivermos juntos ninguém nos roubará o sonho!

Nestes jogos, o voleibol é outra coisa qualquer, com vida e vontade própria.

A Lousã que não tente perceber o que aconteceu. Fez tudo o que qualquer equipa podia para ganhar o jogo.

Nem tudo é Farinha do mesmo saco

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Vou escrever este texto como sportinguista que está cansado de tanta (des)informação no futebol português.

Mas comecemos pelo início, que deveria ser onde tudo começa (desculpem a redundância) …

Neste mundo, onde se dá total liberdade e condições para que um auto denominado “estado islâmico” prolifere e semeie pânico e terror a seu bel-prazer conseguindo cada vez mais seguidores, onde um dos mais fortes candidatos à presidência de um país que se auto denomina como o baluarte da democracia e país de oportunidades é alguém que defende uma limpeza étnica e defende o uso massivo de armas, onde alguém é aceite para um alto cargo político de forma a não poder ser julgado por determinados crimes, só pode ser um mundo de loucos.

Todas as entidades acima referidas, para conseguirem estar na situação em que estão, usaram a mensagem certa para o público a que se dirigiam. Ou seja, a informação que se dá não tem que ser a certa, tem que ser a que o público quer ouvir.

Assim sendo, e porque é verdade que nos tempos actuais a comunicação tem muita força, as entidades só têm que ter uma comunicação eficaz e eficiente, de forma a encontrar a mensagem certa para quem a vai consumir.

Inventar problemas entre BdC e Jesus é um dos hobbies favoritos dos amigos de João Gabriel Fonte: Artista do Dia
Inventar problemas entre BdC e Jesus é um dos hobbies favoritos dos amigos de João Gabriel
Fonte: Artista do Dia

Se a mensagem se dirigir a uma “população” com determinados gostos, interesses, e com motivações geradas por determinados temas, então terá que se usar uma mensagem que chame a atenção através de um tema para o qual esse universo está mais predisposto.

Ora, reflectindo isto para o universo do futebol português da actualidade, os órgãos de comunicação encontraram uma “mina” (não das usadas em armamento bélico, mas daquelas onde se encontram pedras e metais preciosos – sendo que os dois casos geram riqueza.), uma vez que podem usar interesses opostos para criar uma guerra entre dois universos com interesses e gostos opostos.

Evitar (todos) os erros

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sl benfica cabeçalho 1

Faltam oito finais e nenhuma pode ser negligenciada. O jogo do ano (ou do título) será sempre, a partir daqui, aquele que se segue, disputado em casa ou fora, qualquer que seja o adversário. O Benfica depende apenas de si para manter o 1.º lugar; para chegar ao tricampeonato 29 anos depois. Porém, qualquer erro, qualquer desconcentração ou qualquer relaxamento podem alterar, por completo e de imediato, esta situação, esbanjando a equipa uma vantagem que conquistou com todo o mérito e toda a justiça – e já agora: no sítio e na hora certas.

Quando Mitroglou – o avançado relegado pelos rivais e com que o Benfica se tem vindo a contentar (até ao momento autor de 19 golos nesta época) –, festejando mais um golo, mais uma vitória e mais uma goleada, despiu a sua camisola aconteceu exactamente, num resumo dum segundo imperfeito, tudo aquilo que nesta fase não pode acontecer ou que, no mínimo, deve ser evitado: um erro, uma desconcentração e um relaxamento. Pouco me importam as suas razões, se o acto foi ou não intencional, instintivo ou reflectido, se foi estratégia ou, simplesmente, uma explosão de alegria.

Numa ou noutra justificação, a resposta peca sempre por desvirtuar a forma de ser, de estar, desta equipa (e do seu treinador) e que tão bem explica (a todos os defensores da verdade desportiva) a sua actual posição, quer em Portugal quer na Europa dos oito. Ao grego faltou concentração ou, como alternativa, consideração pelo próximo adversário. Pelo sim, pelo não, escolho acreditar na primeira hipótese – cometer um erro acontece a todos e Mitroglou, na verdade, já conquistou crédito para, desta vez, ser perdoado.

Estratégia ou esquecimento? Um erro. Fonte: SL Benfica
Estratégia ou esquecimento? Um erro
Fonte: SL Benfica

Trabalho e humildade

O Benfica desloca-se ao Bessa. O Boavista está longe dos seus tempos áureos; no entanto, o seu recinto sempre foi, e continua a ser, sinónimo de grandes dificuldades. Apesar da confiança – que se sente no relvado e se propaga no apoio de milhões –, a base para esta vitória terá sempre de passar pela receita de sucesso demonstrada, semanalmente, em cada lance e em cada jogo: muito trabalho e muita humildade. É fundamental respeitar o adversário e jogar, do primeiro ao último minuto, como se tudo se resolvesse aqui e agora, de preferência, usando do talento colectivo e individual de que dispomos.

Sonhemos

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cab premier league liga inglesa

No final do ano passado, no dia seguinte ao Boxing Day, referente à jornada 18 da Premier League, assinei um artigo cuja ideia principal incidia sobre a alta probabilidade de Leicester e Watford (na altura, duas grandes sensações) virem a cair. Não pela falta de qualidade, mas pelos índices físicos que o futebol inglês exige e pela simplicidade dos seus processos poder ser facilmente anulável não só pelo conhecimento das respectivas manobras, mas também pelo maior investimento de outros emblemas nos respectivos plantéis, já para não falar da fortíssima hipótese de, sobretudo o Leicester, poder ver-se privado de referências como Vardy ou Mahrez.

Na altura, o Leicester era líder, com 2 pontos de vantagem para o Arsenal e com 3 para o City, enquanto que o Watford ameaçava o 6º lugar, de acesso à Europa, na altura ocupado pelo Manchester United, com quem divida o posto.

Passados 2 meses e meio e 12 jornadas da Liga inglesa, e apesar de estar em boa posição de discutir presença nas meias-finais da FA Cup, os comandados por Quique Flores caíram muito, tanto a nível exibicional como pontual, dando sentido à lei insensível e imperdoável dos números e das probabilidades: seu jogo passou a ser mais facilmente manietado, resultando em apenas 9 pontos somados em 36 possíveis.

Okazaki festeja o 1-0 ante o Newcastle. Um golo de mais uma vitória rumo ao sonho Fonte: Leicester City
Okazaki festeja o 1-0 ante o Newcastle. Um golo de mais uma vitória rumo ao sonho
Fonte: Leicester City

Já o Leicester manteve-se no topo da tabela classificativa.  Desde aí, tremeu um pouco, somando 5 partidas sem vencer em 6 jogos disputados em todas as competições (incluindo FA Cup, portanto), mas não deu a liderança de bandeja a ninguém, recusou-se a ceder e, de seguida, venceu três jogos consecutivos, dois deles contra equipas com objectivos de maior responsabilidade (Liverpool e Manchester City). É certo que foi tropeçando depois disto, mas também contou com o atípicos deslizes da concorrência, que agora se encontra a uma distância considerável. O principal perseguidor passou a ser o Tottenham, que está a 5 pontos; o Arsenal já está a 11 e o City a 12 (ambos com o jogo a menos).

FC Bayern Munique 4-2 (a.p.) Juventus FC: morreu o sonho italiano para renascer o de Guardiola

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O Allianz Arena recebeu, esta quarta-feira, a segunda parte daquela que foi uma eliminatória muito emocionante e competitiva, disputada entre o FC Bayern de Munique e a Juventus FC, a contar para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Com muito sofrimento à mistura, e depois de uma magnífica reviravolta, os “bávaros” deram o melhor seguimento ao empate conseguido em Turim, numa primeira mão onde até construíram uma vantagem de dois golos, mas deixaram os pupilos de Massimiliano Allegri recuperar.

Em território alemão, o cenário foi semelhante, mas, desta vez, com o Bayern a rir por último. A Juventus colocou-se na frente do marcador logo aos cinco minutos, quando Paul Pogba aproveitou da melhor maneira um erro defensivo de David Alaba e meteu a bola no fundo das redes da baliza defendida por Manuel Neuer. O golo, porém, não serviu para espevitar a partida, que manteve uma toada muito serena, com o jogo a ser disputado, essencialmente, a meio-campo.

Ainda antes da primeira hora, Juan Cuadrado finalizou com mestria uma brilhante jogada de contra-ataque iniciada e desenvolvida por Álvaro Morata, que, depois de deixar a defesa do Bayern para trás, assistiu o internacional colombiano, que não desperdiçou. A partir daqui, a Juventus baixou as suas linhas e a equipa de Pep Guardiola teve mais espaço para pensar a sua saída de jogo com bola no pé, evidenciando, a cada minuto que passava, o seu domínio na partida; estava com mais posse e mais pressionante, isso era evidente. Contudo, a falta de oportunidades claras de golo deixaram os alemães um pouco nervosos com o resultado, que registava um surpreendente 0-2 ao intervalo.

Allianz Arena lotada num dos jogos mais emocionantes da época  Fonte: FC Bayern Munique
Allianz Arena lotada num dos jogos mais emocionantes da época
Fonte: FC Bayern Munique

Na segunda parte, o Bayern voltou a entrar algo inquieto na partida, novamente com dificuldades na fase de construção e cometendo falhas defensivas graves que poderiam comprometer a eliminatória. A Juventus, por seu lado, parecia tranquila com o rumo dos acontecimentos; tão tranquila que, a dada altura, quase abdicou de atacar. O conjunto alemão continuava a ter mais bola, mas os contra-ataques construídos pela turma de Allegri eram cada vez menos. O Bayern pressionava, mas só aos 73 minutos conseguiu materializar o domínio exercido no terreno de jogo, quando Robert Lewandowski marcou um belo golo de cabeça, depois de um irrepreensível cruzamento de Douglas Costa.

A Juve continuava na frente da eliminatória, mas o cenário já não era tão favorável. A equipa fechou-se na sua defesa, recuando ainda mais as suas linhas, mas acabou por sofrer o golo do empate já nos descontos: também de cabeça, Thomas Muller respondeu de forma exímia ao cruzamento do jovem Kingsley Coman e levou a decisão da eliminatória para prolongamento. No tempo extra, que, fruto do natural cansaço que se apoderou dos jogadores, acabou por não ser tão bem disputado como o resto da partida, o Bayern foi mais eficaz e acabou por marcar por duas vezes – Thiago Alcântara aos 108 minutos e Coman aos 110, num golo de belo efeito – fixando o resultado final em 4-2 (6-4 no total da eliminatória).

Para a história fica uma Juventus muito aguerrida e corajosa, que mostrou, uma vez mais – recordo que chegou à final da Liga dos Campeões na época passada –, ter capacidade para defrontar qualquer equipa; e fica também a sensação de que o Bayern terá de melhorar em certos aspetos, sobretudo ao nível da criação de oportunidades, se quiser voltar a reerguer o troféu de clubes mais valioso do futebol europeu. Em suma, hoje passaram, e bem, os alemães, mas a Vecchia Signora caiu de pé.

A Figura:

Pep Guardiola – Pedia-se outra acutilância ofensiva a este Bayern, que falhou muito no último passe e no último terço do terreno. Ainda assim, foi do banco que veio a receita do triunfo “bávaro”: Coman e Thiago, que entraram já no decorrer da partida, fizeram, já no prolongamento, os golos que carimbaram o passaporte do Bayern para os quartos de final da Liga dos Campeões.

O Fora-de-Jogo:

Hernanes – É difícil escolher um “elo mais fraco”, sobretudo quando todos os elementos da Juventus se esforçaram muito para passar a eliminatória, mas o internacional brasileiro esteve particularmente desligado da partida. Quando Allegri precisava de um jogador para assumir a construção de jogo ou para dar seguimento às (poucas) jogadas ofensivas da sua equipa, Hernanes não se fez notar.

Foto de Capa: FC Bayern Munique

O Desporto é muito mais do que rivalidades

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Hoje estava a pensar falar na vitória do Sporting em termos colectivos no nacional de corta-mato e no descontrolo emocional de Sara Moreira… Mas sei que, felizmente, um “é normal” e o outro vai ser recuperado… E acredito que Sara Moreira irá brilhar brevemente noutras grandes corridas. Aquele de quem quero aqui hoje falar é Nélson Cruz, um atleta 100% amador que trabalha num supermercado no distrito de Setúbal.

Quando Nélson Cruz saiu do seu trabalho (enquanto repositor de produtos), pouco depois da meia-noite, não podia imaginar que algumas horas mais tarde pudesse sagrar-se campeão nacional de corta-mato… Esta podia ser uma história de encantar, mas não… É uma história de trabalho e dedicação, esforço e suor, e finalmente a glória. Nélson Cruz, atleta do Clube Pedro Pessoa (que também é o seu treinador), apesar de fazer a prova há “12 ou 13 anos”, nem sequer tinha terminado no top 10 até então…

Mas, este ano, viu a sua oportunidade e agarrou-a com todas as forças… Colou-se logo no início à liderança da prova e ninguém acreditou que ele aguentasse o ritmo… Quando foram atrás, já era demasiado tarde e teve a vitória com mais de cinco segundos de vantagem.

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Sara Moreira teve um dia mau no Campeonato Nacional de Corta-Mato, mas em anos de grandes competições é importante cairmos para nos sabermos levantar
Fonte: Sapo Desporto

Felizmente Portugal é um país de “heróis” que com pouco conseguem muito e este é mais um exemplo fantástico do que o esforço pode fazer atingir. No passado tive a oportunidade de ver um grande campeão olímpico português, o Nelson Évora, a treinar o “seu” triplo salto sem grandes condições para trabalhar… Mas a verdade é que sempre atingiu grandes resultados. E o que mais me “entristece” é que estes “heróis” pedem pouco… No final da prova quando lhe perguntaram “E agora?” a resposta foi “Agora gostava de ter um aumento”… Ganha pouco mais de 600 euros e tem o terceiro filho a caminho.

Longe vão os tempos em que éramos uma potência no meio-fundo mundial e que tínhamos quase sempre atletas nas provas internacionais a conseguir ganhar medalhas… Longe vão os tempos em que existia uma rivalidade Sporting vs. Benfica vs. Maratona Clube de Portugal, etc.. Obrigado, Nélson Cruz, por nos mostrares que não há limites para a vontade do Homem… E, quando “Deus quer, o Homem sonha e a obra nasce”! E Sara, quanto a ti, todos temos um dia mau… Este foi o teu deste ano… Com tantas competições que aí estão a chegar, agora só pode melhorar!

Foto de Capa: www.setubaltv.com

Vida de Árbitro – Entrevista a Olegário Benquerença

entrevistas bola na rede

Olegário Benquerença é um dos nomes de referência na arbitragem portuguesa e marcou, sem dúvida, o início do século. No seu currículo conta com o Euro’2008 e Mundial’2010 e vários jogos para as competições de clubes da UEFA. É um árbitro de elite. O antigo árbitro leiriense fala, pela primeira vez desde que terminou a carreira, sobre como é este mundo da arbitragem e as suas opiniões em relação às novas tecnologias no futebol, à próxima geração de árbitros e aos presentes de clubes a árbitros.

Bola na Rede: Faz em Junho um ano que se afastou dos relvados. Sente saudades?

Olegário Benquerença: Eu nesse assunto digo muito simplesmente: não tenho saudades. Tudo na vida tem um tempo e se há actividade que está devidamente estipulada quanto à sua permanência é a arbitragem. Todos os árbitros sabem que aos 45 anos de idade terminam as suas carreiras. Portanto, penso que quem for organizado mentalmente se prepara atempadamente para chegar ao fim; fechar a porta e viver apenas de recordações dos bons momentos que teve ao longo desses anos todos.

BnR: Durante os anos em que arbitrou conseguiu sempre separar a sua profissão da actividade de árbitro?

O.B.: Quando se chega ao nível de uma primeira categoria, a árbitro internacional, a arbitragem torna-se muito absorvente em termos de tempo e disponibilidade para o exercício da função. Os árbitros adequam as suas vidas para poderem estar em disponibilidade total para a arbitragem. Portanto quando se fala no profissionalismo da arbitragem fala-se de uma falsa questão. Os árbitros são já profissionais na atitude, profissionais na dedicação e na disponibilidade que têm para o desempenho, com jogos ao domingo, à quarta, jogos nas ilhas, jogos internacionais… A nossa vida passa por ser-se árbitro e nas horas vagas trabalhar nas profissões que temos. No meu caso concreto, foi uma opção que eu tomei em 2002. Eu era profissional de seguros, trabalhava numa seguradora, e abdiquei da minha carreira pessoal para ter uma disponibilidade total para a arbitragem.

BnR: Qual é que é a história mais marcante que guarda dos anos em que arbitrou?

O.B.: Tenho felizmente muito boas recordações de diversos momentos da minha carreira. Não consigo destacar nenhum momento em particular por razões desportivas, ou porque este jogo foi melhor do que aquele… No entanto, é verdade que o momento mais simbólico de toda a minha carreira foi a estreia no Campeonato do Mundo. Foram muitos anos a sonhar. Quando eu entrei para a arbitragem já alimentava esse sonho e lutei toda a minha carreira para conseguir concretizá-lo. Felizmente consegui e no dia em que fiz o meu primeiro jogo [Mundial de África do Sul de 2010] senti a recompensa por todos os anos de sacrifícios pessoais, profissionais e familiares que tive que fazer ao longo desse período.

BnR: Por falar em competições internacionais de selecções, não há árbitros portugueses no Euro 2016. Acha que se perdeu qualidade na arbitragem?

O.B.: Eu não acho que se tenha perdido qualidade. Provavelmente aquilo que se perdeu, e não foi agora, foi a preparação do momento após a minha saída e após a saída do Pedro Proença. As pessoas, e nomeadamente as pessoas do Conselho de Arbitragem, preocuparam-se sempre muito mais com a gestão das suas próprias carreiras do que com a gestão da arbitragem portuguesa; e a gestão da sua sobrevivência. A prova disso é que ao fim destes anos, nós, arbitragem, fomos forçados a colocar quatro árbitros na lista da FIFA que em conjunto não tinham sequer dez jogos de primeira categoria. Isto é claramente um caso único na história da arbitragem portuguesa, e isto sem pôr em causa o mérito e a capacidade individual de cada um deles.

BnR: As pessoas parecem estar muito longe de conhecer o processo de selecção…

O.B.: Há um desconhecimento muito grande do público em geral, no que diz respeito à forma como são seleccionados os árbitros para as competições internacionais. E essa ausência de conhecimento leva a que se cometam muitos erros de análise, que se cometam muitas injustiças na avaliação, como dizer que o árbitro A ou o árbitro B teoricamente não fez um bom trabalho no jogo A ou B. Não é nada disso. Posso dizer que quando fui ao Campeonato do Mundo de 2010, a pré-selecção dos árbitros que iriam ao Mundial nesse ano foi feita em 2007. Três anos antes! Três anos antes já o mundo sabia de que lote de 54 árbitros sairiam os 24 que iriam ao Campeonato do Mundo. Portanto, durante três anos foi uma ignorância total sobre aquilo que iria ou não iria ser o Mundial no que diz respeito à arbitragem. As pessoas não percebem que o Europeu de 2016 foi preparado em 2013. Assim que acaba o Europeu de 2012 começa-se a preparar o Europeu de 2016. Neste momento, o Mundial de 2018 já tem os árbitros pré-seleccionados.

BnR: Acha que em 2018 Portugal já vai estar representado ao nível da arbitragem?

O.B.: Salvo qualquer imponderabilidade, como abandono de carreira, morte, enfim… Salvo qualquer coisa do outro mundo, Portugal em 2018 estará  representado pelo Artur Soares Dias. Ou não terá árbitros. O Artur foi pré-seleccionado pela FIFA, foi fazer testes já no ano passado e está neste momento a competir, se quisermos assim, com um grupo de árbitros do mundo inteiro. Seis meses antes é apresentada a lista, mas essa lista já vem de um trabalho longo de três anos de preparação, selecção, de presença em competições. O Artur esteve no Campeonato do Mundo na Nova Zelândia há seis meses já no plano de preparação. Foi seleccionado para esse Mundial para ser avaliado, para ser acompanhado, monitorizado, e chegará ao fim e terá resultados, ou não. Portanto já sei que daqui a um ano e meio, quando sair a lista, se por infortúnio nosso o Artur não for seleccionado ninguém irá falar disto que estamos aqui a dizer hoje. Dir-se-á na altura que é por causa das arbitragens que ainda hão-de ser feitas no campeonato de 2017/2018 que os árbitros portugueses não irão estar ou irão estar. 

Grande dérbi atrai todas as atenções

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cab futsal
O grande embate do Futsal português, um dérbi que promete muita emoção desde o apito inicial da equipa de arbitragem até aos segundos finais, está a pouco mais de meia semana de se realizar, pois é já no próximo sábado, dia 19 de março, que as duas melhores equipas nacionais voltam a defrontar-se. Desta feita, será num encontro relativo à segunda volta, discutido agora em solo leonino, após a vitória por duas bolas a uma em meados de outubro do ano passado. Ambas as equipas chegam ao tão aguardado jogo em muito boa forma, a jogar bem e a ganhar confiança à medida que os jogos passam, com a liderança a ser ocupada pelo SL Benfica, com mais três pontos do que o Sporting CP mas também mais um jogo disputado (20 das águias contra 19 dos leões, graças ao adiantamento do jogo contra o Sporting de Braga, disputado originalmente no fim-de-semana em que se disputa a final-four da UEFA Futsal Cup, na qual o Benfica irá estar presente).

Estatisticamente falando, o Sporting aparece com mais golos marcados e menos golos sofridos do que qualquer outra equipa no campeonato português, tendo naturalmente o melhor goal average (diferença entre golos marcados e sofridos) de todos os 14 participantes na Liga Sport Zone. Por outro lado, encontramos um Benfica bastante mais pragmático, conforme se viu no jogo da primeira volta perante a equipa leonina, pese embora as recentes goleadas, sobretudo perante o Sp. Braga (7-0). Apesar do que as estatísticas possam indiciar, este vai ser, sem dúvida, mais um jogo fantástico e imprevisível até ao fim.

                           Rodolfo Fortino vai ter oportunidade de se estrear em derbies Fonte: #Sporting CP
Rodolfo Fortino vai ter oportunidade de se estrear em dérbies
Fonte: Sporting CP

Não é possível prever o resultado final, é certo, mas o mais importante é que esta será mais uma ótima divulgação da modalidade entre duas grandes equipas, um pouco à medida da primeira volta, com o Sporting a assumir as despesas do encontro e o Benfica um pouco mais na expetativa, à espera daquilo que o jogo lhe possa proporcionar, ainda por cima jogando fora de casa. Não é necessariamente uma má estratégia, sobretudo se der resultado, conforme se viu no encontro da sétima jornada. Um pormenor que, para finalizar, tenho de referir: ao contrário do jogo da primeira volta, o Sporting já vai poder contar com Rodolfo Fortino, que não pôde jogar devido a suspensão no jogo no Pavilhão da Luz.

É, sem sombra de dúvida, um dos destaques e dos pilares essenciais na boa época que o Sporting tem vindo a fazer e que pode, salvo algum impedimento de última hora, fazer toda a diferença para as hostes verde e brancas. Também do lado encarnado, Chaguinha parece estar restabelecido e pronto para dar o seu contributo, tendo afinado a pontaria no jogo anterior perante o Boavista (7-0), no qual marcou dois golos, assim como Rafael Hemni, também ele impedido de mostrar a influência na manobra ofensiva da equipa por suspensão. Portanto, teremos duas equipas na máxima força e prontas para dar o seu melhor à procura da vitória e da liderança após este jogo.