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BnR Clínico: A lesão no joelho de Salvio

Como amantes de desporto, todos desesperamos quando as super-estrelas das equipas que apoiamos ficam “fora de combate” por lesão. E todos sem excepção fazemos sempre as mesmas perguntas: “E agora quanto tempo é que ele vai ficar sem jogar?! Isto é coisa para passar rápido ou vamos ter que ir ao mercado buscar alguém para o lugar dele? E vai voltar a jogar ao mesmo nível?”.

Ora, o Bola na Rede resolveu chegar-se à frente para responder a estas questões de uma forma simples e clara, para que os verdadeiros amantes do desporto não sustenham mais a respiração durante meses enquanto o jogador não joga, desconhecendo realmente o que o está a fazer ficar “no estaleiro”. E começamos imediatamente por um jogador determinante para os títulos dos últimos anos no Sport Lisboa e Benfica: Eduardo Salvio.

Começando por enquadrar a lesão, o Eduardo Salvio fez uma entorse no joelho direito da qual resultou uma rotura do ligamento cruzado anterior, que explicamos em seguida.

O joelho é uma estrutura com várias funções: de suporte, de mobilidade, de estabilidade e sensorial. Sendo assim, capta e transmite informações proprioceptivas relativas à locomoção, aos movimentos e às diferentes funções nas variadas posturas. É capaz de distribuir e suportar cargas externas e internas, de forma a garantir o equilíbrio biomecânico do alinhamento de todo o corpo, e tem sido considerada a mais complexa articulação do corpo humano, pois tem um binómio estabilidade/mobilidade inerente ao seu complexo articular como poucas articulações do corpo. Serve também por isso como “pivô” entre a anca e o tornozelo, distribuindo forças provocadas pelos dois.

Para isso o joelho tem diversos ligamentos, sendo os ligamentos cruzados os mais importantes. Tem origem na porção antero-interna do planalto tibial, dirigindo-se depois para o limite superior e posterior do côndilo femoral externo, ou, de uma forma simples, está por “dentro do joelho” e vem da parte anterior e interior do planalto tibial para a parte posterior e externa do côndilo do fémur. Constituído por dois feixes, é um ligamento extremamente complexo, que, além de garantir estabilidade mecânica ao longo de toda a amplitude de movimento, possui também um papel sensorial importantíssimo, contribuindo para a resposta muscular (regulação e reprogramação da activação muscular) à volta da articulação do joelho e regulando assim a estabilidade articular. Podemos por isso concluir que o ligamento cruzado anterior (LCA) forma então a primeira “barreira” de estabilidade e tem uma resposta proprioceptiva altamente eficaz, sendo essencial na estabilidade do mesmo.

Salvio caminha para a recuperação da lesão Fonte: Instagram de Eduardo Salvio
Salvio caminha para a recuperação da lesão
Fonte: Instagram Oficial de Eduardo Salvio

Aquando de uma lesão do LCA, além de toda a estabilidade mecânica se perder com a rotura das fibras do mesmo, existe também um distúrbio do feedback sensorial da articulação, levando a uma alteração do programa motor e consequente instabilidade. Esta lesão é também a lesão ligamentar mais comum na articulação do joelho, sendo que 70% destas ocorrem de forma não traumática e 70% em actividades desportivas. De uma forma simplista, a lesão do LCA ocorre quando o stress sobre o ligamento excede a sua capacidade de alongamento/tensão, sendo o movimento comum uma rotação do joelho com o pé fixo no solo (rotação interna do fémur com rotação externa da tíbia). Falando do Salvio, lembra-se da lesão na época de 2013/2014 no dérbi Sporting-Benfica em Alvalade? É exactamente esse tipo de movimento.

Em termos de tratamento, existem dois tipos de abordagem: tratamento conservador (mais comum em roturas parciais e raro em casos de rotura total, mas ponderados devido à idade, estado do paciente e etc.) e tratamento cirúrgico (usual em casos de rotura total). Dado o caso, falaremos do tratamento cirúrgico. Em termos cirúrgicos, a via cirúrgica mais utilizada actualmente pela medicina moderna é a via artroscópica, comummente vista como “os furinhos” ou canais que o cirurgião faz, realizando a maior parte da cirurgia preservando a articulação através de uma câmara que penetra num dos canais. Aqui, o cirurgião, para recriar o ligamento que sofreu a lesão, vai utilizar duas estruturas ligamentares: ou um excerto do tendão rotuliano (o tendão por baixo da rótula) ou um excerto do semitendinoso (um músculo dos tão conhecidos isquiotibiais) – por norma, e no caso do Salvio, no caso de desportistas, o tendão utilizado é o do rotuliano, pois até então é o que apresenta maior estabilidade e resultados.

A pergunta óbvia que lhe deve estar a passar pela cabeça é certamente: “Como é possível um tendão de um músculo substituir da mesma forma um ligamento tão importante?”. E a resposta a essa pergunta é que, realmente, não pode substituir, mas pode adquirir certas particularidades (como vascularização e filamentos nervosos) que o vão tornar similar ao ligamento original. Daí ser importante o tempo de reabilitação: só após os três meses de pós-cirúrgico é que o neo-ligamento vai começar a sua transformação, o que faz com que o joelho, apesar de já mais estável pela amplitude e pela massa muscular recuperadas durante a fisioterapia, não esteja totalmente seguro.

Quanto tempo demora então a reabilitação de tão complexa intervenção? A medicina está constantemente em evolução e, se há não tanto tempo atrás se julgava que a partir dos três/quatro meses se estava perante um timing óptimo para voltar à actividade desportiva, actualmente evolui-se dos cinco/seis meses para uns longos oito/nove meses. E há médicos, sendo um deles o “pai” deste género de intervenções, que apenas dão luz verde ao jogador para voltar à competição a partir dos 12 meses de pós-cirúrgicos. Estes timings devem-se sobretudo à capacidade de não só o músculo mas também o ligamento aguentarem de uma forma estável as cargas extremas que vão ser aplicadas aos mesmos durante a competição, pensando também que, quanto mais saudável estiver o ligamento, menos hipótese de artrose precoce e nova lesão tem o jogador.

Salvio está afastado dos relvados há vários meses Fonte: Instagram Oficial de Eduardo Salvio
Salvio está afastado dos relvados há vários meses
Fonte: Instagram Oficial de Eduardo Salvio

Retornando um bocadinho ao caso particular do jogador em questão, decerto se recorda de que referi há umas linhas atrás uma lesão que não foi a lesão que ocorreu na última época… A questão por detrás de tamanhos cuidados com a recuperação do Eduardo Salvio prende-se exactamente com a questão de ser uma recidiva, ou seja, uma nova rotura de um ligamento que já tinha sofrido uma intervenção anteriormente. Este facto pode ter sido provocado por diversas razões, a maior parte delas até biológica e fisiológica, mas requer automaticamente maiores cuidados pois é um joelho que já sofreu uma reconstrução ligamentar complexa anteriormente e está decerto “sensível”. Daí o jogador ter sofrido uma intervenção cirúrgica duas vezes desta vez, tendo a primeira cirurgia sido feita numa perspectiva de “limpar” a anterior inserção do ligamento reconstruído e desta forma tentar aumentar a aderência do novo ligamento e tendo a segunda cirurgia sido para realizar a nova ligamentoplastia.

Assim, é depois importantíssimo obviamente seguir com a fisioterapia, durante os timings citados em cima, com o objectivo de ganhar novamente as amplitudes e força, e com isso garantir que o nível físico volta ao máximo em que se encontrava anteriormente. Note-se, a título de curiosidade, que um dos maiores especialistas de joelhos a nível mundial (e português) realizou um estudo onde se afirma que, após a primeira intervenção, o nível técnico (diferente de nível físico) dos jogadores baixa para 97% devido a inúmeros factores, e que após novas intervenções vai descendo gradualmente e de forma mais acentuada.

Esperamos obviamente que não seja o que suceda com o Salvio e que ele volte rapidamente a espalhar magia nos relvados portugueses e traga ainda mais classe a um campeonato que por si só está cada vez mais competitivo e intenso.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

Linces perdem jogos mas ganham experiência

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cab Rugby

A primeira etapa do Sevens World Rugby Series decorreu no passado fim-de-semana, no Dubai. Portugal partiu para os Emirados Árabes Unidos com António Aguilar ao comando (substituiu Pedro Netto como seleccionador nacional) e com uma jovem selecção, repleta de caras novas. Manteve-se o capitão Pedro Leal e a ele juntaram-se Tiago Fernandes, David Wallis, Francisco Vieira, Vasco Baptista, João Bello, Carl Murray, Pedro Silvério, João Antunes, Vasco Ribeiro, António Vidinha e Michael Andrade na convocatória lusa, deixando nomes como Nuno Sousa Guedes, Adérito Esteves e Gonçalo Foro, habitualmente presentes, de fora das principais escolhas.

O grupo dos Linces não se afigurava fácil, para além de Portugal constavam Nova Zelândia, Estados Unidos e França no grupo C da competição.

Logo a abrir a fase-de-grupos, a selecção nacional defrontou os Estados Unidos, vindo a perder por 45-14, com os ensaios portugueses a serem marcados por Carl Murray e Pedro Silvério e convertidos por Pedro Leal. Seguiu-se a poderosa selecção dos All Blacks, à qual apenas João Antunes conseguiu marcar pontos, através de um solitário ensaio. Os nova-zelandeses levaram os Linces por vencidos com um pesado 47-5. No último jogo desta fase encarámos a França, o adversário teoricamente mais acessível do nosso grupo. Carl Murray marcou – e converteu – um ensaio, mas os franceses venceram facilmente a selecção das quinas, com o resultado final a fixar-se nos 35-7.

Com três derrotas nos três jogos da fase-de-grupos, os jogadores lusos viram-se relegados para os quartos-de-final da Bowl, onde enfrentaram a Escócia. Os escoceses tiveram que suar para vencer os portugueses, que marcaram dois ensaios por João Bello e João Antunes (ambos convertidos por Pedro Leal), conquistando a vitória apenas no minuto final. 21-14 para a selecção da Escócia e Portugal mostrava uma grande evolução em relação aos primeiros jogos no torneio.

O capitão Pedro Leal comandou uma renovada selecção no Dubai. Fonte: Sevens World Rugby Series
O capitão Pedro Leal comandou uma renovada selecção no Dubai
Fonte: Sevens World Rugby Series

Uma vez chegados às meias-finais da Shield, seguia-se o confronto com o Canadá. Após uma boa primeira parte, Portugal sairia para os balneários a vencer por 12-14, com o primeiro ensaio a ser marcado e convertido por Carl Murray e o segundo a ser alcançado por Pedro Silvério e transformado por João Bello, no entanto não houve pernas para estancar a boa reacção canadense após o intervalo, com a selecção nacional a deixar-se vencer por 31-14.

Cinco jogos, cinco derrotas, o saldo final da primeira etapa do Circuito Mundial de Sevens. Um resultado que não agrada a Portugal, que, desta forma, apenas conquistou um ponto, mas facilmente explicado com a grande renovação na convocatória lusa. Durante o torneio conseguimos assistir a boas jogadas de envolvimento entre os Linces, a uma notória capacidade de evolução e a performances bastante agradáveis de atletas menos habituados a este nível, como é o caso de Pedro Silvério e João Antunes. Os mais experientes Pedro Leal e Carl Murray foram, no entanto, os jogadores-chave da prestação nacional.

Em relação à Cup, a principal taça, as ilhas Fiji foram as grandes vencedoras da primeira etapa do circuito, depois de derrotarem a selecção inglesa na final, por convincentes 28-17. Os fijianos até entraram na partida a perder, mas rapidamente foram em busca da vitória e marcaram os 28 pontos ainda na primeira parte. Na etapa complementar apenas tiveram que gerir o resultado, com os ingleses a esbarrar, inevitavelmente, na muralha defensiva imposta pelos oceânicos.

Foto de Capa: Portugal Rugby Sevens

Só falta o “Impossível”

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Está próximo o dia que vai pôr todos os adeptos portistas agarrados ao grande ecrã. Esta quarta-feira, frente a frente na Liga dos Campeões, Chelsea e FC Porto disputam um lugar pela sobrevivência no mar dos milhões. Para muitos provavelmente será o jogo do ano de 2015, já que é um encontro que, para qualquer um dos clubes, pode pôr em causa a temporada. No lado dos azuis e brancos de Portugal, em caso de derrota em Inglaterra e com o Dínamo Kiev a vencer o Maccabi, o sentimento de dever não cumprido instala-se, pois os dragões podem tornar-se na primeira equipa da história da competição a chegar ao quarto jogo da fase de grupos com dez pontos e a não passar aos oitavos de final. O desaire no Dragão com os ucranianos faz com que a margem de erro com o Chelsea seja nula. Em caso de afastamento, os caminhos europeus dos portistas passarão pela Liga Europa, o que poderá ter influência no que resta da temporada. Sem os milhões da Champions, o FC Porto pode estar obrigado a vender algum dos seus jogadores mais valiosos, como Rúben Neves, Herrera ou Brahimi.

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FC Porto tem de se agigantar em Londres
Fonte: belfasttelegraph.co.uk

Nos Blues de José Mourinho, se a porta dos oitavos se fechar, a época fica simplesmente arruinada. A equipa londrina já conta com oito derrotas no campeonato e está numa posição embaraçosa. O mais recente desaire com o Bournemouth é apenas mais um capítulo a juntar a uma das séries mais negras de sempre do Chelsea. Mais uma derrota, desta vez com os dragões, atira borda fora todas as esperanças de remediar os danos já causados. As contas do grupo G não são favoráveis à equipa de Lopetegui. Em Londres, Chelsea e FC Porto entram em campo empatados pontualmente, com dez pontos. Em Kiev, o Dínamo é amplamente favorito perante um Maccabi Tel Aviv que ainda não somou qualquer ponto e apenas fez um golo em cinco jogos realizados. Os ucranianos são amplamente favoritos e, como têm vantagem no confronto direto com os azuis e brancos, o empate não serve (o FC Porto tem a pior diferença entre golos marcados e sofridos), pelo que, em Stamford Bridge, é obrigatório ganhar a José Mourinho.

Podemos falar em missão impossível para o FC Porto? Se nos basearmos nos últimos resultados no reduto do Chelsea, claramente chegamos à conclusão de que a tarefa não é fácil. Em três deslocações a Stamford Bridge, três derrotas para os dragões. A primeira, já com Mourinho no banco londrino, aconteceu em 2004, com os ingleses a vencerem 3-1. Na segunda, em 2007, novamente com Mourinho no banco do Chelsea, o FC Porto perdeu na capital inglesa na segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões por 3-1. Quaresma ainda pôs os dragões em vantagem mas, na segunda parte, Ballack e Robben fizeram o sonho cair por terra. Em 2009, na terceira tentativa, o Chelsea voltou a levar a melhor, vencendo os azuis e brancos, na altura liderados por Jesualdo Ferreira, por 1-0. Será que à quarta será de vez? Ou é caso para dizer que será a 17.ª? Sim, porque,  para além de nunca ter vencido no terreno dos Blues, o FC Porto nunca venceu nos dezasseis encontros já disputados em solo britânico.

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O FC Porto nunca venceu em casa do Chelsea
Fonte: soccerchampionsleague.com

Com estes cenários, quarta-feira tem de ser o dia de quebrar tendências. Apesar de a história não jogar a favor dos dragões, o futebol atual mostra que nada é impossível. Com Imbula de regresso aos convocados, Julen Lopetegui vai ter de contar com muita inspiração e determinação dos jogadores. Com Aboubakar numa fase menos eficaz, o camaronês tem neste jogo todas as possibilidades de voltar às grandes exibições, pois vai enfrentar uma defesa em estado muito frágil. Só resta desejar toda a sorte do mundo ao FC Porto, um clube que já tantas alegrias deu aos adeptos nesta competição e que é recordista em participações na liga milionária. Para Lopetegui, o desafio com o Chelsea é uma janela de oportunidade para responder às críticas que tem sofrido. Para isso, é necessário uma vitória frente ao poderoso Chelsea. Mourinho perdeu a primeira batalha no Estádio do Dragão e a única coisa que se pede aos “deuses do futebol” é que a história se repita. Força, Grande FC Porto, que quarta-feira é dia de fazer história.

Foto de capa: Reuters

Os caloiros

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Segundo a definição, fria e objectiva (como deve ser), de um dicionário, um caloiro é um estudante de primeiro ano de um curso superior ou um novato em outra coisa qualquer. Não deixa de ser verdade, mas deixa de fora todos os sonhos que ele traz consigo. As ambições de chegar longe, independemente do que tenha de enfrentar.

Um caloiro, normalmente, é assim. Respeitoso para com quem já existe no meio em que se insere, mas também cheio de sonhos, e com a coragem necessária para os manter, independentemente do tamanho dos obstáculos que lhe apareçam pela frente.

É encantador sentir, na voz, o entusiasmo de um caloiro falar do novo desafio. Mesmo que diga absolutos disparates, e que se contradiga em toda a sua dissertação sobre o assunto que julga saber. Não tem nada a perder, porque não nasceu ensinado, então arrisca, como muitas figuras ilustres de qualquer ramo o fizeram quando nele se iniciaram.

Nas praxes (as boas), testam-lhe o carácter, mas sem forçar a barra, sem se chegar à humilhação. A integração é a prioridade, o “doutor” sabe-o. Porque também ele beneficia disso, ao criar um laço com o caloiro, uma pessoa nova com quem interagir, mas acima de tudo alguém que ele está a ver e fazer crescer, social e tecnicamente.

Esse laço permite, também, fazer crescer o “doutor”, que se identifica com o brilho no olhar e as ambições desmedidas, relembrando-o do que ele fora no início dessa aventura. Dá-lhe alento para retomar os sonhos, e passa a ter alguém por quem possa torcer. A noção de responsabilidade vai ficando cada vez mais vincada e, caso esteja apaixonado pelo meio (curso, instituição, ramo) em que se insere, encarrega-se de certificar que as gerações tenham a capacidade de dar um futuro saudável aos mesmos. Cresce a noção de sustentabilidade e não é hipócrita quando lhe diz que deseja que tenha tanto ou mais sucesso que ele, ficando genuinamente feliz pelo facto de ele ter melhor nota que ele no cadeirão de primeiro ano, pela primeira venda do seu “protegido” ser significamente maior que a sua ou pelo primeiro golo que ele marcou ter sido mais bonito que qualquer um que este tenha marcado ao longo da carreira.  Assim se entendem e se explicam os sorrisos de Rui Costa e Pavel Nedved na passada sexta-feira.

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Dybala, a nova pérola “bianconera”
Fonte: Juventus FC

Em Roma, Paulo Dybala, depois de já ter conseguido furar entre a defensiva da Lazio e de ter originado um auto-golo, aproveitou uma bola perdida pela defensiva contrária para parar, receber a bola, ampará-la com o joelho e disparar, sem deixar cair no chão, o esférico para o 0-2 que sentenciaria o resultado.

Em Lisboa, Renato Sanches, depois de já ter somado várias intervenções de qualidade, trouxe a bola e a equipa (numa das muitas vezes que o fez) consigo, combinou com Eliseu, e, com espaço, a 20 e tal metros da baliza da Académica, deixou o resultado final em 3-0. Nos pés destes miúdos (Dybala tem 22, Sanches 18), naqueles momentos, esteve a força das ambições e a confiança que só um estreante consegue ter quando chega a um novo destino. Acreditam no seu potencial, como mais ninguém, e o limite ainda não existe.

Quem vê de dentro, fica feliz. Sorri, como Rui Costa e Pavel Nedved, por adivinharem um futuro brilhante aos miúdos que eles viram e fizeram crescer. Momentos de uma espécie de passagem de testemunho, que têm todo o potencial para ficar perpetuados na história como os acontecimentos que garantiram o futuro aos seus respectivos clubes ou, simplesmente, ao futebol.

Regressaram, por milésimos de segundo, ao tempo em que eles próprios começaram a fazer história enquanto “caloiros”… ou miúdos de ambição, paixão e coragem desmedidas.

Foto de Capa: SL Benfica

Que a Europa não trave Portugal

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A prestação do Sporting Clube de Portugal nas competições europeias, nesta época 2015-2016, já teve um pouco de tudo. Desde jogos de encher o olho – CSKA em Alvalade e Lokomotiv fora – até à humilhação na Albânia, sem nunca esquecer os erros de arbitragem na eliminatória de acesso à Liga de Campeões, tem sido uma participação recheada de surpresas e de altos e baixos.

Contudo, a verdade é que num grupo com algum nível de dificuldade, um Sporting regular e perto do potencial que exibiu na última jornada em Moscovo já poderia ter garantido a passagem à próxima fase da Liga Europa, não necessitando de vencer o Besiktas na última jornada. Esta falta de regularidade é compreensível na medida em que Jorge Jesus tem rodado o seu (curto) plantel, actuando em algumas partidas comum onze formado por segundas linhas, algo que a meu ver é a decisão mais correcta.

O Sporting está a realizar um campeonato dentro de portas acima de todas as expectativas, e que é nesta competição que o foco de Jesus e dos seus jogadores deve estar. Temos tido vitórias complicadas, frente a equipas que se fecham na defesa e que juntam muito as linhas, não permitindo que os jogadores leoninos criem tanto perigo e explorem os espaços como, por exemplo, fizeram na capital russa.

A chegada de Bruno César, Schelotto e provavelmente de Zeegelaar, vêm dar mais soluções ao treinador de 61 anos mas, ainda assim, não creio que devamos retirar o foco do campeonato nacional e da conquista do mesmo; ainda que, para que tal aconteça, tenhamos que deixar cair a Liga Europa.

Obviamente que aqui estamos no ramo das probabilidades e da futurologia, mas o grupo de trabalho de Jesus ainda está a tornar-se uma equipa, a adquirir conceitos e os vastos conhecimentos que o técnico tem para oferecer; desta forma a minha opinião é que este ano todas as baterias deveriam estar apontadas à conquista do campeonato, para que no ano seguir possamos competir onde merecemos – na Liga dos Campeões – , arrecadando alguns milhões no processo.

Matheus Pereira tem vindo a ser uma agradável surpresa nos jogos da Liga Europa. Fonte: Sporting CP
Matheus Pereira tem vindo a ser uma agradável surpresa nos jogos da Liga Europa.
Fonte: Sporting CP

Esta minha visão pode ser vista como falta de ambição e até de confiança em Jesus e no plantel do Sporting, algo que compreendo e respeito. Mas a questão é que realizar jogos a cada três dias, sem preparação e estudo dos adversários e numa fase decisiva da época, pode vir a revelar-se como um verdadeiro tiro nos pés nas ambições do clube e convenhamos, de todos os Sportinguistas.

Esta época seria, como Jesus já o admitiu, o ano zero deste novo Sporting, no entanto creio que os objectivos do departamento de Futebol já devem ter mudado, passando a ser o título nacional a estar no topo das prioridades, seguido pela Taça de Portugal.

Sobre a Taça CTT, que seja para jogar com a equipa B, dando minutos a Azbe Jug, Ryan Gauld, Daniel Podence, Francisco Geraldes e Domingos Duarte, entre muitos mais. Esta competição para nada conta, poucos rendimentos traz, e como já vimos no passado, atrasos nos jogos e peitos transformados em mão são o prato do dia.

Concluindo, espero que o Sporting vença o Besiktas na próxima quinta-feira, para que com o apuramento para a próxima fase consiga receber mais uns “trocos”; mas que não passe muito mais disso, pois o meu desejo é festejar o campeonato em Maio, não no Marquês – porque conspurcaram o local que era “nosso” – mas em Alvalade.

Real Madrid CF 4-1 Getafe FC: A Reconciliação

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cab la liga espanha

Era uma incógnita a forma como o Real Madrid ia receber o seu primeiro adversário depois de se ver excluído da Copa do Rei por utilização de jogador irregular. Mas, verdade seja dita, este fantasma que assombrou Valdebebas nos últimos dias não impediu que os jogadores fossem aplaudidos na tarde de sábado. O público encarregou-se de responsabilizar Benítez e de entoar nas suas vozes o descontentamento para com Florentino Pérez.

Soava o apito inicial e os ânimos acalmavam para dar lugar ao futebol vertiginoso que tem feito do Real Madrid uma das equipas maiores da Europa. Para desgraça dos visitantes, o primeiro fim-de-semana de Dezembro marcava no seu calendário um encontro no colossal Passeio da Castelhana.

Desta vez os merengues não especularam, começaram desde cedo a perseguir a sua presa, e, tal como um leão, atacaram-na directamente no pescoço sem lhe dar tempo para um suspiro final. Quatro minutos foram suficientes para que a cumplicidade entre Pepe e Karim Benzema perfurasse as redes. O astro francês demonstrava, assim, que está mais que centrado mentalmente no Real Madrid e no futebol, apesar de ter sido alvo de várias polémicas ultimamente.

Os merengues começavam a dar esboços daquilo que tinham sido em épocas anteriores. Uma vez mais, foi o camisola 9 a assinar o golo, bis de Benzema, que se reconciliava com a casa branca e sacudia dos ombros as dúvidas que tinham caído sobre ele. Notava-se nas suas celebrações. Precisava de marcar e de voltar a pensar apenas na bola, mesmo que fosse apenas por 90 minutos.

Cristiano Ronaldo apontou um dos golos dos merengues
Cristiano Ronaldo apontou um dos golos dos merengues

Era impossível não olhar para o placard que anotava o resultado, tornava-se visível a alguns metros acima dos Ultra que, ao som do hino “Como no te voy a querer”, celebravam o 3-0 que nasceu da cabeça de Cristiano Ronaldo, com Bale a aproveitar para finalizar. E antes de terminarem os 45 minutos de filme de terror para o impotente Getafe, ainda chegou o quarto golo, este através de um passe longo de Kroos no meio campo em direcção à ala direita, deixando Cristiano Ronaldo frente-a-frente com o guardião.

Segundo acto. O jogou perdeu ritmo, fruto de um marcador tão amplo, o que permitiu aos visitantes celebrar o golo de honra. Apesar deste consentimento, os de Rafa Benítez continuavam a controlar as quatro linhas e o técnico local repartiu os minutos de jogo pelos vários jogadores do plantel.

Não se viram sinais do que se passou há uns dias na Ucrânia, o Real Madrid voltou e a melhor forma de o demonstrar foi como a de hoje, com grande futebol e com golos. Como um leão, foram reis da sua própria selva. E já soava em uníssono, num Santiago Bernabéu que era palco de um casamento que voltava aos seus dias de paixão intensa, “Como no te voy a querer si fuiste campeón de Europa por décima vez?”.

A Figura:

Karim Benzema – Fez 2 golos e foi o grande regresso depois de todas as polémicas extra-futebol que o afectaram nos últimos tempos.

O Fora-de-Jogo:

Getafe FC – Foi completamente impotente e em nenhum momento do jogo conseguiu pôr em causa a superioridade do Real Madrid.

SC Farense 1-2 SC Olhanense: Acorda, equipa!

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futebol nacional cabeçalho

Este domingo jogou-se mais um dérbi a nível nacional. Não, não foi um Benfica – Sporting; foi um  Farense-Olhanense.

Num jogo onde as emoções de duas cidades algarvias estão à flor da pele, o estádio de São Luís, em Faro, foi o palco deste encontro.

Com uma primeira parte muito jogada a meio campo, onde ambas as equipas procuravam encaixar uma na outra, a qualidade de jogo foi algo fraca, presenteando assim os adeptos de ambas as equipas com um jogo de nervos, mal jogado na maior parte das vezes.

Quem assistiu ao jogo apenas pôde observar bolas bombeadas para as áreas, quer de lançamento, quer de livre.

O início da segunda parte em nada veio mudar o jogo. O estilo de jogo praticado pelas duas equipas em nada se alterou, chegando o Olhanense à vantagem no minuto  57 por intermédio de Said.

Após o golo da equipa de Olhão, o Farense procurou correr atrás do prejuízo e chegou ao empate através da cobrança de uma grande penalidade. Esta grande penalidade surgiu ao minuto 64 e foi cobrada pelo capitão do Farense, Ubay Luzuardo.

Apesar dos dois golos marcados, a qualidade do espectáculo não se alterou, continuando o futebol praticado pelas duas equipas algarvias de fraca qualidade.

Mesmo com o apoio dos seus adeptos, o Sporting Clube Farense acabou por sofrer o 2 a 1 ao minuto 89, numa falha defensiva. O golo do Olhanense foi marcado por José Coelho.

Os jogadores do Olhanense festejam a vitória Fonte: SC Olhanense
Os jogadores do Olhanense festejam a vitória
Fonte: SC Olhanense

Hoje pudemos assistir a um Farense “sem meio campo”, um Farense que tem Rambé sozinho na frente de ataque, sobre quem todas as responsabilidades recaem.

Com este jogo, deu para perceber que o emblema de Faro precisa, urgentemente, de um médio que jogue mais colado a Rambé. Precisa de alguém que segure o jogo e se vire para o ataque, e “pense” de que forma o ataque dos leões de Faro tem de trabalhar.

Não consigo perceber como é que Tiago Leonço não é uma aposta inicial. Com este jogador, Rambé conseguia ter mais liberdade na frente de ataque e criar mais desequilíbrios.

Neste momento os leões de Faro não atravessam a sua melhor fase neste campeonato, ocupando a 16.ª posição com 23 pontos.

Uma coisa é certa: apesar da derrota, o Farense ganhou nas bancadas, mostrando mais uma vez que a sua massa adepta, especialmente a sua claque, merece voltar à Primeira Liga. Que massa adepta incrível. É arrepiante sentir o ambiente do São Luís nestes dias.

A Figura:

12.º jogador – Completamente incansável, o público tentou de todas as maneiras empurrar o Farense para a vitória. Apoio foi o que não faltou no São Luís.

O Fora-de-Jogo:

As duas equipas – Ao contrário do que aconteceu nas bancadas, no relvado os dois conjuntos presentearam os adeptos com um futebol de fraca qualidade.

Columbus Crew 1-2 Portland Timbers: Não é com estrelas que se fazem campeões

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A final da MLS, que opôs a equipa de Columbus Crew, a jogar em casa, frente aos Portland Timbers, estreantes numa final, foi um grande espetáculo de futebol. Ganhou, na nossa opinião, aquela que foi, sem margem para dúvidas, a melhor equipa.

1ª parte: Afonso Pais
Começava a primeira parte no Mapfre Stadium e já o Portland marcava, através de Diego Valeri, o primeiro golo da partida. Erro enorme do guarda-redes do Columbus Crew, Steve Clarke. Os visitantes abriam assim o marcador com apenas 27 segundos decorridos, o golo mais rápido de sempre em playoffs da MLS Cup. O Columbus ficou atordoado e o Portland aproveitou. Ainda antes dos 7 minutos, Rodney Wallace alargou a vantagem e estabeleceu o 2-0. Surpresa em Columbus, Ohio, com os estreantes a entrarem na partida de relâmpago e a deixar a equipa caseira bem mais longe do seu segundo título da MLS.

Mas não foi preciso muito, passados 11 minutos, o habitual Kei Kamara reduz a desvantagem, num lance bastante atabalhoado em que a bola sobra para o internacional pela Serra Leoa que não perdoa. Fica a dúvida se há falta sobre o guarda-redes dos Timbers. Até final da primeira parte o resultado não se viria a alterar, havendo apenas algumas oportunidades, como o remate de Valeri, aos 24 minutos, à figura de Clarke, e um remate de Adi, aos 40 minutos para boa defesa de Larsen Kwarasei.

A equipa dos Portland Timbers demonstrou ser mais inteligente do que o seu adversário. Fonte: Facebook dos Portland Timbers
A equipa dos Portland Timbers demonstrou ser mais inteligente do que o seu adversário.
Fonte: Facebook dos Portland Timbers

 2ª parte: Duarte Pereira da Silva
Após uma primeira parte frenética, o ritmo acabou, naturalmente, por baixar. A equipa dos Portland Timbers, que mostrou ser bem mais organizada do que os Columbus Crew, pelo menos no jogo de hoje, foi fazendo a gestão da vantagem que tinha conseguido na primeira parte.

A equipa de Columbus, sempre muito dependente de Kei Kamara, teve que subir as suas linhas na procura pelo golo que levasse o jogo, na pior das situações, para prolongamento. No entanto, a equipa de Portland, demonstrando ser bem mais inteligente, soube aproveitar os espaços deixados pela equipa da casa e só não ampliou a sua vantagem porque o guarda-redes de Columbus realizou, na segunda parte, uma excelente exibição.

Pensamos, por isso, que venceu a melhor equipa. Num estilo, se preferirem, mais europeu, a equipa de Portland mostrou hoje frieza e tranquilidade durante os 90 minutos. A equipa de Portland, que ultrapassou a Knockout round apenas nas grandes penalidades (7-6 frente ao Kansas City), sagrou-se assim campeã da MLS pela primeira vez na sua história. De destacar ainda duas curiosidades: esta é apenas o quinto ano da equipa de Portland na MLS e foi ainda a primeira vez desde que este é o formato utilizado na Major League Soccer que a equipa visitante se sagrou campeã.

A figura: jogo coletivo dos Portland Timbers: Os Portland demonstraram, desde cedo, serem bem mais organizados do que a equipa de Columbus. Alternando as transições rápidas com a posse de bola, os Portland Timbers são um justo vencedor da edição de 2015 da MLS

Fora-de-jogo: Steve Clark: Apesar da excelente exibição que realizou na segunda parte, o erro que cometeu logo no início do encontro condicionou bastante a equipa. As finais não se jogam, ganham-se, e, neste caso, Steve Clark perdeu-a.

MLS: o dia de todas as decisões

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6 de Novembro de 2015, o dia de todas as decisões: Columbus Crew e Portland Timbers discutem hoje o título de campeão da Major League Soccer. Após uma longa e competitiva temporada, que analisaremos neste artigo, tudo se decidirá em 90 minutos, caso haja vencedor, 120 ou mesmo nas grandes penalidades.

Conferência Este:

Este ano, na conferência este, o segundo classificado da fase regular, Columbus Crew, acabou por ser coroado campeão, ao vencer na final dos playoffs os New York Redbulls, vencedor da fase regular. Vão, por isso, disputar o título da MLS com o vencedor dos playoffs da conferência Oeste, os Portland Timbers.

Os New York Redbulls confirmaram favoritismo e venceram a fase regular com o melhor ataque (62 golos marcados) – destacando-se Bradley Wright-Phillips, a tomar as rédeas com 18 golos marcados – e a melhor defesa (43 golos sofridos). Destaque para o jovem Matt Miazga (defesa central) que se afigura como um dos grandes jogadores da MLS,Por outro lado, o Columbus Crew foi a quinta melhor defesa (53 golos sofridos) e o segundo melhor ataque (58 golos marcados), a par da equipa canadiana de Toronto.

Nesta conferência destacam-se dois jogadores: Sebastián Giovinco, que venceu o prémio de MVP da MLS e jogador conhecido do público europeu que atua pela equipa do Toronto, e Kaiansu Kei Kamara, jogador do Columbus Crew. Os dois avançados sagraram-se melhores marcadores da conferência, com 20 golos cada um. O antigo avançado da Juventus deleitou os adeptos dos Reds e ajudou a equipa a conseguir um recorde de 35 pontos na fase regular, com alguns apontamentos de grande classe.

Pela negativa, destaque para 2 equipas: Orlando City SC e New York City FC. A equipa de Orlando, que, mesmo contando com Kaká, não conseguiu sequer chegar aos playoffs. Orlando contava ainda no seu plantel com dois portugueses: Rafael Ramos, jogador que fez a formação no SL Benfica, disputou 20 jogos e demonstrou alguma qualidade; e ainda Estrela, que, contrariamente ao seu colega, não realizou qualquer partida.  Relativamente a equipa dos New York City FC, a desilusão é ainda maior. Se olharmos para o plantel dos nova iorquinos,  vemos nomes como Iraola, Lampard, Pirlo ou Villa. No entanto, a equipa ficou aquém das expectativas e ficou no oitavo lugar. Nota ainda para o jovem Cyle Larin, avancado canadiano, que foi considerado rookie do ano.De referir ainda que ambas as equipas foram um franchises em estreia e, por isso, esperam-se grandes melhorias para o futuro.

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Sebastian Giovinco, na imagem, foi considerado o MVP da MLS.
Fonte: Facebook Oficial da Major League Soccer

Conferência oeste:

Na conferência oeste, O Dallas FC voltou a ganhar a fase regular, como já havia acontecido em 2006. Os Toros, um dos clubes fundadores da Liga norte-americana, mostraram veia goleadora e foram o segundo melhor ataque da liga (53 golos marcados), atrás do LA Galaxy (56 golos marcados). A nível defensivo posicionaram-se em terceiro lugar, com 39 golos sofridos, superados pelos 36 dos Whitecaps e dos Sounders. O registo defensivo prende-se, essencialmente, com alguns jogos menos conseguidos e que resultaram em derrotas pesadas, como por exemplo Sporting KC 4-0, Seattle Sounders 3-0, Colorado Rapids 0-4, representando quase um terço desses golos sofridos. De resto, excetuando estas nuances, apresentaram-se como uma boa equipa, sem que se destaquem individualidades.

Por outro lado, os Portland Timbers, equipa criada há apenas cinco anos, mostraram bom futebol e, surpreendentemente, atingiram o terceiro lugar nesta fase regular, com os mesmos pontos do segundo classificado. Os Timbers, apesar de registos ofensivos e defensivos que deixam muito a desejar (estão em sétimo em ambos, com 41 golos marcados e 39 sofridos), conseguiram um lugar de acesso aos playoffs e, daí, uma fantástica e inédita presença na grande final. Este desempenho explica-se, essencialmente, por vitórias cruciais conseguidas em jogos muito difíceis, entre elas a vitória por 5-2 no terreno do Galaxy, as duas vitórias caseiras frente ao FC Dallas por 3-1, e ainda a vitória no terreno do Columbus Crew, da conferência este, por 2-1.

Pela negativa destacam-se os campeões de 2014, LA Galaxy. Com um plantel com grande qualidade, com jogadores como Steven Gerrard, Robbie Keane, Juninho e Giovani dos Santos, o plantel de Los Angeles ficou-se por um modesto sexto lugar e falhou ainda o acesso à final. Os 56 golos marcados (melhor ataque da conferência) não foram capazes de suportar uma defesa muito permeável, que concedeu nada mais, nada menos, do que 46 golos (terceira pior defesa da conferência). Robbie Keane bem tentou (fez 20 golos), mas o bicampeão das épocas 2011 e 2012 não conseguiu igualar a qualidade que tinha vindo a demonstrar nos últimos anos nem reafirmar o seu estatuto de melhor equipa norte-americana.

A final: Columbus Crew Portland Timbers

Chega hoje ao fim mais um ano da MLS,  quando Columbus Crew e Portland Timbers se defrontarem às 20h45m, jogo com transmissão em direto no canal Eurosport. De destacar, e num dos pontos mais atrativos desta MLS, que ambos chegam ao decisivo jogo sem terem vencido as respetivas fases regulares (Columbus foi 2º na conferência Este e os Timbers ficaram em 3º na oeste, ambos com 53 pontos).

Começando com alguns factos, como já foi referido, o Columbus Crew terminou com 58 golos marcados e 43 sofridos, enquanto a equipa de Portland fechou a fase regular com 41 golos marcados e 39 golos sofridos. Curiosamente, ambas acabaram com 15 vitórias, 8 empates e 11 derrotas. A última final disputada pelo Columbus Crew foi em 2008, quando se sagraram campeões, pela única vez, vencendo o New York Redbulls. Por outro lado, o Portland Timbers nunca atingiu uma final da MLS. Fanendo Adi, do Portland Timbers, e K. K. Kamara, do Columbus Crew, partem como principais goleadores.

É também importante frisar que, nos últimos seis anos, os L.A. Galaxy marcaram presença em quatro finais e pecam por ausência nesta, tendo sido eliminados pelos Seattle Sounders nas meias-finais da conferência oeste.

Assim, e apesar da imprevisibilidade habitual das finais no futebol, e ainda mais da MLS, o Columbus parte com ligeiro favoritismo, até porque os Timbers só têm cinco anos de história. A equipa de Ohio vai querer dar aos seus adeptos a alegria de serem campeões, novamente, e vai procurar pôr toda a sua experiência e qualidade em campo. No entanto, a equipa de Portland fez um época muito interessante e apresenta jogadores com bastante qualidade, tais como Aspirilla e Fanendo Adi, podendo por isso causar uma surpresa. Deste modo, espera-se uma final de boa qualidade, bem disputada e, provavelmente, com golos. Adi e Kamara, das respetivas equipas, vão procurar confirmar o estatuto de goleadores máximos e tentar assinalar a diferença no marcador.

Artigo com a colaboração de Afonso Pais

Fonte foto de capa: Facebook Oficial da Major League Soccer

GD Estoril 1–1 CD Nacional: Equilíbrio de forças na luta europeia

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Estoril Praia a receber o Nacional da Madeira na Amoreira, num jogo teoricamente interessante, entre equipas que estavam ombro-a-ombro na classificação (14 pontos) e candidatas aos lugares europeus. No primeiro tempo, a partida teve um início forte por parte do Estoril, que ia conseguindo imprimir velocidade no último terço do terreno e ia encontrando, aqui e ali, espaços na defesa dos insulares para criar perigo. No entanto, foi mesmo a equipa de Manuel Machado a criar a primeira e última (!) situação de perigo dos primeiros 45 minutos, através de um excelente remate de Salvador Agra à barra da baliza de Kieszek, tendo sido esta a única real chance de perigo. Aos 15 minutos, facilmente se depreende que, a partir daí, o jogo entrou numa toada morna, com as equipas encaixadas no 4-3-3 com que ambos se apresentaram. Posto isto, o nulo ao intervalo não era mais do que o espelho de um jogo vivo e com velocidade mas sem grandes situações de relevo nas duas balizas.

No início do segundo tempo, a equipa da casa repetiu o que havia feito na primeira parte e partiu para cima do Nacional em busca do golo inaugural. Uma boa combinação entre Bonatini e Dieguinho pedia uma melhor finalização (uma das pechas deste Estoril) do segundo, mas foi mesmo a equipa da Madeira a abrir o marcador. Sequeira aproveitou o espaço concedido pela defesa canarinha, colocou a bola na área e Salvador Agra aproveitou um ressalto da bola, após falha de Kieszek, para fazer o primeiro tento.

Estoril e Nacional repartiram pontos Fonte: Clube Desportivo Nacional
Estoril e Nacional repartiram pontos
Fonte: Clube Desportivo Nacional

Quando se esperava uma reacção do Estoril para repôr a igualdade, foi a equipa de Manuel Machado que continuou (muito) mais perigosa no contra-ataque, quase sempre através da velocidade de Salvador Agra, que muitos problemas criou aos centrais do Estoril. A velha máxima de “quem não marca sofre” está (quase) sempre certa e assim foi esta tarde na Amoreira. A partir dos 70 minutos, a equipa da casa voltou a empurrar os alvinegros para os últimos 30 metros e o golo acabaria por chegar já bem perto do fim. Léo Bonatini agradeceu o passe de Anderson Luís e disparou para o fundo da baliza. Remate indefensável para Rui Silva e mais um excelente golo do avançado brasileiro, que parece ter especial gosto para golos de fora da área.

Aceita-se o empate, dado o equilíbrio que pautou os 90 minutos. Num jogo agradável entre duas das boas equipas do nosso campeonato, podemos dizer que a saída de Bruno César é um duro golpe para as aspirações do Estoril, pois o brasileiro oferecia mais criatividade e poder de fogo à equipa de Fabiano Soares.

Ao Bola na Rede, Manuel Machado teve uma interessante comparação quando afirmou que, apesar da boa fase que atravessa (4 jogos sem perder), nunca é uma boa fase para receber os candidatos ao título. “Para equipas do nível do Nacional, defrontar um dos grandes é como atirar pedras a um avião. De vez em quando lá se acerta numa hélice ou numa asa… Mas não entregaremos o jogo de maneira nenhuma.”.

Já Fabiano Soares fez questão de realçar a grande penalidade que ficou por marcar por suposta falta sobre Dieguinho e que poderia ter ditado outro desfecho. Contudo, o brasileiro não deixou de reforçar a necessidade de a sua equipa trabalhar e melhorar a questão da finalização.

A Figura:

Zainadine – Excelente jogo do defesa-central moçambicano do Nacional. Rápido, assertivo e sempre bem posicionado. O facto de o Estoril só ter feito um golo muito se deve à sua exibição. Com qualidade para uma equipa de outro patamar.

O Fora-de-Jogo:

Meio-campo do Estoril – Teve dificuldades na ligação do jogo ofensivo da equipa e perdeu, invariavelmente, os duelos frente ao trio de médios do Nacional da Madeira.

Artigo de André Conde e Francisco Vaz de Miranda