Em Espanha, ontem, ninguém viu o Chelsea – Porto. O grande jogo em perspetiva era o Mourinho – Casillas, esse duelo que ainda vai gerando acesas discussões em conversas de café e programas de comentário futebolístico (o que acaba por não ser algo muito diferente, diga-se). No entanto, o jogo de que mais se falou no final acabou por ser o Diego Costa – Casillas. Eu explico.
Estava tudo preparado para o Casillas – Mourinho. Um dos dois iria, pela primeira vez na carreira, ser eliminado da Liga dos Campeões ainda na fase de grupos e as câmaras estiveram sempre atentas aos momentos em que os dois se poderiam cruzar. Basta lembrar aquele tempo todo em que estivemos a ver Mourinho encostado à parede no início da segunda parte, só para assistir ao momento em que Casillas passaria por ali. É curioso como, mesmo aqui em Espanha, não se prestou grande atenção aos restantes espanhóis das duas equipas: Lopetegui, Marcano e Tello de um lado; Azpilicueta, Fàbregas, Pedro e Diego Costa do outro. Mourinho e Casillas atraíam todas as atenções.
Até na foto, Diego Costa parece querer problemas Fonte: Facebook Oficial de Diego Costa
O problema é que Diego Costa é daqueles tipos que não gosta de passar despercebido e, ao minuto 19, decidiu roubar a cena: correu atrás de uma bola perdida que Casillas segurou tranquilamente e, apesar de a bola estar nas mãos do guarda-redes, Diego Costa achou que seria uma boa ocasião para lhe dar um toque no pé. Casillas caiu, Diego Costa viu o amarelo e os dois acabaram a discutir um com o outro. Visto de Portugal, talvez tenha parecido apenas mais um lance de Diego Costa a ser Diego Costa. Visto aqui de Espanha, foi muito mais do que isso. Foi o avançado da seleção espanhola, que nunca se conseguiu integrar nem com os colegas, nem com o estilo de jogo de Espanha, a dar um toque completamente desnecessário no capitão da seleção espanhola.
O Twitter encheu-se (ainda mais) de gente a pedir a saída do avançado da seleção e a verdade é que não faltam potenciais substitutos para o ataque de nuestros hermanos. Além de Álvaro Morata e Paco Alcácer, que têm sido habitualmente convocados, há ainda Agirretxe, Lucas Pérez e Aduriz, que já superaram a barreira dos 10 golos na Liga em apenas 14 jornadas, e também Negredo, Soldado, Llorente e Fernando Torres.
No final, Diego Costa explicou que tudo não passou de uma brincadeira: “Un poco de broma”, disse o jogador do Chelsea. A mim parece-me que Diego Costa está a brincar com o fogo.
Eu conheci Ceni quando ainda era menino. Conheci Ceni quando estranhava que um guarda-redes pudesse avançar para lá da linha de meio-campo. E estranhava ainda mais que pudesse fazer golos. E golos bonitos. E em maior quantidade do que muitos jogadores da frente. E estranhava as narrações de TV, que, excitadas, clamavam: “mais um grande golo de Ceni!”. E nunca entendi aquela lealdade que quase roça a fidelidade de um cachorro. A classe que demonstrava em campo. A bondade e solidariedade para os companheiros – mesmo que fossem de outra equipa. Ceni foi o rival que os adversários odiaram amar.
Mas eu só conheci verdadeiramente Ceni quando perguntei a um amigo meu que é adepto fanático do tricolor Paulista qual era a figura maior do São Paulo. A estrela que brilha mais intensamente que as outras. Sim, porque todos os grandes clubes têm a sua estrela, por mais que outras por lá tenham passado. O Benfica tem Eusébio, o Real tem Di Stéfano, o Santos tem Pelé, o Botafogo tem Garrincha, o Flamengo tem Zico. Enfim. Ele respondeu: “Para mim? Só há um. Rogério Ceni!”. Nunca tinha pensado nisso. Foi aí que me apercebi da importância de Rogério para os São Paulinos.
Rogério Ceni, uma lenda do mundo do futebol Fonte: Facebook Oficial de Rogério Ceni
Enfim, eu poderia falar dos recordes pessoais de Ceni, como o de ser o décimo melhor marcador da história de um clube como o São Paulo – com 129 tentos marcados – ou o facto de ser o jogador do mundo com mais jogos realizados por um só clube – 1117 jogos – e o maior capitão da história do futebol mundial – mais de 850 jogos.
São muitos anos de fidelidade a um clube, que lhe permitiu vencer, entre outros títulos, três Campeonatos Brasileiros de Futebol (de forma seguida), em 2006, 2007 e 2008, duas Libertadores da América, duas Intercontinentais, e ainda três Estaduais. Ganhou tudo o que havia para conquistar. Só não venceu o avançar do tempo. Mas esse ninguém consegue vencer.
O Watford, equipa londrina treinada por Quique Flores, antigo treinador do SL Benfica, ocupa atualmente o nono posto da Premier League (à condição), nove pontos acima da linha de água, e está a quatro dos lugares de qualificação europeia.
Os Hornets subiram este ano à Barclays Premier League (BPL) depois de uma excelente campanha no Championship, em que alcançaram o segundo lugar (subida direta), com 89 pontos, a apenas um do surpreendente campeão, Bournemouth. Na luta pela subida mostraram ter veia goleadora. A dupla Deeney e Ighalo – 21 e 20 golos respetivamente – liderou o ataque, contribuindo, desta forma, para a equipa alcançar o segundo melhor registo ofensivo da competição, com 91 golos.
Este ano, numa competição muito mais exigente (sem querer desprezar a competitividade e a exigência do segundo escalão do futebol inglês) e com bastante mais qualidade, a equipa de Quique era uma das candidatas à dura luta pela manutenção. Para sobreviver, o treinador espanhol decidiu reforçar o plantel com jogadores de qualidade e já com alguma experiência. Trouxe, por isso, jogadores como Valon Behrami (ex-Hamburgo), Étienne Capoue, que não conseguiu vingar no Tottenham, Holebas (ex-Roma), Prodl (Ex-Bremen), Nyom (ex-Granada) e ainda adquiriu em definitivo Ighalo, que tinha estado emprestado no clube na época anterior.
A época começou com uma sempre difícil deslocação a Goodison Park, para defrontar o Everton. A partida terminou com um empate a duas bolas, com o Watford a deixar boas indicações, fazendo um excelente jogo. A dupla do meio campo, Capoue e Behrami, serviu como um autêntico tampão, provocando ao Everton muitas dificuldades nas transições pelo meio e na troca de bola. Aliás, a equipa de Liverpool só não perdeu porque Koné assinou um excelente golo ao minuto 86.
O início de época foi, no entanto, muito difícil para os recém-promovidos. Seguiram-se dois empates a zero em casa, com o West Brom e os Saints, e uma derrota, por duas bolas a zero, no reduto do Manchester City. A primeira vitória só surgiu à quinta jornada, no Vicarage Road, frente ao Swansea, por 1-0. A partir daqui, a performance dos Hornets melhorou e, nas dez partidas seguintes, obtiveram cinco vitórias, um empate e quatro derrotas (frente ao Palace, ao Arsenal, ao United e ao espetacular Leicester City). O sucesso deve-se, principalmente, à qualidade defensiva que a equipa do treinador castelhano tem demonstrado.
A dupla de atacantes, Deeney e Ighalo, continua a render Fonte: Watford FC
O Watford apresenta normalmente uma defesa composta por Gomes na baliza (guarda-redes muito experiente e conhecedor do futebol inglês) e por uma linha de quatro defesas: Nyom na direita, Cathcart como primeira opção para o centro da defesa, Aké/Britos, ou por vezes Prodl ao seu lado, e Anya na esquerda (sendo que o holandês cedido pelo Chelsea também já fez a posição). Além disso, Capoue, que está a fazer uma excelente época, e Watson, que está em grande forma e suplantou Behrami, ficam no meio campo, onde colaboram também no trabalho defensivo. Deste modo, a equipa é atualmente a sexta melhor defesa do campeonato, a par do Manchester City, com 16 golos sofridos.
Para além da defesa, a já referida dupla de atacantes, formada por Troy Deeney e Odion Ighalo, continua a render, e, juntos, já levam 12 golos (oito do nigeriano e quatro do inglês). São jogadores que trabalham muito bem juntos e, além de atacar, ajudam a defender. Demonstram qualidade no transporte de bola, especialmente Ighalo, e são muito fortes fisicamente, o que lhes dá maior presença na área.
Poderá, por tudo isto, dizer-se que a época está a correr muito bem e que os adeptos estarão certamente satisfeitos com o desempenho da equipa. Quanto mais cedo garantirem, teoricamente, a manutenção (leia-se: quanto mais cedo obtiverem uma vantagem tranquila sobre a linha de água), mais cedo poderão começar a preparar a próxima época, sem o sobressalto da despromoção. Uma época tranquila permite que os jogadores ponham em campo todo o seu futebol, possibilita o crescimento da equipa, evita nervosismos e problemas de balneário causados pelo medo e pela frustração da possibilidade de descida.
Em suma, se assim se confirmar, e se os Hornets conseguirem a tão desejada época tranquila (não acredito que sejam candidatos à qualificação europeia), poderão começar a procurar, finalmente, assentar no escalão de topo do futebol inglês. Os londrinos têm uma equipa muito interessante, onde jogadores como Deeney, Ighalo, Capoue, Nyom e Cathcart são claramente pedras fulcrais e com as quais se pode formar a base de uma boa equipa. Têm ainda outras opções de grande qualidade, tais como Watson, Abdi, Anya e Berghuis.
Quique Flores parece ter encontrado o seu lugar, está a fazer um excelente trabalho e está a orquestrar aquela que é, na minha opinião, além do Leicester, a melhor surpresa da época.
Jogo crucial em Stamford Bridge, Porto e Chelsea disputaram uma vaga nos oitavos de final da Liga dos Campeões. Ao longo do dia já havia uma má notícia para os Dragões – André, lesionado, não ia a jogo. Herrera seria o principal substituto e provavelmente ocuparia um lugar no meio-campo descaído para a direita já que se esperava (pelo menos eu) que jogasse em 4-4-2. Mas para surpresa de todos o Porto apresentou-se em campo com 3 centrais e sem ponta-de-lança, formando uma espécie de 3-5-2 defensivo. Jogaram Indi, Marcano, Maicon, e nas laterais Maxi e Layun. O meio-campo seria a cargo de Danilo, Imbula e Herrera – não houve espaço para Rubén Neves – e o ataque estaria entregue a Corona e Brahimi.
O jogo começou com o Porto com vontade de ir para a frente fazendo com que o jogo ficasse muito combativo devido à parede defensiva do Chelsea mas rapidamente o plano de criar uma muralha defensiva ao Chelsea cai por água abaixo quando num lance de contra-ataque aos 12’ Marcano faz auto-golo num lance infeliz para os portugueses. Mas quando não acontecem lances infelizes ao Porto de Lopetegui?
A partir daí o Chelsea ficou confortável no jogo e o Porto ficou logo condicionado no jogo. Mas a estratégia de Lopetegui foi a principal causa da pobreza atacante portista. Sem ponta-de-lança para fazer de pivot, não havia forma de os extremos subirem no terreno já que eram estes que tinham de ir buscar a bola a zonas recuadas do terreno. Maxi e Layun nunca conseguiram dar a profundidade que um 3-5-2 tem de ter, ficando o Porto a jogar mais em 5-3-2. Das poucas vezes que o Porto chegou com a bola perto da área nunca conseguiu fazer perigo real pois não havia ninguém a entrar na zona de remate e isto transformou o ataque do Porto num grande zero. Exemplo disso foi um lance aos 31’ em que Corona podia ter cruzado e não o fez porque não tinha companheiros na área; enquanto esperava que chegassem reforços a equipa do Chelsea reposicionou-se. Era desesperante.
O jogo foi sendo sempre controlado pelos londrinos, que eram venenosos no contra-ataque. O Porto apresentou posse de bola acima dos 60%, mas absolutamente infrutífera. No outro jogo o Dínamo ganhava e a sorte sorria-lhes. Lopetegui ao longo da sua estadia no Porto já teve vários erros de estratégia mas assumo que muitas vezes concordo com a sua leitura no decorrer do jogo. Desta vez optou por deixar tudo igual para a 2ª parte, não se percebe!
Maicon não conseguiu impedir o primeiro golo Fonte: Champions League
A 2ª parte começou como um “copy & paste” da primeira; Porto com bola em zonas recuados do meio-campo, bem longe da baliza e sem ter uma referência no ataque. Corona e Brahimi – os homens mais avançados dos portistas – viam-se frequentemente no meio-campo defensivo a vir buscar bola, os laterais pouca profundidade davam e o ataque era um deserto de atacantes. Tudo igual e o Basco não mexeu. Aproveitaram os ingleses, que aos 52’ marcaram por intermédio de Willian num grande remate em que Casillas parece não ter culpa. Aliás, até foi um jogo bem conseguido do guardião portista.
Já pouco havia a fazer. Então, só aí, o treinador mexeu na equipa. Entraram Aboubakar e Rubén Neves (que deve andar confuso por estes dias; umas vezes joga, outras não). Deviam ter estado na equipa inicial! Corona e Brahimi lutavam contra dois e três jogadores do Chelsea ao mesmo tempo, ora na linha, ora na área, ora no meio-campo. Só mesmo o talento individual fazia com que saíssem de situações complicadas, já que colectivamente o Porto foi curto e de pouca mobilidade.
Pouco se alterou, o jogo. O Porto apesar de ter mais profundidade nunca criou perigo e continuou a consentir contra-ataques perigosos ao adversário. Os centrais não sabiam quem marcar e foram apanhados várias vezes desposicionados e isto é culpa de Lopetegui.
A entrada de Tello aos 71’ deu alguma velocidade ao jogo mas o resultado estava feito. Não havia nada a fazer nesta noite. Fica a nota para um Chelsea que não está bem, algo que se notou no jogo. A falta de posicionamento portista foi tão gritante que contra uma equipa que estivesse em pico de forma podia ter dado um resultado embaraçante. O basco teima em não perceber que se a realidade não segue a teoria a culpa é da teoria e não da realidade. A ideia de Lopetegui era ter segurança defensiva para os contra-ataques ingleses e ter os laterais a dar profundidade. Enganou-se porque não analisou bem a equipa do Chelsea e porque não percebeu que jogar sem avançado só está ao alcance de equipas absolutamente rotinadas e mecanizadas.
No outro jogo diz-se que o Dínamo não fez um bom jogo e que podia ter sofrido golos. A sorte não quer nada connosco mas nós também andamos a afastar-nos dela. Golpe duríssimo à saída prematura da Liga dos Campeões; não estamos habituados a isto. O Porto vai ter que se “vingar” no campeonato se não o resto do ano vai ser penoso para todos e em especial para o treinador.
A figura:
Brahimi – um poço de criatividade numa equipa cinzenta. Correu muito e mexeu com o jogo.
O Fora-de-jogo:
Imbula – teve boas arrancadas mas foi vítima da confusão Lopeteguiana, por isso esteve escondido no jogo.
“Tribuna Fondo Norte”, punham no meu bilhete para a noite de Champions no Estádio Santiago Bernabéu. Real Madrid CF vs. Malmö FF, jogo que pouco me motivava e ao qual não teria ido se não me tivessem oferecido a entrada. Como boa portuguesa que sou, quando é oferecido não se rejeita, e aí estava, desta vez como aficionada e não como jornalista, sentada no sector 209, com a camisola do melhor português. Este 7 pesa ainda mais nas costas quando estamos num país que não é o nosso e a ver ao vivo um dos poucos portugueses que lembra ao mundo que aquele rectângulo com vista para o Atlântico tem nome e não é um anexo de Espanha.
Admito que estava com aquela atitude de ouvir o hino da Champions, ver os jogadores em perfil e rapidamente desligar-me e conectar-me a uma dessas aplicações para androids que nos permite seguir todos os jogos que estão a decorrer. Saber se o Manchester United era eliminado da Champions ou se o Benfica do meu Portugal ganhava ao Atlético de Madrid da minha quase Espanha interessava-me muito mais.
Uma palavra: surpreendente. 8-0, goleada pouco típica num jogo de Champions. 90 minutos que permitiram apostas do tipo “eu acho que vai chegar ao 10-0 e que ainda vai marcar o Cheryshev”. Sim, o Malmö parecia uma equipa de bairro e por algum motivo teve o seu primeiro canto apenas aos 70min de jogo. Mas não se pode descartar a exibição dos merengues, que voltaram a estar em sintonia e a parecer uma equipa. É de destacar Benzema, que mais uma vez provou que as especulações ficam fora do terreno de jogo e que a vida pessoal não o impede de premiar o público madridista com golos. O francês voltou e trouxe um hat-trick no bolso.
Benzema reencontrou-se com os golos Fonte: Real Madrid CF
Um jogo que pouco prometia e que me fez celebrar um “póquer” daquele que se tornou no primeiro jogador a marcar 11 golos numa fase de grupos da Liga dos Campeões, e que arrepios nos dá ouvir “GOOOOOOL del portugués CRISTIANO RONALDO!”, ainda mais quando se trata de um público como o do Real Madrid, que geralmente é pouco efusivo, e que desta vez gritou “SIUUUU” em uníssono durante o típico festejo de Cristiano Ronaldo. O filho rebelde fazia as pazes com a família.
Depois deste resultado, o Real Madrid classifica-se como líder do grupo A para a próxima fase e Rafa Benítez torna-se no treinador com os dois maiores resultados de sempre na Champions, recordando o 8-0 ao comando do Liverpool contra o Besiktas.
Apesar de ter tido a oportunidade de gritar “golo” por 8 vezes numa noite, mantenho-me fiel à minha opinião: os espanhóis têm muito de futebol para nos ensinar, mas têm também muito que aprender connosco no que toca a apoiar um clube num estádio. Imagino o ambiente que esteve no Estádio da Luz, mesmo que o resultado tenha sido negativo para a equipa da casa. E digo-vos, aqui ganhou-se 8-0 e as vozes soaram única e exclusivamente durante os poucos minutos em que se celebram os golos. Que bom ambiente há nos estádios portugueses!
Não posso negar que fiquei extremamente entusiasmado com a notícia do regresso do ciclismo ao Sporting Clube de Portugal. Uma modalidade que nos deu mais de 150 títulos e onde brilhámos a alto nível. É incontornável falar do mítico Joaquim Agostinho, vencedor de três Voltas a Portugal e por duas vezes terceiro na Volta à França e que sofre o acidente que origina o seu falecimento (demasiado cedo) com a camisola verde-e-branca vestida.
Também não podemos deixar de achar estranho que num dia se anuncie a parceria com a W52 com os dirigentes da equipa a posarem ao lado de Bruno de Carvalho e três dias depois apareçam com um acordo com a equipa do dragão.
Ao anúncio da associação do FC Porto à equipa vencedora das últimas três edições da Volta a Portugal, o Sporting respondeu com um comunicado com a desistência por desconfiança de doping…
Não estou na posse de todas as informações do que terá acontecido, mas o que sei é que a Direção do Sporting Clube de Portugal sempre defendeu a transparência do desporto e que toda e qualquer situação mais obscura fosse investigada… Aconteceu com os fundos, tem acontecido com o vídeo-árbitro e agora com as suspeitas de doping da equipa W52… Se entre ter o ciclismo ou manter a coerência no discurso tenho preferência? A coerência, obviamente!
Joaquim Agostinho foi o maior ciclista português de todos os tempos e a sua glória nunca será esquecida em Alvalade Fonte: Fórum SCP
E no fundo, três dias depois de tirarem fotografias e virem dar entrevistas ao Jornal dos verde-e-brancos, aparecerem com a camisola azul e branca diz muito do seu carácter e dos negócios que estão dispostos a fazer.
Pinto da Costa anda “doente” com o protagonismo e com o trabalho da atual direção leonina e não podia perder esta oportunidade de fazer mais um negócio “à Porto” e de rompante acabar com a ligação do Sporting ao ciclismo e de tentar manchar a imagem dos dirigentes de Alvalade.
Mas não posso perder esta oportunidade de dar os meus sinceros parabéns a quem tomou esta difícil decisão de voltar atrás… Para podermos continuar o nosso caminho de clareza e honestidade no desporto, a coerência era muito importante.
Quarenta e oito horas de autocarro ou sete horas de avião seria o tempo que o FC Zenit de André Villas-Boas demoraria se esta temporada voltasse a jogar em Yekaterimburgo contra o FC Ural. A equipa do Oblast de Sverdlovsk é o representante mais oriental da Primeira Liga Russa (Российская Премьер-Лига) actualmente e também uma das surpresas mais agradáveis da presente temporada. O frio ártico já tomou conta do território russo e as agruras do Inverno, com temperaturas a rondar os -15º em algumas das regiões mais orientais, obrigam a uma paragem dos campeonatos profissionais e amadores do futebol russo.
Com 18 partidas já jogadas e após uma primeira análise à tabela classificativa da Primeira Liga Russa, poderia dizer-se à vista desarmada que, com a excepção do modesto lugar ocupado pelo FC Zenit, não existem grandes surpresas no posicionamento das equipas na parte cimeira. Na verdade, as coisas não são bem assim e apesar de o CSKA Moscovo ser, neste momento, líder isolado do campeonato, é legítimo questionar se essa liderança se manteria por muito mais tempo caso a pausa de Inverno não tivesse chegado.
Os fantasmas do passado assombram o técnico do CSKA Moscovo, Leonid Slutsky Fonte: sovsport.ru
Os homens de Leonid Slutsky, carrascos do Sporting CP na Liga dos Campeões, atravessam um momento terrível, quer a nível das competições internas, quer em termos internacionais. Com três derrotas nos últimos quatro jogos da Liga Russa, os Armeitsy viram esvaziar-se a gorda vantagem que tinham em relação ao surpreendente FC Rostov para apenas três pontos. Na última ronda antes da paragem de Inverno, o CSKA deslocou-se a Perm, uma região extremamente fria nas imediações dos Montes Urais, para sofrer uma humilhante derrota às mãos do FC Amkar. Humilhante, diga-se, não pelos números envolvidos, 2-0, mas sim pela lição táctica dada por Gadhzi Gadzhiev, antigo campeão olímpico pela URSS como adjunto do nosso conhecido Anatoliy Byshovets em 1988, e actual técnico do FC Amkar, ao seu companheiro de profissão e também actual seleccionador russo, Leonid Slutsky. O talentoso jovem médio proveniente do Spartak Nalchik, Alikhan Shavaev, abriu a contagem na primeira parte e o antigo avançado do CSKA Moscovo, Aleksandr Salugin deu a machadada final a dez minutos do fim da partida.
Em contraste com o CSKA Moscovo, temos um impressionante FC Rostov, que, apesar de inúmeros problemas de ordem financeira e de um plantel limitado, tem, pela mão do experiente Kurban Berdyev, remado contra a maré, encontrando-se actualmente no 2º lugar da tabela com apenas menos três pontos do que a equipa de Slutsky. Na última partida antes da paragem de Inverno, os Selmashi tiveram que se aplicar a fundo para bater o Rubin Kazan, antiga equipa de Kurban Berdyev, por 1-0. Um golo do inevitável Dmitry Poloz, também ele um jogador em afirmação na Liga Russa, deu a vitória, diga-se justa, aos homens de Rostov-on-Don.
Dmitri Poloz, um dos homens em maior destaque no FC Rostov esta temporada Fonte: vk.com
Ainda na parte cimeira da tabela, encontramos dois gigantes de Moscovo, Lokomotiv e Spartak, no 3º e 4º lugar respectivamente. O Loko, com quem o Sporting CP também já mediu forças esta temporada, tem estado em queda livre nos últimos meses e apenas conseguiu uma vitória nos últimos dez jogos oficiais. Na passada jornada, e após um empate a 2 golos no dérbi moscovita contra o Dynamo, o Lokomotiv não conseguiu melhor do que mais um empate a duas bolas, desta vez perante o FC Ural, em Cherkizovo. As longas ausências por lesão de Alan Kasaev e Dmitri Tarasov, que apenas recentemente voltaram à competição, não servem de toda a forma para explicar os maus resultados do conjunto de Igor Cherevchenko.
Por outro lado, os seus vizinhos e rivais do Spartak, que atravessam um claro período de renovação pela mão de Dmitri Alenichev, têm conseguido manter-se à tona e já não perdem há três jogos. Após uma vitória suada, mas de certa forma merecida, perante o FC Krasnodar, a equipa que mais vezes ganhou a Liga Russa após o colapso da URSS deixou-se empatar nos últimos segundos da partida na deslocação a Kazan, mas regressou aos triunfos no derradeiro jogo antes do interregno de Inverno com uma vitória caseira perante o FC Krylya Sovetov, de Franky Vercauteren. Um golo madrugador do inevitável Quincy Promes, o melhor marcador da Liga Russa com 10 golos em 18 jogos, foi o que bastou para levar de vencida a equipa de Samara e dar ao Spartak não só a nona vitória da temporada, como também a possibilidade de se manter em lugares que permitiriam disputar uma competição internacional na próxima temporada.
Contudo, nem tudo são rosas no universo do Spartak, uma vez que a aparente “Perestroika” que está a ser levada a cabo por Sergei Rodionov, director do clube, e pela restante estrutura dos Krasno-Belye está alegadamente a criar algum mau ambiente nos bastidores da equipa. O capitão da seleção russa, Roman Shirokov, foi afastado do onze inicial, uma vez que o experiente médio se recusou a alterar no seu contrato uma cláusula que lhe permitiria renovar o seu vínculo com o clube automaticamente após completar 15 partidas. Até ao momento, Shirokov alinhou em 14 ocasiões e por isso basta-lhe apenas mais um jogo para o seu contrato se renovar automaticamente. Toda esta novela tem acontecido, alegadamente, contra a vontade de Dmitri Alenichev, que, por sua parte, tem desde há muito uma grande amizade com Roman Shirokov.
Saindo de Moscovo em direção à capital do norte, São Petersburgo, encontramos um FC Zenit altamente descaracterizado até ao momento nesta temporada e que tem pautado pela irregularidade na Liga Russa. Actualmente no 6º lugar, com os mesmos 30 pontos de Spartak Moscovo e FC Krasnodar, a equipa de André Villas-Boas tem mostrado uma personalidade à Jekyll and Hyde, com estrondosas exibições na Liga Campeões, onde para já conta vitórias em todas as partidas que disputou, e prestações a rondar a mediocridade na Liga Russa, onde apenas venceu um dos últimos cinco jogos. Os actuais campeões russos não estão de forma nenhuma afastados da luta pelo título, uma vez que apenas têm menos sete pontos do que o líder CSKA Moscovo, mas necessitam de melhorar e muito se tencionam realmente fazer frente às equipas da capital após a paragem de Inverno. André Villas-Boas, que irá abandonar a equipa no final da temporada não obstante os resultados desportivos conseguidos, deverá ter em mente que esta clara aposta na Liga dos Campeões poderá sair-lhe bastante cara, uma vez que as equipas russas demonstram geralmente grandes dificuldades em manter o mesmo ritmo competitivo a nível internacional após o longo e agreste interregno de Inverno.
André Villas-Boas e Dmitri Alenichev, dois dos homens em maior destaque na Liga Russa esta temporada Fonte: sovsport.ru
Desta primeira fase da Liga Russa, há também que destacar as prestações de equipas como o FC Terek Grozny e o FC Ural. O conjunto tchetcheno, superiormente orientado pelo experiente Rachid Rakhimov, é a equipa que menos vezes perdeu na Liga Russa até ao momento (apenas duas derrotas em 18 jogos) e apresenta um futebol altamente mecanizado, principalmente a jogar em casa, com um estilo bem marcado e que lhe tem rendido excelentes resultados. O jovem talento russo Magomed Mitrishev tem dado muito boa conta de si, assim como o internacional polaco Maciej Rybus e os brasileiros Maurício e Adilson, que têm sido de especial importância para a boa caminhada da formação de Grozny.
Foram curiosamente o FC Terek e o FC Ural que estiveram envolvidos num alegado escândalo de resultados combinados aquando do jogo entre ambas as equipas em Yekaterimburgo no passado mês de Agosto. Esse episódio terá levado, alegadamente, à demissão de Viktor Goncharenko, o técnico que levou o FC BATE Borisov aos grandes palcos europeus e que se despediu do FC Ural por alegadamente não querer pactuar com tal situação. Não será de mais dizer que as investigações levadas a cabo não tiveram até ao momento qualquer resultado palpável.
Polémicas à parte, o FC Ural merece também destaque, não só pelo futebol altamente apelativo que apresenta, mas também por se encontrar na primeira parte da tabela ao fim de 18 jogos. O novo homem forte da equipa do FC Ural, Vadim Skripchenko, um antigo internacional bielorrusso que exercia funções de adjunto de Viktor Goncharenko no início da temporada, tem feito um trabalho absolutamente notável com a equipa dos Urais. Os internacionais russos Aleksandr Erokhin (actualmente lesionado) e Aleksandr Sapeta, assim como o chileno Gerson Acevedo, têm sido os homens mais importantes da equipa de Skripchenko.
Por fim, não será demais realçar as situações altamente complicadas que vivem o FC Kuban e o FC Anzhi, que ocupam o 14º e 15º lugares da tabela classificativa actualmente. A formação do Daguestão parece estar a querer levantar a cabeça e conseguiu duas vitórias nos dois últimos três jogos. O novo treinador da equipa, Ruslan Agalarov, levou a cabo uma pequena revolução, promovendo ao onze inicial vários jogadores mais jovens e relegando para a condição de suplente utilizado ou até mesmo não utilizado algumas das estrelas da equipa, como Hugo Almeida, Yannick Boli e Lukman Haruna.
Já o FC Kuban, que está em queda livre na tabela classificativa, está a pagar os erros de uma pré-época muito mal pensada, com contratações sonantes como Andrei Arshavin e Roman Pavlyuchenlo a nada trazerem de novo à equipa de Krasnodar. Assim, ao fim de 18 jornadas, somos invadidos pelo Inverno do nosso descontentamento, aquele que priva todos os que vibram com o futebol russo, de emoções fortes e de momentos de grande qualidade futebolística até ao próximo mês de Março.
É altura, após os compromissos dos clubes no passado fim-de-semana, de voltarmos mais uma vez aos jogos da Seleção Nacional de Futsal, desta feita a doer, uma vez que contam para a qualificação europeia para o Mundial 2016, a realizar na Colômbia. Na segunda fase, onde Portugal entra diretamente, os adversários que calharam em sorte à nossa equipa foram a Roménia, a Polónia e a Noruega. Um sorteio que, devo dizer, não foi nada mau para as nossas cores, adivinhando-se como adversário mais complicado o conjunto romeno, 19.º do ranking mundial e presença assídua em Campeonatos da Europa, onde esteve em 2007, 2012 e 2014, não tendo conseguido o apuramento para a próxima edição, que irá ter lugar no início do próximo ano.
Este é o adversário que apresenta os únicos resultados de relevo na atualidade, pois tanto a Polónia (37.º do ranking) como a Noruega (60.º do ranking) não conseguiram o apuramento para Campeonatos da Europa ou Mundiais nos últimos anos; só a Polónia se apurou para um Mundial (1992) e um Europeu (2003), já em anos demasiado longínquos para se poder concluir se este é, de facto, um adversário de topo. Como se apuram os dois primeiros classificados para os play-offs, e ainda por cima esta fase de apuramento se discute em Portugal, na Póvoa de Varzim, é de esperar que consigamos chegar com maior ou menor dificuldade até à fase seguinte, sendo essencial tentar alcançar o primeiro lugar para no play-off decisivo evitar os mais fortes adversários, pois os primeiros jogam contra os segundos e em teoria serão os mais fortes a avançar na liderança dos seus respetivos grupos.
A competição arranca já no dia 10 deste mês para acabar no dia 13, podendo os jogos ser acompanhados na TVI24, para quem tem TV Cabo. Quem não puder acompanhar os jogos a partir da televisão pode ler o artigo que vou escrever no fim da competição para contar como correu esta abordagem inicial ao Mundial FIFA 2016, e esperemos todos que no fim eu possa trazer boas notícias, isto é, o apuramento para a fase seguinte na liderança do grupo. De referir também, para finalizar, que a lista de convocados apresentada pelo selecionador Jorge Braz não apresenta grandes surpresas, com o SL Benfica a dominar a convocatória com cinco jogadores, seguido do Sporting CP com quatro.
O Manchester United está fora da Liga dos Campeões! Depois da eliminação na taça da liga inglesa, a turma de Van Gaal não conseguiu bater os alemães do Wolfsburgo e, dada a vitória caseira do PSV, foram relegados para o terceiro lugar do grupo B e estão, consequentemente, fora da próxima fase da liga milionária.
Era algo que já se adivinhava. O United ia decidir o apuramento em casa de um Wolsburgo em boa forma e a precisar de vencer. Os ingleses entraram com um onze bastante ofensivo (com Mata, Memphis, Martial e Lingard) e até marcaram primeiro, por intermédio de Anthony Martial, aos 10 minutos. Mas os “Lobos” responderam de forma quase imediata e bastaram 3 minutos para que Naldo (completamente sozinho na grande área), depois de um livre cobrado por Rodríguez, igualasse a partida. O Wolfsburgo continuou a carregar e, aos 29 minutos, numa brilhante jogada coletiva, finalizada pelo português Vieirinha, chegou à vantagem.
A partir daí o jogo abrandou, a equipa comandada pelo antigo selecionador holandês mostrava grandes dificuldades nas transições defensivas e o Wolfsburgo foi controlando a vantagem. Aos 82’, num canto apontado por Blind, Guilavogui tenta afastar e acaba por colocar o esférico dentro da própria baliza. No entanto, e ainda os adeptos do United estavam a festejar (o PSV estava empatado e este resultado permitia a qualificação ao United), já o Wolfsburgo restituía a vantagem. Novamente de bola parada, Naldo bisa na partida. Pouco tempo depois, o PSV marcou e selou a eliminação dos reds.
A realidade é que não foi na Volkswagen Arena que o United comprometeu o apuramento, mas sim nas duas partidas frente aos holandeses. A derrota em Eindhoven e o empate caseiro contra aquela que era, juntamente com o CSKA, a pior equipa do grupo, colocavam o United com apenas um ponto de vantagem sobre o terceiro classificado. O PSV, perante a possibilidade de passar (mediante um mau resultado dos ingleses no campo mais difícil do grupo) e a jogar em casa, não desperdiçou e bateu os russos que haviam eliminado o Sporting nos play-offs.
O central do Wolfsbrugo, Naldo, bisou em dois lances de bola parada Fonte: VFL Wolfsburg
Continua, assim, o mau momento de forma dos red devils, que nos últimos 13 encontros só venceram 4 e foram eliminados de duas competições. Esta série de maus resultados deve-se, essencialmente, à falta de capacidade ofensiva demonstrada pela equipa – só marcaram em 7 destes últimos 13 jogos –, muito por culpa do sistema de Van Gaal. O treinador holandês, em prol da segurança defensiva, tem comprometido no setor contrário. A equipa joga muito recuada e com os setores bastante afastados, o que dificulta as transições. A juntar a isso, Rooney, Depay e Schweinsteiger têm estado claramente em sub-rendimento, principalmente os dois primeiros. O extremo, que até começou bem a época, caiu a pique e neste momento nada lhe sai bem, parece um jogador a menos. Com Lingard, que já vai sendo bastante utilizado, Pereira e Young à espreita por um lugar no onze, o holandês está longe de ser um indiscutível.
Por outro lado, o avançado da seleção inglesa vem confirmando as críticas de que tem sido alvo – já desde o ano passado – em Inglaterra. Wayne Rooney está lento, sem ideias, sem brilhantismo, e longe do Rooney dos tempos de Ferguson, que tantas alegrias dava aos adeptos do United.
De facto, quem tem salvado este United tem sido a defesa, principalmente Chris Smalling, que tem estado em grande forma esta época. O central assumiu-se como patrão da defesa dos reds (embora muito longe de Ferdinand e Vidiç) e tem ajudado a equipa a manter um excelente registo defensivo (10 golos sofridos na liga) – o melhor do campeonato.
No entanto, este United joga muito pouco futebol e, assim, apesar de estar a apenas 3 pontos da liderança, dificilmente será campeão. Louis Van Gaal precisa de tomar as rédeas e colocar o imenso talento que tem à sua disposição a vencer, e a vencer bem, porque não se espera menos daquele que é, certamente, o maior clube inglês da atualidade.
Benfica e Atlético de Madrid entraram em campo já apurados para os oitavos-de-final. Faltava definir quem ocupava o primeiro lugar e o colchoneros levaram a melhor, vingando, curiosamente pelo mesmo resultado, o desfecho do jogo no Calderón. Já lá vão mais de 30 anos sem ganhar na Luz a uma equipa do país vizinho e a tradição parece teimar em manter-se. Ao montar a equipa em 4-2-3-1, Rui Vitória queria sobretudo controlar o meu campo, arriscando o menos possível (afinal um empate bastava). Com Fejsa e Renato mais recuados, Gonçalo Guedes e Pizzi nas alas e Gaitán atrás de Jonas, estava montada uma estratégia cautelosa, com a certeza de que os espanhóis viriam a Lisboa para tentar vencer.
E a entrada do Benfica, controlador e a encostar o Atlético à sua área nos primeiros 10 minutos, fazia antever uma grande noite europeia, daquelas que costumam ser lembradas nos trinta anos seguintes. Os encarnados faziam circular a bola com velocidade (a única forma, viríamos a perceber durante o jogo, de fragilizar o bloco defensivo denso e quase indestrutível do Atlético) e recuperavam rapidamente a posse da bola quando a perdiam. Um início forte, como aconteceu em Braga, mas desta vez sem golos. Os madrilenos podem ter ficado surpreendidos mas foram equilibrando o jogo e o Benfica foi baixando o ritmo. Valeu Júlio César com um par de boas defesas. Por pouco tempo. O Atlético estava por cima e, à passagem da meia-hora, marca por Saúl. A jogada é simples e eficaz: com o Benfica desequilibrado, Vietto ganha a linha de fundo e cruza para Saúl que, vindo de trás e sem marcação, faz o golo.
O primeiro remate do Benfica apenas iria surgir aos 37 minutos (!), por Gonçalo Guedes, e na sequência de uma iniciativa individual. As duas linhas defensivas do Atlético formavam um bloco incrivelmente compacto por onde era muito difícil entrar. Jonas era obrigado a baixar para vir buscar jogo, ou seria totalmente bloqueado pelos centrais. E, assim, a equipa ficou muitas vezes sem referência ofensiva e sem presença na área, o que tornava os cruzamentos estéreis e obrigava os jogadores a forçarem o jogo interior, onde não havia espaço, ou a atrasarem a bola até Júlio César.
Mitroglou ainda reduziu mas o Benfica acabou em 2º lugar do grupo Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Na segunda parte, com a entrada de Mitroglou, a equipa parecia ter reentrado em campo com outro ânimo. Mas foi sensação que durou pouco tempo. Os espanhóis, muito experientes a virar resultados adversos e ainda mais a conservar vantagens, mostraram bem a maturidade própria de uma equipa que joga quase de olhos fechados, recheada de jogadores internacionais de enorme qualidade técnica e comandada por um dos melhores treinadores do mundo. Sem acelerar muito e perante o adormecimento geral dos encarnados, o segundo golo surgiu com alguma naturalidade: André Almeida ficou parado enquanto Ferreira- Carrasco lhe ganhava todo o corredor. O belga teve tempo de parar, contemporizar a chegada de Vietto ao interior da área e oferecer o golo de bandeja. É fundamental reforçar a equipa com um defesa-esquerdo (Eliseu não mostra grandes avanços e Sílvio pode não ser uma aposta totalmente segura) e um defesa direito, já que André Almeida só jogo o quanto baste (e só basta a nível doméstico) e Nélson Semedo ainda está longe de estar recuperado.
Quando o treinador decidiu lançar Jimenéz o jogo mudou. As constantes correrias de Jonas tinham-no desgastado (não faz sentido colocar Jonas sozinho na frente) e era preciso poder de choque na frente. Aos 63 minutos, o mexicano deixou o primeiro aviso com um remate algo fraco e Carrasco respondeu logo a seguir, com um tiro de fora da área. Mas a reação do Benfica iria mesmo acontecer. A 15 minutos do fim, Jiménez conseguir vislumbrar um raro espaço entre linhas, avançou e, vendo Mitroglou na área, fez o passe rasteiro. O resto foi instinto de baliza do avançado grego. Receção e rotação perfeitas e a bola estava lá dentro.
Daí para a frente, a equipa portuguesa pediu ao coração o oxigénio que já não tinha e só não chegou ao empate por falta de sorte. Renato Sanches, o menino-maravilha que a cada jogo impressiona cada vez mais, quis repetir o golaço frente à Académica e andou lá perto. Jiménez esteve a centímetros de festejar num bom cabeceamento. Eliseu ainda tentou de longe mas sem sucesso. Um dos finalistas da final de 2014 da Champions esteve debaixo de uma pressão sufocante durante a etapa final do jogo mas conseguiu resistir. Já que é inevitável sermos atirados ao lago dos tubarões no sorteio de sexta-feira, que nos calhe o mais inofensivo. O Zenit traz boas memórias, vindas da eliminatória de 2012. Seria um bom déjà vu.
PS: Uma referência positiva para Fejsa. Não sei se retirou o lugar a Samaris ou não, mas fez um jogo bastante consistente, jogou a um ritmo bastante alto e foi muito importante em algumas recuperações de bola. Se não tiver o azar de se voltar a lesionar, pode muito bem atingir o momento de forma do ano passado. Uma coisa é certa: para a posição 6 não falta qualidade.
A Figura: Renato Sanches – Incrível o sentido posicional, as acelerações, as recuperações de bola improváveis, o pulmão. Que jogador!
O Fora-de-Jogo Gonçalo Guedes – É um bom jogador mas esta noite esteve muito desinspirado. Muito lento a soltar a bola, sem o seu habitual poder de explosão e com muitos passes errados.
Foto de capa: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica