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Obrigado por existires

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futebol nacional cabeçalho

Devem existir poucas coisas mais enternecedoras do que vermos espelhados, em pessoas mais novas, estados de alma que já nos pertenceram. Regressamos ao passado, e compreendemos o olhar de indefinição que, paradoxalmente, reflecte a tranquilidade de um “eu” com menos conhecimento sobre o mundo e suas vicissitudes.

Isso aconteceu-me, recentemente, num almoço de família. Uma pergunta empurrou-me para o passado. Para uma altura em que já não bastava, apenas, uma bola e espaço para jogar para me sentir realizado. Era preciso mais alguma coisa, mas eu não sabia o quê, e então perguntava, como me perguntaram a mim: “Qual é a tua música preferida?”.

Claro que ninguém me sabia responder a perguntas como esta. Nem eu soube. É certo que me vieram à cabeça “intro’s” como as da “One”, dos Metallica, ou da N.I.B., dos Black Sabbath, a harmonia da “Black”, dos Pearl Jam, ou da “April”, dos Deep Purple, genialidades tiradas de autores como Dylan, Tom Waits, System of a Down, Bowie, Royksopp, Massive Attack, Radiohead ou, mais recentemente, Tycho… e muito mais, naquela fracção de segundo. Mas jamais me conseguiria aproximar da resposta certa.

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Campanha de Marketing do Sporting CP ilustra bem a forma como se vive o “nosso” derby
Fonte: Facebook do Sporting

Pura e simplesmente, não me conheço a esse nível, mas foi enternecedor olhar para trás e notar quão simples achamos que a vida possa vir a ser. Poder escolher a música, o álbum, o livro, o ator, a atriz, o filme… o futebolista favorito! As coisas não funcionam assim. Este tipo de artes tem demasiada coisa boa para se poder apontar uma coisa como favorita, dentro delas. Encontrá-lo revela uma de duas coisas: um extremo ou limitadíssimo conhecimento delas.

Já antes, a mesma pessoa me tinha perguntado qual era o jogador que mais me fascinava. Também não soube responder, mas tive rasgos de memória, como o golo de Suker à Holanda, no Mundial 98, que deu à Croácia um histórico 3º lugar; ou a fuga de Michael Owen, por entre uma equipa inteira da Argentina, para fazer o 2-1, insuficiente para evitar a derrota nos penalties,  e divaguei para casos particulares do futebol português, como o golo de Mário Jardel, com a camisola do Sporting, ao Vitória de Setúbal, ao cair do pano, refletindo todo o seu instinto matador na forma como o golo chegava a ele. O golo de Deco, ao Benfica, de livre directo, na esquina da área, revelando toda a classe daquele génio ou… Pablo Aimar em toda a sua plenitude. Não conseguiria responder com exactidão sobre quem mais me deslumbrara.

Sobre favoritos, no futebol, são muito poucas as certezas de quem ama e acompanha o desporto. Existe o clube, e pouco mais.

Como adepto de futebol, não conseguiria escolher qual o jogo que mais me marcou (embora os penalties do Portugal-Inglaterra do Euro 2004 estejam bem frescos na memória), mas sei o  duelo que mais impacto tem na minha vida. Pela rica história de “trabalhos de parto” de 90 minutos que dão à luz lendas do futebol, normalmente “assistidas” por muitos golos, pelo “fartote” de bom futebol e pela rivalidade, a sadia, que se vive fora das quatro linhas, num ambiente inigualável em qualquer outro ponto do globo.

Falo, claro, do derby. O português. O Sporting-Benfica ou Benfica-Sporting, recheados de imagens com presença indelével na história do futebol português. Capítulos que marcam vidas. As dos protagonistas, dos companheiros e de adeptos, como eu, de futebol.

Sinto-me privilegiado por ter a certeza sobre alguma coisa nesta arte tão vasta. Ainda bem que o derby existe.

Foto de Capa: Facebook do Benfica

Caréga Maria!

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sporting cabeçalho generíco

Os adeptos benfiquistas devem ter na cabeça um nome por quem, por estes dias suspiram de saudade quando se fala em derby: Óscar “Tacuara” Cardozo. Do lado do Sporting CP, talvez alguns adeptos evoquem a memória de Liedson e dos seus duelos com Luisão. Diga-se, em abono da verdade, que a lembrança se justifica, pelo número de golos conseguidos por ambos os jogadores.

Esse número não passa contudo de um diminutivo comparado com os golos alcançados por Fernando Peyroteo contra o SL Benfica. Peyroteo é ainda hoje o fantasma que assombra as balizas do nosso eterno rival. Um total de 64 golos marcados em 55 jogos (média de 1,2 por jogo). Aliás os números de Peyroteo são impressionantes e é uma profunda injustiça que o tempo os vá sepultando sem que se perceba a importância deste jogador não apenas para o Sporting mas também para o futebol nacional. Caréga Maria era a expressão usada por Szabo, o seu treinador, para vitoriar os seus golos.

Números impressionantes

Peyroteo é ainda hoje:

  • o jogador com a melhor média de golos marcados pela selecção nacional – 0,7 pelos 14 golos marcados em 20 jogos, num tempo em que não havia tantos jogos internacionais;
  • o jogador com mais golos marcados ao FCP – 33 em 32 em 32 jogos, média de 1,2/jogo:
  • Aos 197 jogos efectuados para o campeonato nacional correspondem 331 golos marcados, uma assombrosa média de 1,6 golos por jogo, número ímpar em qualquer jogador e campeonato de futebol do mundo.
  • Os 393 jogos oficiais renderam-lhe 635 golos, média de 1,61 golos. Números que superam os de Eusébio que agora jaz no Panteão Nacional.
Peyroteo
Peyroteo é e será sempre um ícone no futebol português e mundial.
Fonte: Sporting CP

Pode-se dizer que Peyroteo nasceu para marcar golos ao SLB. No seu primeiro jogo, integrado num torneio de preparação, marcaria 2 golos, num dérby ganho por 5-3 pelo Sporting. A sério, anos depois, seria sempre decisivo nos 12 anos que jogou de leão ao peito. Como, por exemplo, no campeonato do pirolito, sendo ele o autor dos 4 golos que ditaram não só o vencedor do encontro (4-1) como o campeão desse ano. É também o jogador com mais golos marcados ao Benfica: 64 golos em 55 jogos (média de 1,2 por jogo).  O jogador com mais golos marcados ao F.C.Porto: 33 golos em 32 jogos (média de 1,02 por jogo).

Peyroteo foi também um atleta exemplar, cuja conduta desportiva honra sobremaneira o historial do clube. A sua única expulsão da carreira seria precisamente num dérby, quando decidiu não se ficar perante um insulto de um defesa rival. A homenagem que o Sporting amanhã lhe tributará, em dia do derby eterno é por isso mais do que justa.

Foto de capa: imortaisdofutebol.com

Crónica de um campeão anunciado

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É há quase três anos que estou nesta casa e que escrevo sobre o futebol brasileiro. Curiosamente, nas duas vezes anteriores, quando me foi dada a possibilidade e a oportunidade de falar sobre o campeão brasileiro em questão, ele foi o mesmo: o Cruzeiro. Mas hoje o dia não é dos celestes de Minas Gerais. Hoje o dia é de outro gigante.

Como decerto terão reparado, caros leitores, o título deste artigo é inspirado num dos grandes livros da literatura mundial. Escrito, também o mesmo, por outro Golias dessa área: “Crónica de uma morte anunciada”, Gabriel García Marquez. Um livro que todos devem ler. E quem já o fez sabe o final. Só que, desta feita, o final de que agora falamos é bom. Relembremos.

Palavras? Para quê?  Fonte: blogs.band.com.br
Palavras? Para quê?
Fonte: blogs.band.com.br

Até há bem pouco tempo, o clube que hoje se tornou campeão do Brasil tinha tido uma hecatombe: tinha descido até à Série C (equivalente à terceira divisão) do Brasil. Em pouco tempo, o atual técnico Tite tomou as rédeas do comando técnico e levou o Sport Club Corinthians Paulista a mais um saboroso título. Isto depois de, por exemplo, o mesmo treinador ter ganho mais um título nacional em 2011 e ainda uma Libertadores e Intercontinental, em 2012, entre outros títulos. O Corinthians está, deste modo, de parabéns. Fez uma campanha sólida, através da qual depressa se percebeu que o alvinegro paulista iria levar a melhor sobre a concorrência. E este campeonato tem muito a mão de Tite, mas também de jogadores experientes que compõem o plantel dos Gaviões da Fiel. Os casos de Jadson, do renascido Wagner Love e do nosso bem conhecido Elias são disso exemplo.

Enfim, um título mais do que merecido, de uma das maiores torcidas do Brasil e também das maiores do mundo, em termos de número de adeptos. Tite revela aqui que talvez hoje em dia seja o único brasileiro capaz de comandar com pulso de ferro a seleção canarinha, que tão necessitada está de uma liderança fortalecida. O Corinthians é campeão do Brasil. Hoje a nação alvinegra pode festejar. E garanto – porque já estive em São Paulo – que o foguetório vai durar bem mais que uma noite…

 

Foto de capa: www.sportt.com.br

Neymar e Suárez: uma parceria que vale triunfos

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A presente temporada da Liga Espanhola tem evidenciado o excelente momento de forma que Neymar e Luis Suárez estão a atravessar e, também, tem vindo a comprovar que o Barcelona não depende exclusivamente do génio de Lionel Messi e que a equipa consegue prosperar mesmo sem o contributo do astro argentino. Com a Pulga fora de combate, por lesão, os restantes elementos da MSN, trio ofensivo que na época transata deslumbrou o mundo do futebol e que leva 122 golos neste ano civil, têm sido o principal destaque da equipa e, de facto, têm dado bem conta do recado, somando golos e triunfos para os catalães.

Neymar tem assumido o papel principal no conjunto catalão, mas Suárez também tem estado de pé quente, o que faz os dois atacantes sul-americanos serem os melhores marcadores do campeonato: o brasileiro conta 11 golos, ao passo que o uruguaio já fez as redes adversárias balançar por nove vezes.

A lesão de Lionel Messi no joelho, ocorrida na sexta jornada da Liga Espanhola face ao Las Palmas, constituiu um autêntico revés para as hostes catalãs, que se viram assim privadas da sua maior estrela. A ausência do argentino durante algum período de tempo deixou muitas dúvidas no ar. Será que a equipa conseguiria manter o seu nível habitual sem o camisola 10? Teriam Neymar e Luis Suárez a capacidade para assumir todas as despesas do ataque catalão?

Certo é que a resposta da equipa dentro de campo, mesmo com alguns contratempos por vezes, tem sido bastante positiva, facto que leva os blaugrana a encontrarem-se no primeiro lugar do campeonato e a realizarem um percurso tranquilo na Liga dos Campeões. Não descurando o contributo, que é essencial, de todos os restantes elementos que jogam regularmente nos catalães, Neymar e Suárez têm, de facto, sido o principal sinal de vida da equipa. Nos últimos jogos do Barça, quando um não resolve, resolve o outro. Neymar e Suárez marcaram 20 dos últimos 23 golos da equipa em todas as competições, dado que demonstra evidentemente o quanto os atuais campeões europeus têm dependido do instinto goleador de ambos.

Os dois sul-americanos somam 20 dos últimos 23 golos da equipa
Os dois sul-americanos somam 20 dos últimos 23 golos da equipa

Na última partida que realizaram para o campeonato, Neymar e Suárez voltaram a provar o seu valor: o Barcelona venceu por 3-0 o Villarreal, resultado que serviu para o conjunto de Luis Enrique assumir a liderança isolada da liga. Neymar, que tem denotado uma evolução estrondosa desde que chegou a Espanha, bisou no encontro, ao passo que o uruguaio fez também o gosto ao pé, dando assim mais um triunfo importante para as hostes catalãs. O jogo contou ainda com um momento de pura inspiração por parte de Neymar quando apontou o terceiro golo, um autêntico hino ao futebol, uma jogada que fez lembrar os tempos de ouro de Ronaldinho Gaúcho e que correu todos os cantos do mundo do futebol.

Desde que chegou a Barcelona, na época passada, Suárez tem comprovado que os seus números no Liverpool não eram um mero acaso: o uruguaio faz da sua capacidade de finalização, aliada a uma garra tremenda, bem ao estilo sul-americano, a principal arma no seu arsenal ofensivo, fator primordial na quantia milionária que os blaugrana desembolsaram para contar com os seus serviços.

No que concerne a Neymar, o brasileiro tem aproveitado os tempos mais recentes para silenciar os seus críticos mais acérrimos com a magia do seu futebol e com a evolução tática que tem protagonizado na Catalunha. Muitos defendiam que era um jogador demasiadamente sobrevalorizado e que não tinha capacidade para se manter como um dos melhores do mundo… e Neymar, que aos 23 anos conta já 67 internacionalizações e 46 golos pela seleção brasileira, tem vindo a provar exatamente o contrário. Se continuar com os índices que tem evidenciado e continuar a sua evolução como um jogador de equipa e não individualista certamente irá encabeçar a lista de estrelas que disputarão o trono do futebol quando Messi e Cristiano Ronaldo saírem de cena.

Com o clássico espanhol à porta, a 21 de novembro, e com Messi a poder não estar totalmente recuperado, a esperança dos adeptos culés reside na capacidade para desequilibrar de Neymar e Suárez e ambos terão de mostrar-se à altura do desafio, pois um triunfo ante o Real Madrid dará ao Barcelona uma vantagem mais confortável no topo da tabela classificativa.

Fotos de: FC Barcelona

Taças de Segunda

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É com extremo desagrado que vejo a direcção do Sporting Clube de Portugal a alterar as suas prioridades, uma vez que vêm agora noticiar que o treinador Jorge Jesus vai poder usar a equipa principal na taça CTT, o que considero uma má opção.

A anterior política só nos trouxe vantagens: não sobrecarregou os jogadores da equipa principal com jogos que não nos trariam qualquer reconhecimento ou recompensa desportiva; permitiu que jogadores da equipa B e juniores se mostrassem e provassem o seu valor como possíveis reforços da equipa A; permitiu utilizar jogadores menos utilizados, permitindo a estes manter rotinas de competição e responder de uma forma mais eficaz e eficiente na hora de serem chamados à equipa titular.

Digo isto da taça CTT, como poderei dizer também da Taça de Portugal ou da Liga Europa, porque convenhamos que pouco ou nada acrescentam a um palmarés de grande clube, na minha opinião.

A Taça CTT não permite acesso a nenhuma competição europeia; já a Taça de Portugal permite o acesso à Liga Europa, mas um clube como o Sporting não pode depender disso para ter acesso a competições europeias. A Liga Europa, bem… Não sei, alguém se lembra de quem ganhou as últimas edições dessa competição (para além dos adeptos das equipas que as ganharam, e dos adeptos das equipas que as perderam na final… Ah! Posso estar enganado, porque os rivais dessas equipas também gostam de fazer historiais de derrotas das equipas adversárias para espalhar na Internet, e tentar esconder as suas próprias derrotas)? E o valor monetário da conquista da competição é irrisório para os orçamentos actuais dum clube grande.

Na minha opinião só existem duas competições que me enchem as medidas: o Campeonato Nacional e a Liga dos Campeões. Posso acrescentar aqui a Supertaça.

A Taça CTT deverá servir como rampa de lançamento de jovens na equipa A Fonte: Sporting CP
A Taça CTT deverá servir como rampa de lançamento de jovens na equipa A
Fonte: Sporting CP

A primeira por permitir que nos superiorizemos a todas as equipas rivais, e por nos permitir acesso directo à Liga dos Campeões (o segundo lugar também o permite – ainda –, mas é o segundo lugar). A segunda, porque nos permite arrecadar uns bons milhões, e veres a tua equipa entrar em campo ao som daquele hino é outra coisa (se bem que também tenha assobiado no momento do hino, pela forma como temos sido “roubados” – O Braz da TVI24 não o diria melhor – nessa competição). Quanto à Supertaça, é pelo facto de provares que continuas a melhor equipa no lançamento de mais uma época; simples.

Venho já fazer a ressalva de que eu quero sempre ver o Sporting ganhar todos os jogos, fico mal disposto quando isso não acontece, mas também fico assim quando perdemos jogos da pré-época, e esses também servem para pouco mais que nada. Fico chateado quando perdemos esses jogos, mas não fico extremamente feliz quando os ganhamos como fico com cada vitória no campeonato ou na Champions.

Taças para encher museus não me dizem muito; grandes vitórias e conquistas sim.

 

P.S: Estendo este texto às modalidades, porque o Sporting nunca será só o futebol.

Foto de Capa: Sporting CP

Lionel Messi a caminho do clássico

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cab la liga espanha

Sábado completar-se-ão 56 dias desde a lesão de Messi. 26 de setembro, 16h03, 73 mil espetadores nas bancadas, Messi entra na área sobre o lado direito, puxa para dentro e, no momento em que ia a rematar, um defesa coloca o pé à frente da bola, fazendo o remate sair prensado. Messi saltita quatro vezes, apoiando-se apenas na perna direita e cai. Pior: fica caído. Um adepto de apenas dez anos dá um ligeiro toque com o cotovelo para chamar a atenção do pai e faz-lhe sinal com a cabeça, apontando para o local onde está o argentino. Todo o estádio olha. O Camp Nou fica em silêncio por um segundo. A dor que o argentino sente no joelho esquerdo, os adeptos sentem-na no peito.

O jovem começa a gritar “Messi, Messi, Messi” e todo o estádio junta-se a ele, ajudando o seu craque da  única forma que pode. Passados uns momentos, Messi levanta-se e sai pelo seu próprio pé. “Uff”, ouve-se o Camp Nou suspirar. O argentino reentra em campo pouco depois e o estádio festeja como se de um golo se tratasse. Puro engano. Enquanto andava, ia calcando a relva, testando o joelho, e a sua cara anunciava más notícias. Pediu a bola, recebeu-a e devolveu logo a Piqué, de pé direito, fazendo o gesto definitivo: “Não dá”. Entregou a braçadeira de capitão ao central e sentou-se no chão a massajar o joelho.

Entre 73 mil caras apreensivas, o realizador não captou as duas únicas que estavam tranquilas: as de Neymar e Suárez, que já sabiam o que aí vinha. Nos nove jogos sem Messi (contando com o jogo frente ao Las Palmas, em que o argentino saiu logo no início), a dupla Neymar-Suárez foi responsável por 20 golos e quase fez esquecer Messi, não fora isso impossível.

Neymar e Suárez juntos frente ao Las Palmas Fonte: FC Barcelona
Neymar e Suárez juntos frente ao Las Palmas
Fonte: FC Barcelona

56 dias passados, o provável regresso do melhor marcador da história dos clássicos é um dos pontos de maior interesse do Real Madrid FC – FC Barcelona. O argentino deverá começar o jogo no banco e, quando, no início da segunda parte, se levantar para aquecer, um adepto de apenas dez anos dará um ligeiro toque com o cotovelo para chamar a atenção do pai e far-lhe-á sinal com a cabeça, apontando para o local onde está o argentino. Todo o estádio olhará. O Bernabéu ficará em silêncio por um segundo. Messi calcará o relvado e todo o estádio tremerá.

O jovem começará a gritar “Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo”, mas mais ninguém se juntará a ele. Pode ser que o português o ouça, pegue na bola e, depois de fazer o golo, diga “Calma, que eu estou aqui”, enquanto aponta o próprio umbigo. Pode ser. Mas, se tivesse de apostar, diria que o que se vai passar será ligeiramente diferente: à entrada de Messi, Benítez responderá com muitas indicações gestuais a que ninguém fará caso e, depois, usará um pequeno lenço para secar o suor da testa. Entre os madridistas, especialmente os que estarão dentro de campo, não haverá um único tranquilo, porque já saberão o que aí vem. O Real vai recuar, recuar, e vai sofrer, tal como já aconteceu esta época frente ao Atlético de Madrid e frente ao Sevilha FC.

Assim sendo, à 12.ª jornada, o Real arrisca-se a ficar a seis pontos, tendo desaproveitado estes dois meses de ausência de Messi e o período em que Arda Turan e Aleix Vidal ainda não estão inscritos. A partir de janeiro, será ainda mais difícil travar o Barça.

Foto de Capa: L.F.Salas

Jogo Interior #15 – A competência tem idade?

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jogo interior

Julian Nagelsmann foi contratado pelo TSG Hoffenheim para assumir o comando da equipa da 1.ª Liga Alemã, treinador que no ano passado foi campeão nacional de juniores do mesmo clube. Julian será o treinador mais jovem da história do escalão mais alto do futebol alemão. Julian tem acordo para orientar a equipa mas ainda tem de passar nos testes do curso de treinador. O seu talento para treinar foi detectado pela direcção do Hoffenheim, que não hesitou em assegurá-lo em funções no clube, e deu-lhe um grande voto de confiança e esperança.

“Para chegares aonde a maioria não chega precisas de fazer algo que a maioria não faz…”

A história de Julian serve de mote para o resto. Uma frase que cito reflecte a diferenciação que se observa quando encontramos exemplos destes. Jovens “improváveis” a ter sucesso, a ultrapassar “velhas raposas” e a mudar velhos paradigmas… Na nossa sociedade ocidental floresce o estigma de que só quem tem muitos anos de idade é que tem muita experiência. Se levarmos a afirmação de forma literal a verdade é essa mas há aqui mais factores a ter em consideração. Será que ao longo dos anos as experiências e aprendizagens adquiridas foram de qualidade?

As competências adquiridas num curto espaço de tempo não são passíveis de transformar um treinador jovem num treinador de qualidade? Nem sempre a quantidade de anos de prática da actividade entrega ao treinador valores e habilidades que o fazem ser bem-sucedido ou reconhecido pelos outros. Diz-se que “a prática leva à perfeição”. Se de certa forma isso é verdade, quando a prática não é perfeita não leva a lado nenhum a não ser a uma ilusão traduzida pelo ditado popular “A velhice é um posto”. Não concebo que alguém sensato, que tenha, por exemplo, mais dez anos de experiência que outro treinador, sequer pense que é melhor.

Cada vez mais surgem novos treinadores, impulsionados e motivados por novas ideias, com sede de conhecimento e bastante personalidade, bastante pro-activos, à espera de uma oportunidade idêntica à de Julien Nagelsmann. Do outro lado, a escolha para técnicos da “velha guarda” está entre tornar-se flexível e adaptar-se ou passar à reforma. Jupp Heynckes, por exemplo, tem 68 anos, e é natural que os relacionamentos com os jogadores mais jovens possam ser frágeis. No entanto o treinador reinventou-se a si próprio no Bayern de Munique, com uma abordagem mais serena.

Supostamente à medida que vamos passando os anos de vida, numa profissão, numa actividade, uma enorme quantidade de experiências, aliadas à aquisição de conhecimento teórico e prático, vão-nos moldando e dando consistência no desempenho do nosso papel. Neste caso o de treinador. Obviamente estas acções de construção do nosso ser treinador vão dando pistas que nos permitem avaliar em que ponto nos encontramos, partindo do princípio de que o nosso grau de auto-conhecimento é bom e de que somos possuidores de uma boa atitude perante o nosso papel.

Julian Nagelsmann vai ser o mais novo treinador de sempre da Liga Alemã Fonte: The Guardian
Julian Nagelsmann vai ser o mais novo treinador de sempre da Liga Alemã
Fonte: The Guardian

Não quero parecer arrogante nem presunçoso dizendo que, na minha opinião, um treinador de 20 anos nunca deve ser subserviente a outro qualquer de 40, mesmo tendo o primeiro somente um ano de experiência na liderança de equipa. O que defendo é que deve ter atitude e confiança. Deve, sim, ser respeitador mas convicto dos seus princípios, lutar para demonstrar que as suas ideias diferentes são boas e funcionam. Manter-se firme perante actos desesperados de demonstração de poder ou tentativa de imposição de ideias. Ideias velhas já foram novas e as melhores na altura.

Felizmente o ser humano é naturalmente empreendedor e “aprendedor”, e utiliza essas características para crescer. Se acreditamos que, por toda a gente jogar e treinar o 4x3x3, 4×0, 2x2x1, 6×0, nós também temos de o fazer, já estamos a ser manipulados à partida. Se achamos que é melhor que seja diferente então sejamos persistentes e resistentes porque muita gente vai, em vez de provar que eles estão certos, tentar provar que nós estamos errados.

Um factor importante também no sucesso de jovens treinadores é a aposta dos dirigentes com coragem para assumir um risco que muitas vezes é impossível de calcular. A competência não tem idade e está na hora de modificarmos a nossa típica mentalidade de que somos pequeninos e de que raramente temos mérito, ou que este é um factor de diferenciação. “Chegamos sempre como novos a todas as idades da vida e muitas vezes com falta de experiência, apesar do número de anos”, já dizia François La Rochefoucauld, escritor francês do século XVII.

“Os velhos acreditam em tudo, as pessoas de meia idade suspeitam de tudo, os jovens sabem tudo.”, Oscar Wilde

Para os treinadores com mais idade deixo uma pequena sugestão: como os que lideram qualquer sistema são os mais flexíveis, então sejam-no. Aceitem novas ideias, brinquem com elas, tentem percebê-las primeiro e não descartá-las à partida. Poderão estar perante algo valioso mas que por condicionamento não aceitam.

 

Foto de Capa: Federação Alemã de Futebol 

Afinal… quem foi Jonah Lomu?

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cab Rugby

17 de Novembro de 2015 ficará marcado pelo desaparecimento, aos quarenta anos, de Jonah Lomu. Considerado por muitos o melhor jogador de rugby de todos os tempos, o All Black estava afastado dos relvados desde 2010, após vários problemas renais, que já o tinham, inclusive, obrigado a fazer um transplante de rim.

Nascido para o rugby antes mesmo de ser adolescente, cedo Jonah Lomu se começou a destacar na posição de asa. Em 1993 actuava na selecção nacional neo-zelandesa de sub-19, um ano mais tarde no escalão de sub-21 e, em 1995, Jonah Lomu, com apenas 19 anos, seria convocado para o Campeonato do Mundo de Rugby e logo aí começava a História a escrever-se: na altura era o jogador mais jovem de sempre a disputar um Mundial. Nessa mesma competição, Lomu iria anotar sete ensaios em cinco jogos (outro recorde à data) e, no final do torneio, seria considerado o jogador revelação.

Estava criado o mote para Lomu assinar com uma equipa de qualidade reconhecida, no caso o Auckland Blues, onde jogou por três temporadas. Em 1996, Lomu foi peça fundamental para os All Blacks conquistarem o Torneio Três Nações na sua época de estreia, sendo que a selecção da Nova Zelândia venceu todos os jogos que disputou. Nesse mesmo ano o mundo ficaria, também, a conhecer os problemas de saúde do astro neo-zelandês, que o afastaram do rugby durante algum tempo.

A garra e determinação com que encarava cada partida marcarão para sempre o rugby mundial Fonte: Phil
A garra e determinação com que encarava cada partida marcarão para sempre o rugby mundial
Fonte: Phil

Mas, e tal como se manifestava dentro de campo, Lomu teimava em tentar fintar a doença, e em 1998 aparecia em grande plano a assinar pelos Chiefs. No ano seguinte disputou-se mais um Campeonato do Mundo e o gigante All Black melhoraria a sua marca: oito ensaios, mas, uma vez mais, não conseguiria levar o troféu para casa.

Era altura de se mover para os Chiefs, onde jogaria por apenas uma época; no ano seguinte transferia-se para os Hurricanes, onde continuava a disputar o Super Rugby. Em 2001 Lomu saboreava, finalmente, um título mundial com a camisola do seu país natal, ao vencer o Campeonato do Mundo na variante de sevens.

A sua estadia nos All Blacks duraria apenas mais um ano, como consequência do agravamento do seu estado de saúde; em 2002 viu-se obrigado a parar a carreira devido ao mesmo. Mas, em 2006, reaparecia nos Cardiff Blues, na derradeira tentativa de voltar à selecção neo-zelandesa: não conseguiria, no entanto, concretizar o regresso. Dois anos depois de uma nova paragem, em 2009, surgia em França, no Marseille Vitrolles, para, em 2010, arrumar definitivamente as chuteiras.

Foto de Capa: Global Sports Forum

Sporting vs Benfica – versão 3.0: Ir a Alvalade sem medos

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sporting cabeçalho generíco

Em condições normais, nesta semana o futebol deveria ser o tema de que todos iriam falar… Vinham dois jogos escaldantes animar o fim-de-semana e logo muito seguidinhos!

O meu Sporting vai jogar pela terceira vez esta época contra o eterno rival (e ainda vamos em poucos meses de campeonato) e só se deveria falar das picardias entre clubes rivais… as picardias “saudáveis”! Iríamos criticar os presidentes, discutir quem teria sido mais beneficiado pelos árbitros, quem tem os comentadores mais parvos.

Os planos de beber uns copos com os amigos antes do jogo, de começar a festa cá fora, estavam já traçados e tudo estava preparado para um grande fim-de-semana desportivo!

Mas eis que o medo se instala e o pânico está a consumir todo o Mundo. Onde existirem grandes multidões creio que toda a gente terá sempre receio do que poderá acontecer, uma vez que os acontecimentos recentes em França fazem com que no Mundo inteiro se ande sempre a olhar por cima do ombro e com receio de grandes ajuntamentos…

80.000 pessoas de nacionalidades diferentes cantaram a uma só voz "A Marselhesa"... mais importante que o futebol é a Humanidade. Fonte: England Football Team
80.000 pessoas de nacionalidades diferentes cantaram a uma só voz “A Marselhesa”, mais importante que o futebol é a Humanidade
Fonte: England Football Team

Esta quarta-feira não escrevo sobre futebol, mas sim sobre humanidade… que é isso que espero encontrar no meu Estádio de Alvalade! Espero que as duas equipas entrem em campo com vontade de ganhar e que façam tudo para isso (sim, e espero que os meus Leões rujam mais alto), mas espero também que os adeptos se saibam comportar; que saibam respeitar o minuto de silêncio, e idealmente que se imite o momento vivido ontem no Estádio de Wembley com uma Marselhesa a uma só voz.

Apelo ao cuidado com os petardos, qualquer som daquele género pode causar o pânico nas bancadas; apelo ao cuidado com brincadeiras parvas e apelo também à atenção para “qualquer movimento suspeito”.

Sim, vou a Alvalade para querer ver o meu Sporting ganhar pela terceira vez esta época aos jogadores encarnados;

Sim, “Onde tu fores jogar, eu vou lá estar para te apoiar”;

E Sim, vou sem medos!

P.S.: Esta semana, para mim era impossível falar de futebol e esquecer este momento que será uma grande cicatriz na humanidade!

Foto de Capa: sportingbrasil.com

Luxemburgo 0-2 Portugal: Em testes destes, quem tem pés é rei

cab seleçao nacional portugal

A Seleção Nacional fechou o ano com uma vitória. Esperada, é certo, frente a um Luxemburgo que, embora demonstre sinais de evolução futebolística, continua a ser uma das equipas mais fracas do Velho Continente.

Fernando Santos apresentou uma revolução, com dez caras novas no onze. André André foi o único repetente em relação à partida de Krasnodar, com a Rússia, mas a equipa das quinas acabou por nem se ressentir disso.

Uma entrada forte em jogo ficou demonstrada através da velocidade imprimida no jogo por Rafa, Bernardo Silva e pela intensidade de Rúben Neves e André a meio-campo. A partir dos 20 minutos, a equipa começou a perder intensidade, mas recuperou-a depois do golo do médio do FC Porto, André (ele, novamente) que libertou a equipa. De referir que o golo surgiu de uma boa combinação entre Bernardo Silva e Vieirinha, com o último a cruzar para o remate de primeira fuzilar Joubert.

Num apanhado geral do primeiro tempo, pode-se dizer que a Seleção alternou uma boa entrada com algum desleixo, acabando em alta. O Luxemburgo chegou uma vez à grande área de Anthony Lopes, e Portugal fica a dever mais golos a Joubert. Nota positiva para André André e Rafa Silva. Lucas João mostrou vontade e boas movimentações mas é tecnicamente limitado.

Rafa foi titular e deu nas vistas Fonte: SC Braga
Rafa foi titular e deu nas vistas
Fonte: SC Braga

Na segunda parte, o domínio português foi evidente, e não houve espaço para grandes veleidades. Portugal limitou-se a controlar e, apesar de boas iniciativas individuais e combinações esporádicas, acabou por apenas aumentar a vantagem em cima do apito final,por intermédio de Nani que, com um livre bem colocado, fixou o resultado final.

As substituições retiraram alguma fluidez ao jogo, como é natural, mas a qualidade portuguesa sobrepôs-se claramente à vontade do Luxemburgo. Um senão a apontar: para preparar uma competição exigente como será o Europeu do próximo ano, o nível dos adversários não pode estar enquadrado nos parâmetros de uma seleção como a luxemburguesa. Um aspeto a rever, para que estes jogos não sirvam apenas para evidenciar quem tem maior qualidade técnica e confirmar o óbvio, não permitindo consolidar processos de jogo que têm de existir, forçosamente.

A Figura:

Rafa Silva e André André – dois dos mais dinamizadores em campo e com maior vontade de mostrar serviço. Simples, eficazes e de olhos na baliza. André terá lugar garantido nos 23 para o Euro, mas Rafa será dor de cabeça, dando sequência ao bom momento no SC Braga.

O Fora-de-Jogo:

Lucas João – Uma escolha reticente, visto que estes jogos não dão para comprovar a verdadeira valia de cada indivíduo. Apesar de um início promissor, mostrou limitações técnicas e pouca desenvoltura em alguns momentos. Mas não é de descartar já.

Foto de Capa: Facebook ‘Seleções de Portugal’