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O noso derbi – Unindo a Galiza através do futebol

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Galicia es una mezcla de bufandas y de banderas de colores, pero si nos fijamos todas bufandas y todas las banderas del Dépor y del Celta tienen los colores de Galicia: el celeste, el blanco y el azul. Esos son los colores de nuestra tierra, así que vamos a disfrutar de esta fiesta” – Alberto Núñez Feijoo (Presidente da Xunta de Galicia)

Foi com esta frase que o Presidente da Xunta de Galicia, Alberto Núñez Feijoo, deu, a meio da passada semana, o mote para o grande dérbi de Sábado à noite, aquele que une e separa famílias, que junta velhos e novos e mitiga as diferenças entre gerações, aquele que representa toda uma região do vasto território espanhol, o único e inconfundível Derbi gallego, o noso derbi.

Sem as estrelas de outro tempo, jogou-se no passado Sábado no emblemático Riazor o primeiro grande dérbi da época, aquele que opõe o Deportivo de La Coruña e o Celta de Vigo. Num estádio a rebentar pelas costuras e com um ambiente absolutamente fantástico, o renascido Depor de Víctor Sánchez levou a melhor sobre os seus eternos rivais Celta de Vigo, que, numa noite de muito pouca inspiração, nunca foram capazes de contrariar a boa organização táctica dos donos da casa. Um golo na primeira parte do suspeito do costume Lucas Pérez, após uma boa jogada entre Cani e Bergantiños, e um auto-golo caricato de Jonny Castro ao cair do pano foi quanto bastou para o Depor somar a quarta vitória da época e subir, com isso, à condição, ao oitavo lugar da tabela classificativa.

Nem sempre foi uma partida bem jogada e com a magia de outros tempos, mas o que faltou em qualidade sobrou em intensidade, em vontade de vencer e em determinação, pelo menos, no que respeita ao Deportivo. O Celta de Eduardo Berizzo acusou e de que forma a goleada sofrida nos Balaídos perante o Valencia CF na jornada anterior e quase nunca foi capaz de incomodar o guarda-redes da equipa da casa, Germán “Poroto” Lux. Com uma linha defensiva altamente desorganizada, que acusou e muito a ausência do argentino Gustavo Cabral, e um meio-campo sem ideias e com pouca lucidez aquando do processo de criação de jogo, o Celta foi incapaz de assentar o seu jogo, não permitindo por isso aos homens da frente, Nolito, Orellana e Iago Aspas, causarem perigo no bloco mais recuado do adversário. Nas raras ocasiões em que conseguiu uma jogada de ataque digna desse nome, a equipa celeste beneficiou de uma grande penalidade a punir uma falta sobre Iago Aspas, cerca de quatro minutos após o golo do Depor, mas o número 10 viguês, Nolito, não foi capaz de desfeitear um inspirado Germán Lux, que sacudiu a bola para canto.

Lucas Pérez, o autor do primeiro golo do Depor na noite fria do Riazor Fonte: La Voz de Galicia
Lucas Pérez, o autor do primeiro golo do Depor na noite fria do Riazor
Fonte: La Voz de Galicia

O Celta que esteve no Riazor no passado Sábado à noite não é o Celta que já venceu o poderoso FC Barcelona esta temporada, nem é, certamente, o Celta que “Toto” Berizzo tem vindo a arquitectar após a sua chegada no início da temporada passada.

Por outro lado, o Depor tem-se colocado em bicos de pés esta temporada, e o regresso de Víctor Sánchez, desta vez para desempenhar a função de treinador principal, na parte final da época passada, mudou completamente a forma de o conjunto galego jogar e, acima de tudo, a forma de abordar os jogos, recuperando a alma e vontade férrea que sempre caracterizam aquele histórico emblema do futebol espanhol.

O noso derbi dos dias de hoje continua a fazer parar a Galiza, apesar de não estarem presentes velhos craques de outros tempos, como por exemplo Donato, Djalminha, Aleksandr Mostovoi, Valery Karpin, Mazinho, Gudelj, Fran, Mauro Silva ou Gustavo López. A adrenalina e a rivalidade sentidas nesses dias, especialmente durante a década de 1990, eram algo de indescritível, e os próprios jogadores que viveram esses momentos têm ainda hoje dificuldades de expressar por palavras essas emoções. Numa entrevista concedida ao programa Al Primer Toque, da rádio espanhola Onda Cero, Aleksandr Mostovoi e Donato, dois dos maiores nomes de sempre do Celta de Vigo e do Deportivo de La Coruña, respectivamente, trocaram, passados quase 20 anos, elogios e recordaram momentos únicos dos confrontos entre os dois emblemas, que nesse tempo olhavam nos olhos os gigantes do futebol espanhol.

El Zar Mostovoi, o eterno número 10 do conjunto viguês, ao lado do seu compatriota Valery Karpin, também ele, um dos melhores jogadores que passou pelo Celta de Vigo nos últimos 20 anos Fonte: Laz Voz de Galicia
El Zar Mostovoi, o eterno número 10 do conjunto viguês, ao lado do seu compatriota Valery Karpin, também ele um dos melhores jogadores que passaram pelo Celta de Vigo nos últimos 20 anos
Fonte: Laz Voz de Galicia

O génio russo, a quem já pensaram erguer uma estátua na cidade de Vigo, descrevia os jogos dessa altura entre Celta e Depor como altamente motivadores, ao nível mesmo daqueles que se jogavam contra o FC Barcelona ou contra o Real Madrid. Do outro lado, Donato, um dos melhores médios defensivos que já passaram pelo futebol espanhol, apelidou Mostovoi de craque e lembrou que enquanto jogavam “se punham doidos um ao outro”, tal era a qualidade individual de cada um. No final da entrevista, ambos concordaram que, apesar de a grande rivalidade entre ambas as equipas continuar a existir, os tempos mudaram, assim como as realidades de cada uma delas, e, por conseguinte, o Derbi gallego já não tem a mesma intensidade, nem os mesmos protagonistas carismáticos que tinha há sensivelmente duas décadas.

Legenda – Donato, um dos melhores médios defensivos de sempre a ter passado pelo futebol espanhol Fonte: El Gol Digital
Donato, um dos melhores médios defensivos de sempre a ter passado pelo futebol espanhol
Fonte: El Gol Digital

Um ano passou desde a entrevista de Donato e de “El Zar” Mostovoi e, desta vez, com ambas as equipas firmemente acomodadas na primeira metade da tabela classificativa, aquele “bichinho” de antigamente voltou à Galiza aquando da realização daquele que é, para muitos, mais importante do que o El Clásico, disputado entre o duopólio que domina o futebol espanhol, o dérbi que expressa a grandeza daquele povo, El Derbi gallego, O noso derbi.

Foto de Capa: Laz Voz de Galicia

Ai, Rui!

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Mais uma vez, como benfiquista, sinto-me envergonhado. É inadmissível uma equipa que é bicampeã nacional em título perder três vezes na mesma época com o seu maior rival e acima de tudo perante o seu antigo treinador.

Como adepto encarnado, sinto-me desiludido com este “deixa andar” que se instalou para os lados da Luz. A falta de consistência e de qualidade nas exibições do Benfica fazem qualquer um duvidar deste conjunto na presente temporada.

Sou um dos poucos que defende Rui Vitória, que não lhe aponta o dedo e não o critica, mas depois deste jogo já não posso fazer o mesmo. As escolhas do técnico encarnado no jogo contra o eterno rival foram no mínimo duvidosas. Apesar de ter conseguido confundir a equipa verde e branca nos minutos iniciais do encontro com o posicionamento de Pizzi, Rui Vitória pecou por não se saber adaptar ao desenrolar do jogo. Na segunda parte o meio campo do Benfica estava completamente perdido, com Talisca a ser menos um, mas mesmo assim permanecendo em jogo. Faltava um elo de ligação entre o meio campo e o ataque e era nesta altura que Rui deveria ter tirado Talisca do jogo e colocado ou Raúl Jiménez e descido Pizzi ou então colocado André Almeida no lugar de Talisca e não de Pizzi.

Pizzi foi uma das surpresas no onze de Rui Vitória Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Pizzi foi uma das surpresas no onze de Rui Vitória
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Com Mitroglou completamente desamparado, o jogo do Benfica baseava-se em bolas bombeadas para a frente de ataque na esperança de que o avançado grego as conseguisse segurar e desta feita conseguissem desequilibrar, coisa que raramente aconteceu. É agora que muita gente se apercebe do quanto Lima nos faz falta. Olhado de lado e mal-amado por muitos dos adeptos benfiquistas, a verdade é que Lima era um trabalhador incansável, que durante o jogo inteiro trabalhava de forma incessante, construindo um elo de ligação entre a defesa e o ataque nas jogadas de saída rápida para o ataque.

Neste jogo, ao contrário de nos outros dois derbys desta época, quem perde é o treinador encarnado. Ao contrário de nos outros dois embates com o Sporting, viu-se um Rui Vitória com medo, um Rui Vitória condicionado.

Como tinha escrito anteriormente, referi que este jogo poderia marcar um ponto de viragem ou marcar o início de um ciclo complicado para a “estrutura” e para o treinador. Depois de um início de campeonato desastroso e de uma saída prematura da taça de Portugal as atenções dos adeptos voltam-se para o treinador; resta então saber o que fará o presidente encarnado. Em anos anteriores observámos um Vieira sem medo, que apostou em JJ contra tudo e contra todos mas nos dias que correm isso é mais complicado de se fazer. Ao contrário de JJ, Vitória não tem provas dadas, porque treinar uma equipa como o Benfica não é igual a treinar um Vitória de Guimarães, com todo o respeito. Apesar de ter feito um bom trabalho a nível de “descobrir” talentos na formação do Benfica e na Liga dos Campeões, não pôs o Benfica no modo “rolo compressor” como fez Jesus, não ganhou a Supertaça e acima de tudo conseguiu perder três vezes na mesma época com o seu maior rival, coisa que pôs todos os benfiquistas de cabeça perdida.

Resta então saber o que Vieira irá fazer. Tem apenas duas opções, ou mantém a aposta em Rui Vitória e lhe oferece aquilo de que ele necessita para colocar o Benfica de novo na luta pelos títulos ou aposta noutro treinador que dê mais garantias à equipa encarnada.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

Preso por ter seleção e preso por não ter

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Incoerente e absolutamente desnecessário. É assim que classifico a tomada de posição do FC Porto em relação aos critérios de escolha do selecionador nacional nos jogos particulares com a Rússia e o Luxemburgo. Através da newsletter ‘Dragões Diário’, o clube da Invicta contestou o supostamente superior tempo de utilização que os jogadores do FC Porto tiveram nos encontros em questão. André André foi titular em ambas as partidas, Danilo Pereira e Rúben Neves apenas frente ao Luxemburgo. O jovem capitão também atuou alguns minutos em Krasnodar, participando assim nos dois jogos de preparação para o Euro 2016.

No segundo destes certames de preparação, Fernando Santos optou por não colocar nenhum jogador de Benfica e Sporting de início. Decisão compreensível, olhando para o derby que está aí à porta, já este sábado, para a Taça de Portugal. A questão: será este motivo o suficiente para o FC Porto levantar armas e bagagens contra o treinador da equipa das Quinas?

É verdade que os dragões também jogaram sábado. Mas contra o Angrense, atual líder da Série E do Campeonato de Portugal. Sem querer menosprezar o adversário, mas fazendo-o, inevitavelmente, o obstáculo que se colocou perante os azuis e brancos é substancialmente menor do que aquele que os rivais de Lisboa enfrentaram. Mais: analisando as estatísticas relativas ao tempo de jogo de cada elemento no duplo teste de preparação de Portugal, confirma-se que os jogadores dos três grandes acabam por acumular (em média) tempo de jogo semelhante.

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Rúben Neves somou a primeira internacionalização A frente à Rússia
Fonte: Facebook Rúben Neves

A verdade é que Fernando Santos se pôs a jeito das críticas quando, anteriormente, disse que os clubes não podiam influenciar as suas opções, mas a verdade é que tal aconteceu. No entanto, seria isto necessário? Julgo que não. Até… Evitável. Ainda mais, quando, no parágrafo seguinte, se volta a criticar o “Engenheiro” por apenas convocar Rúben Neves depois da lesão de João Moutinho. Ora então, em que ficamos? Já é plausível levar um jogador à seleção sob a condição deste não jogar? Estamos a falar de jogadores do FC Porto, que se querem e exigem de craveira, e que, obrigatoriamente, têm de estar preparados tal exigência competitiva. O calendário aperta e vai ficando progressivamente mais complicado, mas a fibra vesse nesses momentos. Ou é necessário dar o exemplo inglês, a que tantas vezes se recorre?

Uma atitude a rever, por parte dos responsáveis portistas. Acredito que não seja agradável experimentar a dualidade de critérios, mas é um caso justificável e que exigia uma resposta mais madura da parte do clube. Entrar em “arrufos” desnecessários vai contra aquilo que tanto elogiei no princípio da época: a postura séria e altruísta. E estamos a falar da Seleção Nacional; é ou não é um orgulho ter lá jogadores “da casa” a atuar, independentemente de fatores externos?

Sporting CP 2-1 SL Benfica: Espelho meu, espelho meu, há estrutura melhor do que eu?

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Em seis meses apenas, Luís Filipe Vieira e o Benfica conseguiram regredir seis anos. Nem parece, esta, a equipa bicampeã nacional e que estava a curtos passos de recuperar a hegemonia do futebol nacional. Pois bem, o que está a acontecer estava escancarado e à vista de todos. Sempre disse que o Benfica dependia mais de Jorge Jesus do que o contrário e o tempo só iria prová-lo. Ao terceiro derby da temporada, a terceira figura patética de Rui Vitória e do Benfica e a terceira vitória do Sporting, que conseguiu em três meses tantas vitórias contra o Benfica como conseguira enquanto Jorge Jesus recuperava  o Benfica e o deixava como líder do futebol em Portugal. Sintomático do grande treinador que é Jorge Jesus e do traste que é Rui Vitória. Nem sequer o primeiro golo do Benfica – grande passe de Gaitán para Pizzi e boa finalização de Mitroglou – em jogos frente aos grandes nesta época, logo aos 6 minutos foi suficiente para o Benfica conseguir bater o pé e dar um ar de sua graça. No fundo, parecer uma equipa de futebol.

O Sporting nunca foi totalmente dominante e dono e senhor do jogo, mas foi um justo vencedor. A carambola que originou o empate por Adrien, já nos descontos da primeira parte, foi perfeito retrato de um Benfica que adora dar tiros de bazuca nos próprios pés. O empate era um mal menor para a equipa (?) da Luz, que baseia, jogo após jogo, o seu futebol em pontapés para a frente e correrias loucas dos avançados e até de… Gaitán. Um génio destes não merece tanta mediocridade à sua volta. O Sporting estava por cima e assim se manteve na segunda parte, com intensa pressão até perto dos 65 minutos, altura em que o gás acabou para ambas as equipas.Haveria a partida de arrastar-se para o prolongamento, não sem antes Júlio César fazer uma defesa do outro mundo a um remate de Slimani, já perto dos 90. Não é cliché, é mesmo verdade: a sorte surge para quem a procura. O Sporting procurou-a, foi melhor durante todo o jogo e saltou para a vantagem ao minuto 112, em recarga do argelino após remate de Adrien que Júlio César não conseguiu segurar convenientemente.

Mau demais para ser verdade... Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Mau demais para ser verdade…
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

O plantel não é equilibrado e há posições deficitárias, é verdade. A prolongada lesão de Salvio e o azar com Nélson Semedo não ajudam, é verdade. Luisão é mortal, também faz anos e já não é o mesmo de há um ou dois anos, é verdade. Mas também é verdade que é mal explorado e há opções altamente questionáveis de Rui Vitória. Um vazio de ideias completo e que só conhecerá o seu fim quando esta amostra de treinador se demitir.

Não há dúvidas: Rui Vitória estava mesmo enganado quando disse que a sua EQUIPA iria jogar contra 11 jogadores, antes do vergonhoso 0-3 de Outubro. As coisas são assim, é certo, mas não pela ordem que o treinador do Benfica disse. Destruiu tudo o que de bom Jesus havia feito e deixado pronto. Era só não estragar. Mas a incompetência de alguém que nem o Vitória de Guimarães conseguia meter a fazer três passes seguidos falou mais alto. Uma competição já foi ao ar e pouco falta para o campeonato ir mesmo pelo caminho. A estrutura quis ser maior do que Jorge Jesus mas está a ser comida por todos os lados. Em Braga adivinha-se a machadada final.

A Figura:

João Mário – Jogo brutal do médio do Sporting, que se assume, cada vez mais, como peça fundamental no esquema de Jesus. Com a entrada de Gelson Martins passou para trás de Slimani e foi uma dor de cabeça para Samaris e Pizzi.

O Fora de Jogo:

SL Benfica – Não fosse o golo de Mitroglou e quase não se teria dado pela presença do Benfica em campo, tal foi a superioridade verde e branca. Como as coisas mudam em tão pouco tempo.

Sporting CP 2-1 SL Benfica: Muita Raça, alguma Graça e a vitória na Taça

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Um Sporting – Benfica é sinónimo de jogo carregado de emoção, paixão e de surpresas. Mesmo assim, a ausência de Jonas e de Teo Gutiérrez foi algo que muito provavelmente poucos adeptos esperariam. Rui Vitória decidiu mudar o seu elenco, entrando Pizzi para reforçar o meio-campo encarnado e tirando aquele que seria, à partida, o maior perigo para a defesa contrária. Já Jesus promoveu a rotação da equipa num jogo da Taça e introduziu El Avioncito no lugar do compatriota Gutiérrez.

O jogo começou como uma acendalha na fria noite lisboeta, com pouco mais de três minutos disputados e já Slimani atirava a bola ao poste da baliza de Júlio César. Na resposta, João Pereira deixa imenso espaço nas suas costas, onde aparece Pizzi que assiste Kostas Mitroglou para o primeiro golo do encontro; o mote estava dado para termos um derby quente.

O Sporting acusou o toque, mas aos poucos voltou a entrar na partida e a ter um domínio – em parte consentido pelos encarnados – da partida; mas os caminhos da baliza de Júlio César estavam bem fechados; os jogadores de Rui Vitória pareciam ter a lição bem estudada e conseguiam anular aquele que era o principal trunfo leonino, o seu meio-campo e respectiva criatividade. Adrien tentava – como capitão que é – motivar as tropas e furar as linhas encarnadas mas, sem sucesso. Já do lado benfiquista, Gaitán continuava a ser o elemento mais em foco do elenco. De ressalvar também o comportamento anti-jogo de Júlio César, perdendo imenso tempo na reposição de bola em jogo, algo que se assemelhava aos tempos de JJ na Luz.

Na entrada para os últimos dez minutos da primeira parte, a acendalha que tanto prometeu nos primeiros minutos tinha dado lugar a um jogo insípido e gélido, algo que favorecia a equipa visitante e que penalizava em demasia um Sporting mais atrevido e a lutar por outro resultado. Contudo, e já nos descontos da primeira parte – talvez em forma de karma por todo o tempo perdido por Júlio César – o guardião dos benfiquistas aborda mal um lance e Adrien dá alguma justiça ao marcador, numa jogada em que grande parte do mérito vai para a garra de Slimani. Um tónico excelente para a equipa de Jesus e um regresso ao intervalo que permitia aos leões – e à própria partida – um novo (re)começo no início da segunda parte.

O capitão leonino deu o empate justo ao Sporting Fonte: Sporting CP
O capitão leonino deu o empate justo ao Sporting
Fonte: Sporting CP

Para a entrada no segundo tempo, Jesus apostou em Gelson para o lugar dum apagado Montero, numa clara tentativa de aumentar a velocidade do encontro, e também valorizando a irreverência do jovem talento leonino.

No que ao jogo diz respeito, se a primeira parte tinha terminado com um claro ascendente leonino, a segunda começava com um domínio total do Sporting. Slimani era um perigo constante perto da área benfiquista, Adrien tomava as rédeas do jogo e assumia a batuta do encontro, fazendo lembrar um maestro que passou pela Luz e Bryan Ruíz aparecia em grande no corredor esquerdo, colocando o lateral Sílvio em tarefas meramente defensivas. Os leões mostravam que queriam resolver a questão perante um Benfica apático, fragilizado em demasia pelo golo de Adrien e focado em segurar o empate.

Contudo, os minutos iam passando e a resistência encarnada mantinha-se, acabando que deu força ao Benfica para suster o ímpeto leonino e assustar em algumas situações Rui Patrício. Com dez minutos para o fim do tempo regulamentar, o jogo animou num esforço dos verde e brancos para resolver o encontro sem necessidade de prolongamento, mas até ao fim dos noventa minutos o melhor que conseguiu foi proporcionar uma belíssima defesa a Júlio César e criar uma verdadeira jogada de equipa em que Slimani acabou por falhar um golo que parecia ser fácil.

Já no decorrer do prolongamento, Jorge Jesus viu o seu plano de jogo sofrer alterações quando Jefferson e Ewerton saíram lesionados, não dando assim possibilidade de refrescar algumas peças que começavam a acusar o desgaste, como Adrien e Ruíz, algo que condicionou a estratégia do técnico leonino. Rui Vitória acabou por arriscar,  colocando a equipa a jogar num 4-4-2, com Jonas e Raúl Jiménez na frente.

Na segunda parte do prolongamento, o Sporting dá a cambalhota no mercador com o inevitável Slimani a dar justiça ao resultado. Adrien volta a ser fulcral na jogada, rematando forte para uma primeira defesa de Júlio César mas, na recarga, o ponta de lança argelino voltouu a mostrar a sua apetência para marcar aos rivais da Luz e garantiu a eliminatória para os leões.

Uma vitória mais que justa, que peca por tardia perante um Benfica que acabou por perder por nunca se dar verdadeiramente ao jogo.

 A Figura:

Islam Slimani e Nico Gaitán – Dois jogadores que são, neste momento, figuras acima da média no campeonato português. O argelino tem crescido imenso com Jorge Jesus, sendo mais jogador de equipa e dando mais de si ao jogo; o golo da vitória é mais do que merecido. Já o número 10 do Benfica é um verdadeiro mágico com a bola nos pés, sendo a figura maior dum elenco que se mostra cada vez mais banal.

O Fora-de-Jogo 

Uma minoria dos adeptos do SL Benfica – Uma semana após os atentados de Paris, e ressalvando aqui a palavra minoria, seria demais pedir um minuto de silêncio em memória das vítimas?

SC Angrense 0-2 FC Porto: Novo onze, a mesma ideia

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Foi com um onze praticamente renovado que o FC Porto se apresentou em Angra do Heroísmo para defrontar o emblema local, o Angrense. Da equipa utilizada na última partida, frente ao Vitória de Setúbal, sobraram o central Ivan Marcano e o médio Evandro. As restantes nove vagas foram ocupadas maioritariamente por elementos cujo nível de utilização tem sido menor ao longo da temporada – exceção feita para Imbula -, alguns deles, inclusive, em estreia absoluta, como foi o caso de José Angel, Sérgio Oliveira e Victor García.

Apesar das muitas mudanças efetuadas por Lopetegui, o FC Porto que se apresentou nos Açores foi o mesmo que temos visto com o decorrer da época. Quer isto dizer que, mesmo com a segunda linha, a ideia de jogo não mudou. Com uma posse de bola acutilante, movimentos entre linhas desgastantes e através da grande propensão ofensiva dos laterais, os dragões foram cansando o Angrense.

Desde cedo se tornou notório que o emblema açoriano seria presa fácil para os azuis e brancos e que não possuía, nem de perto nem de longe, o mesmo poder de fogo que o visitante.

Osvaldo foi o primeiro a criar perigo, logo aos quatro minutos. Boa subida de Victor García pelo corredor direito, Varela cede a bola ao lateral e este cruza de primeira para o avançado italo-argentino desviar para a baliza. A bola saiu prensada e fácil para David Dinis, guardião açoriano. Seguiu-se Varela. Depois de um pontapé de canto da esquerda, a bola sobrou para o extremo português, que, à entrada da área, disparou para nova intervenção de Dinis. Mas o golo do FC Porto não tardaria.

Bueno vezes dois

À passagem do minuto 14, Alberto Bueno concluiu da melhor forma um excelente cruzamento da esquerda de José Angél, antecipando-se ao guarda-redes adversário e cabeceando para a baliza deserta do Angrense. O avançado espanhol marcou, assim, o seu primeiro golo em partidas oficiais pelo FC Porto e provou que a fama de homem golo que conduziu à sua contratação não era mito.

O cronómetro foi avançando, e os dragões assumindo o controlo das operações. O meio campo bem montado do FC Porto, com Imbula, Sérgio Oliveira e Evandro, obrigava o Angrense, através de trocas de bola e de posição rápidas, a correr atrás do esférico e o emblema da casa limitava-se a ver jogar.

Bueno esteve em bom plano Fonte: FC Porto
Bueno esteve em bom plano
Fonte: FC Porto

E se a partida já estava difícil, as esperanças dos açorianos caíram por terra ao minuto 40. De novo, Alberto Bueno. Boa jogada de envolvimento do FC Porto, a bola a rodar rapidamente de flanco até chegar ao lado esquerdo, onde Osvaldo, com um excelente cruzamento, descobriu Bueno. O espanhol matou a bola no peito entre os centrais adversários e, num gesto meio acrobático, atirou novamente para o fundo das redes.

O único lance digno de registo do Angrense na primeira parte aconteceu aos 42 minutos. Victor García, que até então tinha conseguido uma prestação consistente, acusou alguma inexperiência e quase deu o golo com uma perda de bola infantil. Valeu Helton com uma excelente intervenção. Seguiu-se o intervalo e na segunda parte a toada manteve-se.

O FC Porto dispôs de duas grandes oportunidades neste segundo tempo, mas David Dinis evitou danos maiores com duas excelentes intervenções. A primeira a um remate de Varela à boca da baliza, e a segunda ao sair aos pés de Evandro, que surgiu isolado e tentou contornar o guarda-redes açoriano.

Com esta vitória os dragões apuram-se para a quinta eliminatória da Taça de Portugal e dão início a uma série de jogos complicada. Este foi o primeiro teste de seis em 19 dias, e o FC Porto passou com distinção. E uma coisa é certa: com uma segunda linha tão entrosada no modelo de jogo da equipa, penso que podemos descansar se Lopetegui recorrer à tão afamada rotatividade que o caracteriza em jogos de menor dificuldade. Com opções como Bueno, há espaço para rodar.

A Figura

Alberto Bueno – Tem sido dos elementos menos utilizados do setor ofensivo do FC Porto, mas hoje provou que merece mais minutos de jogo. O problema inicial seria a falta de um sistema tático adequado às suas características, mas com a partida frente a Angrense tornou-se notório que o espanhol se adapta em qualquer posição. Não só marcou dois golos como voltou a demonstrar pormenores de grande qualidade, quer em termos técnicos, quer em termos de capacidade de passe.

O Fora de jogo:

Evandro – Foi um dos jogadores do FC Porto que passaram mais ao lado da partida. Sérgio Oliveira e Imbula, companheiros de meio campo, assumiram papéis bem mais preponderantes na construção ofensiva do FC Porto. Evandro dispôs de uma grande oportunidade de golo na segunda parte mas, como em toda a sua exibição, manifestou alguma falta de clarividência.
Foi substituído por Herrera ao minuto 65.

Real Madrid CF 0-4 FC Barcelona: Terror no Bernabéu

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É difícil ou mesmo impossível encontrar um jogo com mais mediatismo do que um confronto entre Real Madrid e Barcelona. Assim, justificava-se o dispositivo de segurança montado em redor do Santiago Bernabeu, o maior de sempre para um evento desportivo.

Porém, essa segurança toda não foi capaz de acalmar a ânsia dos jogadores do Real Madrid, muito menos de travar as intenções de 11 homens, vestidos de azul-grená, de aterrorizar parte dos 81 mil espectadores que se deslocaram à Avenida de Concha Espina, em Madrid.

Cedo se começou a notar o poderio do Barcelona, que, mesmo sem Messi, contou com um Sergi Roberto inspirado, sendo ele o responsável maior do golo inaugural da partida, “rasgando” o meio-campo merengue da esquerda para o meio, para oferecer o golo a Suárez. Estavam decorridos 10 minutos.

O Real não conseguia reagir; o primeiro golo teve enorme impacto emocional, foi um autêntico golpe nas ambições merengues, que deixaram o medo levar a melhor. O medo de perder por mais, o medo de partir para cima do adversário e mudar a história do jogo. Do outro lado, os tais 11 homens vestidos de azul-grená posicionavam-se irrepreensivelmente e mantinham-se fiéis ao papel táctico que o seu líder lhes designara, estando mais perto do 0-2 que o Real do empate… e assim aconteceu. Sergio Ramos e Varane fizeram jus àquilo que foi o seu (des)entendimento durante o encontro e deixaram Neymar fugir e aproveitar o passe de Iniesta para aumentar a vantagem, que sentenciou o resultado da primeira parte.

Andrés Iniesta, o protagonista da goleada  Fonte: FC Barcelona
Andrés Iniesta, o protagonista da goleada
Fonte: FC Barcelona

Na segunda metade, o Real pareceu, por breves momentos, apostado em reagir ao terror do primeiro tempo e até conseguiu criar duas ocasiões de perigo, por Marcelo e James; porém, estava a lidar com uma força superior, e isso ficou provado com o excelente entendimento colectivo que deu origem ao terceiro golo forasteiro, finalizado por Iniesta.

Estava decorrida uma hora de jogo, e o vencedor praticamente determinado, com justa causa. O Real ainda conseguira dar um ar da sua graça e obrigar Bravo a aplicar-se um par de vezes até ao apito final (primeiro defendeu com a cara um remate de Ronaldo, isolado, e depois defendeu um cabeceamento de Benzema com uma estirada fantástica), mesmo que pelo meio tenha sofrido mais um ataque impiedoso dos 11 homens vestidos de grená. Desta vez, o cabecilha do grupo já estava no campo de batalha e ajudou a encerrar as contas, participando na jogada do 0-4, autoria de Luís Suarez, assistido por Jordi Alba.

O Real volta a ficar em branco num clássico, quatro anos depois da eliminação das meias-finais da Champions, volvidos 18 jogos com o arqui-rival, e permite que se amplie a desvantagem para o primeiro lugar (agora de seis pontos).

Algo vai mal na casa blanca (os adeptos apontam o dedo ao treinador), e nem o maior dispositivo de segurança parece preparado para lidar com este tipo de terror.

A Figura:

Iniesta – A presença do 8 revelou-se fundamental para a vitória histórica do Barcelona no Bernabéu. Foi ele o principal coordenador da equipa nos momentos de transição ofensiva e defensiva e o fiel da balança que garantiu o equilíbrio da equipa após os golos marcados e segurou a tentativa de reacção adversária.

Ainda marcou um golo, teve toques de génio… e saiu aplaudido.

O Fora-de-jogo:

Sérgio Ramos – Esteve directamente ligado aos dois primeiros golos do Barcelona, revelando-se incrivelmente apático perante a energia dos seus opositores. Primeiro não acompanhou, como devia, Luís Suarez, e depois, juntamente com Varane, abriu um corredor para Neymar ampliar a vantagem.

Até ao final, teve um boa intervenção – atraso milagroso que evitaria, na altura, o 0-4 – mas isso não foi suficiente para se livrar do título de “fora-de-jogo”.

Foto de capa: Real Madrid CF

Antevisão Sporting CP – SL Benfica: A regra de três simples

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Hoje é o dia do tira-teimas, hoje é o dia do absoluto domínio ou da redenção vitoriana. Seja por a terceira ser de vez ou por nunca haver duas sem três, hoje é dia de todas as decisões.

Ao Sporting cabe manter o elã conseguido não só com a conquista da Supertaça em Agosto, mas principalmente com a vitória expressiva da Luz. Já o Benfica disputa um dos seus grandes objectivos da época e uma derrota em Alvalade complicaria ainda mais o futuro de Rui Vitória à frente do projecto benfiquista.

O técnico benfiquista está – neste momento – numa situação particularmente difícil no que diz respeito aos seus encontros frente a Jorge Jesus. Se no passado conseguiu bater por algumas vezes o actual treinador leonino, inclusivamente conquistando uma Taça de Portugal frente ao Benfica; Vitória parece que – neste momento – tem um desafio que ultrapassa os limites do terreno de jogo e dum simples jogo de futebol. Pede-se ao técnico encarnado a continuação na segunda prova mais importante em Portugal, mas também bater um colega de profissão que parece conhecer todas as qualidades, defeitos e manhas do seu próprio plantel. Por fim, a Vitória pede-se também que exorcize o fantasma de Jesus do balneário dos bi-campeões, mas acima de tudo das próprias cabeças dos seus jogadores, dele próprio e, convenhamos, na maioria dos adeptos do seu clube. A pressão tem que ser imensa, e será preciso um Benfica com a lição bem estudada para conseguir competir com este Sporting.

O Sporting chega a esta partida com o entusiasmo inerente a esta momentânea supremacia sobre o rival – sem esquecer a liderança isolada no campeonato – e cabe aos leões transformar este momento em algo permanente e condizente com o passado e o destino verde e branco. Não podemos confundir confiança e motivação com prepotência e arrogância. Somos melhores, sempre o fomos e iremos ser, mais que não seja porque somos Sporting. Mas nada se ganha sem Esforço, nada se cria sem Dedicação, a Devoção ao Sporting é uma regalia, e as estórias que ficam na História são as de Glória.

Conquistada de forma épica na passada temporada, a Taça tem que continuar nossa. Fonte: Sporting CP
Conquistada de forma épica na passada temporada, a Taça tem que continuar nossa.
Fonte: Sporting CP

O jogo de hoje é decisivo e é único. A vitória hoje é imperativa rumo a um dos principais objectivos da época e, certamente, Jesus passou esta mensagem para um renovado grupo de jogadores. Digo renovados porque apesar de muitos dos elementos do plantel já terem disputado mais de uma mão cheia de jogos frente ao eterno rival, este hábito de ganhar que se criou no passado recente veio dar uma força suplementar ao talento deste jogadores. Quem olha para a classe que João Mário apresenta em campo vê no jovem leão muito talento, mas também uma confiança que antes teimava em não aparecer. É esta a verdadeira força de JJ, a capacidade de motivar os seus jogadores com discursos simples mas carregados de determinação, capazes de aguçar e de inflamar o mais tímido dos corações.

Faltam poucas horas para ir para Alvalade, e para mim irá ser um derby diferente, vivido e experienciado de uma nova forma. Ainda assim, conto com os 48 mil leões que irão estar presentes para cantarem durante noventa minutos. Aos adeptos da central, peço que se levantem e juntem as gargantas às da Curva Sul; aos dessa curva belíssima que mostrem porque são os melhores de Portugal e acima de tudo agradeço aos de sempre, aos das rulotes e das cervejas, que nunca falham e estão lá faça sol ou chuva, seja um derby ou um jogo de segunda à noite. A esses, resta-me dizer um até já e Sporting Sempre.

 

 

Recordar é Viver: SL Benfica vs. Sporting CP na Taça de Portugal

recordar é viver

Dérbi dos dérbis, jogo do povo, clássico eterno, eis alguns dos muitos atributos que podem definir um Sporting vs. Benfica. Então quando se trata de partidas a contar para a Taça de Portugal, é um autêntico festival: golos e mais golos, polémica, reviravoltas, histórias que daqui a dezenas de anos serão recordadas. E é mesmo isso que poderão ler mais abaixo, um “cheirinho” daquilo que foram alguns dos dérbis mais marcantes relativos à Taça de Portugal, tanto em Alvalade como na Luz, nos últimos anos. Porque se nos aventurássemos até décadas atrás… não haveria leitor neste país com a paciência necessária para acompanhar este texto.

SL Benfica 1-3 Sporting CP: 1999/2000

Resumo do jogo

Numa fria noite de 26 de Janeiro de 2000, o Sporting gelou um Estádio da Luz quase repleto de espectadores com uma vitória incontestável por 3-1, em jogo respeitante aos oitavos-de-final da Taça de Portugal. Os leões, orientados por Augusto Inácio, dominaram por completo a partida, beneficiando das excelentes actuações de homens como André Cruz, César Prates, Mpenza – estes três últimos haviam sido reforços de Inverno – Pedro Barbosa e Acosta. Robert Enke, guarda-redes do Benfica, foi sempre um homem em sobressalto, tal foi a quantidade de vezes que o Sporting se acercou com perigo da baliza dos encarnados. O triunfo leonino foi construído com golos de Acosta (bis) e de André Cruz, de nada valendo ao Benfica o tento de Uribe, através da exemplar marcação de um livre directo.

Este desafio acabou por ser o espelho fiel da temporada: um Sporting forte e incisivo, que acabaria por se sagrar campeão nacional, quebrando um jejum de 18 anos e que chegou à final da Taça, perdida para o FC Porto; e um Benfica sem chama, com graves limitações no plantel, e que nem sob o comando do conceituado Jupp Heynckes evitaria o terceiro lugar final. Um dado curioso deste jogo prendeu-se com o facto de não ter sido televisionado, depois de uma acesa luta entre RTP e SIC pela transmissão do mesmo que não teria efeitos práticos. Em suma, apenas na Luz ou através da rádio se pôde acompanhar no momento o show de bola do Sporting, naquela que foi uma das suas melhores prestações de sempre no reduto do eterno rival.

SL Benfica 3-3 Sporting CP (7-6 g.p.): 2004/05

Resumo do jogo

Também a 26 de Janeiro, mas desta feita cinco anos depois, jogou-se um dos dérbis mais electrizantes de que há memória. Num hino ao futebol, o Benfica de Trapatonni superou o Sporting de José Peseiro, mas apenas com o recurso ao desempate por grandes penalidades. Os primeiros minutos do desafio foram qualquer coisa de extraordinário: Geovanni abriu o activo logo aos 3’, para de seguida a turma verde-e-branca dar a volta ao resultado através de Hugo Viana (15’) e Liedson (17’), até Geovanni restabelecer a igualdade aos 22’, bisando assim no encontro. Assistiu-se a uma partida disputada a um ritmo frenético, sem grandes preocupações defensivas, o que se revelou mais surpreendente em relação ao habitualmente defensivo Benfica da altura, contrastando com um Sporting que praticava um futebol muito ofensivo.

Apesar das várias oportunidades para marcar, o espectáculo do golo só voltaria no prolongamento, depois do empate (2-2) no final do tempo regulamentar. Aos 110’ deu-se um momento mágico: Paíto, num rasgo individual inesquecível por toda a ala esquerda encheu-se de fé, humilhou Luisão com um incrível túnel e bateu Quim, deixando o Sporting à beira da vitória. Só que do outro lado da barricada havia Simão, que aos 118’ levou a eliminatória para os penáltis com um soberbo remate de meia-distância. Na marca de castigo máximo, o Benfica foi mais feliz e beneficiou do remate de Miguel Garcia à barra, na sétima grande penalidade, para prosseguir na prova, deixando o Estádio da Luz em delírio, numa época que assinalaria o regresso das águias à conquista do campeonato onze anos depois, falhando a dobradinha ao sair derrotado no Jamor perante o Vitória de Setúbal. Já o Sporting, como se sabe, falharia o título e a vitória na Taça UEFA em Alvalade… no espaço de quatro dias.

Sporting CP 5-3 SL Benfica: 2007/08

Resumo do jogo

Eis que chegamos a um jogo mítico que muito provavelmente gerou problemas cardíacos em vários portugueses. Estávamos nas meias-finais da Taça de Portugal e os rivais da capital vinham realizando uma época sofrível, tendo ambas as formações dito adeus ao título ainda em fase precoce. Portanto, a temporada de Sporting e Benfica jogava-se naquela noite chuvosa de 16 de Abril de 2008. O dérbi correspondeu inteiramente às expectativas, com duas partes completamente distintas: um Benfica inteligente, tacticamente perfeito e extremamente eficaz no primeiro tempo; um Sporting avassalador, massacrante, imparável na etapa complementar. Rui Costa e Nuno Gomes, actuais elementos da estrutura directiva do Benfica, colocaram o clube da Luz na frente por dois golos ao intervalo, para tranquilidade dos seus adeptos e de Fernando Chalana, na altura treinador do Benfica, depois da demissão de José Antonio Camacho. Porém, a imprevisibilidade do dérbi lisboeta voltaria em todo o seu esplendor na segunda parte. Depois de uns primeiros 45 minutos em que pareceu anestesiada, o Sporting de Paulo Bento surgiu em campo transfigurado, convicto de que poderia aniquilar um frágil Benfica.

E isso aconteceu, com Alvalade a assistir a uma prestação assombrosa dos leões, que a partir dos 68’ iniciaram uma reviravolta épica. Yannick Djaló, Liedson e Derlei viraram o jogo a favor do Sporting, apesar de logo a seguir Christian Rodríguez ter reposto a igualdade para o Benfica. Mas o conjunto leonino estava devorador e não estranhou que Yannick Djaló voltasse a fazer o gosto ao pé, até que Vukcevic sentenciou a meia-final aos 90’+3. Passados mais de sete anos, ainda muitos benfiquistas se questionam sobre aquilo que terá acontecido ao seu clube, ao passo que os sportinguistas viveram uma das melhores noites de sempre do clube. E para terminar em beleza, o Sporting conquistou mesmo a Taça de Portugal, ao bater o tricampeão FC Porto por 2-0.

Sporting de luxo abateu Benfica em 2007/08 Fonte: piscssr.com
Sporting de luxo abateu Benfica em 2007/08
Fonte: piscssr.com

SL Benfica 3-3 Sporting CP (4-3 a.p.): 2013/14

Resumo do jogo

O mais recente episódio de dérbis absolutamente lendários. Quarta eliminatória, um super Benfica de Jorge Jesus que viria a vencer todas as competições nacionais da temporada a receber um Sporting orientado por Leonardo Jardim, mas que mesmo com um plantel muito mais curto acabaria por atingir um excelente segundo lugar no campeonato. Do lado benfiquista a figura foi, como em tantas outras ocasiões frente ao rival da 2.ª Circular, Óscar Cardozo, assinando um sensacional hat-trick na primeira parte, traduzindo uma excelente exibição do Benfica nesse período, apenas abalada com um golo de Capel. Com um 3-1 ao intervalo, poucos suspeitariam de que o Sporting tivesse forças para lutar pelo apuramento, erradamente. Aproveitando a permeabilidade da defensiva encarnada – em Outubro de 2013 o Benfica ainda abanava bastante, acusando o traumático final de época anterior – os leões partiram para cima do adversário e colheram frutos com essa atitude, embora as águias tivessem desperdiçado uma ou outra oportunidade. Maurício aos 67’ e Slimani aos 90’+2 silenciaram a Luz e levaram a contenda para prolongamento.

“Tacuara” Cardozo arrasou em 2013/14 Fonte: Sport Lisboa e Benfica
“Tacuara” Cardozo arrasou em 2013/14
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

E no tempo extra? Terá imperado a cautela? Nada disso. Ambas as equipas continuaram ao ataque oferecendo ao desafio uma carga dramática. E numa noite assim, o golo decisivo teria que fugir ao tradicional figurino, tal como veio a verificar-se: aos 97’, e caído em pleno relvado, Luisão cabeceou para golo, com a bola a passar por entre as pernas de Rui Patrício, naquele que foi um dos maiores frangos da carreira do internacional português. Até final mais frisson, com o Sporting a terminar a partida com apenas nove jogadores – expulsões de Rojo e Wilson Eduardo – mas nunca deixando de criar perigo. Contudo, o Benfica acabou por seguir em frente na Taça, num dérbi que durou muito para lá daquele sábado. A arbitragem de Duarte Gomes foi duramente criticada pelos dirigentes do Sporting, com destaque para as declarações de Bruno de Carvalho que não deixou de lançar farpas sobre… Jorge Jesus, quando ninguém adivinhava aquilo que se iria passar no Verão 2015.

Veremos então o que nos reserva o jogo deste sábado. Mas com uns antecedentes assim, será difícil que não se escreva sobre ele num “Recordar é Viver” de 2048.

Águia consegue apuramento (quase) no último segundo

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cab futsal

Antes de iniciar a minha análise à jornada da Liga Sport Zone de Futsal, quero aproveitar para congratular o SL Benfica pelo apuramento para a final four da UEFA Futsal Cup, isto é, por conseguir garantir o seu lugar nas 4 melhores equipas da competição europeia que reúne as equipas campeãs nacionais pelos seus respetivos países. A jogar na Eslováquia, razão pela qual teve que adiar o seu jogo do fim-de-semana perante o Gualtar, os encarnados queriam voltar à final four, numa competição onde têm tradição, pois foram a única equipa portuguesa a ganhar este troféu, em 2010. Atarefa não se avizinhava fácil e mais complicada ficou após uma derrota com o anfitrião Slov-Matic, por 5-4, já depois do Benfica ter batido os sérvios do Economac, o que obrigava a uma vitória perante o Lokomotiv Kharkiv por mais de um golo para não ter de ficar à espera de outros resultados para se apurar.

Eis que surge uma vitória por 2-0 no derradeiro jogo, com o golo final a ser obtido a… 2 (!) segundos do final, um final verdadeiramente épico e que teve tanto de emotivo como de justo, tal a superioridade benfiquista ao longo dos 40 minutos, perante uma equipa ucraniana que veio para o jogo na expetativa de poder conseguir o empate, algo que (felizmente) acabou por não suceder.

Um final impróprio para cardíacos provocou grandes festejos no fim Fonte: Futsal Global
Um final impróprio para cardíacos provocou grandes festejos no fim
Fonte: Futsal Global

Concluído que está este pequeno aparte, irei agora analisar a passada jornada do campeonato de futsal, no qual o Sporting CP tomou de assalto a liderança, embora com 2 jogos a mais que o SL Benfica, com uma vitória clara em casa perante a Quinta dos Lombos por 7-0, num jogo sem grande história e onde o Sporting foi claramente superior ao seu adversário, num jogo disputado no Pavilhão Desportivo de Porto Salvo, casa habitualmente utilizada pelos Leões de Porto Salvo mas emprestada à equipa do Sporting.

Os “leões” alcançaram uma vitória fácil e tranquila Fonte: Futsal Global
Os leões alcançaram uma vitória fácil e tranquila
Fonte: Futsal Global

No jogo mais aguardado da jornada, disputado no Fundão, a equipa da casa impôs a sua lei ao derrotar o Sporting de Braga por 5-2, num jogo bastante equilibrado mas onde a formação beirã conseguiu ser mais eficaz, aproveitando o 5×4 que os bracarenses utilizaram no fim do jogo para, em contra-ataque, ampliar a vantagem no marcador e construir uma vitória final mais folgada. O Braga mantém o 3.º lugar na tabela mas está agora mais pressionado pelo Modicus, que venceu em Porto Salvo os Leões locais por 0-2, num jogo extremamente equilibrado e onde só no fim a formação nortenha conseguiu garantir os 3 pontos, e pela Burinhosa, que venceu a formação do SL Olivais por 2-1, em que o equilíbrio no marcador mostra as enormes dificuldades sentidas pela equipa leiriense na partida, que só no último minuto se decidiu, quando o empate parecia ser o resultado mais provável, permitindo assim cimentar o 5.º lugar da Burinhosa, com um jogo ainda em atraso.

Quem mantém o seu lugar no top 8 que dá acesso ao play-off, embora agora com maior folga pontual é o Belenenses / Express Glass, que venceu no Porto o Boavista por 0-3 e mantém assim o 8.º lugar, ao passo que os axadrezados estão em 12.º. Por fim, o Rio Ave subiu ao 9.º lugar com uma vitória forasteira de 2-5 em Coimbra ante o CS São João, que continua sem vencer e se afunda assim na cauda da tabela classificativa.