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O Passado Também Chuta: Hugo Cholo Sotil

o passado tambem chuta

Há jogadores que mandam nos clubes ou pelo menos há situações que têm essa aparência. Nos grandes clubes onde habitam craques de outra dimensão dão-se casos de difícil leitura. No Real Madrid essa nuvem pairou sobre a cabeça de muitos capitães: Raúl, Casillas e outros que pertencem a um passado mais longínquo caminharam com esse fardo. Além dos capitães existem os grandes craques que se impõem, dizem as línguas sabichonas e as lendas, sobre a contratação de um ou outro jogador e a forma como deve jogar a equipa. O treinador deve aceitar e sorrir. O Barcelona teve um caso que deixou muitas dúvidas.

O Peru é um País que tem dado excelentes jogadores, tais como Cubillas, Chupitaz e o homem desta história, Hugo Cholo Sotil, que conta que um dia, quando chegou a casa, um dos assistentes lhe comunicou que tinha a visita de gringos. Admirou-se. Então, encontrou-se com o treinador do Barcelona e alguns dirigentes. Eram os gringos. Rinus Michles perguntou-lhe se queria jogar em Espanha; aceitou de imediato sem saber o clube. Era o Barcelona. Era a equipa onde jogava Cruijff, um dos pontos de referência do futebol mundial. Aquela equipa tinha uma boa quantidade de solistas. Tinha um muro no meio-campo chamado Asensi, um arquiteto de nome Marcial, um extremo, Rexach; e estava lá Cruijff.

O Barcelona realizou no campeonato de 1973-74 um futebol delicado. Tinha jogadores de grande toque e tinha o imprevisível saído das botas de Cruijff e também de Sotil. Era um jogador robusto e atarracado. Dono dos dois pés. Veloz e de finta. Resolvia dentro da área e o carinho dos adeptos aproximaram-no do topo daquela equipa. Este Barcelona derrotou o Real Madrid no Santiago Bernabéu por 5-0. O orgulho do Barcelona transformou-se em festa e a receção à equipa foi multitudinária.

No dia do 5-0 ao Real Madrid
No dia do 5-0 ao Real Madrid

Cruijff jogava, mas não tapava. Poderia ser a razão pela qual correram com Cholo Sotil, no entanto, este jogador, quando a equipa defendia, tapava o lado esquerdo; impedia a circulação do defesa-direito. Por isso, sendo Sotil um avançado que se abria para defender e se centrava para atacar, a equipa talvez não tivesse tanta carência, e de facto o Barcelona passeou pelo campeonato. Naquela época só podiam jogar dois estrangeiros. O Barcelona contratou um excelente jogador; no entanto, não era para a posição de Sotil: era para se situar com Asensi e, além de fazer muro, correr por meia-dúzia; contratou o cunhado de Cruijff: Neeskens. Sotil teve que sair da equipa. Começou então a lenda que o colocava na boémia constante.

Era falso. Deu-se a casualidade de um adepto do Barcelona e admirador de Sotil comprar um Ferrari exatamente igual que se situava, a diário, à porta de uma discoteca. Mas esta lenda não tapava a lenda da verdadeira questão do ostracismo de Sotil: a lenda das necessidades de Cruijff. Os fãs do Barcelona protestaram; indignaram-se. No entanto, nos dois anos restantes em que Sotil permaneceu no Barcelona não era inscrito. Fazia exibições. Abandonou o Barcelona e regressou ao Peru; mas ainda hoje os velhos do lugar recordam o Sotil e mencionam a injustiça. Continua a ser querido.

Fonte: estaticos.sport.es

Carta Aberta a: José Mourinho

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Caro José Mourinho,

Sigo a tua carreira com especial atenção desde que assumiste o comando técnico do Benfica em 2000; vi em ti a pessoa certa para voltar a “levantar” o clube, para o tirar de uma seca de títulos que se prolongava desde a conquista da Taça de Portugal de 1995. Infelizmente Manuel Vilarinho não acreditava que fosses essa pessoa e preferiu apostar em Toni, o último treinador campeão pelo Benfica à altura. O maior clube português perdeu assim o que se veio a tornar no melhor treinador português de todos os tempos.

Sempre soubeste que o Leiria seria apenas uma experiência passageira até outro grande voltar a chamar-te; quase aconteceu com o Sporting, mas acabou por ser o Porto o teu destino. Em cerca de dois anos e meio conquistaste tudo o que havia para conquistar: dois campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Supertaça, uma Taça Uefa e uma Liga dos Campeões. Tornaste realidade algo que à altura só parecia ao alcance de clubes portugueses em videojogos, a conquista de uma grande prova internacional. Vale a pena referir que, dos onzes com que conquistaste a Taça Uefa e a Liga dos Campeões, nove dos titulares eram portugueses.

Fizeste-me torcer por um rival na Europa, algo que nunca fiz antes e não faço desde que saíste do Porto; mais que isso, fizeste-me vibrar com as tuas conquistas europeias ao serviço de um dos grandes rivais do meu clube. Acompanhei com toda a atenção o trajecto vitorioso do teu Porto nesses dois anos, desde a vitória sofrida em Sevilha ao “passeio” em Gelsenkirchen. Tudo isto enquanto pensava que este sucesso que estavas a ter podia ter acontecido no meu clube, no Benfica, se os dirigentes tivessem tido um bocadinho mais de visão e não procurassem apaziguar as massas com ídolos do passado. Directa ou indirectamente, o teu trabalho no Porto funcionou como catalisador para a fantástica campanha da selecção portuguesa no Euro 2004 e até no Mundial 2006. Jogadores como Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Maniche, Costinha ou Deco faziam parte da espinha dorsal de uma das melhores equipas que já vestiu a camisola da selecção das quinas.

Felizmente saíste do Porto em 2004, não antes de perderes a Taça de Portugal para o Benfica de Camacho – obrigado por essa, já agora! O teu destino foi o recém-comprado Chelsea do bilionário russo Roman Abramovich, onde construíste a melhor equipa que aquele clube alguma vez terá, onde implantaste uma cultura vencedora e um núcleo de jogadores que veio a ser instrumental em todas as conquistas do clube até ao teu regresso em 2013. Criaste a lenda do “Special One”, fizeste amizade com Sir Alex Ferguson e inimizades com Wenger e Benítez e em três anos “limpaste” e encantaste Inglaterra, tendo-te faltado apenas a Liga dos Campeões, o troféu que lá no fundo eu sei e tu sabes que sempre quiseste ganhar ao serviço do Chelsea. Ficou-me na memória o golo fantasma de Luis García naquela meia-final da competição no teu primeiro ano no clube. O que poderia ter sido…

Há males que vêm por bem, e o teu despedimento do Chelsea levou a que fosses contratado em 2008 pelo Inter de Milão, onde fizeste para mim o teu melhor trabalho até à data, onde construíste a equipa mais “à Mourinho” que eu já tive o distinto prazer de ver jogar. Se estava colado ao ecrã cada vez que jogava o teu Chelsea eu tornei-me (quase) obcecado pelo teu Inter. Chegavas finalmente à Serie A, a liga que mais me fascinou desde tenra idade; como se isso não bastasse, tinhas Zanetti, Figo e Ibrahimovic na tua equipa, três dos jogadores que eu mais admirava (e admiro): foi um casamento de sonho. No teu primeiro ano deste continuidade ao domínio interno do Inter, mas viste-te confrontado com a falta de “qualidade” da equipa a comparar com os outros grandes europeus, quando foste eliminado prematuramente da Liga dos Campeões nos oitavos de final diante do Manchester United de Ronaldo.

Chegamos então à época 2009/2010, a melhor época em termos futebolísticos para mim enquanto adepto. O Benfica voltou a ser campeão, desta vez com Jorge Jesus, e o teu Inter ganhou o treble. Destaco a “revolução” que fizeste no plantel de um ano para o outro: a chegada de Sneijder, Eto’o, Pandev, Motta, Muntari ou Milito revelou-se instrumental para o sucesso europeu de uma equipa que antes de tu chegares era Ibra-dependente. Trocaste então a maior e melhor individualidade do plantel por uma equipa, o que na minha modesta opinião deverias voltar a fazer, agora no Chelsea, com Hazard.

Sempre que posso vou ao youtube rever os melhores momentos daquelas meias-finais da Liga dos Campeões contra o Barcelona de Guardiola, onde se viu todo o teu brilhantismo, primeiro com a vitória por 3-1 no San Siro e depois com a melhor prestação em termos defensivos que alguma vez tive o prazer de visionar com a derrota por 1-0 no Camp Nou. E que dizer da final? As pessoas prendem-se no fantástico trabalho que fizeste nas meias, mas o Bayern de Van Gaal era uma equipa fabulosa e no papel (talvez) superior ao teu Inter, e tu não deste qualquer hipótese. Desde o apito inicial que se sabia que o resultado só seria um e os dois golos de Milito vieram apenas confirmar essa inevitabilidade.

José Mourinho atravessa um momento complicado na carreira Fonte: cdnzoom.com
José Mourinho atravessa um momento complicado na carreira
Fonte: cdnzoom.com

Desde que trabalhaste ao lado de Robson e Van Gaal no Barcelona que sonhavas treinar o clube, mas a vida levou-te ao maior rival dos catalães, o Real Madrid, onde pela primeira vez na tua carreira encontraste um balneário onde os jogadores eram “maiores” que o treinador e isso eventualmente levou ao teu divórcio com o clube. Não antes de pegares num Real Madrid recheado de estrelas que andava a ser eliminado pelo Lyon nos oitavos de final da Liga dos Campeões e conseguires, nem que por um ano, destronar o Barcelona de Guardiola, uma das equipas, senão a melhor, que alguma vez agraciaram um campo de futebol. Aliás, levaste a que o eventual êxodo de Guardiola para a Alemanha acontecesse, e no processo criaste o melhor e mais devastador contra-ataque da história do futebol. A época do título, em que bateste o recorde de pontos e de golos no campeonato espanhol, foi absolutamente demolidora. Infelizmente em três anos em Madrid voltaste a “fracassar” a nível europeu, tendo ficado “apenas” pelas meias-finais da Liga dos Campeões.

Voltaste então a “casa”, ao Chelsea, em 2013, onde encontraste um resquício da grande equipa que tinhas construído dez anos antes. Precisaste apenas de duas épocas para levar a equipa de novo ao topo do futebol inglês e agora na tua terceira época enfrentas pela primeira vez um cenário a que não estás habituado, uma equipa desmotivada, desorganizada e sem vontade de jogar, que sofre golos infantis e não consegue concretizar e muitas vezes nem consegue criar oportunidades. Pela primeira vez na tua carreira os teus métodos estão a fracassar, e parece que vais ter de te adaptar e evoluir para voltares a reerguer este Chelsea.

Não vou tão longe como os muitos que afirmam que os teus métodos estão ultrapassados: parecendo que não ganhaste a liga mais difícil (pelo menos mais competitiva) do mundo há cerca de seis meses, e o futebol não me parece ter mudado radicalmente desde Maio, mas, de qualquer forma, tal como disseste há umas semanas, vais ter de te adaptar e evoluir para ultrapassares esta situação adversa, algo que até agora parece que te recusaste a fazer. Tens-te mantido firme nas tuas ideias na esperança de que eventualmente voltem a resultar, mas, não: esta equipa precisa de um valente abanão, de uma mudança radical, para voltar pelo menos a acreditar e encontrar o caminho do sucesso de novo, e eu não tenho qualquer dúvida de que és o homem certo para esse e para qualquer outro trabalho/desafio.

Falou-se no PSG, no Monaco e no Man Utd como possíveis destinos para ti caso o Chelsea optasse por terminar a vossa ligação; falou-se também de Simeone, Guardiola ou Ancelotti como candidatos ao lugar que ocupas. Muita especulação mas pelo que parece e principalmente depois do impressionante apoio e lealdade que os adeptos te têm demonstrado Abramovich decidiu mesmo que és o homem certo para tirar o Chelsea do buraco em que está. Ainda bem. Espero ansiosamente que proves a quem continua a duvidar de ti, a quem continua a questionar o teu talento, o quão errado está.

Quer fiques no Chelsea, assumas o comando de outro clube de topo ou acabes num clube de segunda ou terceira, continuarei sempre a acompanhar a tua carreira com a mesma atenção e excitação do costume, nos bons e nos maus momentos. Se mais ninguém reconhecer, mesmo quando todo o mundo achar que estás ultrapassado e que deves abandonar, sabe que terás em mim sempre um apoiante e admirador do teu génio, muitas vezes incompreendido. Espero ansiosamente pelos próximos passos da tua carreira, sabendo de antemão tudo o que já fizeste pelo futebol e as portas que abriste aos treinadores portugueses pelo mundo fora. O teu lugar na história já está reservado, resta saber quão alto podes (e vais) subir.

Na expectativa,

João Folgado

O meu Primeiro Dérbi

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sporting cabeçalho generíco

Há certos momentos que nos ficam retidos na memória e, o que se irá passar no dia 21 de Novembro, para mim, não é exceção.

O mito é que, nas sextas-feiras 13, aconteçam coisas menos boas. Há até pessoas que insistem em fazer o seu ritual supersticioso e evitar certos males, como um espelho partido, passar por debaixo de umas escadas ou evitar gatos pretos. No entanto, este dia foi um dos melhores da semana que passou, já que finalmente tive a confirmação que vou ver o meu primeiro Sporting-Benfica ao estádio: uma estreia.

A primeira memória que tenho dos embates entre os rivais lisboetas remete à minha infância; deveria ter cinco ou seis anos quando o meu irmão pediu aos meus pais para jantarmos mais cedo: era dia de Benfica-Sporting. Infelizmente, não me recordo de quanto ficou, em que estádio foi ou quem eram os protagonistas. Lembro-me sim que haviam dois territórios: o sofá do Sporting e o sofá do Benfica. Estava cada um enfeitado com os cachecóis que tanto eu como o meu irmão tínhamos, estávamos de pijama, ele com a sua camisola do Benfica vestida e eu com o meu chapéu de guizos (curiosamente, oferecido por ele) do Sporting. Lembro-me também que só havia contacto quando a respetiva equipa marcava golo, quando me atirava à cara que o seu jogador preferido havia marcado ou quando eu fazia tanto barulho a celebrar com o chapéu que ele me mandava calar. Tenho outras de quando íamos já os dois para o café com o meu pai, beber sumo e ouvir os típicos comentários de senhores mais velhos, aos quais o meu pai advertia “Marta, não oiças isto nem o digas que é feio!”. O futebol sempre foi um ambiente alegre que sempre teve grande impacto na minha vida, quer por ver o meu irmão a jogar e a dizer que era o melhor, quer por ser uma hora em que nos juntávamos por um gosto em comum.

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Teo Gutiérrez: dois jogos frente ao rival, dois golos marcados
Fonte: Sporting CP

Agora, sendo mais velha, percebo o quão incrível é o poder que um jogo pode ter. Vou poder assistir ao primeiro dérbi de Jorge Jesus em Alvalade, tendo este um saldo incrível nas duas partidas que já se realizaram entre ambas equipas esta época: Quatro golos marcados e sem tentos sofridos. Rui Vitória tem sobre os seus ombros uma pressão enorme e ainda vai poder sentir, na verdade, o rugido do leão: não irão ser só cerca de 3000 adeptos a gritar nos noventa minutos de jogo mas sim mais de 45 000. Creio que não é fácil, sabendo que é difícil de combater com este ambiente em Alvalade.

Sinceramente, tenho saudades de entrar no nosso estádio, de sentir a euforia antes do jogo e de festejar os golos (que espero que continuem com saldo positivo para a equipa verde e branca) e de saber que sou parte integrante de uma família que cada vez mais gosto de conhecer.

Espero poder celebrar tanto no estádio como quando era na minha infância, não com guizos, mas sim com amor à camisola. Quanto a comentários para o jogo, esses remeto-os para uma próxima. Agora, preciso de começar a preparar a festa do futebol.

Foto de Capa: Sporting CP

Uma prenda de Quique

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cabeçalho fc porto

Já vai longínqua a época em que Quique Flores liderava o banco do Benfica. O espanhol chegou à Luz em 2008/2009 e, no final dessa mesma época, abandonou o cargo de treinador das águias. Numa altura em que o Benfica não oferecia a luta a que nos habituou nos últimos anos, o FC Porto reinava em Portugal como dono e senhor dos domínios futebolísticos.

Sete anos passaram, muito (ou quase tudo) mudou. O FC Porto não vence um campeonato há duas épocas e o Benfica é bicampeão em título. O Sporting ressuscitou a valer e lidera a presente edição da Liga portuguesa. Jogadores entraram e saíram. Centenas deles. Muitos por valores avultados. E, antes desta estação futebolística começar, os cofres do dragão viram-se recheados por mais um (muito) significativo encaixe financeiro, derivado da venda de ativos.

Danilo saiu, como há muito era anunciado, a troco de 31,5 milhões de euros. Maxi Pereira chegou para o seu lugar, numa movimentação que muitos desconfiavam ser possível, mas poucos acreditavam que se concretizasse.

Alex Sandro, por outro lado, foi mais inesperado. A sua saída era tida como uma possibilidade real, mas só no último dia aconteceu. Seguiu para a Juventus por 26 milhões e, dadas as pressões naturais do último dia de mercado, a lateral-esquerda do Porto parecia destinada a ficar entregue a um Aly Cissokho envolto em dúvidas e declaradamente longe dos tempos da sua primeira passagem pela Invicta (curiosamente, também em 2008/2009).

Alex Sandro saiu para a Juventus em cima do fecho da janela de transferências Fonte: FC Porto
Alex Sandro saiu para a Juventus em cima do fecho da janela de transferências
Fonte: FC Porto

No entanto, eis que surgiu uma incursão mercantil de última hora: o FC Porto ia buscar o relativamente desconhecido mexicano Miguel Layún ao Watford, por empréstimo com opção de compra de seis milhões de euros. A desconfiança também pareceu rodear Layún. Um destro sem créditos firmados para substituir o melhor lateral esquerdo que o Dragão viu em dez anos?

E, volvidos alguns meses, estão os portistas a aclamar o lateral. Layún provou-se uma aquisição de valor acrescentado. Ataca com a mesma certeza com que defende e usa ambos os pés com semelhante eficácia e desenvoltura. É o assistente número um de Aboubakar e, nos tempos mais recentes, assumiu o papel de goleador com dois tentos de belo efeito. Uma locomotiva, epíteto que tantas vezes se aplica despropositadamente a laterais.

Porquê uma prenda de Quique? Porque, passadas sete temporadas da estadia de Quique Flores do Benfica, o mesmo Quique Flores não contou com Layún no Watford, que treina agora na Premier League. Quem diria, não é? Um jogador que não serve para um “modesto” clube do futebol inglês é a nova coqueluche do FC Porto de Lopetegui… Numa altura em que tanto se fala de prendas, esta veio mesmo a calhar, não foi, Quique?

Fonte: FC Porto

Mundial Rugby’2015: O melhor de sempre. E agora, Japão?

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cab Rugby

Dois meses de puro rugby com grandes ensaios e placagens, com sangue e lágrimas: assim foi o Campeonato do Mundo de Rugby 2015, considerado o maior e melhor Mundial de sempre, disputado na Inglaterra. Para a posterioridade ficarão as grandes exibições individuais e colectivas, os melhores ensaios, as melhores jogadas, os ambientes frenéticos em todos os estádios…

A equipa: Com vitórias em todos os jogos disputados e a conquista de mais um Mundial, é difícil não atribuir o estatuto de melhor equipa à da Nova Zelândia. A um nível impressionante, os All Blacks continuam a dizimar quem ousa aparecer no seu caminho e já se trata da selecção com mais títulos mundiais conquistados.

Os All Blacks venceram o terceiro título de campeão mundial da sua História. Fonte:
Os All Blacks venceram o terceiro título de campeão mundial da sua História.
Fonte: rugbyworldcup.com

A surpresa: O coração argentino fez-nos delirar por entre jogadas e placagens explosivas. Tecnicamente ao melhor nível de sempre, os Pumas não alcançaram o pódio mas apresentaram-se numa forma incrível ao longo de todo o torneio. Daniel Hourcade deu à Argentina margem para evoluir e essa aposta já começa a dar os seus frutos.

A desilusão: A disputar um cobiçado Mundial na sua própria casa, a Inglaterra acabaria por ser afastada da competição logo na fase-de-grupos – as derrotas frente ao País de Gales e à Austrália foram fatais e este seria mesmo o pior desempenho inglês de sempre num Campeonato do Mundo. Stuart Lancaster fica mal na fotografia – a convocatória para a competição deu azo a críticas que acabaram por se anunciar correctas -, mas fica a sensação de o capitão, Chris Robshaw, também ficar a dever a si mesmo, ao não conseguir unir e liderar a equipa em busca de, pelo menos, um lugar nos quartos-de-final.

O jogo: O Austrália vs Escócia, dos quartos-de-final, ficou marcado pelo equilíbrio constante ao longo de todo o jogo. Com todo o favoritismo do lado dos Wallabies, que vinham fazendo um Mundial de categoria, a equipa escocesa pressionou homem a homem e obrigou a formação australiana a cometer vários erros individuais e colectivos. Apenas quando faltavam quarenta segundos para o final da partida é que a Austrália conseguiria marcar uma penalidade que daria o acesso à fase seguinte.

O quinze: Fazer a combinação dos melhores jogadores do Mundial numa só equipa não é tarefa fácil, muito menos imune a injustiças. No entanto, a escolha recai para, na primeira linha, Marcos Ayerza (Argentina), Agustín Creevy (Argentina) e Sekope Kepu (Austrália); na segunda linha: Sam Whitelock (Nova Zelândia) e Lood de Jager (África do Sul); na terceira linha: François Louw (África do Sul), Richie McCaw (Nova Zelândia) e David Pocock (Austrália); formação: Will Genia (Austrália); abertura: Dan Carter (Nova Zelândia); centros: Matt Giteau (Austrália) e Mark Bennett (Escócia); pontas: Julian Savea (Nova Zelândia) e Santiago Cordero (Argentina); arrier: Ben Smith (Nova Zelândia).

O jogador: David Pocock. O australiano alia o carisma a todo o seu talento, envolvendo toda a sua equipa em prol de um só objectivo: vencer. Neste Campeonato do Mundo reapareceu em alta, após dois anos fustigado por lesões.

A inspiração de David Pocock guiou a Austrália até à final. Fonte:
A inspiração de David Pocock guiou a Austrália até à final.
Fonte: rugbyworldcup.com

O árbitro: O incontornável Nigel Owens. Com boas arbitragens a pautar o Mundial, Nigel Owens soube destacar-se pela autoridade e pela visão de jogo a que já nos habituou. Como bónus pelas boas prestações que foi somando, foi o árbitro da final da competição.

Nigel Owens brindou-nos, uma vez mais, com arbitragens de grande nível.
Nigel Owens brindou-nos, uma vez mais, com arbitragens de grande nível.
Fonte: rugbyworldcup.com

Em 2019 é a vez de o Japão receber a competição. Terão os emergentes japoneses a capacidade para organizar a prova? Será que a selecção da casa irá conseguir continuar a evoluir? Irá a Inglaterra reerguer-se ou a Nova Zelândia continuará a tomar conta do maior troféu do mundo do rugby? Estas e outras questões serão desvendadas daqui a quatro anos. Até lá!

Foto de Capa: rugbyworldcup.com

 

“Se fosse fácil não era para nós”

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sporting cabeçalho generíco

Foi muito difícil a vitória em Arouca e ela acontece já quando o tempo de jogo estava praticamente esgotado. Esta semana João Mário, em entrevista à Rádio Renascença, usou a frase que titula o post, e que se tornou célebre pelo uso consecutivo dado por nada mais do que… Rui Vitória.

Terá sido casual o seu uso, feito por mimetismo causado pela mediatização ou intencional? A minha primeira opção para responder à questão recairia na primeira ou segunda possibilidade se estivessemos a falar de um qualquer futebolista. Atendendo a que se trata de João Mário inclino-me para a intencionalidade no uso da frase.

Uma das características que distingue João Mário é a inteligência e isso é observável no seu desempenho em campo. Não foi certamente por acaso que Jesus o escolheu para as actuais funções o seu 442. Essa característica é a que lhe permite fazer sem perda de rendimento várias posições em campo porque, compreendendo bem o jogo, executa quase sempre de acordo com as melhores opções ao seu dispor, com vantagem para o colectivo.

O mesmo se aplicará ao seu discurso: João Mário percebe o momento favorável face aos rivais e não dispensa o recurso à frase do treinador da outra equipa para o deixar bem vincado. Como se quisesse lembrar que de facto é difícil para todos, mas está a ser mais para uns do que para outros. É apenas um pormenor, não se ganham jogos por causa dele, mas não pode deixar de ser contabilizado e usado como vantagem.

"Quero ser campeão no Sporting" Foto: Sporting CP
“Quero ser campeão no Sporting” – João Mário
Foto: Sporting CP

Estando o campeonato a correr indiscutivelmente bem ao Sporting, não tem sido nada fácil. Nunca a disputa de um campeonato o poderia ser, o que se tem observado é que está a ser muito mais difícil do que os números avassaladores de posse de bola poderiam indicar. Isto é, o Sporting consegue muitas vezes dominar os adversários mas revela muitas dificuldades em materializar essa superioridade.

Não é certamente por acaso que apenas por três vezes o Sporting ganhou por mais do que a diferença mínima mas, atendendo ao carácter especial de um derby, só dois servirão de verdadeiro exemplo. Todos os outros resultados foram conseguidos por um golo de diferença. Nacional, Arouca, Tondela, e Rio Ave, a que se somam duas comprometedoras situações de empate em que ficou patente a impotência perante as defensivas contrárias.

Muitos dirão que o que importa é ganhar, o que, perante a evidência, não haverá qualquer contestação da minha parte. O que me parece importante destacar é que são várias as situações de vitórias conseguidas in extremis, depois de avassalador domínio, para não reflectir sobre o desempenho do nosso ataque.

Do que me tem sido dado observar,  o jogo do Sporting tem sido geralmente bem construído mas quebra no último terço, quase sempre por falta de sequência das jogadas. Nesse particular quer Teo quer Slimani têm ainda muito que crescer para oferecer à equipa mais situações de perigo. Crescer sobretudo na compreensão das suas funções que não podem estar confinadas ao momento de finalizar.

Slimani tem estado particularmente em destaque pela importância dos seus golos nos pontos conseguidos. Mas continua a revelar importantes limitações técnicas e de compreensão dos movimentos dos seus colegas, contribuindo dessa forma para o curto-circuito das jogadas de ataque, obrigando a recomeçar tudo novo vezes sem conta. Infelizmente isto é fatal para o processo de jogo, por mais que passe despercebido nas estatísticas e aos olhos dos adeptos.

Teo tem sido uma presa demasiado fácil para os adversários encarregues de o marcar, ficando muito tempo completamente fora do jogo por largos minutos. Ainda mais preocupante é constatar os braços caídos de Montero, que parece agora aceitar resignado o papel de suplente que JJ lhe parece ter destinado. Uma imagem quase gritante no jogo em Arouca, que certamente terá chamado à atenção do treinador.

Como é evidente, a melhoria da nossa capacidade concretizadora não se limita ao que farão estes três elementos. A falta de Carrrillo acarretou problemas inesperados para as quais foram encontradas soluções de recurso, mas que não parecem de sustentabilidade a médio-longo prazo. Mas que todos eles podem e devem dar mais, no sentido de oferecer continuidade ao nosso jogo atacante, parece-me indiscutível.

Foto de Capa: Sporting CP

Ronaldo, a nova vítima de Benítez

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cab la liga espanha

Assim que Benítez foi anunciado como treinador do Real Madrid, no verão passado, Ryan Babel lançou um polémico tweet: “Benítez a caminho do Real? Vai fazer do Ronaldo um grande defesa…”. A previsão de Babel era, propositadamente, exagerada, mas talvez tivesse algum sentido.

Para quem não se recorda, Babel era uma das grandes promessas da seleção holandesa que venceu o europeu de sub-21 em 2007, tendo, logo de seguida, sido contratado pelo Liverpool, de Benítez, com apenas 20 anos. O avançado holandês nunca conseguiu confirmar todo o seu potencial em Inglaterra e, hoje em dia, aos 28 anos, joga nos Emirados Árabes Unidos, o que significa que é mais incisivo no Twitter do que nos relvados. Talvez Babel culpe o agora treinador do Real Madrid pelo rumo que a sua carreira tomou, mas acho que não era a isso que se referia naquele tweet. Aquele comentário referia-se ao que Benítez fez com Dirk Kuyt, outro avançado holandês a passar pelo Liverpool naquela altura.

Kuyt também era avançado mas, ao contrário de Babel, não era apenas uma promessa, era já uma certeza do futebol holandês, fazendo até parte da seleção principal. Co Adriaanse era treinador do Porto e bem insistiu para que Pinto da Costa o trouxesse para Portugal, mas a qualidade de Kuyt já impunha voos mais altos, e foi o Liverpool que o contratou, em 2006. Infelizmente para o holandês, na época seguinte chegou Fernando Torres e, então, Benítez decidiu que Kuyt passaria a ser um ala direito. Um ala direito com muitas responsabilidades defensivas, como Benítez gosta. Jogador de equipa e trabalhador, Kuyt ajudava muito a defender mas, claro, ia-se perdendo enquanto ponta-de-lança. E, assim, na altura em que deveria ter-se afirmado como um dos grandes goleadores da Europa, Kuyt estava encostado a uma linha, a ver a oportunidade passar. Hoje, aos 35 anos, continua a fazer (muitos) golos na Holanda.

Benítez observa Ronaldo durante um treino.  Fonte: Facebook Oficial do Real Madrid
Benítez observa Ronaldo durante um treino.
Fonte: Facebook Oficial do Real Madrid

Que tem isto a ver com Ronaldo? É que Benítez está agora fazer o mesmo, mas pelo processo contrário. Kuyt rendia mais na frente e foi posto na linha. Ronaldo rende mais na linha e é posto na frente. Principalmente desde que Benzema está fora, Ronaldo parece muitas vezes uma ilha perdida na frente de ataque e os seus números nos últimos jogos refletem isso mesmo, ao ponto de parte dos adeptos madridistas já começarem a questionar o seu rendimento. Jogando como 9, Ronaldo recebe a bola menos vezes de frente para a baliza, tem menos espaço para embalar e aproveitar a sua velocidade, e tem menos oportunidades para utilizar o seu remate de longe. Poder-se-ia pensar que, ali, teria mais oportunidades para fazer golos de cabeça, por exemplo, mas nem isso é verdade. Partindo de uma das linhas, Ronaldo chegava à área embalado e, muitas vezes, disputava a bola com o lateral, ao segundo poste. Lembram-se da imagem de Ronaldo a cabecear lá em cima, no segundo andar, enquanto Evra olhava cá em baixo, no rés-do-chão? Imaginem como seria essa imagem se Ronaldo tivesse de saltar no meio de Vidic e Ferdinand… Mesmo nessa situação, sabemos que ele era capaz de marcar, mas não há dúvidas de que seria mais difícil.

Assim, não custa a crer que, naquele polémico segredo que Ronaldo contou ao ouvido de Laurent Blanc no final do Real – PSG, o português lhe tenha mesmo dito que gostaria de trabalhar com ele. Aliás, acho que Ronaldo gostaria de trabalhar com qualquer treinador. Todos, menos Benítez.

Foto de Capa: Facebook Oficial de Cristiano Ronaldo

O comunicado perdido

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cabeçalho benfica

Na manhã de segunda-feira, algo novo e surpreendente me surgiu, enquanto corria em diagonal, ao sabor de um café e com perversa curiosidade, a lista de condóminos devedores das coisas lá do prédio; alguns nomes mereciam divulgação tablóide, porquanto a evito – mais por ética que por respeito –, mas, sobretudo, para não desiludir tantos crentes e confiando, por certas deliberações democráticas e institucionais, que outros possam agora, melhorados os seus rendimentos, reduzir para zero as centenas, tal como, bem recentemente, puderam reduzir para centenas os milhares.

Dizia eu, perdoe-me o leitor a divagação, que algo me arrancou àquela leitura distraída. Na mesa do lado, um molho de papéis (que pela modéstia soube à partida não pertencerem a Pedro Guerra), repousava à mercê, esquecido ou perdido. Fui ver – naquele misto próprio que me é característico, de virtude profissional e defeito pessoal –, e qual não foi o meu espanto ao verificar, quase instantaneamente, a dimensão do meu erro de avaliação: existe mesmo alguém (para já anónimo) que a coberto de honestidade e seriedade perenes personifica e converge a moral e a verdade.

Parece-me, por isso, ser meu imperativo divulgar aquilo que, aparentemente, se trata de um rascunho de comunicado (quase) pronto a divulgar. Pois, certamente, apenas forças ocultas do destino o impediram até ao momento. Faço-o para glória do autor e da sua obra, mas também por egoísmo, no âmbito de um processo pessoal de indulgência, por tudo o que já disse e escrevi sobre falsos profetas e revolucionários charlatães. Que, neste gesto, possa comprar a absolvição do meu carácter. O tal texto narrava assim:

Caros sócios e adeptos,
Desde que cheguei, apelo à justiça e à transparência, jamais me esquivando das batalhas que, dentro e fora de casa, se tornam necessárias travar em nossa defesa e em prol da verdade. Segui consciente este caminho, denunciando o que de mal aconteceu nos últimos anos e que justifica, em parte – pois não nos esqueçamos do inimigo interno –, o sorriso incómodo e constante no rosto dos nossos vizinhos. Em nome da honra e do bom senso, não me farei silenciar perante todo e qualquer ilícito. Nesta missão, vejo-me forçado a perscrutar a nossa própria consciência colectiva. Senão vejamos:

1. Há ofertas que sabemos o que são e quanto custam; mas o que é, afinal, um suborno, no valor de dois mil euros e em forma de transferência bancária para a conta de um árbitro, concretizado por alguém com acesso aos nossos corredores e, por coincidência, com relações próximas com o nosso vice-presidente, com o objectivo de afastar e/ou condicionar elementos intervenientes no jogo? Valerá isto descida de divisão? 

2. Questiono-me, por vezes, se me excederei em considerações quando, ao comentar nomeações, busco no microfone mais próximo ameaças veladas a quem dirigirá, pressionando com o passado, o presente e o futuro, com as consequências que, em apenas três jornadas, todos pudemos confirmar; o que dizem os regulamentos? Valerá isto descida de divisão? 

3. Como um homem bom e coerente, movido pela pacificação, aproveito, desde já, para prestar nestas linhas genuínas a mais sincera solidariedade a quem, na última semana, se viu agredido pelas costas. Na esperança de que, em prol da mudança que tanto preconizamos, se faça agora a justiça que vimos negada, há não muito tempo, quando em uníssono exigíamos até à exaustão a intervenção da mão pesada da lei (a dos homens e a da bola) contra aqueles que, debaixo de um manto protector, provocavam treinadores adversários e agrediam jogadores e forças da autoridade. É como diz o braço direito do melhor do mundo: que  Vandinho não morra solteiro!”.

benfica adeptos
Fonte: SL Benfica 

E assim terminava, esta curta e enigmática missiva, sem remetente ou destinatário, perdida numa esplanada da freguesia do Lumiar, que – com as devidas correcções (não queremos este espaço contaminado com a iliteracia que, vezes demais, invade as redes sociais) – vos resolvi revelar. Um bom exemplo de como ainda há esperança, pois contra todas as (minhas) expectativas andará mesmo por aí um virtuoso Messias, capaz de julgar correctamente as mais polémicas questões da actualidade, sem nunca cair no ridículo de o fazer à luz de alguns mitos tornados reais com recurso à repetição insistente e cansativa.

Mesmo não percebendo realmente o conteúdo do texto – do que trata e quem são o seus protagonistas –, gostava de deixar uma palavra de admiração por quem tem a capacidade de analisar assim, desabridamente e sem complexos de Napoleão, o vasto interior do próprio umbigo: uma verdadeira inspiração.

P.S.: se alguém souber algo sobre este Shakespeare moderno,  faça o favor de pagar a dívida de gratidão.

Foto de Capa: SL Benfica

Justiça Esquecida

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sporting cabeçalho generíco

De há uns tempos para cá, tenho verificado um padrão essencialmente de comportamento das entidades reguladoras do futebol português.

Existe uma queixa apresentada por um clube contra outro ou contra uma pessoa; regista-se a queixa, mandam-se umas notícias a “desancar” o queixoso, depois ficamos sem ouvir falar do assunto por uns valentes tempos, e, quando já ninguém fala do assunto, a queixa é arquivada.

Desculpem, eu disse um padrão? Queria dizer dois. É que depende de quem seja o queixoso.

Se o queixoso for o Sporting, então o que está escrito acima está certo. Se o queixoso for outra entidade contra o Sporting, então o procedimento já é mais do tipo: entra a queixa, suspende-se o suposto infractor, manda-se umas notícias para a imprensa a “desancar” esse suposto infractor, e passado uns tempos o processo é arquivado ou prescreve por falta de provas, sem que este tenha qualquer compensação pelos dias de suspensão até ali cumpridos.

Para ilustrar o que tento dizer, temos mais recentemente o caso Naldo. Como não poderia deixar de ser, o rapaz é logo suspenso pela “suposta” agressão. Sim, porque não podemos permitir que tipos destes andem a reagir a provocações assim aos empurrões. Outros – leia-se Lito Vidigal –  pagam 40 euros, levam uma “palmada na mão” e está despachado.

Temos a decorrer também o processo entre Jorge Jesus e a sua anterior entidade empregadora. Tenho pena de Jorge Jesus, uma vez que admito que este venha a perder o caso. Não porque não tenha a razão do seu lado, mas porque neste momento é funcionário do Sporting Clube de Portugal. E tendo em consideração os padrões acima apresentados não lhe auguro nada de bom. É que 14 milhões têm muita força, seja aqui, na China, no Canadá, ou onde quer que os queiram ir desenterrar.

Apesar de ter sido mandado para fora do clube, o Benfica nunca soube lidar com a saída de JJ Fonte: Sporting CP.
Apesar de ter sido “atirado” para fora do clube, o Benfica nunca soube lidar com a saída de Jesus
Fonte: Sporting CP.

Mas voltando ao primeiro padrão, em relação ao Futebol Leaks, já tivemos a queixa, sabemos que o processo está em marcha (segundo o Bruno de Carvalho), também já todos conhecemos os milhares de notícias que saíram a desancar o Sporting e o seu presidente. Agora, de há uns tempos para cá, deixou de se ouvir falar desse assunto, como se nunca se tivesse passado nada, e se falam é para dizer que ao que parece foi um administrador que foi demitido e colocou as informações na imprensa (mais uma para desancar os mesmos). Alguém consegue adivinhar qual vai ser a próxima informação dada pelas autoridades quanto a este assunto? Aposto que será do tipo: “Processo arquivado por falta de provas”, ou algo mais elaborado que contenha a palavra “tácito“ ou similar.

Cabe agora aos Sportinguistas não deixar que este assunto caia no esquecimento, pressionar as autoridades e a justiça com notícias nos canais noticiosos do clube – que nos outros não vamos ter mais notícias referentes a este assunto, ou não estivessem, supostamente, envolvidas instituições com muitos adeptos e sócios bem colocados para abafar o assunto -, ou então será mais uma montanha a parir um rato (somos um país de montanha, infestado de ninhadas de ratos).

Foto de Capa: TVI

Um campeonato assombrado

cab desportos motorizados

De teorias da conspiração está o mundo cheio, mas o desporto motorizado mundial ganhou mais duas no último domingo; no que toca ao MotoGP a Carolina fala-vos aqui do assunto, do Campeonato Nacional de Ralis (CNR) vou falar-vos nas próximas linhas.

José Pedro Fontes sagrou-se campeão nacional de ralis com o seu segundo lugar no Rali do Algarve. Um título que como aqui escrevi em Março era de esperar, mas que nas estradas deixa um certo ar de incerteza no ar.

Se existisse campeonato de Asfalto e de Terra em separado não existiria dúvida de quem era o melhor em qualquer um deles: Fontes no primeiro e Moura no segundo. E em 2015 Moura foi o único a conseguir vencer nos dois terrenos. Mas num campeonato misto e com quatro provas em cada superfície foi preciso esperar até à última PEC (Prova Especial de Classificação) para saber o vencedor de 2015.

Mas antes de irmos à polémica de final de campeonato vou fazer um pequeno resumo da prova. Com a mudança da prova algarvia do asfalto para a terra Ricardo Moura apresentava-se como principal candidato à vitória. E a prova começou desta forma, com Moura na frente ao ganhar a primeira PEC, mas o primeiro dia de prova teve uma boa surpresa. Carlos Vieira, que estava a fazer apenas a sua segunda prova em terra, apresentou um ritmo muito bom e terminou o dia na frente ao ganhar as três PEC’s restantes. Um bom valor para os nossos ralis e que espero que em 2016 confirme o que mostrou este ano.

Fontes ao lado da máquina vencedora Foto: Arquivo pessoal
Fontes ao lado da máquina vencedora
Foto: Arquivo pessoal

O segundo dia de prova começou com um toque de Carlos Vieira que o fez perder muito tempo e deixar de lutar pela vitória. A partir daí Moura passou para a frente e nunca mais saiu da liderança. O problema para o açoriano foi que Fontes passou de terceiro para segundo a uma PEC do fim da prova após um furo de Pedro Meireles. É precisamente aqui que começa a teoria da conspiração. Pedro Meireles é colega de equipa de José Pedro Fontes e este ao passar para segundo sagrou-se campeão nacional, o que não aconteceria com o lugar mais baixo do pódio.

O problema aqui resiste no facto de toda a gente já saber que este furo, ou outro problema qualquer que fizesse Meireles perder tempo e o segundo lugar, ia acontecer, possibilitando assim o título a Fontes, que não estava com andamento para recuperar na estrada o lugar que lhe dava o título.

A assombrar este título está também a penúltima prova. Ricardo Moura acusa Fontes de o atrasar propositadamente nesta prova, depois de um furo. Fontes, alegadamente, terá esperado por Moura de forma a que este fosse sempre no seu pó e assim perder tempo. O facto é que Moura acabou em terceiro a meio segundo de Carlos Martins, também colega de equipa de Fontes. Se tivesse terminado em segundo teria sido o campeão.

Eu não quero com isto dizer que o furo foi propositado, afinal não tenho dados para o fazer, mas, que levanta muitas dúvidas, levanta. É triste que num ano em que o CNR foi muito animado o assunto mais debatido seja o dos jogos de equipa e não o das prestações ao volante.

É importante ainda referir o título de Marco Cid nas duas rodas motorizes ao bater João Ruivo no Algarve e ganhou assim o seu primeiro título nacional num espetacular, mas já algo desactualizado Clio S1600.

Resta-me desejar que 2016 seja um ano ainda melhor que este – e promete sê-lo – assim como que o que interesse seja a prestação desportiva e não os jogos de bastidores.

 

Foto de capa: Zé Gonzo