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O Passado Também Chuta: Futebol Clube do Porto

o passado tambem chuta

Escrever sobre a fundação do FC Porto exige muito cuidado. As datas e os sujeitos históricos oscilam de uma para outra investigação. Uma crónica não é um texto histórico, no entanto, tem a obrigação de ser séria para com o que se sabe. A fundação do Benfica também tem o problema da certeza do momento histórico; no entanto, a dúvida assenta-se na análise do que é uma fusão ou uma união de clubes; para mim, uma fusão implica uma metamorfose, portanto uma transformação. Neste caso, e partindo desta premissa, o Benfica nasceu depois desse ato de amor que é a união, e não antes. Mas o FC Porto é diferente. A filosofia da sua criação também foi outra; o FC Porto nasce com a ideia de identificação com a cidade Invicta e em geral com o Norte. E nasce claramente com o selo inglês.

O FC Porto alterou a sua data de nascimento em 1998. António Nicolau d’Almeida, um abastado comerciante de vinho do Porto, e a influente colónia inglesa fundaram o primeiro – e hoje tido como a origem – Futebol Clube do Porto, em 1893. No entanto, talvez por pressões ou outras vicissitudes do seu fundador, o FC Porto deixou de ter atividade. Passados vários anos regressou de Inglaterra um jovem estudante que se fizera entusiasta do futebol durante a sua permanência académica no país. Chamava-se José Monteiro da Costa. No ano de 1906 logrou criar ou recriar o Futebol Clube do Porto. Até bem ao fim da década 80 do século passado figurou como o fundador e primeiro Presidente do FC Porto. No entanto, talvez através da lenda ou das associações feitas com o primeiro Porto, concluíram que foi uma refundação e não a sua fundação.

José Monteiro da Costa, um dos principais responsáveis pela existência do FC Porto
José Monteiro da Costa, um dos principais responsáveis pela existência do FC Porto

Argumentam-se dados que podem ser consistentes como a presença de vários jogadores da colónia inglesa nas duas equipas. No entanto, também pode ser coincidência ou simplesmente uma cópia. Mas é indiscutível a presença de Mackechnie, Rumsey, Wrigth e Ernesto Sá nas duas equipas. Surge também na segunda e definitiva época o nome do primeiro fundador, António Nicolau d’Almeida; mesmo que seja tradição oral, é importante, porque pode ter exercido a influência necessária e a emoção precisa para que o jovem Monteiro da Costa se lançasse, com unhas e dentes, ao projeto de recuperar a velha ideia.

Talvez por carecer de estrutura, o jovem Monteiro da Costa apoiou-se na estrutura do clube ao qual pertencia: o Grupo do Destino. No ato fundacional ou de refundação, no entanto, foi recuperado o nome do velho clube (FC Porto), que disputara, entre outros, um jogo com o Lisbonense, e foram recuperadas as cores (azul e branco) da monarquia.

O FC Porto, com o tempo, tornou-se uma das grandes referências do futebol português, muito bem-sucedido tanto a nível nacional como internacional. Talvez o Porto atual herda o primeiro FCP que ganhou a primeira competição nacional em 1922, ao derrotar o Sporting por 3-1. A época presente e triunfante nasce, indiscutivelmente, com o atual presidente Pinto da Costa. O sucesso e eficácia gestora deste presidente é inquestionável, e talvez seja o melhor presidente de sempre do futebol português.

Derby eterno: mais de um século de histórias para contar

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Quando, a 1 de Dezembro de 1907, o Sporting Clube de Portugal e o Sport Lisboa se encontraram no campo da Quinta Nova, para disputar um encontro inserido no Campeonato de Lisboa, estar-se-ia longe de imaginar que se estaria a na presença da inauguração de uma história de rivalidade que já leva agora mais de um século. Passados mais de cem anos, o derby deixou de ser um simples jogo para ser “O JOGO”  dos jogos, independentemente do momento em que cada um dos oponentes se encontre. Não há favoritos, apesar dos mitos que se já se construíram à volta do jogo com mais história e histórias do futebol português.

Assim será no próximo domingo. Apesar do peso da história e das diferenças entre si, quando o a´árbitro apitar, na cabeça dos adeptos a única coisa que interessa é que o resultado final seja favorável, pois não há vitória mais saborosa do que as conseguidas frente aos eternos rivais.

Enquanto um novo capítulo da secular rivalidade não se escreve, faço uma viagem pelo tempo, ressuscitando velhas histórias que fui lendo e ouvindo de Sportinguistas mais velhos. Voltar a elas é também a forma de não deixar morrer os que edificaram um clube cuja paixão não nasceu para ser explicada, mas para ser vivida com toda a mesma intensidade da primeira golfada de ar e o mesmo dramatismo do último estertor. A definição é com certeza hiperbólica, assim o é também a paixão e ela ganha ainda maior exuberância e fulgor em jogos como o derby.

O campeonato do pirolito, das bestas e dos bestiais

Estávamos na época de 1947/48 e o Sporting ia escrevendo os seus anos e ouro na história do futebol português. O campeonato haveria de se decidir por apenas um golo, que foi a diferença registada no confronto entre os dois clubes rivais, Sporting e SLB. Seria uma vitória especial,  marcada pelo carácter e vontade de superar o que parecia ser um destino desfavorável.

No jogo da primeira volta havíamos perdido por 1-3 em casa e no jogo da segunda volta apresentávamo-nos com a desvantagem de dois pontos em casa do rival. Ganharíamos o jogo por 4-1, passando para a frente do campeonato. Haveríamos ainda de perder um jogo com o Setúbal, mas a derrota do SLB em Elvas na mesma jornada confirmou o título. O golo de diferença seria o tal pirolito, que era como era conhecida uma das bebidas da época e cujo vedante era uma bola. Foi a diferença de uma bola que nos deu esse campeonato, que terminaríamos empatados com 41 pontos!

O jogo seria ainda marcado por uma forte polémica à volta do treinador Cândido Oliveira. Tido como benfiquista, e por força da tensão que envolvia o jogo, viu a sua competência profissional colocada em causa por um dirigente do clube (onde é que eu já ouvi isto?…) e apresentou a sua demissão no final do jogo. Para marcar a diferença dos tempos, esse dirigente apresentaria ele mesmo a demissão, pedindo ao treinador que reconsiderasse. Cândido de Oliveira acedeu a reconsiderar a sua posição desde que o dirigente fizesse o mesmo. No final diria a fase que hoje é célebre entre nós: quando ganhamos somos bestiais, quando perdemos somos bestas.

O derby entre Benfica e Sporting é um dos jogos mais emblemáticos da Europa
O derby entre Benfica e Sporting é um dos jogos mais emblemáticos da Europa

A Taça que não era para nós mas que é só nossa

Nesse campeonato, o de 1947/48, o Sporting celebraria uma dobradinha. Daí que o campeonato seguinte, 1948/49, ganharia especial interesse por se poder então registar o primeiro tri da história dos campeonatos nacionais do futebol português*. Facto que viria a ocorrer com relativa tranquilidade, o que é conferido pelo 5 pontos de avanço sobre o rival e os 100(!) golos marcados em apenas 26 jogos, o que titula a impressionante média de 3,84 golos por jogo.

Ora nessa altura um dos jornais mais importantes do país era o há muito extinto “O Século”. O seu director, João Pereira Rosa, entendeu que as receitas da exposição organizada pelo jornal para celebrar os 30 anos de futebol a sério em Portugal deveriam reverter para o móbil do evento: o futebol nacional.

Segundo as regras então definidas o primeiro clube a ganhar 3 campeonatos seguidos, 5 interpolados ou o que acumulasse mais títulos em 10 anos receberia a taça com o mesmo nome do jornal. Tratava-se de um imponente troféu, que as imagens documentam e cuja deslocação não era possível a apenas um individuo. Daí que, ao alcançar o primeiro tri o Sporting seria o primeiro clube a conquistar o tão apetecido troféu.

Este feito viria a ser repetido na época 1952/53, selando com réplica ligeiramente alterada do monumental troféu o segundo tri da sua história. Infelizmente tal significaria também o final do próprio troféu, apesar da imensa popularidade que este tinha no país futebolístico, certamente pela sua imponência e pelo significado implícito de superioridade  sobre os rivais.

Dizem as más linguas que tão súbito final se deveu ao facto de os seus criadores, os donos do referido jornal, serem benfiquistas e a a atribuição consecutiva do troféu aos rivais não ser propriamente um facilitador das respectivas digestões…

*Os campeonatos nacionais, no modelo competitivo que se realizam hoje, iniciaram-se na temporada de 1938/39. Viriam a substituir as competições iniciais como os Campeonatos de Portugal (1921/22-1933/34) e os Campeonatos da Liga (1934/35-1937/38).

Que regresse a Liga NOS!

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A Liga NOS regressou esta sexta-feira, após três semanas de ausência, com o empate entre o Nacional da Madeira e o Boavista na Choupana.  Foi o pontapé de saída para a oitava jornada. Por isso, vamos fazer um ponto de situação sobre o que se passou até agora no nosso campeonato.

FC Porto e Sporting lideram a tabela, enquanto o rival eterno Benfica está no quinto posto, com menos cinco pontos, mas também com menos um jogo disputado. Pelo meio dos “grandes”, encontram-se neste momento duas equipas: Rio Ave e Sporting de Braga. Os vilacondenses, orientados por Pedro Martins, continuam a ser das equipas que pratica melhor futebol e esta época só perderam um jogo, em casa frente ao Sporting. Tanto no campeonato como nas taças internas, o Rio Ave está bem e recomenda-se, sendo um dos favoritos a chegar às competições europeias da próxima temporada. Já os arsenalistas, sob o comando de Paulo Fonseca, também estão a ter um excelente início de época. Na Liga Europa contam por vitórias todos os jogos disputados, enquanto na Liga estão nos lugares europeus, em vésperas de um importante desafio, no Estádio do Dragão.

Na perseguição a estes lugares europeus, esperava-se que estivessem equipas como o Belenenses ou o Vitória de Guimarães, mas estes conjuntos estão a ter um arranque muito titubeante. Os vimaranenses estão mesmo a ter muitos pesadelos. Após terem sido humilhados pelo Altach na Liga Europa, já foram eliminados das duas taças e já trocaram de treinador. Sérgio Conceição já veio ocupar a vaga deixada por Armando Evangelista mas ainda não conseguiu acertar o passo dos jogadores, estando neste momento no 15.º posto da tabela. Já os “azuis” do Restelo têm estado bem na Liga Europa e talvez estejam a pagar essa fatura internamente. Já foram goleados duas vezes (6-0 na Luz e 4-0 no Dragão), têm a pior defesa e somam por empates a maioria dos encontros realizados.

Esta imagem mostra bem o que tem sido a época dos 2 rivais minhotos… Fonte: Facebook oficial do Sporting Clube de Braga
Esta imagem mostra bem o que tem sido a época dos 2 rivais minhotos…
Fonte: Facebook oficial do Sporting Clube de Braga

Voltando aos lugares europeus, vamos aos perseguidores. Neste momento, existem 4 equipas que estão mais perto de tentar entrar nesse lote: Estoril, Paços de Ferreira, Vitória de Setúbal e Arouca. Os “canarinhos”, dirigidos por Fabiano Soares, têm-me surpreendido pela boa organização evidenciada, tendo vendido bem caras as derrotas averbadas já este ano na Luz e no Dragão. Já o Paços está a reagir bem à saída de Paulo Fonseca do comando técnico. Jorge Simão montou um bom plantel, com muitos valores jovens, e tem dado passos seguros nesta campanha. O empate em Alvalade é um dos principais cartões de visita desta equipa, assente em vários elementos portugueses.

O Vitória de Setúbal é um caso insólito. Consegue estar no grupo das segundas equipas com mais golos marcados (14) e no grupo das segundas equipas com mais golos sofridos (12). Quer isto dizer que assistir aos jogos dos sadinos tem sido particularmente divertido e sinónimo de ver muitos golos, com destaque para Suk e André Claro, dois dos jogadores que têm estado em evidência neste arranque de época em Portugal. O Arouca tem novo treinador, Lito Vidigal, e que agradável é ver jogar esta equipa sem Pedro Emanuel. Os arouquenses têm agora uma organização defensiva mais acertada e uma filosofia de jogo mais entusiasmante e eficiente. A vitória em campo neutro frente ao Benfica logo na segunda jornada foi o ponto alto da época deste clube.

Já as equipas madeirenses têm tido alguns altos e baixos. Nacional e Marítimo estão bastante parecidos na tabela, apenas separados por um ponto. Ambas as equipas não mostraram ainda grandes argumentos para poderem lutar pelo acesso às provas da UEFA e antevejo que será muito difícil que lá cheguem nesta época. A outra equipa da Pérola do Atlântico, o União, tem apenas uma vitória em seis partidas mas por enquanto está a salvo na sua luta, a da manutenção. Apesar das dificuldades iniciais, penso que o Norton de Matos tem potencial para aumentar a qualidade exibicional do conjunto e, consequentemente, os seus resultados.

No Bessa continua a morar uma equipa sólida, aguerrida e bem organizada, uma das minhas preferidas nesta Liga. Petit manteve a espinha dorsal da temporada transata e já bateu o pé ao Sporting. Talvez a luta pela Europa seja uma utopia, mas também me parece quase certo que o Boavista não vai passar pelas aflições da permanência em maio de 2016.

Restam três equipas, as últimas três da tabela: Tondela, Moreirense e Académica. Penso que os beirões deram um tiro no pé com a contratação de Rui Bento. O Tondela tem um dos planteis mais fracos e penso que a contratação deste novo timoneiro não foi benéfica. Na minha ótica, a equipa precisava de um técnico que potenciasse o jogo ofensivo e que colocasse um estilo de futebol alegre, que me parece ser precisamente a antítese da ideia de jogo de Rui Bento. Já o Moreirense é, para mim, a grande desilusão a par do Vitória de Guimarães. Os cónegos são os únicos que ainda não venceram e Miguel Leal parece estar com dificuldades para encontrar um onze que lhe dê garantias, apesar de ter uma dupla bastante temível no seu setor ofensivo: Iuri Medeiros e Rafael Martins.

Finalmente, a Académica. Os “estudantes” já trocaram de treinador, tendo chamado Filipe Gouveia para o lugar do já mítico José Viterbo. Depois de 6 derrotas nos primeiros 6 jogos, os academistas venceram o Marítimo na última jornada e esperam continuar a senda na visita a Guimarães, num dos principais jogos desta 8.ª ronda, entre dois históricos que entraram muito mal na temporada.

Em suma, não podia haver melhor programa para o regresso do campeonato. Benfica-Sporting e FC Porto-SC Braga serão obviamente os pratos fortes da jornada, mas o Estoril-Rio Ave e o Académica-Vit. Guimarães também prometem chamar as atenções. Que role a bola!

Tello à espreita da inconsequência

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Ponto 1: o FC Porto passou em semana de exames. À vitória na Póvoa de Varzim, sem contestação e com um voluntarioso mas desinspirado Osvaldo, juntou-se a segunda vitória nesta edição da Liga dos Campeões. Como tinha escrito no último texto, o Maccabi mostrou ser imensamente inferior aos dragões, apesar de alguns calafrios (leves, levezinhos) causados à defensiva azul e branca. Tempo para o regresso aos golos de Aboubakar (que jogo fez ele… Outro!) e para o recorde de Rúben Neves, mais jovem capitão de sempre na Champions.

Ilações negativas também puderam ser retiradas. No meio do acerto coletivo que parece ter assentado de vez no Dragão, há algo que destoa. Uma intermitência, direi assim. Jesús Corona tem alternado jogos muito bem conseguidos com exibições altamente inconsequentes. Que ninguém se deixe enganar: tem fino recorte técnico e capacidade de explosão. Fisicamente, é frágil, mas quantos e quantos assim o são? Mas tem faltado fio condutor.

Contra o Maccabi Telavive, foi o elemento mais fraco da equipa. Tentou assumir jogo pelo corredor direito, mas acabou sempre por canalizar o jogo para os duelos individuais que raramente venceu. Mal na decisão, fez lembrar alguém que tanto critiquei na pré-temporada: Cristian Tello.

Precisamente, Tello. Na face oposta da moeda, o catalão foi, ainda que discutivelmente, o melhor em campo na Taça de Portugal. A primeira boa exibição do extremo emprestado pelo Barcelona na estação 2015/2016. Os Laivos de clarividência já tinha sido demonstrados frente ao Belenenses, onde atuou pouco tempo, confirmaram-se frente ao Varzim.

Corona foi muito inconsequente frente ao Maccabi Fonte: FC Porto
Corona foi muito inconsequente frente ao Maccabi Tel Aviv
Fonte: FC Porto

Coincidência? Talvez, mas a mais afortunada. Numa altura em que o FC Porto procura (e deve!) estabilizar níveis exibicionais mais do que satisfatórios, até a roçar o muito bom, é necessário que nenhum jogador dos onze que entrem de início esteja alguns furos abaixo dos outros. Missão complicada? Pois claro. Mas é a distinção das equipas de topo. Estará na hora de dar uma oportunidade a Tello? Diria que sim. Os predicados da época passada não terão, com certeza, desaparecido, e a qualidade está comprovada.

Nunca será uma decisão definitiva, até porque reconheço em Corona valor para ser titular no FC Porto. Mas há que testar. E pôr a jogar os melhores, ou, pelo menos, quem está melhor. É como nas seleções. Continua a falar-se castelhano.

Foto de Capa: FC Porto

O (nosso) direito à indignação

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Já procurei na memória e em arquivos exteriores, mas não encontrei, em nenhum dos casos, quaisquer semelhanças com o que tem vindo a ocorrer nas últimas três semanas. O ataque institucional – pois é consumado pela pessoa que é presidente do Sporting Clube de Portugal – de que o Benfica tem sido alvo por parte de Bruno de Carvalho não tem paralelo. Talvez por essa razão – o carácter de novidade do objecto –, são poucos os agentes com responsabilidades no futebol nacional a comentarem (condenando e travando) a enxurrada de absurdos e mentiras diariamente por si promovida, seja na primeira pessoa, seja através da misteriosa e profícua fonte anónima do edifício Visconde de Alvalade.

Seria perda de tempo rebater o que foi dito – era como comentar uma conversa a dois que decorresse numa sala trancada e sem janelas, onde estivesse, apenas e só, um único maluco. A minha opinião sobre a estratégia de Bruno de Carvalho está gravada num texto anterior: o uso falacioso e imoral de situações avulso e sem ligação com o objectivo de ascender e consolidar a sua liderança, beneficiando daquilo que a posição lhe dá, ao abrigo da rivalidade clubística mais primária. Pelos vistos, e por incrível que pareça, a coisa ainda resulta: não se condenem os ingénuos e os fanatizados; a proibição do autoritarismo fascista inscrita na nossa constituição não é mera formalidade.

Este período passará, tal como outros. Bruno de Carvalho, hoje investido como Génio da Revolução do futebol português, cheio de ideias e intenções, deixará, inequivocamente, uma marca. Porém, não serei eu, nem qualquer outro benfiquista, a futuramente ter de lhe pesar as virtudes e os defeitos. Quando sair de cena – tal como quando eu próprio ou o caro leitor sairmos de cena –, o Benfica continuará a ser o Benfica. E nem com recurso a toda a bibliografia ficcional dos Grimm (pese toda a qualidade na forma que se lhes reconhece), incluindo a capuchinho vermelho e um camião a abarrotar de tretas, a verdade se modificará: um clube é um clube, um empresário é um empresário e um bicampeão é um bicampeão.

Luís Filipe Vieira legitimado para defender o nosso clube da forma correcta Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Luís Filipe Vieira legitimado para defender o nosso clube da forma correcta
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Na minha última crónica, e com os dados na altura ao dispor, defendi o silêncio para o exterior (tal como fez, horas mais tarde, Luís Filipe Vieira) e, em simultâneo, uma reflexão interna, séria e transparente, sobre algumas das práticas que tanta polémica têm causado. Em democracia, haverá quem discorde: pessoalmente, caracterizo os tais vouchers e kits Eusébio como reveladores da grandeza do clube e do respeito por todos os intervenientes do jogo. Podem piratear a realidade como bem entenderem – Augusto Inácio, ex-glória do FC Porto e Sporting, consegue, por exemplo, comparar, sem se descompor, almoços e jantares com serviços de prostituição – mas esta questão diz apenas respeito ao Sport Lisboa e Benfica, ao seu todo, aos seus sócios e adeptos. Criar uma “caixa dourada” só poderá ser (mais) um contributo precioso para a promoção do produto, que se deve analisar e agradecer; essa cor, de resto, assentaria na perfeição no prestígio e memória universais do maior jogador português de todos os tempos.

Perante este ataque contínuo, o Benfica tem de ser defendido. É isso que sócios e adeptos exigem daquele que é presidente do nosso clube, eleito democrática e conscientemente (dois conceitos tão simples, que, a serem compreendidos, poupariam tempo a tanta gente!). Nos órgãos competentes, sem ruídos supérfluos, e com o devido respeito a que o seu cargo obriga. Todos terão a oportunidades de contestar o direito à indignação que nos assiste.

Um pequeno aparte: no meio do turbilhão acusatório de sentido único – que a vésperas do dérbi muitos insistem em transformar num diálogo que não aconteceu – o Benfica continua igual a si mesmo: as vitórias no voleibol, futsal, judo, basquetebol e hóquei em patins são próprias e naturais da maior potência desportiva e associativa do país. Que, no domingo, a regra se cumpra. Que continue a alegria pelas vitórias dos milhões de benfiquistas espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

A “Cobra” que nunca foi mais do que minhoca

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Há uns anos, (já perdi a noção do tempo – costuma-se dizer que quando é mau até o tempo custa a passar) o Sporting anunciava a contratação do melhor jogador do Peru. Aquilo era um jogador tão letal para os adversários que o apelidavam de “La Culebra”.

Com toda esta publicidade, e vindo para o Sporting, diz-me o bom senso que não deveria colocar grandes esperanças naquele jogador. Mas, como Sportinguista, tenho que pensar sempre que pode ser que seja desta…

O Homem começa a jogar, e em poucos meses percebe-se que o meu bom senso tinha razão. De cobra, só quando elas estão paradas e enroladas à espera de que a presa se chegue a elas. É que não saía dali nada… Ou melhor, dava para perceber que era um jogador com talento, mas só isso. E jogadores de talento há muitos, mas só os que aliam trabalho e vontade a esse talento conseguem voos mais altos.

Uma equipa que quer jogar todos os jogos para ganhar tem que ter todos os jogadores a trabalharem para um mesmo objectivo. Não se pode dar ao luxo de ter jogadores que mal correm, e só correm com a bola nos pés.

Podem vir dizer que este jogador em questão, tendo a bola nos pés, faz o que quer dos adversários; até pode ser verdade – com algumas reservas – neste ano, ou melhor, nestes últimos meses, porque daí para trás, 95% dos jogos eram sofríveis, sem o mínimo de objectividade.

Perdi a conta às vezes em que desesperei ao ver este jogador a perder-se com a bola, ou mesmo a sequer correr à bola, quando o jogo estava empatado ou com a sua (minha) equipa a perder.

Eu sempre disse cobras e lagartos (acho que não devia ter usado esta expressão num texto do Sporting e do jogador em questão, mas fica…) deste jogador, sempre disse que não servia ao Sporting, e sempre vi treinadores a apostarem nele… Nunca entendi porquê. Talvez nos treinos se esforce mais, ou talvez um treino não exija tanta dedicação. A verdade é que, até ao início desta época, este jogador pouco deu ao clube que apostou nele.

Por tudo isto, fiquei muito feliz quando ouvi a notícia de que ele (a cobra) não queria renovar, e, melhor ainda, queria ir para um dos rivais (ainda me deu mais vontade de rir). É que eu ia adorar ver adeptos de outros clubes a rejubilar ao roubar um jogador ao Sporting, e depois vê-los a insultar o mesmo jogador, pelas mesmas razões que tantas vezes o fiz.

Exceptuando a capacidade de drible, Carrillo pouco evoluiu até ao início desta época.
Fonte: supersporting.net

“Ah, mas contra nós até ia comer a relva…”. Pode até ser, mas um campeonato não se decide num jogo, e o facto de ele comer relva podia não dar em nada de mau para o nosso lado, como não deu para os nossos adversários em grande parte das vezes.

Dito isto, espero que esse senhor não renove, ou pelo menos que o nosso presidente não vá na cantiga dele (agora parece que já tem vontade de falar de renovações – treta), e o deixe ir para onde lhe apetecer. (Quem não se lembra de “Izmaylov”?).

Um jogador que ainda não demonstrou nada quer agora fazer imposições muito longe do que reflecte o seu real valor?

E, de grande jogador, ainda só tem o que o jornalismo português quer fazer dele, para ter mais uma forma de atacar o nosso presidente.

Dizer que o Sporting já devia ter renovado com o jogador? Renovar com um jogador que não é uma mais-valia? Só se o presidente tivesse enlouquecido… O que não me parece o caso.

Louco pelo Sporting, sim, mas muito racional quando chega a hora de decisões importantes. Mas, quanto a isso e ao facto de muitos virem dizer que os Sportinguistas deviam ter cuidado com um próximo Vale e Azevedo, poderei escrever numa próxima oportunidade… É de rir alto.

Portanto, cobras em hibernação constante não servem para nada, por isso que vá apanhar sol para onde quiser, e que leve o bando de cobras que o rodeiam, que vai ficar certamente muito bem acompanhado.

Fonte da foto de capa: sapo.pt

Gaming: Review – FIFA 16

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Na apresentação este FIFA continua a estar excelente, com uma enorme banda sonora, imensas licenças, muitos estádios e, a juntar à Barclays, a Bundesliga está também com apresentação original. O ambiente no estádio é fenomenal e pormenores são a cereja no topo do bolo numa apresentação em aspeto televisivo muito próxima da realidade. Na versão europeia temos os menus em português com os comentários em inglês. Mas será que tudo isto é suficiente para disfarçar o realismo e a diversão que se vinha a perder nas edições anteriores perante tal atletismo selvagem?

Este FIFA 16 é melhor que o seu antecessor, sem dúvida, mas também não deixa de ser uma espécie de filme onde as suas melhores partes tinham sido mostradas no trailer em forma de demo. Com uma melhoria significativa na jogabilidade e a classe das senhoras do futebol como bandeira eleitoral, este não é um FIFA do “joga bonito”, mas sim um FIFA, mais lento, que te obriga a pensar antes de executares uma jogada, que te devolve o prazer de jogar futebol virtual e onde o azul dos menus não esconde a falta de atenção que a maioria dos modos de jogo teve. O futebol feminino foi a grande novidade anunciada para este FIFA e onde o grande desafio seria oferecer uma experiência diferente, uma experiência onde o jogador sentisse que estava a jogar com uma Maria e não com um José. Essa experiência é bem conseguida e há de facto diferenças na jogabilidade quando se joga com as senhoras. Existe uma sensação de mais espaço, o campo parece maior, assim como a relação da baliza com a guarda-redes; a agilidade também é maior, certos movimentos são mais fáceis de executar, como mudanças de direção. Contudo, quanto ao nível da equipa em relação à dos homens, é como se de uma equipa de 3 estrelas se tratasse, e por isso muitos lances são mal executados por falta de qualidade no passe, remate ou força. Mas isso não é mau; é realista.

Cristiano Ronaldo é uma das estrelas do jogo
Cristiano Ronaldo é uma das estrelas do jogo

Se dentro de campo este é um modo de jogo com aspetos positivos, fora dele acaba por ser curto, com apenas doze seleções e duas formas de jogar em amigáveis e numa espécie de Mundial. Já online apenas podemos jogar nos amigáveis. No Ultimate Team houve uma grande melhoria: não só o jogo ganhou muito da nova jogabilidade e está mais lento, o que é excelente, como também ganhou um novo modo de jogo, o Draft, que veio dar ainda mais dinâmica a este tão popular modo. No Draft temos de pagar entrada, 15K ou 150 FIFA Points, fazer uma equipa na sua maioria de grandes jogadores, tendo assim a oportunidade de jogar com um Ronaldo ou até com um Ronaldo IF, e jogar num sistema de quatro jogos sem margem para derrotas ou empates, tentando obter o maior número de vitórias, onde quatro vitórias podem dar 27 jogadores raros e zero vitórias apenas três. Os prémios e os jogadores que nos calham nem sempre são os mesmos e isso permite que cada Draft tenha a sua própria história. No Pro Clubs nada foi alterado diretamente, havendo um total desprezo por este modo de jogo, o único que permite ao FIFA alcançar um nível de realismo nunca antes visto num simulador de futebol, pois jogado 11vs11 o Pro Clubs é futebol virtual no seu estado mais puro.

Contudo, a nova jogabilidade sente-se também neste modo de jogo. Melhorou a experiência e tornou a linha de aprendizagem maior mas mais gratificante. A juntar a estes três modos de jogo, as novidades no modo carreira com torneios de pré-época e treino individual dos jogadores, o regresso do FIWC, o modo “épocas online” individual ou a dois. Podemos dizer que há formas de jogar para todos os gostos, sendo que apenas o Ultimate Team teve uma melhoria significativa. Ainda assim, todos os modos de jogo ganham muito com a nova jogabilidade e essa jogabilidade é o caminho que a EA Sports deve seguir. Este é um novo caminho, e novo é notícia quando se trata de FIFA, mas é um novo caminho positivo com uma jogabilidade mais realista, uma curva de aprendizagem maior e no fim um sabor a futebol como já não estávamos habituados a ter.

Nota – 8.5/10

Testado na Xbox One

Artigo escrito por Raúl Faria da página ‘Somos Gaming

Sp. Braga 3-2 Marselha: Era preciso sofrer tanto?

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De olho na possibilidade de ter um pé já na fase seguinte, o Braga recebia o Marselha, uma equipa longe do que já foi, com um novo treinador e um início de época para esquecer.

E essa má fase do Marselha viu-se em campo. A equipa francesa mostra ser uma sombra do que já foi e praticamente viu jogar na primeira parte. Foi preciso chegar quase ao final da primeira parte para ver um remate. Do lado do Braga, a equipa continua a mostrar a boa forma em que está, praticando um bom futebol e dominando em pleno AXA o Marselha, ainda que sem resultados práticos. O nulo era o resultado. Um resultado que castigava os minhotos, que foram bastante superiores.

Na segunda parte, o ritmo baixou, e o Marselha subiu mais no terreno e equilibrou as coisas. Faltava ao Braga dar o golpe que derrubasse um Marselha já de si fragilizado. E o momento do golo não poderia ser mais emotivo. Hassan isolou-se e fez um belo chapéu, inaugurando o marcador. De seguida ajoelhou-se e apontou para o céu. O egípcio tinha recebido, ontem, a notícia da morte do seu pai e mesmo assim manteve o seu profissionalismo. Marcou e dedicou ao pai no momento mais emotivo no estádio AXA. Motivados por este golo, o Braga não baixou os braços e, enquanto Hassan saía, lesionado, debaixo de aplausos, Wilson Eduardo, num lance confuso, marcava o segundo, com dedicatória especial para Hassan. Festejavam os adeptos e no estádio já se sentia que a vitória não escapava.

Momento emotivo para Hassan Fonte: Facebook do Sporting de Braga
Momento emotivo para Hassan
Fonte: Facebook do Sporting de Braga

O Braga tinha uma vantagem de dois golos, e o Marselha pouco mostrava para contrariar. Parecia uma vitória tranquila mas o melhor estava ainda para vir. Num livre marcado de forma exemplar, o Marselha reduziu e os pupilos de Paulo Fonseca sentiram o golo sofrido, e aos 87 sofreram o empate. Sem merecer muito e quando poucos acreditavam, o Marselha chegava ao empate. Mas quando ainda se festejava o empate e já se lamentava por uma vitória que escapava, Djavan teve um lance brilhante, cruzou, Mandanda saiu em falso, e Alan apenas desviou e deu o triunfo justo da equipa que mais quis ganhar.

O Braga europeu a que estamos habituados a ver parece estar de volta. Nove pontos, cinco de vantagem para o segundo classificado e a próxima fase ali tão perto (e o primeiro lugar também).

A Figura:

Hassan – Um dia depois de saber da morte do seu pai, o avançado poderia não estar com cabeça para o jogo, mas foi profissional e decisivo. Fica uma bonita homenagem para o seu pai. Uma menção honrosa também para Alan, a grande referência deste Sporting de Braga, que continua com a mesma qualidade a que nos habituou.

O Fora-de-jogo:

Marselha – Esta equipa está longe dos tempos de glória. Outrora o Marselha apresentar-se-ia em Braga como uma equipa que deveria ser temida; hoje foi controlada pelos bracarenses. Está a ser um inicio de época para esquecer.

Foto de capa: Facebook do Sporting de Braga

Sporting 5-1 Skënderbeu: No aproveitar das fraquezas está o ganho dos audazes

porta

Com um onze titular muito semelhante ao que defrontou no passado Sábado o Vilafranquense no jogo da Taça de Portugal, Jorge Jesus deixou – exceptuando Rui Patrício – os habituais titulares no banco e na bancada para este jogo frente aos albaneses do Skënderbeu; demonstrando mais uma vez que esta competição europeia não é uma das prioridades leoninas para esta temporada.

Para além de elementos na equipa inicial, JJ mudou também o seu sistema habitual, optando por deixar Montero sozinho na frente e optando por um meio campo composto por Aquilani, Bruno Paulista e um regressado André Martins.

A equipa da casa entrou “mandona” em campo,dominando o jogo no meio campo adversário e com profundidade nas alas, fruto da irreverência de Carlos Mané e Matheus Pereira. Ainda assim, o Sporting expunha-se muito defensivamente e os albaneses aproveitavam estes poucos momentos para por em alerta a defensiva leonina. A primeira (dupla) oportunidade surgiu através de um passe a rasgar de Matheus Pereira, mas tanto Montero como André Martins viram sempre um defensor adversário negar o golo em cima da linha de baliza.

A expulsão do avançado albanês Salihi – outrora uma promessa de Football Manager – veio ainda facilitar mais a tarefa aos verde e brancos, mas até à passagem da primeira meia hora o Sporting apresentava os sintomas recorrentes do passado, começando os jogos com energia mas deixando-se adormecer e tornar o jogo aborrecido.

Mas a pouca habilidade dos albaneses foi mais forte do que a apatia leonina, e os leões beneficiaram de dois penaltis cometidos de forma infantil pelos defesas do Skënderbeu para ganhar uma diferença de dois golos com que se chegou ao intervalo.

Dos primeiros quarenta e cinco minutos do encontro, a conclusão que se retirava era que o resultado era bastante melhor do que a exibição realizada. Para além de alguma apatia e lentidão de processos, faltava também companhia a Fredy Montero, por vezes isolado numa ilha sem a companhia de André Martins, que muitas vezes descaía para alas para jogar em triangulações com Matheus e Mané.

A segunda parte trouxe um Sporting à semelhança dos primeiros minutos da primeira parte, com muita iniciativa de jogo e desta vez com uma novidade, muito mais vontade de testar o guardião Shehi; criando algumas oportunidades para dilatar ainda mais o marcador frente a uma equipa bastante limitada.

Matheus Pereira voltou a estar em grande Fonte: Facebook do Sporting
Matheus Pereira voltou a estar em grande
Fonte: Facebook do Sporting

O treinador leonino não quis que equipa leonina adormecesse de novo e decidiu mexer na equipa e na táctica, optando por tirar André Martins e dar mais corpo ao ataque com a entrada de Islam Slimani, passando os leões a jogar na sua táctica habitual. A estratégia teve efeitos imediatos, com dois golos em cinco minutos, ambos de cabeça e ambos apontados por jogadores da formação: Matheus Pereira e Tobias Figueiredo.

O grande momento da partida surgiu aos 74′, cruzamento de Gelson a partir do lado direito e Matheus Pereira, de forma acrobática a fuzilar o guardião da equipa visitante. Foi o segundo jogo consecutivo a bisar para o jovem brasileiro, mostrando que chegou à equipa principal disposto a ficar e tornando-se assim em mais uma aposta de Jorge Jesus neste Sporting.

O jogo chegou ao fim de forma calma mas nao sem o golo de honra albanesa. O central Jashanica acabou por cabecear sem oposição e sem hipóteses de defesa para Rui Patrício.

Uma vitória sem grande dificuldade por parte do Sporting e uma goleada que demonstra mais a fragilidade desta equipa do Skënderbeu do que uma grande exibição leonina. Foi uma boa segunda parte a realizada pelos leões, e a entrada de Slimani contribuiu para uma maior capacidade ofensiva, mas muito desta goleada é um castigo para uma defesa tão infantil e um ataque tão inexpressivo.

A Figura

Montero – O “avioncito” dos leões fez uma exibição ilustrativa da sua qualidade e que fez esquecer o jogo menos conseguido de sábado na Amoreira. Golos, assistências e uma enorme entrega ao jogo deram uma cor diferente ao jogo leonino. Fica aqui também a menção honrosa para o grande jogo realizado por Matheus Pereira.

O Fora de Jogo

FC Skënderbeu – Uma equipa muito fraca, sem rotação para um Sporting a meio gás, o que demonstra a parca qualidade desta formação albanesa. Duas grandes penalidades cometidas por erros básicos foram apenas o início do descalabro e da goleada do Sporting.

Herrera? Para quê, Pedro?

hic sunt dracones

Na passada segunda-feira, o meu colega Pedro Morais aproveitou a primeira intervenção neste espaço para relembrar a ausência de Herrera. Ora, numa altura em que o FC Porto está em primeiro lugar no campeonato e na Liga dos Campeões e, para além disso, tem um meio-campo com elementos que jogam e fazem jogar… Para quê relembrar Herrera?

Bem, sem dúvida alguma que a ausência de Herrera numa eliminatória da Taça de Portugal contra o Varzim acaba por ser um pouco estranha. Longe de mim menosprezar o Varzim, ora essa! Mas seria de esperar que o treinador português desse minutos a alguns jogadores menos utilizados, como aconteceu com Tello ou Bueno, por exemplo. Mas não foi só a ausência de Herrera que se notou. Sérgio Oliveira também é um caso de estudo depois de ter dado tanto nas vistas durante o verão.

Ora, Herrera? Para quê, Pedro? Deixa estar o mexicano sossegado onde ele joga melhor: no banco ou na bancada. Creio que o facto de ter sido um dos homens-chave da época transata se prende mais com a necessidade de o colocar na “montra” para que algum clube se chegasse à frente. Mas não é de estranhar que tal não tenha acontecido. Mesmo que Herrera continue a evidenciar-se na seleção, pelo que muito se diz por aí.

Posso relembrar, por exemplo, o empate do México contra a Argentina há um mês atrás. Há um lance fabuloso criado pela Argentina em que Herrera faz aquilo que sabe fazer melhor quando se trata de defender: fica a olhar para a jogada à espera do desfecho da mesma. A jogada acaba por não dar em nada, e um minuto depois… Golo de Herrera! E com isto fica-se a pensar que ele protagonizou uma grande exibição!

Num cinema perto de si Fonte: http://adroherrera.blogspot.pt/
Num cinema perto de si
Fonte: adroherrera.blogspot.pt

Já agora, fica também aqui um vídeo de grandes momentos do Herrera, onde se pode apreciar tudo o que de bom o mexicano faz. Talvez o grande problema seja mesmo a bola ser redonda…

Pedro, compreendo quando dizes que o mercado de transferências é um dos grandes fatores que colocam Herrera no banco. Mas, tendo em conta que o homem já leva tantos anos de casa e que se assumia como figura chave do FC Porto de Lopetegui, o mercado de transferências não pode, de forma alguma, servir de base para explicar a ausência de Herrera do onze titular. Herrera está no banco porque é muito mais fraco do que Imbula e André André. E, ao ser fraco, não consegue superiorizar-se a nenhuma destas figuras. No futebol jogado, não são os milhões que falam mas sim o que cada jogador oferece, a cada momento, à equipa.

De forma muito simples é possível dizer que Herrera jogou tantos jogos o ano passado porque era suposto sair neste defeso. Não saiu? Então temos de pensar duas vezes em colocá-lo na equipa neste ano… É que urge ganhar títulos, e com o mexicano estamos sempre mais longe de conseguir. As contas são fáceis de fazer. Coloca-se os melhores jogadores, estamos mais perto de ganhar.

O que seria do FC Porto com Herrera e sem André André? Fonte: Facebook FC Porto
O que seria do FC Porto com Herrera e sem André André?
Fonte: Facebook FC Porto

Mas Herrera é mau? Não… Herrera não é mau. Mas é preciso contextualizar isto! Herrera não é mau num futebol sul-americano de correrias desenfreadas, de futebol vertiginoso e menos pensado. Um futebol onde há mais espaço para jogar, onde as coberturas são poucas. Contra equipas onde tenha espaço para jogar e para dominar a bola ao terceiro toque, Herrera evidenciar-se-á. No futebol europeu? Dificilmente.

Pedro, faz-me um favor e deixa-o estar sossegado. Ou ainda não sabes que os cristãos portuenses já rezam “(…) mas livrai-nos do Herrera, ámen”? Nem faças questão de o voltar a mencionar e deixa-o descansado onde está! Ou então chama-me para o levar ao aeroporto. Sou o primeiro a ir contigo, e depois pago-te uma Super Bock!

Foto de capa: FC Porto