Falta de ideias a nível ofensivo e insegurança no setor recuado: foram estas as duas lacunas que mais me saltaram à vista após a (suada e obrigatória) vitória frente ao Nacional na passada segunda-feira. Pois bem, a confirmar-se, o regresso de William Carvalho, ainda que precise de ganhar ritmo competitivo, vem solucionar qualquer um dos problemas que acabei de referir.
William é um jogador incrível e, naturalmente, bastante difícil de substituir. Ora, a lesão que sofreu no europeu de sub-21, veio dificultar e muito a vida ao treinador do Sporting, Jorge Jesus. O ex-treinador do Benfica tentou de tudo um pouco: Adrien Silva, que até foi o que melhor desempenhou a função; Aquilani, este denotando uma clara falta de ritmo competitivo e, ainda que em ocasiões excecionais, o próprio João Mário.
William, na imagem (ao meio) partilhou esta semana nas redes sociais o final da sua recuperação. Fonte: Facebook Oficial de William Carvalho
O “Regresso do Rei” vai colmatar, desde já, os dois problemas que referi anteriormente. Em primeiro lugar, William vai trazer mais consistência defensiva à equipa devido às suas características: é um jogador que raramente perde a bola na 1.ª fase de construção e tem ainda excelente capacidade de desarme. Em segundo lugar, e quase como consequência do primeiro, a equipa vai soltar-se mais a nível ofensivo e o próprio William, como aliás demonstrou no europeu de sub-21, pode ajudar na manobra ofensiva.
Em jeito de conclusão, penso que o regresso de William vai fazer com que a qualidade de jogo da equipa do Sporting seja substancialmente melhor. Como se costuma dizer na gíria futebolística, “vão jogar mais e melhor”.
Fonte Foto de Capa: Facebook Oficial de William Carvalho
O mundo do futebol tem nomes míticos que nunca ganharam a glória olímpica. São nomes que perduram através de estórias faladas nos cantinhos secretos dos adeptos. Normalmente, passam à história acontecimentos que nunca foram, mas, a língua; a imaginação e o amor-ódio que esse tipo de personagens gera provocam uma lenda mais que romanceada onde esse tipo de personagens parece muitas vezes super-homem. Na parte final da década dos anos 60 apareceu como um furacão no mundo do futebol português um senhor nascido em Monção. Era um perfeito desconhecido. Não era recordado, nem referenciado como ex-jogador. Não pertencia, portanto, ao sistema dos que têm crédito na sua bagagem. Sabia-se que estivera enrolado na Marinha Mercante. Sabia-se que realizara o velho curso de treinadores comandado por dois nomes sagrados como eram Fernando Vaz e José Maria Pedroto. Sabia-se isto e um pouco do que podia transcender da orientação de um clube clássico, querido e com velhas lutas na sua camisola, mas, que abandonara a competição no meio dos grandes chamado Oriental. Esse senhor chamava-se Joaquim Meirim e revolucionou o futebol português.
O Varzim, pela visão do seu presidente, entregou a equipa ao desconhecido Joaquim Meirim. Eu era mais menino que moço e tinha no Varzim um jogador que seguia desde os seus tempos de benfiquista: Benje. Era um guarda-redes que lutou para fazer-se com a baliza do Benfica, mas, teve que emigrar e deixar o seu clube. Era um excelente guarda-redes, mas, nem todos os que são um cofre de capacidade, conseguem vingar. O Meirim chegou à Póvoa do Varzim e revolucionou esta equipa de segunda linha. Os seus métodos de treino “assustavam” e eram novidade. Benje agigantou-se e mostrou sobradamente a sua capacidade. Mas, os jornais começaram a falar e a falar do treinador que inovara desde a forma de treinar os guarda-redes até à preparação física dos jogadores. Conta-se uma lenda desmentida pelo Benje na qual se dizia que o Meirim para estimular e exercitar os reflexos dos jogadores soltava galinhas no campo… Meirim unicamente começou a fazer que os guarda-redes se estirassem e se lançassem nos treinos como se realmente estivessem a defender remates. Conta-se que num destes treinos simulados o guarda-redes ficou estático; Meirim inquiriu porque não se tinha lançado. O guarda-redes respondeu com serenidade:” mister: porque desta vez a bola passou ao lado da baliza…”
O homem que revolucionou o futebol português
As hoje famosas e inovadoras pré-épocas feitas em Los Angeles ou na China por motivos comerciais, não representam nenhuma inovação se pensamos em Joaquim Meirim. Começou a levar os jogadores para a praia e para a montanha. Não tendo à mão os elementos que hoje qualquer clube tem, utilizava pedras; arvores para fazer musculação no meio das matas. Fazia motivação individual aos jogadores provocando que conseguissem desenvolver no campo capacidades superiores. Meirim não saia das manchetes dos jornais desportivos. Começou a ser conhecido como o Helénio Herrera português. O campeonato do Varzim foi brilhante e o naquela altura quarto grande de Portugal, o Belenenses, chamou-o. As reportagens sobre os treinos individuais que lhe fazia ao ex-benfiquista Camolas foram espetaculares, mas, assim como a ascensão fora meteórica, a queda foi acelerada.
O fracasso no Belenenses foi rotundo e com chicotada psicológica incluída. Joaquim Meirim além de treinador era um militante político. Estava filiado no Partido Comunista e começou a ter lutas, mais ou menos encarniçadas, com o sistema estabelecido no mundo dos treinadores. Enfrentou-se aos seus ex-professores José Maria Pedroto e Fernando Vaz. A sua carreira começou a carecer de oportunidades. No entanto, viveu mais uma aventura que o reivindicou como bom e diferente treinador: subiu à 1ª divisão o Estrela da Amadora. Acabou a destempo no Desportivo de Beja. Despois, aos sessenta e seis anos deixou o mundo dos vivos e deixei-o de ver na sua tertúlia no Café Mexicana onde estava presente, também, outro homem do futebol: o sportinguista Juca. Com Meirim nasceu outra preparação em Portugal. Não subiu ao pódio dos campeões, mas, as novas técnicas abriram as janelas de par em par e arrombaram portas e portões.
Após um início de campeonato vitorioso, o campeão Barcelona caiu com estrondo à quinta jornada, ao ser goleado às mãos de um surpreendente Celta de Vigo, que ainda não conheceu o sabor da derrota e partilha agora a liderança da Liga Espanhola com o Real Madrid e o Villarreal, os principais beneficiados da 5ª jornada, a par do Atlético Madrid. Em má situação está o técnico português Nuno Espírito Santo, que não vê modo de colocar o seu Valência de novo na rota das vitórias.
O Celta de Vigo, que tem em Nolito a sua principal arma (e que início de temporada está a realizar o extremo espanhol!), recebeu os atuais campeões em título no Estádio Balaídos e valendo-se da inspiração do ex-Benfica e de Iago Aspas conseguiu conter o futebol blaugrana e até, num surpreendente resultado, golear o Barcelona por 4-1. A turma de Eduardo Berizzo executou uma partida perfeita a todos os níveis e não se limitou a defender, pois conseguiu pôr em prática o seu próprio ritmo de jogo e foram vários os momentos em que o perigo rondou a baliza de Ter Stegen. Após ter alcançado o oitavo posto no campeonato da época transata, o conjunto galego apresenta-se, este ano, como um potencial candidato aos lugares de qualificação para as competições europeias.
Outro dos pontos principais, que já era percetível, mas que este resultado demonstrou de uma forma mais clara é o facto do plantel do Barcelona ser curto para todas as frentes que o clube disputa. Os blaugrana contam com um “onze” de causar inveja nos seus rivais, porém os jovens produtos da cantera que tem na equipa não são suficientes para colmatar a ausência das suas maiores estrelas como Messi, Suárez, Neymar, Iniesta, Rakitic, Busquets ou Dani Alves. A lesão de Rafinha veio agravar esta situação, a juntar ainda ao facto de Arda Turan e Aleix Vidal só poderem entrar nas contas de Luis Enrique a partir de janeiro, consequência do castigo aplicado pela FIFA aos campeões espanhóis e europeus. De salientar, embora as vitórias conseguidas até então, ainda não se viu o Barça a exprimir todo o seu futebol como sucedia na época anterior.
Mais uma vez, Griezmann decisivo no triunfo colchonero Fonte: Facebook do Atlético
Quem saiu beneficiado foi o Real Madrid, que após empatar na primeira jornada tem sido sempre vitorioso, nesta jornada com um triunfo difícil em casa do Athletic Bilbao por 2-1 (golos da autoria de Benzema), razão pela qual se encontra na liderança da liga. Cristiano Ronaldo já encontrou o caminho dos golos, a equipa já mostra um futebol coeso, fluído e com o sentido ofensivo desejado. Nem as lesões de Gareth Bale e James Rodríguez têm causado dores de cabeça a Rafa Benítez, que tem no plantel Isco e Kovacic, médios que têm correspondido quando promovidos à titularidade. Com os bons resultados dos merengues, também as críticas que anteriormente choviam em direção de Benítez têm-se dissipado.
Por seu turno, o Villarreal, que nesta 5.ª jornada foi vencer ao terreno do Málaga (1-0), continua o bom trajeto que tem realizado até então, com quatro triunfos e um empate, o que vale a liderança partilhada do campeonato com Real Madrid e Celta de Vigo. Já o Atlético Madrid, que apenas perdeu face ao Barcelona, tem em Griezmann o segredo de várias das suas vitórias e o talentoso francês voltou a provar , nesta jornada, ser a maior arma atacante de Diego Simeone, ao ter apontado os dois golos que garantiram o triunfo dos colchoneros diante do Getafe.
Quem tem surpreendido pela negativa é o Valência de Nuno Espírito Santo. O conjunto che só por uma vez venceu na liga e nesta ronda sofreu um desaire na deslocação ao Espanyol, ao ser derrotado por um golo sem resposta. Tal é o descontentamento dos adeptos que os lenços brancos e as tarjas a pedir para o técnico luso abandonar a equipa já se fazem sentir ao redor do Mestalla. Espírito Santo terá mesmo que encontrar uma solução para pôr o clube de volta à rota dos triunfos, se não quer ver o seu projeto terminado no início do segundo ano ao comando da turma valenciana.
O Sevilha também não se tem dado bem no início de época. Os andaluzes ocupam o último posto da Liga Espanhola, situação à qual não estão habituados. Nesta jornada, os atuais detentores da Liga Europa perderam com o recém-promovido Las Palmas (0-2) e agravaram a sua crise de resultados a nível interno: dois empates e três derrotas é o saldo do conjunto de Unai Emery no campeonato. Destacar também o mau arranque do Málaga, que partilha o fundo da tabela com o Sevilha, sendo que o ponto que mais salta à vista na equipa do La Rosaleda é o facto de ainda não ter conseguido marcar qualquer golo em cinco partidas.
Noutras partidas da 5ª jornada, a Real Sociedad foi ao terreno do Granada vencer por 3-0, com o hat-trick de um inspirado Agirretxe, o Rayo Vallecano (com Bebé a titular) triunfou por 2-1 ante o Gijón e o Deportivo (com Luisinho a atuar de início) ganhou ao recém-promovido Bétis por 2-1. Já o surpreendente Eibar viajou até ao terreno do Levante para empatar a dois golos.
Jogador da Semana:
Nolito (Celta de Vigo) – O extremo espanhol continua em alta rotação e deu o mote para a goleada do Celta de Vigo diante do Barcelona, ao apontar o primeiro golo da partida (e que golo!) e com uma tremenda exibição. O ex-Benfica leva já cinco golos e outras tantas partidas na Liga Espanhola e tem assinado exibições de elevado nível, o que faz com que equipas de topo, entre elas o Barcelona (no qual Nolito foi formado), tenham já manifestado o interesse na sua contratação.
Treinador da Semana:
Eduardo Berizzo (Celta de Vigo) – Após uma primeira época ao serviço do Celta de Vigo na qual alcançou o oitavo posto da Liga Espanhola, o técnico argentino e o seu conjunto continuam a surpreender, encontrando-se de momento no topo do campeonato, após golearem merecidamente o campeão Barcelona. Berizzo tem a sua equipa a praticar um futebol de qualidade e certamente que terá uma palavra a dizer nos lugares europeus do campeonato.
Jogo inicial da sexta jornada, o Moreirense-Porto vem no rescaldo de uma semana complicada para os Dragões e na antecedência de um jogo também complicado para os azuis e brancos frente ao Chelsea. Como tal seria de esperar que Lopetegui mexesse no onze inicial tal como se confirmou. Foram titulares Danilo, Herrera e a surpresa da noite – Osvaldo.Confesso que esperava mexidas na ala mas Lopetegui optou por deixar Brahimi e Corona como titulares, talvez para ganharem rotina juntos.
Moreirense começou pressionante mas depressa o Porto conseguiu tomar conta da bola sempre com André André a pautar e a pensar o jogo. As linhas do Porto continuam afastadas de resto um aspecto que nunca entendi se por filosofia de jogo de Lopetegui ou por achar que a equipa assim fica mais sólida já que os centrais não são muito rápidos nem tecnicistas.
Com linhas afastadas ou não o Porto lá tomou conta do jogo e foi trocando a bola no último terço do campo, obrigando o Moreirense a saídas precipitadas de bola e a faltas. Numa destas faltas Maicon aos 18’ marcou um grande golo de livre coroando o bom inicio de época do central portista. Com o golo os azuis e brancos ganharam espaço para circular a bola no miolo do terreno mas sem fazer grande perigo. À semelhança da maioria dos encontros o Porto controla o jogo mas não cria grande perigo! Aos 25’ alguma emoção no jogo, Osvado recebe e roda bem e remata à baliza se Stefanovic. Primeira grande oportunidade do avançado marcar no campeonato.
Nas alas subsistiu um problema que houve contra o Benfica – Corona pouco prático e algo desaparecido e Brahimi a centralizar demais o jogo ainda que não tanto como no último jogo. A partir da meia hora de jogo o Moreirense equilibra mais o meio-campo e uma má recepção de bola de Herrera foi “brindada” com assobios o que não ajudou ao já intranquilo jogador. Perto do intervalo Brahimi pede a substituição e Varela vai a jogo – não são boas noticias para os portistas. Da primeira parte só falta apontar um bom cabeceamento de Maicon num canto. André André e Maicon foram os mais esclarecidos no primeiro tempo numa equipa que, por mais posse de bola que tenha, continua pouca esclarecida quando se encontra à entrada da área.
A segunda parte começou de forma semelhante à 1.ª mas na primeira jogada de perigo do Moreirense uma boa triangulação deu o empate à equipa de Moreira de Cónegos. Tudo igual no marcador e 40 minutos pela frente. Os Dragões aumentaram a velocidade de jogo e deram profundidade ao seu jogo mas sem criar perigo. Faltava acutilância no ataque e como tal Lopetegui fez entrar Tello aos 58’ substituindo Herrera. Alteração táctica do Porto que passava a jogar com André André mais próximo de Danilo e recuando Corona para terrenos no meio-campo. Arriscava mais o Porto e tentava aproveitar o contra-ataque o Moreirense.
A partir dos 65’ o Porto apoderou-se do meio-campo do Moreirense e aos 68´Corona teve o golo nos pés mas a mancha de Stefanovic evitou o golo. Não havia a referência Aboubakar no ataque mas Osvaldo lutou por ganhar bolas entre os centrais, não recuando tanto no terreno e por isso ficando sujeito às marcações apertadas dos centrais.
André André voltou a brilhar pelo FC Porto Fonte: FC Porto
Depois da retirada de um médio (Herrera) eis outra surpresa do treinador espanhol – sai Marcano (passa a jogar com 3 defesas) e entra Aboubakar. Era o tudo por tudo quando faltavam menos de 15 minutos para os 90’. Tanto jogador no ataque e na grande área deu frutos muito rapidamente: Corona marca dentro da grande área. Faltavam 10 minutos para o final do jogo.
O jogo animou ainda mais e aos 81’ Osvaldo fica a centímetros do golo, golo que merecia pela luta que teve com os centrais adversários. Aos 83 minutos foi a vez de Casillas brilhar com uma boa defesa para canto. Convém lembrar que neste momento o Porto jogava com Danilo a central, André André a médio defensivo e o meio-campo era composto por Corona e Aboubakar.
Subiu de produção o Moreirense e o empate surge aos 87’ com um grande cabeceamento de André Fontes. Já não havia tempo para mais este não era um jogo de sorte para os portistas.
O FC Porto teve bola mas foi inconsequente; faltou profundidade (Brahimi e Corona são dois falsos extremos) e devia ter dilatado a vantagem ainda na primeira parte e ter estado mais coeso na defesa depois do 2-1. Esta falta de coesão vê-se nestes jogos fora quando o adversário também quer ganhar pontos e pressiona a nossa defesa. Fica um sabor amargo deste jogo. É neste tipo de encontros que se ganham e perdem campeonatos.
A Figura:
André André – Continua a ser o mais esclarecido da equipa
O Fora-de-Jogo:
Falta de coesão defensiva – A jogar contra o penúltimo e com 10 minutos para o fim não se pode permitir um golo daqueles. Mais do mesmo fora de casa.
Costuma dizer-se, entre os adeptos de futebol, que só a partir da 5.ª jornada da Primeira Liga é que o campeonato começa a entrar nos eixos. É assim que se refresca o calor da euforia de uma liderança isolada à segunda jornada, acalmando as expectativas dos adeptos menos informados sobre esse assunto tão culturalmente importante que é o “da bola”.
Esta edição da liga não poderia ser mais “informativa” nesse sentido, pois muito se decidiu na 5.ª jornada e, estima-se, terá efeitos no longo prazo. Desde logo, em Setúbal, o Vitória local empatou com o de Guimarães a 2 bolas, mesmo jogando com um elemento a menos durante mais de 90 minutos (incluindo descontos – Fabio Pacheco foi expulso ao minuto 1), o que acabou por ditar a saída do técnico Armando Evangelista, há muito contestado, e a entrada de Sérgio Conceição para o seu lugar, o que vem apimentar, e de que maneira, o dérbi minhoto da jornada 6, pois para além do efeito chicotada psicológica que os jogadores vitorianos deverão sentir, Sérgio Conceição treinou o rival Braga na temporada passada, e os arsenalistas encontram-se num excelente momento de forma, depois de baterem, por 5-1, o Marítimo.
As demissões de treinadores não ficaram por aqui. José Viterbo, treinador da Académica, também saiu do comando técnico dos estudantes, depois da derrota com o Boavista, em casa, por 2-0. Resta saber como reagirão os estudantes sob o comando de Filipe Gouveia, novo treinador, em Vila do Conde, frente a um Rio Ave moralizado, depois de bater, de forma clara, o Paços por 3-0, acercando-se dos lugares europeus… à semelhança do Estoril, que também venceu fora – 1-0 em Tondela. Os canarinhos terão no jogo com o União (empatou a zero em casa, com o Arouca) uma hipótese de prolongar o bom momento, os pacenses e os tondelenses quererão dar a volta ao mau resultado obtido na ronda anterior, apesar das difíceis deslocações que terão pela frente (Benfica e Marítimo, respectivamente), tarefa de um nível de dificuldade semelhante ao do Boavista, que para manter os bons resultados terá de pontuar, em casa, frente ao Sporting, que venceu o Nacional por 1-0, num golo no último suspiro do encontro, com Montero a servir de herói para os leões e de carrasco para os madeirenses, que quererão manter a boa performance protagonizada em Alvalade na recepção ao Vitória de Setúbal.
André André festeja um golo que se pode vir a revelar-se importante Fonte: Facebook do FC Porto
Também o Belenenses quererá manter os bons desempenhos em Arouca, depois da primeira vitória na Liga, imposta ao Moreirense de forma clara, por 2-0, equipa que irá ver-se a braços com uma tarefa complicadíssima. É que os cónegos irão receber um Porto que deixou um dos rivais directos na luta pelo título a quatro pontos, num jogo decidido perto do final, numa jogada de génio, finalizada, de forma sublime, por André André. O médio-centro demonstrou que a boa exibição em Arouca não fora um acaso e sentenciou o clássico frente ao Benfica com o único golo do encontro, coroando, assim, uma enorme exibição.
Restam 29 jornadas, mas já se começam a delinear distâncias… e horizontes.
Treinador da jornada:
Fabiano Soares – A pouco e pouco, o Estoril vai subindo na classificação e já se encontra em lugares europeus, perdendo apenas para os grandes, somando vitórias nos restantes encontros. Frente ao Tondela, Fabiano Soares soube dispor bem a sua equipa em campo e reagiu, quando foi preciso, devidamente, depois da expulsão de um jogador seu.
Antes e durante do jogo, soube ler a realidade que este ia ditando e reagiu às imprevisibilidades de forma a que não comprometesse três pontos tão preciosos quanto difíceis de arrancar.
Jogador da jornada:
André André – No momento em que Varela ganha a bola para o colocar frente a Júlio César já tinha a certeza de que a bola iria entrar e que um dos seus sonhos de criança se iria cumprir. Estava escrito no destino e visualizado no seu imaginário de miúdo que iria, um dia, decidir um clássico. E assim foi. Um golo sublime a culminar uma jogada colectiva fantástica, que também teve o condão de coroar uma exibição aguerrida do centro-campista do FC Porto.
Se, antes de a Serie A começar, alguém dissesse que a Juventus à 5ª jornada só teria 5 pontos e que o Inter venceria todas as partidas, apelidaríamos essa pessoa de sonhadora, louca ou diríamos que esta não perceberia nada de futebol. Felizmente não existem certezas dentro dos relvados e este seria o prognóstico certo!
Alguém acreditaria que a Vecchia Signora de Pogba, Mandzukic, Cuadrado, Marchisio, Morata, Khedira, Buffon e companhia perderia tantos pontos? Não. Mas o futebol é imprevisível e em 5 jogos a Juventus apenas venceu à 4ª jornada, em Génova, por 0-2.
Depois de três jornadas a desiludir, a equipa de Alegri deslocou-se ao Luigi Ferraris e trouxe os 3 pontos, fazendo toda gente pensar que seria o regresso à normalidade, juntando a este triunfo a vitória a meio da semana em Manchester frente ao City, com grande categoria.
Engano puro! Na partida da 5ª jornada, a Juve recebeu ao Frosinone, último do campeonato com 0 pontos, e voltou a fazer uma partida medíocre e a ceder mais dois pontos. O lanterna vermelha marcou muito perto do fim e anulou o golo de Zaza, apontado no início da segunda parte. Massimiliano Alegri ainda não arranjou um onze base e a sua rotação não tem ajudado a estabilizar a equipa e, neste momento, já se encontra a 10 pontos do líder invicto… o surpreendente Inter de Milão.
O golo de Zaza não foi suficiente para a Juventus vencer em casa o Frosinone Fonte: Facebook oficial da Juventus
O conjunto orientado por Mancini continua imparável, tendo do seu lado aquilo a que muitos chamam a “estrelinha de campeão”. Soma por vitórias todos os jogos e sempre pela margem mínima. Tem apenas um golo sofrido, no único jogo que não venceu por 1-0, em Carpi, à 2ª jornada. Nesta 5ª jornada, recebeu e bateu o Hellas Verona com um golo solitário de Felipe Melo, após canto. A “estrelinha” Nerazurri esteve bem patente neste jogo pois segundos antes de o brasileiro fazer o tento decisivo o Hellas esteve bem perto do golo, com Sala a rematar à barra.
Logo a seguir ao Inter de Milão vem a Fiorentina, de Paulo Sousa, que voltou a vencer. Desta vez, a vítima foi o Bolonha, com golos de Błaszczykowski e Kalinic. Mais uma exibição consistente dos Viola, que começam a sonhar. Aliás, Paulo Sousa disse esta semana que não sabe até onde esta equipa pode ir. Um Scudetto? Ninguém os pode impedir de sonhar e as performances até ao momento dão confiança para o futuro. São 4 vitórias e um deslize em Torino, fruto de 20 minutos de desconcentração.
Inter e Fiorentina são os dois líderes e vão medir forças no domingo. Haverá novo líder ou continuaremos com um líder invicto?
O outro grande destaque da Serie A é o Sassuolo, que é o 3º classificado, com 11 pontos, e também ainda não perdeu na competição. Nesta jornada a meio da semana foi a casa do Palermo vencer com um golo de Floccari, sendo que na jornada anterior tinha ido a Roma empatar com a equipa de Totti.
Por falar nos romanos, é de destacar mais uma jornada sem vencer, depois do tal empate caseiro. A deslocação à Sampdoria trouxe a primeira derrota no campeonato, num jogo onde uma asneira de Manolas (auto-golo ridículo) deitou tudo a perder. Éder Martins, o melhor marcador do campeonato, abriu a contagem, mas Salah viria a empatar o jogo. Só que, ao cair do pano, o grego entregou o ouro ao adversário e atrasou a Roma na perseguição ao Inter. O conjunto de Rudi Garcia está no 8º posto, com 8 pontos. A Sampdoria está no grupo dos quartos classificados, com 10 pontos, juntamente com Torino e Chievo.
Neste jogo esteve a grande atração desta jornada para os portugueses. Pedro Pereira, lateral, de 17 anos, que este ano assinou pelo clube de Génova, foi novamente titular e esteve em bom plano nesta partida, frente a Salah e companhia. É o segundo jogo completo do miúdo, que vestiu a camisola do Benfica até à época transata. Grande surpresa, este Pedro Pereira, com um futuro brilhante à sua frente!
Pedro Pereira, menino de 17 anos, em ação frente à Roma Fonte: Facebook U. C. Sampdoria
Por falar em portugueses, é de destacar negativamente Bruno Fernandes, que foi expulso (92’), na receção da “sua” Udinese ao AC Milan. O jogo terminaria a 3-2 para os milaneses, na partida que marcou o regresso de Balotelli aos golos (e que golo!), num livre direto, aos 5’. Giacomo Bonaventura e Cristian Zapata iriam colocar o resultado em 0-3 antes do intervalo, mas, no segundo tempo, os da casa iriam assustar. Manuel Iturra e Dúvan Zapata reduziriam, mas seria insuficiente. O AC Milan levou os 3 pontos e fixou-se no 7º lugar com 9 pontos.
Quem também tem 9 pontos é a Lazio, que recebeu e bateu o Génova por 2-0, com golos de Felipe Anderson e Djordjevic, reagindo ao desaire em Nápoles por 5-0. Os napolitanos, embalados por essa goleada, não foram além de um empate com o Carpi, que é penúltimo com 2 pontos. A equipa do San Paolo continua o seu mau arranque, com apenas uma vitória, somando-lhe três empates.
Resta falar de dois jogos para completar a jornada. Um deles foi o encontro entre o Chievo e o Torino, duas equipas que começaram bem a época e estão nos lugares cimeiros. Aliás, em caso de vitória, o Torino ascenderia ao 2º lugar, mas acabou por sair derrotado de Verona por 1-0, com um golo de Lucas Castro. Com este resultado as duas equipas igualaram-se em pontos e estão no 4º lugar da classificação.
Por último, o Empoli, de Mário Rui, recebeu a Atalanta e perdeu por 1-0, com o golo a ser apontado pelo central brasileiro Rafael Tolói.
Jogador da jornada: Pedro Pereira (Sampdoria)
Numa semana de jornada dupla não houve nenhum jogador que se destacasse nos dois jogos realizados, por isso saliento os dois primeiros jogos a titular (completos) do lateral direito português de 17 anos, ao serviço da Sampdoria. O defesa convenceu o técnico e parece ser uma aposta a manter. Não faltam miúdos com qualidade na formação portuguesa. Aqui está mais uma prova!
Treinador da semana: Eusebio di Francesco (Sassuolo)
O treinador do Sassuolo merece o destaque por conseguir manter a sua modesta equipa invicta no campeonato, sobretudo numa semana de jornada dupla, em que o Sassuolo tinha de fazer duas deslocações. A primeira à capital, para defrontar a Roma, de onde trouxe um ponto (empate a 2), e depois uma, sempre difícil, viagem até Palermo, trazendo 3 pontos e subindo ao 3º lugar. Que surpresa!
Momento da semana:
O golo do Frosinone à Juventus: um verdadeiro balde de água fria para a Vecchia Signora, que já pensava que o jogo estava ganho. Queria a equipa de Allegri chegar à segunda vitória consecutiva, mas o lanterna vermelha conseguiu o golo aos 92’ e alcançou o primeiro ponto da temporada, agravando a crise da Juventus.
Foto de capa: Facebook Oficial do Internazionale Milano
A forma como se reage, à adversidade ou à bonança, pode definir uma pessoa, uma relação, uma equipa. A resposta ao inesperado é uma espécie de bloco sobre o qual se assenta a personalidade, o carácter de cada uma destas entidades.
Esse será testado, no próximo fim-de-semana, quando se disputar a jornada 7 da Premier League. Veremos de que fibra são feitos alguns dos candidatos ao título: o Chelsea, depois de vencer, com ajuda de duas expulsões, o Arsenal por 2-0 em golos fortuitos poderá dar uma resposta cabal em St.James Park (campo onde particularmente Mourinho, o homem à prova, sente bastantes dificuldades, embora vá enfrentar um Newcastle em decadência, depois da derrota, caseira, diante do Watford, por 2-1), mantendo a senda vitoriosa que pode constituir uma viragem definitiva no rumo dos acontecimentos desastrosos do início de temporada, em perfeita oposição ao Manchester City, que perdeu, pela primeira vez, esta época para a Premier League perante o sensacional West Ham United, no Etthiad, com Slaven Bilic (ver treinador da jornada) a provar que tem um dom especial para tombar gigantes (para além dos citizens, também Liverpool e Arsenal sucumbiram, em casa, perante a organização dos hammers).
Resta saber se os citizens vão saber reagir (vão a White Hart Lane enfrentar um Tottenham em recuperação, depois de duas vitórias consecutivas – bateu o Crystal Palace na jornada passada depois de ter ido ao terreno do Sunderland vencer) e se o croata tem o que é necessário para manter a regularidade numa prova tão competitiva como a Premier League, quando receber o Norwich, em casa, que, por sinal, foi empatar com o Liverpool em Anfield Road.
Slaven Bilic, o nome da jornada 6 Fonte: Facebook Oficial do West Ham
Brendan Rodgers soube sobreviver a situações de pressão no passado, mas o conjunto de resultados começa a ser um fardo demasiado pesado para suportar, mesmo para uma pessoa com o seu carácter – a equipa não vence um jogo oficial há 6 jogos consecutivos! -, pelo que se reveste da maior importância a recepção ao Aston Villa, equipa ferida no orgulho depois de derrotada (Berahino foi o homem do jogo), em casa, perante o rival WBA, que se encontra num bom momento de forma e que será posto à prova na recepção a um Everton que também tem vindo a somar bons resultados, pois na ressaca da vitória aos campeões Chelsea foram ao País de Gales anular o ataque do Swansea (0-0)…
…, equipa cujo bom momento de forma inicial tem vindo a desaparecer com o passar da jornadas, depois de uma derrota em Watford e um empate caseiro. É necessária, portanto, uma reacção, para que os índices de confiança voltem a estar nos píncaros, ainda que a tarefa de bater o Southampton, fora de casa, seja bastante complicada, ainda por cima depois da boa exibição dos Saints diante do Manchester United, apesar da derrota por 3-2, num jogo em que Martial bisou.
O francês também terá algo a provar, e quererá “molhar a sopa” outra vez, desta feita diante de um Sunderland em baixa forma, depois da derrota perante o Bournemouth, construída nos 9 minutos iniciais, com o contributo de um jogador cada vez mais preponderante na manobra dos recém-promovidos – Callem Wilson -, embora o grau de dependência do avançado inglês não seja tão elevado como o do Leicester relativamente a Riyad Mahrez (ver jogador da semana), um jogador de quem cada vez mais se fala no mundo do futebol pelas sucessivas demonstrações de magia que vai apresentando, beneficiando o Leicester – a vítima foi o Stoke, que foi para o intervalo a vencer por 2-0, mas viu a magia argelina anular-lhe a vantagem com um golo e uma assistência. Resta saber se estes jogadores conseguirão manter a performance frente a adversários mais complicados, pois o Leicester enfrenta um Arsenal a querer recuperar da derrota em Stamford Bridge e o Bournemouth vai ao sempre difícil Stoke-on-Trent, que vai exigindo mais dos seus jogadores.
A jornada seis da Premier League teve, definitivamente, motivos de interesse. A próxima, pela expectativa de reacção de cada uma das equipas, não será, com certeza, diferente.
Treinador da jornada: Slaven Bilic (West Ham United)
Começa a deixar de ser surpreendente a forma como domina as feras mais temíveis da Premier League nos respectivos habitats, mas não deixam de ser feitos incríveis. Em seis jornadas já derrotou Arsenal, Liverpool e, agora, Manchester City nos respectivos redutos.
Os citizens pareciam caminhar sozinhos rumo ao domínio da Premier League, sem escorregadelas comprometedoras e com exibições convincentes, mas Bilic fez questão de o contratar.
Recebe, com justiça, pela terceira vez esta época, o prémio de treinador da jornada.
Jogador da jornada: Riyhad Mahrez (Leicester City)
À semelhança de Bilic, vai sendo cada vez menos surpreendente ver dele coisas fantásticas, mas nem por isso merecem ser menosprezadas. Mais uma vez, a sua magia serviu de motor para mais um excelente resultado do Leicester City, contribuindo decisivamente (um golo e uma assistência) para que a sua equipa recuperasse de uma desvantagem de dois golos, em Stoke-on-Trent.
“Em condições normais vamos ser campeões. E em condições anormais, também vamos ser campeões.” – Quem não se recorda da famosa frase de José Mourinho proferida a 20 de fevereiro de 2003? O FC Porto de José Mourinho, perante tal vaticínio, acabou mesmo por ser campeão com 11 pontos de avanço sobre o segundo classificado.
Arrogância de um “Special One” Fonte: ceroacero.es
Ora, o grande clássico contra os “encarnados” já lá vai mas nada me faz esquecer o respeito com que a equipa de Lopetegui entrou para este jogo. Tenho saudades do meu FC Porto arrogante, sabem? Podia perder um jogo aqui ou ali, podia perder um título acolá… mas a arrogância estava lá sempre. Nós somos melhores e sabemos que somos melhores. E vocês, na nossa casa, “baixam a bolinha”.
Sempre foi assim até há bem pouco tempo. Surgiu um vídeo pelo Facebookonde os adeptos do Benfica cantavam, antes do clássico, que “domingo é para ganhar”. Tenho saudades daqueles tempos em que os adeptos benfiquistas desejavam perder por poucos quando o Benfica se deslocava até ao Estádio do Dragão.
Não percebo o porquê de tanto respeito. Tanto medo. Tanto receio e tanto respeito pelos adversários. Estou longe de pedir zaragatas, mau futebol ou até algum pugilismo. Aliás, para mim o Diego Costa parava de jogar durante meia época para ver se aprendia. Gosto do futebol bonito. Mas também gosto de ser arrogante! Às vezes nem somos os melhores mas só o acreditar que somos catapulta-nos para exibições memoráveis. Onde é que se perdeu esta veemência, este acreditar de que se é o melhor?
Que se vejam e revejam os festejos de André André após o golo Fonte: FC Porto
Ser do Futebol Clube do Porto é ser do melhor clube português. Ponto! Acabou! E quem não se achar o melhor tem sempre a porta aberta para ir embora. Se vens para o FC Porto vens para ser campeão. E não podes pensar em nada menos do que isso. O objetivo mínimo é ser campeão. O máximo é ser campeão. Ano após ano. Época após época. Conquista após conquista.
A arrogância dos melhores vive da ausência de dúvidas. Os melhores não duvidam que são os melhores. E acreditam tanto nisso que o demonstram em campo. Também falham, é certo. Mas apenas porque os planetas se alinharam e as estrelas também e, por acaso, o adversário se enganou. É simples. E se for preciso sofrer para ser o melhor, aprendemos a sofrer. Se for preciso ter sorte para ser o melhor, aprendemos a ter sorte. Se for preciso perder para ser o melhor, aprendemos a perder. Mas ninguém nos tira a razão: somos mesmo os melhores.
É por isso que é tão especial vestir de azul-e-branco. E se houver quem nos chame arrogantes, prepotentes ou insolentes… que chamem! É bom que sintam inveja por todo o historial e por todas as conquistas. Pela competência, pela paixão, pela ambição e pelo rigor. Somos o Futebol Clube do Porto, vestimos de azul-e-branco e pretendemos dominar o futebol português durante muitos mais anos.
Há uns anos, numa noite como outra qualquer, decidi rever um filme de Alfred Hitchcock. Por motivos que desconheço – provavelmente algo do foro psicológico – viciei-me totalmente, o que me levou a consumir avidamente e em tempo recorde a esmagadora maioria da sua (longa) obra. À distância, vejo nesse período um acto voluntário de masoquismo: qualquer filme de Hitchcock é excepcional e superior; no entanto, de natureza maligna – um veículo de sensações desagradáveis, de tensão e angústia. Durante duas horas, seguimos o herói – perdido num contexto que lhe é estranho e inquietante – e sofremos, invariavelmente, das suas dúvidas e temores. Hitchcock serviu-se da ficção para expiar problemas reais: fobias de infância e adolescência, causadas pela severidade do pai e do colégio. Esses traumas deram origem à sua linguagem cinematográfica, porém, jamais o permitiram (ou à sua consciência) ir para além do pontual humor negro – não foi, em todo o caso, o pior exemplo do uso dado a um conjunto de frustrações e complexos.
A visita ao Estádio do Dragão é um filme deste género (e esta deve ser a comparação benfiquista mais simpática alguma vez feita). Hitchcock reclamava não se importar com o assunto dos seus filmes, nem com a moral ou a mensagem. Simplificando, apenas lhe interessava incomodar o espectador. Como tal, é necessariamente assim – sem tirar, nem pôr –, que qualquer benfiquista (ou qualquer bom adepto do próprio jogo) visiona esta película. Desde o genérico de abertura (que o realizador sempre utiliza), o ambiente é carregado a preto e branco: uma hostilidade primária e autóctone, feita por sombras e sons (embora piores que os de Bernard Herrmann), acossando o nosso herói e quem o apoia.
Na Luz, os filmes são sempre a cores vivas e alegres Fonte: Sport Lisboa e Benfica
O universo de Hitchcock é imprevisível e quando lá mergulhamos sabemos de antemão que, por vezes, não basta ser-se jovem e bonito; que nem sempre o bem vence o mal. Na sessão de domingo, o protagonista passou duas horas confinado às quatro linhas, dando o seu melhor, dividindo o controlo e justificando a repartição dos louros. No entanto, o cinéfilo é experimentado e realista: sabe que quem manda nesta produção é o Mestre doSuspense – com total controlo do argumento –, dirigindo os noventa minutos ao jeito que lhe convém. Se lhe apetecer, a acção decorre com factos improváveis: se não há corvos e gaivotas, arrancam-se uns olhos com bolas de golfe; na ausência de Anthony Perkins, arranja-se um Maicon de pitões em punho no papel de Norman Bates – tudo em prol do sucesso do thriller psicológico.
Desconheço as frustrações que originaram esta linguagem artística mas, como apaixonado por cinema e futebol, devo admitir: se é para causar repulsa, funciona muito bem, com a vantagem de não perder o efeito de ano para ano. Alfred Hitchcock não faria melhor.
P.S.: Não gosto de perder, obviamente; muito menos de ver o Benfica a quatro pontos do primeiro lugar. No entanto, esta semana deixo para outros as análises técnicas e tácticas e dou-me por satisfeito, apenas, por termos já cumprido a etapa anterior. No sábado, a sessão é já noutro palco – por vezes, a qualidade dos técnicos e actores pode, eventualmente, provar-se inferior; e o vilão, no final, até pode mesmo vencer. No entanto, as matinés na Luz são para a toda a família: é futebol. E quando o golo é nosso, as crianças apanha-bolas gritam o seu amor pelo Benfica, nunca o ódio pelo adversário.
Na madrugada de terça para quarta-feira passadas pudemos assistir a um verdadeiro encontro de estrelas na Arena Castelão, em Fortaleza, curiosamente um dos palcos do Mundial 2014 em futebol de 11. Não, não é um equívoco da minha parte; foi mesmo colocado um recinto de Futsal no relvado, isto com o intuito de bater o recorde de espetadores numa partida de futsal, fixado em Setembro de 2014, num sempre escaldante Brasil x Argentina (56483). Este objetivo não foi alcançado, por larga margem, uma vez que apenas 11444 assistiram ao jogo no estádio.
Outro dos grandes pontos de interesse no jogo era o encontro entre duas lendas-vivas da modalidade, Ricardinho e Falcão. Se é praticamente unânime admitir que o atual melhor do mundo é o nosso Ricardinho, Falcão é uma estrela do futsal mundial, o melhor da história, já em fim de carreira e regressado após longa paragem por lesão. Vou agora fazer um resumo do jogo, que viu a seleção portuguesa entrar algo apática e pouco ativa na partida, remetendo-se à sua área defensiva e pouco mais. Aproveitou o Brasil para se adiantar no marcador aos cinco minutos de jogo, por intermédio de Xuxa, que disferiu um disparo para o fundo das redes lusitanas após um canto na direita. Portugal não se conseguia recompor e o Brasil, pouco depois, ampliou, através de um remate de meia distância do guarda-redes Tiago, numa jogada em que os jogadores portugueses não acompanharam devidamente o guardião canarinho, que aproveitou de forma exímia a oportunidade. Apesar de o resultado ao intervalo não ser nada favorável, podia ainda ter sido mais pesado, não fosse uma grande defesa de Bebé, após um forte remate de Falcão. O intervalo trouxe um Portugal renovado, que tentou a todo o custo contrariar o favoritismo brasileiro.
Jorge Braz alterou o guarda-redes, entrando Vítor Hugo, e o certo é que ele entrou muito bem na partida, fazendo uma série de boas intervenções, evitando assim um terceiro golo, que sentenciaria em definitivo o encontro. E mesmo em termos ofensivos a equipa portuguesa melhorou muito, tornando-se mais perigosa no ataque e aproveitando para encostar o Brasil “às cordas”, graças ao golo de Fernando Cardinal a cerca de 7 minutos do fim, colocando a diferença mínima no marcador. A partir daí, e até ao apito final, criámos um punhado de boas ocasiões para igualar o marcador mas infelizmente não foi possível alcançar o empate. Deixo uma palavra para o selecionador português, que na minha opinião deveria ter apostado mais cedo no 5×4, pois só no último minuto o fez.
Continua assim a “maldição” portuguesa contra o Brasil, que em 20 anteriores encontros o melhor que fez foi empatar em quatro ocasiões. Mas pelo que deu para ver, pelos últimos minutos do encontro, Portugal teve momentos muito bons e isso permite-me acalentar esperanças para os próximos desafios, de que jogando olhos nos olhos podemos bater qualquer seleção do mundo.