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Real Madrid 1-0 At. Madrid: O campeão segue em frente!

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Real e Atlético chegavam ao Santiago Bernabéu para decidir qual dos dois passaria ao lote dos melhores quatros da competição sem terem conseguido ainda marcar qualquer golo. Era um prenúncio do que a segunda parte desta eliminatória tinha reservado para nós.

Os visitantes pareceram quase sempre mais confortáveis quer com o desenrolar do jogo quer com o resultado. O Real Madrid, por seu lado, sentia-se obrigado a pegar no jogo, como lhe competia para fazer jus à sua condição de vencedor em título da competição e anfitrião. Ia-o conseguindo e foram suas as melhores – ou deveria dizer únicas? – oportunidades, sem contudo lograr obter um domínio avassalador.

A estratégia de Simeone parecia resumir-se a especular o maior tempo possível com o jogo, não se parecendo muito impressionado com a ideia de deixar o jogo descair para o prolongamento. A equipa de Ancelotti, por seu lado, revelava aqui e ali os efeitos nefastos que a ausência de vários jogadores importantes produzia, procurando ainda assim fazer um jogo atento e competente, no sentido de se salvaguardar de qualquer surpresa que pudesse vir dos homens das camisolas às riscas.

Pareciam as equipas em vias de se conformarem com o nulo e incapazes de desatarem os nós a que mutuamente se submetiam, o que nem a expulsão de Arda Turan alterou. Os colchoneros recuavam e os homens mais adiantados do Real, com missão de construir jogo ou capazes de criar desequilíbrios, iam ficando cada vez mais estáticos.

Talvez por isso pareceu surgir do nada o golo que decidira a eliminatória, mas quando se fala de Ronaldo e James fala-se sempre de muita substância. Foi dos pés deles que nasceu a triangulação que faria ruir a muralha Simeone. Chicharito ficaria incumbido de encaminhar com precisão para dentro da baliza de Oblak a bola que lhe chegava de Ronaldo. O campeão em título vai seguir em frente.

O português assistiu, o mexicano marcou - os dois protagonistas do único golo da eliminatória  Fonte: UEFA
O português assistiu, o mexicano marcou – os dois protagonistas do único golo da eliminatória
Fonte: UEFA

A Figura

Chicharito – Só ele saberá o quanto custa passar quase um ano no desconforto das melhores cadeiras do banco de suplentes do Santiago Bernabéu. Talvez por isso mesmo foi aí mesmo que chorou quando aí regressou, já depois de ser substituído, depois de gravar o seu nome na decisão da eliminatória. Já antes do golo era o que parecia mais habilitado para o fazer.

 

O Fora-de-jogo

Atlético de Madrid – Não apenas fora-de-jogo mas também a partir de hoje fora da competição fica o Atlético de Madrid. Muito porque deveria ter  feito um pouco mais para merecer seguir em frente. Nem sempre defender e esperar pelo que o jogo dá tem o bilhete da lotaria premiado. Mesmo sabendo as diferenças de recursos, Simeone já derrotou várias vezes o Real Madrid, até com este aparentemente mais forte. Mas, para tal acontecer, teve que rematar mais vezes do que hoje pareceu ter vontade de fazer.

Apelo ao Portismo

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Hoje o dia acordou cinzento, mais cinzento do que nunca, na vida de um Portista. Ontem foi igualado o pior registo europeu de sempre da equipa azul e branca: 6-1. Estes são os números, não devemos querer escondê-los ou omiti-los. Perdemos; fomos massacrados pela máquina alemã, que entrou com um resultado em mente: demolir uma desfalcada equipa portuguesa. Não vou falar no básico argumento de “se Danilo, Alex e Tello jogassem, a história era outra”, pois isso é por demais evidente (basta ver como surgiram os golos dos germânicos e percebe-se logo isso). Vou antes falar do que vem aí: Benfica. Temos mais uma equipa vermelha no nosso caminho, mais um jogo decisivo, mas esta equipa é muito (mas muito) mais acessível do que o Bayern, e temos de ganhar para limpar a péssima imagem deixada a nível europeu!

Apelo a todo o Portista que se levante do sofá, deixe as mágoas de lado e perceba que um jogo não altera um passado vitorioso, um passado (recente) que nos faz ser a referência internacional quando se fala de Portugal, a par de uns “tais” de Mourinho ou Cristiano Ronaldo. Continuamos a ser enormes, gigantescos e respeitados, e as “graçolas” vindas de outros lados por parte dos rivais só me fazem lembrar um Celta de Vigo-Benfica (7-0) ou um Sporting-Bayern (total 1 – 12), por isso, em nada me afectam. Só me interessa o meu Porto, e é isso que quero ver na Luz! O Porto que demoliu o Sporting em pleno Dragão, ou até mesmo o Porto que perdeu mas dizimou o Benfica na primeira volta (só espero diferente resultado, lógico). É tempo de nos unirmos, contra tudo e contra todos, e rumar contra aquilo que, segundo o que temos visto, não se quer: um Porto justamente campeão! E o jogo da Luz é decisivo para tal.

Ainda ontem andava pela página da Comunidade ‘Bola na Rede’, no Facebook, e comentei com um outro interveniente em determinada publicação: “O Porto devia jogar na Liga Inglesa”. Reitero isso. Não só não existiriam “colinhos” como ainda teríamos adeptos que apoiariam a equipa na vitória e na derrota, que respeitariam os jogadores como seres humanos e, acima de tudo, só quereriam ver o desporto que amam: futebol.

Mas estamos em Portugal, e fiquei contente por acordar e saber que meio milhar de adeptos se deslocou ao aeroporto para receber a equipa com palavras de incentivo, o que pode bem ser determinante para o “clássico”. Parabéns e obrigado a todos os Dragões que foram verdadeiros adeptos de uma equipa que sabe que deixou mal os seus fãs. Deixou mal, mas não envergonhou! Envergonhar seria não estar ali, depois de, até ao apito inicial, ser a equipa com melhores registos em prova. Dias maus todos temos, e não foi o jogo de ontem que deixou de fazer de Marcano o melhor central em Portugal, de Jackson um dos melhores avançados da Europa ou de Quaresma o ‘Mustang’ de sempre. Parafraseando Manuel Cruz, dos Ornatos Violeta: “É só mais um dia mau”. E sabemos que, volta e meia, estes dias acontecem.

Por fim, tenho de deixar uma palavra de solidariedade aos bons adeptos que existem do Benfica e ficar solidário com eles em mais uma vergonhosa acção de marketing por parte do gabinete vermelho: a do “#colinho”. Li, reli e voltei a ler comentários de benfiquistas sérios (alguns de nome vincado na comunicação social) completamente enojados com esta triste campanha: não basta este campeonato já estar adulterado como se tem visto, ainda “brincam” com o próprio fogo, que não os tem queimado, mas tem impedido os outros de justamente passar por ele. Isto é gozar com o povo, mas enfim, infelizmente ainda há quem se reveja e compre o “#colinho” que, sem se comprar, já se viu.

Espero um grande clássico e sem casos de arbitragem. Que ganhe a melhor equipa (que é o Porto) e a que jogue melhor (aí depende do jogo). Serão 90 minutos que podem fazer desta época um “fracasso” ou a época da reconquista de um troféu que (justamente) já praticamente estaria no Dragão!

Vamos lá, Portistas!

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Basquetebol: I Love This Game

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Anadolu e Real Madrid jogaram ontem o 3.º jogo entre si para os quartos-de-final da Euroliga. O jogo acabou com vitória dos turcos por 75-72 e, assim, amanhã teremos um quarto jogo, isto depois das duas vitórias espanholas em casa.

O jogo começou com o Efes por cima, mas foi o Real Madrid que acabou melhor e venceu por 15-20 o primeiro quarto, com Llull e Rudy Fernandez a serem os melhores em campo, com os seis pontos que cada um marcou.

No segundo quarto o Anadolu mostrou que estava em campo para ganhar e para isto contou com o seu poste Nenad Kristic, que com nove pontos levou os turcos para o intervalo a vencerem por 32-30.

O terceiro quarto foi uma cópia do segundo, com o Anadolu a ser o melhor em campo e aí começou a evidenciar-se Matt Janning, que com 15 pontos era o melhor marcador até ao momento, onde se registava o resultado de 56-46.

Nos 10 minutos finais o Real Madrid começou a fazer pela vida e conseguiu recuperar os 10 pontos de desvantagem que tinha. Mas vamos ao filme rápido (em baixo vão poder ver mesmo imagens) dos últimos 10 segundos do jogo: o resultado está em 72-69 e o Real Madrid tem a bola; em três segundos Jaycee Carroll com um triplo empatou o jogo a 72. Ficam a faltar sete segundos de jogo e Dontaye Draper leva a bola até debaixo do cesto, até que abre para fora onde está Matt Janning, que de triplo e sobre o apito final dá a vitória ao Efes e um quarto jogo.

Além do triplo decisivo, Janning foi ainda o melhor marcador do jogo com 21 pontos. Quanto ao ambiente em volta do jogo nem vale a pena falar de tão bom que é – os turcos realmente levam isto de outra forma.

Nos restantes jogos da Euroliga dos quartos de final só o Fenerbahce já conseguiu o apuramento para Madrid, cidade onde se vai realizar a Final Four. Os turcos venceram os três jogos contra o Maccabi Tel Aviv e eliminaram assim os actuais campeões europeus.

Hoje o Panathinaikos tenta evitar a sua eliminação da competição. Os gregos jogam em casa contra o CSKA de Moscovo, depois de na segunda-feira terem ganho por 86-85 e forçado mais este jogo.

Amanhã será a vez de o Olympiacos tentar garantir o passaporte para Madrid. Os gregos perderam o primeiro jogo com o Barcelona, mas ainda na Catalunha venceram o segundo, repetindo a vitória na segunda-feira.

Amanhã é também o dia do 4º jogo entre Anadolu e Real Madrid, e aqui espero que os turcos vençam – o ambiente que proporcionam merece. Depois em Madrid o Real que feche as contas, afinal o Rudy Fernandez anda por lá.

Marat Izmailov – O regresso de um dos meninos de ouro do futebol russo

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Depois de se ter mostrado ao mundo do futebol no Lokomotiv Moscovo, após os bons e maus momentos ao serviço do Sporting, depois das magras oportunidades no FC Porto e de uma experiência relativamente positiva no Gabala FK (Azerbaijão), o talentoso médio russo Marat Izmailov regressou esta época ao seu país de origem para representar o Krasnodar e parece ter reencontrado a alegria de jogar futebol.

Izmailov, que o seu amigo e agente Paulo Barbosa uma vez descreveu como um homem reservado e cem por cento dedicado ao futebol, chegou ao Krasnodar, uma equipa em franco crescimento no futebol russo e até mesmo a nível internacional, no início desta época por empréstimo, ainda com vínculo ao FC Porto, e aos poucos tem vindo a afirmar-se como um dos jogadores mais importantes na manobra ofensiva da equipa.

Após algumas dúvidas (legítimas, diga-se de passagem) sobre a sua condição física e após alguma desconfiança sobre o motivo do seu regresso ao futebol russo, Izmailov tem demonstrado que está melhor do que nunca e, mesmo não tendo o fulgor e velocidade de outros tempos, tem sido extremamente útil à sua equipa, que ocupa actualmente o segundo lugar da Liga Russa, atrás do poderoso Zenit, de André Villas-Boas.

A longa paragem de Inverno do futebol russo permitiu a Izmailov, de certa forma, recuperar os seus níveis físicos e, com excepção do jogo contra o Spartak em Moscovo no início do mês de Março, o antigo jogador do Sporting e do FC Porto tem feito sempre os 90 minutos ou muito perto disso nas restantes partidas, algo que em Portugal já não acontecia há bastante tempo. O seu actual treinador, Oleg Kononov, e um dos principais responsáveis pela ascensão que o Krasnodar tem vindo a experimentar desde 2013, referiu recentemente numa entrevista que existe um cuidado especial da equipa técnica relativamente à utilização de Izmailov, uma vez que todos estão perfeitamente cientes de todas as graves lesões que o afectaram durante a sua passagem por Portugal. De jogar apenas 45 minutos quando os jogos da sua equipa se disputam em relvados sintéticos de qualidade dúbia a ter sido reposicionado para uma função de armador de jogo no centro do terreno, tudo faz parte da realidade deste novo Izmailov, que, fruto das suas recentes prestações de alto nível, pode voltar a ambicionar um lugar na selecção russa.

Izmailov já é um dos jogadores favoritos dos adeptos do Krasnodar Fonte: VK (rede social) de Marat Izmailov
Izmailov já é um dos jogadores favoritos dos adeptos do Krasnodar
Fonte: VK (rede social) de Marat Izmailov

No dérbi da passada semana, contra o Kuban, assumiu a batuta de maestro da sua equipa e ajudou o Krasnodar a recuperar de uma desvantagem de 2-1 para uma vitória suada, mas justa, por 3-2. Para além de uma quantidade significativa de passes certeiros, Izmailov fez uma primorosa assistência para o golo de Roman Shirokov e deu início à jogada que culminou no golo da vitória dos Touros de Krasnodar, apontado por Vitali Kaleshin. Este seu novo papel em campo, semelhante àquele que chegou por vezes a desempenhar no Sporting, permite-lhe desgastar-se menos e, ao mesmo tempo, ser responsável pela construção do jogo do Krasnodar a partir de posições mais recuadas. Izmailov, que originalmente jogava como número 10, viu-se “obrigado” a mudar de funções durante a sua passagem pelo Lokomotiv, uma vez que essa posição era ocupada pelo lendário Dmitri Loskov. Marat, contudo, parece não ter esquecido como desempenhar esse papel e aparece agora como um médio organizador que joga ao lado do recuperador de bola, à frente da defesa, uma marca bastante característica das antigas equipas de futebol soviético.

Izmailov (que desde a sua passagem pelo FC Porto mudou a grafia do seu nome para Izmaylov, algo que pode ser explicado com a dificuldade de transcrição dos caracteres em cirílico para o alfabeto romano) encontrou, no meio-campo do Krasnodar, também ele recheado de excelentes executantes como Roman Shirokov, Pavel Mamaev, Yuri Gazinskiy e Odil Ahmedov, os parceiros perfeitos para voltar a colocar em prática toda a sua magia futebolística, que, em tempos já longínquos, fez o Arsenal querer contratá-lo.

Numa entrevista no final do ano passado, o presidente do Krasnodar, Sergey Galitsky, não teve dúvidas em afirmar que a chegada de Izmailov havia beneficiado e muito a equipa, e que o nível de qualidade demonstrado pelo talentoso médio de 32 anos torna quase obrigatório o seu regresso à selecção orientada por Fabio Capello.

O jogador de etnia tártara, nascido em Moscovo, viveu os melhores anos da sua carreira ao serviço do Lokomotiv, onde, ao lado de jogadores como o Dmitri Loskov e Ruslan Pimenov, conquistou dois campeonatos russos. Aparentemente, precisou de regressar ao país que o viu nascer para voltar a emergir a grande nível após anos e anos de lesões e problemas de ordem pessoal, quase sempre mal explicados.

Víctor Fernández, antigo treinador do FC Porto e do Celta de Vigo, entre outros, afirmou não há muito tempo que o futebol havia sido injusto com Aleksandr Mostovoi (Izmailov partilha a mesma opinião e considera-o o melhor jogador russo de sempre, a par de Yegor Titov e Dmitri Alenichev), já que toda a sua qualidade nunca havia sido verdadeiramente reconhecida, e o mesmo poderá dizer-se relativamente a Marat Izmailov. O antigo jogador do Sporting e FC Porto foi e continua a ser um jogador com um talento acima da média e, não fossem os problemas de toda a ordem que desde cedo assolaram a sua carreira além-fronteiras, hoje poderíamos colocar Izmailov entre os dez melhores jogadores russos dos últimos 30 anos ou até mesmo um dos melhores jogadores do velho Continente.

Foto de Capa: VK (rede social) de Marat Izmailov

Jogo Interior #9 – A Qualidade do Feedback da Influência da Liderança

jogo interior

Um dos componentes mais importantes na aprendizagem e no desenvolvimento em desporto é o feedback. Este é basicamente uma informação de retorno relativa a algo que aconteceu, a uma acção executada pelo atleta, se for o caso. Em todas as dimensões da vida estamos constantemente a dar e a receber feedback. Em particular refiro-me à acção de retorno de informação que o treinador tem com os seus atletas. É um conjunto de mensagens específicas que o treinador transmite com certos objectivos.

Lembro-me de uma história que ouvi em tempos, aquando do início da primeira passagem de José Mourinho pelo Chelsea (em 2004/2005). Numa certa sessão de treino, Mourinho dividiu toda a sua equipa em grupos de três e, em mini-campos com mini-balizas, colocou jogos de três contra três, com umas certas condicionantes e com certos objectivos técnico-tácticos. Definiu o tempo do exercício e ordenou que iniciassem. Passado um certo tempo foi circulando pelos campos, observando e questionando acerca dos respectivos resultados. Chegando ao campo onde se encontravam alguns dos jogadores-chave da equipa reunidos estrategicamente, como por exemplo Drogba, Joe Cole, Terry e Lampard, questionou o resultado, e os jogadores replicaram “8-7”.

Dizem que Mourinho ficou furioso e deu um tremendo sermão aos jogadores, pois estes não se estavam a aplicar defensivamente e que era impossível num exercício daqueles estar aquele resultado. Conclusão: terminou ali o treino após 30 minutos de sermão à equipa toda. O reforço negativo (um componente do feedback) foi enorme. Penso que neste caso Mourinho absteve-se de dar feedback específico acerca do exercício mas forneceu um outro, mais ligado ao comportamento dos seus atletas, principalmente de alguns dos seus jogadores-chave. A intenção de Mourinho foi o apelo ao compromisso, à dedicação, à entrega em prol da coesão da equipa. Nessa época o Chelsea foi campeão após 50 anos de jejum.

Qual a verdadeira importância do feedback na acção?

Poderemos considerar que o feedback é uma bússola, que guia alguém, neste caso os atletas, à execução melhorada em relação a um objectivo predefinido. O treinador deverá ser capaz de fornecer um feedback adequado, equilibrado, contextualizado e verdadeiro (nem sempre, nem nunca). Ele é uma orientação para a acção e não, como muitas vezes observo, uma voz de comando a todo o momento. Aquilo a que se chama “over-feedbacking” (feedback excessivo), a constante emissão de feedback, de instruções, quer no treino, quer no jogo, demonstra falta de preparação. Significa falta de confiança de parte a parte. Observo muitos treinadores, de várias modalidades, de vários escalões etários, em “over-feedbacking”, como se fossem eles que estivessem dentro de campo a jogar.

Fonte: LakersBlog
O feedback é uma orientação para a ação
Fonte: LakersBlog

O “over-feedbacking” aplicado às crianças ou aos jovens atletas é nefasto. Eles mais do que ninguém detestam que alguém esteja de fora a gritar-lhes ordens constantemente e a comandá-los, como se fossem jogadores de um jogo de “Playstation”. Esta acção retira-lhes o que elas podem ganhar com a descoberta guiada, que é uma acção consonante com um feedback adequado. Quando excessivo, ele é prejudicial pois retira o foco da atenção do próprio atleta na tarefa, e este transforma-se quase num boneco perante o comando do treinador. O feedback excessivo e inadequado soa a falso e não é coerente com a execução que está a ser realizada pelo atleta.

O feedback ideal deverá ser composto por palavras-chave em que o seu significado é conhecido pelo atleta e pelo treinador e deverá projectar o atleta para uma execução concentrada e atenta, em que deverá ser usada uma linguagem positiva e clara, incluindo uma não-verbal e para-verbal congruente. O feedback que o treinador fornece deverá estar em congruência com a descoberta guiada permitida. Desta forma o treinador enquanto líder terá uma maior influência e importância na evolução dos seus atletas. A emissão de feedback é parte integrante da comunicação entre o treinador e os seus atletas. Em jogo, e principalmente em terrenos de jogo amplos, como no futebol, a emissão feedback verbal (até mesmo não-verbal e para-verbal) é difícil, e por conseguinte a influência da liderança do treinador neste contexto é bastante menor. Sendo assim, nestes casos tudo tem de ser trabalhado e preparado no treino.

O feedback é sempre uma acção ou uma intervenção individual. Através dele, o treinador controla os estímulos mas controla também o reforço. A melhoria da sua qualidade por parte do treinador é um processo de tentativa, erro e acerto. É através de muita observação, prática, intervenção, análise e autocrítica que ele é melhorado. Um bom feedback está relacionado com uma boa comunicação. O processo de feedback, para ter qualidade, deve ser cíclico. Começará com uma instrução, seguida da execução por parte do jogador e observação por parte do treinador. Segue-se a avaliação da execução, se esta se integra dentro dos objectivos propostos, e, havendo necessidade, o treinador faz uma reestruturação da informação, fornecendo um novo feedback com reforços, reformulado a instrução inicial. O ciclo interrompe-se com o feedback final de concretização do objectivo. Parece linear mas não é. É um exercício constante de gestão e de comunicação assertiva.

Na história inicial de José Mourinho, o seu feedback estava intencionalmente ligado à sua liderança, e o feedback não é feedback sem uma intenção.

Foto de Capa: Ben Sutherland

 

Bayern 6-1 FC Porto: O fim do sonho!

tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

O FC Porto está eliminado da Liga dos Campeões depois de um contundente 6-1 em terras alemãs. A equipa de Lopetegui foi incapaz de suster o ímpeto dos alemães, que foram aproveitando os erros da defensiva portista. É o fim do sonho azul e branco depois de bater num muro de realidade na Baviera.

Antes do jogo a surpresa era a inclusão de Reyes a lateral direito. Surpreendeu Lopetegui ao apostar no central, que não tem estado particularmente bem nos jogos efectuados esta época. Sem Alex Sandro e Danilo (que falta fizeram!) o Porto teria de mudar, mas Reyes e Indi, já se sabia, não dão a profundidade necessária à equipa portista. Guardiola apenas trocou Dante por Badstuber e, claro, a atitude da equipa. O FC Porto apresentou uma estretégia defensiva parecida com a da primeira mão, ao pressionar já perto da linha de meio-campo e de forma criteriosa – insuficiente, como se provou.

Os adeptos azuis e brancos foram à procura do sonho e encontraram um pesadelo  Fonte: Facebook do FC Porto
Os adeptos azuis e brancos foram à procura do sonho e encontraram um pesadelo
Fonte: Facebook do FC Porto

O jogo começou com um Porto a tentar suster a bola, mas rapidamente foi manietado por um Bayern super pressionante, muito rápido e agressivo sobre a bola e incrivelmente objectivo. Sem passear o tiki taka pelo campo, a equipa bávara fez um jogo de transições rápidas apanhando o Porto desposicionado e descompensado, mostrando todo o talento que reside em cada jogador da formação alemã. Para suster a desorientação, o Porto recorreu à falta nos primeiros minutos mas o jogo nunca arrefeceu e ao minuto 10’ Lewandowski levou a bola ao poste depois de uma defesa para a frente do guarda-redes portista. Adivinhava-se uma noite de muito sofrimento.

O primeiro golo do Bayern surgiu ainda cedo, aos 14’. O Porto seria, assim, incapaz de cumprir com os “vinte e tal” minutos necessários para dar confiança à equipa e para deixar o Bayern nervoso. Neste lance, Quaresma abandonou a marcação a Bernat, que cruzou sem oposição para o cabeçeamento de um Thiago Alcântara (que talento tem!) sem oposição digna desse nome. As tentativas de saída de bola do Porto foram sempre infrutíferas, sendo Brahimi o único a conseguir manter a posse de bola por alguns segundos; o problema é que na mesma ala não estava Alex Sandro mas sim Martins Indi.

Aos 22’, o segundo tento do Bayern de Munique. Canto marcado por Thiago Alcântara, Badstuber cabeceia dentro da área e Boateng volta a cabecear e a direcionar uma bola que calmamente seguiu o seu caminho para a baliza. Toda a defesa portuguesa estava a dormir e Fabiano, que mostrou mais uma vez que não é um guarda-redes do nível de que o Porto precisa, não teve rapidez para chegar à bola. A eliminatória estava agora nas mãos do Bayern e faltava jogar metade da primeira parte – muito cedo para o Porto esboçar uma resposta cabal; os alemães ainda estavam frescos e a ansiedade portista ainda não tinha passado… E não iria passar até ao intervalo. O terceiro golo alemão surgiu de uma jogada de enorme classe, digna de YouTube, em que numa transição rapidíssima a bola foi sorrindo enquanto circulava ao primeiro toque entre os jogadores bávaros. Mais uma vez o Porto foi incapaz de incomodar os jogadores alemães, que sentiam o receio e o nervosismo dos dragões. Nesta altura, a ideia de um resultado esmagador surgiu na cabeça de muitos portistas, apesar de estarmos a um golo de igualar a eliminatória.

A primeira parte correu de feição aos bávaros, que em poucos minutos arrumaram a eliminatória  Fonte: UEFA
A primeira parte correu de feição aos bávaros, que em poucos minutos arrumaram a eliminatória
Fonte: UEFA

Lopetegui pressentiu o que aí vinha e sabia da necessidade de incomodar os bávaros e tentar o golo se quisesse que o FC Porto tivesse ainda uma palavra a dizer – trocou Reyes (pouco fez) por Ricardo. Talvez tenha sido o reconhecer de um erro, já que Ricardo dá profundidade à equipa e até ver defensivamente não tem estado pior do que o mexicano. Os golos do Bayern continuavam a surgir e Müller (um provocador, este alemão), com a sorte de um desvio, fez o quarto para o Bayern; nada corria bem e os portistas eram incapazes de mudar a corrente do jogo. Aos 40 minutos, com o quinto tento dos bávaros, a tragédia assumia números embaraçosos – 5 golos em 25 minutos, onde já vimos este filme com os alemães?! A eliminatória parecia praticamente acabada e os jogadores completamente perdidos dentro de campo. Nunca o Porto conseguiu fazer uma jogada com princípio, meio e fim na primeira parte. Foi com alívio que se ouviu o árbitro apitar para o intervalo.

Uma primeira parte catastrófica dos dragões que esmagava qualquer coração portista e alegrava a maioria dos restantes corações portugueses, que, desprovidos de equipa nos quartos-de-final, se alapavam aos alemães como se pôde comprovar nas redes sociais. O que iria fazer e dizer Lopetegui perante tal cenário? O que disse não sei, mas o que fez até que não foi mau.

Os azuis e brancos mudaram de estratégia de jogo na segunda parte. Lopetegui tirou Quaresma (inconsequente) e fez entrar Ruben Neves, alterando a táctica para um 3-5-2, com Casemiro ao lado de Maicon e Marcano, e com Brahimi no ataque junto a Jackson Martinez.

Ao intervalo, Lopetegui mudou a estratégia e os dragões melhoraram  Fonte: UEFA
Ao intervalo, Lopetegui mudou a estratégia e os dragões melhoraram
Fonte: UEFA

O Porto melhorou, pois conseguiu povoar o meio-campo; o Bayern estava mais relaxado, o que também deu alguma calma aos jogadores portistas. Notou-se a diferença no povoamento do miolo do terreno – já havia alguém a quem passar e os dragões começaram a ter mais bola e a atacar, embora sempre de forma tímida, dada a intensa e agressiva pressão do Bayern. Ruben Neves passou a ser o motor do meio-campo e libertou também Oliver Torres, que ia tentando circular a bola como podia. O objectivo era sempre o mesmo – colocar a bola em Jackson Martinez. O colombiano foi enorme neste jogo e parecia um oásis no meio da mediocridade. Aos 67’, saiu Brahimi e entrou Evandro – o Porto estava agora sem alas e sem laterais de raíz (Ricardo ainda é um hibrido entre extremo e lateral), mas com muitos médios.

Aos 73’, alegria no jogo e retorno de alguma esperança aos portistas – Ricardo em mais uma boa subida (nem sempre com perigo mas com bastante vontade) cruzou e o inevitável Jackson marcou. Na cabeça de qualquer adepto (portistas e restantes, com sentimentos opostos) surgiu esse grande jogador, o “se”. “Se o jogo estivesse 4-1 bastava um golo, se marcarmos outro agora ainda podemos marcar o terceiro num lance qualquer”. Pois, mas o “se” também não apareceu em campo e apesar das várias tentativas os azuis e brancos nunca foram muito consequentes. Na frente continuava um Jackson com queixas e muito fatigado depois de um jogo de luta constante mas que ainda teve forças para rematar a rasar o poste de Neuer.

Jackson, o capitão do FC Porto, deu tudo pela equipa - foi o único portista a rematar durante todo o jogo  Fonte: UEFA
Jackson, o capitão do FC Porto, deu tudo pela equipa – foi o único portista a rematar durante todo o jogo
Fonte: UEFA

Aos 88’ a pedra sobre o resultado (se é que ainda não estava). Marcano culminou com um péssimo jogo com uma expulsão e Xabi Alonso marcou de livre directo. O 1,97m de Fabiano foram insuficientes para chegar à bola.

O jogo terminou logo de seguida – a melhor equipa passou. O talento do Bayern de Munique é enorme, a primeira parte foi esmagadora e nota-se que há uma grande barreira a ultrapassar no Allienz Arena – a psicológica. O Porto perdeu o norte porque desde cedo acumulou erros defensivos e o medo apoderou-se dos jogadores. O facto de não ter conseguido ter profundidade também ajudou ao sufoco. Do jogo também fica que a abordagem táctica devia ter sido outra mas, ilibando Julem Lopetegui, são jogos dificeis de prever. Que falta fizeram Alex Sandro, Danilo e Tello! Quanto às ausências do Bayern, talvez até tivesse sido melhor para o Porto ter tido um Robben egoísta do que esta máquina de futebol colectivo. São, provavelmente, a melhor equipa do mundo.

O resultado foi esmagador mas o nosso percurso na Liga dos Campeões não envergonha ninguém – o sonho foi bonito mas o acordar foi duro. Sem transformar o nosso percurso numa vitória moral, os adeptos foram ganhando a cada dia. O sorriso e a felicidade de quem ousa fazer o grande será sempre mais brilhante do que quem nem chega a ousar. Agora o mais importante é recuperar física mas principalmente psicologicamente a equipa para a Luz – ainda há um campeonato para ganhar. Aos meus amigos portistas e aos outros: só sofre grandes derrotas quem está presente em grandes batalhas!

 

A Figura

Jackson Martinez – curvo-me perante o esforço e a dedicação que o colombiano teve neste jogo. Um talento que provavelmente não poderemos apreciar durante muito mais tempo.

O Fora-de-Jogo

Marcano – escolho Marcano, que acabou expulso, mas podia ser a defensiva toda. Erros atrás de erros, tremideira, confusão. Claudicaram desde o inicio e o jogo ficou marcado pelas suas falhas.

Foto de Capa: Facebook do FC Porto

 

UFC Fight Night: Machida vs Rockhold – Rockhold ou Jacaré?

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Poucos fizeram aquilo que Rockhold fez sábado passado. Lyoto Machida, antigo campeão da categoria de Peso Médio-Pesado, foi dominado por completo. Se isso não parece nada de transcendente, recorde-se: Machida já lutou com os campeões Jon Jones e, mais recentemente, Chris Weidman. Se perdeu? Sim. Se foi dominado? Nunca de forma contundente. Machida sempre foi um mestre em frustrar o adversário e  em atraí-lo para uma armadilha, anulando assim o seu plano de jogo.

Rockhold chegou, imprimiu o seu jogo no combate sem grande dificuldade, fez Machida, que é faixa preta em Jiu Jitsu, parecer um amador no jogo de chão, e venceu. A descrição simplista com que refiro o processo é um retrato fiel do combate, que será analisado ao pormenor mais adiante.

Se o evento da semana passada, encabeçado por Cro Cop e Gonzaga, deixou bastante a desejar, o de esta semana foi uma verdadeira alegria de se ver, com combates empolgantes e que, de facto, têm interesse no panorama geral da UFC.

E, de facto, não havia melhor forma de dar começo ao cartaz principal: a controversa Paige VanZant e Felice Herrig protagonizaram um excelente combate, mais a primeira do que a segunda. VanZant estava sob o escrutínio de jornalistas, fãs e até mesmo lutadores, após ter suplantado muitas outras lutadoras, mais experientes e com melhor recorde de vitórias, por um contrato com a Reebok, patrocinadora oficial da UFC.

VanZant apenas tinha uma luta na promotora, cinco em toda a carreira, ostentando um recorde de quatro vitórias e uma derrota, pelo que muitos ficaram com a impressão de que apenas o conseguira por ter bom aspecto. Pois bem, VanZant desfez todas as críticas com um combate brilhante e uma vitória assertiva. Dominou as três rondas, do início ao fim, sem aparentes dificuldades, castigando Herrig maioritariamente no chão, via ground and pound, terminando todas as rondas desta forma.

Herrig ainda fez algumas tentativas de submissão, mas nunca pôs VanZant em perigo, limitando-se mesmo a aguentar as pancadas da jovem de 21 anos, que visivelmente lhe causou grande fadiga com o seu estilo frenético. No final poucas dúvidas restavam de que Paige VanZant é um caso sério na categoria feminina de Peso Palha.

Resta saber se a UFC vai lança-la já para um combate com a campeã Joanna Jedrzejczyk – o que seria um erro, pois VanZant ainda não está ao nível da campeã, apesar de valer muito enquanto “produto” – ou se vai ter paciência e coloca-la gradualmente em combates mais difíceis, esperando assim que esta se desenvolva. Esta seria, à partida, a decisão mais sensata. Independentemente da escolha, VanZant é jovem e tem um futuro brilhante pela frente. Espera-se mais do mesmo.

O segundo combate não ficou atrás do que lhe antecedeu. Sobre este podemos retirar uma conclusão: Max Holloway é um caso (muito) sério. Desde as duas derrotas seguidas em 2013, com Dennis Bermudez e Connor McGregor, que tem sido sempre a subir para o havaiano. O combate contra Cub Swanson, à data o número 5 do ranking de Peso Pena, traduziu-se em vitória – a maior da sua jovem carreira.

O domínio contra um dos mais temíveis strikers da divisão foi avassalador e afastou-o do estatuto de promessa para o de (quase) confirmação. Se a primeira ronda teve um Swanson mais à imagem de si mesmo – a bater forte -, as restantes duas foram um retrato pouco fiel daquilo que tem sido a sua carreira, muito por mérito do adversário.

A guilhotina que deu a vitória a Max Holloway (calções azuis) e, efectivamente, o catapultou para um lugar de verdadeiro destaque na divisão de Peso Pena Fonte: UFC
A guilhotina que deu a vitória a Max Holloway (calções azuis) e, efectivamente, o catapultou para um lugar de verdadeiro destaque na divisão de Peso Pena
Fonte: UFC

A segunda ronda terminou com uma forte mão por parte de Holloway, que se fez sentir em Swanson. À entrada para a terceira isso notou-se: Holloway entrou com uma boa investida e era agora mais capaz de conectar golpes em Swanson. O início do fim deu-se com um pontapé forte ao corpo de Swanson, que o deixou abalado. Após uma tentativa de submissão por parte de Holloway, os lutadores levantaram-se, só para mais tarde o havaiano acertar em Swanson com uma boa sequência, que lhe criou espaço para fechar uma guilhotina, responsável pela derrota do veterano.

A vitória catapultou-o nos rankings e cria um panorama interessante de possíveis combates: provavelmente enfrentará Ricardo Lamas, que recentemente perdeu contra Chad Mendes. Se vencer estará muito próximo de lutar pelo título, que, se tiver como dono Conor McGregor, que irá tentar tirá-lo de José Aldo, será uma das mais interessantes desforras dos últimos tempos na UFC.

O co-evento principal deste Fight Night deixou um sabor agridoce. Não foi, de todo, um combate mau. Longe disso, até. No entanto, Ronaldo “Jacaré” Souza tinha como original adversário Yoel Romero, que se lesionou na semana anterior ao evento. Chris Camozzi – que foi vencido por “Jacaré” na estreia deste na UFC e acabou dispensado após ter perdido quatro combates de seguida – assinou com a promotora apenas para substituir Romero. O estatuto de ambos os lutadores é bastante diferente, pelo que “Jacaré”, ganhasse ou perdesse, daria sempre um passo atrás.

O combate, esse, não tem muito que se lhe diga: entrada de Jacaré, Camozzi fecha a guarda, Jacaré passa a guarda, fica nos cem quilos e de seguida nas costas. Camozzi tenta inverter, deixa o braço, Jacaré fecha armlock e Camozzi desiste verbalmente. Dois minutos e meio de combate nos quais Jacaré nem suou, apenas cumpriu calendário. Tivesse esta vitória sido contra Yoel Romero e certamente Jacaré Souza estaria na liderança por uma luta pelo título de Peso Médio. Mas Luke Rockhold aproveitou esta ocasião e fez o seu trabalho.

Parece comum, ultimamente, dizer que lutador X ou Y fez a luta da sua carreira. Apesar de Rockhold já ter sido campeão da Strikeforce (título que venceu contra Jacaré Souza) esta foi, verdadeiramente, até ao momento, a luta da sua carreira.

O domínio sobre Lyoto Machida e a sensação de impotência que este nos transmitia devem-se inteiramente ao mérito de Rockhold e não ao demérito do brasileiro. O início do fim do brasileiro deu-se com uma forte direita de Rockhold, que o abalou. A partir daí foi one-man show: Rockhold anulava todas as tentativas de ganhar posição vantajosa de Machida, passando com relativa facilidade dos cem quilos para as costas, para a pressão na rede, para as costas, e assim sucessivamente. Rockhold fazia o que queria, castigava Machida através de ground and pound e tentava submissões com relativa facilidade, com destaque para um Mata-Leão no final da primeira ronda.

Rockhold (calções pretos) banalizou Machida em todas as fases da luta, levando a luta para onde queria, quando queria, como queria. A vitória lança-o para ao título Fonte: UFC
Rockhold (calções pretos) banalizou Machida em todas as fases da luta, levando a luta para onde queria, quando queria, como queria. A vitória lança-o para ao título
Fonte: UFC

A campainha salvou o antigo campeão de Peso Meio-Pesado no primeiro assalto, mas o mesmo não aconteceria no segundo assalto. Rockhold entrou com noção do estado de Machida, que no final da primeira ronda, à ida para o canto, não tinha noção do espaço e do que se tinha passado. Posto isto, Rockhold castigou-o desde o início, com bons pontapés ao corpo. Machida ainda não estava recuperado do castigo da primeira ronda, pelo que com uma direita e, literalmente, um empurrão foi ao chão, dando as costas a Rockhold, como forma de se defender, o que permitiu ao californiano fechar novamente um Mata-Leão, desta vez com sucesso.

Rockhold banalizou Machida e catapultou-se para um combate pelo título. “Eu fiz a minha parte. Weidman, vai fazer a tua”, disse Rockhold. Se para Jacaré este Fight Night foi uma lose-lose situation, para Rockhold foi precisamente o contrário: se no confronto entre o campeão Weidman e Belfort ganhar Weidman, antevê-se um combate em Madison Square Garden, o primeiro da história da UFC em Nova Iorque (este estado não considera legal o desporto de MMA); se Vitor Belfort vencer, antevê-se uma desforra para Rockhold contra a única mancha no seu currículo na UFC. Independentemente do resultado e da escolha do candidato, seja Jacaré ou Rockhold, a divisão de Middleweight está bem entregue.

Foto de Capa: UFC

Em defesa de Pep Guardiola

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Antes de mais, e para que não restem dúvidas, quero esclarecer que sou um admirador do trabalho que Pep Guardiola tem vindo a desenvolver ao longo da sua carreira, quer no Barcelona, quer agora no Bayern.

Após o jogo no Dragão, em que o Porto venceu, e bem, por 3-1, muito se tem escrito sobre o trabalho, bom ou mau, dependente das perspetivas, que o treinador espanhol está a realizar à frente do colosso alemão.

Pois bem, vamos então aos factos: desde que assumiu o cargo, Guardiola tem 74,3% de vitórias, 16,5% de empates e 9,2% de derrotas; é certo que, e tendo em conta a dimensão e o domínio interno do Bayern, estes números são uma obrigação. Relativamente a títulos, o Bayern foi campeão na temporada passada – e diga-se que, apesar da já referida obrigação, fê-lo com bastante autoridade – e na actual temporada para lá se encaminha. Guardiola juntou também ao título de campeão alemão a conquista da taça da Alemanha.

A derrota na meia-final da Liga dos Campeões com o Real Madrid, que posteriormente viria a triunfar na Liga dos Campeões, é, até agora, a grande derrota do espanhol. Contudo, e a este respeito, gostava de referir que se existe equipa capaz de bater o Bayern de Guardiola essa equipa é o Real Madrid; o jogo em posse dos Alemães, com uma linha defensiva bastante subida no terreno, encaixa na perfeição nas transições ofensivas dos espanhóis; prova disso mesmo são os 4-0 da segunda mão na Alemanha.

Feita esta pequena análise da temporada transata, gostaria agora de destacar aquelas que, na minha opinião, são as grandes lacunas deste Bayern. Não existem – desenganem-se os que pensam o contrário – modelos/ideias de jogo perfeitos.

O jogo em posse que Guardiola pretende, aliado, quase de forma obrigatória, a uma pressão estendida a todo o terreno, não permite que se cometam erros, por exemplo, como os que Dante, Boateng e Xabi Alonso cometeram no dragão – o próprio Guardiola já o reconheceu.

Trocado por miúdos: uma perda de bola na fase inicial de construção é a morte do artista. Ora, esta lacuna fica ainda mais exposta quando os centrais, que, na equipa de Guardiola, são quem inicia o processo ofensivo, são bastante fracos; Dante, Boateng e/ou Benatia, e aqui a culpa é inteiramente do treinador espanhol, visto que foi ele que os escolheu, não tem as características necessárias para jogarem neste Bayern.

Guardiola tem um desafio dificil frente ao Porto Fonte: Facebook do Bayern de Munique
Guardiola tem um desafio difícil frente ao Porto
Fonte: Facebook do Bayern de Munique

Outro dos grandes problemas com que Pep se tem deparado, e talvez aqui fique explicada a irritação para com a equipa médica, e a consequente demissão da mesma, é a falta de largura do jogo dos alemães. Posto isto, e penso que será unânime, Ribery e Robben são os únicos jogadores capazes de emprestarem essa mesma largura. Como anteriormente já foi referido, se há críticas que possam ser feitas a Guardiola – e é certo que há – a responsabilidade é inteiramente de Guardiola. O anterior treinador do Barcelona é responsável pela construção do plantel, logo – e é certo e sabido que o Francês e o Holandês têm bastantes problemas físicos – deveria ter acautelado esta situação.

Outro dos pontos essenciais que temos de ter em mente quando fazemos uma análise do trabalho de Guardiola, e é este ponto que a grande maioria das pessoas não consegue entender, é o porquê da contratação do espanhol. É importante recordar que os alemães na temporada anterior à chegada de Guardiola tinham ganhado tudo o que havia para ganhar.

Contudo, os responsáveis do Bayern, e mesmo tendo em linha de conta que Jupp Heynckes já tinha anunciado que iria abandonar o comando técnico dos Alemães, independentemente do desfecho da temporada, queriam marcar a história do futebol mundial, não só pela conquista de títulos, mas também pelo estilo de futebol que a equipa pratica. Compreendo que – e inclusive eu próprio – a maioria dos amantes do desporto-rei tenha alguma dificuldade em acompanhar tal linha de pensamento. Todavia – e a verdade é que o Barcelona de Guardiola já ficou na história – gostando-se ou não, faz sentido que o Bayern tenha semelhantes objetivos.

O jogo da passada quarta-feira frente ao Futebol Clube do Porto, de resto, como já tinha acontecido contra o Wolfsburgo, e sem querer tirar qualquer mérito aos comandados por Lopetegui – porque o tem -, é o espelho das fragilidades do Bayern. As ausências de Robben, Ribery e Alaba – pelo menos para mim – são as que causam mais dores de cabeça a Guardiola e contribuíram, sem qualquer margem para dúvidas, para o desfecho da partida. Em abono da verdade, será indispensável referir que o Porto (versão Liga dos Campeões) não é uma equipa qualquer, longe disso.

Posto isto, e tentando perceber aquilo que se vai passar na próxima terça-feira, penso que será bastante difícil ao Porto conseguir manter a vantagem conquistada em solo português. Não digo isto por ser um amante do trabalho de Guardiola, até porque, antes de algo mais, sou Português e, consequentemente, desejo a vitória do Futebol Clube do Porto. No entanto, existem alguns factores que, a meu ver, farão desequilibrar a eliminatória: as ausências de Danilo e Alex Sandro, os prováveis regressos de Robben e Ribery, ou pelo menos de um deles, e ainda o facto de os alemães já estarem alertados para a qualidade da equipa do Porto.

Relativamente a Danilo e Alex Sandro, penso que a privação de ambos se fará sentir sobretudo no processo ofensivo. Os laterais Brasileiros seriam importantíssimos para esticar o jogo portista – processo que vai ter de fazer, de outra forma acabará por sair goleado da Alemanha. No que diz respeito aos possíveis regressos de Ribéry e Robben, vêm colmatar – como já aqui foi referido – uma das grandes lacunas do Bayern: a falta de largura da equipa de Guardiola, principalmente quando algum destes dois não está presente.

Em jeito de conclusão, e desejando os mais sinceros votos de sucesso ao Futebol Clube do Porto, prevejo que o Bayern acabe por conseguir a qualificação para a próxima fase. A equipa de Guardiola, apesar das lacunas que tem, é, em condições normais, a equipa mais forte. O futuro de Guardiola? Pois bem, apesar do próprio já ter vindo a público afirmar que na próxima época continuará no comando técnico dos alemães, penso que estará muito em jogo na próxima terça-feira. Caso seja eliminado, penso que a conquista de campeonatos alemães, com toda a autoridade que possa ter, não será suficiente para a continuidade do treinador espanhol no Bayern.

 Foto de capa: Facebook do Bayern de Munique

A arte de jogar com uma só mão

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Não passem a bola com uma só mão”, afirmam os treinadores designados de puristas do basquetebol, para quem a modalidade estava bem melhor no passado, quando se ensinavam os fundamentos do jogo.

Embora eu não esteja em completo desacordo com o conceito anterior – já que não sou, de todo, adepto dos passes com uma mão e, inclusive, nos cursos de treinador dizia frequentemente: “não é possível jogar só com uma mão” reconheço, contudo, que estava enganado e tenho de ter algum cuidado para não limitar o pensamento, de forma a entender o jogo atual.

O mítico Coach John Wooden, nos seus múltiplos escritos, dá um contributo que pode ajudar a entender a introdução deste passe na atualidade: “O que conta é o que tu aprendes depois de saberes tudo”, afirma. Relativamente à denominada arte de passar a bola, temos de fazer o mesmo, procurando encontrar razões que justifiquem uma ação mais arriscada com uma só mão.

Para melhorar as competências e ganhar mais confiança devemos seguir a velha regra dos treinadores: quanto mais difícil e exigente é o treino mais fácil será o jogo. Assim, todos devem treinar tal fundamento.

Se no treino os jogadores conseguem passar na sequência do drible (pass off the drible) com uma só mão e com precisão, no jogo vão conseguir passar com as duas, ou só com uma, porque estão confiantes.

O passe fundamental continua, na minha opinião, a ser efetuado com as duas mãos; mas da mesma forma que, por vezes, é necessário fazer um passe por trás das costas, ou um lançamento mais imaginativo e desequilibrado com o cesto, também algumas vezes é necessário fazer uma passe com uma mão, para fazer chegar a bola em boas condições ao lançador.

Os jogadores têm pouco espaço e um tempo curto para tomarem boas decisões. Com a linha de passe fechada, muitas vezes não é possível passar com as duas mãos. Para ganhar uma fração de segundo e ser mais rápido do que o defensor, usamos apenas uma das mãos. Os jogadores que no basquetebol atual não dominam este fundamento ficam limitados nas suas ações.

Claro está que se o passe com uma mão é apenas uma moda e apenas usado sem critério, em detrimento dos passes clássicos, o resultado são constantes perdas de bola, como é frequente acontecer.

Okafor com mãos muito grandes…

O jovem poste Jahlil Okafor (Duke), que recentemente se sagrou campeão da NCAA – e provável nº1 do Draft para a NBA – mostrou ao longo desta época uma habilidade única: quando sujeito a marcações duplas (trap) conseguiu quase sempre descobrir companheiros livres graças a sua capacidade de passar a bola com uma só mão.

“Ele pode e quer passar a bola com uma só mão”, disse o treinador Mike Krzyzewski. “Toma sempre boas decisões. Os companheiros, no exterior, só têm de ocupar os lugares certos para receberem e lançarem sem oposição”

As mãos de OKafor são mesmo muito grandes: 28,58 cm; o tamanho médio para o homem normal é de 19 cm Fonte: DraftExpress
As mãos de OKafor são mesmo muito grandes: 28,58 cm; o tamanho médio para o homem normal é de 19 cm
Fonte: DraftExpress

Com mãos muito grandes, o poste de Duke, movido pelos fundamentos do basquetebol, tem múltiplas vantagens, nomeadamente no passe.

Imparável perto do cesto no jogo de 1×1, foi ao longo de toda a época sujeito a marcações cerradas por parte de todos os adversários. Quase sempre tinha uma marcação dupla (trap) quando recebia a bola e pretendia atacar o cesto.

A solução que os treinadores de Duke descobriram para contrariar a estratégia defensiva levou em linha de conta as características morfológicas do poste. Passaram mesmo a incentivar o atleta a passar a bola aos companheiros com uma só mão. O facto de não ser egoísta e ter habilidade na arte de passar facilitou em muito a tarefa e permitiu à equipa marcar muitos cestos fáceis.

Alguns treinadores, mais conservadores, criticaram este tipo de passe. O treinador adjunto de Duke, Jeff Capel, defendeu esta opção: “Com umas mãos assim tão grandes por que razão não pode passar com uma só? Ele consegue isso com muita facilidade.”

Tudo isto em mim é natural. Agarrar a bola só com uma mão é fácil e nem tenho de treinar”, confirmou o jovem.

Com este novo argumento técnico, o double-team perdeu muito da sua eficácia. Okafor conseguiu, assim, aumentar o campo de ação e quase sempre descobrir, no lado contrário, jogadores sem oposição.

Com uma só mão Okafor consegue ver melhor o campo ao mesmo tempo que consegue manter a bola afastada do defesa direto enquanto toma a decisão de passar. Como é destro, esta ação fica ainda mais eficaz se for realizada do lado esquerdo do ataque, com o poste de costas para a linha final.

No início estranhávamos e ficávamos todos a olhar para ele”, disse Amile Jefferson. “Ele sabia que quando o defendiam dessa forma o único passe disponível era o passe longo a atravessar a zona. Mas muitas vezes não funcionava porque não nos mexíamos e estávamos muito afastados da bola”.

A equipa teve, então, de aprender a cortar para o cesto com movimento constante dos jogadores, em vez de ficarem todos parados a ver o que fazia Okafor com uma só mão. A solução estava encontrada e os adversários já não sabiam quem defender.

Os bases de Duke ao longo da competição procuraram muitas vezes encontrar as linhas de passe para o ponto de apoio mais forte da equipa, jogando com o conceito elementar de bola dentro/bola fora.

Os números finais não mentem e mostram a eficácia do passador (com uma só mão) e dos lançadores: Duke ganhou o campeonato, Okafor conseguiu realizar um total de 49 assistências e os bases Quinn Cook (15,3 pontos por jogo), Tyus Jones (11,8) e Justise Winslow (12,6) revelaram pontaria afinada.

Gonçalo, o melhor passador…

A jogar, e bem, só com uma mão temos no nosso basquetebol nacional o Jovem Gonçalo Tomaz. Nasceu sem o braço esquerdo mas não tem problemas de integração na modalidade.

Gonçalo Tomaz, agora com 14 anos, nasceu sem o membro superior esquerdo mas tal não o impediu de ter uma vida igual a todos os outros jovens, com o desporto a ter papel de relevo.

O primo jogava basquetebol, tal como pai. Depois de ter participado numa actividade escolar nunca mais largou a modalidade, jogando atualmente na equipa de Cadetes do Desportivo da Povoa, treinada pelo meu amigo António Santos. “Ele é capaz de tudo, passa a bola por trás das costas, por entre as pernas, marca triplos, ganha ressaltos e até desarma lançamentos. No contra ataque é o melhor passador”, afirma o treinador.

Na equipa joga como qualquer um dos outros  Foto: MaisDesporto
Na equipa joga como qualquer um dos outros
Foto: MaisDesporto

Desde que entrei para o basquetebol que a paixão foi crescendo”, revelou o jovem no momento em que contou aos pais que queria praticar esta modalidade. “Quando disse em casa que queria jogar basquetebol incentivaram-me e foram ver um jogo. Perceberam que tinha jeito e sempre me apoiaram”, confessa.

Top 10 – Grandes eliminatórias europeias do Milénio

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Prestes a iniciar-se a segunda mão do confronto entre FC Porto e Bayern de Munique, onde os portugueses estão em vantagem, convém lembrar que as equipas portuguesas, ao longo do actual milénio, foram inúmeras vezes capazes de se transcender e de tornar épica e triunfante uma eliminatória que muitos viram à partida como perdida.

Com isso em mente, convido-vos a fazer uma viagem por aquelas que considero terem sido as dez mais épicas eliminatórias de clubes portugueses nas provas da UEFA desde 2000/01, não me responsabilizando, desde já, por previsíveis ataques de nostalgia…

10.º – Newcastle United vs Sporting (1-0 e 1-4) – Quartos de Final da Taça UEFA – 2004/05

Na épica campanha leonina na Taça UEFA 2004/05, que apenas terminou na final, em pleno Alvalade XXI, com uma derrota de má memória com o CSKA Moscovo (1-3), existiram vários momentos capazes de deixar os adeptos verde-e-brancos com um sorriso no rosto; mas, se o golo salvador de Miguel Garcia, nos descontos do prolongamento com o AZ, será sempre o mais lembrado, a verdade é que a eliminatória com o Newcastle United acabou por representar talvez o momento de maior superação leonina. Afinal, depois de perder 1-0 em Inglaterra e de estar a perder por 1-0 em casa, o Sporting foi capaz de dar a volta ao texto (leia-se eliminatória), vencendo por 4-1, com golos de Niculae, Sá Pinto, Beto e Rochemback..

 9.º FC Porto vs Lazio (4-1 e 0-0) – Meias-Finais da Taça UEFA – 2002/03

No percurso azul-e-branco na Taça UEFA 2002/03, que terminou com a conquista da competição numa emocionante final diante dos escoceses do Celtic (3-2), tornou-se inesquecível a meia-final diante da Lazio, quando o demolidor FC Porto de José Mourinho resolveu a eliminatória com a poderosa equipa italiana logo no duelo da 1.ª mão, em casa, respondendo a um golo madrugador de Cláudio López com um vendaval de futebol ofensivo e um 4-1 materializado pelos golos de Maniche, Derlei (2) e Hélder Postiga.

 8.º Nacional vs Zenit (4-3 e 1-1) – Playoff da Liga Europa – 2009/10

Na temporada 2009/10, o Nacional tornou-se na primeira equipa madeirense a disputar a fase de grupos da Liga Europa, isto depois de uma inesquecível eliminatória diante do Zenit. Afinal, depois de um disputadíssimo jogo na Choupana, culminado com uma magra mas saborosa vitória insular por 4-3, o Nacional viajou para São Petersburgo com a consciência das dificuldades que iria encontrar e com a maioria da crítica a prever o apuramento russo. Para a história, contudo, ficou um jogo épico do Nacional, em que o mesmo resistiu inclusivamente a um golo fantasma de Tekke, acabando por conseguir o apuramento com o empate (1-1) obtido a um minuto do fim com uma cabeçada vitoriosa de Rúben Micael.

 7.º SC Braga vs Sevilha (1-0 e 4-3) – Playoff da Liga dos Campeões – 2010/11

A primeira participação do Sporting de Braga numa fase de grupos da Liga dos Campeões ficou marcada por uma manifestação de surpreendente superioridade arsenalista no playoff de apuramento, diante do favorito Sevilha. Afinal, depois de terem ganho por 1-0 na Pedreira, os bracarenses foram ao Sánchez Pizjuan fazer uma partida de sonho, acabando por ganhar aos andaluzes por 4-3, fruto de tento de Matheus e hat-trick de Lima.

 6.º Paris SG vs Boavista (2-1 e 0-1) – 3.ª eliminatória da Taça UEFA – 2002/03

Depois de eliminar os israelitas do Maccabi Telavive e os cipriotas do Anorthosis Famagusta, o Boavista parecia ver a sua campanha na Taça UEFA 2002/03 condenada a terminar na eliminatória seguinte, diante do poderoso Paris Saint-Germain, clube onde pontificavam, entre outras, figuras como Ronaldinho Gaúcho ou Gabriel Heinze. O certo, contudo, é que a guerreira equipa de Jaime Pacheco conseguiu sair do Parque dos Príncipes com uma magra derrota por 2-1 e, depois, no Bessa, superou a mesma equipa gaulesa com uma grande penalidade do “pistoleiro” Elpídeo Silva. Em suma, apuramento axadrezado e um trampolim para um fantástico percurso que apenas terminaria nas meias-finais, diante do Celtic.

 5.º Benfica vs Juventus (2-1 e 0-0) – Meias-finais da Liga Europa – 2013/14

O último obstáculo do Benfica para estar presente na sua segunda final consecutiva da Liga Europa era a poderosa Juventus: clara dominadora do futebol italiano nos últimos anos, tinha a motivação suprema de disputar a final da competição no seu próprio estádio. A verdade, contudo, é que toda a crença da “Vecchia Signora” acabou por esbarrar num personalizado Benfica, que venceu por 2-1 na Luz, e, depois, em Turim, rubricou uma exibição que mesclou capacidade de entreajuda e sacrifício (principalmente após a expulsão de Enzo Pérez) e uma excelente actuação de Jan Oblak, guarda-redes esloveno que foi fulcral no assegurar do nulo e consequente apuramento.

 4.º SC Braga vs Liverpool (1-0 e 0-0) – Oitavos de Final da Liga Europa – 2010/11

A excelente campanha do Sporting de Braga na Liga Europa 2010/11, que apenas terminou com uma derrota na final, diante do FC Porto (0-1), teve como um dos momentos mais épicos a eliminatória diante do Liverpool, nos oitavos de final, quando os arsenalistas superaram o histórico emblema inglês com um triunfo caseiro por 1-0 (golo de penálti de Alan) e um empate (0-0) em Anfield Road, num jogo em que Artur Moraes esteve imperial na baliza minhota.

 3.º Benfica vs Liverpool (1-0 e 2-0) – Oitavos de Final da Liga dos Campeões – 2005/06

O irregular Benfica de Ronald Koeman teve momentos capazes de dar um ataque de nervos ao mais pacato adepto encarnado, mas também teve outros que encheram a família benfiquista de orgulho, sendo talvez o exemplo mais emblemático a eliminatória europeia diante do Liverpool. Afinal, em plenos oitavos de final da “Champions”, e diante do detentor da prova, o Benfica fez duas partidas absolutamente fantásticas, vencendo na Luz por 1-0 (golo de Luisão) e repetindo o feito em Anfield Road, desta feita, por 2-0, com golaços de Simão e Miccoli.

 2.º FC Porto vs Manchester United (2-1 e 1-1) – ‘Oitavos’ da Liga dos Campeões – 2003/04

Depois de ter conquistado a Taça UEFA em 2002/03, o FC Porto de José Mourinho haveria de vencer a Liga dos Campeões na temporada seguinte, num percurso que teve como obstáculo mais espinhoso o Manchester United de Alex Ferguson, nos oitavos de final. Foi uma eliminatória disputada ao centímetro, com os azuis-e-brancos a vencerem por 2-1 no Dragão com bis de McCarthy e, depois, em Old Trafford, a empatarem a uma bola, num jogo em que, lembre-se, o golo salvador de Costinha surgiu nos últimos instantes, e a merecer corrida desenfreada e vitoriosa do “Special One“.

 1.º Sporting vs Manchester City (1-0 e 2-3) – Oitavos de Final da Liga Europa – 2011/12

Talvez picados pelas declarações de Edin Dzeko, que assumiu que não conhecia nenhum jogador do Sporting, os verde-e-brancos tiveram talvez a maior manifestação de superação da sua história ao ultrapassarem o poderoso Manchester City nos oitavos de final da Liga Europa 2011/12. Afinal, diante de uma equipa que haveria de ser campeã inglesa, o Sporting fez 150 minutos de sonho, vencendo por 1-0 em Alvalade (o mítico calcanhar de Xandão) e chegando mesmo ao 2-0 em Inglaterra, com tentos de Matías Fernández e Ricky van Wolfswinkel. Depois, na última meia-hora, os “citizens” ainda acordaram e chegaram mesmo ao 3-2, resultado ainda assim insuficiente para frustrar o histórico apuramento leonino.

Foto de Capa: UEFA Champions League