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O futebol no seu esplendor, dividido em duas eliminatórias

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eternamocidade

Descrito como o jogo mais popular do mundo, o futebol é muito mais do que simples 90 minutos. Ser adepto de um clube é muito mais do que apoiar um clube uma vez por semana. Como no desporto em geral, o futebol é sobretudo emoções. De um momento para o outro, num lance de génio ou num erro defensivo, aquilo que poderia ser um fracasso transforma-se em ouro. Por outras palavras, o futebol é possivelmente o jogo em que mais rapidamente um vilão se transforma num herói e vice-versa. Por tudo isto, não raras vezes ouvimos aquela expressão que diz que “o futebol é o momento”. Dividida em duas batalhas diferentes, em Munique e em Lisboa, nada melhor do que uma semana como esta para o FC Porto perceber tudo isto.

A última semana trouxe aos adeptos portistas uma das maiores alegrias dos últimos tempos. A vitória frente ao Bayern revelou um FC Porto pujante, com dimensão europeia e sobretudo com traços de equipa de topo na Europa. Com uma exibição dominadora, agressiva, sufocante e eficaz, os 3-1 ao Bayern de Munique fizeram os portistas acreditar que o sonho europeu voltou aos corredores do Dragão. Numa época como esta, com um treinador completamente inexperiente a nível de clubes e com um plantel com 16 jogadores novos, poucos seriam os que apostavam numa tão brilhante prestação na Liga dos Campeões. Mesmo não tendo apanhado, até ao confronto com os bávaros, equipas de topo do futebol europeu, ao longo da competição fomos percebendo que a Champions se transformou no melhor sítio para jogadores e treinador do FC Porto competirem. Olhar para as exibições de Basileia, Lviv e Bilbau (até ao jogo com o Bayern), e fazer o exercício comparativo com alguns dos jogos dentro de portas esta época, era um exercício quase surreal, dada a diferença qualitativa apresentada pela equipa a nível nacional e europeu. Mesmo que as goleadas no campeonato tenham sido frequentes, não raras vezes vimos uma equipa amorfa, a transbordar, dentro e fora do relvado, uma inexperiência gritante ao nível do campeonato português.

Com alguns pontos perdidos de forma inexplicável e que comprometem seriamente a hipótese de chegar ao título, facilmente se compreendeu a obsessão de Lopetegui e dos jogadores com a Liga dos Campeões. Num plantel com tanta qualidade e com tantos jogadores com mercado, a constituição deste FC Porto era um apelo à superação na maior prova de clubes da Europa. Ao longo dos meses de Champions, não raras vezes me insurgi contra este fanatismo pela liga milionária. Bem sei, e ainda bem que me lembro, que a história portista se construiu em grande parte pelas glórias europeias que o clube foi construindo ao longo dos tempos. Desde o calcanhar de Madjer, em Viena, até à conquista de Gelsenkirchen, passando pelas vitórias em Tóquio, Sevilha ou Dublin, as últimas três décadas azuis e brancas foram pintadas por conquistas europeias e mundiais que transformaram o clube e o tornaram num dos maiores a nível europeu. Na última quarta-feira, perante o colosso Bayern, a exibição portista foi uma lembrança daqueles tempos dourados, não tão longínquos no tempo mas que pareciam tão difíceis de algum dia serem repetidos. Perante uma das melhores equipas do mundo, o FC Porto não se atemorizou: jogou com as suas armas, com a sua estratégia, e aproveitou os seus momentos de jogo. Com ambição, crer, garra e determinação, dentro e fora das quatro linhas, a equipa mostrou ao mundo que é possível voltar a sonhar, mesmo contra os maiores.

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O Allianz-Arena, em Munique, será o palco do Bayern-FC Porto
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Por tudo isto, ao olhar para o calendário portista, rapidamente se chega à conclusão de que esta é uma das semanas mais importantes dos últimos anos. Primeiro na Baviera e depois no Estádio da Luz, o FC Porto joga muito daquilo que é a sua temporada. E é neste preciso ponto que regresso ao ponto onde comecei: à premissa de que o futebol é o momento. À partida para Munique, os jogadores e o restante staff foram brindados com um banho de multidão: naquela tarde de domingo, foram mil os adeptos que decidiram despedir-se dos jogadores, apoiando-os rumo a uma das maiores batalhas do clube nos últimos anos. Com Lopetegui, Quaresma ou Jackson como os mais adorados, aquela despedida da multidão é porventura o exemplo maior daquilo que é o futebol. Sem receios de uma eliminação natural ou de uma goleada que pode perfeitamente acontecer, os adeptos portistas decidiram retribuir aos jogadores a alegria da última quarta-feira, tendo consciência da semana que vão ter.

Ao longo dos últimos meses, não raras vezes fui aqui criticando e elogiando a equipa. Enquanto adepto mas sobretudo enquanto analista, sempre me insurgi contra a intermitência exibicional e comportamental dos comandados de Lopetegui. Também por isso, esta semana, no Bola na Rede, não quis trazer para esta coluna de opinião um texto motivacional para o clube ou um qualquer outro artigo que me fizesse estar nos píncaros da emoção. Isso é, na minha opinião, o pior que pode acontecer esta semana, à equipa e aos adeptos.

Mais do que olhar para um possível apuramento para as meias-finais ou para uma liderança do campeonato português, aquilo que acredito ser mais importante nesta altura é haver ponderação. De adeptos a treinador, passando pelos jogadores e dirigentes, é importante não cair na tentação de pensar, apenas porque se venceu ao Bayern de Guardiola, que, a partir da última quarta-feira, o limite é o céu. Procurando ser objetivo na análise, é certo que não me posso esquecer da alegria que tive ao ver o FC Porto “banalizar” um colosso como os alemães. É certo também que não me posso esquecer de que, falando do campeonato, no jogo da primeira volta, o FC Porto não teve a felicidade e o engenho de que precisava para vencer o Benfica. Ainda assim, e mesmo achando que um super Porto pode ser feliz nestas duas batalhas, penso que o mais importante é não cair no exagero de descer do céu ao inferno em apenas alguns dias.

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À partida para Munique, os jogadores foram brindados com uma despedida calorosa
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Mesmo com um apuramento para as meias-finais à mão de semear, ninguém na equipa portista se pode esquecer de que, do outro lado, está uma das melhores equipas da história do futebol europeu. Esse é um pensamento que acredito que esteja na cabeça dos jogadores, mas penso que dificilmente está na mente dos adeptos. No que à Liga diz respeito, o jogo com o Benfica é sempre o apogeu máximo de emoção e rivalidade. Por alguns confrontos passados e que para nada servem na atualidade, a maioria dos adeptos considera que, a jogar como se jogou com o Bayern, ganhar por 2 ou 3 na Luz será tarefa fácil. Infelizmente para o FC Porto, esta banalização do que é um jogo e do que é o futebol pode ser prejudicial no caso de um possível falhanço nestes dois jogos.

Caro leitor, não quero que, após este texto, ache que estou a fazer um funeral à equipa ou que estou já a tentar precaver-me em relação a dois possíveis fracassos. A explicação para este texto é mais profunda do que isso: mais do que olhar para Berlim, ou para o título nacional, o FC Porto terá de pensar que, esta semana, vai defrontar duas excelentes equipas, em jogos onde qualquer resultado pode acontecer.

É certo que, ao ver o fato europeu com que a equipa se tem vestido, é legítimo acreditar no apuramento para as meias e numa vitória na Luz como impulso decisivo para a reconquista do título. Tudo isso é verdade, mas, num jogo tão imprevisível como é o futebol, o mais importante é perceber que, do outro lado do campo, existe um adversário com igual ou maior qualidade. Sem medos ou receios, penso que a receita para estas duas batalhas é simples: acreditar que é possível. Em 1987, 2003, 2004 e 2011, outros acreditaram e a glória chegou. A história não se repete mas a glória pode ser novamente alcançada. Só não pode é ser vista como obrigatória, como se a equipa fosse jogar sozinha estes desafios. Não vai, e os adversários são de qualidade inegável. O que não quer dizer que o FC Porto não possa sonhar. Eu acredito que pode e que tem tudo para o fazer. Basta honrar o símbolo e a sua história.

Fonte: Página de Facebook do FC Porto

O futebol não é só táctica, Zé

cab premier league liga inglesa

Para o utilizador de simuladores de futebol (PES’s, FIFA’s, FM’s…) que não presta muita atenção àquilo que se passa na realidade futebolística e que só se “liga” a ela quando há jogos do seu clube do coração ou clássicos das principais ligas europeias, o Chelsea – Manchester United do passado Sábado era um encontro aguardado com muita expectativa, pelo espectáculo que a Premier League costuma trazer, pelo facto de se assistir à colisão de jogadores com “stats incríveis” (Hazard, Fàbregas ou Matic vs Falcao, Rooney e Mata) e pelo confronto de dois treinadores cujo nome, decerto, terá causado alguma azia e dores de cabeças aos “manager’s virtuais” – José Mourinho e Louis Van Gaal.

Este tipo de “consumidor” (a crescer, de dia para dia) encontra-se em maior proporção nos mercados emergentes para o futebol – situados, sobretudo, na Ásia e EUA -, mas também existem em grande número por essa Europa fora. Ou seja, é uma grande parte da assistência para a qual a Premier League tem vindo a trabalhar desde há muitos anos a esta parte, e onde, graças a isso, tem uma “quota de mercado” enorme, com grande vantagem sobre as ligas rivais.

Esta vantagem foi construída em dois pilares: a perspicácia dos responsáveis pelo marketing da Premier League, que se anteciparam aos seus congéneres das restantes ligas, e o espectáculo que cada jogo do campeonato inglês costuma proporcionar, principalmente entre os grandes clubes.

Assim, o espectáculo gerado num encontro como o Chelsea – Manchester United tem cada vez mais importância para a Premier League, que procura defender a imagem do futebol-espectáculo em que foi fundado um dos principais pilares acima referidos e que permite a prosperidade do organismo e dos clubes que o integram (as receitas ultrapassaram a marca das 3 mil milhões de libras na época passada).

Zouma foi uma aposta ganha de Mourinho Fonte: Facebook do Man United
Zouma foi uma aposta ganha de Mourinho
Fonte: Facebook do Man United

Assim, o pobre espectáculo (face ao potencial das duas equipas) a que se assistiu no jogo grande da jornada 33 da Premier League em nada beneficiou a imagem do campeonato. É certo que a vantagem que esta liga tem para as restantes lhe dá margem para que esta se mantenha mesmo com muito mais jogos deste nível durante uma temporada, mas, tendo em vista o longo prazo, a repetição de “espectáculos” como o do último Sábado, em que houve poucas situações de perigo, em que a equipa da casa (e líder do campeonato) se limitou a explorar o erro do adversário e conseguiu controlar o jogo apesar de ter apenas 28 % de posse de bola durante o jogo inteiro, podem fazer com que essa vantagem se esgote.

A lição táctica dada por Mourinho a Van Gaal serve imenso os propósitos do Chelsea, dos puristas do futebol, dos apaixonados pela táctica ou dos aspirantes a treinadores, mas não o do mercado, o do negócio.

O português reconheceu, há pouco tempo, um “defeito enorme” – está sempre a melhorar. E fez jus às suas palavras pela forma como conseguiu manobrar a equipa do Manchester United e soube levar a àgua ao seu moínho, sobretudo, com a colocação de Zouma como médio defensivo, auxiliado por um Matic exímio a nível posicional, com e sem bola. À volta deles, todo um batalhão de jogadores que interpretou na perfeição o papel que o “happy one” lhes designara.

Na hora de sair para o ataque, a equipa entende-se de olhos fechados e o golo do Chelsea é disso exemplo, com o grande entendimento (e a qualidade técnica e, cada vez mais, táctica) de Óscar e Hazard a ser suficiente para levar de vencida uma das equipas que mais perto está de se chegar ao líder do campeonato e que, segundo o seu próprio treinador, fez um dos melhores jogos da época.

Mourinho teve tudo controlado. Deu mais uma prova da sua genialidade. Mas o espectáculo perdeu. E, apesar de a táctica ser o pilar essencial de uma vitória, o futebol contemporâneo não se limita a ela.

Foto de Capa: Facebook do Chelsea

ABC na final da Taça Challenge, Benfica perde e protesta jogo

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cab andebol

O ABC de Braga está na final da Taça Challenge de Andebol! A equipa de Carlos Resende perdeu ontem na Noruega com o Stord (27-25), mas seguiu em frente graças à vitória tranquila (25-18) alcançada na semana anterior no Pavilhão Flávio Sá Leite. Numa partida em que os destaques do lado português foram o lateral-esquerdo Nuno Grilo e o pivot Ricardo Pesqueira (ambos com 7 golos), os bracarenses foram para o intervalo a perder apenas por um golo no jogo (12-11) e, portanto, com uma almofada de seis tentos no total da eliminatória.

Na segunda parte, nem mesmo a expulsão de João Pinto com pouco mais de 7 minutos jogados abalou a equipa, que até chegou a estar a ganhar a 10 minutos do fim (19-20). Contudo, apesar da derrota, o ABC pôde celebrar a sua presença na final – isto depois de um percurso em que teve de eliminar, para além dos noruegueses, também o Dukla de Praga, da República Checa, e o Riimäcki Cocks, da Finlândia. Recorde-se que os minhotos já tinham chegado a uma final desta competição, precisamente há dez anos, tendo então perdido com os suíços do Wacker Thun. O ABC é a equipa responsável pela melhor campanha portuguesa de sempre em provas europeias de andebol, quando o emblemático Aleksander Donner levou o clube a a atingir, em 1994, a final da mítica Liga dos Campeões.

Os bracarenses procuram agora a glória europeia numa competição em que também o Sporting da Horta e o Benfica foram vice-campeões, mas que só o Sporting CP conseguiu conquistar, em 2010. A Taça Challenge é a competição europeia mais modesta, atrás da Liga dos Campeões e da Taça EHF, e nela não participam equipas alemãs nem espanholas. No entanto, é a única em que as equipas portuguesas podem ter reais pretensões de triunfar, pese embora a boa campanha do FC Porto na Liga dos Campeões e do Sporting na Taça EHF, na época passada.

abc na noruega
Apesar da derrota na Noruega, o ABC apurou-se para a final e pôde celebrar

Actualmente, o ABC está apenas um passo atrás de FC Porto e Sporting. A equipa tem feito uma época memorável e derrotou mesmo estes dois conjuntos na final-four da Taça de Portugal, vencendo um troféu que lhe escapava desde 2009. Com Humberto Gomes em forma na baliza, o lateral-esquerdo Nuno Grilo a rodar com um Hugo Rocha sólido a defender e competente a atacar (ao contrário do que fazia no Sporting, onde quase só defendia) e ainda as incursões do experiente David Tavares, ex-Benfica e Porto, pela ponta direita, o ABC terá decerto hipóteses de levantar o troféu. Também o pivot Ricardo Pesqueira, o central Pedro Seabra Marques (ambos vice-campeões da Europa de sub-20 em 2010) e o lateral João Pinto têm ajudado bastante uma equipa formada por vários ex-jogadores dos chamados três grandes do desporto nacional, que tem na entrega e no espírito de grupo duas das suas principais armas.

Os homens de Carlos Resende vão, ao que tudo indica [ver texto abaixo], defrontar na final os romenos do Odorhei, que afastaram o Benfica.

Cada sucesso nas modalidades deve ser celebrado e encarado também como uma resposta aos que dizem que só o futebol interessa. Parabéns ao ABC por esta caminhada fantástica, que pode não ficar por aqui!

O que se passou na Luz?

A curiosidade destas meias-finais era saber se a Taça Challenge iria ter uma final 100% portuguesa. Com o ABC a ser bem-sucedido na Noruega as atenções viravam-se para o Pavilhão da Luz, onde o Benfica teria de anular uma desvantagem de dois golos (31-29) trazida da Roménia em jogo frente ao Odorhei. Em casa, os encarnados voltaram a perder, desta vez por 25-27, mas irão protestar o jogo. Em causa está o facto de, defendem os responsáveis das águias, o delegado da mesa ter confundido Elledy Semedo com Paulo Moreno, excluindo este último e deixando o Benfica com cinco elementos quando deveriam estar a jogar seis. As 24 horas para formalizar o protesto acabam esta noite.

 

Fotos: Facebook oficial do ABC de Braga

Go Thiago, Go!

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cab bundesliga liga alema

Estamos a um mês do fim da época (mais dia menos dia) e o plantel do Bayern encontra-se completamente desolado por lesões, não contando com jogadores como Robben, Ribéry, Alaba, Benatia, Martínez e Schweinsteiger, todos eles possíveis titulares em condições normais.

A Bundesliga está praticamente assegurada; a seis jogos do fim o Bayern leva um avanço de doze pontos sobre o Wolfsburgo e de dezanove sobre o Mönchengladbach e o Leverkusen, sendo muito pouco provável que nestes quinze pontos por disputar a equipa da Baviera não consiga acumular duas vitórias, sendo que o único jogo “complicado” será com o Leverkusen fora.

A liga voltou então a ser um passeio para a equipa, não um passeio tão grande como a época anterior, mas deu para gerir sem problema e sem nunca sentir qualquer tipo de pressão séria ao primeiro lugar.

Estão ainda nas meias-finais da DFB Pokal (em casa com o Dortmund no próximo dia 28) e nos quartos-de-final da Liga dos Campeões. É aqui que o regresso de Thiago Alcântara pode vir a ser instrumental para as ambições do Bayern.

Nenhum médio no Bayern faz o que Thiago faz, pelo menos com a mesma eficácia. Alonso, apesar de ter uma qualidade técnica e de passe comparável, é um médio muito mais defensivo e posicional, os lesionados Schweinsteiger e Martínez são jogadores mais físicos, mais específicos e menos criativos e Rode e Gaudino deixam muito a desejar em comparação com o versátil hispano-brasileiro.

Com a ausência de Robben e Ribery e o empréstimo de Shaqiri ao Inter, Guardiola é “obrigado” a jogar com Götze encostado à ala, assumindo-se Thiago como o catalisador de jogo do Bayern, sendo o maior responsável pela transição defesa-ataque num trio de meio campo composto por ele, Lahm e Alonso.

Thiago pode ser importante nesta fase final de temporada Fonte: Facebook do Bayern
Thiago pode ser importante nesta fase final de temporada
Fonte: Facebook do Bayern

Thiago é um jogador extremamente consciente do que se passa em campo, e no estilo de jogo dos alemães, a sua presença pode ser fundamental pela sua capacidade de dividir e executar. É um jogador que pega na batuta do jogo e não tem medo de o assumir, fisicamente é franzino e não muito rápido, compensando com uma grande velocidade de execução derivada da sua inteligência e capacidade técnica superior.

Depois da “lição” (de bola e principalmente de humildade) que os alemães receberam na primeira mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, no Dragão, a equipa na segunda volta terá e deverá apoiar-se no criativo que apontou o golo que dá esperanças aos alemães de avançar para as meias-finais da mais importante competição do futebol europeu. Usando Alonso e Lahm como médios mais recuados e posicionais deverá libertar Thiago para usar toda a sua criatividade e mestria para tentar espalhar o pânico numa defesa do Porto que não poderá contar com Danilo e Alex Sandro, criando assim mais oportunidades para diagonais de jogadores como Götze e Müller.

O maior problema de Thiago é e sempre foram as lesões, em quase duas épocas ao serviço do Bayern já se lesionou duas vezes gravemente no joelho, tendo ficado parado ao todo mais de um ano e participando em apenas vinte e nove jogos em mais de cem possíveis pelo Bayern. Se bem que agora que o departamento médico do clube se demitiu, depois de ser considerado responsável pela recente onda de lesões do clube que levou à derrota com o Porto (cof cof), o hispano-brasileiro estará provavelmente mais saudável que nunca.

Tanto no fim desta época como para o futuro, se Thiago conseguir manter-se em campo terá muito a dizer sobre as futuras aspirações do Bayern, o potencial está lá para se tornar um jogador de classe mundial: técnica fabulosa, qualidade de passe, drible, controlo de bola, capacidade de decisão e execução, inteligência, a habilidade de criar buracos em qualquer defesa, fazendo o inesperado e virando um jogo do avesso do nada.

O Bayern precisa que Thiago se desenvolva no jogador que sempre prometeu e o futebol só tem a ganhar com isso. O primeiro grande desafio para o jogador vem já no próximo dia 21, em Munique, quando o Bayern tentar recuperar de uma desvantagem de dois golos contra o impressionante Porto de Lopetegui.

Foto de Capa: Facebook do Bayern

Vira o disco e toca o mesmo

cab desportos motorizados

Quarta corrida do campeonato e terceira vitória de Hamilton no Mundial de 2015 de F1. O inglês parece que vai lançado para a revalidação do título, o que, a acontecer, será o seu terceiro.

Numa corrida em que esteve sempre à frente, a animação foi mais pelo segundo lugar, apesar de este parecer estar sempre controlado por Rosberg; no entanto, o alemão, à entrada da última volta, não conseguiu aguentar a pressão de Raikkonen e perdeu a oportunidade de dar a dobradinha à Mercedes.

A Ferrari é que está cada vez mais forte e já se pode dizer, sem qualquer dúvida, que é a segunda força da F1 atual. A vitória de Vettel na Malásia e os vários pódios conquistados até agora mostram que o cavalo rompante está de volta e em força. A tendência é a de os italianos melhorarem, o que só pode ser positivo para a modalidade, quer pela competitividade quer pelo facto de a Ferrari ser a equipa mais acarinhada da modalidade, ou não fosse a única que fez todas as provas dela.

Lewis Hamilton caminha a passos largos para o título Fonte: Facebook de Lewis Hamilton
Lewis Hamilton caminha a passos largos para o título
Fonte: Facebook de Lewis Hamilton

Quem também parece estar a melhorar é a McLaren. Apesar de a equipa britânica ter ido para a prova apenas com um carro, visto Button não ter sequer começado a corrida, conseguiu um 11º lugar por Alonso. No entanto, ainda é muito prematuro falar no regresso em força da equipa, que este ano voltou a contar com os motores Honda, como se pode ver pelo caso do britânico, que teve um fim de semana para esquecer devido ao motor. De resto, McLarem e Manor são as duas únicas equipas ainda sem pontos no Mundial, algo expectável por todos, mas que não deixa de ser marcante no caso da McLarem; afinal é uma das históricas da categoria.

A prova do Bahrein foi fraca, pelo menos na minha opinião, o que vem ao encontro do que têm sido os últimos anos da modalidade, com corridas mornas que mais parecem procissões e que, juntando a muitos outros fatores, alguns que já deixei aqui num outro artigo, fazem a categoria máxima dos desportos motorizados estar a perder muito do seu interesse.

Finalizo com uma coisa que talvez até seja estúpida, mas adorei ver as faíscas saírem dos carros sempre que estes arrastavam no chão. Uma coisa mais característica do passado, mas que me faz sempre lembrar espetáculo, mesmo que este não exista.

Foto de capa: Facebook de Lewis Hamilton

Sporting 2-1 Boavista: É preciso fazer mais e melhor

rugir do leao duarte

O Sporting defrontou hoje o Boavista num jogo a contar para 29ª jornada da primeira liga portuguesa; A ultima vez que o Boavista visitou o estádio de Alvalade datava da época de 2007/2008, encontro que os verde-e-brancos venceram por 2-1. Ambas as equipas estão bastante tranquilas na tabela classificativa: o Sporting dificilmente verá o seu terceiro lugar ser alterado e o Boavista tem a manutenção praticamente garantida. Estavam, assim, reunidas todas as condições para um bom jogo de futebol.

Marco Silva viu-se, mais uma vez, obrigado a mexer na equipa em virtude de algumas ausências forçadas: Cédric, que havia ficado de fora nos últimos jogos, rendeu Miguel Lopes, este ultimo a par com alguns problemas físicos ficou de fora da convocatória; Tobias Figueiredo saltou para o 11 titular como consequência da expulsão de Ewerton na deslocação ao Bonfim. Contudo, nem todas as alterações foram forçadas; Rossel e Tanaka, em virtude das boas exibições do passado fim-de-semana, mantiveram-se no onze, “sentando”, desta forma, William Carvalho e Slimani. Por sua vez, Petit, treinador do Boavista, promoveu bastantes alterações relativamente à equipa que habitualmente costuma atuar.

O Sporting dificilmente poderia ter desejado um começo melhor: nem 30 segundos estavam decorridos, e Adrien Silva, após um erro crasso de Filipe Sampaio, não facilitou e colocou o Sporting em vantagem. Todavia, e apesar do golo madrugador, a equipa leonina entrou pouco agressiva e com os níveis de concentração muito em baixo.

Afonso Figueiredo, com um remate bastante perigoso à entrada da grande área, deixou o primeiro aviso; Depois, e no seguimento de uma perca de bola do meio-campo leonino, o Boavista numa excelente transição ofensiva empatou o jogo por intermédio de Zé Manuel. De resto, foi uma primeira parte bastante pouco conseguida por parte do Sporting: muitos passes errados, lenta circulação de bola … Marco Silva, ainda no decorrer da primeira-parte, tentou agitar a partida e retirou Rossel das quatro linhas, lançando Slimani; Contudo, sem quaisquer efeitos práticos.

Mesmo antes dos jogadores irem para o descanso, Tobias Figueiredo recebe ordem de expulsão após ter derrubado Leozinho quando este seguia sem oposição na direção da baliza guardada por Rui Patrício. William Carvalho substituiu Tanaka para refazer o quarteto defensivo leonino.

Na segunda parte, o jogo pouco se alterou; Apesar do Sporting ter entrado ligeiramente melhor, as oportunidades de golo escasseavam. Todavia, e na sequencia de um excelente cruzamento de Carrillo, o matador argelino, Slimani, voltou a colocar o Sporting em vantagem. Daí em diante, o jogo ficou bastante partido e o Sporting ainda passou por alguns calafrios. De realçar a expulsão de Filipe Sampaio, que viu 2 amarelos num minuto.

Em notas finais, o Sporting voltou a não realizar uma boa partida. Mesmo tendo em conta que o grande objetivo passa pela final da Taça de Portugal, a equipa de Alvalade tem a obrigação de fazer mais e melhor. Relativamente ao Boavista, confesso que não sou apreciador deste tipo de futebol; A equipa de Petit, diga-se, alias, à imagem do seu treinador, limitou-se a “estacionar o autocarro” e bola para a frente; Este tipo de futebol afasta as pessoas dos estádios. Uma menção honrosa para Afonso Figueiredo, que foi dos melhores do conjunto boavisteiro.

A Figura

Adrien Silva –  Já aqui critiquei o internacional português. Contudo, e muito provavelmente devido ao descanso que tem tido, o rendimento de Adrien Silva tem vindo a melhorar bastante. Hoje, juntamente com Slimani, realizou mais uma excelente exibição.

Fora-de-jogo

Boavista – O Boavista apresenta um futebol medíocre, mesmo tendo em conta a fraca qualidade do seu plantel. Este tipo de futebol, como já referi, afasta às pessoas dos estádios. A classificação em que se encontra, talvez fruto de semana após semana jogar num relvado sintético, não é inteiramente justa.

Foto de capa: FPF

Boavista: Depois de muita luta, a manutenção está quase garantida…

futebol nacional cabeçalho

Após várias épocas afastado da Primeira Liga devido ao caso “Apito Dourado”, o Boavista regressou este ano vindo diretamente do Campeonato Nacional de Seniores. Esta situação incomum colocou muitas dúvidas, de forma legítima, sobre as reais capacidades do Boavista em apresentar uma equipa competitiva, de forma a conseguir assegurar a manutenção no principal escalão.

Apenas oito jogadores se mantiveram desde o plantel da época passada. Obviamente uma equipa construída para um Campeonato Nacional de Seniores está muito distante das exigências de uma Primeira Liga. Por esse motivo foi necessário rechear o plantel com outras opções, ainda que com as evidentes condicionantes financeiras que o Boavista apresenta. O panorama no início da época era bastante negro. E os primeiros jogos adensaram esse cenário.

Os axadrezados perderam em Braga, na receção ao Benfica e em Vila do Conde, sem conseguirem marcar qualquer golo. Contudo, depois disso, duas vitórias em casa, frente a Académica e Gil Vicente, com um surpreendente empate no Estádio do Dragão pelo meio, levaram a que o público começasse a olhar para o Boavista de forma diferente. Podem ter sido estas jornadas o ponto de viragem para a equipa que vemos neste momento. Atualmente, quando faltam disputar 18 pontos até ao final do campeonato, o Boavista está no 13º lugar, com 29 pontos, mais 10 que o Gil Vicente e 11 que o Penafiel, as duas equipas que estão abaixo da linha de água. Esta posição é extremamente confortável, tendo em conta que gilistas e penafidelenses ainda têm de defrontar Benfica e FC Porto até ao final da Liga. Acredito que o Boavista tem a manutenção garantida, ficando a faltar apenas a confirmação matemática da mesma.

Contudo, para chegar a esta confortável posição, foi importantíssima a fortaleza do Bessa. Os boavisteiros venceram metade dos 14 encontros disputados em casa, tendo derrotado por exemplo V. Guimarães, SC Braga e Belenenses, equipas que lutam pelo acesso às competições europeias. 22 dos 29 pontos foram conquistados dentro de portas, e isso diz tudo sobre a prestação do Boavista na relva sintética do Estádio do Bessa. Em terreno alheio, a conversa é diferente. Apenas 1 vitória e 4 empates em 14 partidas. Contudo, vemos um registo interessante. Nesta altura, o Boavista tem 5 equipas atrás de si na tabela (Académica, Vit.Setúbal, Arouca, Gil Vicente e Penafiel). Em jogos do campeonato, o Boavista não perdeu nenhum jogo frente a estes adversários diretos. Contra os estudantes, os gilistas e os penafidelenses, a equipa de Petit conseguiu vencer em casa e empatar fora. Frente ao Arouca, o Boavista venceu em casa e ainda terá de jogar fora, frente aos sadinos os axadrezados alcançaram o único triunfo fora de casa, tendo ainda de receber o conjunto agora orientado por Bruno Ribeiro. Este registo perante os adversários diretos foi decisivo para a confiança que se respira nos corredores do Bessa.

A união do grupo e o Estádio do Bessa: dois fatores decisivos para a boa época do Boavista Fonte: Facebook do Boavista Futebol Clube
A união do grupo e o Estádio do Bessa: dois fatores decisivos para a boa época do Boavista
Fonte: Facebook do Boavista Futebol Clube

Virando as atenções para o plantel, vimos uma grande indefinição no início da temporada que se foi desvanecendo ao longo da mesma, devido a algumas contratações que se revelaram importantes. A equipa vale acima de tudo pelo coletivo, não tendo nenhum jogador que se sobressaia dos demais. Petit construiu uma equipa baseada num meio campo combativo, com vários jogadores poderosos do ponto de vista físico. Nas alas, laterais atacantes e extremos rápidos, como são Zé Manuel e Brito, a tentar municiar o ponta de lança, que tem sido maioritariamente o internacional nigeriano Michael Uchebo, que até esteve no Mundial 2014. O antigo jogador do Cercle Brugge marcou 4 golos na Primeira Liga e tem sido um dos principais destaques da equipa. Apesar da sua estampa física (1,94m), Uchebo é um jogador irrequieto, que se movimenta ao longo de todo o espaço atacante, desgastando muito os defesas contrários. Além disso, é muito importante no jogo aéreo, tanto defensiva como ofensivamente. Mas existem outros destaques na turma axadrezada.

Na baliza, Mika, vice-campeão do Mundo sub-20 em 2011, parece estar a renascer, depois de uma passagem infeliz no Benfica. Tem estado bem na baliza da equipa de Petit e é um dos pilares que ajuda a explicar a boa temporada do clube. Na defesa, destaco três nomes: Brayan Beckeles, Carlos Santos e Afonso Figueiredo. O hondurenho também esteve no Mundial do Brasil. Apesar de esta ser a sua primeira experiência no futebol europeu, tem demonstrado qualidade, quer a jogar como lateral , quer como extremo no flanco direito. Carlos Santos é um central português que já está na sua terceira época no Boavista e tem sido o central mais utilizado da equipa, num setor que já foi composto por muitas duplas. De entre todos esses jogadores, o português é o mais estável e é um jogador à imagem do treinador, raçudo e que luta bastante em todos os lances. Afonso Figueiredo, o lateral esquerdo, também já estava no Boavista na época passada e é um jogador com um futuro promissor pela frente. Tem 22 anos, mas já passou na formação por Sporting, SC Braga e Belenenses. Pode ser chamado ao próximo Europeu de sub-21 e seria, com certeza, uma excelente opção para Rui Jorge.

Como referi acima, Petit assentou a equipa num meio combativo e, para este setor, tem jogadores como Idris ou Tengarrinha, jogadores que estavam na Liga de Honra e vieram transmitir capacidade física e de luta pela bola a esta equipa. São aqueles jogadores “operários” que qualquer treinador gosta de ter na sua equipa. Além destes dois elementos, existe outro par que tem tido uma utilização regular ao longo da época: Reuben Gabriel, outro nigeriano que tinha estado no Mundial, e o brasileiro Anderson Carvalho. A chegada do eslovaco Marek Cech no mercado de inverno também foi importante. O antigo jogador do FC Porto veio trazer outro grau de experiência aos axadrezados.

O treinador, Petit, está no banco como se estivesse ainda a jogar nos relvados: sempre atento, muito interventivo para com os seus jogadores, sempre com um discurso positivo, mas ciente das dificuldades. Penso que este fator foi decisivo. Petit sabia quais podiam ser os pontos fortes da equipa e potenciou-os ao máximo, tentando esconder as fraquezas naturais num clube que tinha vindo de um escalão não profissional do futebol português. A permanência está muito perto e Petit começa assim de forma auspiciosa a sua carreira como treinador de futebol.

Foto de capa: Facebook do Boavista Futebol Clube

FC Porto 1-0 Académica: Poupança para a Bonança

a minha eternidade

O Futebol Clube do Porto venceu a Académica de Coimbra, num jogo a contar para a 29ª jornada da Liga Portuguesa. A soma destes três pontos permite aos dragões manter a distância para o Benfica na luta pelo título de campeão nacional, antes de uma visita de importância suprema ao Estádio da Luz (uma partida com cariz decisivo na atribuição do ceptro futebolístico português).
Os portistas jogaram no seu esquema habitual, o 4x3x3, actuando de início Fabiano como guarda-redes; Jose Angel, Alex Sandro, Reyes e Ricardo no quarteto defensivo; meio-campo a três com Rúben Neves como pivot defensivo e Campana e Evandro como interiores; o trio de ataque foi composto por Hernâni, Quintero e Aboubakar.

Esta partida não foi bem conseguida. As inúmeras alterações explicam uma qualidade de jogo inferior ao que vem sendo apanágio esta época, tendo os jogadores habitualmente suplentes demonstrado que não têm rotinas de movimentação bem calibradas. Este desafio decepcionante no que há qualidade futebolística diz respeito, tem essa atenuante justificadora. Mais do que empreender uma rotatividade na preparação de um jogo específico, que normalmente consiste em mudar no máximo três jogadores de campo por posição, Lopetegui pretendeu fazer descansar os atletas mais utilizados e cansados (fazendo entrar nove habituais suplentes), dando assim primazia ao confronto europeu com o Bayern de Munique e preservando também o físico dos atletas para a deslocação à Catedral benfiquista.

Devo ressalvar que concordo inteiramente com esta estratégia utilizada pelo basco de dar uma importância maior à competição internacional, prova onde verdadeiramente se imortalizam jogadores e instituições. Na minha óptica, ainda podia ter ido um pouco mais longe, com a utilização de Gonçalo Paciência como avançado centro em detrimento de Alex Sandro (que neste jogo actuou como central), recuando Quintero para médio e fazendo baixar Rúben Neves ou Campana para uma adaptação pouco comum.

Hernâni foi o melhor jogador em campo Fonte: FC Porto
Hernâni foi o melhor jogador em campo
Fonte: FC Porto

As três mexidas no jogo efectuadas pelo treinador espanhol fizeram introduzir outros tantos elementos importantíssimos na estabilização e melhoria da performance colectiva da equipa. Aos 59 minutos entrou em campo Marcano (que recuou para central) para o lugar de Quintero (atleta que não demonstra todo o seu potencial a jogar a partir de uma faixa.). Óliver foi lançado no lugar de Campana (o que permitiu à equipa um critério de passe/posse tranquilizante). Por fim saiu Aboubakar (que até assistiu para golo mas não esteve exuberante) para a entrada de Jackson (com o intuito de matar o jogo para os da casa, o que não conseguiu em duas ocasiões flagrantes).

A Figura:

Hernâni – Jogo de excelência do extremo. A técnica de cruzamento e capacidade de finta quando se situa perto da linha já estavam identificadas desde o tempo em que representava o Vitória de Guimarães. A capacidade para invadir zonas interiores individualmente em progressão com a bola controlada para posterior finalização não tinha sido, até este jogo, tão esplendorosa. Mas até nessas zonas e movimentações o avançado se evidenciou. Para o ano pode discutir a titularidade.

O Fora-de-Jogo:

Diego Reyes – Apesar de outros elementos também não se terem apresentado com grande qualidade, como Quintero e Alex Sandro, o mexicano não tem a atenuante de ter actuado fora da sua melhor posição. O colombiano (tradicional número dez) laborou como extremo direito e pouco perigo originou. O brasileiro (lateral de raiz) jogou como defesa central, cometendo um erro na primeira fase de construção que originou uma excelente oportunidade de golo para os estudantes. Apesar de Reyes ter feito alguns cortes importantes, perdeu duelos em zonas sensíveis que o obrigaram a efectuar faltas perigosas. Esteve também inseguro naquilo que habitualmente faz melhor, a saída de bola em progressão ou passe. Num jogo em que até foi capitão, não transmitiu muita confiança ao sector mais recuado.

Foto de Capa: FC Porto

Belenenses 0-2 Benfica: Jonas guia um Benfica desorientado para o Clássico

cabeçalho benfica

Estádio do Restelo, seis da tarde, tempo ameno com direito a sol. Os nossos dois repórteres assistem de pé àquele que é o último dérbi lisboeta deste campeonato. Pena que a qualidade de jogo suplique por duas cadeiras. O Bola na Rede presente em mais uma partida e em mais um palco do nosso futebol. 

Primeira parte – Tiago Martins 

«Agora que já passaram uns bons minutos desde o final, aquilo que me vem imediatamente à cabeça sobre o jogo…é a eficácia». As palavras são de Jorge Simão, actual treinador do Belenenses, referindo-se à justiça do encontro. E o que teve o jogo de justo? Pouco ou nada. Principalmente na medida em que nenhuma das equipas foi capaz de fazer justiça ao seu futebol, à sua camisola e ao imenso público que quis ir passar o final de tarde ao Restelo – estavam já decorridos uns dez minutos de jogo e ainda havia fila de gente para entrar!

O Benfica entrou a espaços e a espaços se foi encontrando. O Belenenses tentava segurar bola, mas ia-se perdendo em manobras ofensivas demasiado ingénuas ou mal ensaiadas. Numa amálgama de mau espectáculo, era o meio campo que sofria, com tanta pancada a ser por ali distribuída. O meio campo e as bancadas, que se começavam já a preparar para mais uma difícil jornada benfiquista fora de portas. Até que aparece Jonas. Mais uma vez.

Já são 16 golos do brasileiro. Jackson está a um de distância Fonte: Facebook oficial do Sport Lisboa e Benfica
Já são 16 golos do brasileiro. Jackson está a um de distância
Fonte: Facebook oficial do Sport Lisboa e Benfica

Depois de um presente de Ventura, guarda-redes da casa, o avançado brasileiro deu nem dois passos e um pontapé para introduzir a bola na baliza azul e fazer aquele que havia de ser o primeiro da tarde. Nem seis minutos o placard contava. Eficácia. E não só. Só, esteve Jonas a dar e vender magia. Só ele conseguiu fazer alguma coisa por este jogo. Só, levou o Benfica ao colo. E que colo. Colinho. Com amor e carinho. Porque Jonas trata tão bem a bola que nela se retrata. Se às vezes a vontade é de esquecer o jogo para lembrar e relembrar Jonas, hoje, então, o preço do bilhete só valeu pela presença do avançado em campo.

Do outro lado, era Carlos Martins que parecia ser o único homem capaz de enfrentar os pupilos do mister Jesus. Corria, caía, fazia cair, rematava, passava, alongava jogo, suprimia espaços. Tudo. E quem dá tudo a mais não é obrigado. E “obrigado!” esteve para lhe dizer João Afonso que aos 16 minutos ia conseguindo marcar o seu primeiro golo este ano ao serviço do Belenenses, depois de um livre perigoso convertido por esse mesmo Carlos Martins junto ao vértice esquerdo da área do Benfica. Nem um minuto depois, novo susto: Sturgeon a rematar por cima. Nem cinco minutos depois, Carlos Martins – que surpresa – a protagonizar o momento de maior perigo, na primeira parte, por parte da equipa da casa junto à baliza de Júlio César: livre traiçoeiro, com a bola a bater malandrinha à frente do internacional brasileiro, que ainda lhe toca. Por pouco não entrou.

Por pouco a paciência não se esgotou. Não fosse Jonas e o Benfica teria pago bem caro pelos problemas que teve e insistiu em ter no centro do terreno. Samaris entrou, jogo e saiu apático e bem aquém daquilo que tem vindo a mostrar nos últimos jogos e Pizzi surgiu abaixo da sua forma…e do seu lugar em campo. Jorge Jesus recuou substancialmente o português e isso alterou – propositadamente – o alinhamento da equipa, que passou a apostar mais em Gaitán – mau jogo, o que é raro – e nas suas diagonais (para os) interiores. O Benfica parecia ter ficado por casa.

Antes fosse. Porque é em casa que o Glorioso faz os seus melhores jogos. E isso é tão claro que, quando questionado (pelo Bola na Rede) sobre quais os verdadeiros problemas do Benfica aquando das deslocações a outros redutos, Jorge Jesus preferiu salientar que o “seu” clube é, independentemente de tudo, o clube com mais vitórias, golos e pontos fora. Pena que o 34º já tenha sido adiado, por duas vezes, em Paços de Ferreira e Vila do Conde.

Carlos Martins não esquece o Benfica, mas continua osso duro de roer Fonte: Facebook oficial do Sport Lisboa e Benfica
Carlos Martins não esquece o Benfica, mas continua osso duro de roer
Fonte: Facebook oficial do Sport Lisboa e Benfica

Segunda parte – Tiago Caeiro

Veio a segunda parte mas o futebol demasiado previsível e pouco fluído, praticado pelo Benfica, manteve-se. Faltou criatividade no ataque e quando Gaitán não está a 100% nota-se bem a diferença. Jorge Jesus admitiu-o na conferência de imprensa: “Não conseguimos impor o nosso futebol do ponto de vista ofensivo”. Dita numa fase precoce da temporada, esta frase até poderia assustar mas quando faltam apenas cinco jogos para o fim, acaba por perder importância. Agora, só interessa ganhar, ser pragmático: “Fomos pragmáticos e objetivos. No fundo, o objetivo era vencer”. O Belenenses continuou a apostar na velocidade de Dálcio e Camará para lançar alguns contra-ataques, que raramente se transformavam em lances de perigo. Além disso, apenas causaram arrepios aos adeptos encarnados que estiveram no Restelo (cerca de 10 mil) as bolas paradas de Carlos Martins. Se o Benfica não fez muito para garantir os três pontos, também a equipa da casa não os merecia.

Merece destaque, mas pela negativa, a exibição de André Almeida. Já se sabia que era um jogador de recurso, para utilizar quando Maxi não pudesse jogar, e que raramente se envolvia no processo ofensivo. Para além de esta tarde não o ter feito, também devido ao facto de ter Ola John à sua frente em vez de Salvio, exibiu-se a nível angustiantemente baixo nas tarefas defensivas. O lance mais evidente para ilustrar isto terá sido já na parte final da partida, quando não foi capaz de acompanhar a desmarcação nas suas costas de Filipe Ferreira, jogador que iria criar aquela que foi a oportunidade mais flagrante do Belenenses em todo o jogo.

Talisca entrou mas nada trouxe ao jogo, tal qual Lima, com a agravante de que este jogou os 90 minutos. Mas tudo isto é passado para segundo plano quando temos o prazer de assistir ao festival Jonas. Ele segura bolas de costas para a baliza, distribui jogo a partir de trás, finta, faz passes de rutura, marca golos. A melhor contratação do Benfica para esta época, se alguém ainda tinha dúvidas. O seu segundo golo poderia ser retirado de um qualquer manual futebolístico: a desmarcação perfeita, a receção com o peito e o remate cruzado para o poste mais distante, onde o guarda-redes dificilmente chegará. O resultado foi melhor (muito melhor) do que a exibição. Não importa. “O campeonato é para ganhar”, diziam os adeptos. Para a semana há clássico. A pressão aumenta, vem de todos os lados e só os campeões a conseguem dominar.

A Figura:

Jonas – Sublime. Mágico. Mortífero. Já leva 26 golos em 29 jogos realizados pelo Benfica. Chegou a meio da época mas já é o melhor marcador da equipa e promete destronar Jackson do topo dos melhores artilheiros da Liga.

O Fora-de-Jogo:

André Almeida – Agora, para além de não subir para apoiar o extremo, parece que regrediu a defender. Fez um mau jogo e neste momento só é a escolha do treinador para o lugar de Maxi Pereira porque não há mais nenhum candidato a ocupar aquela posição.

Uma história de (J)amor

porta

Desde muito cedo que consigo associar a minha infância ao grande amor que tenho pelo Sporting, assunto que já tive a oportunidade de partilhar e que me enche de orgulho. As tardes de fim de semana passadas em Alvalade e todos os sentimentos que aquele local me despertava. Da mesma forma que guardo o velhinho Alvalade no meu coração, existe outro estádio que me traz imensas recordações, nem todas boas confesso,  mas que ainda assim é especial.

O Jamor é um estádio único; velho, arcaico, mas cheio de histórias para contar e com um valor único. Tem uma magia singular, um toque de misticismo por de trás de todo a construção pesada e monocromática, e não consigo pensar em Final da Taça de Portugal sem a imaginar ali.

Mesmo antes de assistir pela primeira vez a uma Final da Taça já ia para o Jamor. Lembro-me das manhãs passadas em Carcavelos na praia, seguidas de piqueniques na Mata do Jamor, de ir passear para as bancadas, sem nunca ter tido a coragem de descer e pisar aquele relvado.

Os anos foram passando, e depois de ter visto o meu pai ir à final frente ao Marítimo e  Benfica, a primeira vez que consegui convecê-lo a ir com ele foi em 2000. O Sporting, coroado finalmente campeão nacional, perdeu com o Porto por 2-0, na última vez que foi disputada uma finalíssima. Nesse jogo, foi tudo o oposto do que deve ser uma final da taça, um jogo fraco, numa noite fria de quinta-feira, sem festa, sem horas de confraternização e pior ainda, sem a vitória leonina.

Dois anos depois, não fui à final em que o Sporting de Boloni venceu o Leixões. Mas passado uma semana tive uma pequena recompensa. Após um piquenique, “invadi” o relvado e recriei o golo de Jardel,rematando (em fora de jogo) sem hipóteses para um imaginário Ferreira.

Com a velhice vem a magia dum estádio único em Portugal Fonte: FPF
Com a velhice vem a magia dum estádio único em Portugal
Fonte: FPF

Em 2007 e 2008 foram duas vitórias sofridas mas justíssimas, lembro-me bem das emoções aquando do golo de Liedson frente ao Belenenses, num golo marcado perto do final da partida. A festa que se seguiu tanto no Estádio como à noite em Alvalade foram momentos perfeitos, inesquecíveis e de uma carga emocional enorma. No ano ano seguinte, Tiuí foi o heroí improvável duma tarde cinzenta. Confesso que tinha um sentimento mau para esse jogo, com esperanças diminutas face à ausência do “levezinho”, e todas essas dúvidas só me fizeram viver mais cada golo e a vitória final.

E por fim, o infâme dia Maio de 2012… Das derrotas mais dificeis de digerir, não pelo valor do adversário mas pura e simplesmente porque nesse dia o Sporting não jogou. Estavam 11 jogadores no relvado, mas que em momento algum foram dignos daquele jogo ou daquela camisola vestida. Foi um dia transvestido, que deve ser mostrado nos dias antes do Sporting entrar de novo naquele estádio, para que jamais se torne a repetir.

Mas o dia da final da Taça de Portugal não se resume aqueles noventa minutos, começa várias horas antes; às vezes até de madrugada. Com geladeiras e grelhadores, com porco no espeto e música a acompanhar. Com minis gélidas e bifanas a rodos, com um grupo de amigos que transformam aquele dia em lembranças, aquelas horas em momentos inesquéciveis, um sentimento de união, pertença, amor comum e de Sportinguismo. E por isso, já tenho saudades tuas (J)Amor.

Antes de terminar, gostaria de deixar aqui uma ressalva para que o que a Final da Taça deveria ser sempre. Porque mesmo nos dias bons pode acontecer algo mau, não me esquecerei nunca de Rui Mendes. De alguém que saiu de casa para ver um jogo do seu clube e que nunca mais voltou, pior ainda é o facto que passaram 19 anos desde a sua morte e ainda este ano vimos situações semelhantes acontecer em estádios portugueses, por isso digo: chega de imbecilidade.

Foto de Capa: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal