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Jogo Interior #3 – Foco nos Processos vs Foco nos Resultados: Qual é o equilíbrio?

jogo interior

Diz-se que um treinador é um gestor. Gere as decisões técnicas próprias da sua modalidade, gere o treino, gere o modelo de jogo, gere os seus atletas mediante avaliações constantes, gere inúmeros factores inerentes ao jogo. Gere de forma diferente quer seja amador, quer seja profissional, quer seja na formação, quer seja em seniores. Até gere de forma diferente seja uma modalidade masculina ou feminina. Vertentes, circunstâncias, contextos, conflitos, emoções, lesões, transferências, rendimentos, performances, egos. Prefiro pensar que a intenção de todos os treinadores é dar o seu melhor, com os recursos que têm no momento, enquanto não têm melhores recursos para fazer melhor ainda. A intenção tem bastante força; no entanto, ficar pela intenção não chega.

No desporto, o líder deve ser um gestor de oportunidades e de expectativas, sendo capaz de escolher os tempos certos para estimular os seus liderados. No desporto, assim como em outras áreas, as equipas com maior sucesso são as que conseguem ultrapassar os limites, atingir a plenitude e viver na superação.

Existe, então, alguma diferença entre termos o foco nos processos, ou seja, na tarefa que estamos a executar com vista a um objectivo, e termos o foco nos resultados, isto é, fazendo do resultado final o alvo? A mesma diferença existe entre a eficiência e a eficácia. A eficiência é fazer as coisas de forma certa (equivale ao foco no processo) e a eficácia é fazer as coisas certas (equivale ao foco no resultado). Na minha perspectiva, ambos são importantes pois ambos se implicam. Está claro que só importa perceber isto se estamos numa actividade em que procuramos ter sucesso e não numa actividade que simplesmente realizamos por prazer ou por lazer. Se só prestarmos atenção ao processo, sem saber se estamos a obter bons resultados, podemos conseguir um retumbante falhanço. Por outro lado, se só nos preocuparmos com resultados mas não com o processo poderemos acabar por construir um resultado final péssimo. Qual é a chave aqui? Um olho no gato e outro no peixe… Dizem!

Grandes fracassos acontecem porque os treinadores e os seus jogadores se focam excessivamente nos resultados. Para fazer um termo de comparação, e clubismos à parte, parece-me que foi o que aconteceu ao SL Benfica no final da época de 2012/2013. Esteve presente em todas as frentes e acabou por não ganhar nada. Tinha um futebol interessante em muitos jogos, até com excelentes exibições, mas a inconstância e a inconsistência dos seus processos transportava para fora uma certa insegurança. A liderança de Jorge Jesus estava bastante focada nos resultados. É a minha perspectiva…

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O excessivo foco nos resultados pode revelar-se contraproducente, como demonstra a época 2012/13 do Benfica de Jorge Jesus
Fonte: Wikipédia

Neste momento deve estar a perguntar-se: mas não é o resultado que interessa? Sim, ele é um guia, um norte, um rumo, mas é o foco nos processos que garante os resultados.

Com certeza já tomámos contacto com equipas focadas nos processos e com outras equipas focadas nos resultados. Com pessoas igualmente focadas quer nos processos, quer nos resultados. Em discussão surgiu, há pouco tempo, o grande caso de estudo que é o Cristiano Ronaldo, goste-se dele ou não. Será ele mais focado nos processos, ou seja, estará ele mais orientado para a tarefa, ou mais focado nos resultados, ou seja estará ele mais orientado para o ego? Muita gente diria que, à primeira vista, a opção mais correcta seria a última, mas não me parece. Simplesmente pelo facto de que ele só consegue os resultados que tem porque conseguiu atingir um equilíbrio mental de tal ordem que, focando-se nos processos, os resultados surgem naturalmente. Se ele não fosse bom a fazer o que faz, nunca conseguiria obter o sucesso que obteve.

Em contexto de desporto de formação surge também esta questão. Talvez este contexto seja aquele que leva os atletas a ter mais ou menos sucesso na sua carreira desportiva, quer seja amadora ou profissional. Se enquanto criança um jogador é estimulado a desenvolver a sua orientação predominante para a tarefa, muito provavelmente será um atleta de sucesso. Em fase de formação desportiva é, no entanto, muito importante fazer com que os atletas entendam também que, apesar de precisarem de desenvolver os seus processos na grande maioria do tempo, não se podem esquecer que aquilo que fazem tem objectivos e que eles precisam perceber quais são. Aqui entra a influência do treinador, o seu tipo de foco e a sua orientação. Na minha opinião, na formação, até uma certa altura, devemos orientar os nossos atletas para a tarefa, ou seja, fazer com que eles se foquem nos processos. Estando os processos definidos, desenvolvidos e consistentes, devemos começar a incutir também, sem esquecer os processos, o foco nos resultados.

Nem sempre os melhores processos garantem os melhores resultados  Fonte: eliechahine.wordpress.com
Nem sempre os melhores processos garantem os melhores resultados
Fonte: eliechahine.wordpress.com

Desde os escalões mais jovens ao desporto de alta competição vemos equipas que jogam muito bem mas não têm objectividade no seu jogo, logo os seus resultados não são muito positivos.

Podemos fazer omeletes com qualquer tipo de ovos, e outros ingredientes, mas é a forma como se mexe os ovos que irá ditar se a omelete ficará boa ou não. Se não ligarmos muito aos processos de execução da nossa omelete, no final não iremos com certeza comer uma omelete muito boa.

Se os processos estão comprometidos, como alcançar bons resultados? Lembre-se: não adianta querer colher bom milho sem adubar e cuidar bem da terra. Como também não adianta ter os melhores jogadores que alguém pode ter se não os orientamos em função do melhor que cada um consegue fazer em prol do colectivo e se não conseguimos que a sua relação em competição seja a melhor.

Metas e resultados são importantes, mas são processos eficazes que nos levarão a alcançá-los.

“Para vencer não basta ter os melhores jogadores, é preciso saber colocá-los ao serviço do colectivo…”, Jack Welch, antigo gestor da GE.

Foto de Capa: Wikipédia

Qatar afasta Alemanha; Dinamarca volta a cair perante Espanha

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cab andebol

O Qatar, anfitrião do Mundial de Andebol, eliminou a Alemanha nos quartos-de-final, apesar do favoritismo que era atribuído à seleção germânica. O resultado final, de 26-24, permite à formação qatari uma presença inédita nas meias-finais da competição, onde nunca tinha chegado. No jogo, disputado em Lusail perante 14 mil espetadores, o Qatar demonstrou grande organização defensiva e fez uma rápida circulação da bola no ataque, o que permitiu vários golos do possante pivô da equipa, o hispano-qatari Borja Vidal.

De resto, a federação de andebol do Qatar lançou uma autêntica campanha de naturalizações, oferecendo elevados prémios monetários para que jogadores estrangeiros adquirissem a nacionalidade qatari. Tudo porque, segundo as regras da Federação Internacional de Andebol, um jogador pode jogar por outra seleção se durante pelo menos três anos não representar o seu país. Assim, o selecionador do Qatar convocou para o campeonato do Mundo um espanhol, um francês (Bertrand Roiné), um cubano (Rafael Capote), dois montenegrinos (Zarko Markovic e Goran Stojanovic), um egípcio (Hassan Mabrouk), dois bósnios (Danijel Saric e Eldar Mimisevic) e um tunisino (Youssef Benali).

A Alemanha teve muitas dificuldades em jogar quer com os extremos quer com os pontas e apostou em demasia no remate exterior (a mais de 9 metros), cuja eficácia final foi de apenas 11%. Ao intervalo já a seleção da casa ganhava por 4 golos (18-14). Destaque pela negativa para o mau posicionamento da linha de 6-0 defensiva alemã durante quase todo o jogo, para a fraca eficácia do pivô Patrick Wiencek (3 golos em 7 remates) e para a vergonhosa atuação da dupla de arbitragem que dirigiu a partida. Os juízes macedónios beneficiaram de forma demasiado evidente o Qatar através de um critério disciplinar desequilibrado e tendencioso.

"A equipa alemã esbarrou muitas vezes na boa organização defensiva do Qatar Fonte: Handball 2015(Facebook oficial do Mundial)
“A equipa alemã esbarrou muitas vezes na boa organização defensiva do Qatar
Fonte: Handball 2015(Facebook oficial do Mundial)

Noutro dos jogos dos quartos-de-final, assistia-se à reedição da final do Mundial de Espanha de 2013, com o duelo entre dinamarqueses e espanhóis. Numa partida sempre muito equilibrada (11-11 era o resultado no fim dos primeiros 30 minutos), nenhuma das equipas teve uma vantagem superior a dois golos. A Espanha garantiu a vitória a apenas 5 segundos do fim num remate de Joan Canellas, que fechou o marcador em 25-24. Do lado dinamarquês, destaque para a grande exibição de Mikkel Hansen, com 6 golos, os mesmos que o seu compatriota Anders Eggert (dos quais 5 foram apontados da marca dos 7 metros). Determinante para o apuramento da seleção espanhola foi o guarda-redes do Barcelona Gonzalo Pérez de Vargas, que parou dois livres de 7 metros. Rivera Valero foi o artilheiro-mor do lado espanhol, com 10 golos em 11 remates.

Menos emotivo foi o duelo entre França e Eslovénia. A superioridade gaulesa ditou uma vitória por 32-23. Aos 13 minutos, já os franceses ganhavam por 7-1, tornando fácil a gestão do resultado no Ali Bin Amad Al-Attiyah Arena. Os eslovenos realizaram praticamente o mesmo número de ataques do que a formação francesa, mas a baixíssima eficácia de 38% foi crucial para a eliminação. Quem também segue em frente é a Polónia, depois de uma surpreendente recuperação na reta final do jogo contra a Croácia. A 5 minutos do fim, os polacos perdiam por 22-21 mas, com um parcial de 3-0, garantiram a vitória e asseguraram uma difícil qualificação por 24-22.

Na próxima sexta-feira, decide-se quem estará na final de domingo, com os duelos Espanha-França e Qatar-Polónia.

Foto de Capa: Fonte: Handball 2015 (Facebook oficial do Mundial)

FC Porto 4-1 Académica: Caloirada ao som de Cha Cha Cha

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Para garantir a presença na meia-final da Taça da Liga, o FC Porto precisava de vencer a Académica, no Dragão. Para tal se concretizar, Lopetegui voltou a mexer de forma acentuada na equipa, apenas levando a jogo Danilo, Tello e Jackson da equipa que perdeu na Madeira, diante do Marítimo, no último fim-de-semana.

Perante um adversário já de si frágil e ainda mais diminuído em função da política de poupanças promovida por Paulo Sérgio, o FC Porto entrou bastante rápido e intenso na partida, pressionando a todo o campo e não deixando a Briosa respirar. Foi fruto dessa pressão, aliás, que logrou chegar ao golo logo à passagem do sexto minuto, por intermédio de Jackson, ainda que o erro do central da Académica, Aníbal Capela, muito tenha contribuído para esse desfecho.

Ligado à corrente – foi este o estado de espírito com que os dragões encararam os primeiros 45 minutos. Grande capacidade de circulação de bola, com rapidez e mais assertividade do que o habitual, ainda que com a habitual e imutável tendência da procura das zonas laterais do campo (e nunca da penetração horizontal). Aliás, se o futebol do FC Porto fosse mais objectivo, e não procurasse ainda e sempre os flancos como último meio para fazer chegar a bola à área e ao golo, ou seja, se dispusesse de outra variabilidade, os dragões tinham tudo para ser uma melhor (e mais feliz) equipa. De qualquer forma, ainda que o padrão de jogo se tenha mantido, o que é certo é que se viu um FC Porto com mais velocidade e intensidade na circulação de bola, com dois nomes à cabeça a contribuir para esta produção acima da média: Campaña e Rúben Neves. O primeiro talvez seja mais um ‘8’ do que um ‘6’ e possa vir a surgir, futuramente, como uma verdadeira hipótese nas contas de Lopetegui; o segundo, face a Casemiro, é muito mais ágil, mais móvel, mais rápido, mais fiável, em suma, melhor. É possível que tenha acontecido mas não me lembro de o ter visto falhar um passe em todo o jogo.

Voltando ao jogo jogado, o FC Porto dispôs de variadíssimas oportunidades para ampliar o marcador, sobretudo por intermédio de Tello, aos 10’ e 48’ – momentos estes em que o FC Porto soube aproveitar proficuamente o tal potencial que o jogo interior lhe pode dar, abandonando, por escassos momentos, a preocupação excessiva que os seus médios têm em, assim que recebem a bola, virar a cabeça para um dos flancos e fazer o passe (os únicos que fogem a esta regra são, em planos diferentes, Rúben Neves e Quintero). Por outro lado, a Académica limitou-se a (tentar) defender com um mínimo de organização, apenas conseguindo o seu primeiro remate aos 36’.

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FC Porto e Académica disputaram, no Dragão, a 4ª jornada do grupo D da Taça da Liga

Já na 2ª parte, a dança das substituições ditou a troca de Campaña e Jackson por Quintero e Gonçalo Paciência, respectivamente, já depois do ‘Cha Cha Cha’ ter assinado uma obra-prima, com um golo de calcanhar na sequência de um canto, aos 58’. Tanto Quintero como o estreante Gonçalo – cada um à sua medida – vieram  animar o jogo: o primeiro, com a tal fuga à rotina, trouxe o açúcar ao jogo da equipa; o segundo porque carrega, além do apelido, um potencial anormal, com as pitadas necessárias de irreverência mas já com maturidade no seu jogo. Ah, e magia! A que lhe permitiu marcar um golo de craque aos 75’, já depois de Ricardo, isolado, ter desperdiçado. E quem esteve sempre na jogada? Pois, Quintero.

Antes disso, porém, aproveitando o excessivo balanceamento de José Ángel (excelente primeira parte, caiu bastante na segunda), Hugo Seco aproveitou a auto-estrada, vulgo lado esquerdo defensivo portista, para oferecer o golo ao recém-entrado Mbala. 2-1 à entrada do último quarto-de-hora, antes da tal dupla saída do banco portista ter desequilibrado (ainda) mais o jogo. E tanto que veio desequilibrar que foram os mesmos protagonistas a criar o lance do 4-1; Gonçalo Paciência estava perante a baliza no momento em que foi derrubado por João Real, dando azo a um penalty eficazmente convertido por Evandro. “E quem fez o passe?” Ah, Quintero.

Com uma exibição sólida e que teve momentos bastante interessantes (sobretudo na primeira metade), o FC Porto garantiu o 1º lugar do Grupo D, na Taça da Liga, agendando encontro com o Marítimo, no próximo dia 11 de Fevereiro. Exactamente o mesmo adversário que lhe causou um imenso dissabor na última jornada da Liga. Liga essa que tem no próximo fim-de-semana um osso que pode ser duro de roer: Paços de Ferreira. E só porque quero que a vida de Lopetegui seja tão mais simples quanto possível, aqui segue a dica: Fabiano, Danilo, Marcano, Indi, Alex Sandro, Rúben Neves, Óliver, Quintero, Quaresma, Ricardo e Jackson.

 

A Figura
Rúben Neves – Alguém lhe falsificou o BI! Todos os elogios que lhe dediquei em cima são mais do que merecidos. Tem maturidade e posicionamento, intensidade e visão de jogo, capacidade de passe e simplicidade de processos. É ele quem está emprestado pelo Real Madrid?

O Fora-de-Jogo
Tello – Continua sem provar toda a aura que alguém terá por ter “nascido” em La Masia e por chegar proveniente do Barcelona. Muita, muita velocidade; pouca, pouca inteligência e acerto na hora da finalização. Além disso, continua a tomar muitas decisões erradas e esconde-se do jogo durante largos momentos.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Sporting 1-1 V. Setúbal: Quem brinca com o fogo queima-se

sexto violino

Sim, é verdade que o Sporting roda a equipa na Taça da Liga. Sim, é verdade que a maioria dos jogadores que têm alinhado nesta competição contabilizam poucos minutos na equipa principal. Sim, é verdade que há muitos “miúdos” no onze. Sim, é verdade que alguns deles têm dado boas indicações. Mas o que também é verdade é que o Sporting podia já ter a qualificação selada desde o jogo contra o Belenenses, em que esteve a ganhar por 2-0. Perdeu nesse dia, empatou agora contra um Vitória de Setúbal sem argumentos e, como resultado, arrisca-se a ficar de fora das meias-finais.

Fica bem desdenhar a Taça da Liga. Os adeptos dos três grandes fazem-no, e os seus dirigentes também já enveredaram pelo mesmo caminho. Contudo, o certo é que o “parente pobre” das competições portuguesas – e cuja existência eu também questiono – já salvou mais de uma vez a época ao Benfica. O Porto, por seu turno, no ano passado também passou de uma posição de pseudo-desinteresse na Taça da Liga para um all-in no referido troféu, quando percebeu que poderia não ganhar nada nessa época. Também me recordo da desilusão que foi perder a primeira final contra o Vitória de Setúbal – ei-los novamente… – num jogo em que o Sporting jogou pessimamente e em que viria a sucumbir nos penalties. Conclusão: todos dizem que esta taça não interessa mas, quando as coisas apertam, todos se agarram a ela.

Mesmo que assim não fosse, manda a História e o estatuto do Sporting que se entre em qualquer campo para ganhar. Jogar com os suplentes é uma opção perceptível mas arriscada e, se o treinador decide apostar neles, é porque acha que têm capacidade para ganhar os jogos. A este respeito, no caso de o Sporting passar, e excluindo duas ou três possíveis excepções, espero que a equipa apresentada daqui para a frente seja a que costuma jogar no campeonato. O clube não ganha nada há demasiado tempo e não se pode dar ao luxo de menosprezar competições. Se nos deixarmos no nosso canto a pregar orgulhosamente aos peixes que somos muito puros e muito diferentes de todos, é meio caminho andado para ficarmos a ver os rivais festejarem mais troféus.

Não quero parecer injusto com as “reservas” do Sporting – aliás, comecei por dizer que há ali qualidade. Mas hoje a equipa falhou quando não podia ter falhado. O jogo começou bem, com um auto-golo de Ney Santos que desbloqueou o marcador, e o Sporting partiu para uma boa primeira parte. Contudo, o guarda-redes sadino Lukas Raeder evitou que a partida ficasse resolvida no melhor período leonino. Nota também para a falta de eficácia do Sporting, uma “doença” de alguns jogos da equipa principal que hoje parece ter alastrado aos restantes elementos do plantel.

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Tanaka esteve perdulário e o Sporting resseniu-se
Fonte: Facebook Oficial do Sporting CP

E, já se sabe, quem não marca arrisca-se a sofrer. Foi o que aconteceu no início da segunda parte, quando um livre da direita foi defendido de forma deficiente pelos leões e originou o golo de Miguel Lourenço. Na única oportunidade que teve em todo o jogo, um Vitória já reduzido a dez elementos por expulsão de Lupeta aos 41 minutos conseguiu empatar em Alvalade. Até final, os leões foram perdendo gás. Tanaka apostou invariavelmente na meia-distância e esteve perdulário, Esgaio enviou uma bola ao ferro (a segunda, depois de um livre de André Martins) quando se lhe exigia muito melhor, Podence começou bem mas decaiu, André Martins e Rosell esconderam-se demasiado, Wallyson não esteve mal mas não conseguiu assumir o meio-campo sozinho e nenhuma das opções vindas do banco – o regressado Diego RubioGelson Martins Hadi Sacko – acrescentaram qualquer objectividade a um Sporting com mais bola mas bastante amorfo e a apostar em demasia no jogo lateralizado. Exigia-se maior pendor ofensivo tanto a Miguel Lopes como a André Geraldes, que ocuparam as duas faixas do sector recuado.

Sem jogar nada por aí além, o Sporting teve ocasiões mais do que suficientes para vencer o jogo. Merecia-o, até. Mas a verdade é que não as concretizou, e agora terá de torcer para que nem Vitória de Setúbal nem Belenenses ganhem os seus jogos para continuar em prova. Por duas vezes os leões tiveram o apuramento na mão, por duas vezes o deixaram escapar. É o que acontece quando se está a ganhar por 2-0 no Restelo e se baixa a guarda. É o que acontece quando não se “mata” o jogo no melhor período e depois se tem uma desatenção a jogar contra 10. É, no fundo, o que acontece quando se brinca com o fogo. A eliminação da Taça da Liga está aí ao virar da esquina. E, pior do que isso, só mesmo ver Sportinguistas a dizerem que não lhes faz diferença porque “não ligam” à competição. Deve ser por o Sporting ganhar tantos títulos que se dão a esse luxo.

 

A Figura:

Daniel Podence – com Gauld lesionado foi o jovem extremo quem mais se destacou, sobretudo na primeira parte. Muito dinâmico e tecnicista, faz lembrar Simão Sabrosa – calma, é apenas no estilo de jogo – na forma como joga ligeiramente flectido e como, imprevisível e endiabrado, leva a bola colada ao pé. Tem de aprender a definir melhor os lances, mas nada que a idade, a experiência e os ensinamentos do treinador não corrijam.

O Fora-de-Jogo:

Eixo defensivo – desta vez, o adversário nem precisou de um erro clamoroso dos centrais para marcar. Bastou uma má abordagem num livre dafensivo para Sarr, Rabia e companhia borrarem a pintura. Num jogo em que o Vitória quase não atacou e mesmo assim fez um golo, quem mais poderia ser o destaque negativo…?

 

Fotos: Facebook Oficial do Sporting CP

Australian Open 2015 – Wawrinka disse “presente”: este é o seu Open da Austrália!

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cab ténis

Stanislas Wawrinka disse “presente” no encontro dos quartos-de-final frente a um sempre periogoso Kei Nishikori. O actual detentor do título mostrou que está em Melbourne para provar que a vitória do ano passado não foi uma obra do acaso.

O tenista suíço derrotou o talentoso japonês em apenas três set’s por 6/3, 6/4 e 7/6 (6), mostrando que tem mais ténis do que aquele que tem mostrado e que, se for preciso carregar no acelarador, o motor corresponde. Wawrinka sabe que este é um Open da Austrália diferente do ano passado, mas lá no fundo não esconde o sonho de poder repetir o triunfo do ano passado.

“Stan the Man”, como é conhecido no circuito, apostou na direita de Kei Nishikori, que em modo defensivo fica “apetecível” para atacar, e foi mesmo por aí que o número 4 fez estragos, vencendo sem dificuldades um adversário que o ano passado no Open dos Estados Unidos lhe provocou enormes dificuldades.

No outro encontro dos quartos-de-final masculinos, Novak Djokovic teve tarefa ainda mais fácil do que Stanislas Wawrinka, vencendo Milos Raonic por 7/6, 6/4 e 6/2, num jogo disputado em velocidade de cruzeiro e levando assim a que o sérvio chegue às meias-finais sem ter perdido ainda um único set neste grand slam.

O primeiro cabeça-de-série do torneio fez o que quis de Raonic, que no final da partida disse não ter conseguido sequer organizar o seu jogo. A verdade é que Novak Djokovic criou inúmeras oportunidades para quebrar o serviço do tenista do Canadá e com isso não permitiu a Milos Raonic conseguir sequer pensar em igualar a partida.

Madison Keys foi a grande surpresa do dia Foto: Facebook Australian Open
Madison Keys foi a grande surpresa do dia
Foto: Facebook Australian Open

As surpresas estiveram reservadas para a vertente feminina, com a jovem Madison Keys a derrotar Venus Williams. A jovem norte-americana, de apenas 19 anos, derrotou a 18ª tenista do ranking WTA, que já era tenista profissional um ano antes de Keys nascer.

No outro encontro de uma irmã Williams, neste caso Serena, vitória sem contestação para a super-favorita à conquista do torneio, por 6/2 e 6/2. Serena Williams defronta agora Madison Keys, pela primeira vez numa meia-final de um grand slam, enquanto Ekaterina Makarova defronta a russa Maria Sharapova.

Na vertente masculina, a metade teoricamente mais complicada do quadro, perdeu Federer e Nadal, e Murray joga agora frente a Tomas Berdych, que mostrou ter as “garras afiadas” no ataque à final.

Do outro lado, final antecipada, com Novak Djokovic a defrontar Stanislas Wawrinka. Temos torneio!

Jogadas de mestre

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Não deixa de ser curioso que, exatamente um dia depois de Jorge Jesus ter dito que o Benfica tinha capacidade para fazer uma segunda volta melhor do que a primeira – recordo que os encarnados perderam apenas quatro pontos em 51 possíveis -, as águias deram o primeiro sinal de que tal objetivo será, evidentemente, uma árdua tarefa (se não mesmo impossível).

No passado domingo, o Benfica deixou em Paços de Ferreira três dos quatro pontos de manobra que permitiam efetuar uma segunda volta melhor do que a primeira. Das duas derrotas registadas até agora, Jorge Jesus tem culpas diretas na perda dos três pontos. Há um padrão que se vem revelando ao longo da era de Jorge Jesus: o treinador encarnado muito raramente toma as melhores opções durante o decorrer dos jogos (principalmente dos jogos de dificuldade média/elevada). Perante as adversidades e resultados menos positivos no decorrer da partida, como foi o caso dos jogos frente ao SC Braga e frente ao Paços de Ferreira, Jorge Jesus opta sempre por retirar um homem do meio-campo e colocar (mais) um avançado.

Em Braga, com o marcador empatado (1-1) , o treinador português, ao minuto 62, decidiu tirar Samaris e colocar Jonas, obrigando Enzo Pérez  jogar como trinco e Talisca no apoio aos avançados. A aposta revelou-se catastrófica: o Benfica perdeu o controlo do meio-campo, ofereceu espaço a Tiba e a Rúben Micael para colocarem a bola nos rapidíssimos alas bracarenses, perdeu toda a ligação ente setores e sofreu justamente o segundo golo da partida, alcançado por Salvador Agra, que ditou a vitória do SC Braga. Na retina ficou que, mesmo com dois avançados em campo e Talisca no apoio, a bola nunca chegou junto dos homens da frente, e o Benfica não teve habilidade para construir jogadas de perigo (exceção para o último lance da partida, onde Matheus foi protagonista).

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Jorge Jesus continua a cometer o mesmo erro
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Em Paços, tal como em Braga, com a partida empatada a zeros, Jorge Jesus decidiu arriscar tudo retirando novamente Samaris de campo e colocando Derley (82’). O Benfica passou a jogar com três avançados (Jonas, Lima e Derley) e sem nenhum homem no meio-campo de cariz defensiva. À imagem do jogo da “pedreira”, os encarnados deixaram de ter equilíbrio e nunca mais foram uma equipa com personalidade. Pelo contrário, sem ninguém com capacidade para construir de forma criativa os lances de ataque, o Benfica foi uma presa fácil para a organizada equipa pacense. O golo da vitória, alcançado por Sérgio Oliveira na marcação de uma grande penalidade, premiou a paciência e o espírito coletivo da equipa comandada por Paulo Fonseca.

Perante isto, é legítimo questionar o porquê de Jorge Jesus insistir em oferecer, literalmente, o meio-campo ao adversário em situações como as de Braga e de Paços de Ferreira. Ter dois ou três avançados na área nunca significou uma grande eficácia ou percentagem de golos. Sempre que o treinador benfiquista recorre a este tipo de solução, os encarnados mudam a sua identidade, a sua forma de jogar, tornam-se previsíveis e, logicamente, a dificuldade para fazer um golo aumenta exponencialmente. Pior: nas duas situações demonstradas, o Benfica não só não conquistou os três pontos como ainda deixou fugir um, relativo ao empate. Ainda diz o ditado que “quem não arrisca não petisca”…

Neste momento, as águias podiam ter mais sete, nove, dez ou treze pontos do que o FC Porto. Mas é importante não esquecer que se o Benfica tem mais seis pontos do que o segundo classificado, em tudo o deve ao seu treinador. Jorge Jesus é um dos melhores treinadores do mundo… só não o é em tudo.

Foto de capa: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Olheiro BnR – Bernardo Silva

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Nada mais, nada menos do que 15,75 milhões de euros. Foi esse o encaixe financeiro que o Benfica fez recentemente com Bernardo Silva e que, à primeira vista, se assume como uma fantástico valor proveniente da transferência de um jogador que apenas fez três jogos oficiais pela equipa principal do Benfica.

Ainda assim, e ao contrário do que se diz em tanta coisa no desporto-rei, o futebol não é apenas o momento, e a verdade é que o Mónaco não terá investido apenas naquilo que Bernardo Silva pode oferecer neste momento, mas, acima de tudo, naquilo que o internacional sub-21 português poderá oferecer futuramente em termos de retorno desportivo e financeiro. E isso, em condições normais, pagará largamente estes 15,75 milhões de euros.

Explosão tardia

Bernardo Mota Veiga de Carvalho e Silva nasceu a 10 de Agosto de 1994, em Lisboa, e é um produto das escolas do Benfica, clube que representou ininterruptamente entre 2002/03 e 2013/14, que é como quem diz desde os escolinhas até ao futebol sénior.

No espectro encarnado, o médio-ofensivo foi sempre visto como um enorme talento, mas a sua estrutura franzina acabou por travar um impacto mais imediato, sendo que a verdadeira explosão do internacional sub-21 português deu-se precisamente em 2012/13, no seu último ano de juniores, quando fez 19 golos em 36 jogos e assumiu-se como o principal criativo e motor de uma equipa que foi campeã nacional sob o comando de João Tralhão.

Adaptou-se muito bem à Ligue 1

No rescaldo dessa excelente temporada nos juniores encarnados, foi com naturalidade que Bernardo Silva deu o salto para o Benfica B, onde, em 2013/14, confirmou todo o seu talento, somando 38 jogos e 7 golos na Segunda Liga e garantindo inclusivamente a chamada à selecção nacional de sub-21, onde rapidamente se tornou uma das figuras.

Ao mesmo tempo, foi merecendo algumas (poucas) oportunidades de Jorge Jesus na equipa principal do Benfica, onde fez apenas três partidas oficiais, e sempre como suplente utilizado, também naturalmente prejudicado pelo facto de o habitual esquema do técnico de 60 anos não contemplar a presença de um “dez” puro como é Bernardo Silva.

Nesse seguimento, foi sem grande surpresa que o jovem de 20 anos foi este Verão emprestado ao Mónaco, sendo que o internacional luso nem começou a actual temporada como titular, mas calmamente foi ganhando o seu espaço nas contas de Leonardo Jardim, isto ao ponto de já somar 21 jogos (14 como titular) e 3 golos no emblema do Principado, merecendo ainda o tal avultado investimento na sua contratação.

Um predestinado que pode almejar a ser dos melhores do Mundo

O futebol de Bernardo Silva transporta-nos para paragens temporais longínquas, uma vez que o internacional sub-21 português apresenta um estilo de jogo de um “dez” mágico – e focado, acima de tudo, na criação –, que muitos defendem que está extinto no futebol moderno, mas que poucos, como o jogador do Mónaco, teimam em provar o contrário.

Afinal, o jovem luso tem tudo aquilo que se exige ao tal “dez” clássico, apresentando uma assombrosa técnica individual, uma aceleração e condução com bola que, por vezes, faz lembrar Lionel Messi, excelente qualidade de passe, superior visão de jogo e uma finalização bastante competente.

Ainda assim, perante as exigências do futebol moderno, é necessário que Bernardo Silva evolua em alguns aspectos do jogo para atingir um patamar de excelência que o aproxime do leque onde se encontram os melhores do Mundo, nomeadamente no capítulo da recuperação defensiva e da gestão dos momentos de jogo, isto sem esquecer que o jovem deveria ganhar um pouco mais de físico.

De sublinhar, por fim, que tal como Leonardo Jardim chegou a colocá-lo ao longo desta temporada, Bernardo Silva também se adapta a jogar encostado à direita, ainda que, actuando nessa posição específica, rapidamente se perceba que o internacional sub-21 português procura imediatamente as zonas centrais do terreno, acabando por assumir-se como um falso extremo, sempre a procurar as zonas de criação que, afinal, é o seu habitat natural.

Foto de capa: asm-fc.com

Australian Open 2015 – Berdych arrasa Nadal; Murray vence tranquilamente

cab ténis

Realizaram-se, na passada madrugada de 27 de Janeiro, dois dos quatro encontros respetivos dos quartos-de-final masculinos. No primeiro encontro, talvez o mais esperado pela comunidade tenística, tínhamos Rafael Nadal perante Tomas Berdych e na outra partida estavam frente a frente Nick Kyrgios, jogador-sensação do torneio, e Andy Murray.

Comecemos pelo encontro entre Nadal e Berdych. O espanhol vinha de uma série de 17 vitórias consecutivas frente ao checo, contudo este encontro antevia-se bastante mais difícil do que os anteriores. O checo não havia cedido qualquer set durante todo o torneio e preparava-se para enfrentar um Rafael Nadal que, apesar da subida de forma, como alias o referi no artigo anterior, está muito longe do seu melhor. A juntar a tudo isto, as condições meteorológicas húmidas e secas que se fizeram sentir no dia de ontem, tornando desta forma os courts “mais lentos”, foram as mais favoráveis para Tomas Berdych.

Os dois primeiros sets foram completamente dominados por Berdych. O espanhol, no conjunto dos 2 primeiros sets, fez apenas 10 winners contra 20 do checo. Servindo constantemente para a esquerda de Nadal e apresentando um jogo bastante agressivo, Berdych encontrava-se assim a vencer por 2 sets a 0. No terceiro set, Nadal ainda deu um ar da sua graça e obrigou Berdych a elevar, também ele, o seu nível de jogo. Contudo, o checo respondeu bastante bem, sobretudo nos momentos de maior pressão, e levou a decisão da terceira partida e, consequentemente, do encontro para um tie-break. Encontrando-se a vencer por 5-1, ainda permitiu que Nadal recuperasse para os 5-4, mas, finalmente, conseguiu fechar a partida e quebrar a serie vitoriosa do espanhol.

Será esta a semana de Tomas Berdych? Fonte: Facebook do Open da Austrália
Será esta a semana de Tomas Berdych?
Fonte: Facebook do Open da Austrália

Na outra partida dos quartos-de-final, que opunha o australiano Nick Kyrgios frente a Andy Murray não houve grandes emoções. O escocês, que se encontra num excelente momento de forma, soube gerir bastante bem todos os momentos do encontro e de forma quase natural levou de vencida Kyrgios que, apesar de a espaços ter conseguido causar algumas dificuldades a Andy Murray, provou que ainda lhe falta alguma consistência. Contudo, ainda é um jovem e tem uma enorme margem de progressão.

Concluindo, a boa forma de Berdych contrastou com a falta de ritmo de Rafael Nadal e a experiencia de Andy Murray venceu a espontaneidade e irreverência de Nick Kyrgios. Espera-se um grande encontro nas meias-finais. Murray e Berdych são dois dos jogadores que se encontram em melhor forma actualmente. Será esta a semana do checo? Ou por sua vez Murray vai voltar às finais de grand slam?

Foto de capa: Facebook do Open da Austrália

Era só jajão

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cabeçalho benfica

Era só jajão quando nos diziam que Bernardo Silva regressava no final da época. Lembram-se de chegar a casa esganados por terem passado a tarde toda a jogar futebol e sentirem o cheiro daquela comida que só a nossa mãe é que sabe fazer? Lembram-se daquele momento em que nos apercebíamos de que ainda faltava uma hora para o jantar, mas de que, por causa do cheiro magnífico pela casa, já não nos conseguiríamos concentrar?  Provavelmente, de que durante essa hora fantasiávamos e babávamos litros e litros, só de imaginar o prazer que cada garfada iria trazer? Pois bem, esses momentos de expectativa foram constantes na minha vida a partir do momento em que descobri um jogador – na altura jogava nos juniores do Benfica, um número 10, baixinho, que tinha cola nos pés e uma classe tremendamente incomum, tendo em conta a sua tenra idade. Há anos que me sinto enganado, ingénuo até, ao ouvir Luís Filipe Vieira, no início de todas as épocas, falar de que o onze inicial do clube e até da seleção irá ser made in Benfica. Todos os anos ouço isto, e todos os anos acredito que até seja capaz de ser verdade.

Quando comecei a prestar mais atenção aos juniores do Benfica, fiquei absolutamente louco com Bernardo Silva. Notava-se que jogava bastante bem; ouvia-se, nas suas palavras, o benfiquismo que só algumas pessoas sentem; e via-se nele uma alegria e um orgulho em vestir a camisola do Benfica e, ainda mais, envergar a braçadeira de capitão do clube do seu coração. Não me consigo esquecer das vezes em que não ia sair à tarde para ver jogos dos juniores. Um grupo na altura com João Cancelo, Bernardo Silva, André Gomes… Um grupo que jogava tão, mas tão bem. Aquele plantel fez-me acreditar que, bem trabalhado,  poderia vir a representar o Benfica durante anos. Não podia estar mais enganado. Vi André Gomes a ser titular em Camp Nou e em Alvalade e depois a deixar de ser aposta durante meses, meses em que só jogava os últimos trinta segundos dos jogos. Vi-o começar a afirmar-se e ser despachado para o Valência. Certamente não foi isto que aconteceu, mas emocionalmente foi o que senti.

Nesta altura, imaginar o Bernardo a jogar na equipa A já parecia tão certo... Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Nesta altura, imaginar o Bernardo a jogar na equipa A já parecia tão certo…
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Mas a notícia do início desta semana deixa-me um vazio. “Bernardo Silva é comprado pelo Mónaco”. Que dor – não por o conhecer pessoalmente, mas pela desilusão e pelas expectativas que fui criando. Um número 10 que iria ser capitão, e um símbolo do clube como tantos outros já foram.Custa-me acreditar em  que o jogador que mais potencial tinha – pelo menos para mim -, que mais gozo e gosto dava ver jogar e tocar na bola, foi vendido sem nunca jogar um jogo inteiro no clube do seu coração. É preferível apostar em Patric e Luis Felipe do que pôr Bernardo Silva a jogar?

Bernardo, sei que, provavelmente, nunca vais ler este texto, mas espero que saibas que todo o mundo benfiquista só quer o teu melhor, que te tornes um jogador (ainda mais) fenomenal e que comproves que a formação do Benfica tem tudo para dar frutos. Se conseguisses, daqui a um par de anos, fazer com que o Presidente do Sport Lisboa e Benfica se arrependesse bastante de te ter vendido (algo de que não duvido), também seria algo que mereceria uma ovação. Com isto, despeço-me, triste, com mágoa e a querer acreditar que o comunicado feito tenha sido um erro e que se estivesse a vender o José Luiz Fernandez em vez de ti. Muito obrigado pelos anos de casa, pelo suor que deitaste por todos nós, pela vontade e garra que trouxeste a cada desafio, e por teres representado, sem nunca jogar no plantel principal, aquela que é uma mística que transcende tudo e todos. Aparentemente, o jantar, que cheirava tão bem, não era para nós…

Foto de Capa: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

‘Suck it and see’

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diva de alvalade catarina

Dizem os hodiernos ditames da bola que o futebol é onze contra onze e que no fim ganha a Alemanha.

E eu, que na vida nunca gostei particularmente do transversalmente gélido e insuportável calculismo germânico, dou por mim a achar que ele pode ser, no fundo, solução para grande parte dos males do nosso Sporting (e não só).

Ora vejamos.

Nos dias que correm, sabemos ter bola do meio campo para a frente. Sabemos variar o flanco do jogo em profundidade sem dar tempo às equipas adversárias para se reposicionarem. Sabemos, quando necessário, ‘cair em cima’ e recuperar a bola ainda na primeira fase da transição dos nossos oponentes, não permitindo que os seus médios liguem o jogo e apanhando as suas defesas em contramão, completamente descompensadas, aproveitando a má ocupação dos espaços para criar situações de perigo e, pontualmente, facturar. Adrien ganhou uma consistência na profundidade que dá ao jogo e na capacidade para aparecer com regularidade nos últimos trinta metros que não tinha com Leonardo Jardim; finalmente, André Martins está num lugar onde não estorva ninguém (e, mesmo assim, talvez estorve ainda a visão periférica de Marcelo – até quando está sentado na bancada); William sofre fisicamente para fazer a vontade a Marco – e como eu insistia nisto o ano passado! -, tentando transformar-se num tout-court, deixando de jogar em permanência num rectângulo de 10×20; e, finalmente (!), a falta de um 10 titular absoluto e indiscutível vai sendo colmatada com a experiência e excelência de Nani e com o virtuosismo finalmente estabilizado de Carrillo (bem espero que estas palavras não me saiam caras daqui a uns meses), ambos tão capazes de procurar espaços interiores, trazendo consigo os laterais adversários e abrindo os corredores para a entrada de Cédric, Jefferson e até, a espaços,  João Mário ou Adrien.

Na frente, acredito que estamos bem servidos. Aqui me confesso fã incondicional de Montero: não quero, sequer, imaginar o que seria a jogar num 4x1x3x2 em que os dois homens dos flancos fossem Carrilo e Nani, e em que lhe fosse dada total liberdade para jogar na zona periférica de Slimani. Não quero, como disse, porque, se o imaginar, amanhã começo a endereçar cartas registadas ao Mister todos os dias, cartas em que o primeiro peticionado seria que proibisse as noitadas do William e que maltratasse o miúdo com duas horas de trabalho extra de ginásio diário. Isto porque, na minha mui modesta e singela opinião, um 4x1x3x2 como deve de ser só funciona com um seis que tenha um pulmão e, quiçá, um coração do tamanho do mundo. Escudado por uma defesa imperialmente posicionada, capaz de estar, aquando do início da transição ofensiva dos opositores, em cima da linha do meio terreno. Mas isso são outros quinhentos…

Quinhentos esses que são o que mais me preocupa. Sentimento que creio comum a todo e qualquer sportinguista.

Preocupa-me, desde logo, que tenhamos um guarda-redes que, sendo fora de série, ostentando a braçadeira de capitão no braço, passa os jogos praticamente calado! Acredito que alguns dos muitos problemas defensivos do Sporting se resolveriam se Patrício falasse mais. Não sei quantos de vós jogam ou jogaram futebol, mas todos os que o tenham feito sabem que não há quem tenha melhor noção dos espaços por ocupar do que aquele que vê de trás; tendencialmente o guarda-redes, mas pode também aplicar-se a um central que tenha inteligência posicional e voz de comando – no que respeita não só ao posicionamento do sector recuado como aos buracos no meio campo ou entre linhas, claro está. Oliver Khan fazia-o como ninguém, Neuer reprodu-lo hoje em dia no Bayern, e, entre nós, foi o que Ricardo Carvalho, por exemplo, sempre fez nas equipas por onde passou.

A nossa defesa precisa de uma voz de comando: se não temos, por agora, um central que a saiba assumir, que seja o nosso Capitão a puxar dos galões e a fazê-lo. Porque bem precisamos de quem relembre várias coisas àqueles meninos, nomeadamente a “teoria da corda”, regra básica e abnegável de qualquer sector defensivo que seja digno desse nome.

No fundo, porque bem precisamos de consolidar o processo de crescimento, estabilizando processos, sabendo quando parar o jogo, como abordar os espaços e, sobretudo, ganhando a maturidade para saber dar ao jogo, em cada momento, aquilo que ele nos pede.

Isto, no meu mundo, chama-se ter a frieza e o calculismo necessários para impedir que os nossos adversários nos vençam. Consegue-se – leve o tempo que levar – com umas coisitas simples: abnegação, dedicação, trabalho, mais dedicação e mais trabalho.

Tudo lições nas quais os alemães são Catedráticos.

SL,

p.s.1 – Foi no sábado a enterrar um enorme Jurista, Publicista e Advogado, um dos poucos que integrava, até então, o elenco das Sumidades da Advocacia. É nos poucos Advogados como Galvão Teles que os novatos, como eu, se inspiram quando trabalham todos os dias com o objectivo de vir a ser, um dia, referências na nossa Profissão. Mais do que um enorme Advogado, relembro a figura do GIGANTE Sportinguista de bigode. Também aí nos deve servir de exemplo. A todos. Que descanse em Paz.

p.s.2- Este texto já se encontrava escrito à hora do jogo com a Académica. Os últimos minutos foram o completo reflexo de tudo o que eu vos queria aqui transmitir.