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FC Porto 4-0 Vitória de Setúbal: A prenda possível

tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Numa noite fria de sexta-feira, no final de uma semana dificil para os portistas, F.C. Porto e Vitória de Setúbal encontraram-se para disputar o jogo referente à 14ª jornada da Liga portuguesa. Se os portistas pudessem pedir uma prenda no sapatinho, certamente não era esta a vitória que estaria nas nossas intenções, mas no Natal nem sempre temos o que queremos e esta semana foi o exemplo disso mesmo.

Num jogo que prometia facilidades e que acabou por as confirmar, Lopetegui retirou Marcano, Casemiro (castigado) e Brahimi e lançou de início Maicon, Campaña e Quaresma, não tendo alterado a essência da equipa.

O Porto começou com bastante posse de bola, a circular o seu jogo pelo meio-campo sempre de forma segura mas sem arriscar muito, esperando pelo momento certo para chegar mais à frente. Surgido no onze inicial, Campaña fez uma boa partida e foi dando rotação ao meio-campo, oferecendo linhas de passe aos colegas. No entanto, a equipa do Porto nunca jogou muito subida (chegou a jogar mais adiantada diante do Benfica) e, portanto, nunca houve a sensação de sufocar o Setúbal, apesar de apenas os dragões terem a bola.

No meio-campo volto a destacar a inconstância de Herrera – garanto que não é perseguição; simplesmente, mais uma vez pareceu um jogador com pouca capacidade de transporte de bola e que, quando encontra adversários com maior capacidade física, acumula erros (claro que num ou noutro momento vai calando muita gente com bons pormenores e um passe ou outro a rasgar a defesa adversária). Com classe e enchendo o olho, esteve Óliver Torres: foi o motor da equipa, jogou e fez jogar. Caso o espanhol não estivesse em campo, a bola circularia sem toque artístico, em míseras rectas e semi-rectas enfadonhas; é um craque e é pena que o passe não pertença ao FC Porto. A protagonizar uma exibição de nível oposto esteve Tello: com a confiança em baixo, teve duas perdidas que não são dignas de um culé. Já mostrou que tem qualidades (principalmente a velocidade) mas decide mal no instante decisivo.

O golo chegou ao minuto 20, através de grande penalidade, convertida por Quaresma. No estádio deu a ideia de que Danilo (que fez mais um bom jogo!) foi puxado mas após rever o lance no ecrã parece um pouco forçado. Aos 25’, Jackson marcou com naturalidade o segundo golo e descansou (ainda mais!) os portistas que se limitaram a gerir o jogo e a falhar mais alguns lances claros de perigo.

A segunda parte foi diferente – o Vitória subiu no terreno e o Porto baixou de produção. De notar dois aspectos no jogo portista: o primeiro dos quais tem a ver com a dificuldade que temos de circular a bola a nível do meio-campo quando sofremos pressão alta na primeira fase de construção, passando muito tempo a circular entre defesas, laterais e guarda-redes; o segundo aspecto é uma consequência do primeiro, e prende-se com o facto de, quando a bola chega ao meio-campo, recorrermos ao passe atrasado muito frequentemente. Percebe-se que a equipa queira manter a bola mas não a consegue preservar no ataque sem o constante e irritante passe para a defesa, que nunca joga muito subida (e Lopetegui tem as suas razões que me parecem plausíveis, ficando este tema para outra ocasião) – algo que não está bem e que é preciso rever.

Voltando ao jogo jogado, aos 61’ saiu Tello e entrou Evandro, que veio dar mais consistência ao meio-campo, e aos 73’ Quintero substituiu Campaña – não houve grandes alterações estruturais e o jogo foi decorrendo com relativa normalidade com um Setúbal a tentar fazer alguma coisa mas sempre sem capacidade.

Já perto do fim, e quando os adeptos aguardavam o apito final, Brahimi, acabado de entrar, marcou o terceiro golo, e, de grande penalidade, Danilo assinou o quarto. Resultado exagerado para o que o Porto fez, especialmente na segunda parte. Não passamos o Natal muito descansados mas ainda assim mantemos a perseguição ao primeiro classificado.

 

A Figura

Óliver – É um craque: bons passes, bons pormenores, bons dribles. Foi ele que fez o Porto jogar.

O Fora-de-jogo

Tello – Demonstra uma enorme falta de confiança, evidenciada não só nas más decisões perto da baliza adversária, como até em passes curtos que um jogador da sua qualidade não deve falhar.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Equipa B: entre as promessas eleitorais e a intenção de extinguir, o que mudou?

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a norte de alvalade

Não sei o crédito que merecem as notícias que anunciam a intenção da administração do clube em extinguir a equipa B, se não se derem cumprimento a algumas alterações que aquela, alegadamente, pretende introduzir nos regulamentos. Mas a noticia é tudo menos uma surpresa, porque não aparece do nada.

Nada acontece por acaso e havia já alguns indícios de que algo poderá estar para mudar. O mais forte de todos, que pode ter passado despercebido, foi o artigo do ex-PMAG Eduardo Barroso na sua crónica de “A Bola”, onde advogava que as equipas B, nos actuais moldes, eram mais uma fonte de problemas do que soluções. Sabendo da sua proximidade com a actual administração não podia deixar de lhe dar relevo. É por isso que a notícia não é assim tão estranha como poderia parecer à primeira.

Ora antes de ir ao que o Sporting alegadamente pretende – acabar com a equipa B se não lhe forem concedidas as alterações pretendidas – é interessante recuar ao que foi prometido aos Sportinguistas em tempo de candidatura, aquando das últimas eleições. Recordo como nota importante que ao tempo vigoravam já os actuais regulamentos.

(Um parêntesis para uma pequena ressalva: no programa de candidatura de Bruno de Carvalho há uma distinção entre o conceito de “Formação” e “Equipa B” que, na minha óptica, está errada. Vejo a “Equipa B” como a última etapa da formação de jovens jogadores e creio que essa diferença de percepção é capaz de ser uma das razões que poderá estar a arrastar o Sporting para uma tomada de decisão como a anunciada. )

Na introdução ao programa de candidatura pode-se ler (as que me parecem mais importantes):

A Formação e a Equipa B manter-se-ão como apostas fundamentais para o nosso presente e futuro.

17. A equipa B é uma aposta para manter. (página 19)

E quais são agora as pretensões do Sporting? Segundo as notícias de hoje o Sporting pretende:

– Reduzir o âmbito da idade sobre a qual assentam a formação dos planteis de sub-23 para sub-21, podendo inscrever até cinco elementos de idade superior.

– Que se mantenham as actuais condições das Academias para sede dos jogos das equipas B.

– A possibilidade de acordos com clubes satélites desde que não inscritos na mesma associação.

As minhas questões, partindo do principio que a noticia do Record, que diz ter tido acesso a uma carta enviada pelo Sporting à FPF, são verdadeiras:

– O Sporting insiste num modelo de relações externas assente na confrontação, prescindindo do valor da negociação. Já não é apenas uma questão de estilo, é estratégia. Os resultados obtidos terão que ser, no momento oportuno, devidamente contabilizados. Isso é o que realmente deve contar, sendo pouco importante a adesão ou a rejeição desta metodologia. Eu não gosto e duvido que se alcancem resultados práticos.

– A imposição de cláusulas de forma unilateral como condição sine qua non para participação nos campeonatos vai ser alargada a outros escalões e modalidades e levada até às últimas consequências?

– Qual é a importância real das cláusulas em causa, ao ponto da actual administração por em causa compromissos assumidos com os Sportinguistas, que estão na sua base programática e que levaram à sua eleição?

– Qual é a importância real das cláusulas em causa para prescindir da importância estratégica que uma equipa B tem e que a actual administração reconheceu aquando da elaboração do documento ao afirmar no supra-referido documento:

(…) Ao contrário do que tem sido prática recente, o recurso a jovens criados na formação do Sporting deverá ser uma realidade, à semelhança daquilo que sempre foi tradicional no clube. É incompreensível que um Clube que possui uma das melhores escolas de futebol do Mundo, não aproveite convenientemente em termos desportivos, e por consequência no aspecto financeiro, o enorme investimento anualmente realizado na sua Academia. É bom ter em conta que a FIFA e a UEFA vão a breve prazo alterar as regras do jogo, no que à gestão económica e financeira dos clubes diz respeito, e quem estiver mais bem preparado e já levar uma prática de rigor e de respeito pelos orçamentos, estará em vantagem

A existência de uma equipa B é de enorme importância para o desenvolvimento sustentado e servirá de ponte entre o futebol júnior e o futebol sénior. Deverá ser absolutamente proibido aumentar o passivo da SAD por via da compra de passes de jogadores, investindo recursos que não estejam disponíveis.

– Levando a efeito a extinção da equipa B, que alternativa tem o Sporting para fazer crescer de forma sustentada os jogadores que terminarão o período formativo –que não a sua formação – com dezanove anos, conhecendo-se, como se conhecem, as dificuldades actuais de colocação de jogadores emprestados, onde até o SCBraga nos consegue suplantar no número de jogadores naquelas condições a jogar na I Liga?

– Não é apenas a actuação, ou alegadas intenções, da administração que me deixam perplexidade. Logo, em Vizela, o Sporting disputará uma eliminatória da Taça de Portugal e no lote de convocados não aparece nenhum jogador do actual plantel da equipa B. Marco Silva ao invés de premiar os jogadores que aí têm actuado, mesmo com o pouco brilho que se vem constatando, prefere dar primazia a jogadores que, cada vez que foram chamados, nunca o justificaram. Jogadores como Rabia, Sarr, Héldon, Slavchev quando, por exemplo, os centrais actuais da equipa, Wallyson, Gauld, Iuri, estiveram, no último jogo, num plano mais próximo do que pode ser tido como o seu valor.

Que mensagem se transmite aos jogadores da equipa B?

Onde fica o mérito como critério na hora escolher?

Falar em jogadores como Rabia, Sarr, Héldon e Slavchev quando, ao ler-se documento de candidatura da actual administração, se encontram enunciados como os que deixo abaixo, é caso para perguntar se os seus autores são os mesmos ou que é que os fez mudar tão radicalmente de princípios num tão curto espaço de tempo:

(…) Quanto menor for o número de jogadores a entrar de novo no plantel, maior será a facilidade de manter rotinas e entendimentos, que consumiram tempo e esforço a conseguir e que são verdadeiramente importantes numa equipa.

(…) Com a reativação da equipa B, o plantel deverá ser menos numeroso – 20 jogadores.

Cinco ou seis jogadores, numa escolha cirúrgica, experientes (ter em atenção que no futebol a experiência não está diretamente relacionada com a idade) e capazes de acrescentar valor ao plantel existente, serão suficientes para a construção de uma equipa que possa lutar pelos objetivos de curto, médio e longo prazo do Clube.

Jogadores estrangeiros não adaptados ao futebol português apenas se forem mais-valias claras. As contratações de jogadores estrangeiros, não adaptados ao futebol português, estará sempre dependente de serem considerados, pelo treinador principal e pela equipa Diretiva, como uma real valia para o reforço da equipa, apoiados em base nos relatórios emitidos pelos departamentos de Scouting e Sociológico. 

Foto de capa: Facebook oficial do Sporting

Benfica 1-2 Sp. Braga: Eficácia para o bem e para o mal

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A chave do sucesso que levou à vitória de domingo no Dragão esteve hoje do lado adversário: o Braga mostrou eficácia (marcou dois golos em três remates à baliza) e abriu as portas dos quartos-de-final da Taça de Portugal. A entrada desconcentrada do Benfica na segunda parte acabou por ditar o desfecho da partida, que terminou com um resultado injusto.

Confirmada a indisponibilidade de Luisão, cuja ausência se viria a notar, avançou, sem surpresa, César para o lado de Jardel. A ausência de Samaris, substituído por Cristante no onze, teve igualmente peso na manobra da equipa: o jogador grego tem vindo a ganhar a consciência tática que Jorge Jesus tanto pede e o seu rendimento tem vindo a subir; é também criticável a noção de evolução que o nosso treinador tem para Cristante, já que não é primeira vez que este jogador é lançado num jogo de grau de dificuldade mais elevado (já tinha acontecido em Leverkusen), quando nem sequer alinha contra equipas da segunda metade do nosso campeonato.

Cristante foi uma das novidades no onze de Jesus  Fonte: Facebook oficial do Benfica
Cristante foi uma das novidades no onze de Jesus
Fonte: Facebook oficial do Benfica

O Benfica entrou com velocidade, a trocar a bola com rapidez no meio-campo e dar profundidade ao jogo através das alas. Artur Soares Dias conseguiu depois cometer dois graves erros num minuto: primeiro, não marcou penálti a favor do Braga por mão de Jardel e, depois, resolveu não expulsar Pardo, quando este derrubou Jonas, que ia isolado para a baliza. Os encarnados atacavam com o bloco muito subido, o que permitia aos bracarenses, no momento da perda de bola, lançarem contra-ataques comandados por Rafa ou Pardo, que iam levando perigo à baliza de Júlio César.

O instinto goleador de Jonas em jogos da Taça (levava já 5 remates certeiros antes de entrar em campo) confirmou-se perto da meia hora. Até ao final da primeira parte assistiu-se a um domínio total do Benfica mas o grande caudal ofensivo não se traduziu em claras oportunidades de golo (exceção para o desperdício, nada habitual, de Jonas no coração da área).

Jonas voltou a marcar na Taça, mas depois desperdiçou várias oportunidades  Facebook oficial do Benfica
Jonas voltou a marcar na Taça, mas depois desperdiçou várias oportunidades
Facebook oficial do Benfica

O Braga voltou dos balneários à procura do empate, que acabou por ser oferecido por André Almeida. Não fosse a falha no corte, que Aderlan Santos agradeceu, e o lateral esquerdo até podia ser “a figura” do jogo (nunca comprometeu a defender e mostrou-se mais disponível do que o habitual para atacar). A reação dos encarnados veio logo depois do golo sofrido. Jonas começaria um duelo com Kritciuk, que se prolongou por toda a segunda parte e que acabaria por ser ganho pelo guarda-redes do Braga, apesar das muitas tentativas do brasileiro.

Os bracarenses deram a volta ao marcador com um golo de Pardo aos 57 minutos. Ola John perdeu a bola e ninguém pressionou o jogador do Braga, que avançou até perto da área e bateu Júlio César. Repetia-se a história do jogo do campeonato, onde o Benfica também tinha começado em vantagem mas acabou derrotado.

Pizzi entrou para o lugar de Enzo ao intervalo e a equipa ressentiu-se  Fonte:  Facebook oficial do Benfica
Pizzi entrou para o lugar de Enzo ao intervalo e a equipa ressentiu-se
Fonte: Facebook oficial do Benfica

Na última meia hora o Benfica subiu o ritmo da partida e esteve perto do golo por diversas vezes. As entradas de Derley mas, sobretudo, de Talisca, lançados demasiado tarde, quando a equipa tentava evitar a eliminação já de uma forma desorganizada, acrescentaram pouco ao ataque. O Braga agarrou-se à vantagem e conseguiu sair de Lisboa com um apuramento histórico, uma vez que nunca tinha vencido na Luz em duelos a contar para esta competição.

A supremacia na estatística final não evitou a derrota porque há sempre que contar com a tal “eficácia”. O regresso ao Jamor fica assim adiado para 2016.

A Figura

Ola John – Fez um excelente jogo e Jesus deve ter-se recordado das razões que a levaram a contratar o holandês ao Twente: elevada qualidade técnica, dribles rápidos e eficazes e cruzamentos sempre bem medidos.

O Fora-de-Jogo

Pizzi – Entrou ao intervalo para o lugar de Enzo Pérez mas foi evidente que está ainda a quilómetros de ser uma opção válida quando o argentino sair. Perdeu bastantes vezes a bola em zona proibida e falhou alguns passes.

 

Foto de capa: Facebook oficial do Sporting Clube de Braga

Futebol Clube do Porto: um Borussia, mas “melhor”?

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atodososdesportistas

Após a injusta derrota contra o Benfica para o campeonato (e desde já aproveito para, mais uma vez, dar os parabéns a Jorge Jesus, que com “peaners” conseguiu ser dominado e ganhar no Dragão, fazendo golo em duas das três vezes que foi à baliza do desinspirado Fabiano), muito se tem falado da “fraca” época que o Porto de Lopetegui tem feito. Discordo. Até ao momento, o único fracasso da equipa do técnico espanhol foi a derrota, sem espinhas, para a Taça, com o Sporting. De resto, estar a 6 pontos do líder Benfica, quando ainda faltam 21 jornadas e um total de 63 pontos por disputar, ainda não me preocupa minimamente.

Preocupa-me, isso sim, que os rivais da Luz não estejam na Europa e, por isso, estejam 100% concentrados no campeonato, o que é uma forte vantagem para a equipa encarnada. Mas, por outro lado, uma boa campanha europeia pode galvanizar os jogadores, assim como uma humilhante eliminação na prova milionária pode deixar mazelas em jogos futuros, quando os jogadores ouvirem o hino da Champions pela televisão e sentirem que não foram competentes para lá estar (veja-se, por exemplo, o que aconteceu com o Zenit – o clube saiu da Europa e veio a público que Hulk, Garay, Javi e Witsel, jogadores preponderantes da equipa de Villas-Boas, pretendem abandonar o barco).

Não querendo “desgastar” mais o leitor com o grande clássico do futebol português (sobre o qual já tudo foi dito e escrito), vou ao assunto deste texto: teremos um Porto estilo Borussia de Dortmund, mas melhor? Melhor porque os pupilos de Jürgen Klopp ocupam um fatídico antepenúltimo lugar do campeonato germânico, mas na prova rainha do futebol foram, a par de FC Porto e Real Madrid, uma das primeiras equipas a conseguir o apuramento “sem espinhas” para a fase seguinte – ficaram em primeiro lugar num grupo onde figuravam clubes como Arsenal e um sempre “chato” Galatasaray (que, de resto, foi, quanto a mim, a maior desilusão da prova, com apenas um ponto conquistado em 6 jogos).

Poderia até comparar os Dragões ao Real Madrid, pois o Porto está mais próximo do primeiro lugar da Liga Portuguesa que do último, mas não tenho coragem de o fazer. O Real de Ancelotti é, na minha perspectiva, a melhor equipa do mundo a jogar futebol no presente momento da época. Pego, então, nas minhas anteriores palavras e comparo os azuis de Lopetegui com os amarelos de Klopp: dois planteis que figuram, sem dúvida, entre os dois melhores do seu país (Porto e Benfica; Bayern e Dortmund), mas que têm tido um campeonato aquém daquilo que os adeptos poderiam crer, mesmo sendo casos totalmente diferentes.

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Basileia, emblema suiço, foi o adversário que calhou em sorte ao FC Porto na Champions
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Como fervoroso adepto que sou do desporto-rei, e particularmente do clube da Invicta, estou, não 100%, mas 75% (devido ao explicado anteriormente), convicto de que os dragões irão voltar ter o ceptro de campeão nacional, que tão bem e justamente lhe tem ficado na larga maioria nos últimos anos do futebol nacional. A jogar como jogámos contra o Benfica, com maior sorte e acerto na finalização e sem falhas como as de Danilo ou Fabiano, duvido de que percamos mais algum jogo para o campeonato. Estou com o meu treinador: o jogo com o Benfica não foi uma vitória moral, pois isso não existe, mas foi um “upgrade” exibicional brutal, em comparação com o início da época, o que só me pode deixar confiante para a disputa dos 63 (!) pontos que restam. Demos, finalmente, em Portugal, uma pequena amostra daquilo que temos feito na Europa, e, se tivéssemos jogado assim na Taça com o Sporting (se…), certamente ainda estávamos em pé nessa competição.

Nunca fui uma pessoa de superstições e nunca tive a mania dos números para fazer futurologia recorrendo a estatísticas. Acredito num FC Porto forte e também num Benfica que irá escorregar quando menos se esperar.

Mudando de competição, desengane-se quem pensa que saiu a sorte grande aos azuis-e-brancos por ter apanhado o Basileia na Champions. Se é verdade que, das equipas que poderiam sair aos Dragões, Juventus, City, PSG e Arsenal eram aquelas a “evitar”, também é preciso dizer que Leverkusen ou Schalke (pese a tal estatística que a mim nada de diz sobre confrontos portugueses e alemães) seriam adversários que provavelmente até seriam mais acessíveis, pois são equipas que gostam de assumir o jogo, e essas equipas abrem mais espaços, o que favorece os rápidos extremos portistas. Já o Basileia, do pouco que vi, à demonstrou ser uma equipa à imagem do seu técnico, Paulo Sousa: muito disciplinada tacticamente e com uma zona defensiva difícil de ser penetrada. Mas, admito, fiquei “contente” com o sorteio, embora qualquer equipa nesta fase seja difícil e quem queira ganhar tenha de ser capaz de ganhar a qualquer uma. Estou entusiasmado com este Porto europeu (mas consciente das dificuldades que há pela frente)! O tempo e o trabalho ditarão o futuro do nosso Futebol Clube do Porto!

Aproveito para desejar a todos os portugueses (e em particular aos benfiquistas – retribuo o gesto) um bom Natal e umas felizes entradas no ano de 2015, com esperanças de que, a nível clubístico, esse 2015 corra melhor aos dragões do que aos adversários!

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Vizela 2-3 Sporting: Ganhou-se um jogo e zero jogadores

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Costuma dizer-se que quando se enfrenta uma equipa de nível muito inferior há tudo a perder e nada a ganhar: quando se ganha, cumpre-se uma obrigação; quando se perde, perde-se o jogo. Não é que discorde do anteriormente enunciado, mas acho que este tipo de jogos, nomeadamente para competições secundárias, são óptimas para se ganhar um conjunto de jogadores que, até então, tenham sido utilizados menos vezes. Num actual contexto, em que o Sporting não passa o melhor momento e existem jogadores titulares a render menos do que o esperado, este cenário ganha especial atenção.

Hoje, em Moreira de Cónegos, o Sporting acabou por vencer o Vizela mas os jogadores menos utilizados que foram brindados com esta oportunidade não corresponderam. Marcelo Boeck, tão acarinhado pelos adeptos sportinguistas, tem claras responsabilidades no primeiro golo; Sarr, sem fazer um jogo terrível, não fica bem na fotografia do segundo golo sofrido e continua a mostrar as claras lacunas a nível técnico; Oriol Rosell, que tão boa imagem tinha deixado na pré-época, entrou nervoso com um erro e respectivo amarelo no primeiro minuto e nunca se conseguiu impor a grande nível; apenas André Martins teve nota positiva na noite de hoje e se mostrou capaz de ser chamado quando e se necessário.

É óbvio que não é fácil quando se altera meia equipa e não é esta a situação ideal para cada um deles mostrar a sua capacidade. Nem tão pouco será de ignorar o facto de os jogadores em questão não terem o ritmo competitivo ideal e, por isso, ser difícil apresentar o nível demonstrado pelos titulares. Mas, quando faltam as pernas, os jogadores menos utilizados têm de ir buscar forças a um outro sítio qualquer: está em jogo a sua condição actual no plantel e as oportunidades podem não se repetir tão cedo. Posto isto, noite negativa para Marco Silva, que não ganha nenhuma nova opção para os jogos mais “a sério”.

No que ao futebol diz respeito, nota positivíssima para o Vizela. Mentalidade positiva, agressividade na pressão ao portador da bola, boa ocupação dos espaços e qualidade individual dos elementos da frente – muito irreverentes e confiantes – e excelente capacidade nas bolas paradas ofensivas. O Sporting entrou, como às vezes é muito difícil de contrariar, com uma atitude complacente. E se em relação aos titulares esse cenário, embora não seja aceitável, pode até compreender-se… os suplentes tinham de mostrar outra garra. A qualidade individual é superior e os objectivos assim o obrigavam.

A Figura

Bolas paradas ofensivas – Limitando-me à figura do conjunto leonino – porque a do jogo é, inquestionavelmente, o Vizela -, há a sublinhar o aproveitamento das bolas paradas ofensivas. Três golos derivados de bolas paradas: um penalty, um canto e um livre indirecto. Aqui há a realçar o mérito de André Martins, que mais do que o penalty, bateu o canto e o livre que dão em golo.

O Fora de Jogo

Atitude leonina – Principalmente na primeira parte, o Sporting mostrou-se amorfo, sem intensidade e pareceu esquecer-se que, com os dez pontos de atraso no campeonato, a Taça de Portugal ganha especial importância na época leonina.

Bronca na Liga – e agora?

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futebol nacional cabeçalho

Se o leitor olhar para o lado direito do site vê que quem está nos dois últimos lugares, ou seja, em posição de descida, são Arouca e Gil Vicente (17.º e 18.º). E se eu lhe disser que segundo os regulamentos da Liga quem desce são Penafiel e Académica, 15.º e 16.º, respectivamente?

Sim, como se pode ver na página 51 do regulamento disponível no site da Liga, o primeiro da lista de regulamentos da Liga, o número 2 do artigo 96.º, referente a “Subidas e Descidas”, tem disposto o seguinte: “Descem à II Liga na época desportiva seguinte os clubes classificados em 15.º e 16.º lugares da tabela classificativa da I Liga”.

 Print screen do Regulamento no dia 16 de Dezembro de 2014
Print screen do Regulamento no dia 16 de Dezembro de 2014

Encontrando-se a temporada quase a meio, como se resolve um erro tão grave como este? É que se é verdade que não se devem mudar os regulamentos a meio de uma prova, não é menos verdade que este regulamento vai contra a lógica desportiva das competições por jornadas. Mas esta não é a única questão que tem de ser colocada. Como é possível que ninguém na Liga tenha reparado neste erro de regulamentação? Fica no ar a ideia de que o regulamento foi apenas copiado do da temporada passada, ignorando o acréscimo de duas equipas (que está paradoxalmente registado no regulamento).

Este é apenas mais um erro grave que demonstra o total desnorte que se tem vivido na Liga, agora presidida por Luís Duque, mas que na altura do lançamento do regulamento ainda tinha como presidente Mário Figueiredo. Se na Liga ninguém reparou no erro, será que aconteceu o mesmo com os clubes? Ou estes, já salvaguardando possíveis insucessos desportivos, preferiram guardar este trunfo na manga para apresentar a quem de direito no final da época?

A verdade é que as subidas e descidas pela secretaria são algo comum na história recente dos campeonatos profissionais portugueses e, graças a este lapso, pode estar a caminho mais um “verão quente”. Apresentar em tribunal um regulamento de uma competição que dará razão aos 17.º e 18.º classificados garantirá muitos problemas à organização e obrigará 15.º e 16.º classificados a descer por ser isso que está no regulamento – um atentado à verdade desportiva.

Como se resolve um problema destes? Teremos um campeonato com 20 equipas – as 18 deste ano mais as 2 que conquistarem a subida na II Liga – em 2015/16, para compensar este erro? São muitas as perguntas que ficam no ar. Como serão respondidas? Com sorte, muito brevemente saberemos.

Este artigo foi escrito apenas com os dados disponíveis no site da Liga (LPFP). Tentei contactar a Liga, mas não obtive resposta. É importante referir que não existe nenhuma correção ao regulamento no site do organismo até à presente data. Convém ainda destacar que não foi possível ter nenhuma versão em papel do documento, apenas a versão online disponível neste texto.

Foto de capa: Página da FPF

O melhor guarda-redes do mundo na presente temporada

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David De Gea está numa forma absolutamente incrível. O guarda-redes espanhol tem feito exibições daquelas que valem pontos, como a que deu a vitória sobre o Liverpool na última jornada da Premier League. Está a ser o melhor jogador do United de Van Gaal e talvez o melhor guarda-redes do mundo na presente temporada. No entanto, ainda nem é o nº1 espanhol…

Foto de Capa: James Boyes

A glória da adversidade

cab reportagem bola na rede

Poucos são os clubes que dão voz aos atletas. No Instituto Superior Técnico, este é um dos princípios fulcrais que tem contribuído para o bom funcionamento e para os grandes resultados da equipa federada de futsal feminino. Fundada por jogadoras para servir jogadoras, bem como para aumentar a qualidade da equipa universitária – sem ligação a um clube, sem dirigentes, sem pressão externa mas com muito compromisso –, apela ao desporto como um escape e um local onde as jogadoras podem fazer o que mais gostam: jogar futsal.

Valores distintos, a mesma responsabilidade

Domingo. 9h da manhã. Os sacos das compras começam a ser abertos. Pão, carne, salsichas, batatas fritas ou chocolates são alguns dos alimentos retirados para preparar o dia. Os sumos guardam-se no frigorífico, enquanto as máquinas de cerveja são testadas. Há ainda quem carregue as grades para delinear a zona do bar ou até os bancos de madeira que servirão para dividir os campos. O dress code é simples e pouco exigente: t’shirt, calções e ténis. Equipas à parte, inicia-se o convívio que durará até ao final da tarde. Está tudo pronto para mais um torneio de futsal no Instituto Superior Técnico. Num dia que, geralmente, é aproveitado para recarregar energias, para ter aquele almoço com a família ou até para fazer as limpezas da casa, as jogadoras de futsal feminino do IST abdicam desses momentos em prol da equipa.

Enquanto as demais equipas federadas possuem diversos apoios fornecidos pelo clube em que se inserem, o IST apresenta-se como uma equipa autossustentável em que a organização de torneios é apenas um dos meios utilizados pelas jogadoras para angariar fundos que consigam colmatar as suas despesas (desde pavilhão a policiamento) e que, desde há cerca de cinco épocas, parecem resultar. Reconhecida como uma grande formação no futsal feminino de Lisboa, a manutenção e sobrevivência desta equipa dependem, em grande parte, das jogadoras que a compõem. “A grande diferença é que esta equipa não faz parte de um clube. Ou seja, a equipa existe para servir quem faz parte desta e quem trabalha para a manter, num dado momento. (…) A nossa equipa não tem o apoio financeiro nem logístico que as outras equipas têm. Contudo, por outro lado, temos a vantagem de não termos de nos reger por objectivos e interesses externos a nós.”, explica Ana Colaço, uma das fundadoras da equipa federada do Técnico. Bruno Fernandes, treinador de futsal feminino do Técnico desde 2008/2009, acompanhou todo o processo de evolução da equipa ao longo dos anos e considera que, apesar da diferença na forma de organização interna comparativamente com outros clubes, o grupo teve um crescimento bastante positivo. “Penso que, ao longo dos anos, [a equipa] tem vindo a evoluir, praticando todos os anos um futsal mais competente que no ano anterior, mais experiente, com melhores tomadas de decisão e consequentemente, com melhores resultados dentro de campo.”

O treinador Bruno Fernandes viu-se obrigado a deixar a carreira de jogador, investindo na sua formação como treinador Fonte: Facebook do futsal feminino do AEISTécnico
O treinador Bruno Fernandes viu-se obrigado a deixar a carreira de jogador, investindo na sua formação como treinador
Fonte: Facebook do futsal feminino do AEISTécnico

O sucesso também traz dificuldades

E contra factos não há argumentos: a inclusão desta vertente federada fez crescer a equipa tanto na sua forma de jogar como nos resultados obtidos. Em 2011/2012, tornaram-se campeãs distritais universitárias e, a nível federado, já conseguiram duas subidas de divisão, alcançando a Divisão de Honra de Lisboa onde se encontram na disputa dos primeiros lugares. “Temos tido resultados melhores. Mesmo nos nacionais (universitários), nota-se alguma evolução e nota-se mais consistência na forma como jogamos. Antes éramos uma equipa que ficava mais atrás e agora somos uma equipa que toma iniciativa. É uma forma diferente de jogar, reflexo da evolução que tivemos no federado e da confiança que ganhámos.”, afirma a capitã de equipa, Irina.

Devido à evolução e à onda de resultados bastante positivos da equipa nas competições em que se insere, a formação azul e branca tornou-se atractiva para várias jogadoras da zona de Lisboa e arredores. A entrada de jogadoras com uma escola diferente daquela que é ensinada no Técnico é uma das preocupações de Ana Colaço, apresentando-se até como a maior dificuldade sentida com a evolução do projecto. “Com a entrada na equipa de várias pessoas que fizeram parte de outras equipas federadas, por vezes fica difícil manter a inocência da equipa (…) Eu diria que a maior dificuldade tem sido manter a equipa impermeável a ambições e/ou crenças pessoais, ou seja, mantermo-nos fiéis ao projecto. O que a equipa tem de bom, acaba por também ser uma fraqueza. Devido ao facto de sermos uma equipa sem núcleo dirigente, pelo menos até este ano, é difícil estabelecer prioridades e transmitir os ideais e princípios da equipa de geração em geração. Sem um núcleo deste tipo, é complicado para pessoas que não estiveram incluídas no processo inicial compreenderem como a equipa funciona, e o porquê desta funcionar assim.”

Com maior ou menor dificuldade, a verdade é que as jogadoras que fazem parte da equipa acabam por conseguir perceber o grande âmbito e todos os valores inerentes à mesma. Com base no espírito universitário, tentam manter a união dentro da equipa e evitam confusões de balneário. Para além disso, uma postura de muito fair-play é também um ingrediente indispensável quando tentam ensinar e transmitir estes ideais às pessoas que entram. Rita Filipe, número 11, não tem dúvidas quanto à unicidade da equipa: “Eu acho que temos uma coisa que eu não sei se haverá em outras equipas. Nós dedicamo-nos mesmo a este projecto. Gostamos mesmo da equipa e há um compromisso com a equipa.”

A coesão da equipa é considerada fundamental para o sucesso da mesma Fonte: Facebook do futsal feminino do AEISTécnico
A coesão da equipa é considerada fundamental para o seu sucesso
Fonte: Facebook do futsal feminino do AEISTécnico

Apesar da existência destes valores que se sobrepõem aos resultados, Bruno tem os objectivos bem definidos no que diz respeito à sua equipa. “A curto/médio prazo pretendo consolidar a equipa do AEISTécnico como uma potência a nível nacional, sendo para isso essencial a subida de divisão ao recém-criado campeonato nacional. Em adição, pretendo mostrar a imagem de um exemplo a seguir a nível universitário e de como conciliar os campeonatos universitário e federado, sendo sempre capaz de lutar em todas as frentes pelos títulos em disputa.”

Cartas lançadas, a época já se encontra a meio e a equipa de futsal feminino do Técnico situa-se confortavelmente no quarto lugar da tabela classificativa na vertente federada e em primeiro lugar do campeonato universitário de Lisboa. Distinguindo-se dos clubes devido à sua autonomia, este parece não ser um entrave ao seu sucesso; muito pelo contrário. Com passos pequenos mas consistentes, vão atingindo patamares elevados, conseguindo aumentar a qualidade das jogadoras que fazem parte do plantel. Ainda assim, mais do que resultados, esta equipa tem em conta a sua longevidade, utilizando o federado como muleta para o desenvolvimento universitário.

De estudantes a trabalhadoras, lutam todas pela mesma causa – levar o nome do Instituto Superior Técnico aos vários cantos do país, sem esquecer as suas origens e aquilo que as une.

Expulsar os demónios

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sexto violino

O Sporting está a dez pontos do líder. Não sei se os jogadores se ressentem dos jogos a meio da semana por não estarem habituados, se só jogam quando sabem que a Europa está de olho neles ou se, simplesmente, não são tão bons como se quer fazer crer. Mas não irei falar das incidências da partida com o Moreirense. Farei antes, e perdoem-me os mais impressionáveis ou os mais crentes, uma espécie de “exorcismo” de algo que já me vem apoquentando há algum tempo: o próprio ADN dos Sportinguistas ou, por outras palavras, “a massa de que somos feitos”.

Por norma não gosto de pôr todos os adeptos de um clube no mesmo saco. Há pessoas tão diferentes entre si, tanto em termos de idade como de origem social, de grau de envolvimento com a “causa”, de convicções religiosas, políticas, etc., que se tornaria artificial e até ridículo fazê-lo. Contudo, há certas coisas que me fazem confusão em adeptos do Sporting – não digo que sejam todos porque isso seria entrar numa generalização que não corresponde à verdade, mas é um número considerável e com relevância suficiente para ser mencionado. Falo da forma como lidamos com os nossos sucessos e fracassos e do modo como olhamos para os nossos rivais, sobretudo o Benfica.

Enquanto Sportinguista, no futebol há poucas coisas de que gosto menos do que do Benfica. E, se não nos restringirmos ao desporto, isto continua a ser verdade. É normal, faz parte daquilo que é uma rivalidade, a maior de um país. Esta atitude, claro está, também existe de benfiquistas face a Sportinguistas, por muito que aqueles gostassem que a sua máxima “o maior clube em Portugal é o Benfica e o segundo é o anti-Benfica” fosse verdadeira. Mas há coisas que me ultrapassam. Chego à conclusão de que há adeptos do meu clube que têm um complexo mal resolvido com o rival, complexo esse que, a meu ver, começa na falta de conquistas por que a secção de futebol se tem pautado nas últimas (já largas) décadas.

O Sporting já não é campeão há quase 13 anos. Antes disso, tinha cumprido 18 anos de seca. Se excluirmos os dois últimos títulos nacionais, temos de recuar a 1982 para podermos falar de um Sporting dominador em Portugal. É verdade que o poder no futebol é hegemonizado por dois clubes, Porto e Benfica, que têm muito mais influência de bastidores do que o Sporting, com tudo o que isso implica. Não reconhecer isto é não ser sério. É também verdade que se o Sporting, enquanto único clube grande que não tem o poder do futebol nas suas mãos, não fosse o principal prejudicado desta bipolarização do desporto-rei português, muito provavelmente teria ganho mais campeonatos nos últimos anos – nomeadamente em 03/04 (em que se descobriram escutas com indicações de que o Sporting “era o clube para martelar”, e que acabaram arquivadas), em 04/05 (onde, para além do polémico e tão badalado golo de Luisão, houve também um jogo com o Braga, muito menos comentado e que terminou 0-0, em que a equipa de Alvalade marcou um golo mal anulado) ou em 06/07 (o célebre ano da “mão de Ronny”, um golo cuja validação seria impensável reproduzir no Dragão ou na Luz). Mas o certo é que os anos de seca foram-se estendendo no tempo, bem como o período negro de direcções suicidas. Com eles, agudizou-se o abastardamento de alguns sectores Sportinguistas.

bdc
Bruno de Carvalho (esq.) tem marcado uma era no Sporting, mas terá de adaptar o seu discurso à realidade
Fonte: Facebook do Sporting CP

A realidade do clube merece uma reflexão profunda e isso, a meu ver, terá de começar pelos próprios adeptos. Tal reflexão passará por admitir, com humildade, que o Sporting não é um clube ganhador. Não terá de ser sempre assim, nem esta é de modo nenhum a sentença que o destino nos traçou (embora às vezes pareça). Mas é a nossa realidade. Se é verdade que, no que toca ao universo desportivo, continuamos a ser a maior potência nacional e uma das maiores do planeta, esse facto não pode servir para nos atirar areia para os olhos. O que os Sportinguistas mais querem, mesmo os que, como eu, seguem e vibram com as modalidades, são títulos no futebol. Se estes não aparecem, tanto por razões desportivas como pelos motivos extra-desportivos já indicados, o pior que podemos fazer a nós próprios é fingir que está tudo bem, ao mesmo tempo que damos provas do contrário de cada vez que nos contentamos com ninharias desportivas ou consagramos ao Benfica mais importância do que eles merecem e a rivalidade exige.

Que sentido faz celebrarmos, em 2014, os 7-1 de 1986/87, como se de um título se tratasse? Saberão os Sportinguistas que nessa época ficámos em 4º lugar, mais próximos do Chaves e do Varzim do que do campeão Benfica? Oiço os benfiquistas falar menos dos 3-6 de 1994 em Alvalade, um jogo que por sinal praticamente lhes deu o título. Que sentido faz empatar com o Moreirense e ainda ter coragem para gozar com o facto de o Benfica estar fora da Europa, como vi acontecer? Que sentido faz testemunhar que o cântico com melhor adesão nas bancadas de Alvalade tem na letra “graças a deus não nasci lampião” – na última semana foi entoado no Chelsea-Sporting! – e que se responda invariavelmente a quem critique a música que está a ser obcecado porque esta só fala deles “de passagem”? Terão os Sportinguistas presente que um adepto nascido em 1966 (terá hoje, portanto, 48 anos) só viu o clube ser campeão 6 vezes, menos do que qualquer adolescente portista? E que, apesar de obviamente ser sempre um motivo de orgulho, a famosa formação já deu mais a ganhar aos rivais directos do que a nós próprios?

Urge mudar tudo isto, para bem do próprio Sporting. É certo que o clube passa hoje por uma situação de lenta regeneração, mas o varrer as contrariedades para debaixo do tapete e as invejazinhas bacocas de um rival que, de resto, também já viu melhores dias, não ajudam nada. Assim como não ajuda a postura de Bruno de Carvalho, cuja vitória nas eleições continuo a achar ter sido das melhores coisas que aconteceram ao clube mas que não é imune à crítica, quando diz coisas como [há clubes] que acham que são grandes, uns que gostariam de ser grandes, e depois há um que é grande, que é o Sporting Clube de Portugal”. O perigo de tudo isto é cair-se no ridículo e, pior, perder-se de vista os principais problemas do Sporting.

Como é óbvio, o Sportinguismo não deve crescer nem diminuir ao sabor das conquistas ou da falta delas. Da minha parte, amarei de igual forma o meu clube tanto na Liga dos Campeões como na Distrital (e na Distrital talvez a obsessão e a irracionalidade até crescessem…). Mas tenho, e temos todos, o dever de não perder a realidade de vista. E ela, quer queiramos quer não, diz-nos que perdemos o comboio, e que demorará bastante tempo até que chegue o próximo. É por isso que digo com todas as letras: no futebol, somos actualmente o terceiro clube português, e talvez o continuemos a ser nos próximos anos largos.

Sei que é duro ler isto, tal como para mim também o é escrever. Mas assumi-lo é, parece-me, não só fazer as pazes com a verdade, como também preparar caminho para o possível sucesso futuro. É a expulsão dos nossos demónios interiores (leia-se irracionalidade, “clubite aguda”, etc.), que muitas vezes nos impedem de aceitar a realidade e, portanto, de procurar soluções que a alterem. É por isso que glorificar goleadas antigas, esquecer insucessos recentes ou dedicar músicas ao maior rival em jogos que não sejam contra eles são caminhos a evitar. Que continuem os tradicionais “picanços” com os rivais, mas sempre tendo presente a nossa posição delicada nos dias que correm  – e que, se olharmos para as últimas décadas, já não é propriamente um dado novo. Se já somos os terceiros no palmarés futebolístico, não o queiramos ser também na mentalidade.

 

As fotos foram retiradas do Facebook Oficial do Sporting CP

Mais banhada do que banho

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tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

O Porto perdeu o clássico do Dragão e dificultou muito a tarefa de chegar ao título. Foi um jogo de sentido único, mas a equipa de Jorge Jesus levou a melhor sobre a de Lopetegui. As equipas iniciais não trouxeram novidades, e da parte do Porto não houve nenhuma surpresa na estratégia de jogo, mas talvez o estratagema benfiquista tenha surpreendido alguns. Falar sobre o clássico dava matéria para duas ou três crónicas, principalmente da parte portista, que foi surpreendida com este resultado em sua casa. Porém, decidi focar-me mais na forma de jogar de ambas as equipas (e nas conclusões que se tiraram) do que noutros pontos também importantes, como a fraca prestação da claque portista ou a falta de raça dos azuis e brancos, por exemplo.

Jorge Jesus tem um enorme respeito pelo Porto, principalmente no Dragão. Não me lembro de ver esta estratégia defensiva benfiquista, apresentada ano após ano no Dragão, contra outras equipas – uma equipa defensiva que tenta jogar no erro do adversário (até aqui nada de muito transcendente) mas que desta vez surpreendeu pela inactividade no ataque.

E o que fez o Porto? Pois, aí está o problema – pouco. O Porto não marcou porque, para além de estar num dia de azar, pouco fez para inverter o curso do jogo e apresentou uma estratégia muito denunciada. Prometemos muito no início, com ataques acutilantes, duas jogadas que podiam ter dado golo e a sensação de que a qualquer momento podíamos inaugurar o marcador. Mas Jesus percebeu que estava a arriscar, fez recuar a equipa e a partir daí começaram as dificuldades. As peças do Benfica dispuseram-se melhor em campo, não houve mais oportunidade para Tello criar perigo, porque deixou de ter espaço para correr – e logo ele que prometia uma noite de pesadelo a André Almeida –, e a saída para o ataque foi sempre difícil.

Herrera e Casemiro nunca transportaram nem distribuíram bem a bola, mas o mexicano esteve especialmente mal: é muito irregular e pouco pujante para jogos deste calibre. Contudo, o maior defeito do jogo dos Dragões foi a contante e exaustante insistência em passar a bola a Brahimi. Que previsível! Com o meio-campo benfiquista sempre povoado e a bola encostada na esquerda portista, havia uma multidão de jogadores prontos a atrapalhar o extremo portista. E não houve plano B; foi assim o jogo todo e as poucas boas iniciativas esbarraram no poste (há dias em que mais vale não sair de casa)! Admito que gosto de Lopetegui, mas não gostei da ausência de uma estratégia alternativa.

Mesmo trapalhão, o Porto esteve sempre em cima do Benfica e a verdade é que os golos encarnados surgiram de dois lances que deviam ter sido facilmente aniquilados pela defesa e pelo guarda-redes, respectivamente. De resto, o Benfica fez, nos 90 minutos, sempre a mesma coisa: defender. Confesso que me dá uma certa irritação quando ouço falar em banho táctico. Não sou treinador, mas será isto um banho táctico? Terá o futebol, “tacticamente” falando, atingido este ponto em que defender e praticamente não contra-atacar (e, quando se o faz, sem perigo algum) é um “banho táctico”? Acho que esta expressão surge de benfiquistas que não querem reconhecer que a estratégia benfiquista esteve mais próxima da do Boavista do que da de um grande campeão em título. Dois golos sem grande estratégia, muitas faltas, contra-ataques sem perigo e muita defesa – não entendo esse banho. Para defender bem é preciso muita organização, mas não é suposto haver uma estratégia de contra-ataque? Não se pode defender sem estar encostado às cordas como o Benfica esteve (mesmo com 0-0) em grande parte do jogo? Um bom jogo defensivo lembro-me eu de o Chelsea ter feito este ano contra o Manchester City; não se pareceu nada com o que vi no Dragão. Aliás, o Porto-Boavista foi o mais próximo deste encontro…

Gabarolices à parte, mais um jogo grande que perdemos em casa; é preocupante e é praticamente humilhante. O problema não é só táctico, estratégico, colectivo, individual… o problema é também não saberem o que é jogar no Porto e o que representa um Clássico para os nossos adeptos, que levaram uma grande banhada. Mas isso fica para outro dia. Resta fazer um campeonato incólume porque a vida dos azuis e brancos complicou-se bastante. Ainda assim, nada de atirar a toalha ao chão!

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto