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Rodgers e Suárez: os responsáveis pela máquina de fazer golos

À partida para esta temporada, perspectivava-se que a edição 2013/2014 da Premier League fosse a mais espectacular de sempre. Tínhamos vários candidatos ao título e diversas equipas com possibilidades de lutar pelos lugares cimeiros. Ainda assim, apesar do estatuto de histórico, ninguém esperava que o Liverpool tivesse, nesta fase, hipóteses de se sagrar campeão. A verdade é que os reds, liderados por um Brendan Rodgers que tem feito um trabalho extraordinário, são uma das grandes surpresas da época e ainda podem chegar ao título, 24 anos depois. Independentemente do que venha a acontecer, já ninguém lhes tira o rótulo de equipa mais entusiasmante do campeonato inglês. O Liverpool é, neste momento, uma máquina de fazer golos.

Há vários responsáveis pela fantástica temporada do Liverpool, a melhor dos últimos anos. O mérito tem de ser repartido essencialmente por dois protagonistas: Brendan Rodgers e Luis Suárez. O técnico galês é um bom exemplo de que a paciência normalmente compensa. Na primeira época em Anfield, o ex-treinador do Swansea não fez melhor do que os seus antecessores, terminando o campeonato num modesto sétimo lugar. Neste ano, para além dos excelentes resultados, conseguiu aquilo que faltava há muito tempo: formar uma equipa. Os reds têm uma base que pode, efectivamente, permitir que recuperem o lugar que merecem no panorama inglês. Rodgers soube recuperar jogadores de quem se pensava que tinham sido apostas erradas – caso de Henderson –, potenciou jovens como Sterling e Coutinho e construiu um colectivo em torno de uma estrela. Para além disso, conseguiu dar uma nova alma a Steven Gerrard. O feito é ainda maior se considerarmos que fez tudo isto num plantel que tem sido afectado por bastantes lesões.

Suarez é a estrela maior neste renascido Liverpool Fonte: The Telegraph
Suárez é a estrela maior neste renascido Liverpool
Fonte: The Telegraph

É impossível falar no Liverpool sem destacar a enorme temporada que Luis Suárez está a fazer. O uruguaio, que se tem exibido ao nível dos melhores do mundo, leva a impressionante marca de 28 golos e 20 assistências (falhou as 5 primeiras jornadas), participando directamente em 48 dos 82 golos apontados pelo conjunto de Brendan Rodgers. Tem sido claramente o melhor jogador do campeonato e vai liderando a corrida para a Bota de Ouro. Suárez forma uma dupla demolidora com Daniel Sturridge, que soma 19 golos (juntos têm 47 golos) e também está a realizar uma época soberba. Coutinho, criativo da equipa, e Sterling, extremo que está a afirmar-se da melhor maneira, são os outros responsáveis pela dinâmica ofensiva dos reds.

Para que o Liverpool possa voltar a lutar pelo título de forma regular, tem de haver maior eficácia na escolha dos reforços. O emblema da cidade dos Beatles falhou a aquisição de Konoplyanka e Salah – que seriam mais-valias – e contratou jogadores que nada acrescentaram ao plantel: Iago Aspas, Kolo Touré, Luis Alberto (é jovem, mas mostrou pouco) e até o próprio Moses, emprestado pelo Chelsea. Estes erros na abordagem ao mercado poderiam ter custado caro, mas Brendan Rodgers fez um excelente aproveitamento dos elementos que tem à disposição. Contudo, para a próxima temporada, com o possível (e previsível) apuramento para a Champions League, é fundamental que os reds consigam reforçar um plantel que é curto e que corre o risco de perder Suárez. Mas o mais importante está feito: o Liverpool tem um treinador competente e uma equipa talentosa. Parecem estar reunidas todas as condições para que tenhamos o histórico emblema inglês a lutar por títulos. Finalmente.

Carta Aberta a: Paulo Bento

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Caro Paulo,

Esteve nos Barreiros no passado sábado? Se não, decerto deve ter visto a transmissão televisiva do jogo do seu último clube, no Estádio dos Barreiros… Vou assumir que sim. Reparou num rapaz vestido de roxo, ali no meio campo, que até fez um golo de grande penalidade? Um miúdo loirito, o número 23, que encheu o campo, dominou o meio-campo, que esteve brilhante nas manobras ofensivas e na ajuda à defesa. Reparou? Chama-se Adrien Silva e é jogador sénior do Sporting desde os tempos em que o Paulo era lá treinador. Aliás, foi o Paulo que o lançou como sénior.

Assumindo (ainda que com dúvidas) que reparou nele e que se lembra de quem é o rapaz (depois de o ter lançado de leão ao peito), gostaria de lhe colocar três questões de forma bastante clara, directa e concisa:

1-      Porque é que não o convoca para a Selecção Nacional?

2-      Vai ceder ao inevitável e convocá-lo para o Mundial do Brasil?

3-      Quando entra em vigor o seu contrato com o Sport Lisboa e Benfica?

Sou sincero: tinha mais um punhado de questões para lhe colocar, mas como imagino que o trabalho do seleccionador nacional seja tremendamente árduo e desgastante, não o quero maçar mais.

Desconfio de que as respostas às minhas duas primeiras perguntas sejam, nem mais nem menos, do que a afirmação inerente à terceira pergunta. Confuso? Passo a explicar:

O Paulo, estranhamente, vai chamando jogadores que não merecem, nem têm qualidade, para vestir a camisola das Quinas, como por exemplo Rúben Amorim, André Almeida ou Ivan Cavaleiro. Enquanto toma decisões como estas, deixa em casa jogadores que vêm fazendo grandes épocas, como Adrien Silva, Cédric Soares, Ricardo Quaresma e, já que convocou Cavaleiro, posso referir também o nome de Carlos Mané.

Adrien é um possível seleccionável  Fonte: ASF
Adrien é um possível seleccionável
Fonte: ASF

Que razão plausível pode existir para convocar um jogador completamente mediano e inconsequente como Amorim, e ignorar um dos melhores médios portugueses, um dos jogadores com maior rendimento na Liga Portuguesa, como é Adrien Silva? Como é possível convocar um André Almeida, que nem joga na equipa principal do Benfica, e deixar de fora um lateral-direito que está a fazer uma grande época no Sporting, que defende de uma forma impecável, que ataca bem com cruzamentos milimétricos e com trajecto nas selecções jovens, como é Cédric Soares? Como é possível chamar um Ivan Cavaleiro, que não jogou mais do que meia dúzia de minutos na Liga Portuguesa e que faz carreira na Liga de Honra, ao invés de convocar um tremendo craque chamado Ricardo Quaresma, ou mesmo um Carlos Mané, que assumiu uma posição de destaque no seu clube, a jogar brilhantemente a extremo e também no meio-campo, que tem feito golos e demonstrado uma maturidade acima da média, dentro das quatro linhas? Peço-lhe desculpa, mas só encontro uma explicação plausível para esta situação: valorização de activos e valorização do seu próprio nome perante o universo encarnado.

Ambos adivinhamos a mais do que provável saída de Jorge Jesus do Benfica, no final desta época. Se voltar a perder o campeonato, sai sem sombra de dúvidas, e se for finalmente campeão nacional sairá igualmente, de forma a abandonar o clube pela porta grande, como um herói da nação benfiquista. Com sucesso ou insucesso, o seu nome está desgastado, e é raro o adepto benfiquista que exija a sua permanência no comando da equipa. Posto isto, Luís Filipe Vieira terá de tomar uma decisão, e, como em táctica que ganha não se mexe, a solução passará por um treinador português, creditado, que venha a conquistar a simpatia interna do clube da Luz. A solução é o Paulo, e acredito que tanto você como o presidente do Benfica já o saibam. O plano é simples: Portugal acabará por fazer um óptimo Mundial, porque a espinha dorsal da nossa equipa assim o permite, porque contamos com o melhor jogador do mundo, com médios de grande qualidade e uma defesa coesa. Esta quase certeza de que Ronaldo e mais 10 têm capacidade para fazer coisas bonitas permitirá que, na convocatória final, no meio dos craques, possamos ler nomes como Sílvio, André Almeida, Rúben Amorim e Ivan Cavaleiro, o que agradará imenso a Vieira e companhia e valorizará os jogadores benfiquistas. Depois do Mundial, o Paulo sairá e, caído nas graças encarnadas, assumirá o controlo de um Benfica campeão nacional, com algumas saídas de jogadores importantes, pronto para uma renovação com tranquilidade, cenário ideal para um treinador como o senhor. Tudo está bem quando acaba bem.

Posto isto, peço-lhe apenas uma coisa: para já, pense apenas nos interesses dos portugueses, que gritam, vibram e choram com a sua Selecção, e trate de convocar os melhores jogadores possíveis para cada posição, para que possamos sonhar com um possível título. Tenha respeito por todos nós e pense no seu futuro mais tarde.

Seja justo e coerente, e estaremos todos unidos, como uma equipa, em prol de um objectivo comum: trazer para Portugal a taça mais importante do desporto a nível mundial.

Acredito que, apesar de tudo, acabará por fazer o que é correcto. Força.

Atenciosamente,

Hugo Almeida Rebelo.

Matematicamente falando

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camisolasberrantes

Faltam seis jornadas. Dizem as contas que o Benfica está a quatro vitórias de garantir o troféu de 2013/2014. O primeiro desde o único que Jesus conseguiu no seu também primeiro ano. As saudades são muitas e as chagas que nos atormentam o coração são ainda mais depois de dois anos seguidos a deixar fugir o que era nosso por direito. Mas no futebol escreve-se torto por linhas direitas e a injustiça não é factor a ter em conta. Porque a bola rola sempre para os dois lados.

Este ano é mais do que tempo de rolar para o nosso. Não por sorte ou demérito dos nossos eternos rivais, mas porque – e aqui Jesus justificou o seu divino nome – o Benfica ressuscitou da morte certa. Do maior período de desânimo e tristeza desde a negra década de ’93-’03. E fê-lo despedindo-se ainda de Eusébio e Coluna. Com Cardozo afastado dos relvados. Salvio obrigado a paragem. Cortez no lado esquerdo. Matic a rumar a Londres. E com um novo guarda-redes de apenas 21 anos.

É olhando para os números que se descortinam as grandes diferenças entre o Benfica de hoje e o Benfica fantasma do princípio da época: passámos 19 jornadas atrás de Sporting e Porto no que toca aos golos marcados e sofridos. Não fomos nunca capazes de ter a melhor defesa ou o melhor ataque. Só depois de 20 jogos jogados é que foi possível provar matematicamente o nosso poderio atacante e a nossa assertividade defensiva. Se tem muito de grave, tem também muito de mérito. Porque soubemos ultrapassar a nulidade que Cardozo tem sido e soubemos reafirmar Lima – dois golos no jogaço de ontem – e dar asas a Rodrigo – possivelmente o melhor atacante do Campeonato no momento; porque soubemos reavivar a chama de uma relação como há poucas entre os nossos dois enormes centrais, sabendo também metê-los a jogar com laterais que, tanto à esquerda como à direita, vão rodando sem assumirem nunca o lugar de titulares…centrais esses que, nos últimos 14 golos do Benfica, marcaram seis (três para Garay, contra o Tottenham e o Nacional, e três para Luisão, também contra o Tottenham e contra o Estoril).

Garay imitou Luisão e juntou três (grandes) golos à sua conta pessoal  Fonte: rivaisamesa.blogspot.com
Garay imitou Luisão e juntou três (grandes) golos à sua conta pessoal
Fonte: rivaisamesa.blogspot.com

Em 24 jogos para o campeonato temos 47 golos marcados (mais um do que o Sporting e mais três do que o Porto), o que dá uma média de quase dois golos por jogo, e apenas 15 golos sofridos (menos dois do que o Sporting e menos três do que o Porto), sendo que o máximo de tentos que deixámos entrar na nossa baliza num jogo foram dois. Estamos melhores em todos os campos, inclusive fora do nosso, sendo que matámos a tendência do princípio da época de não conseguir sair por cima quando jogávamos fora. Aconteceu na Madeira e em Alvalade e só voltou a acontecer em Barcelos, a dia 2 de Janeiro, no empate a uma bola contra o Gil Vicente. Desde então que as deslocações se traduzem em muitos festejos (três jogos fora e sete golos contra Paços, Belenenses e Nacional).

No entanto, o factor que tem feito a diferença têm sido os lances de bola parada. Lembro-me, como se fosse ontem, de comentar com os meus companheiros benfiquistas do Bola na Rede, aquando do jogo contra o Porto, que o Benfica já há muito tempo que não sabia o que era marcar golos de canto ou de livre. Que todas as tentativas nesse sentido eram mais do que vãs e impróprias para cardíacos e que, bem pelo contrário, era até mais recorrente ver a bola a entrar na nossa baliza num lance de tal espécie. Tal corrigiu-se e, para além de não termos sofrido mais golos infantis como aqueles que o Sporting veio à Luz marcar no encontro para a Taça de Portugal, apontámos ainda, nos últimos 14 golos, quatro de bola parada: Garay fez um contra o Nacional – de canto – e Luisão fez os outros três, dois contra o Tottenham – de canto e de livre indirecto – e o terceiro contra o Estoril – também ele de canto.

Tudo isto são dinâmicas que o Glorioso precisava de alterar. Tudo isto são pormenores que fazem jogos e que Jesus tinha de afinar. Conseguiu. Conseguimo-lo. Os passos de gigante já estão dados. E pela frente, se olharmos para o calendário, já só temos duas difíceis deslocações: a Braga – dia 30 de Março – e ao Dragão – última jornada, no dia 11 de Maio. Assegure-se a vitória contra os bracarenses e o Benfica é campeão. Porquê? Porque este ano nenhum “Benfica 1-1 Estoril” terá direito a repetição junto das nossas hostes.

Este ano quem manda na nossa casa somos nós. E o nosso destino só a nós pertence…a matemática que o diga.

Messi resolve o clássico e coloca a liga espanhola ao rubro

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Um jogo frenético no Bernabéu terminou com a vitória do Barcelona sobre o Real Madrid, por 4-3. Messi, que marcou um hat-trick e desequilibrou por completo o clássico, foi o grande protagonista do encontro e colocou os catalães a apenas um ponto do Real e Atlético. Se havia dúvidas, hoje ficaram dissipadas: vamos ter uma luta pelo título até à última jornada.

Embora não tenha sido sempre bem jogado, o clássico foi disputado num ritmo alucinante. O Barcelona marcou cedo, por Iniesta (passe de Messi), mas o Real deu a volta ao marcador em poucos minutos, com a dupla Di María-Benzema em destaque. O francês apontou os dois golos da reviravolta, ambos com assistência do argentino. Ainda na primeira parte, Messi aproveitou a passividade da defensiva merengue para restabelecer a igualdade. No segundo tempo, o árbitro Undiano Mallenco quis entrar na festa. Assinalou penalty a favor do Real, com Ronaldo a bater Valdês. Pouco depois, dá-se o lance que decidiu o jogo: Sérgio Ramos é expulso por carregar Neymar na grande área, e Messi – que isolou o brasileiro de forma soberba – converte a grande penalidade. Os catalães, em vantagem numérica, foram à procura da vitória, que acabaria por surgir na sequência de nova grande penalidade. Messi não vacilou e deu o triunfo que oferece à turma de Tata Martino um novo alento na luta pelo título.

Benzema bem tentou, mas o Barcelona levou a melhor Fonte: Reuters
Benzema bem tentou, mas o Barcelona levou a melhor
Fonte: Reuters

Barcelona: Messi e Iniesta, com exibições espantosas, foram os principais responsáveis pela vitória catalã. O argentino, que por vezes parecia alheado do encontro, fez a diferença sempre que a bola lhe chegou aos pés – o passe que isolou Neymar é magistral – e sai do Bernabéu com três golos e uma assistência. O médio espanhol realizou uma exibição ao seu nível, mostrando novamente toda a sua classe (impressionante o que faz com a bola nos pés). Marcou o primeiro golo e ganhou o penalty decisivo. Neymar, apesar de não ter estado brilhante, esteve nos lances decisivos da partida. Xavi apareceu em bom plano na segunda parte e foi um dos obreiros da reviravolta. Piqué esteve intransponível – evitou um golo cantado – e parece recuperar a forma de outros tempos; pelo contrário, Mascherano esteve bastante mal e foi batido por Benzema nos dois primeiros golos.

Real Madrid: Dos BBC, só Benzema apareceu. O francês foi um dos melhores da equipa de Ancelotti, não só pelos golos (ainda poderia ter marcado mais) mas sobretudo pela forma como se deu ao jogo e se superiorizou a Mascherano. Bale, apesar de não merecer nota positiva, participou no lance do primeiro golo e teve algumas arrancadas interessantes. Ronaldo esteve muito apagado, foi inconsequente nas suas acções e, apesar do golo marcado, foi o pior elemento do ataque do Real. Quem está melhor do que nunca é Di Maria. O argentino apresentou uma intensidade incrível, tanto a atacar como a defender, e formou uma sociedade de sucesso com Benzema. Por outro lado, Modric teve menos influência na equipa, e o Real acabou por se ressentir do menor rendimento do croata (que, ainda assim, subiu ligeiramente de produção na segunda parte). A defesa esteve toda muito mal. Marcelo, com más abordagens e erros de posicionamento, e Carvajal, que não conseguiu controlar Iniesta, sofreram muito com os atacantes contrários, tal como Pepe e Sérgio Ramos.

Justíssima vitória

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cab futsal

Um dérbi simboliza um jogo de grande intensidade entre duas equipas da mesma cidade. Em Lisboa, chamamos dérbi ao encontro entre o Sporting e o Benfica. Dia de dérbi é dia de convívio, dia de grandes emoções e dia de apoiar o seu clube da melhor forma possível. Como tal, os bilhetes para estes jogos vendem-se sempre de forma rápida e neste caso não foi exceção: os bilhetes referentes à equipa visitante (Sporting) esgotaram em menos de 24 horas.

Relativamente à equipa da casa, esperava-se uma autêntica onda encarnada para apoiar o Benfica neste decisivo jogo. E assim foi. O Pavilhão da Luz quase encheu na sua totalidade e contou com ilustres figuras, tanto do passado recente da modalidade, como do presente do clube. Falo do mágico Ricardinho, de Pedro Costa e do administrador da SAD do clube, Rui Costa.

O jogo foi bem disputado, tanto dentro como fora da quadra. O Benfica entrou mal na partida, e o Sporting inaugurou o marcador fruto de uma belíssima triangulação finalizada por Pedro Carry. Após o golo leonino, houve uma boa reação da equipa da casa, que pressionou mais e aproveitou os erros do adversário. O golo marcado levou a equipa visitante a desorganizar-se, jogando mal. A magia benfiquista sobressaiu quando Serginho fez uma grande finta sobre Marcelinho e rematou de forma espetacular para um golo impossível de se defender. Nené, a passe de Marcão, finalizou de forma excecional com um golo de pontapé de bicicleta. A primeira parte terminou e o Benfica foi para intervalo a vencer, devido a uma boa resposta e a uma impressionante nota artística dos seus jogadores.

Festejos da equipa encarnada após a importantíssima vitoria diante do Sporting. Fonte:Slbenfica.pt
Festejos da equipa encarnada após a importantíssima vitoria diante do Sporting.
Fonte:Slbenfica.pt

Previa-se uma entusiasmante segunda parte, devido à pequena diferença no resultado, mas não foi bem isso que sucedeu. O Benfica continuou a jogar bem e o Sporting melhorou substancialmente, faltando melhorar a pontaria (mérito também para o guardião da casa, que fez boas intervenções). Em mais uma desatenção defensiva, Alan Brandi matou o jogo e, até ao final, o Sporting nada conseguiu fazer para diminuir a desvantagem. Nuno Dias arriscou o 5 para 4, com o habitual Alex a desempenhar a função de guarda-redes avançado, mas a bola não queria mesmo entrar, e assim terminou a partida. Vitória justa da equipa encarnada, que fez uma excelente abordagem ao encontro. Com este resultado, ultrapassou o Sporting, alcançando o primeiro lugar da classificação, estando assim lançada para a conquista da Fase Regular.

Nos restantes jogos da jornada, é de realçar a importante vitória do Braga em casa da lanterna vermelha Académica, que consolida o terceiro lugar, mantendo a vantagem de quatro pontos sobre os Leões de Porto Salvo, que também venceram fora, em casa do Boavista, por 2-3.

Nesta jornada, aconteceu algo insólito, visto que apenas houve uma mudança classificativa: o Benfica subiu ao primeiro lugar e o Sporting desceu para segundo. Nas restantes posições, nada se alterou, o que é sem dúvida alguma algo estranho. Os últimos lugares, Académica e Vila Verde, muito dificilmente salvarão a descida de divisão. O Vila Verde está a nove pontos do 12º e a Académica está a seis do 12º, Póvoa Futsal.

Nené e Caio Japa numa disputa acesa pela posse de bola, com o jogador encarnado a levar vantagem. Fonte: Slbenfica.pt
Nené e Caio Japa numa disputa acesa pela posse de bola, com o jogador encarnado a levar vantagem.
Fonte: Slbenfica.pt

De destacar o dérbi de sábado, que foi claramente o jogo cartaz da jornada. Para quem raramente assiste a esta modalidade e viu o jogo na televisão, tenho a certeza de que ficou apaixonado, devido à intensidade do mesmo e à facilidade com que o resultado se vai alterando.

 

A constante luta dos postes

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cab nba

Aliar força bruta a puro talento e classe é uma capacidade reservada apenas aos melhores jogadores. A posição que, actualmente, mais carece de atletas com tal habilidade é a de poste.

Devido à evolução que temos vindo a assistir na modalidade – um maior espaçamento em campo –, o papel de poste tem vindo a ser cada vez menos aproveitado, pelo menos de acordo com os grandes nomes da história da liga.

Dentro deste capítulo, há três nomes que merecem destaque, pelo enorme impacto que dão às suas equipas. Vou começar por um jogador que está a participar numa época em que tem vindo a impressionar o público pela melhoria na qualidade de jogo, de um ano para outro. Estou a falar de DeAndre Jordan e dos Los Angeles Clippers.

Esta imagem foi das que mais viajaram na Internet.  Fonte: Sports-kings.com
Esta imagem foi das que mais viajaram na Internet.
Fonte: Sports-kings.com

Na imagem, vemos DeAndre Jordan a preparar-se para um potente afundanço que, mais tarde, foi considerado o melhor do ano passado.

O poste da actual melhor equipa da cidade dos anjos tem vindo a evoluir bastante. Isto deve-se ao facto de terem um novo treinador, um dos mais aclamados da história da liga. Doc Rivers conseguiu implementar um estilo de jogo mais bonito, por estranho que pareça, em comparação ao habitualmente conhecido por Lob City. Lidera a liga em ressaltos e já tem uma enorme colecção de afundanços, que fizeram, certamente, inúmeros fãs ficarem avivados com tais jogadas.

De seguida, falo de Al Jefferson. Este atleta é o impulsionador que irá, em princípio, ser a razão principal da ida dos Charlotte Bobcats aos playoffs. Dotado de um jogo no poste impressionante, Jefferson tem sido, provavelmente, o melhor poste da liga – ofensivamente falando –, isto se tomarmos em conta que DeMarcus Cousins tem inúmeros problemas de obediência e comportamento e que Dwight Howard não é, de todo, o jogador que maravilhou milhões nos seus tempos nos Orlando Magic.

O número 25 dos Bobcats tem sido a peça fundamental que tem ajudado o grupo a chegar bem mais longe, algo que pouca gente esperava que fosse possível, pelo menos num espaço de tempo tão reduzido depois de terem alcançado o pior registo de vitórias, há dois anos.

Por fim, quero desviar as atenções para o atleta que mais me surpreendeu neste mês que passou. Joakim Noah tem sido para lá de impressionante. Com mais do que um triplo-duplo conseguido nestas últimas semanas, Noah é a personificação do estilo de jogo praticado pelos Bulls, de Tom Thibodeau. Com uma garra incrível, o poste dos Bulls tem conseguido levar a equipa às suas costas.

Na posição de poste, pelo menos na ideia clássica da posição, estamos perante um jogador bastante imponente, que garante ressaltos – dados estatísticos geralmente olhados de lado, por não serem estatísticas muito elegantes –, pontos, assistências, roubos e, por norma, abafos. Estes atletas são normalmente as bases de um plantel e, infelizmente, tem sido uma posição que se tem extinguido, pelo menos nos parâmetros a que o desporto nos habituou.

A constante evolução tem levado a inúmeras alterações nas posições. Contudo, sinto que a posição de poste é uma das que mais segurança garantem a um grupo, e isso ajuda uma equipa a manter-se estável durante uma época que, como se sabe, é dura.

 

FC Porto 1-0 Belenenses: Quintero bateu e furou a muralha

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O FC Porto venceu esta noite o Belenenses por 1-0, na 24ª jornada da Liga Portuguesa. Os portistas entravam no Dragão pressionados pela vitória do Sporting na Madeira, resultado que os “obrigava” a vencer os azuis do Restelo para continuarem a sonhar com a entrada direta na Liga dos Campeões.

Com as ausências de Danilo, Maicon, Fernando e Quaresma, Luís Castro foi obrigado a fazer várias alterações na equipa inicial, lançando Ricardo a lateral direito e incluindo Reyes, Josué e Ghilas no onze inicial. Do lado do Belenenses, e depois da saída de Marco Paulo, foi a vez de Lito Vidigal se estrear no banco da equipa lisboeta.

Os portistas não entraram fortes na partida, ainda apáticos na adaptação ao novo figurino e aos novos rostos. O Belenenses ia defendendo com os 11 homens atrás da linha da bola, procurando explorar o contra ataque. Só perto do minuto 30 se sacudiu a apatia no Dragão, após um cabeceamento para o fundo da baliza de Matt Jones, por parte de Jackson Martinez, que foi (bem) anulado por Carlos Xistra. Logo de seguida, foi Varela, com um forte cabeceamento, a criar perigo junto à baliza do Belenenses. Ainda assim, o cabeceamento do extremo português bateu no poste. O Belenenses ia segurando o empate como podia e, sem nada que o fizesse prever, esteve perto de inaugurar o marcador com um remate ao poste de Fernando Ferreira. Até ao final do primeiro tempo, a equipa forasteira acabou por sofrer um duro revés, ao ver João Afonso ser expulso após derrube sobre Jackson, quando este ia isolado.

Quintero foi decisivo Fonte: Zerozero.pt
Quintero foi decisivo
Fonte: ZeroZero

Ao intervalo, Luís Castro lançou Quintero para o lugar de Josué, e tudo se alterou na equipa portista. Mais rápida, incisiva e dinâmica, a equipa foi acumulando lances de perigo junto à baliza de Matt Jones. O Belenenses tentou diminuir o ritmo de jogo, fazendo paragens constantes, mas isso apenas foi adiando aquilo que Quintero ia construindo e que parecia inevitável: o golo do FC Porto.

Depois da entrada de Kelvin e Licá, para os lugares de Varela e Reyes, os portistas chegaram mesmo ao golo da vitória, aos 77 minutos, com Quintero a bater finalmente Matt Jones, depois de cruzamento pela direita de Licá. Até ao final do jogo, novo lance de magia do colombiano, a enviar uma bola à trave da baliza do Belenenses na cobrança de um livre direto. Três pontos e uma vitória sofrida, mas merecida, de um FC Porto que agora já só pensa no duelo da próxima quarta feira, contra o Benfica, para a Taça de Portugal. Aí, os protagonistas serão diferentes, o adversário também, e o nível de exigência nem sequer é comparável. Veremos como se comporta este FC Porto.

A Figura: Quintero – O colombiano entrou e revolucionou o jogo azul e branco, rubricando uma bela exibição na segunda parte. Golo decisivo e justo pelo que fez.

O Fora de jogo: Jackson – A falta de alegria no avançado é inexplicável. Mais um par de golos falhados e mais uma exibição desinspirada do ainda melhor marcador do campeonato.

Benfica 3-0 Académica: Universidade de Lisboa 3-0 Universidade de Coimbra

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Em mais uma tarde de domingo, o Benfica recebeu em casa a equipa da Académica em jogo a contar para 24ª jornada do campeonato nacional. A Luz esteve composta (cerca de 50 mil adeptos) para ver o Benfica a confirmar um resultado que não poderia ter sido outro. Apesar da influência que a deslocação ao Dragão, marcada para a próxima quarta-feira, poderia ter nas contas de Jesus, o técnico encarnado não poupou nenhum dos jogadores disponíveis e colocou em campo aquela que tem sido a formação mais utilizada (apenas Sílvio ocupou o lugar de Maxi Pereira). É evidente a atitude com que Jorge Jesus tem encarado os jogos para o campeonato, fazendo de cada partida uma final, naquilo que é decerto a preocupação de não voltar a cometer erros passados. E a família benfiquista agradece.

Para além dos golos, a história do jogo é curta, pelo que o desafio teve sempre apenas um sentido. Um Benfica peremptório entrou muito forte no jogo, querendo impor rapidamente o seu futebol, como nos tem habituado nos últimos tempos. Até ao primeiro golo, apontado por Lima (na sequência de um lance em que Rodrigo enviou a bola ao poste), o jogo esteve muito aberto e foi feito de transições rápidas. O Benfica soube aproveitar esse espaço e colocou-se em vantagem aos 11 minutos. A equipa dos estudantes reconfigurou-se e jogou muito mais compacta daí em diante, sempre na expectativa e a aguardar o erro para iniciar o contra-ataque.

Aos 28 minutos Lima bisa na partida. Depois de Sílvio ter colocado a bola em Markovic no flanco direito, o sérvio fez um cruzamento rasteiro milimétrico que descobriu Lima nas costas de Marcelo que, à boca da baliza, só teve que encostar. Antes do intervalo, uma jogada motivada por Siqueira não terminou em golo por acaso. É de assinalar, de facto, a iniciativa ofensiva dos laterais encarnados. Sílvio e Siqueira foram fundamentais na construção ofensiva do jogo do Benfica e tornaram os flancos da equipa encarnada uma verdadeira arma apontada à baliza de Ricardo.

Lima apontou dois golos e foi decisivo na vitória encarnada Fonte: ZeroZero
Lima apontou dois golos e foi decisivo na vitória encarnada
Fonte: ZeroZero

Na segunda parte, na sequência de um erro da defesa da Académica, Enzo Pérez aproveita para combinar com Rodrigo, que devolve ao argentino, e marca o terceiro das águias, na cara do guarda-redes da Briosa. A Académica não conseguia lidar com a supremacia do Benfica e foi impotente para evitar aquele que viria a ser o último golo da partida.

No fim dos 90 minutos, o resultado não foi mais amplo porque Ricardo, guarda-redes dos estudantes, e o excesso de pontaria (o ataque do Benfica colocou três bolas no ferro) não deixaram. Não posso fechar esta análise sem assinalar a excelência da circulação e posse de bola do Benfica assim como a capacidade de gerir o jogo quando em vantagem. O Benfica está na melhor forma da época e conseguiu hoje manter a distância confortável que tem em relação ao Sporting, o seu adversário mais próximo.

 

A Figura
Lima – Para além dos dois golos que apontou, o avançado brasileiro foi um verdadeiro lutador no meio campo, tendo vindo muitas vezes buscar a bola atrás, sendo uma peça fundamental na transição para o ataque.

O Fora-de-Jogo
Académica – A equipa da Briosa não foi capaz de impor o seu futebol em momento algum do jogo. À excepção de um livre executado por Marcos Paulo que ainda beijou o poste da baliza de Oblak, a equipa dos estudantes não teve, como disse o seu treinador, Sérgio Conceição, ambição nem atitude.

Análise dos primeiros dois terços da Ligue 1

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ligue 1

Estamos neste momento a nove jogos do fim da Ligue 1 de 2013/2014, e a classificação está inclinada para o PSG renovar o seu título, levando oito pontos de vantagem sobre o segundo classificado (Monaco) e 17 sobre o terceiro (Lille).

Isto não vem como surpresa. Apesar de o Monaco ter gastado milhões em reforços, acabaram de subir de divisão, o plantel não tem ainda opções para desafiar o domínio de um PSG recheado em todas as zonas do campo. Tiveram azar com a lesão do seu melhor jogador (Falcao), mas, parecendo que não, continuam a ser treinados pelo Ranieri. Não se pode pedir milagres.

Com o título “entregue” e o segundo lugar bastante seguro nas mãos do Monaco, resta-nos uma recta final com uma luta a quatro pelo último lugar de acesso à tão cobiçada Liga dos Campeões. De momento, o Lille, liderado pelo ex-Chelsea Salomon Kalou, ocupa o terceiro lugar, mas é seguido de perto pelo Saint-Étienne, de Ruffier, que está apenas a cinco pontos, estando o Lyon, de Gourcuff e Grenier, a oito pontos e o Marselha, de Valbuena e Gignac, a nove. Esta luta vem trazer um pouco de emoção a um campeonato que foi dominado pelo clube de Paris, que provavelmente com a sua equipa suplente conseguiria competir pelo título de França, tal é a profundidade do plantel.

Falcao foi a grande baixa do Monaco Fonte: goal.com
Falcao foi a grande baixa do Monaco
Fonte: goal.com

O Ajaccio parece ter o seu destino traçado, levando apenas 15 pontos em 29 jornadas, e estará certamente a caminho da Ligue 2. Contudo, não estará sozinho, sendo que entre o Sochaux, que é o 19º classificado, e o Nice, que ocupa actualmente a 10ª posição na liga, vão 12 pontos de diferença e ainda estão em disputa 27 pontos. Quaisquer dois deste dez clube – Sochaux, Valenciennes, Évian, Rennes, Nantes, Montpellier, Guingamp, Lorient, Bastia e Nice – poderão fazer companhia ao Ajaccio no próximo ano na Ligue 2.

É pena que a luta pela sobrevivência esteja a ser mais entusiasmante do que a luta pelo título, mas, devido às dispariadades que se verificam entre o PSG e o Monaco e o resto dos participantes na Ligue 1, não era nada que não fosse previsível, e provavelmente para o ano teremos mais do mesmo.

Os clubes que mais têm desiludido têm sido o Rennes, que se esperava que conseguisse lutar pela qualificação para a Liga Europa, o Bordéus, de quem se espera sempre mais do que um 9º lugar, e o Montepellier, cujo 14º lugar é apenas vergonhoso para quem foi campeão há duas épocas. Pelo contrário, quem mais tem impressionado é o Stade de Reims, um clube que já foi grande nas décadas de 1950 e 1960, e que era um dos candidatos à descida. No entanto, ocupa um fabuloso sétimo lugar de momento. Também o Saint-Étienne tem surpreendido, já que, mesmo depois de perder o seu melhor jogador, Aubameyang, para o Dortmund, continua mais um ano na luta pelos lugares europeus até ao fim.

O prémio de treinador do ano deverá ir para Laurent Blanc, que fez da Ligue 1 um passeio. Ajuda ter os dois melhores marcadores do campeonato na sua equipa, Ibrahimovic, que leva uns fantásticos 25 golos em 29 jogos, os mesmos que Ronaldo leva em Espanha e Suarez em Inglaterra, e Cavani, com os seus 14 golos. O jogador do ano deverá ser Zlatan Ibrahimovic. Se ele, no ano passado, dominou a competição, este ano dizimou. Não há resposta para ele no campeonato francês e desconfio de que continuará a não haver no futuro, o que diz mais sobre a qualidade do jogador do que da qualidade da liga.

Laurent Blanc é o timoneiro da equipa parisiense. Fonte: The Daily Telegraph
Laurent Blanc é o timoneiro da equipa parisiense
Fonte: The Daily Telegraph

Relembro que estamos a nove jornadas do fim mas queria terminar deixando aqueles que, para mim, mais me impressionaram em França esta época. Até ao momento, o onze do ano, condicionado pelas nove jornadas que faltam: Sirigu (PSG) na baliza, Thiago Silva (PSG) e Kjaer (Lille) como centrais, Van der Wiel (PSG) e Maxwell (PSG) nas laterais, Moutinho (Monaco), Matuidi (PSG), Grenier (Lyon) e Payet (Marselha) no meio campo e Ibrahimovic (PSG) e Kalou (Lille) no ataque.

Carta Aberta a: Michael Schumacher

cartaaberta

Caro Schumacher,

Permite-me que cometa a ousadia de te deixar umas palavras. Sendo um perfeito leigo no mundo dos automóveis, sempre procurei, desde cedo, entender o verdadeiro motivo pelo qual muitos aficionados olham para esta modalidade com olhos apaixonados. O som dos motores, as ultrapassagens, as colisões, o passar a meta… Em criança, tudo me impressionava no mundo da Fórmula 1. As minhas manhãs de domingo eram passadas em frente à TV a ver e a tentar perceber tudo aquilo que fascinava os amantes desta modalidade. Lembro-me de que não conhecia os pilotos, mas, no início, sempre que via as corridas, havia um sujeito que me intrigava. O seu uniforme era sempre tingido de vermelho e era o mais rápido de todos. Tanto me intrigou que procurei saber e interessar-me mais por ele e por aquilo que fazia nas pistas de corrida. Uma rápida intervenção do meu pai à minha jovem cultura fez-me perceber que essa pessoa que desconhecia era tão-somente o melhor piloto de sempre. Falo, claro, de ti, Michael.

Conseguiste fazer com que alguém que mal sabe distinguir um Mercedes de um BMW se interessasse por uma modalidade de carros. Contigo descobri o que significava a Ferrari para a F1. Vi o que era dominar um desporto com 7 títulos de campeão do mundo. Encontrei também novas formas de encarar uma competição, uma rivalidade e, acima de tudo, uma amizade. Mais do que um grande vencedor, és um competidor que sempre valorizou a lealdade e aqueles que contigo lutam por um lugar entre os melhores. Impossível esquecer os teus míticos duelos com Mika Häkkinen, em que quase sempre saías a ganhar.

Schumacher e Häkkinen -  rivais e amigos Fonte: tz.de
Häkkinen e Schumacher – Uma amizade mais forte do que qualquer rivalidade
Fonte: tz.de

Tu revolucionaste a Fórmula 1 e foste um verdadeiro embaixador de uma competição que cada vez mais se preocupa com o lucro e em fazer grandes prémios em regiões de interesses como o Dubai, e menos com os amantes da modalidade. Sabes tão bem como eu que antes é que ganhavam os melhores. Hoje ganham os que estão mais apetrechados nos motores. Quando decidiste sair e dar oportunidades a outros, deves saber que parte da Fórmula 1 morreu. Em 2010, quando tentaste voltar, já era tarde demais. Aquilo já não era o mesmo. Levaste o encanto e a magia da competição contigo. Tudo aquilo que antes parecia ser apenas uma corrida de carros passou a ser mais adaptado a uma corrida de interesses e de fins publicitários. Os tempos de Häkkinen, Irvine, Coulthard, Montoya, Villeneuve ou do teu irmão, Ralf, acabaram. Não voltarão, nem tão pouco conseguiremos restaurar alguma da emoção antiga que tu e todos eles trouxeram para a Fórmula 1. No entanto, todos nós guardamos a recordação desses bons tempos de competição. Com saudade, mas também muito orgulho pelos fãs que conseguiram conquistar.

És um vencedor. Sempre lutaste por fazer mais e melhor. Nunca desististe e quiseste sempre vencer. E é isso que quero que continues a fazer. Desde 29 de dezembro de 2013, que entraste numa nova corrida. Esta bem mais complicada e dolorosa. Para ti, para a tua família e para os teus fãs, que, como eu, torcem para que voltes a vencer. Mais do que ninguém, tu sabes que és capaz. Em 306 corridas na Fórmula 1, ganhaste 91 provas, fizeste 1566 pontos e garantiste 155 pódios. Agora tens a 92ª corrida para ganhar. Esta é importante e quero que a venças. Não só por mim, mas por todos aqueles que começaram a olhar para ti como um exemplo. Força, Schumi!

Faz-me um favor: só desta vez, não tentes superar o relógio. Não tens de cravar o melhor tempo na corrida. Tens de tomar todo o tempo de que precisas. Vai com calma. Mika Häkkinen” – Do teu rival e amigo de sempre.

Atenciosamente,

Mário Cagica Oliveira