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Protagonistas com direito a duplos

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eternamocidade

Na passada sexta feira, durante o minuto 63, acredito que a esmagadora maioria dos adeptos portistas sustiveram a respiração. Em pleno relvado do Estádio Municipal de Braga, Jackson Martinez não conseguia corresponder a uma assistência de Ricardo Quaresma. O momento foi dramático – ver o avançado colombiano a cair no relvado com uma expressão de dor pôs a nação portista a fazer contas à vida.

De facto, e tal como disse Julen Lopetegui na conferência de imprensa posterior à vitória na Pedreira, Jackson é, nesta temporada, muito mais do que o capitão ou o melhor marcador do FC Porto. Quem olha para as performances do avançado colombiano, facilmente percebe que o Cha Cha Cha se incorpora no jogo ofensivo portista como nunca. Não raras vezes, vemos Jackson a recuar até à linha do meio campo, seja para arrastar as marcações defensivas contrárias, seja para ajudar a equipa na construção de ataques. Actualmente, Jackson já não é “só” o melhor ponta-de-lança do campeonato português. Actualmente, Jackson é “só” o melhor jogador da Primeira Liga. Por isso, pelo que joga e pelo que dá a jogar, aquele minuto 63 do jogo entre Braga e FC Porto foi um verdadeiro ataque de coração do qual os adeptos portistas não estavam à espera. Afinal de contas, aquele momento trazia uma imagem rara desde que o colombiano chegou ao Dragão, pois Jackson nunca havia falhado um único jogo do campeonato desde que aterrou em terras lusitanas. Numa fase tão decisiva da temporada, em que Benfica e FC Porto se digladiam pelo campeonato nacional, perder Jackson foi um verdadeiro “soco no estômago” para os portistas, como se estivessem a desligar a máquina a uma equipa que tem lutado com todas as suas forças para manter vivo o sonho do título.

Com o resultado em 0-0 e com a perda de Jackson Martinez, devo admitir que com apenas 30 minutos para jogar na Pedreira – e mesmo com o FC Porto a dominar a partida em toda a linha – nunca pensei que a equipa de Lopetegui fosse capaz de se levantar de um golpe tão importante como o que levou Jackson a sair lesionado do terreno de jogo. Também por isso, e mais do que os três pontos – que tiveram tanto de saborosos como de difíceis – aquilo que mais me agradou ver na exibição portista na última sexta feira foi a garra e a determinação com que os jogadores enfrentaram uma das melhores equipas da Liga.

Há duas semanas, escrevi na minha crónica do Bola na Rede que a ausência de Óliver Torres era importante mas que tinha de ser combatida pelo plantel. Apesar da importância evidente do médio espanhol, penso que é claro que, se há plantel na história portista que pode responder a quase todas as possíveis ausências, este é certamente um deles. Ao ver jogadores como Quintero, Quaresma, Hernâni ou Aboubakar no banco, faltando ainda juntar a esta equação Óliver e Adrián López (lesionados), rapidamente se percebe que Lopetegui tem mais do que armas para mexer durante os encontros. Foi assim no Bessa, num jogo em que o empate se arrastava perigosamente; e foi assim em Braga, numa altura em que o 0-0 também não servia para os portistas. Numa e noutra ocasião, o treinador espanhol soube mudar a equipa, dando-lhe mais poder ofensivo. Coincidência ou não, em ambas as situações Julen Lopetegui conseguiu ganhar o jogo e sobretudo ganhar mais opções dentro do plantel.

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Depois de uma paragem devido a lesão, Óliver está de regresso
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

No jogo da cidade dos arcebispos, o escolhido foi Aboubakar, um avançado que poucas oportunidades tem tido esta época. Aliás, o camaronês conta apenas com 12 jogos disputados e 4 golos marcados esta temporada. Bem sei que o FC Porto raramente joga com dois pontas- de-lança e que retirar Jackson Martinez do terreno – mesmo quando a equipa está em vantagem no marcador – é uma acto que poucos treinadores no mundo conseguiram praticar. Ainda assim, do pouco que consegui ver de Aboubakar, creio que Lopetegui já lhe deveria ter dado mais oportunidades para mostrar o seu real valor. Afinal de contas, estamos a falar de um avançado internacional e que é titular numa das boas seleções africanas, a dos Camarões. Também por aqui se vê a riqueza do plantel portista: noutras épocas tivemos pontas-de-lança suplentes que simplesmente não conseguiam fazer sequer “cócegas” aos titulares – ter Aboubakar no banco portista é, a meu ver, sinónimo de qualidade garantida. A assistência para Tello no golo portista é apenas um exemplo daquilo que o camaronês pode trazer ao FC Porto nos quatro jogos em que Jackson Martinez não estará disponibilizar para ajudar a equipa (Basileia para a Liga dos Campeões, Arouca e Nacional para o campeonato, Marítimo para a Taça da Liga).

Bem sei que, nesses encontros, não veremos Aboubakar a ter pormenores técnicos como o que Jackson teve no lance do primeiro golo frente ao Sporting; bem sei que, nesses encontros, não teremos Aboubakar a incorporar-se no jogo ofensivo portista como Jackson faz. Em poucas palavras, nos quatro jogos em que Jackson estiver ausente, não veremos a classe do melhor jogador do campeonato português em campo. Ainda assim, e tal como disse no momento da lesão de Óliver Torres, esta é uma ausência que não pode ser uma desculpa para um possível insucesso dos portistas, seja no Campeonato ou na Taça da Liga. Depois de o FC Porto ter ultrapassado um verdadeiro “cabo das tormentas” no campeonato – com importantes vitórias frente a V. Guimarães, Boavista, Sporting e Sp. Braga – é essencial que a equipa mantenha a atitude e a determinação que tem mostrado nos últimos jogos.

Com 10 partidas para disputar no campeonato, uma decisiva segunda mão dois oitavos-de-final da Liga dos Campeões na próxima terça-feira em casa frente ao Basileia e a meia final da Taça da Liga aí ao virar da esquina, o FC Porto chega a este momento importantíssimo da temporada na melhor forma até ao momento. A equipa está solta de movimentos, tem intensidade no seu jogo e sobretudo já consegue ser inteligente com e sem bola. Parece que, aos poucos, Lopetegui começa a perceber de que fibra uma equipa tem de ser feita para conseguir alcançar os objetivos que pretende. O caminho será difícil e os obstáculos serão cada vez mais exigentes. Por isso, acredito que a ausência de Jackson deve ser o derradeiro “toque a reunir” da equipa. É altura de os jogadores se focarem nos objetivos e lutarem com todas as suas forças, mesmo que o seu capitão não esteja em campo. Num momento em que a equipa não pode falhar, a ausência do capitão não deve ser vista como um problema irremediável. Enquanto adepto, o que espero é que a lesão de Jackson seja apenas mais um pretexto para que os jogadores do FC Porto se unam para alcançar aquilo que desejam e que têm feito por merecer. Depois, e tal como costumo dizer, em campo se verão os resultados. Mas de uma coisa tenho a certeza: se a atitude for a mesma das últimas batalhas, as vitórias chegarão. Mesmo sem o melhor soldado.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Há coisas que só acontecem em Inglaterra

internacional cabeçalho

Por mais anos que passem, a FA Cup será sempre uma competição com um prestígio intocável. Primeiro, pela história, que começou há qualquer coisa como 144 anos! Depois, pelas estórias que lhe estão inerentes e, não menos importante, pela “democratização” da mesma, que faz agigantar equipas de segundo, terceiro, quarto e, por vezes, quinto escalão frente a adversários de primeira.

É certo que “tomba-gigantismo” também assiste outras taças, nomeadamente a nossa, mas não se verificam com tanta regularidade quanto em Inglaterra. Só este ano, por exemplo, o Middlesbrough (da 2ª divisão inglesa) foi ao Etihad eliminar o Manchester City, campeão inglês, por 2-0, e o Chelsea, actual líder da liga inglesa, foi derrotado pelo Bradford (3ª divisão) por claros 4-2. Situações anormais, é certo, mas que em Portugal ou outro país seriam de proporções catastróficas e cravadas nos anais da história do clube (como ficou a vitória do Gondomar na Luz ou as derrotas impostas por Torreense e Atlético ao FC Porto, nos últimos 20 anos).

O prestígio da competição e as estórias associadas que lhe estão associadas não são marcantes apenas pelos anos de história que tem, embora não se possa dissociar isso da forma como os adeptos de cada clube olham para a FA Cup, atribuindo-lhe uma importância similar ao campeonato, algo que terá sido “herdado” das gerações anteriores.

Desde a incrível prestação do Bury FC (equipa da zona de Greater Manchester que milita na League One, equivalente à 3ª divisão) em 1900 e 1903, anos em que conquistou as Taças correspondentes com goleadas (4-0 ao Southampton e 6-0 ao Crystal Palace, respectivamente), passando pelas 8 vitórias na competição de equipas que militavam em divisões inferiores à principal e pelos 43 (!) vencedores diferentes em todas as edições, e terminando nas pequenas histórias de cada encontro, verdadeiras estórias que reflectem a genuinidade do amor dos ingleses ao futebol e à sua competição rainha.

A última (caso não tenha acontecido nada de ainda mais surpreendente nos jogos de domingo ou de segunda) aconteceu no Villa Park. Ditou o sorteio que, nos quartos-de-final, se enfrentassem duas equipas da zona de Birmingham, Aston Villa e West Bromwich.

adeptos do Aston Villa festejam, como um título, o apuramento para as meias-finais Fonte: Facebook do Aston Villa
Os adeptos do Aston Villa festejam, como um título, o apuramento para as meias-finais
Fonte: Facebook do Aston Villa

O duelo não é o mais quente da zona, esse é aquele que opõe os villans ao Birmingham City, o famoso Second City Derby, mas o ambiente que se viveu à volta deste jogo foi comparável a um encontro de proporções gigantescas. Uma autêntica final para apurar qual o melhor clube da segunda maior (demograficamente) cidade de Inglaterra.

O jogo começou rasgadinho, sem grandes motivos de interesse na primeira parte, mas um golo de Delph, aos 51 minutos, terminou com a tensão dos adeptos do Villa e levou-os à loucura. A partir daí o jogo abriu, mas parecia crescer a certeza de que a equipa da casa seguiria para as meias-finais, ainda para mais com a expulsão de um jogador adversário aos 80 minutos. As coisas estavam controladas, e Sinclair ampliou a vantagem a 5 minutos do fim. Festejos simplórios dada a naturalidade e previsibilidade do resultado? Nada disso! Invasão de campo!

Os adeptos ingleses, apesar de terem vivido com o espectro de hooligans em finais do século passado, são actualmente vistos como exemplos a seguir nos estádios de futebol e algo como uma invasão de campo só caberia na cabeça de um adepto de futebol atento em caso de uma vitória importante para a história do clube. Foi o caso? Ainda não o sabemos, mas o contexto do jogo (quartos-de-final, ainda com um jogo antes da final de Wembley, e frente a um rival que, embora eterno, não é o mais odiado pelos adeptos) e as circunstâncias em que surgiu o segundo golo (quando a equipa vencia por 1-0, e tinha o jogo absolutamente controlado), que sentenciou o encontro, não faziam prever tal atitude…

… que, sob o prisma da valorização da competição, se louva. A FA Cup nunca deixou de ser importante e mantém-se místicamente inviolável, conforme se verifica pela euforia vivida no Villa Park.

Há coisas que só acontecem em Inglaterra.

Foto de Capa: Facebook da FA Cup

O passado, presente e futuro do Sporting Clube de Portugal

rugir do leao duarte

No início da temporada o presidente do Sporting Clube de Portugal, Bruno de Carvalho, foi bastante claro ao traçar os objetivos para a temporada que se aproximava: lutar pelo título. Pois bem, na minha opinião, esta opção não foi a mais correta, mas já lá iremos. No entanto, acredito que não andarei longe da verdade se disser que Marco Silva, quando foi contratado, saberia os recursos que teria ao seu dispor e os objetivos que lhe tinham sido propostos. Posto isto, é errado culpar apenas o presidente ou o treinador.

Serão inúmeros os sportinguistas que não estarão de acordo com a posição acima referida. Pois bem, deixem-me agora justificá-la. A profundidade do plantel do Sporting, a inexperiência de Marco Silva no que diz respeito a treinar um grande, e ainda o processo de transição, aliás assumido pelo próprio presidente, que o Sporting atravessa são as razões pelas quais defendo que foi um erro o Sporting ter-se assumido como candidato ao título.

  • A profundidade do plantel do Sporting

Se fizermos uma análise cuidadosa e imparcial, penso que todos estaremos de acordo que o plantel do Sporting não possui tantas soluções (nem qualidade) quando comparado com o dos nossos rivais, sobretudo com o do Futebol Clube do Porto. Mesmo tendo em conta a chegada de Nani, que juntamente com Jackson e Gaitan são, na minha ótica, os três melhores jogadores do campeonato português, e a manutenção de William Carvalho e Slimani, revelando uma boa gestão por parte da direção de Bruno de Carvalho, o plantel do Sporting continua a revelar algumas lacunas. Gostava ainda de destacar as saídas de Eric Dier, mais uma Godenhice, e Marcos Rojo, este último com excelentes contrapartidas financeiras para a instituição Sporting. Não quero com isto, de todo, retirar mérito a Paulo Oliveira e a Tobias Figueiredo. Contudo, relembro que, provavelmente, os dois formariam a dupla de centrais da equipa de Marco Silva. As soluções que foram encontradas, Naby Sarr, Rabia e Ewerton, mesmo tendo em conta as condições económico-financeiras do Sporting, não têm qualidade suficiente, pelo menos no presente, para serem titulares no Sporting Clube de Portugal.

Nos setores mais avançados, apesar de, se quisermos realmente lutar pelo título, ser necessário um ou dois reforços, essencialmente um ponta-de-lança e um homem para o meio campo, a situação foi bastante melhor acautelada.

  • A inexperiência de Marco Silva

Marco Silva vinha de três excelentes temporadas ao serviço do Estoril, uma delas inclusive tendo uma experiência europeia, mas treinar um grande é uma realidade completamente diferente, Paulo Fonseca que o diga… Apesar de ser um apreciador do trabalho de Marco Silva, penso que, no que diz respeito à gestão de plantel, o treinador português revelou alguma inexperiência. O exemplo mais gritante é Adrien Silva. O rendimento do internacional português tem vindo a cair a pique! A fadiga, consequência do acumular de jogos a que tem sido sujeito, é a principal razão para essa mesma queda de rendimento.

Todavia, penso que tudo isto faz parte do processo de adaptação de um treinador à realidade de um grande. Não defendo de forma alguma a saída de Marco Silva do comando técnico do Sporting, longe disso, mas acredito que a sua inexperiência deveria ter sido levada em conta quando se estabeleceram os objetivos para a atual temporada.

  • Processo de transição

Muitos já se esqueceram, e ainda bem, mas relembro que foi há pouco mais de dois/três anos que o Sporting terminou no sétimo lugar da liga portuguesa. Bruno de Carvalho foi eleito presidente do Sporting Clube de Portugal prometendo que recolocaria o Sporting onde deveria estar, mas ninguém exigiu, nem mesmo os mais otimistas, que tornasse a equipa de Alvalade campeã em pouco mais de dois anos. Após uma época em que as expectativas foram superadas, relembro as condições especiais em que tal aconteceu (ausência de competições e a ausência de qualquer pressão), a estratégia deveria ter sido a mesma – esperar para ver.

Desta forma, a equipa técnica e o respetivo plantel não estariam constantemente sobre pressão e os resultados poderiam ter sido ainda melhores. Sim, ainda melhores! Afinal de contas, hoje, o Sporting encontra-se muito perto de voltar ao Jamor, a prestação nas competições europeias foi bastante positiva e, no campeonato, apesar de estar a 12 pontos do Benfica e a oito do Porto, o Sporting tem conseguido ser bastante competitivo, aliás, os confrontos com os adversários diretos comprovam isso mesmo.

Penso que, apesar de tudo aquilo que acabei de referir, esta temporada tem tudo para ser positiva para o Sporting. Se conseguir concretizar o favoritismo que lhe é atribuído na Taça de Portugal e segurar o terceiro lugar da liga portuguesa, esta foi uma prova de que o Sporting veio para ficar!

Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

 

Disfunção em Denver

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cab nba

Um tipo que foi metido numa situação impossível e condenada à partida ou alguém que teve a sua oportunidade e falhou redondamente? Qual destas hipóteses assenta a Brian Shaw?

Com o despedimento, chegam ao fim quase duas temporadas para esquecer de Brian Shaw em Denver e continua a disfuncionalidade da equipa nas duas últimas épocas.

Em 2013, depois da temporada regular mais bem sucedida de sempre (57-25) e de uma eliminação na primeira ronda dos playoffs às mãos dos Warriors, deixaram sair o general manager Masai Ujiri (aparentemente, por não lhe quererem pagar mais e não cobrirem a oferta dos Raptors) e despediram George Karl, que tinha sido o Treinador do Ano nessa época.

Com essa decisão (despedir o treinador e manter o mesmo plantel), os Nuggets estavam a afirmar que acreditavam que o problema da equipa estava no treinador e que aquele plantel com outro treinador poderia ir mais longe. Brian Shaw foi o escolhido para essa missão, mas herdou um balneário que tinha sido muito bem sucedido com Karl e que, segundo múltiplas fontes, não viu com bons olhos a mudança e não recebeu Shaw de braços abertos.

Por isso, por um lado, os Nuggets colocaram-no numa situação que tinha tudo para correr mal. Aparentemente, os jogadores não lhe deram uma hipótese e sem a colaboração destes, qualquer treinador está condenado. Por outro lado, é possível herdar um plantel que teve sucesso com outro treinador e recebe o novo com desconfiança e conseguir conquistar esse balneário. O exemplo mais recente disso é Steve Kerr e a sua sucessão a Mark Jackson nos Warriors.

Portanto, Brian Shaw herdou um bando de miúdos imaturos (como lhes chama David West) que o sabotaram? Sim, mas é possível ultrapassar tal situação. E o discípulo de Phil Jackson não conseguiu. Os dirigentes podem tê-lo colocado numa situação difícil, mas Shaw arranjou problemas com Andre Miller (um dos mais veteranos do plantel e um dos homens de confiança de Karl) na primeira época e nunca conseguiu desenvolver uma relação de confiança com Ty Lawson, Kenneth Faried e outros pilares da equipa. Como tal, falhou na sua missão como treinador e tem uma parte da responsabilidade no fracasso destes dois anos.

Mas não a maior. O maior falhanço em toda esta história pertence aos dirigentes dos Nuggets, que têm acumulado decisões desastrosas nestes dois anos. Primeiro, acharam que o problema era o treinador e despediram, inexplicavelmente, George Karl. Mas, afinal, estavam enganados e Karl tinha maximizado aquele plantel sem estrelas e levado-o mais longe do que a maioria dos treinadores seria capaz.

Depois, com a desilusão monumental que estavam a ser esta temporada, neste trade deadline decidiram meter os jogadores em saldos e desmantelar a equipa, o que indicava que acreditavam que o problema afinal estava no plantel. Agora despedem o treinador. Com o que voltam a afirmar que o problema afinal está aí.

Em dois anos conseguiram passar do terceiro lugar do Oeste e de umas das equipas mais profundas da liga (uns Atlanta-Hawks-do-Oeste-antes-mesmo-de-existirem-estes-Hawks, sem estrelas, mas com um colectivo muito forte) para uma equipa no fundo da tabela, sem treinador e com uma reconstrução pela frente. Primeiro acharam que precisavam de mudar de treinador. Depois que precisavam de mudar de jogadores. Depois de treinador outra vez. Agora não têm nem treinador nem equipa. Apenas uma confusão pegada.

Foto de Capa: @NBA

Taça Davis: 2.º e 3.º Dia: Portugal domina Marrocos, segue-se a Finlândia

cab reportagem bola na rede

No dia de ontem, Portugal confirmou a vitória frente à seleção Marroquina. João Sousa e Frederico Silva não tiveram qualquer problema em levar de vencida a dupla marroquina formada por Lamine Quahab e Younes Rachidi, apesar de algumas dificuldades sentidas durante o primeiro set. Os parciais da vitória portuguesa ilustram bem aquilo que digo: 7-6/6-0/6-1.

A dupla portuguesa, talvez vítima de algum nervosismo, não entrou nada bem e cedo se viu a perder por 4-1. O número um português, possivelmente acusando algum cansaço, sentiu inúmeras dificuldades nas trocas de bolas de fundo do court. No entanto, a dupla nacional soube reagir; Quando o marcador se encontrava em 4-2 favorável a Marrocos, e com a ajuda de Lamine Quahab, que cometeu duas duplas faltas, Portugal concretizou o break. Logo de seguida, Frederico Silva teve que salvar dois break points, diga-se com grande autoridade, e igualou o set a 4 jogos.

A primeira partida só se viria mesmo a resolver num equilibradíssimo tie-break; Destacar um excelente ponto, quando o resultado era de 6-5 (40-40) favorável à dupla marroquina, do jovem Frederico Silva. Portugal ainda se encontrou em desvantagem por 4-1, curiosamente o mesmo resultado com que se tinha encontra durante o 1.º set, mas conseguiu elevar o nível e levar de vencida a primeira partida.

Estava assim dado o mote para uma grande exibição! A dupla portuguesa conquistou desta forma, e até com alguma naturalidade, a segunda e terceira partida com grande autoridade. A excelente exibição de Frederico Silva, em estreia pela seleção nacional (a “contar”), é merecedora de uma enorme salva de palmas; O português, detentor de 2 títulos do grand slam em juniores, demonstrou-se imperturbável durante todo o encontro e chegou, inclusive, em alguns momentos a realizar pontos de altíssimo nível.

Em conferência de imprensa, o selecionador nacional, Nuno Marques, disse estar bastante contente com o desempenho da dupla portuguesa; Por sua vez, João Sousa, também obviamente contente pelo resultado obtido, realçou a vitória no primeiro set, “Conseguimos vencer um set muito equilibrado, o que ajudou bastante para o resto do encontro”; O estreante Frederico Silva confessou algum nervosismo inicial, “A partir de meio do primeiro set senti que estava mais dentro do encontro”.

No dia de hoje, foi a vez de Frederico Silva, novamente, e de João Domingues, em estreia pela seleção nacional, entrarem em campo. Num encontro bastante disputado, onde o jovem português até chegou a servir para o fecho da primeira a partida, foi derrotado pelos parciais de 7-6/6-4. A maior experiencia do Marroquina foi fundamental para a decisão do encontro. Por sua vez, João Domingues não teve grandes dificuldades e bateu o número três marroquino, Mehdi Jdi. O português entrou bastante descomplexado e a jogar bastante bem e venceu assim o primeiro set por 6-2; Na segunda partida, o marroquino esboçou uma pequena reação, mas João Domingues soube impor-se e triunfou em 2 sets (6-2/7-5).

No rescaldo da eliminatória, o selecionador nacional, bem como toda a equipa, fez um balanço bastante positivo destes três dias de competição. Vasco Costa, presidente da federação portuguesa de ténis, não deixou antever o local da próxima eliminatória frente à Finlândia; Relativamente aos objetivos traçados, o presidente da federação foi bastante claro e afirmou que o objetivo é subir de divisão e de seguida tentar chegar ao grupo mundial.

Em resumo, foi um fim-de-semana bastante positivo para o ténis português. Segue-se a seleção finlandesa, cujo grande pilar é Jarko Nieminem. A eliminatória realizar-se-á entre os dias 17 e 19 de Julho, com o lugar, bem como a superfície, será anunciada pela federação portuguesa de ténis muito brevemente.

O Bola na Rede teve o maior gosto em acompanhar todas as incidências desta eliminatória. Agradecimentos à Federação Portuguesa de ténis.

Foto de Capa: Gaspar Ribeiro Lança

Arouca 1-3 Benfica: No reino da águia ninguém treme

Topo Sul

Mais uma reviravolta do Benfica, em jogos fora de casa. A segunda consecutiva, depois da vitória frente ao Moreirense há duas semanas. O mesma história de jogo, o mesmo resultado final. Este foi mais um 1-3 categórico de um Benfica que, mais uma vez, soube reagir à desvantagem e conquistar uma importante vitória.

A perder desde os sete minutos da partida, depois de um belo golo do jovem Iuri Medeiros, os encarnados produziram uma primeira parte de baixo nível de intensidade e qualidade. O golo sofrido confundiu a equipa que não consegui assentar jogo nos primeiros quarenta e cinco minutos. O pouco entrosamento entre o meio-campo e os avançados era evidente e os laterais tiveram pouco espaço para apoiar o ataque. Ainda assim, antes do intervalo, as águias já poderiam igualado a partida, através de Lima e Salvio. O brasileiro atirou a rasar o poste, enquanto o extremo argentino viu a barra e o guardião do Arouca negaram-lhe o golo, em duas ocasiões.

Com a segunda parte veio um Benfica mais intenso e determinado e um Arouca mais adormecido. Talisca entrou para o lugar de Samaris e os encarnados ganharam mais velocidade de jogo e circulação e começaram a pressionar mais a equipa da casa. Precisamente num lance de pressão alta dos encarnados surgiu o golo do empate do Benfica, por intermédio de Jonas, que aproveitou a prenda que Goicoechea, guarda-redes de Arouca lhe ofereceu. Erro terrível do guardião uruguaio que entregou de mão beijada a bola ao avançado brasileiro o empate aos encarnados.

Depois apareceu o melhor Benfica. Segurança e clareza na posse, envolvimento dos extremos e laterais no processo ofensivo e um Pizzi a assumir mais uma vez, muito bem, o controlo da jogo no meio-campo. Com um Arouca cada vez mais recuado, o Benfica acelerou, pressionou e meteu o segundo golo. Lima deu vantagem às águias na partida, na recarga ao remate de Jonas. Dois golos em cinco minutos confirmaram a supremacia do Benfica num segundo tempo em que a equipa surgiu com uma nova face. Em vantagem, os encarnados souberam gerir o jogo da melhor forma, jogando longe da sua baliza e procurando aumentar a vantagem.

Essa tarefa tornou-se ainda mais fácil depois da expulsão do centra do Arouca Hugo Bastos que derrubou Lima quando este seguia sozinho para a baliza. A vitória encarnada ficou confirmada com mais um golo de Lima, que, isolado, foi frio o suficiente para fazer o terceiro e estabelecer o resultado final.

Este é um cenário que já se viu noutros desafios dos encarnados nesta temporada e hoje, mais uma vez, o intervalo fez bem aos jogadores que mostraram personalidade para obrar uma reviravolta num jogo muito importante para manter as distâncias pontuais iguais em relação aos rivais.

Sem tremer, o Benfica conquistou hoje a vigésima vitória no campeonato e continua de pedra e cal no topo da tabela. Para semana há jogo frente ao Braga, um adversário que já venceu as águias por duas vezes esta temporada. Mais uma final em que se aparecer o Benfica da segunda parte de hoje, será difícil a vitória escapar aos encarnados.

A Figura:

Lima – Não foram apenas os dois golos que fizeram de Lima o homem de jogo. Ao seu estilo, o brasileiro trabalhou, baixou para receber a bola e fazer jogar a equipa e foi exímio na primeira fase de pressão ofensiva. Está em forma e de pé quente.

O Fora-de-Jogo:

Vasco Santos – Preferi não referenciar o (fraco) trabalho do árbitro na crónica sobre o jogo, mas tenho de o destacar pela negativa pela forma como se apresentou nesta partida. Perdoou dois penaltys ao Arouca – toca a todos – e excedeu-se no número de cartões mostrados.

 Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

Subida de produção

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tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

As últimas exibições do Porto mostram uma clara subida de produção em relação há dois ou três meses. O conjunto de individualidades que forma o plantel portista parece assimilar melhor as ideias de Lopetegui e isso traduz-se em exibições mais conseguidas e num tipo de jogo diferente ao praticado outrora.

Os dragões atacam e defendem em conjunto, criando um bloco coeso que atenua até as dificuldades individuais que os jogadores sentem no decorrer do jogo. A circulação de bola é mais consequente embora nem sempre se traduza em golos; aliás, apesar da quantidade de golos na Liga, o Porto não me parece uma equipa muito concretizadora.

A face mais visível da evolução azul e branca é a forma como ataca continuadamente e como tenta asfixiar o adversário assim que a bola chega ao seu principal construtor de jogo. Isto faz com que os adversários não pensem tanto o jogo e mascara alguma inépcia defensiva dos nossos extremos e a falta de pujança física de Herrera ou Oliver. Com posse, os jogadores formam um bloco no ataque em que a bola vai passando por todos até haver um desequilíbrio no adversário. Conseguimos, também, aproveitar melhor alguns jogadores – jogando em profundidade para Tello e, em alguns momentos, subindo Herrera no terreno.

A subida de rendimento de Casemiro também tem influenciado a nossa construção de jogo. A título de exemplo, no jogo contra o Sporting, nos primeiros 15 minutos, a bola circulou irremediavelmente entre os nossos centrais, já que Casemiro não recuou no terreno para a receber. Teve de ser Danilo a desbloquear o jogo e garantir que o Porto fosse construindo ataques até ganhar confiança suficiente para a bola deixar de queimar. O lateral direito portista, que está em grande forma, tem sido um dos motores da equipa, correndo quilómetros e possibilitando ao Porto apresentar uma intensidade de jogo que não tinha no início da época. Há quem pense até que Danilo seria melhor a extremo ou médio interior. Confesso que era uma ideia com a qual discordava mas, hoje em dia, seria interessante ver como se comportaria o brasileiro a médio interior box-to-box.

Lopetegui está a ganhar pontos junto dos adeptos: a equipa está bem mas continua a revelar algumas dificuldades na transição defesa-ataque. Parece-me que não é o grande culpado, pois Maicon e Marcano não são propriamente centrais construtores e corajosos para romper com o adversário. Existe fio de jogo, nota-se que os treinos fazem efeito. Resta a todos os portistas esperar que o nível exibicional se mantenha para passar aos quartos-de-final da Liga dos Campeões e para nos mantermos na perseguição ao Benfica pelo 1º lugar.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

E as melhores da primeira fase são…

cab futebol feminino

No início desta semana, o Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) atribuiu os prémios de melhor jogadora e melhor guarda-redes relativamente à primeira fase do campeonato nacional de futebol. As grandes vencedoras pertencem às duas equipas que têm praticado o melhor futebol ao longo da época – Joana Marchão do Clube Atlético Ouriense (melhor jogadora) e Elsa Santos do Clube Futebol Benfica (melhor guarda-redes).

Por trás de uma grande equipa há sempre um grande guarda-redes

Com apenas nove golos sofridos em dezasseis jornadas, Elsa Santos foi a guarda-redes menos batida da primeira fase do campeonato nacional. A jogadora de 27 anos encontra-se ao serviço do Fófó há várias épocas e tem sido uma peça fundamental para o sucesso da equipa.

Em entrevista ao SJPF, a guardiã da formação de Benfica mostrou-se satisfeita com o reconhecimento que lhe foi atribuído e falou ainda de um ponto que, na minha opinião, é bastante importante no que diz respeito ao crescimento do futebol feminino – a formação. De facto, se já são poucos os clubes que apostam na criação da vertente feminina da modalidade, menos ainda são aqueles que procuram formar as atletas. Este é um passo que tem de ser necessariamente dado para que a qualidade do jogo feminino possa melhorar e para que o futebol feminino português consiga atingir patamares mais elevados.

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Elsa Santos, a melhor guarda-redes da primeira fase do campeonato nacional feminino

Afinal o pé esquerdo sabe jogar

Joana Marchão é uma das esperanças portuguesas do futebol feminino. A esquerdina de 18 anos (!) já conta com um campeonato nacional, várias presenças na Selecção Nacional e esta época já tinha sido eleita a melhor jogadora da primeira volta do campeonato.

Depois da atribuição do prémio, fez um apelo aos adeptos do desporto rei: “O futebol não é um desporto só para rapazes. As pessoas devem abrir mentalidades e olhar para o futebol feminino de outra forma”. Nada mais a acrescentar a esta afirmação da jogadora do actual campeão português.

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Joana Marchão, a melhor jogadora da primeira fase do campeonato nacional feminino

Fotos: sjpf.pt

Estou de volta!

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coraçãoencarnado

Bem-vindos a mais um Coração Encarnado. Sei que não escrevo há já umas semanas, as saudades já apertavam. A verdade é que os passados sete dias foram suaves, como uma pena que passeia por Lisboa. Aquela vitória frente ao Estoril deixa qualquer amante de futebol com um sorriso no rosto. Uma exibição de gala para congratular os milhares de corações encarnados espalhados por este mundo. E bem que merecemos. Todos. E fico descansado quando eles correm mais do que eu correria. Isso para mim é que é o Benfica. Uma vitória, uma certeza, um sorriso. Quase tudo na vida acaba com um sorriso, o nosso benfiquismo não foge à regra.

Tenho lido muita coisa sobre o clássico. No último fim-de-semana de abril. Há melhor altura para um clássico do que a Primavera? Provavelmente até há, mas esta há-de ser a altura perfeita para vencer o Porto. Como não gosto de passar sete jornadas à frente, digo apenas que o meu bilhete para Lisboa nesse fim-de-semana já está comprado. De resto, só me preocupa o Arouca amanhã.

E por falar em amanhã, esta será das poucas vezes em que Jorge Jesus tem o plantel todo à disposição. O tempo também cumprirá o seu papel, oferecendo céu limpo, Sol desperto e temperaturas amenas. Melhores condições não poderia haver. São onze jornadas até ao fim desta viagem – quero trazer os três pontos em cada jogo. Não sou exigente, só benfiquista.

Faltam 11 finais para isto se repetir Fonte: Facebook Oficial do Benfica/ Francisco Rocha
Faltam 11 finais para isto se repetir
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica/ Francisco Rocha

Daqui a pouco joga-se mais um clássico na Luz. Benfica-Porto, a contar para a primeira-mão dos quartos-de-final da Liga Europeia. O jogo dos jogos. Aquela partida em que todos querem estar. Não há milagres? Vejam um benfiquista doente a ficar sem febre e com forças para tudo antes dum clássico. Que este fim-de-semana seja coberto de encarnado, do Sábado ao Domingo – a equipa de voleibol já tratou de lançar o mote, após a vitória que deu a passagem às meias-finais da Taça de Portugal. Nada mais se pode pedir.

Mudando o assunto, gostaria de brevemente comentar as palavras do Director de Comunicação do Benfica, o Dr. João Gabriel. Que estupidez. Não entendo a razão de, mais uma vez, este senhor vir a público dizer nada mais do que puras barbaridades, completamente fora de contexto. Desta vez, o assunto foram as arbitragens e o Futebol Clube do Porto. Devo assumir que tentei entender o objectivo por detrás de tais palavras, mas acabei por ser mal sucedido. Adorava que o meu clube não viesse para a rua mandar bitaites para o ar. Primeiro porque odeio bitaites. Segundo porque bitaites é coisa de pequenos. O Sport Lisboa e Benfica é muito mais que isso.

Acabo este texto despedindo-me de todos vocês e esperando que este seja mais um fim-de-semana à Benfica! Um caloroso abraço, não deixem que o vosso Coração Encarnado arrefeça.

PS: parece que o Imperador Júlio César vai voltar aos relvados. Pois que sejas muito bem-vindo, guardião!

 

Foto de capa: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

O primeiro grande desafio de Marco Silva

porta

Antes de começar este texto, devo alertar para o facto de que o mesmo será bastante curto, não por preguiça ou por não ter vontade de escrever, mas porque tenho de filtrar emoções, sentimentos e até palavras menos próprias que me assolam neste momento.

Não sou pessoa de ver o copo meio vazio, prefiro sempre ver o lado positivo de cada situação, procurar algo a que me possa agarrar para acreditar que vale a pena o esforço e a dedicação que se coloca em tudo o que fazemos diariamente. Ainda assim, após ver o jogo de ontem na Madeira, sinto que aos poucos o entusiasmo e a injecção de adrenalina que a chegada de Bruno de Carvalho trouxe ao Sporting estão aos poucos em declínio, situação esta que está indissociavelmente ligada à falta de títulos da equipa principal.

No meu último texto, falei sobre a importância capital que teria o jogo realizado ontem na Choupana, frisando que o jogo frente ao Porto seria importante e para vencer; realcei, também, no entanto, que a verdadeira competição da época seria a Taça de Portugal e a não conquista da mesma significaria uma época fracassada.

Contudo,  o jogo de domingo foi o que toda a gente viu: uma equipa sem identidade, sem chama, com falta de garra e acima de tudo com pouca vontade de orgulhar a camisola que vestiam em campo. Foi um desastre a toda a linha e uma exibição saída da mente de Franky Vercauteren indesculpável e revoltante.

Depois desta decepção, acreditei realmente que o jogo de ontem seria de redenção; uma exibição como a que onze leões tiveram na passada quinta-feira em Alvalade frente ao poderoso Wolfsburgo, transformando o segundo classificado da Bundesliga num clube banal. Não poderia estar mais errado…

Ontem voltei a ver uma equipa amorfa. Em certos momentos, pareciam puros mercenários, mimados e com tiques de vedetismo e sem respeito por uma equipa organizada e difícil como o Nacional, de Manuel Machado. Não digo que o Sporting não fez por merecer o empate; o que afirmo é que o Sporting tinha a obrigação de vencer o jogo, algo para o qual nunca mostrou realmente vontade.

Carlos Mané conseguiu amenizar os estragos de mais uma exibição displicente Fonte: FPF
Carlos Mané conseguiu amenizar os estragos de mais uma exibição displicente
Fonte: FPF

Falar em intranquilidade, em erros individuais ou em má arbitragem é neste momento fait divers, uma vez que o essencial será perguntar onde está a equipa que jogou frente ao Wolfsburgo ou frente ao Schalke e Chelsea em Alvalade, ou frente ao Porto no jogo da Taça de Portugal. Muito do sucesso de uma equipa passa pela motivação, pelo psicológico – algo em que, por exemplo, Mourinho é fenomenal. Neste momento creio que Marco Silva, um dos melhores treinadores que passaram pelo clube nos últimos anos, precisa de ser um motivador para além de um treinador, e BdC deverá ser um agregador em vez de um desestabilizador.

Que estes dois últimos jogos sirvam como lição,  que alguém bata com a mão na mesa e diga “chega”, para terminar esta espiral negativa que me faz lembrar em parte a semana de Maio de 2005.

Enough is enough.

Foto de capa: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal