Há uma guerra de palavras no futebol português – e não, o Porto não está metido nessa confusão! Não querendo entrar profundamente num assunto que não me diz respeito directamente, parece-me que há razões para alguma indignação da parte do Sporting mas – tal como na guerra (perdoem-me a tendência belicista) – disparando a primeira bala, recebem-se duas em troca e voltam-se a disparar três de seguida.
O facto de o Porto entrar cada vez menos nestes joguinhos de palavras demonstra também uma mudança de estratégia na nossa comunicação: estamos mais tolerantes, o que traz pontos positivos e negativos.
As polémicas que existiram devido ao Apito Dourado sempre serviram de desculpa e de moeda de arremesso para muitas polémicas no putebol português. Serviram ainda para desculpar as fracas prestações e insucessos de alguns adversários. Bastava um rastilho para incendiar as relações entre Porto e Benfica ou Sporting, mas devido a alguns castigos de dirigentes, desgaste pessoal e colectivo (um clube perde também apoio dos adeptos caso esteja em contante revolta) e mudanças estratégicas, a verdade é que estamos mais calmos no que diz respeito às nossas relações inter-clubes e à comunicação social. Não me parece que seja um tratado de paz; apenas uma guerra fria em que há desconfiança.
Desde o tempo de Jesualdo Ferreira que grande parte da nossa defesa pública e indignação tem a voz dos nossos treinadores. Não tem o mesmo efeito do que se fosse um dirigente ou mesmo um comunicado oficial no site do clube, mas é a estratégia adoptada. Um exemplo claro são os erros de arbitragem que têm beneficiado o Benfica esta época. Estes seriam suficientes para uma comunicação mais agressiva e, portanto, para prevenir que ocorressem mais casos polémicos, que teimam em acontecer quando nada se diz. No entanto, tais erros apenas têm sido apontados timidamente por alguma comunicação social e, aqui e ali, por Lopetegui. É notório que algumas respostas a provocações têm sido comunicadas internamente ao treinador basco, que personifica, então, a indignação do clube. Mas o carácter aparentemente pacífico do nosso técnico não tem o impacto que causa um Mourinho, por exemplo.
Vítor Pereira foi um dos técnicos que defendeu o FC Porto com firmeza Fonte: Página de Facebook oficial de Vítor Pereira
Hoje em dia, há formas inovadoras de marcar a nossa posição sem ser através da agressividade que caracteriza um comunicado oficial. Estamos presentes nas várias redes sociais e temos de as usar para lançar alguns lembretes e brincadeiras sobre o que se passa nas diversas jornadas. Quem não se lembra da perseguição de que o Porto foi vítima por parte da imprensa sulista durante os anos em que ganhámos diversos campeonatos sucessivos? Quem não se lembra das diversas polémicas lançadas por clubes rivais para minar a nossa credibilidade? De repente, desapareceram. Porquê? Pois, um clube que ganha incomoda e, se para o Porto se faz uma tempestade num copo de água, penso que ultimamente têm sido feitos copos de água de tempestades de forma repetitiva. É demasiado visível que temos uma comunicação social avessa ao nosso clube: estamos sempre sozinhos na defesa do Porto – nada de novo, portanto.
Por enquanto, estamos muito neutros, na terra de ninguém, enquanto alguns adversários gladiam (embora nunca com a agressividade que utilizam para com o Porto; acho até que é um arrufo de amigos). A nossa neutralidade e aparente pacifismo não podem ser entendidos nunca como passividade, sob pena das arbitragens se tornarem ainda mais erróneas. Não quero com isto defender um ambiente podre no nosso futebol; apenas dizer que temos o direito de, por vezes, relembrar o que se tem passado dentro das quatro linhas. Afinal, também temos direito, não temos?!
A renovação no Manchester United, que se fez com as entradas de Van Gaal, Falcao e Di María, entre outros, era obrigatória, depois do desastre que foi a última temporada. David Moyes não conseguiu lidar com a pesada herança de suceder a Ferguson, e percebeu-se finalmente que o plantel não tinha a qualidade necessária. Wayne Rooney era um dos poucos elementos de classe mundial, mas estava muito desacompanhado, precisava de outros jogadores de valia semelhante. O que é certo é que, ao contrário do que se perspectivava, o craque não beneficiou nem de perto nem de longe com a chegada de reforços. Viu o seu espaço de eleição – segundo avançado – ameaçado pelo colombiano voador, o que levou Van Gaal a recuá-lo para o meio campo, e tem perdido protagonismo na equipa.
26 de Dezembro de 2014. A data em que marcou pela última vez para o campeonato. O bis contra o Newcastle é o último vislumbre da veia goleadora de Rooney. A sua colocação em campo é o principal obstáculo. A equipa ressente-se da falta de um patrão – Di María tem oscilado o seu rendimento e afasta-se cada vez mais daquele vaivém que o caracterizava – e os goleadores de serviço, Falcão e Van Persie, estão numa relação de amor/ódio com as redes.
O inglês de vinte e nove anos acaba por ser a maior vítima das suas características. Um dos jogadores mais possantes do futebol mundial é alguém a quem sempre se viu capacidade para ter um papel de relevo fora da linha avançada. A visão de jogo e capacidade de passe permitem-lhe servir na perfeição os colegas e o pontapé canhão é controlado com mira certeira. O problema nisto tudo é que o papel de médio centro obriga-o a ter outras amarras tácticas, que não lhe permitem a chegada às imediações da baliza adversária (nos últimos 5 jogos, sem contar com o encontro com o Preston, fez 0 remates!).
Rooney tem estado desinspirado a jogar como médio Fonte: Facebook de Wayne Rooney
As críticas estão a começar a aparecer e Van Gaal vai afastando de si as responsabilidades, dizendo que “Rooney está a jogar no meio campo porque não temos mais ninguém”. O experiente treinador holandês não deve ter olhado para o seu próprio plantel quando disse tamanha barbaridade. É certo que as opções não abundam, mas quando se gasta 36 milhões em Ander Herrera não se pode apresentar esta justificação. O treinador holandês, que tem desdobrado a equipa num 3x5x2, 4x4x2 losango ou no mais recente 4x3x1x2, parece convicto na intenção de sacrificar o melhor jogador da equipa nos últimos anos para apostar numa dupla de avançados que pouco ou nada tem feito.
Apesar da unicidade de Rooney, é notório que esta aposta tem sido infrutífera. O seu futebol não sai favorecido e os Red Devils, que com muitos jogadores acima da média exigiam outra nota artística, vão praticando um futebol medíocre. Estamos a falar do capitão e do terceiro melhor marcador de sempre do clube, mas a sua saída é uma opção que já devia estar a ser equacionada. O clube e o jogador parecem não ter mais nada a dar um ao outro e, à beira dos malditos trinta, o camisola dez não devia descurar a saída para outro campeonato.
Esta quarta-feira, dia 18 de Fevereiro, o Futebol Clube do Porto irá deslocar-se à Suíça para defrontar o Basileia, numa eliminatória a contar para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Este é o primeiro embate entre estas duas equipas, embora não seja a primeira vez que os portuenses se deslocam a Basileia para uma partida europeia relevante.
Na temporada de 1983/1984, o Porto realizou uma excelsa prestação na sua quinta participação na Taça das Taças, prova que jogou graças à sua presença na final da Taça de Portugal do ano anterior.
A campanha azul e branca rumo à final iniciou-se a 14 de Setembro de 1983, na Jugoslávia, com uma derrota por 2-1 frente ao Dínamo de Zagreb. No jogo de volta, nas Antas, numa eliminatória muito sofrida, os portistas conseguiram vencer pela diferença mínima (1-0), o que lhes permitiu seguir em frente. O triunfo foi conseguido através de um golo do inevitável Gomes, que furou as redes depois de uma assistência de Jaime Magalhães, a poucos minutos do final do encontro.
A 19 de Outubro de 1983, mais uma saída de sabor amargo – desta feita até à Escócia, para enfrentar o Glasgow Rangers (derrota por 1-2). No encontro da segunda mão, os portistas conseguiram nova reviravolta, vencendo os protestantes por 1-0, com o Bi Bota a marcar de novo e a chorar de emoção, sendo aclamado por todo o estádio, originando um clima de comunhão e fraternidade (jogador/público) que rareia na contemporaneidade futebolística.
Já no decorrer de 1984, nos quartos-de-final, o sorteio instituiu o embate com os soviéticos do Shakhtar Donetsk (Ucrânia). A 7 de Março, na cidade Invicta, os portistas conseguiram uma magra vitória por 3-2, levando uma curta vantagem para o jogo da 2ª mão em Donetsk. Nesse jogo, duas semanas depois, o FC Porto sobrevive em prova devido a um empate a um golo, sendo Mike Walsh o herói, cabeceando para golo já perto do final do jogo.
Nas meias-finais, os dragões tiveram pela frente os escoceses do Aberdeen. A 11 de Abril, perante um estádio das Antas completamente preenchido e motivado, os portuenses ganharam pela margem mínima (1-0), levando assim uma preciosa vantagem para o segundo jogo. Em terras escocesas, no dia 25 de Abril, os azuis e brancos venceram pelo mesmo resultado. Vermelhinho, o marcador solitário, executou um chapéu tecnicamente refinado e assegurou o embate na final contra a magnífica Juventus de Turim.
Platini era a figura maior da Juventus que derrotou o FC Porto, em 1984 Fonte: wikipedia.org
Nessa final de Basileia, disputada no dia 16 de Maio de 1984, o Futebol Clube do Porto defrontava as “velhas senhoras” italianas, orientadas pela ancião Trapattoni e comandadas em campo pelo organizador mágico Michel Platini. Perante 60000 espectadores (na sua maioria tiffosi), os portuenses enfrentavam um enquadramento muito doloroso devido ao gravíssimo estado de saúde de José Maria Pedroto. Apesar de ser difícil focalizar e centralizar os atletas exclusivamente no encontro futebolístico, os comandados de António Morais (anterior adjunto) fizeram uma exibição tecnicamente muito confiante e tacitamente muito correcta e organizada. Embora a Juventus se tenha superiorizado por 2-1 no final da partida, os portuenses foram superiores em termos qualitativos, demonstrando um futebol mais atraente. O golo de Sousa foi insuficiente para os portistas, que ficaram irados com o árbitro da partida (o alemão Adolf Prokop). Alguns jogadores não se contiveram e confrontaram o juiz germânico e restante equipa de arbitragem em pleno relvado (o guarda-redes Zé Beto terá tirado a bandeirinha ao auxiliar do árbitro para o agredir…). O motivo da fúria seriam dois penalties que o alemão terá perdoado aos italianos: o primeiro, um empurrão sem margem para dúvidas sobre Vermelhinho dentro da área; o segundo, uma mão de Scirea indubitável. Terá o árbitro prejudicado deliberadamente o Porto? Os seus jogadores não tiveram dúvidas sentindo-se espoliados. No rescaldo destes acontecimentos, o guardião Zé Beto seria suspenso por um ano pela UEFA, o que ditou o seu afastamento do Euro- 84.
No fim da partida, Michel Platini, estrela mais reluzente dos italianos, reconheceu o grande mérito dos portuenses. Rendido ao jogo do FC Porto, afirmou que era pena não haver duas taças (uma para cada instituição). Esta ideia humilde foi o mote para os adeptos portistas empreenderam uma recolha de fundos para encomendarem uma réplica da Taça das Taças, que posteriormente oferendaram ao clube para exposição pública. Este misto de emoções, entre uma revolta e desilusão inflamantes e um orgulho confiante pela fantástica exibição, fez com que o Futebol Clube do Porto conseguisse criar, enraizar e difundir um estado de espírito conquistador, uma crença combustível inabalável, que originou um “focus glória”, uma força de perseguição predatória que se consubstanciou, três anos volvidos, em Viena.
“Javi Garcia assina pelo Manchester City”. Esta foi uma notícia que, há uns anos, deixou a família benfiquista em alvoroço. Um dos pilares do meio campo encarnado tinha rumado a Inglaterra e no banco não se via solução. Correcção: não se via solução aparente. Enquanto todos levavam as mãos à cabeça, Jorge Jesus mostrou que Matic não tinha andado este tempo todo só a aquecer bancos. E lançou-o. Surpresa das surpresas? O rapaz até se safava. E muito bem! Com o avançar do tempo marcou a sua posição e suplantou Javi Garcia com a sua qualidade de passe, transporte de bola, visão de jogo e um desarme mais subtil e eficaz.
O Benfica não é um clube com possibilidades de agarrar os melhores jogadores, é apenas um trampolim, e Jorge Jesus o que tem a fazer é espremer o melhor deles durante o salto dos craques para os grandes da Europa. Este foi o caso de Matic. Matic é um craque e arrisco-me a dizer que se não é o melhor é um dos melhores médios defensivos a actuar hoje em dia. E isso comprova-se com o que ele fez na segunda metade da época passada no Chelsea e na incrível época que está a fazer este ano, agora desde o início.
Matic saiu para Luz e voltou a Stamford Bridge Fonte: Facebook de Nemanja Matic
Matic voltou a casa, voltou a Stamford Bridge. Chegou e venceu. Chegou e mostrou que deixou lugar marcado. O Chelsea tem feito um grande campeonato. Quem tem sido o pilar? Matic, pois claro. O médio sérvio alinhou em 24 dos 25 jogos já realizados e tem sido uma autêntica “aranha”, como já é conhecido em Inglaterra. Manda no meio campo, defende com qualidade e tem ainda a ousadia de transportar a bola para a frente no processo ofensivo. É uma máquina incansável de jogar à bola, e isto não só no campeonato. A Liga dos Campeões é exemplo da importância do sérvio, com Mourinho a fazê-lo alinhar nos seis jogos da fase de grupos, fossem ou não fossem a feijões.
Muitos de vocês provavelmente estarão a dizer: “Ah, fazer meio campo com o Fàbregas também eu faço. Assim também eu era um bom jogador”. É verdade que jogar ao lado de um craque como o espanhol tem as suas benesses, mas a sua passagem por Portugal demonstrou que Matic não depende de quem joga ao seu lado para comandar um meio campo. Com isto também não quero reiterar que o sérvio pode jogar sozinho contra qualquer equipa e ganhar. Não! Apenas quero afirmar que Matic é enorme independentemente do clube que representa, independentemente de quem joga ao seu lado. É um jogador inteligente, eficaz e que tem pernas para aguentar os 90 minutos e ainda ter folêgo para o que for preciso. É caso para dizer que é um jogador que qualquer treinador sonharia ter.
Talvez o mais fascinante jovem talento que vai evoluindo no principal campeonato luso seja o brasileiro Danilo, médio-defensivo de apenas 18 anos que vai espalhando classe pelo miolo do Sporting de Braga, onde rapidamente assegurou a titularidade e preponderância.
Colocado no Minho por um fundo de investimento, que, aliás, detém a totalidade do seu passe, percebe-se claramente que será curta a sua estadia na cidade dos Arcebispos, não sendo de estranhar que, em 2015/16, o jovem brasileiro já esteja a desenvolver o seu futebol num qualquer clube com outro impacto no Velho Continente.
Produto das escolas do Vasco da Gama
Nascido a 28 de Fevereiro de 1996 em Simões Filho, Brasil, Danilo Barbosa da Silva é um produto das escolas do Vasco da Gama, clube pelo qual se estreou no futebol sénior, em 2014, somando nove jogos entre segunda divisão brasileira, taças domésticas e campeonato carioca.
Perante a sua ascensão meteórica e elevadíssimo potencial e margem de progressão, o fundo de investimento detentor dos direitos económicos de Danilo decidiu colocá-lo na Europa, tendo o médio-defensivo rumado ao Minho, onde se tem assumido como um dos indiscutíveis de Sérgio Conceição no Sporting de Braga, somando 19 jogos e dois golos.
Classe, técnica e posicionamento exemplar
Sem ser especialmente rápido, Danilo é um futebolista que se destaca imediatamente pelo seu inteligente e eficaz posicionamento, algo que lhe permite ter uma ocupação de espaços quase perfeita no meio-campo do Sporting de Braga, onde controla todas as operações e é muito mais que um simples “seis” de contenção.
Afinal, o internacional sub-21 brasileiro é um jogador que apresenta uma boa capacidade técnica e de passe, sendo bastante importante na primeira fase de construção da equipa minhota, algo que faz com muita qualidade. Para além disso, Danilo tem ainda capacidade de projecção ofensiva, sendo inclusivamente um bom finalizador quando tem oportunidade para tal.
Uma pérola para outros palcos
Igualmente com boa capacidade de marcação, faltará apenas a Danilo ganhar por vezes um pouco mais de intensidade nas suas acções, algo que acaba por ser natural para um jogador de apenas 18 anos que só chegou ao futebol europeu há alguns meses.
Certo, de qualquer maneira, é que estamos perante um “seis” com imenso potencial e um elevadíssimo leque de recursos que prometem oferecer-lhe rapidamente o bilhete para palcos bem mais cintilantes do futebol europeu.
Foto de Capa: Facebook Oficial do Sporting Clube de Braga
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Mais uma jornada passada e, entre as vitórias naturais de FC Porto e Benfica, o que se destaca da jornada 21 é, naturalmente, o empate do Sporting, no Restelo, e o consequente adeus da equipa de Marco Silva ao título nacional, deixando difícil inclusive a possibilidade de se chegar à formação de Lopetegui, que conta com cinco pontos de vantagem para o Sporting.
Relativamente à equipa portista, devo destacar a forte primeira parte que o FC Porto fez contra o Vitória de Guimarães. Com um futebol agradável e intenso – que culminou numa mão cheia de boas oportunidades de golo –, chegar ao final dos primeiros 45 minutos do encontro apenas com o 1-0 no marcador era manifestamente pouco para o caudal ofensivo que a equipa tinha demonstrado. No segundo tempo, a imagem do jogo alterou-se: o Vitória subiu o seu bloco, e durante os primeiros vinte minutos os portistas pareceram adormecidos e amorfos, dando a ideia de que o pensamento já estava no jogo da próxima quarta-feira, em Basileia, a contar para a primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões.
Aliás, mesmo não tendo criado qualquer oportunidade de golo, o Vitória de Guimarães, durante os primeiros vinte minutos da segunda parte, foi acreditando que seria possível sair do Dragão com pontos. Desse ponto de vista, não posso deixar de salientar a importância de Lopetegui: mexeu na equipa quando ela mais precisava, sendo que, com as entradas de Tello e Rúben Neves, o FC Porto voltou a dominar o jogo como quis e a criar mais três excelentes oportunidades até ao final da partida. Contudo, esse “baixar de guarda” de vinte minutos dos portistas foi algo que me preocupou e o que me leva a escrever este texto.
O triunfo perante o Vitória SC ficou marcado por 20 minutos de menor fulgor portista Fonte: Página de Facebook do FC Porto
Admito que, quando escrevi o último texto acerca do ciclo infernal que o FC Porto teria – com 7 jogos em 30 dias (divididos entre Campeonato e Liga dos Campeões) – receei que aqueles “20 minutos” fossem acontecer com mais frequência. Ou seja, com tantos jogos em tão poucos dias, e sobretudo com a Liga dos Campeões à cabeça, era inevitável que a equipa se desligasse em certos momentos dos jogos. Esse é o efeito negativo que a Liga dos Campeões tem: numa competição como a Champions, onde estão os melhores jogadores e as melhores equipas, todos querem lá estar, dê por onde der. Nesse contexto, Lopetegui bem avisou na conferência de imprensa de antevisão ao jogo contra o Vitória que, quem estivesse a pensar no Basileia antes do tempo, veria o jogo de quarta-feira em casa.
Bom, apetece-me dizer que essa profecia de Lopetegui não é mais do que “conversa para adepto ver”. Isto porque a Liga dos Campeões funciona quase como um “bicho papão” que, quando se aproxima, não deixa espaço para nada mais. Ao olhar para a primeira fase da época portista (até dezembro, quando terminou a fase de grupos), esse foi um comportamento que não raras vezes se viu nos jogos do FC Porto. Por isso, não é de estranhar que, entre os seis jogos da primeira fase da competição milionária, os portistas tenham perdido seis pontos que tanto lhe fazem falta neste momento, nos jogos com o Vitória, o Boavista e o Sporting. Às custas deste tipo de “20 minutos” é que os portistas foram perdendo pontos que não podiam e que explicam, em parte, a desvantagem de quatro pontos para o primeiro classificado.
Em Fevereiro, a febre da Liga dos Campeões regressa: voltam os grandes jogos e os grandes duelos. O mundo do futebol aguardava há dois meses pelos oitavos de final e acredito que os próprios jogadores do FC Porto também. Aliás, não raras vezes durante os meses de Janeiro e Fevereiro se viram declarações de jogadores a falarem sobre o duelo contra a equipa de Paulo Sousa. Caro leitor, quero deixar claro que, tal como tantos milhões de adeptos, a Liga dos Campeões é igualmente a competição que mais aprecio no futebol. É inevitável que isso aconteça. Mas, friamente falando, penso que esse não deve ser o comportamento dos jogadores portistas. Bem sei que nestas horas que antecedem o jogo contra o Basileia, todos os portistas se irão lembrar das míticas vitórias de 1987 e 2004 ou dos jogos lendários que o FC Porto foi fazendo ao longo dos últimos anos na Liga dos Campeões. Obviamente que eu, como qualquer outro adepto, também não me canso de ver e rever a vitória de Gelsenkirchen, a exibição de sonho em Manchester, culminada no empate a dois golos, ou o jogo de gala que este ano a equipa fez em pleno San Mamés. Não me esqueço de nada disso porque a nossa história assim o obriga; mas também não me esqueço de que, objetivamente analisando o futebol europeu, é utópico considerar-se que o FC Porto pode chegar à final de Berlim, a 6 de junho deste ano. Com um futebol tão bipolarizado entre “ricos” e “pobres”, onde cada vez mais se distinguem clubes como o Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique ou Chelsea, será razoável pensar-se que, no meio de tantos tubarões, o FC Porto pode vencer o troféu mais desejado no futebol do “velho continente”?
Brahimi é 2º melhor marcador do FC Porto na Champions, com 4 golos Fonte: Página de Facebook do FC Porto
Sinceramente, e mesmo dando de caras com o melhor plantel dos últimos largos anos, acredito que não é possível lutar contra formações tão fortes como as espanholas, alemãs ou inglesas. Bem sei que o sorteio até pode ajudar a que se chegue mais longe mas, mesmo com alguma sorte na escolha do adversário, pensar que uma equipa portuguesa pode chegar sequer a uma meia-final da Champions não passa, na minha opinião, de uma ilusão.
Ainda assim, não se pense que, com este discurso, me alinho com certos clubes e treinadores que acham que as competições europeias não interessam para nada. Várias vezes já repudiei este tipo de pensamento que considero ser “provinciano”. Para um clube que quer ser grande, não basta sê-lo dentro de portas, onde os adversários internos são sempre os mesmos. Para um clube que quer ser grande, acredito que só nas competições europeias é que se consegue ter uma notabilidade que o campeonato português não pode obviamente dar.
A Liga dos Campeões é por isso a montra onde todos os grandes clubes devem querer estar. O FC Porto não pode nem deve ser exceção: se quer continuar a ser o clube português com mais destaque a nível internacional, tem de continuar a estar consecutivamente entre os melhores da Champions. Ficar pela fase de grupos não basta e estar nos oitavos de final deve ser uma obrigação. Chegando a esta fase da prova, e sobretudo defrontando uma equipa que nos é inferior, o FC Porto pode e deve sonhar com a possibilidade de estar entre as oito melhores equipas europeias. Por isso, na eliminatória contra os suíços, aquilo que espero é que a equipa mostre vontade, atitude, garra e competência. Só assim será possível sonhar com o apuramento e acreditar que a Liga dos Campeões pode trazer muitas surpresas para o clube.
Contudo, mais do que os sonhos dourados que a Liga dos Campeões traz a adeptos e jogadores, acredito que o FC Porto – com 13 jornadas de campeonato para disputar – deve, sem nunca descurar a competição milionária, olhar sempre de forma prioritária para a liga interna, pois não tenho dúvidas de, entre chegar aos quartos-de-final ou ser campeão nacional, qual seja o desejo de 99% dos adeptos portistas. Isto porque, de forma realista, todos sabem que a Liga dos Campeões é um sonho do qual mais tarde ou mais cedo o FC Porto vai ter de acordar. Por isso, entre este ciclo infernal de jogos, o meu desejo é simples: honrem a camisola como sempre, seja qual for o jogo. A vitória deve ser o nosso objetivo, seja qual for a competição. Mas não se esqueçam de uma coisa: como em tantas outras atividades, nós portugueses ainda somos pequeninos para lutarmos com os tubarões. Por isso, só vos peço para que os “20 minutos” do jogo contra o Vitória não se repitam. É que no fim de contas, conquistar o campeonato deve continuar a ser o nosso primeiro pensamento.
Com relativa facilidade o Benfica fez aquilo que lhe competia: derrotou o Vitória de Setúbal e assim manteve o avanço pontual de 4 pontos sobre o FC Porto. Perante 40 mil adeptos no Estádio da Luz (fantástica média de assistência até agora no palco benfiquista), o campeão nacional entrou em campo sabendo que em caso de triunfo praticamente colocaria o Sporting fora da luta pelo título. Jorge Jesus e Bruno Ribeiro operaram uma revolução nos onzes iniciais, em relação aos jogadores que haviam alinhado na partida entre estas duas formações na última quarta-feira, a contar para a Taça da Liga. De referir a crescente influência de Pizzi no xadrez do clube lisboeta, em contraste com um claro apagamento de Talisca, quiçá a pagar bem caro pelo facto de estar a competir ao mais alto nível há meses e meses a fio.
O conjunto sadino até entrou bem na partida, com algumas investidas que provocaram algum frisson junto da baliza de Artur, com destaque para um lance dividido entre Jardel e Rambé que causou polémica, com a equipa do Vitória a ficar a pedir grande penalidade. Mas o Benfica nunca perdeu o controlo do jogo, beneficiando também de um golo madrugador. Logo aos 9 minutos Jardel voltou a facturar, depois do golo da semana passada em Alvalade. A partir daí, e não obstante um ou outro remate da equipa setubalense, só deu Benfica. Os campeões nacionais iam colocando a cabeça em água à defensiva contrária com jogadas envolventes e constantes trocas posicionais. Com uma defesa sempre sólida e um meio-campo eficiente (Samaris cada vez está mais entrosado com os restantes companheiros), aliado às permanentes subidas pelo flanco de Maxi Pereira e de Eliseu, o Benfica dava a ideia de que mais cedo ou mais tarde voltaria a marcar. Ola John e Salvio chegavam por imensas vezes à linha de fundo para cruzar, Lima com o seu habitual trabalho de sapa ia abrindo brechas no último reduto vitoriano e Jonas com o seu costumeiro futebol de veludo ia dando linhas e mais linhas de passe aos seus colegas. E depois…bem, depois temos Pizzi. Que grande exibição do internacional português! Seguríssimo, muito confiante, com um sem número de excepcionais passes em profundidade, o médio da equipa da Luz ia deliciando os adeptos presentes no estádio, numa exibição mais do que convincente. Quase à beira do intervalo, aos 40 minutos, Lima marcava o segundo tento para as águias e praticamente sentenciava a partida.
Luisão e Jardel, a imagem de uma dupla que cada vez funciona melhor; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
No segundo tempo o Benfica continuou a controlar as operações. Sem nunca forçar muito a nota, os comandados de Jorge Jesus até podiam ter goleado, tal a facilidade com que a equipa chegava perto da grande área de Ricardo Baptista. Contudo, apenas por uma vez as redes sadinas abanaram, em virtude de mais um golo de Lima, o seu 9º no campeonato. Samaris viu cartão amarelo e assim irá falhar a deslocação do Benfica ao terreno do Moreirense, mas essa situação não deverá tirar o sono a Jorge Jesus. É que Rúben Amorim já aí está para voltar a ter um papel importante na manobra do conjunto, e por isso mesmo o técnico amadorense concedeu ainda algum tempo de jogo ao jogador que não jogava para o campeonato desde aquele fatídico desafio no Bessa, no dia 24 de Agosto do ano passado.
Em suma, vitória sem contestação do Benfica. Em domingo de Carnaval, e para fazer jus à quadra, o samba falou mais alto com três golos apontados por futebolistas brasileiros. Assim sendo, o campeão nacional aproveitou da melhor forma o deslize do Sporting no Restelo, fazendo com que a luta pelo título se resuma praticamente a Benfica e FC Porto. Depois da exibição cinzenta no derbie de Alvalade, as águias voltaram a voar com segurança, com o bicampeonato em mente.
A Figura:
Pizzi – enorme exibição deste internacional português! Não acusou a pressão e voltou a provar que é um excelente trunfo para atacar a fase decisiva da temporada. Primoroso na forma como foi rasgando a defensiva do Vitória com constantes passes em profundidade, Pizzi foi maestro em tarde carnavalesca.
O Fora-de-jogo:
Permeabilidade sadina – Ficou claro ao longo de todo o jogo que ao Benfica bastaria acelerar…para marcar. A defensiva vitoriana viu-se e desejou-se para dar conta do recado, numa tarde em que a linha atacante do Benfica cumpriu bem o seu papel. Mas atenção: este Vitória de Setúbal demonstra várias qualidade em termos de processo de jogo ofensivo, o que deverá conferir ao conjunto um resto de temporada minimamente tranquilo.
Após o empate de ontem frente ao Belenenses, o Sporting disse o adeus definitivo à luta pelo título. A equipa leonina pareceu ter acusado o empate tardio frente ao Benfica e não foi capaz de demonstrar a sua superioridade frente à equipa do Belenenses – diga-se, muito bem orientada por Lito Vidigal.
Relativamente ao jogo queria apenas destacar alguns jogadores pelas suas prestações mais ou menos bem conseguidas: Rui Patrício, o capitão leonino, teve um dia menos bem conseguido, contudo, por tudo aquilo que já fez pelo Sporting, é inteiramente merecedor da nossa total confiança; Adrien Silva: nos últimos jogos tem sido notória a baixa de rendimento do internacional português; assim, a entrada de Ryan Gauld, que quando entrou demonstrou bastante qualidade (qualidade de passe, aparece em zonas de finalização, entre outras), para o onze seria, na minha opinião, uma alternativa bastante plausível; William Carvalho está em clara subida de forma, fazendo lembrar aquilo que mostrou a temporada transata. No que ao Belenenses diz respeito, quero realçar a capacidade coletiva da equipa de Belém, bem como a excelente exibição de Rui Fonte.
William voltou à forma ideal Fonte: Facebook Oficial de William Carvalho
O balanço da temporada deve fazer-se apenas no final da mesma, no entanto penso que se exige uma pequena retrospetiva daquilo que tem sido feito até agora e retirar algumas breves conclusões. O campeonato, mesmo para os mais crentes, é agora uma ilusão. No entanto, a prestação da equipa nas competições europeias e na Taça de Portugal deve ser algo a valorizar. Na Liga dos Campeões a equipa de Alvalade não se qualificou para os oitavos de final devido a um tal de Sergei Karasev, e na Taça de Portugal os pupilos de Marco Silva são os grandes favoritos à conquista da competição. Um professor meu costumava dizer-me que sem ovos não se fazem omeletes, e penso que o plantel do Sporting é a prova viva disso.
Concluindo, penso que o balanço da temporada, pelo menos até agora, deve ser positivo. Se olharmos para o plantel dos nossos grandes rivais, é óbvio que têm mais soluções e sobretudo mais qualidade. O Sporting tem conseguido ser competitivo; o confronto direto com Benfica e Porto assim o comprova. Contudo, a falta de experiência nos momentos mais importantes tem-nos sido fatal.
A noite de sábado do Fim de Semana All Star valeu sempre mais pelos momentos e performances individuais do que pelo nível ou competitividade dos concursos. Se descontarmos as raras (muito raras) vezes em que um concurso de triplos ou de afundanços é recordado na sua totalidade, pela competição e pelo despique entre dois ou mais participantes (o duelo entre Jordan e Dominique no Concurso de Afundanços de 88 ou o duelo entre Dominique e Spud Webb no de 86, por exemplo), aquilo que fica para a posteridade são as participações e as exibições extraordinárias de determinados jogadores.
Mais do que o Concurso de Afundanços de 2000, o que ficou para a história foi a performance de Vince Carter no Concurso de Afundanços de 2000. Não ficou para a história o Concurso de Triplos de 1991, mas sim a participação de Craig Hodges e os seus 19 triplos consecutivos no Concurso de Triplos de 1991. Ninguém se lembra do Concurso de Afundanços de 1991 ou do de 1992, mas todos nos lembramos de Dee Brown a insuflar as suas Reebok Pump e a afundar de olhos fechados e de Cedric Ceballos a afundar com os olhos vendados.
São as imagens e os momentos que ficam na memória colectiva e que se tornam parte do imaginário da NBA que fazem (e sempre fizeram) a história do All Star Saturday Night. E a noite de ontem acrescentou mais dois momentos a essa história. Este:
E Este:
No mais antecipado concurso de Triplos de sempre, tivemos algumas desilusões (Korver e Redick), várias boas prestações na primeira ronda (Matthews, – que foi eliminado com 21 -, Thompson, Irving e Curry) e uma final anti-climática, com Klay Thompson e Kyrie Irving a perderem a mão quente da primeira ronda e a nem ficarem perto do vencedor. Mas para a história fica a ronda final de Stephen Curry e os seus 13 triplos seguidos (a segunda melhor marca de sempre, a seguir aos 19 de Hodges):
Os 27 pontos de Curry são a melhor pontuação total de sempre, mas agora os jogadores têm quatro moneyballs extra e a pontuação máxima passou de 30 para 34; na pontuação anterior, Curry teria feito 23, “apenas” a 7.ª melhor pontuação de sempre Fonte: @NBA
E no Concurso de Afundanços, Zach LaVine deslumbrou. Começou com dois afundanços que fez o mundo inteiro saltar da cadeira e depois na final nem precisou de suar ou de sacar nenhum truque da manga para vencer. Quando percebeu que o concurso estava ganho, começou já a pensar no próximo concurso e guardou alguns dos seus truques para 2016 (foi o próprio que confessou na entrevista pós-concurso que tinha mais afundanços na gaveta e que no próximo ano tem mais para mostrar; e basta ir ao Youtube ver alguns dos afundanços dele para ver que é verdade).
De resto, Oladipo começou bem e fez um bom primeiro afundanço, mas foi perdendo confiança com cada afundanço de LaVine. Teve algumas boas ideias, mas não as conseguiu executar da melhor forma. E Antetokounmpo e Plumlee foram uma desilusão. Mas nada disso importará daqui a uns anos. A noite foi de LaVinesinity e é isso que vamos recordar. Conquistou milhões de fãs em todo o mundo, deixou-nos com água na boca para o ano que vem e salvou o concurso de afundanços (e tudo isso the old school way, sem teatro e sem adereços; o miúdo de 19 anos, o segundo vencedor mais novo de sempre, chegou lá, fez grandes afundanços e pronto).
Os afundanços de Zach LaVine e a ronda final de Stephen Curry vão para o Olimpo da NBA. E só por isso já foi uma All Star Saturday Night memorável Fonte: @NBA
Tivemos ainda, nos dois concursos que iniciam as festividades – os dois concursos para aquecer e divertir-nos um pouco enquanto esperamos pelos triplos e afundanços -: um Skills Challenge um bocadinho mais picadinho que o habitual e um formato que criou mais emoção e competitividade; e um threepeat de Chris Bosh – que nasceu para acertar lançamentos de meio campo neste concurso -, Dominique Wilkins e Swin Cash no Shooting Stars.