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Moreirense 1-3 Benfica: três pontos, nada mais

coraçãoencarnado

Posse de bola: 33% – 67%; remates: 2 – 13; remates à baliza: 1 – 7; cantos: 3 – 15; ataques: 62 – 167. Achei por bem começar este texto com estas estatísticas, antes de me alongar – relembro que a equipa visitante foi o Sport Lisboa e Benfica. Já sei que as redes sociais estarão cheias de sábios, que em tentativas de inteligência falarão sobre o jogo desta noite. Isto porque, verdade seja dita, a “coisa” não estava nada fácil. Exibição fraca das papoilas encarnadas, mas vitória justa. Vamos lá a isto então.

A partida começou com um remate perigoso de Alex – o avançado de Moreira de Cónegos provava que este Moreirense jogava com ambição. Depois dos primeiros dez minutos, o Benfica encaixou na partida e mostrou-se superior em todos os momentos do jogo. O Moreirense jogava recuado no terreno e os encarnados tentavam inaugurar o marcador – sobre isto, dizer que o Benfica se apresentou com limitada capacidade criativa, poucas ideias e uma bola ao poste ao minuto catorze. Salvio e Ola John pouco inspirados, a condicionar o processo ofensivo encarnado. Depois disto, o inesperado apareceu. Ao minuto trinta e cinco, André Almeida perde a bola e o Moreirense, num contra-ataque rápido, estreia as redes da baliza de Artur. 1-0 para a equipa visitante. O intervalo veio mesmo a seguir (foram dez minutos, mas pareceram dois). Uma primeira-parte dum Benfica mole e um Moreirense atrevido, com alas rápidos e um meio-campo solidário. Descanso de quinze minutos, excelente oportunidade para o Jesus apertar com eles.

O segundo tempo trouxe um Benfica mais rápido. Mais atrevido. E com o mesmo espírito dominador. Passados dez minutos, canto na direita e o Capitão Luisão a não dar hipótese a Marafona. Sobre este canto, três notas: primeira, o canto era na verdade inexistente; segundo, preciso de ver mais repetições sobre este lance para confirmar se seria penálti ou não; terceiro, como já sei que os sábios andam por aí, ficou um canto por marcar para o reduto encarnado na primeira-parte (lance do Maxi). Outras notas: o golo trouxe justiça ao resultado, obrigado Capitão, estava a ver que não… De seguida (dois minutos depois), André Simões foi expulso – sobre isto pouco a dizer: ainda não tenho o grau de sábio, significando que não consegui ouvir ou perceber o que este terá dito ao árbitro. No entanto, posso revelar que me pareceu que o jogador do Moreirense não ficou surpreendido com o cartão (apenas sorriu, nada mais). Ultrapassando os factos que não fazem a bola rodar, chegou o minuto sessenta e cinco. Hoje, o minuto da reviravolta. O Sport Lisboa e Benfica voltou a ser líder no resultado (já o era no campo e fora dele). Golo de Eliseu, num remate fora da área onde o guarda-redes de Moreira de Cónegos não fica isento de culpas.

Festejos encarnados depois do golo Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Festejos encarnados depois do golo
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

A partir daqui tudo se resume a poucas palavras: a expulsão fragilizou demasiado o Moreirense, que sem bola e com muito espaço para dar foi ficando cada vez mais recuado. No outro lado, o Campeão Nacional aproveitava para juntar alguns pontos percentuais na posse de bola e nos remates à baliza. E como quase que não há vitória sem o Imperador Jonas fazer das suas, lá foi mais um ao minuto setenta e três. E assim foi: vitória dos encarnados por 3-1. Decidi escrever menos hoje por duas razões: primeiro porque o próprio Benfica não me deu muitas razões para me sentir inspirado, e segundo porque deixo o resto das palavras para os sábios: esses sim, sem ninguém saber porquê nem como, terão toda a motivação e (des)inspiração para se fazerem de esclarecidos e sabedores.

Deixo um parágrafo de desilusão pela fraca primeira parte do nosso Sport Lisboa e Benfica, mas com o alívio de quem venceu uma partida difícil, num campo complicado. O sorriso da firme liderança também por cá anda. Um abraço e até para a semana.

A Figura:
Os três pontos – Não me ficou muito mais que isto depois dos noventa minutos. Ficou a vitória, justa e trabalhosa.

O Fora-de-jogo:
Nico-dependência
– Este Benfica está dependente da criatividade do génio Nico. Não que isso não seja normal, quem tem um Nico está sempre dependente dele – é isso o que os génios trazem ao futebol. No entanto, há que combater esta ausência do argentino com muito mais ideias do que as de hoje.

Recordar é Viver

recordar é viver

2002/03: Moreirense 2-3 Benfica – Primeira Liga Portuguesa

Resumo do Jogo – 1.º Golo2.º Golo e 3.º Golo

15 de Setembro de 2002, tarde de sábado, imensa chuva. O estreante Moreirense, em matéria de 1.ª Divisão, recebia o Benfica no Estádio 1.º de Maio, em Braga, em virtude do seu estádio ainda não ter capacidade para acolher transmissões televisivas, em partida a contar para a 3.ª jornada da então Superliga. Manuel Machado era o treinador da equipa minhota, ao passo que Jesualdo Ferreira treinava um Benfica que não se sagrava campeão nacional desde 1994. Os muitos espectadores presentes tiveram o privilégio de assistir a um excelente jogo de futebol, muito intenso, marcado por várias alternâncias no marcador e que culminaria com um triunfo dos encarnados por 3-2.

Na altura, e eu próprio me incluo nesse lote, poucas pessoas esperariam algo de relevante de um Moreirense, equipa pertencente a uma localidade pequeníssima e sem qualquer tipo de tradição em termos futebolísticos. Contudo, talvez tenha sido este jogo a provar que dali para a frente teria que se contar com a equipa de Moreira de Cónegos, equipa essa que tinha um estilo de jogo bem definido, bem à imagem do actualmente tão conhecido Manuel Machado. Já o Benfica, apesar de estar na altura a trilhar o seu caminho de retoma, ainda era um clube com muitos problemas por resolver e ainda para mais na era do FC Porto de José Mourinho, quase intransponível em Portugal. Todavia, e com um bom início de campeonato 2002/2003, os adeptos benfiquistas renovavam as suas esperanças na hipótese de verem quebrado o jejum de títulos. Mas este desafio disputado em Braga foi o espelho daquilo que era o Benfica da época: períodos de bom futebol alternados com momentos de desorientação total. O golo madrugador de Nuno Gomes (regressado ao clube nessa temporada) logo aos 3 minutos não serviu minimamente para tranquilizar as águias, que aos 40 minutos já estavam a perder por 2-1, com tentos de Demétrios (quem não se recorda deste ponta-de-lança brasileiro que teve na passagem pelo Campomaiorense o seu momento alto da carreira) e de Armando, uma das figuras do então primodivisionário Moreirense.

No segundo tempo, autêntico assalto à baliza do internacional angolano João Ricardo, mas a verdade é que o Benfica só passou para a frente do marcador com o benefício de duas decisões polémicas de arbitragem: grande penalidade muito duvidosa a seu favor e que culminou com um golo do “especialista” Simão e golo da vitória obtido pelo malogrado Fehér, num lance que pode ter sido precedido de falta por parte do futebolista húngaro. Sendo assim, vitória arrancada a ferros por parte de um Benfica que só ganharia estabilidade com a chegada de José Antonio Camacho, meses mais tarde, perante um Moreirense que desde logo mostrou que não faria figura de corpo presente no principal escalão do futebol português, como se pode comprovar pelo facto de actualmente ainda se encontrar na alta roda do futebol luso.

2003/04: Sporting 1-0 Gil Vicente – Primeira Liga Portuguesa

Resumo do Jogo

Na noite de 29 de Setembro de 2003, em jogo respeitante à 6ª jornada do campeonato, o Sporting de Fernando Santos recebia o Gil Vicente de Mário Reis. No novíssimo Alvalade XXI, os leões viram-se e desejaram-se para derrotar a formação gilista, muito bem organizada defensivamente. Triunfo por 1-0 para a equipa da casa que não merece a mínima discussão, tal a forma como o Sporting massacrou o Gil Vicente, principalmente no segundo tempo. Num relvado em más condições, só deu Sporting ao longo de todo o jogo, mas foi à bomba que o conjunto lisboeta obteve os 3 pontos, através de um forte remate de fora da área de Rodrigo Tello quando o relógio já marcava 94 minutos de jogo.

Num Sporting que ainda contava com jogadores como João Pinto ou Pedro Barbosa, e que havia adquirido no mercado de Verão o guarda-redes Ricardo, Rochemback e Liedson, Fernando Santos tentou suplantar o domínio do super FC Porto, que nessa época viria a sagrar-se campeão europeu, mas sem sucesso. Um dos aspectos a retirar desta partida, e que durante anos foi um dos clássicos do futebol cá do burgo prendeu-se com a excelente exibição de Paulo Jorge, guarda-redes do Gil Vicente, e que por norma realizava tremendas exibições frente aos grandes. Diga-se que estamos a falar de uma altura em que o Gil Vicente nem costumava passar por grandes sobressaltos na tabela classificativa, em virtude dos seus plantéis de qualidade e que por aquele tempo praticavam bom futebol. Porém, esta partida em Alvalade foi uma daquelas em que a palavra “autocarro” ganha muita força, tal foi a forma como Mário Reis apenas montou a sua equipa com o intuito de não sofrer golos.

1996/97: Boavista 0-2 FC Porto – Primeira Liga Portuguesa

Resumo do Jogo

Derby à moda do Porto, jogo com enorme tradição no futebol português, tantas e tantas histórias para contar sobre este apaixonante desafio. Desta vez viajo até ao dia 23 de Março de 1997, tarde de domingo, velhinho Estádio do Bessa sem espaço para caber mais gente. Que saudades destes jogos em plena tarde de domingo, em que todas as telefonias deste país saíam da mesa de cabeceira. Lá, no relvado do Bessa, o Boavista orientado por Mário Reis e que contava com uns tais de Jimmy Floyd Hasselbaink e de Nuno Gomes na frente de ataque recebia um tremendo FC Porto de António Oliveira que fez desta temporada um quase autêntico passeio rumo ao tricampeonato. Todavia, em finais de Março de 97 os dragões estavam a passar por aquele que foi o seu único período de mínima crise ao longo da temporada. Estávamos na 24ª jornada e a equipa das Antas vinha de três jogos sem vencer (derrota, empate, derrota), tendo um emergente Sporting treinado por Octávio Machado à espreita (o Benfica andava pelas ruas da amargura).

Como tal, uma ida ao Bessa era tudo menos desejável, derivado da grande qualidade do plantel axadrezado. Mas o FC Porto voltou às vitórias neste desafio, naquele que muitos críticos consideram ter sido o jogo-chave da época 1996/1997 para os campeões nacionais. Mas desenganem-se aqueles que pensam que foi um Jardel (estava na sua primeira temporada ao serviço dos azuis-e-brancos), um Zahovic (outro reforço para aquela época), um Edmilson ou um Drulovic a resolver. Foi Fernando Mendes, lateral-esquerdo do FC Porto, que numa tarde inspiradíssima deu de bandeja os três pontos aos comandados por António Oliveira. Através da soberba execução de dois livres directos, Fernando Mendes garantia uma importantíssima vitória para o seu clube, que a partir dali voltou a dominar a prova a seu bel-prazer, culminando então com a conquista do tricampeonato. De referir que o Boavista acabaria por vencer a Taça de Portugal, derrotando na final do Jamor o Benfica por 3-2. Carregando nesta tónica, adoro sempre rever o resumo deste jogo, em virtude do ambiente no Bessa. O ano de 1997 não foi assim há tanto tempo, mas ai como as coisas mudaram…

Dos dias que preferimos esquecer

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diva de alvalade catarina

Há uns meses atrás, dizia-me a minha mãe: “Filha, tenho uma nova estratégia: agora, quando não tenho paciência nem quero gastar energia com idiotas, finjo-me de morta”. Como bom aluno que aprende com o seu experiente mestre, meditei na altura uns segundos sobre a eficiência da coisa, e comecei também a pô-la em prática. Dá um jeitaço dos diabos, às vezes…

Quem me conhece de petiz, sabe que sempre tive o infeliz dom de envergonhar quem comigo vê os jogos do Sporting. Eu própria, se me acompanhasse em tais circunstâncias, só quereria um buraco para desaparecer, tamanho o chorrilho de coisas e palavras inoportunas e pouco agradáveis – os eufemismos soam sempre melhor! –, que daqui saem durante os jogos do Sporting. É relativamente vulgar, até, aproveitar tais momentos para relembrar os meus largos anos de karaté.

Com o passar dos anos, com o avançar da idade, comecei a achar que não tinha piadinha nenhuma ver uma Senhora a espernear e a gritar uma alarvidade de impropérios irreproduzíveis em cada conjunto ordenado de palavras que profere. Aos poucos, como tudo na vida, serenamos e aprendemos a dominar os nossos impulsos. Tinha chegado a hora de eu aprender a ver futebol, sem com isso comprometer o que quer que fosse. Acho que consegui. Ou quase… A minha avó acha que não: da última vez que viu um Sporting-Benfica, em Alvalade, comigo e com o meu avô, passou a primeira parte toda com os dedos a tapar os ouvidos. Na segunda, ficou-se pelas poltronas do Hall interior dos Camarotes, a ver o jogo pela TV. Mas ela é suspeita – e benfiquista. Não tem voto na matéria, portanto.

O Sporting tem o dom de fazer renascer as piores facetas que existem em nós. Deve ser isto aquilo a que as pessoas chamam amor, só pode ser isso, essa coisa de que tanto fugimos, mas que tão pouco controlamos: nele, no que de melhor nos caracteriza, o pior de nós também se revela. Eu, que tanto e tão conscientemente me auto-eduquei ao longo dos últimos anos, tenho voltado a revelar-me nas últimas semanas. Infelizmente, e para mal dos meus pecados.

Temos sido mansos, dignos até do diminutivo “mansinhos”, aquele com o qual tratamos as coisas fofinhas, às quais fazemos festinhas, mas que não tememos, de todo. E se há coisa que eu não suporto é a ideia de um Leão adormecido, sem juba e que não se faz respeitar. Isto não somos nós. Isto não é o Sporting. Isto não pode ser o Sporting. Isto é, ao invés, tudo aquilo que o Sporting não é e nunca poderá ser.

Por isso, e também porque me recuso a tecer comentários sobre a total ausência de brio que vimos no Restelo, e ainda sobre o quão irrisório foi termos lançado o Capel a jogo assim que nos vimos na frente do marcador, diante do Benfica, vou fingir que morri nestes dois últimos fins-de-semana, despedindo-me com um óbvio, muito óbvio, mas tão óbvio que me dá pena do horrivelmente óbvio que chega a ser: “Rapazes de verde e branco, joguem à bola, que a Camisola é para suar”!

Foto de capa: sporting.pt

O sonho comanda a vida

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atodososdesportistas

No regresso aos palcos europeus e à prova rainha do futebol, os Dragões deslocaram-se à Suíça e trouxeram de Basileia um precioso resultado para a segunda mão: um empate com golos. Ninguém esperava um jogo fácil, muito menos perante uma equipa que, em casa, se revelou das mais fortes na fase de grupos da Champions. Ainda assim, vimos um Futebol Clube do Porto totalmente dominante, com personalidade e entrega durante os 90 minutos. O golo dos suíços, apontado pelo ex-benfiquista Derlis González, na única vez que chegaram à baliza de Fabiano, só viera trazer injustiça ao resultado; resultado esse que não acabou em vitória expressiva do conjunto da Invicta devido a claros erros de arbitragem e a mais uma exibição fabulosa nesta prova do guardião adversário. Para quem não leu ainda o rescaldo, convido o leitor a dar uma vista de olhos no artigo sobre o jogo.

Vou então focar-me naquilo que podem ser as aspirações dos comandados de Lopetegui nesta prova. Como diz o título deste artigo e seguindo a célebre frase do povo “o sonho comanda a vida”, e se assim o é, porque não sonhar com uma surpresa europeia? Concordemos que, no início, nem o mais optimista adepto do Porto poderia imaginar uma fase de grupos praticamente imaculada e um Porto europeu desta dimensão (até pelo futebol apresentado, a dada altura, a nível interno). Este Porto transcende-se na Liga dos Campeões – disso não tenho dúvidas! Jogo a jogo tem vindo a solidificar o seu estatuto de forte candidato a ganhar qualquer partida que dispute, e, neste momento, é certamente uma equipa preparada para jogar contra os conjuntos de elite, como Chelsea, Bayern, PSG, Barcelona ou Real Madrid (para mim as cinco melhores equipas da Europa, na actualidade). Atenção: estar preparado não significa estar a jogar melhor! Creio é que o adepto, antes de pensar nos sorteios, está, neste momento, com as unhas maiores, pois não as roeu com o “medo” de jogar contra um “tubarão” – algo que, caso o Porto passe esta eliminatória, será uma forte possibilidade.

Por outro lado, este nosso Porto já nos habituou a ter dias de “hoje a bola não entra”, e em jogos a eliminar, esses dias não podem mais existir! Acredito que na segunda mão desta eliminatória de 180 minutos, o Futebol Clube do Porto levará a melhor, pois vem com a vantagem do golo apontado fora e, em casa, já habituou os adeptos a não perder – a última derrota foi contra o Zenit (0-1), no dia 22-10-2013, numa conhecida péssima época dos Dragões, onde não conseguiu vencer nenhum dos jogos da fase de grupos disputados no Dragão.

Penso também que o factor da juventude do plantel tem um impacto forte neste Dragão, especificamente nesta prova. Sabemos que jogadores como Tello, Casemiro ou Óliver querem mostrar-se a grande nível para os seus clubes de origem; Brahimi, Herrera, Alex Sandro, Danilo, Quintero ou Rúben Neves são jovens que têm tudo para serem futuros craques das suas selecções e, certamente, que ambicionam jogar numa liga mais competitiva; Quaresma, Jackson ou Maicon transmitem a experiência que equilibra a equipa emocionalmente e conseguem dar o discernimento necessário durante as diversas fases do jogo (nota também para o grande crescimento de Marcano, que se tem revelado importante nesta fase em que Martins Indi tem estado fora das contas por opção técnica).

Para finalizar, espero que a lesão do jovem Óliver não seja grave, pois o espanhol é um jogador muito influente neste Porto, e a sua qualidade fala por si só.

Nesta altura deve o leitor estar a imaginar que eu penso que o Porto ganhará a Champions … A minha resposta é a seguinte: penso que se disputarmos jogo a jogo, como até então temos feito, podemos sonhar… “O sonho comanda a vida”, e se formos milhões a sonhar, porque não acreditar nesta bonita história que tem sido a vida do Dragões na prova rainha…?

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

A anarquia de Guardiola

cab bundesliga liga alema

Desilusão: a palavra com que poderia definir o trabalho apresentado, até ao momento, por Pep Guardiola na liderança dos destinos do Bayern. Na segunda época à frente dos bávaros, o suposto, esperado e obrigatório era que, no mínimo, a equipa se apresentasse melhor do que na época de estreia do catalão. Puro engano, até ver. É certo que a herança de Guardiola era muito pesada: Juup Heynckes fez um trabalho soberbo na equipa alemã, conduzindo-a a duas finais da Liga dos Campeões consecutivas. Tudo isto baseado num futebol vertiginoso, implacável e esfomeado de golos. Uma máquina de golos com todas as peças no devido lugar. Na primeira época, o cinismo de Di Matteo roubou-lhe a merecida vitória em casa. Perdeu o campeonato para um Dortmund que havia saído da Champions na fase de grupos e, com isso, pôde concentrar-se exclusivamente na Bundesliga.

Percebendo que apenas e só o azar foi o  inimigo do conjunto alemão nessa temporada de 2011/12, a direcção do clube bávaro manteve o alemão no banco, reforçou a equipa cirurgicamente (Dante, Javi Martínez, Mandzukic, Shaqiri e Pizarro) e desfez-se dos pesos mortos como Olic ou Pranjic. Resultado no final da época? Triplete com a conquista da Bundesliga, Taça e Liga dos Campeões. Juup Heynckes abandonaria o clube no verão de 2013 e entregava uma super-equipa e perfeitamente mecanizada às mãos de Guardiola. Cedo se percebeu que o catalão, como já se esperaria, queria impor as suas ideias. Despachou Luís Gustavo (um dos pilares da máquina de Heynckes) e Mário Gómez por não encaixarem no futebol de posse que queria implementar e Emre Can sem justificação compreensível. Chegaram Gotze, dito um dos maiores mundiais, e Thiago Alcântara, este com o selo do “tiki-taka” de Barcelona.

Na Bundesliga, o mínimo exigível era vencê-la sem grandes problemas e o objectivo foi largamente conseguido, tal a superioridade e diferença de recursos e investimento para os restantes clubes. Na Champions, a fase de grupos foi um passeio até chegarem os quartos-de-final. Perante um Manchester United patético de David Moyes, o Bayern já havia sentido alguns problemas em ultrapassar a eliminatória. O problema maior estava para chegar: na meia-final, o Real Madrid limpou o Bayern de forma cabal com 5-0 no total da eliminatória e um humilhante 0-4 em Munique, que deixava a nu todas as fragilidades defensivas do clube da Baviera. A adaptação de Lahm a trinco, a embirração com Mandzukic e a incapacidade de retirar o que Shaqiri e Gotze tinham para dar eram, também, sinais preocupantes.

Matraquilhos? Não. O onze do Bayern no jogo frente ao Shakhtar
Matraquilhos? Não. O onze do Bayern no jogo frente ao Shakhtar

Com a época de estreia para errar e adaptar-se às exigências do gigante da Alemanha, a segunda época de Guardiola era (e é) a prova de fogo. Que tem corrido mal. Senão vejamos: Kroos e Manduzkic saíram (dois elementos importantíssimos na máquina de Heynckes) no verão e Shaqiri no mercado de inverno. Bernat chegou para concorrer com Alaba, Xabi Alonso foi gozar a reforma para Munique, Benatia foi um luxo que Heynckes nunca teve e Lewandowski foi o capricho para substituir Mandzukic e dar (mais uma) bicada no Dortmund.

Até ver, Pep Guardiola ainda não conseguiu encontrar a ideia de jogo e o onze-base ideais para o Bayern e as experimentações tácticas têm sido mais do que muitas. Alaba, um dos melhores laterais-esquerdos do mundo, passou a jogar a 10, a central e a 8 para dar espaço a Bernat. O meio-campo, base principal da dita melhor equipa de sempre de Guardiola no Barcelona, apresenta-se totalmente estático e incapaz de oferecer criatividade à equipa – a dupla Xabi Alonso – Schweinsteiger arrasta-se em campo – e apenas o génio de Robben, Ribery e Muller vai disfarçando as enormes deficiências do fio de jogo da equipa. É certo que o grande número de lesões em jogadores fundamentais (Lahm, Alaba, Javi Martínez, …) não tem ajudado mas não é justificação para tão pobre futebol.

Guardiola matou todo o trabalho feito por Juup Heynckes para tentar impor as suas ideias e descaracterizou totalmente a ideia de jogo dos alemães. Até ver, tem sido um fracasso. Talvez  seja cedo para retirar conclusões e este Bayern ainda se torne avassalador nesta temporada mas, neste momento, é uma sombra do que foi há dois ou três anos.

Nadal foi sambar… e fez sucesso

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cab ténis

Rafael Nadal está a participar no Rio Open, um torneio do circuito ATP de segunda categoria (ATP500), que se disputa no Rio de Janeiro. Em boa hora os promotores do evento juntaram o ténis ao maior evento do Brasil, o Carnaval. Rafael Nadal não se fez rogado.

O campeonissímo espanhol não teve problemas em enfrentar uma noite chuvosa e desfilou ao lado de David Ferrer e de Gustavo Kuerten mostrando que os eventos desportivos são também eles um excelente veículo de promoção turística. Infelizmente, a assessoria do evento não parece ter dado grande destaque a esta participação.

Sempre fui um grande adepto de jornadas de promoção do ténis junto daqueles que não acompanham regularmente a modalidade, porque só dessa forma é possível “angariar” mais adeptos. Dessa forma olho para estas jornadas de promoção com particular atenção porque considero que noites como as de Nadal no Sambódromo valem por inúmeros jogos disputados pelo espanhol no que toca a mostrar aquilo que é o ténis.

Se é dentro dos courts que se mostra o que é o ténis, é no entanto fora deles que se “agarram” mais pessoas à modalidade, mostrando que as nossas estrelas são bem mais acessíveis do que os futebolistas e mostrando o ambiente dos torneios em todo o mundo.

Neste caso especifico, o Rio Open tem ainda a vantagem de contar com dois dos jogadores mais humildes do circuito, neste caso, Nadal e Ferrer, que são em bom português “uns castiços”, dispostos a participar na maioria das iniciativas que os torneios levam a cabo fora dos courts.

A prova disso é que a dupla espanhola, a par de Gustavo Kuerten, não teve problemas com a chuva, sabendo que um ou dois dias depois teria de se apresentar ao mais alto nível em campo, e passou horas a desfilar no Sambódromo, integrando a 100% a festa dos brasileiros. Nadal cantava e dançava (na medida do possível), e no final da noite disse ainda que só tem a agradecer por “poder ter experiências como esta”.

Já David Ferrer, disse que dançou “mais nesta noite do que em toda a vida”, provando que o facto de ser muita das vezes visto como o “patinho feio” da armada espanhola é uma imagem totalmente errada de um jogador trabalhador e consistente que não sai do top 10 desde Outubro de 2010.

Infelizmente a organização do Rio Open não valorizou da melhor forma esta acção dos tenistas, não havendo referências a tal no site oficial do evento. Boa memória se faça do Estoril Open de João Lagos que anualmente promovia duas ou três iniciativas divulgando-as da melhor forma que conseguia, de onde se destaca o passeio no mítico eléctrico 28 que Roger Federer deu numa das suas passagens por Lisboa.

Já agora, tanto Nadal como Ferrer venceram os seus jogos após a participação no Carnaval do Rio de Janeiro.

Wolfsburgo 2-0 Sporting: Complicado mas não impossível

sob o signo mozos

Ambas as equipas partiam para este encontro com baixas consideráveis. Do lado do Sporting, William Carvalho e Slimani; do lado do Wolfsburgo, Luiz Gustavo e Guilavogui. Se nesta situação ambas as formações têm um ponto em comum, o mesmo não se pode dizer do orçamento de que cada uma dispõe ou do momento de forma que cada equipa atravessa: o Wolfsburgo é a equipa sensação do campeonato germânico, ocupando o segundo lugar e tendo já derrotado o poderosíssimo Bayern de Munique por 4-1; ao passo que o Sporting está a atravessar um mau momento – sobretudo anímico – muito por causa do empate em casa contra o Benfica, concedido já nos instantes finais.

Os leões entraram bem no jogo e os primeiros quinze minutos, embora sem nenhuma ocasião clara de golo, foram dominados pela equipa de Alvalade, que fazia a bola circular com bastante fluidez e tinha a iniciativa do jogo. Ao minuto 16 surgiu o primeiro lance de perigo para o Wolfsburgo, protagonizado por Schurrle, foi Rui Patrício quem esteve em evidência. Os alemães começaram a crescer e poucos minutos depois um cruzamento da direita só não teve melhor fim porque Paulo Oliveira cortou para canto, fazendo a bola passar muito perto do poste do guarda-redes português. O Sporting respondeu e Carrillo, após um excelente passe de Nani, não inaugurou o marcador por milímetros.

A acabar a primeira parte, Vieirinha comete uma grande penalidade escandalosa e o árbitro, bem posicionado, nada assinalou. Os leões podiam ter ido para intervalo a ganhar, com um golo obtido mesmo em cima do intervalo caso o penalty fosse concretizado. Mais uma vez na Alemanha, os árbitros não deixaram que o jogo decorresse de forma limpa.

Marco Silva mexeu bem na equipa, mas as substituições não foram suficientes para melhorar o panorama Fonte: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal
Marco Silva mexeu bem na equipa, mas as substituições não foram suficientes para melhorar o panorama
Fonte: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal

A segunda parte começa com o golo do Wolfsburgo. Naldo, ante a passividade da equipa leonina, aproveitou o espaço no corredor central para desmarcar Dost, que finalizou da melhor maneira. Estava feito o 1-0. Os alemães galvanizaram-se e sobrepuseram-se aos leões. As oportunidades sucediam-se para o lado germânico e os leões não conseguiam fechar as linhas de passe, como tinham feito de maneira eficaz nos primeiros minutos da partida. Foi, portanto, com naturalidade que Dost bisou na partida aos 63 minutos, após um excelente cruzamento de De Bruyne.

A vida complicou-se para o Sporting e a equipa de Alvalade, apesar de ter crescido no jogo e de ter reagido bem às mexidas de Marco Silva, não foi capaz de diminuir a vantagem dos alemães até ao apito final. Destaque ainda para a excelente exibição de Rui Patrício.

A eliminatória está complicada para os leões, mas uma boa exibição da equipa em Alvalade com todos os trunfos pode ser a catapulta necessária para o Sporting dar a volta e seguir em frente na Liga Europa.

A Figura:

Bas Dost – O holandês está a atravessar um excelente momento de forma: depois de marcar quatro golos no passado fim-de-semana, o avançado bisou na partida e foi o homem do jogo.

O Fora-de-Jogo:

Jefferson – Nada correu bem ao lateral esquerdo do Sporting. Executou um sem número passes sem critério, foi muito perdulário em lances que seriam de fácil resolução e comprometeu muitas vezes a defesa leonina devido a graves falhas de marcação. Perdido e irreconhecível.

Foto de Capa: Facebook Oficial do VfL Wolfsburgo

Quem tem medo de gigantes o melhor é nem sair de casa

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a norte de alvalade

O Sporting vai ter um osso duro de roer na Alemanha, encontrando aí um adversário poderoso e moralizado. Ao invés, a equipa vem de resultados decepcionantes, o que pode indicar estar agora a fazer um caminho inverso aos adversários no que à moral diz respeito. Adicionando a estes ingredientes nosso histórico de resultados com equipas alemães, está criado um espectro digno dos maiores receios. Este será precisamente a pior das atitudes a ter na hora de encarar o jogo. Respeito q.b. sim, medo não.

O problema da falta de jogo interior

Muito se falou, na sequência dos recentes derbys, do problema da falta de jogo interior, estabelecendo-o como causa determinante para o insucesso no respectivos jogos. Com algum exagero, quanto a mim, atendendo à forma fortuita como se perderam os pontos, resultantes de lances de muito maior grau de aleatoriedade do que de sapiência adversária. A intenção deliberada de não se expor contra o SLB parece ter ficado e ter produzido os mesmos efeitos no Restelo, mas tal só é verdade se esquecermos os primeiros 25 minutos da última partida, onde a abordagem foi muito diferente do jogo de Alvalade. Duvido que essa fosse a intenção do treinador, falta saber se a equipa cumpriu o seu plano de jogo ou preferiu de forma automática aquele que treinou para o dérby. Reconheço a importância do plano táctico mas o futebol, quando o árbitro apita para o inicio do jogo, é muito mais do que o treino e as ideias do treinador. Como é bom de ver o Sporting não irá jogar na Alemanha a centrar bolas para a área

Saber sofrer e saber fazer sofrer

Não esperando um jogo fácil é admitir que vai ser necessário saber sofrer. Mas sempre sem abdicar da imprescindível inteligência. Não creio que o Sporting vá recuar em demasia, ficando com isso permanente exposto às cargas da cavalaria alemã, especialmente à sua superioridade no jogo aéreo. Já bastará o sofrimento das bolas paradas. Mas também não me parece que registaremos os mesmos problemas com o controlo de profundidade de que tanto se falou no inicio de época. É a diferença que existe entre defesas centrais de nome e defesas centrais de formação e que percebem o jogo. A actual dupla de centrais dá muito mais tranquilidade, e muito mais daria se jogasse junta desde o inicio.

Se vamos a Alemanha “apenas” para não sofrer golos ou sofrer poucos, mais valia poupar na viagem. Não conheço o suficiente sobre o adversário para apontar os seus pontos fracos, daí que fique por uma consideração genérica. Mais uma vez a inteligência terá que ser chamada para gerir os momentos em que disporemos da bola. O Sporting tem jogadores tecnicamente capazes para impor algum sofrimento aos alemães. Estou a lembrar-me de Montero, Nani, Carrilo, João Mário, por exemplo, desde que a opção seja manter a bola o mais tempo possível colada à relva, onde a altura dos alemães deixa de ser uma vantagem. Sorte e eficácia também dariam uma importante ajuda se se aliassem a nós. Convenhamos também que, depois de 2 jogos a sofrer golos estúpidos, já estava na altura de se lembrarem de nós também.

Foto de Capa: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal

Basileia 1-1 FC Porto: A ilusão que só a estatística provoca

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Basileia, capital da ilusão portista, primeiro degrau para a construção do FC Porto europeu, voltou a testemunhar um jogo dos dragões, trinta e um ano depois. Tal como em 1984, tal como naquela final (perdida) diante da Juventus, o FC Porto apresentou-se em campo igual a si próprio, com personalidade e uma clara ideia de jogo. Para a primeira mão dos oitavos-de-final da Champions, o onze escalado por Lopetegui diferiu apenas num nome em relação àquele que venceu (e convenceu) o Vitória de Guimarães, por 1-0: Tello rendeu Quaresma, procurando previsivelmente o maior espaço que existiria nas costas da defensiva helvética. Puro engano, contudo!

E podemos começar já por aqui. Quando as expectativas eram as de que o Basileia tomasse conta da bola e do jogo, assistiu-se a um dragão impositivo, que quis ter, mais do que o controlo, o domínio do jogo desde o apito inicial e, por e para isso, tentou pressionar a todo o terreno. Do outro lado, a equipa de Paulo Sousa também tentou fazer uma pressão médio-alta mas o FC Porto, ainda que com dificuldades, soube sempre lidar melhor com esta contingência do que o seu adversário. De todo em todo, a equipa suíça tem princípios defensivos sólidos e sempre que esta pressão não resultava, recuava, organizava-se e “apertava” com critério o portador da bola – Brahimi foi o que mais sofreu com esta estratégia, algo ainda mais agudizado pela excessivo apego à bola por parte do argelino.

O golo do Basileia surgiu à passagem do décimo minuto do jogo, num lance em que o passe de Frei é primoroso, a recepção e finalização de Derlis Gonzalez são de categoria, mas em que a defensiva portista poderia ter feito mais, sobretudo Alex Sandro que deveria ter oferecido outra cobertura ao eixo defensivo. Ainda na madrugada do jogo, o golo apareceu como elemento-surpresa, principalmente porque era o FC Porto quem tinha maior iniciativa atacante.

Perante o sismo no plano de jogo portista, os dragões demoraram 10/15 minutos a reassumir a partida. Procuraram criar e gerir a bola com segurança, sem arriscar em demasia – afinal, o segundo golo poderia ser mortífero. Com uma pressão cada vez mais eficaz e constante, os dragões recuperaram muitas vezes a bola em terreno subido mas um toque a mais, um passe mal medido ou, sobretudo, a inépcia na hora do remate não permitiram ao FC Porto materializar o ascendente que teve em toda a primeira parte. Por outro lado, ficou um penalty por assinalar, por falta (ostensiva) de Samuel sobre Jackson (30’). Antes disso, Danilo e Casemiro estiveram muito perto do empate – e seria esse o resultado mais justo, a coroar uma primeira parte em que os dragões reagiram à adversidade e foram tão empreendedores quanto calculistas.

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Óliver rubricou uma exibição estrondosa na noite de Basileia
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

A 2ª parte arrancou na mesma toada e com mais uma decisão pouco compreensível por parte Mark Clattenburg: o golo de Casemiro, depois de muito festejado, foi anulado por – suponho eu – fora-de-jogo de Jackson Martínez, que terá perturbado o keeper contrário, Tomas Vaclik (exibição segura com um par de belas defesas).Como até aqui, os dragões foram impondo uma pressão constante sobre o seu adversário, impedindo a equipa de Paulo Sousa de explorar a transição ofensiva – Fabiano não fez uma única defesa em todo o jogo.

Com Óliver a encher o campo, com Herrera mais inteligente do que o habitual e com o intervalo a servir de bom conselheiro a Casemiro (a primeira parte foi simplesmente horrível!), o meio-campo do Dragão engoliu os suíços e o placard só não mexeu mais cedo porque tanto Tello como Jackson não souberam ser mais eficazes. A saída de Brahimi para a entrada de Quaresma foi natural mas a lesão de Óliver (68’) foi o pior que aconteceu a este FC Porto na noite helvética – ainda assim, a saída do espanhol (para a entrada de Rúben Neves) não abalou sobremaneira a capacidade ofensiva do FC Porto, ressentindo-se, porém, a equipa no momento em que se propunha pressionar o adversário a toda a largura do campo. Quando os portistas já suspiravam por Quintero em campo, o golo haveria de surgir em mais uma incursão de Danilo pela direita que culminou num cruzamento cortado pela mão de Samuel (e que merecia o segundo cartão amarelo), com a respectiva grande penalidade a ser assinalada. O #2 portista não acusou o peso do momento e colocou (alguma) justiça no marcador, igualando a partida a 10 minutos do fim da mesma.

Lopetegui ainda voltou a mexer, colocando, finalmente, Quintero (por troca com Tello), derivando Herrera para extremo esquerdo, previsivelmente para travar as investidas do lateral Safari e também para dar a possibilidade do colombiano aparecer pelo meio e gerir os tempos de jogo do conjunto azul e branco. Creio, no entanto, que a melhor solução teria sido retirar Herrera, até porque o mexicano estava desgastado, algo ainda mais notório nos momentos finais em que o FC Porto pareceu abdicar da busca pelo segundo golo, resguardando-se e assegurando um resultado que, no fundo, é pior do que a exibição. Mas que não deixa de ser um empate que abre boas perspectivas para o jogo da segunda mão, num terreno de uma equipa que, nos últimos 22 jogos europeus em sua casa, apenas perdeu por uma vez, diante do Real Madrid. Mas que hoje até só rematou uma vez à baliza.

 

A Figura
Óliver – Palavras para quê? Tem pouco mais de 1.70 de tamanho mas a alma de um dragão e a qualidade de um gigante. Encheu o campo em St. Jakob Park – jogou e fez jogar, com passes a curta, média e longa distância, demostrando uma capacidade de decisão fora do comum, no timing certo para o local exacto. Além disso, entende como poucos os terrenos que deve pisar a cada momento em que a equipa não tem a bola, pressionando e recuperando bolas sem fim. O menino do ‘Atleti’ é o motor do Dragão.

O Fora-de-Jogo
Fabiano – Só porque tem de ser. O espectador mais afortunado do jogo: viu-o de perto sem ter de pagar bilhete.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Obra de Espírito Santo

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cab la liga espanha

Com ou sem críticas, há algo a destacar na temporada 2014/2015 da Liga BBVA. Nuno Espírito Santo, ex-jogador de futebol e atual treinador do Valência, conseguiu contrariar as expetativas iniciais dos analistas e voltou a restabelecer as esperanças dos adeptos “Che” numa qualificação da sua equipa para a Liga dos Campeões.

Embora Espírito Santo tenha caído nas graças de todo o adepto português do desporto rei pela sua campanha com o Rio Ave, foi com tamanha surpresa que surgiu como treinador principal do Valência para a temporada 2014/2015. Tal foi o espanto que prontamente a imprensa e os amantes de futebol espanhóis apontaram Nuno como o primeiro treinador que iria sofrer o despedimento no presente ano na La Liga.

Ainda assim, com tudo o que o técnico português tem conseguido realizar no decorrer da temporada, seguramente que esses “apostadores” se arrependem de ter feito tal escolha. E todo o português tem orgulho nisso. É, evidentemente, agradável ver um de nós triunfar lá por fora e, literalmente, “calar” os críticos que não se importam com o trabalho e esforço que têm que ser empreendidos para ter sucesso no “mundo” que é o do futebol.

O Verão de 2014 viu a equipa do Condado Valenciano sofrer uma tremenda mudança no que a jogadores diz respeito, pois após a aquisição de Nuno Espírito Santo para o comando técnico da formação, foram várias as saídas e entradas no plantel. Nesta “revolução”, muitos jogadores que outrora tinham sido considerados fundamentais no seio do grupo viram o seu passe ser negociado: de referir, entre outros, Juan Bernat, Adil Rami, Jérémy Mathieu, Ricardo Costa, Ever Banega ou Andrés Guardado. A venda do passe de alguns destes jogadores permitiu aos “Che” um razoável encaixe financeiro, o que permite entender o propósito das suas transferências.

Nuno Espírito Santo teve, então, que encontrar jogadores que suprimissem as perdas no plantel e que acrescentassem algo mais à equipa, de modo a que esta atingisse os seus objetivos. E fê-lo com grande astúcia. Não só viu chegar ao emblema valenciano atletas de elevado nível, como reforçou todos os seus setores. Também é sabido que a conta bancária de Peter Lim, que após meses de incerteza foi declarado como novo proprietário do clube, ajudou e muito nesta investida pelo mercado de Verão.

A defesa do Valência viu-se reforçada com as aquisições do argentino Lucas Orbán (lateral-esquerdo/defesa-central), do alemão Shkrodan Mustafi (defesa-central/lateral-direito) e com o empréstimo de João Cancelo, jovem lateral-direito português com grande margem de progressão. No meio-campo, o maior destaque foi dado a André Gomes, que tem vindo a justificar a aposta, com inúmeras exibições de alto nível, provando todo o potencial que lhe tinha sido atribuído. No que toca ao ataque, a aquisição do passe de Rodrigo Moreno e o empréstimo de Álvaro Negredo, que se juntaram a Paco Alcácer, vieram fornecer o poderio atacante necessário para o “assalto” ao apuramento para a Champions.

O Valência deu muitos reforços a Nuno Fonte: Facebook do Valência
O Valência deu muitos reforços a Nuno
Fonte: Facebook do Valência

Mas uma equipa não é só feita de nomes. É necessário alguém que tome os jogadores individualmente e os faça jogar em prol do conjunto, de uma forma coesa e objetiva. E é aí que entra Nuno Espírito Santo. A maior parte dos atletas que por ele já foram treinados concordam que, no que concerne a termos motivacionais, Nuno é, de facto, um mestre. Para além disto, os anos em que praticou futebol permitiram-lhe adquirir uma absoluta cultura tática e entendimento do jogo. Exemplificando, tal é visível no facto de o treinador português conseguir variar o esquema tático da equipa em conformidade com o adversário ou, até mesmo, com as características dos jogadores. Já vimos o Valência variar entre o 3x5x2 e o 4x4x2 inúmeras vezes, sem se ressentir a nível exibicional.

Porém, não tem sido sempre um passeio para o treinador luso. As exibições da equipa fora do Mestalla e, principalmente, os resultados negativos aí alcançados têm gerado contestação nos media valencianos. Em 11 partidas fora de portas, os comandados de Nuno registam apenas 4 vitórias, ao invés do que acontece em sua casa, onde venceram 10 dos 12 encontros disputados.

Mais recentemente tem surgido outro tipo de contestação no seio dos meios de comunicação de Valência, relacionada com a contratação de um jogador por parte do emblema “Che”. Em pleno mercado de Inverno, o clube conseguiu a tão desejada aquisição do médio Enzo Pérez por uma quantia situada nos 25 milhões de euros. Tendo apresentado um elevado nível exibicional na posição “8” ao longo dos últimos dois anos, Pérez assumiu desde logo um lugar no onze inicial.

Mas a verdade é que não está fácil a vida do médio argentino em Espanha. Em 7 jogos realizados desde que chegou ao país vizinho, está claro que ainda não conseguiu atingir o patamar futebolístico que apresentou outrora. No Benfica, o jogador da seleção das “pampas” atuava como médio de transição num esquema de dois médios-centro, ao contrário do que acontece em Valencia, onde assume uma posição claramente mais recuada e divide o setor central da sua equipa com mais dois jogadores, o que lhe retira espaço para progredir verticalmente com bola, como tanto gosta. A juntar a isto, o nível disciplinar de Pérez também não tem sido o melhor, pois já viu o cartão amarelo por 5 vezes, numa quantia de jogos que não é razoável para tal. Esta situação tem que ser pronta e devidamente tratada por Nuno Espírito Santo, de modo a não prejudicar os objetivos da sua formação, pois a imprensa e até os adeptos começam a questionar o elevado investimento feito no médio.

Certo é que com 23 jornadas disputadas na principal divisão espanhola, os valencianos estão situados no 4º lugar da classificação e mantêm bem desperta a esperança de conseguir o apuramento para a Liga dos Campeões da próxima época, objetivo que foi o inicialmente proposto pela equipa técnica “Che”. Seguramente a luta não será de cariz fácil até ao final da liga, pois o Sevilha encontra-se a uma distância relativamente curta do apetecível 4º posto e promete não ceder. No entanto, o Valência de Espírito Santo já demonstrou e deixou claro que é bem capaz de conseguir atingir os seus propósitos.

Foto de Capa: Facebook do Valência