📲 Segue o Bola na Rede nos canais oficiais:
Início Site Página 9832

Nápoles sobrevive à saída do princípe?

0

cab serie a liga italiana

No seu livro, Diego Maradona conta que chegou um dia a Nápoles e construiu uma equipa que viria mais tarde a vencer duas Série A e uma Taça UEFA. Por isso, e por tudo o que a história lhe reconhece, foi idolatrado naquela cidade. Só para se perceber como aquela cidade vive os seus jogadores, num Itália-Argentina do Mundial de 1990, em pleno San Paolo, a certa altura do jogo gritava-se mais pela Argentina de Maradona do que pela anfitriã Itália.

Em 2013/2014 chegava ao sul de Itália outro argentino, que se viria a tornar na bandeira da cidade nos três anos seguintes. ‘El pepita’ Higuaín vinha de um Real Madrid onde alternava a titularidade com Benzema, mas o faro pelo golo estava intacto. Hoje, depois de fazer a sua melhor época a nível pessoal, o avançado trai um clube, uma claque, uma cidade, e sai para o grande rival, numa transferência envolta em polémica e que envolve 90 milhões de euros. Por estes dias, por toda a cidade, multiplicam-se as camisolas queimadas com o nome de Gonzalo Higuaín.

Com uma média de quase um golo por jogo (0,90) e 35% dos tentos dos napolitanos em toda a época, o argentino foi crucial para o segundo lugar dos azul celeste. Prova disso é a pior série de resultados da equipa, entre Série A e Liga Europa, que apareceu quando o avançado andou arredado dos golos. Será inevitável perceber como irá o Nápoles suprimir esta perda e até que ponto o bom futebol que a equipa vem apresentando será afetado.

Para já, parece estar encontrado o substituto natural do pepita. Aos 22 anos, Arkadiusz Milik chega a Nápoles depois de duas épocas recheadas de golos no Ajax e de um Europeu igualmente em bom plano. A qualquer hora surgirão as inevitáveis comparações, mas, para já, parece que o polaco tem características que servem de feição ao estilo de jogo da equipa: capacidade de segurar a bola e aguentar os defesas nas suas costas, enquanto espera pelo apoio frontal dos médios bastante criativos; profundidade atacante e velocidade na transição defesa-ataque – a maior arma dos napolitanos – e bom jogo aéreo, com enorme capacidade de resposta a cruzamentos dos excelentes extremos que o irão acompanhar.

Milik foi a primeira escolha para substituir Higuain Fonte: Facebook do SSC Napoli
Milik foi a primeira escolha para substituir Higuain
Fonte: Facebook do SSC Napoli

Mas há, essencialmente, um nome que faz com que a crença dos tifosi não se desvaneça: Maurizio Sarri, o ex-banqueiro que, fruto de muita dedicação, foi cavalgando divisões até chegar à sua cadeira de sonho. O excelente trabalho que desenvolveu no Empoli deu-lhe a visibilidade para chegar ao clube do seu coração, o Nápoles. O Deus da cidade (Maradona) criticou-o mal pegou na equipa, mas depois dos momentos brilhantes que os azuis apresentaram durante grande parte da época, o astro argentino teve que admitir que Sarri o tinha surpreendido e deu a mão à palmatória, pedindo desculpa.

O Nápoles é hoje um equipa com processos muito bem definidos. Uma defesa estabilizada, com Koulibaly e Albiol como esteios e laterais bastante equilibrados, os habituais titulares Ghoulam e Hysaj (lançado por Sarri no Empoli) e o contratado Davide Santon, que serve ambos os lados . Um meio-campo com Allan a servir de tampão defensivo, Jorginho a iniciar as transições e o maestro e capitão Hamsik a dar criatividade ao jogo napolitano. No ataque, a rapidez e qualidade técnica são atributos que todos os extremos possuem, de Callejón a Insigne, passando por Mertens. Milik será o pilar incumbido da finalização.

Os napolitanos transformam uma situação defensiva num ataque mortífero, de uma forma como poucas equipas o fazem no mundo. A verticalidade do contra-ataque é um dos pontos fortes deste Nápoles. Cada jogador sabe perfeitamente a sua função e o local onde tem que aparecer para o processo não sofrer retrocessos. De igual forma, as trocas de bola em apoio (essencialmente protagonizadas nas linhas por laterais, médios interiores e extremos), como que adormecem o adversário, permitindo, de seguida, chegar à linha de fundo e efetuar cruzamentos para o golpe final, do ponta-de-lança, dos médios vindos de trás ou do extremo do lado contrário.

Um dos adeptos mais conhecidos do Nápoles disse por estes dias que “jogadores vêm e vão, mas os adeptos nas bancadas, com as suas camisolas azuis como céu, estarão ali para sempre”. Higuaín faria falta a qualquer equipa do mundo, mas o Nápoles está bem vivo e o comandante Sarri conseguirá, juntamente com os que ficaram, fazer esquecer o argentino com o futebol apaixonante de uma equipa. A cidade vai estar lá em todas as horas a apoiar, pois a grande força do Nápoles está no todo e não na individualidade.

Foto de Capa: SSC Napoli

Rio’2016: Dia 2

bola-na-rede-bnr-olimpico

Rescaldo dia 6:

O primeiro português a acabar a sua prova no dia inaugural do Rio’2016 foi Alexis Santos. O nadador do Sporting CP nadou os 400M Estilos em 4:15,84 e bateu o recorde nacional. Apesar deste excelente resultado não deu para atingir a final, mas ficou entre os 16 primeiros cumprindo o seu objetivo. Na mesma prova mas em femininos Victoria Kaminskaya fez 4:46,03 e ficou em 28º, falhando a final e o seu objetivo de bater o recorde nacional.

No Tiro João Costa ficou em 11º e falhou a final. Com 578 pontos o português ficou a apenas dois pontos da final, mas não deixa de ser um resultado algo negativo depois do sétimo lugar alcançado em Londes’2012. Dia 10 volta a estar em prova.

No Ciclismo Rui Costa foi o melhor português ao terminar em 10º após alguns problemas com a bicicleta. Um resultado melhor que Londres mas que deixa algum sabor amargo, apesar de não ser negativo. André Cardoso foi 36º, José Mendes foi 53º e Nelson Oliveira teve menos sorte e desistiu após queda.

Gastão brilhou no Rio Fonte: COP
Gastão brilhou no Rio
Fonte: COP

No Ténis aconteceu história, Gastão Elias venceu o primeiro jogo de sempre de um português nos Jogos Olímpicos ao derrotar o australiano Thanasi Kokkinakis por 2-0 (7/6, 7/6). Com este resultado joga a segunda ronda na segunda ou terça feira.

No Ténis de Mesa Shao Jieni entrou mal e perdeu o primeiro set por 4-11. No segundo parecia encaminhada para a vitória mas acabou a perder 9-11, resultado igual no terceiro set e no quarto set (6-11) foi apenas o confirmar da derrota por 0-4, resultado algo inesperado.

Agenda dia 7:

Ténis de Mesa: Fu Yu vs Nanthana Komwong

Singulares Femininos – Segunda Ronda Hora: 13h00

Marcos Freitas vs Ovidiu Ionescu

Singulares Masculinos – Terceira Ronda Hora: 01h00

Freitas está nos seus terceiros Jogos Olímpicos Fonte: Marcos Freitas
Freitas está nos seus terceiros Jogos Olímpicos
Fonte: Marcos Freitas

Judo: Joana Ramos

-52 Kg – Eliminatórias Hora: 14h

Sergiu Oleinic

-66 Kg – Eliminatórias Hora: 14h

Ténis: João Sousa vs Robin Haase

Primeira Ronda Hora: 16h30

Comentário de Miguel Dias, colaborador BnR para Ténis:

[blockquote style=”1″]O tenista português João Sousa teve um sorteio difícil nestes Jogos Olímpicos. Na ronda inaugural defronta Robin Haase, um tenista com experiência e que ocupa um lugar dentro do top70. Ainda assim, João Sousa preparou bem estes Jogos Olímpicos e fez tudo para chegar na melhor forma possível ao Rio de Janeiro. João Sousa parte assim como favorito, e tem a responsabilidade de vencer a primeira ronda para defrontar o n1 do mundo Novak Djokovic.[/blockquote]

João Sousa e Gastão Elias vs Andrej Martin e Igor Zelenay

Pares – Primeira Ronda Hora: 23h30

Canoagem: José Carvalho

Slalom C1 – Eliminatórias Hora: 17h47

Futebol: Portugal vs Honduras

Fase de Grupos Hora: 19h

Ginástica: Filipa Martins

Artística Inidividual – Qualificação: Sub-Divisão 5 Hora: 00h30

Imagem de capa: Alexis Santos

 

Festa da Taça… «Version 2.0Super!», ou Supertaça Portuguesa

Cabeçalho Futebol Nacional

É em versão super que se quer começar a época. Para qualquer clube, um bom início é sempre importante para encarar o futuro. Sendo assim, vamos calçar chuteiras e luvas que a segunda parte da festa vai começar! Na temporada anterior, o Braga conquistou a Taça de Portugal derrotando o FC Porto nas grandes penalidades. Jogo de boas recordações, mas que agora já necessita de um «upgrade». Esta nova versão lançada para o mercado recentemente, apelidada de «Version 2.0Super!», ou Supertaça Portuguesa, faz parte do rol de competições internas, destacando-se por ser uma das provas com uma das histórias mais curtas. Data dos anos 70/80 a sua criação.

Somente se exclui a Taça da Liga deste ramalhete de oferta competitiva. Esta última é ainda um embrião em claro desenvolvimento. Mas, já que ainda está por aí, não perca a fantástica oportunidade de levar consigo uma outra informação útil. Com a excepção dos denominados três grandes, só Boavista e V. Guimarães ganharam este troféu. Os primeiros com três vitórias e os segundos e históricos rivais dos braguistas por uma vez. Posto isto, parece ser uma boa altura para o Braga escrever o seu nome neste troféu.

O bilhete foi reservado logo que o jogo da final da Taça de Portugal terminou, e os Guerreiros do Minho começam este novo ano inscritos numa prova que já por eles foi disputada mas que ainda não foi conquistada. Sabendo que o adversário não será fácil, de acordo com o seu historial e as boas exibições que tem feito nesta pré-época, vamos acreditar e entrar para ganhar. Afinal, num ano em que em todas as modalidades o Braga fez bons e estupendos desempenhos, só falta mesmo no dia 7 fechar um ano em beleza, conquistando a Taça dos vencedores.

Rafa Silva continua a treinar no SC Braga Fonte: SC Braga
Rafa Silva continua a treinar no SC Braga
Fonte: SC Braga

Neste momento o leitor perguntar-se-á se esta prova é de início ou fim de época… Pois… Acaba por ser um pouco dos dois. De fim de época, pois qualifica os vencedores das provas da época anterior. De início, pois está marcada para o começo do novo ano futebolístico… Como as dúvidas são maiores que as respostas, vamos esquecer a pergunta do senhor da idade dos porquês e reflectir um pouquinho sobre este troféu.

Permitam-me algumas considerações pessoais. Não tem a mesma importância que qualquer outra prova interna. Não. Nem os mesmos apoios. Não. Por isso eu distingo esta Taça em particular como um troféu e não propriamente como um título. É disputada pelos vencedores das provas internas mais emblemáticas deste país, não sendo necessário percorrer qualquer caminho para ser disputada. Esse trajecto é efectuado antes, durante o Campeonato e a Taça de Portugal, ou seja, é «a priori» um jogo de vencedores. Sendo assim, que ganhe o melhor. O Braga, entenda-se.

Foto de Capa: SC Braga

Rio’2016: Dia 1

bola-na-rede-bnr-olimpico

O Rio’2016 está oficialmente aberto e Portugal no primeiro dia oficial tem já nove atletas a competir em cinco modalidades diferentes, fica a conhecer os seus horários de seguida:

Ciclismo: André Cardoso, José Mendes, Nelson Oliveira e Rui Costa

Comentário de Nuno Raimundo, redator de Ciclismo BnR:

[blockquote style=”1″] Iremos ter Rui Costa como líder de uma equipa que conta com André Cardoso, José Mendes, Nelson Oliveira. Uma equipa menor ,em comparação com outras, com boa qualidade e o campeão do mundo em 2013 tem um perfil interessante para poder tentar chegar às medalhas. É dos ciclistas que tem melhor leitura de corrida e se apanhar as rodas dos adversários certos poderá dar (mais) uma alegria a Portugal. Se chegar com um grupo pequeno à última subida, também é possível que tente atacar bem ao seu estilo. De qualquer das formas, a concorrência é forte e um resultado no top’8 (garantindo um diploma) já seria um bom resultado.[/blockquote]

Hora: 13h30  

Rui Costa pode dar a primeira medalha dos Rio'2016 Fonte: Rui Costa
Rui Costa pode dar a primeira medalha dos Rio’2016
Fonte: Rui Costa

Ténis: Gastão Elias vs Thanasi Kokkinakis

Primeira Ronda

Hora: 18h

Natação: Alexis Santos

400m Estilos – Eliminatórias Hora: 17h02

Victoria Kaminskaya

400m Estilos – Eliminatórias Hora: 18h14

Kaminskaya estreia-se nos Jogos aos 20 Fonte: COP
Kaminskaya estreia-se nos Jogos aos 20
Fonte: COP

Tiro: João Costa

PAC 10m – Qualificação Hora: 17h00

Ténis de Mesa: Shao Jieni vs Lily Zhang

Singulares Femininos – Segunda Ronda Hora: 0h30

Nota: Para os nossos leitores açorianos é preciso retirar uma hora

Imagem de capa: COP

Portugal 2-0 Argentina: A força da meia distância

Cabeçalho Seleção Nacional

A FIGURA

Fonte: Seleções de Portugal
Fonte: Seleções de Portugal

Gonçalo Paciência – O golo que marcou foi o corolário de uma exibição com muito sacrifício e esforço do avançado português. Lutou com os centrais, derivou para os flancos para abrir espaços a outros colegas na frente e segurou a bola em momentos onde a equipa estava mais aflita na defesa. Aos 66 minutos, inspirou-se e disparou de pé esquerdo, de fora da área, para as redes de Rulli. Excelente prestação do 9 português, que vai procurar na próxima época ter mais sucesso do que o obtido na época transata, ao serviço da Académica.

Bestiais e Bestas

0

sporting cp cabeçalho 1

Ainda há uns meses atrás tínhamos uma equipa que jogava um excelente futebol, talvez o melhor praticado no último campeonato, que muitos elogiavam, e os outros não o faziam por puro estrabismo clubístico.

Mas remetendo-me unicamente aos sportinguistas, que são os que realmente interessam aqui, tenho de mostrar-me incomodado. É que uma equipa que muitos declaravam, de longe, a melhor equipa, com os melhores jogadores ou um treinador que todos reconhecem (não falemos de atitudes de personalidade, ou gostos pessoais), passou a ser uma equipa de segundas linhas, que precisa de reforçar-se em todos os sectores.

Vejo, todos os dias, e após um jogo de pré-época menos bom, reclamarem reforços de qualidade, as “trutas” de que todos falam. Mas para esses, e como o próprio treinador já disse, custam muito, e ganham ainda mais. Mesmo que uma dessas “trutas” viesse a custo zero (que nunca vem), arruinar-nos-ia com o seu astronómico ordenado.

Dentro de portas à soluções que permitem encarar o futuro com optimismo  Fonte: Sporting CP
Dentro de portas à soluções que permitem encarar o futuro com optimismo
Fonte: Sporting CP

Considero que temos excelentes “primeiras linhas” para formar uma excelente equipa que possa fazer um excelente trabalho e melhorar o já apresentado. Precisamos é de jogadores que possam suprimir a falta de alguma dessas primeiras escolhas. E nesse aspecto não me parece que estejamos assim tão desesperados no que toca a reforços.

Não sei se os vamos ter, até porque depende também de gostos pessoais e da estratégia do treinador, mas, na minha perspectiva, não precisamos. Temos uma equipa bem implementada, e temos, como sua “guarda de honra”, alguns excelentes jovens jogadores a lutar por um lugar. Mas para terem essa chance precisam disso mesmo, de lutar, de se esforçar, porque também assim poderão crescer.

Sim, (ainda) podemos

bola-na-rede-bnr-olimpico

A preparação para os Jogos Olímpicos arrancou há muito tempo, mas tomou forma palpável em Março último, quando os sub-23 portugueses enfrentaram a congénere mexicana. Nesse encontro ficou demonstrada a qualidade do grupo escolhido por Rui Jorge, assente num entrosamento tão harmónico que fazia esquecer quaisquer individualidades. O resultado (4-0) e a exibição foram de luxo. O sonho de uma medalha parecia real.

Quatro meses depois, e com apenas um encontro de preparação disputado, tudo mudou. Muitos clubes podem ter achado piada ao jogo contra o México, mas não mais que isso. Reduzir as possibilidades de Portugal conquistar uma medalha histórica nos Jogos Olímpicos era um mal necessário perante o risco de ver um dos seus miúdos lesionar-se. Perante esta inflexibilidade, sobraram seis dos 19 jogadores que dizimaram o campeão olímpico.

Entraram nomes que não são muito conhecidos do público em geral, outros que até são mas que entram no lote por ainda não terem encontrado colocação… Entre outros. Uma mescla que deverá ter impacto na harmonia do futebol praticado. Um grupo de individualidades, uma gerigonça entre aquilo que sobrou da permissividade dos clubes e da insistência do seleccionador, que teve margem para o fazer (Salvador Agra, Nacional).

A seleção olímpica  Fonte: Seleções de Portugal
A selecção olímpica
Fonte: Seleções de Portugal

Mas aquilo que restou pode, até, surpreender. Existe vontade e querer. As sucessivas críticas ao facto de estes não serem os 18 melhores possíveis servirá de motivação. A eles e a quem os comanda, que poderá alegar (muito subtilmente, claro está), com uma medalha ao pescoço, que fez omeletes sem ovos. E pode fazer subir, ainda mais, a sua cotação no índice de treinadores nacionais com valor.

Passar a fase de grupos perante um grupo composto por Honduras, Argélia e uma Argentina que, apesar de ter grande tradição na competição, colocou a hipótese de não estar presente e não leva grandes nomes ao Brasil está ao alcance da qualidade dos jogadores lusos. Depois disso, ficará mais complicado, porque o grupo de Portugal se cruza com o da Alemanha e o do México (as outras selecções são Fiji e Coreia do Sul). A primeira selecção tem soluções de sobra para ter “reservas” de qualidade; a segunda é a campeã olímpica e, apesar de ter sido dominada por Portugal há uns meses atrás, os jogadores não são os mesmos e a aposta nos Jogos costuma ser forte. Caso se resista aos quartos, porém, tudo será possível, a não ser que se apanhe… O Brasil, equipa com muita qualidade e que vê nestes jogos uma oportunidade única para vencer um título há tanto tempo procurado.

O quadro não é favorável à história, mas há que ter esperança. Afinal, há três semanas atrás estávamos a celebrar o título de campeão da Europa com uma equipa à qual muitos sentenciavam um fim próximo logo na fase de grupos. Há qualidade para isso, apesar de tudo.

A defesa manteve-se, com a versatilidade e a inteligência de Ricardo Esgaio, e as dinâmicas já estabelecidas entre Tobias Figueiredo e Tiago Illori. Edgar Ié também transita dos sub-21 e sabe aquilo de que o treinador precisa, pelo que a nível defensivo a equipa não se ressentirá muito. E ainda há o miúdo Paulo Henrique, para as sobras (pode actuar na esquerda ou no centro da defesa).

Vai ser assim o equipamento no Rio'2016 Fonte: Seleções de Portugal
Vai ser assim o equipamento no Rio’2016
Fonte: Seleções de Portugal

No meio-campo, continua Chico Ramos, um médio com visão 360.º e uma qualidade de passe impressionante, a quem se juntam companheiros que o conhecem desde os escalões de formação do FC Porto – o aguerrido líder Tomás Podstawski e Sérgio Oliveira, que dispensa apresentações. Mantendo este meio-campo, conseguir-se-ia dar uma dinâmica e um entrosamento interessante, sobretudo se a ele se juntar Bruno Fernandes, com grande capacidade técnica e que também conhece os caprichos tácticos de Rui Jorge. André Martins e Tiago Silva também são jogadores capazes, com vocação ofensiva e qualidade técnica, e terão nos Olímpicos uma “montra” interessante, sobretudo o ex-jogador do Sporting, actualmente sem clube.

Na frente será uma incógnita o que Mané, Paciência, e Agra poderão fazer. Os dois primeiros estão habituados à orientação do seleccionador olímpico, mas poderão não chegar nas melhores condições anímicas, enquanto que o atacante do Nacional tem na velocidade e na finalização a principal arma, mas falta saber se conseguirá dar objectividade ao seu jogo. Há ainda Sturgeon e Pité, alternativas viáveis ao melhor jogo de Mané ou Agra, nas alas: Sturgeon pelo traquejo de selecção, Pité pela capacidade técnica.

Esta selecção não é tão má como se tem feito parecer. Podia ser melhor? Claramente, e Rui Jorge, faça o que fizer, tem uma discussão ganha frente à Federação Portuguesa de Futebol e clubes (pela intransigência). Mas pode haver esperança. Porque não há pressão e há 18 pares de luvas brancas prontas para se erguer em direcção aos críticos.

Foto de Capa: Seleções de Portugal

Volta a Portugal 2016: A fuga de Vinhas

0

Cabeçalho modalidadesTem sido uma Volta a Portugal interessante, onde o ponto alto, como esperado, até agora, foi mesmo na etapa que terminou no alto da Senhora da Graça. Gustavo Veloso mostrou que está realmente num nível à parte, por enquanto, e venceu uma das etapas mais importantes da prova portuguesa.

Mas quem está ainda de amarelo é o seu colega de equipa Rui Vinhas, que, devido a uma fuga bem-sucedida e a algum desleixo do pelotão, conseguiu ficar com mais de três minutos de vantagem para todos os mais diretos adversários. Outro dos destaques tem sido Vicente de Mateos: o ciclista que já tem no seu historial da prova uma expulsão em tido boas razões para estar muito mais feliz nesta edição – já venceu uma etapa e terminou todas as etapas, até agora, no Top10, inclusive na subida ao alto da Senhora da Graça.

Como tem sido hábito, tudo começou por um prólogo. Gustavo Veloso e Alejandro Marque, dois dos principais favoritos, tiveram alguns problemas e nem no Top10 terminaram. Joni Brandão e Rinaldo Nocentini, pelo contrário, estiveram nos dez melhores e começaram da melhor forma esta Volta. No pódio da etapa ficaram José Gonçalves, o próprio Joni e o vencedor da etapa, o especialista em contrarrelógio Rafael Reis, que dava aqui a primeira vitória à equipa da W52-FC Porto.

A primeira etapa, como previsto, iria terminar no sprint, apesar de as dificuldades ao pé do final, com duas subidas, terem tirado alguns ciclistas da disputa pela vitória. Com um grande trabalho de Filipe Cardoso, da Efapel, o seu companheiro de equipa Daniel Mestre mostrou que é capaz de vencer ciclistas teoricamente mais rápidos do que ele, como Davide Vigano (2.º) ou Samuel Caldeira (4.º). José Gonçalves também tentou e voltou a ficar com o terceiro lugar da etapa. A camisola amarela foi, então, para o vencedor da etapa, visto que Rafael Reis trabalhou bastante para a sua equipa e não conseguiu aguentar as tais subidas que referi.

Daniel foi um verdadeiro “Mestre” nesta discussão ao sprint  Fonte: Volta a Portugal
Daniel foi um verdadeiro “Mestre” nesta discussão ao sprint
Fonte: Volta a Portugal

Na segunda etapa, depois da passagem inédita pelo Salto da Pedra Sentada, local de passagem bem conhecido no Rali de Portugal, vimos uma batalha interessante pela vitória entre alguns sprinters e puncheurs. Quando um excelente ataque de José Gonçalves (aqueles ataques típicos do ciclista da Caja Rural) quase fazia prever que fosse o português a vencer, Vicente de Mateos consegue persegui-lo e dar-lhe “luta” pela vitória.

Quem aproveitou esta situação foi Francesco Gavazzi. O bem conhecido italiano (dos ciclistas mais conhecidos em prova para quem também acompanha o ciclismo internacional – este ano já esteve, por exemplo, no Tirreno Adriático e, no ano passado, no Giro d’Itália) veio de trás de ambos e sprintou para a vitória, a primeira para ciclistas estrangeiros e equipas estrangeiras nesta edição, a Androni, neste caso. Vigano chegou em quarto lugar e Veloso voltou a sprintar com os homens mais rápidos do pelotão. Além disso, Daniel Mestre continuava de amarelo.

Obrigado “Mestre” Mário Moniz Pereira

sporting cp cabeçalho 1

 

mes·tre
(latim magister, -tri, o que comanda ou dirige, chefe, professor)

substantivo masculino

1. Pessoa que ensina. = DOCENTE, PROFESSOR

2. Indivíduo que exerce um ofício por sua conta, ou que trabalha sem indicações técnicas de outrem.

3. Aquele que dirige uma oficina.

4. Artista (pintor ou escultor) de grande mérito.

5. Pessoa que domina muito bem uma profissão, uma arte, uma actividade.

6. Iniciador de uma escola literária.

7. Superior de ordem militar.

8. Tudo o que pode servir de ensinamento (sendo geralmente do género masculino).

“mestre”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

 

Existem pessoas que marcam a página da história de um país… Depois existem outras que estão no livro inteiro da história (do desporto) de um país!

Portugal, esse paraíso à beira-mar plantado, tem um ligeiro complexo de inferioridade perante as “grandes” potências mundiais do desporto e não só…

No último Europeu de futebol, poucos acreditavam verdadeiramente na seleção e nas palavras do Engenheiro Fernando Santos quando disse que só regressava a Portugal dia 11 e para celebrar a vitória…

Esse papel que o Engenheiro desempenhou neste Europeu o Professor Moniz Pereira desempenhou durante toda uma vida, influenciando gerações e gerações de atletas de diferentes modalidades, de diferentes clubes e de diferentes nacionalidades.

O “Mestre” Mário Moniz Pereira ladeado pelos seus maiores atletas. Ambos vencedores mas que tinham uma força mental completamente oposta – Carlos Lopes e Fernando Mamede Fonte: Expresso
O “Mestre” Mário Moniz Pereira ladeado pelos seus maiores atletas. Ambos vencedores, tinham uma força mental completamente oposta – Carlos Lopes e Fernando Mamede
Fonte: Expresso

Mário Moniz Pereira acreditava que Portugal tinha atletas tão bons como os restantes e só precisava de que acreditassem no seu próprio valor e os resultados/medalhas iriam surgir. E assim foi. Em 1984 Portugal conquistava o primeiro ouro Olímpico por intermédio de Carlos Lopes em Los Angeles. O “Professor” era o seu treinador… E pela primeira vez mostrava a Portugal que não havia impossíveis. “A Portuguesa” pode e deve ser tocada mais vezes nos Jogos Olímpicos (e não só), e para isso basta acreditar! No entanto, foi necessário esperar 39 anos enquanto treinador para cumprir o feito que já prevera antes…

Futebol Olímpico: a imprevisibilidade dos medalhados

bola-na-rede-bnr-olimpico

O Futebol foi a segunda modalidade coletiva a fazer parte dos Jogos Olímpicos (JO), apenas atrás do Pólo Aquático. Entrou oficialmente nos quadros competitivos desta competição em 1908, na cidade de Londres, com a Grã-Bretanha a sagrar-se a primeira campeã olímpica da modalidade. Durante um longo período, entre a década de 30 e a década de 80, os JO contavam apenas com a participação de seleções amadoras, ou seja, não contavam com jogadores profissionais. Foi apenas nos JO de Los Angeles, em 1984, que o Comité Olímpico Internacional admitiu a disputa da competição por jogadores profissionalizados.

A partir dos JO de 1992, em Barcelona, o novo formato foi adotado e determinou-se que os mesmos seriam disputados por jogadores até aos 23 anos, possibilitando-se a inscrição de três jogadores acima desta idade.

Até ao momento, já vimos 16 países diferentes vencedores da medalha de ouro no Futebol: doze seleções do continente europeu, quatro do continente americano, e duas do continente africano. As seleções mais medalhadas até ao momento são: a da Hungria (cinco), a do Brasil (cinco), as das extintas União Soviética e Jugoslávia (ambas com cinco), e a da Argentina (quatro). Por todas estas razões, percebemos que esta é sem dúvida a competição futebolística mais imprevisível do mundo no que concerne a titulados, já que 33 seleções em 23 edições de Futebol nos JO realizados até hoje foram coroadas com o Ouro, a Prata e o Bronze.

A título de curiosidade, o país organizador dos JO do Rio’2016 nunca venceu a competição. O máximo que o Brasil, maior vencedor de títulos mundiais por seleções, conseguiu foi vencer três medalhas de prata e duas de bronze. Esteve perto em 2012, mas perdeu em Londres (2-1) frente ao México, com dois golos do inevitável Oribe Peralta. Será que o Brasil se estreará com a medalha de ouro no mesmo momento em que se estreia na organização dos JO?!

Numa breve análise apresentamos os grupos desta edição do Rio’2016:

Grupo A: Brasil, África do Sul, Iraque e Dinamarca

Neymar quer dar o ouro olímpico ao seu país
Neymar quer dar o ouro olímpico ao seu país
Fonte: Globo

O anfitrião Brasil é declaradamente a equipa mais forte do grupo e, obviamente, um dos mais sérios candidatos ao título de campeão olímpico. No seu elenco, conta com o experiente médio-centro Renato Augusto (28), ex-Corinthians. Além de que conta com Neymar Jr. (24) e Rafinha Alcântara (23), do Barcelona, com o defesa Marquinhos (22), do PSG, com Felipe Anderson (23), da Lazio, e ainda com os jovens já experientes do Brasileirão Douglas Santos (22), do Atl. Mineiro, Rodrigo Caio (22), do São Paulo e Wallace (21), do Grémio. Para finalizar terá na frente de ataque, junto a Neymar, duas das maiores promessas do futebol Brasileiro da atualidade: Gabriel Jesus (19), do Palmeiras – melhor goleador do Brasileirão –, e o já famoso “Gabigol” – Gabriel Barbosa (19), talentoso jogador do Santos. Portanto, um elenco de luxo com potencial para vencer os JO. Espera-se que as inúmeras fragilidades da CBF não influenciem negativamente, também, esta seleção olímpica, como tem acontecido com a seleção principal.

Relativamente à Africa do Sul, importa referir que esta é apenas a segunda participação da seleção nos JO – a primeira foi em Sidney (2000). A seleção optou por chamar apenas um jogador com mais de 23 anos e nenhum dos “craques-estrangeiros” da seleção principal. Acredito que vieram para desfrutar da experiência olímpica!

O Iraque é uma seleção a ter em conta no apuramento para a próxima fase, já que conta com três jogadores internacionalmente experientes a jogar pela seleção principal: o atacante Hammadi Ahmad (28), o médio Saad Abdul-Amir (24), e o defesa Ahmad Ibrahim (24). Além disso têm os jovens defesas Dhurgham Ismail (22), a jogar na turquia, e Ali Adnan (22), da Udinese de Itália. Todos estes jogadores têm mais de 30, e alguns mais de 50, internacionalizações pela seleção principal. Ainda os jovens Ali Faez (21) e Ali Hosni (22), que jogam na Turquia, e o Sherko Kareen (20), do Grasshoppers da Suíça, terão certamente um contributo positivo na campanha da seleção Iraquiana.

A Dinamarca vem para estes JO com as ambições altas, creio. Não tanto pelo elenco, mas mais porque ficou de fora dos últimos Mundial (2014) e Europeu (2016), levando a considerar que possa estar a passar por uma fase de reformulação nacional no futebol. Uma boa prova nestes JO faria aumentar a expectativa otimista sobre o futuro do futebol e daria seguimento à boa campanha do Euro Sub21 de 2015, onde atingiram as meias-finais da competição. No entanto, uma parte das figuras que compuseram esta seleção de 2015 não estará presente nos JO. É o caso de: Scholz (23, Standard), Vestergaard (23, Werder Bremen), Andreas Christensen (20, Chelsea) e a ex-estrela do Ajax Viktor Fischer (22, Middlesbrough). Ainda assim, desse elenco, poder-se-á contar com Uffe Bech (23, do Hannover 96), Yurary Poulsen (22, do Leipzig) e Lasse Christensen (21, do Fulham). Os jogadores experientes serão Lasse Vibe (29, Brentford), Edi Gomes (27, jogando na China), Kasper Larsen (23, Groningen) e Brock-Madsen (23, Birmingham). Um elenco interessante, que estará na luta com o Iraque!