📲 Segue o Bola na Rede nos canais oficiais:
Início Site Página 9833

O Passado Também Chuta: Fernando Cruz

o passado tambem chuta

O Benfica da década dos 60 do século passado era composto por jogadores que entranhavam no coração dos adeptos. Os simpatizantes e sócios viam-nos aparecer e crescer, levados pela mão de Valdevieso, na “Ilha de Madeira” que ficava à sombra do Estádio José Alvalade. Era uma mina de talentos. Fazer uma lista significa esquecer-se de muitos e a memória daquele ninho de grandes jogadores não merece essa afronta. Sendo catraio vi desfilar naquele campo pelado jogadores que alimentaram não só o Benfica; nutriram o futebol de elite Português. Muitos daqueles garotos chegaram a internacionais mesmo não tendo podido vincar na primeira equipa do Benfica. Estou a lembrar-me do Mendes; do Guerreiro; do Arcanjo e de tantos outros que a tecla não os desce da memória. O Benfica era o Eusébio e Cia, mas, além da companhia notável que hoje estariam todos nas melhores equipas europeias, o Benfica era uma escola de futebol incomparável.

Chegado do Bairro da Liberdade apareceu aos dezasseis anos Fernando Cruz. Perto dos vinte anos estava às ordens do Bella Gutman. Pertencia por garra e talento à primeira equipa e viveu a Lenda da melhor equipa portuguesa de sempre desde o primeiro pontapé. Foi dos Magriços que entravam em todas as convocatórias ainda que o grande Hilário tivesse o crachá de titular. Mesmo assim e numa época onde não se somavam seleções como palitos, alinhou como titular pela Seleção Portuguesa onze vezes. Recordemos que um craque como o Germano não ultrapassou as vinte e quatro participações na seleção. Fernando Cruz, como os grandes que conheceram o futebol de rua e que mamou na escola benfiquista sabia jogar e foi titular no Benfica como médio-defensivo e como defesa-esquerdo.

Era um jogador técnico; sabia como se levava a bola nos pés; soube evolucionar as funções e criar espaços mais abrangentes e foi as costas; a retaguarda doutro mito incomparável tanto da formação benfiquista como daquela equipa irrepetível: António Simões. Estes tipos de jogadores não só eram queridos; eram mimados por todos porque eram conhecidos desde o berço da “Ilha da Madeira”. Aquele Benfica tinha o coração do tamanho do mundo, por isso, a gritaria entranhável que se dava no velho Estádio da Luz deu origem ao mito do Inferno da Luz.

Fernando Cruz com a camisola do Benfica Fonte: pesmitidelcalcio.com
Fernando Cruz com a camisola do Benfica
Fonte: pesmitidelcalcio.com

Morou durante onze épocas no Estádio da Luz e disfrutou com a camisola do Benfica colada ao corpo. Disputou cinco finais europeias (só o José Augusto e o Coluna o igualam.). É um bicampeão de Europa. Durante os onze anos ganhou sete campeonatos nacionais; três taças de Portugal e uma infinidade de troféus de Verão. O Benfica era reclamado e muito respeitado. Numa das homenagens que recebeu o Eusébio chamou a atenção para a sua qualidade técnica. E era, durante o jogo, muito racional. E sabia dar o toque “malandro” quando necessário. O seu espaço estava guardado e seguro.

Depois de abandonar o Benfica ainda jogou no Paris Saint-Germain. Dias passados, quando contemplei uma fotografia do Fernando Cruz ao lado do Simões, do Hilário, do José Augusto e de familiares de alguns Magriços no Estádio da Luz, voei ao passado e revivi aquele Estádio a sonhar e atronar.

Adeus, professor

Cabeçalho modalidadesTriste, muito triste, com a morte do Professor Mário Moniz Pereira. É um momento que tinha de estar próximo; afinal, já eram 95 anos. Mas nunca estamos preparados para estes momentos, a verdade é esta.

O Sr. Atletismo, como também lhe chamavam, é o grande nome do Atletismo nacional e mesmo um dos grandes nomes do Atletismo mundial. Foi atleta e treinador de Atletismo, mas também de Voleibol, e em ambas com muito sucesso, chegando a campeão nacional como atleta em ambas as modalidades. Além disto praticou Andebol, Futebol, Hóquei em Patins, Basquetebol, Ginástica e Ténis de Mesa. Como treinador também foi campeão de Voleibol e de Atletismo.

Em 1945 disse que ia formar um campeão olímpico português e foi logo apelidado de maluco, porque tal seria impossível para um português. Esta é a típica lógica do português derrotista, que se mantém até hoje. Há cerca de dois anos fiz um trabalho na universidade sobre Portugal nos Jogos Olímpicos e em que comparava o nosso país com a Hungria, um professor disse-me que não podíamos olhar para o topo: tínhamos de nos contentar com o que tínhamos. Esta é a principal dificuldade dos portugueses; pensam pequeno e criticam quem pensa maior. Mas o Professor Moniz Pereira não ouviu os críticos, e em 1984 Carlos Lopes deu-nos o primeiro de quatro ouros olímpicos que temos até agora.

O professor competiu até tarde Fonte: WikiSporting
O professor competiu até tarde
Fonte: WikiSporting

O seu maior mérito foi a forma como revolucionou o treino do Atletismo em Portugal, daí o nome Sr. Atletismo. Graças a ele muitos resultados até àquela altura impensáveis foram conseguidos por atletas portugueses. Foram muitos resultados de sucesso dos seus atletas, quer pelo país, quer pelo seu clube, em Europeus, Mundiais e Jogos Olímpicos, resultados estes que deixam todos os portugueses orgulhosos. As suas 12 participações (entre 1948 e 2012) em Jogos Olímpicos mostram a sua qualidade como treinador, apesar de nem todas terem sido nesta qualidade. Para mim, que como jornalista tenho o sonho de ir a uns Jogos Olímpicos em trabalho, ouvir que alguém foi a 12 causa sempre alguma inveja.

Morreu a 31 de julho de 2016 o maior nome do desporto português, um homem respeitado no mundo todo pelo seu trabalho no Atletismo. Que todas as homenagens sejam tomadas a favor deste senhor, a começar já no Rio de Janeiro; a ida para o Panteão Nacional é o mínimo que pode ser dado de recompensa ao professor.

Foto de Capa: Sporting Atletismo

Sejam todos Tottis

sporting cp cabeçalho 1

O mercado de transferências continua aberto e, para os lados de Alvalade, são lançados muitos rumores, muita gente opina, mas raramente fala quem realmente tem voto na matéria, ou seja, os principais intervenientes.

Ouvimos os empresários dos jogadores, ávidos de ganhar comissões, os comentadores, que mandam as suas postas de pescada conforme as cores que defendem, mesmo que não as declarem publicamente, e até os pais de alguns atletas vêm para a imprensa tentar forçar as negociações. Ora, raramente ouvimos os jogadores a falar (e que bem faria ao futebol ouvir os jogadores mais vezes e de forma mais aberta com os jornalistas…) e também não tem sido usual ouvir os dirigentes sobre o assunto. No que toca em particular ao Sporting, Bruno de Carvalho e Jorge Jesus têm alinhado sempre pelo mesmo diapasão: os jogadores são fundamentais para o projeto desportivo do clube e apenas propostas muito boas e concretas poderão colocar dúvidas em relação à continuidade dos principais pilares do conjunto verde e branco.

" O que eles disserem, aqui vale zero, o Sporting não contratou nenhum empresário, nem há discussão, não tem argumentos. Os empresários não mandam nos clubes." - Jorge Jesus Fonte: Sporting CP
” O que eles disserem, aqui vale zero; (…) os empresários não mandam nos clubes.” – Jorge Jesus
Fonte: Sporting CP

Como JJ disse depois do jogo com o Wolfsburgo, os empresários não mandam no Sporting. Podem mandar noutros clubes ou ter uma influência perigosa sobre eles, como o demonstram os “carrosseis dos 15 milhões”, os negócios dos clubes “barrigas de aluguer”, ou os estranhos negócios que levam a que, por exemplo, o Benfica venda a sua principal estrela por, alegadamente, 25 milhões de euros e pague, supostamente, 22 milhões por um avançado suplente ou o FC Porto compre 60% do passe de um avançado como Adrián López por 11 milhões de euros! Mas no Sporting não mandam e é por isso que João Mário, Slimani e demais estrelas continuam no clube. Não deixa de ser curioso notar que o Sporting não tem nenhum jogador agenciado por Jorge Mendes neste momento…

Eu Acredito

sporting cp cabeçalho 1

Prefiro sempre acreditar.  Quando uma revista de suposta reputação coloca o nosso treinador em décimo lugar da tabela Mundial eu acredito. Acredito com a mesma força com que ainda acreditava na última jornada em Braga. Outro exemplo: mesmo nas épocas em que, a meio do campeonato, já estávamos a vários pontos eu também acreditava. Um fanático acredita sempre: eis uma regra.

Há uns meses escrevi que ser Sportinguista, hoje, não é uma tarefa fácil, sendo, por isso, digna para muito poucos. Tenho um vizinho que gosta tanto do Balakov e do Acosta como da própria mulher. Quando me encontra no prédio, diz-me sempre que antigamente é que era. Repete sempre as mesmas demandas: a história do célebre golo que a estrela Búlgara marcou ao Benfica e, depois, a primeira época despercebida do Argentino, seguindo-se a história que se sabe na época do milénio. Nesse texto, há meses atrás, salientei também a sorte dos sportinguistas que, em plena constituição cerebral capaz de adquirir e registar, puderam guardar na memória o sabor de ter duas vitórias em dois campeonatos quase seguidos. Devo frisar que não trocava de lugar com o meu vizinho, servindo-me bem esta ansiedade que se redobra a cada época, sempre na certeza de que, mais tarde ou mais cedo, vou ver o sucessor do Iordanov a pedir licença ao Marquês de Pombal enquanto lhe mexe no pescoço.

Uma das eternas figuras no reino do Leão Fonte: Fórum SCP
Uma das eternas figuras no reino do Leão
Fonte: Fórum SCP

Isto é apenas uma forma de, chegando até aqui, voltar a escrever: eu acredito. Parece um slogan batido, uma expressão romântica, um prenúncio de epopeia. Mas é tudo aquilo que digo quando me pedem expectativas sobre aquilo que vai começar para o mês que vem. Eu acredito. E, se noutros anos a esperança era menos sustentada, este ano o argumentário é forte. Como se não bastasse ter a espinha dorsal da melhor equipa da Europa (para não doer tanto aos cépticos, vamos poupar a história da formação em geral), temos também o décimo melhor treinador do Mundo, que conseguiu esta proeza não sendo campeão. Imaginemos caso tivesse sido. Realçou a revista, como critérios, que Jorge Jesus fora capaz de bater recordes no Sporting, de atingir uma pontuação considerável e de ter sido preponderante na final afirmação de alguns dos melhores jogadores portugueses da actualidade. Aqui está um dos elementos que, sportinguistas, bem nos pode deixar com as costas quentes.

Gastão Elias em ascensão meteórica

0

Cabeçalho modalidadesAs últimas duas semanas foram fantásticas para o ténis português, e não graças aos resultados de João Sousa mas sim aos de Gastão Elias. O potencial do jogador nunca esteve em questão, mas até este ano nunca se tinha verdadeiramente materializado, por diversos motivos. Agora, porém, Elias é #64 do mundo e #62 no ranking anual, apenas a 150 pontos de João Sousa em 2016. O que há pouco tempo parecia impensável afigura-se agora bem possível: podemos ter um novo número 1 nacional até ao fim do ano.

Aliás, em Bastad Gastão Elias derrotou precisamente João Sousa nos quartos de final, por contundentes 6-2 6-2, antes de perder para Verdasco nas meias finais. Na semana seguinte, voltou a chegar às meias finais, em Umag, perdendo apenas para o eventual campeão Fognini, e derrotando o #20 mundial e especialista de terra batida Pablo Cuevas.

Estes resultados não vieram do nada; Elias já tinha ‘ameaçado’ Thiem, o actual #9 mundial, duas vezes esta temporada, ficando incrivelmente perto de o derrotar (teve até match points em Buenos Aires) por duas ocasiões. Realisticamente Gastão Elias nunca poderá vir a ser um jogador de top 10 mundial ou um concorrente para grandes títulos, mas está mais do que demonstrado que não lhe falta talento e qualidade para até possivelmente ultrapassar os feitos de João Sousa e elevar o ténis Português a um novo patamar. A questão é: terá agora finalmente a consistência e a mentalidade para o fazer?

Gastão Elias está em excelente forma Fonte: Gastão Elias
Gastão Elias está em excelente forma
Fonte: Gastão Elias

Com esta subida no ranking, Elias vai passar a jogar menos challengers e mais torneios ATP, e vai ter de começar a jogar muito mais em piso rápido do que aquilo a que está habituado (se bem que já tenha mostrado ser capaz de jogar bem nessas condições). Resta ver se está preparado para se estabelecer como pelo menos um jogador de top 50 regular.

Como prémio pela sua excelente época, Elias vai participar nos Jogos Olímpicos do Rio do Janeiro. Mas não passa disso: um prémio. Ganhar uma medalha não é um cenário minimamente realista infelizmente. O mais importante é conseguir algumas boas campanhas em torneios ATP, e até possivelmente em Masters e no US Open, para consolidar o que já é a melhor época da carreira de Gastão Elias e preparar fundações para um 2017 que pode ser ainda melhor.

Foto de Capa: Gastão Elias

Uma linguagem nossa

sl benfica cabeçalho 1

A definição da mesma palavra, o seu significado prático, independentemente do conteúdo descritivo previsto no dicionário, pode ser totalmente distinta tendo em conta o contexto social e cultural da sua aplicação – a prática fixa o significado real e, por vezes, uma reduzida distância geográfica é bastante para destrinçar grandes diferenças. As massas aceitam, de bom grado, essa definição, inconscientemente influenciadas, tanto pelo hábito de a ouvirem, da sua utilização corrente e generalizada, como pela visibilidade e notoriedade de quem a sistematicamente repete.

Para os benfiquistas, por exemplo, a definição futebolística da palavra “suplente” alterou-se radicalmente. Hoje em dia, ser “suplente” do Benfica – tal como “português” ou “jovem” ou “Éder” – é cabalmente diferente do que era há pouco mais de um ano: a sua abrangência aumentou; o seu conteúdo segregador e depreciativo perdeu-se. O jogador, possuindo as competências necessárias, demonstrando-as no campo, em treino e competição, pode sempre sonhar, nesta vida e não noutra, pode sempre tornar-se protagonista.

É algo facilmente verificável pela mão cheia de factos e feitos recentes, recordados, certamente sem esforço, pelas boas memórias (ou será antes pelas memórias de boa-fé?). Muitos daqueles que, anteriormente, sobreviviam no plantel, acossados por um estigma subtractivo, desvalorizados e passivos, já conquistaram o estatuto que as suas qualidades autorizaram; converteram-se mesmo indispensáveis na senda pelos objectivos colectivos.

Fonte: SL Benfica
Fonte: SL Benfica

Esta é a parte visível e prática do discurso de Rui Vitória, homem competente e inteligente (perto da relva e do microfone), capaz de abdicar, logo à partida e em definitivo, de (pre)conceitos antiquados e impróprios – deixou cair o perpetuamente injusto “eu” e introduziu o “nós”, tornando-o na base dum léxico colectivo. Quando alguém questiona a razão de se pagar 22 milhões por um “suplente”, esse alguém – que fala outra língua – falha o alvo; a pergunta, no preciso momento em que atravessa a estrada, perde por completo o seu sentido.

No Benfica, um “suplente” não é, necessariamente, somente um “suplente” – e para que se perceba melhor: porque pode, simplesmente, ser “titular”, amanhã ou depois. Porém, se realmente estiver, de momento, a “suplente”, convém que, ao entrar em campo, deixando de o ser na extensão primária do termo, acrescente algo, ao invés de subtrair, marcando, por exemplo, alguns golos decisivos, na Liga dos Campeões ou no campeonato – como, de resto, foi conseguido pelo avançado “suplente” Raul Jimenez, o que justifica, plena e conscientemente, o investimento agora em si efectuado. Para responder à tal pergunta, disponibilizando-me, com todo o prazer, para servir de intérprete, diria que neste Benfica um “suplente” pode ser comprado por 22 milhões porque, na verdade, um “suplente” neste Benfica pode valer aquilo que o seu trabalho definir (e, quem sabe, até ser vendido por 25).

Na génese deste texto, esteve o desafio de um colega do Bola na Rede para que opinasse sobre quem deveria ser titular no Benfica, neste início de época, nomeadamente, em algumas posições onde parecem existir ainda algumas incertezas. André Almeida ou Nelson Semedo? Grimaldo ou Eliseu? Sinceramente, por mim, tanto faz. No Benfica, vejo um plantel disponível, comprometido e competente, onde cada elemento é uma verdadeira opção – e não só virtual. Joga quem estiver melhor. O que importa, no final, é a vitória no jogo e na competição.

Foto de capa: SL Benfica

Que futuro para os ralis dos Açores?

Cabeçalho modalidadesNo passado fim de semana teve lugar mais uma prova do regional de ralis açoriano, apesar de mais parecer uma prova do campeonato de São Miguel, dado só ter pilotos desta ilha, o que levanta várias perguntas sobre o futuro dos ralis nos Açores.

A prova teve como principal factor de destaque o surgimento da Lagoa Stage, uma prova de demonstração que teve como objetivo testar tudo o que é necessário para a presença no próximo Rali dos Açores. Esta prova irá substituir a já tradicional especial citadina em Ponta Delgada, e depois do que vi não me convence muito.

Primeiro, parece-me ser menos espetacular, e é para isto que as pessoas se deslocam a este tipo de provas; depois, é muito mais difícil colocar ali a quantidade de pessoas que vai para a cidade de Ponta Delgada, a não ser que a organização esteja a pensar em colocar bancadas em quase toda a volta do espaço. Se assim não for corre o risco de ver a prova manchada por mau comportamento do público na procura de um lugar melhor para ver os carros.

Falando agora mais na prova em si e nos ralis dos Açores, temos de começar por dizer que, se na altura do Rali dos Açores comunicação sobre o Rali é o que menos falta, deste Rali quase não se ouviu falar; só mesmo os muito interessados no assunto sabiam que existiria prova este fim de semana.

Hugo Mesquita na Lagoa Stage
Hugo Mesquita na Lagoa Stage

Depois, como já escrevi, só estiveram presentes pilotos de São Miguel, num total de 17 carros que ainda antes da partida passaram a 16. Metade destes destes carros não tem homologação, o que mostra um parque automóvel muito velho e na sua maioria sem qualidade. Dois Fiestas R5 e um DS3 R3T foram os carros de última geração presentes, sendo que o piloto do DS3 já não compete e fez apenas uma participação. E depois dois Evo 9 e dois Saxo (em prova estava um terceiro já sem homologação), que são carros supostamente já sem homologação, mas a FPAK alargou o seu prazo em relação à FIA pois são muitos em Portugal.

A falta de apoios está a matar o que é talvez o Desporto Rei nos Açores: há cada vez menos carros nas estradas e mais velhos, apesar de terem aparecido os dois R5 nestes últimos dois anos. É pena não dar para alargar esta aposta, mesmo que com carros de categorias inferiores como a R2.

Como conclusão, os ralis dos Açores, em especial o regional dos Açores, andam a morrer, sendo poucos os pilotos que fazem todas as provas, e com máquinas velhas na sua maioria. Tendo tanta popularidade e gente nas estradas deveriam aparecer novos patrocinadores. Nisto a competição da Madeira está alguns anos à frente da dos Açores.

Paulo Bento: Uma passagem fugaz

0

Cabeçalho Liga Brasileira

E pronto: Paulo Bento despedido do Cruzeiro Esporte Clube depois de nem sequer ter estado oitenta dias ao serviço do clube de Minas Gerais. A Raposa está na zona de despromoção. Paira no ar o medo, a sofreguidão. Nunca antes na história dos azuis celestes a equipe de futebol jogou a segunda divisão. Lá, como cá, como quem diz, no brasil, como em Portugal, a culpa é de quem? Do treinador. Óbvio.

Paulo Bento caiu em desgraça. Noto isso na impaciência que os torcedores cruzeirenses por ora iam demonstrando. Alguns ainda estão com ele, clamando que o elenco é fraco e a direção mal organizada: chegam novos reforços para a Raposa num corrupio quase dia sim, dia não.

Peço desculpa, mas, neste momento, os treinadores portugueses são do melhor que há no mundo, ao nível do conhecimento do treino, dos métodos, etc, e digo isto sem qualquer tipo de nacionalismo.

Uma destas manhãs, num barbeiro – onde as ideias masculinas surgem com muita facilidade – falava com um camarada cruzeirenses e explicava-lhe que o Cruzeiro não iria tirar nenhum benefício na saída de Paulo Bento. Com a saída do técnico português, o que poderá melhorar? Os celestes irão para o terceiro treinador na época – Mano Menezes está confirmado; com o time na zona de despromoção e apenas com a Copa do Brasil para (realmente) poder disputar um título real e uma hipótese de chegar à Libertadores do ano vindouro.

Heracles 1-1 FC Arouca: Milagre de São Bracali

liga europa

AROUCA FC

Um resultado positivo para o Arouca FC na estreia na Liga Europa Fonte: Heracles
Um resultado positivo para o Arouca FC na estreia na Liga Europa
Fonte: Heracles

A entrada do emblema arouquense no Polman Stadio deve ter enchido a família Pinho de alegria, pelo projecto de vida ganhar asas e voar alto, rumo à elite do futebol. O Arouca está na Liga Europa, e a sua direcção tem uma fatia de leão num feito histórico do futebol português.

Talvez pelo simbolismo da ocasião, os 10 jogadores de campo da formação orientada por Lito Vidigal entraram  com algum nervosismo. O guarda-redes, porém, estava inspirado e evitou males maiores quando surgiu a primeira investida holandesa, logo aos 2 minutos.

Uma situação que não acalmou os jogadores, sem discernimento para assentar jogo e manter a bola em sua posse, deixando o adversário tomar conta do jogo fruto da enorme pressão ofensiva que foi inflingindo. Até ao intervalo, só Bracalli esteve à altura, evitando, com uma defesa espantosa, o golo do Hercales. O 0-0, no fim dos primeiros 45 minutos era lisonjeiro.

Na segunda parte, nada de novo. O Arouca voltou a mostrar-se demasiado passivo na hora de pegar no jogo e talvez por isso Lito Vidigal tenha retirado Artur para fazer entrar Nuno Valente, que trouxe acutilância ao ataque. Porém, três minutos depois da substituição… o golo do Heracles. Um golpe duro na estratégia de Lito e dos jogadores, que não se conseguiram compôr durante o choque, sobrevivendo apenas pelas mãos milagrosas do seu guarda-redes, que evitou quatro golos feitos e foi mantendo o Arouca na eliminatória.

A pouco e pouco a equipa foi aproveitando alguma quebra física do seu adversário para se estender no jogo, ainda que a construção não fosse consistente o suficiente para se fazer adivinhar um golo… porém, ele chegou. Gegé ganhou a linha, cruzou para a àrea, beneficiou de um desvio e a bola entrou na baliza do Heracles. Um golo que pareceu caído, aos trambolhões, do céu. Foi a oportunidade mais perigosa do Arouca, que valeu um empate precioso. Porém, é preciso mostrar muito mais agressividade na segunda mão. O piso sintético serve de atenuante, mas não justifica uma exibição apagadíssima dos comandados de Lito Vidigal.

Notas aos jogadores:

Bracali – 9

Gegé – 6

Jubal – 5

Hugo Basto – 4

Nelsinho – 5

Adilson – 5

Nuno Coelho – 5

Artur – 4

Zequinha – 5

Mateus – 5

Walter Gonzalez – 6

Nuno Valente – 6

André Santos – 5

Rafael Crivellaro – 5

Volta a Portugal 2016: Uma “Grandíssima” contra o tempo

0

Cabeçalho modalidades

Está de regresso a Volta a Portugal em bicicleta! O momento alto para o calendário do ciclismo nacional, pese embora a maior qualidade existente na Volta ao Algarve. Novamente, entre o Tour e a Vuelta, e a terminar já com os Jogos Olímpicos a decorrerem, eis que surge a “Grandíssima”. Desde o dia 27 de Julho ao dia 7 de Agosto poderemos acompanhar pelas estradas portuguesas mais uma prova que se preverá equilibrada entre os favoritos.

Em termos de percurso, ao contrário da disputa entre os principais candidatos, podemos considerar que é algo desequilibrado, principalmente tendo em conta os últimos anos. A Senhora da Graça será, novamente, o ponto alto da corrida e a chegada à Torre foi “transformada” em dois pontos de passagem numa das etapas. Além disto, são cerca de 36 kms que iremos ter de contrarrelógio nesta edição, o que é demasiado para um conjunto com muitos trepadores. São igualmente de destaque as poucas etapas para uma devida chegada em pelotão compacto.

Provavelmente será mesmo no CR que irá ser decidida esta Volta, o que é uma pena, porque teríamos espaço para bastante mais espetáculo nas médias e altas montanhas. Ainda assim, espero estar enganado, porque realmente é importante que possamos ter espetáculo do início ao fim e não uma prova onde um ciclista vença por ser um excelente contrarrelogista, e que depois saiba defender-se na montanha. Acho que isso poderá retirar um pouco do que esta prova tem para nos dar.