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10 Momentos de absoluta glória rossonera

Diogo Fresco · 6 min

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O AC Milan é um clube inserido no teto máximo da elite do futebol mundial. Isto, independentemente, do plantel corresponder a esse patamar ou não.

Os jogadores da atual equipa estão a léguas de muitos ícones que por lá passaram. Os adeptos mais distraídos tendem a esquecer o verdadeiro nível a que pertence o histórico italiano.

O seu passado não é um segmento contínuo recheado de êxitos, como os números o levam a crer. O Milan já passou por momentos maus e piores do que os de hoje. Mas a sua história conta que sempre existiu um reerguer. Quer por sua própria mão, quer por mão alheia. O que o clube representa permitira resgates, pois garante o retorno de qualquer investimento.

Desde orientação política, à paixão pelo triunfo, os adeptos fervorosos, à moda transalpina, concedem uma dimensão transcendente a esta instituição. Os próximos dez momentos de glória espelham uma percentagem do real significado do que é ser rossonero, que se vai desvanecendo à medida que o tempo passa…

 

10

Fonte: AC Milan

Fundação – A fundação do clube fica assinalada pela iniciativa dos britânicos Alfred Edward e Herbert Kilpin. A 13 de Dezembro de 1899 foi feita a fundação, a 16, celebrada oficialmente.

As cores do equipamento foram das primeiras decisões incontornáveis, pois concediam a imagem que queriam passar, em primeira instância, ao oponente. O vermelho, representa o fogo, no sentido da busca incessante do domínio sobre o adversário, o preto, por sua vez, o medo que a equipa oposto deverá sentir ao defrontar o AC Milan.

O primeiro passo de uma multinacional dos dias de hoje, mesmo que em 1908 tenha perdido uma facção de adeptos, curiosamente, com a criação de uma verdadeira multinacional, o FC Inter de Milão, este que surgiu devido ao confronto de duas ideias convergentes: o de incluir ou não atletas estrangeiros…

9

Fonte: AC Milan

Supostamente fora Champions – Derivado ao escândalo do “Calciopoli”, a deliberação inicial ditava o afastamento do Milan da prova máxima europeia. Porém, os tribunais da UEFA optaram por permitir a participação.

Ilegalidades à parte, talvez ilegal tivesse sido o afastamento desta equipa. Comandados por Carlo Ancelotti (que marcou, inegavelmente, um legado, quer como jogador quer como treinador), o seu desempenho foi condizente com os recursos humanos que compunham o plantel. Um futebol mais do que jogado, mas limado, pensado, desenhado por nada mais, nada menos, que Andrea Pirlo.

Um conjunto que contou com muito mais do que experiência com adição de talento. O mais talentoso, Kaká, por exemplo, já contava com uma vasta experiência internacional. De facto, um conjunto de setores, em que cada um deles cumpria a sua função com distinção. Não havia alunos naquela equipa, eram, se me for permitida a analogia, “professores catedráticos” e “professores estagiários”.

Assim sendo, foi fomentado um elemento estético fora do comum ao seu jogo. Este Milan foi exímio em induzir a ilusão ao espetador de que quem corria era a bola, não o jogador.

8

Fonte: AC Milan

Exibição impiedosa sobre os estreantes – Um estreante em finais europeias. O Ajax, que se começava a evidenciar no alto plano do futebol, não teve como parar um já experiente e consistente Milan.

O primeiro, que tinha eliminado o Benfica nos quartos; o segundo, que afastara o detentor do título, o Manchester United, nas meias, defrontaram-se no Santiago Bernabéu, assinalando a primeira presença de sempre de uma equipa holandesa nesse palco.

O resultado fixou-se em 4-1 a favor dos italianos, confirmando e elevando um estatuto europeu já evidenciado.

7

Fonte: AC Milan

Temporada de dupla conquista – Após uma época para esquecer (10.º posto), o Milan viu-se fora das competições europeias. Pôde-se focar no campeonato, como a teoria o dita.

Alberto Zaccheroni, técnico com uma excelente reputação, proveniente da Udinese Calcio; Olivier Bierhoff, que viria a ser o melhor marcador da equipa; e Thomas Helveg, foram as aquisições de peso em ano centenário, numa equipa que figuravam craques como Weah e Boban.

Um scudetto arrancado a ferros, visto a SS Lazio, segundo classificado, ter ficado a um ponto dos rossoneri após todas as jornadas, o que elevou ainda mais o sabor do feito!

6

Fonte: FIFA

O início da globalização do AC Milan – Já ultrapassada a questão de um Milan em que seriam elegíveis apenas jogadores italianos, os três suecos ilustrados na imagem foram preponderantes num cenário transitivo do futebol europeu.

No pós II Guerra Mundial, e após a tragédia que retirou o Torino FC do grande plano do futebol italiano (1949), os milaneses assumiram-se como uma grande potência em emergência.

Desde o scudetto conquistado em 1951, em que figuravam os três da imagem, sucederam-se mais três nessa mesma década. Na viragem do século, o catenaccio implementado pelo treinador Nereo Rocco, revolucionava a forma de jogar e abordar o jogo. Jogadores como Gianni Rivera e Jose Altafini, foram importantes na conquista da Taça dos Campeões Europeus frente ao Benfica. Foi a primeira grande conquista continental por parte de um colosso em construção constante e efetiva.

5

Fonte: AC Milan

O único africano Bola de Ouro – Weah tem uma história de vida que se assemelha à de Kanté. Fazia pela vida, dizem que vendia donuts, o melhor jogador liberiano de sempre cumpriu cinco anos no AC Milan.

Lançado por Wenger no AS Mónaco, e com passagem pelo PSG FC, chegou, viu e quase vencia a Liga dos Campeões. Mesmo assim, a par de Gianni Rivera, Ruud Gullit, Van Basten (por três vezes) e Shevchenko, que mereciam destaque de igual forma nesta Top, entra para a história do futebol mundial como uma referência no que e refere à crença, vontade e determinação em dar seguimento a uma carreira profissional.

Em Itália, o racismo é prato do dia, e Weah teve foco para contornar desigualdades criadas pelo fervor clubístico, e também patriótico…

4

Fonte: AC Milan

Em casa, ou fora, é AC Milan – Num contexto de campeonato nacional perdido para ambas as partes, a 20 pontos de distância do primeiro classificado, AS Roma, os rivais de Milão disputaram apenas mais uma jornada do campeonato, ficando para a posteridade muito mais do que meros três pontos.

A supremacia dogmática que os rossoneros querem sempre sentir pelos nerazzurri (e vice-versa), foi testemunhada num contexto não tão significativo, mas a expressividade do resultado final concede-lhe a substância que falta, fazendo perdurar, indiscutivelmente, esse encontro no registo cronológico.

Embora “partilhem casa”, o Milan expulsou o Inter com seis socos sem resposta.

3

Fonte: AC Milan

Kaka, Bola de Ouro 2007 – O expoente máximo de uma equipa a roçar a perfeição. Ricardo Kaká foi o elemento mais desequilibrador, um número dez que ainda via essa posição ter utilidade tática por parte da generalidade dos técnicos.

Esta eleição do troféu individual em questão assinalou a quebra do campeonato italiano no âmbito da atração de jogadores. Foi, afinal, o último jogador a ser elegido com tal distinção jogando na Serie A. Sendo um campeonato que preza a experiência dos jogadores, os mesmos tendem a preferir destinos hoje diferentes: Ásia, EUA., são locais que se inseriram no mercado de transferências como viáveis, e preferíveis à rigidez tática do calcio.

O Calciopoli, teve muita influência nessa quebra, mas Itália sempre teve ilegalidades, e fazendo jus ao Direito, ser poderoso por si só não iliba, e ainda bem.

2

Fonte: AC Milan

Era Capello – Herdeiro de Arrigo Sacci, com bonança mediada pela intervenção de Silvio Berlusconi, colheu os frutos de um ressurgimento impressionante após resgate por parte do último.

Capello pega num clube que voltou a conhecer o sabor da consagração com o seu imediato antecessor, e com a sua mestria alargou o legado do dito, disputando três finais de Liga dos Campeões sucessivas (1993, 1994, 1995), conquistando apenas a do meio, com uns expressivos 4-0 diante do FC Barcelona.

Os 58 jogos sem perder na Serie A (sequência, curiosamente, iniciada com um empate a zero frente ao Parma AC, e terminada com uma derrota diante do mesmo clube!), glorificaram o seu percurso por completo no clube.

1

O Resgate de Berlusconi – Como é tradição por terras transalpinas, foi descoberta a existência de fatores extrafutebol que envolveram o Milan. O chamado “Totonero”, um escândalo que rebaixou o clube até à Série B.

O famoso Silvio Berlusconi, chegou e injetou o capital necessário, que salvaria um clube da bancarrota com um historial extenso e bem-sucedido. Arrigo Sacchi orientou as engrenagens e com três peças indiscutíveis da laranja mecânica induziu o clube numa sonda de sucesso imediato.

Em 1987/88, o clube voltaria a levantar o troféu da Liga Italiana nove épocas depois, e a Taça dos Campeões Europeus, dois anos mais tarde, para infelicidade dos benfiquistas

Foto de Capa: AC Milan

artigo revisto por: Ana Ferreira

Diogo Fresco

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