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No decorrer dos últimos dez anos, os relvados portugueses serviram de palco a jogadores de enormíssima qualidade, na sua maioria jovens promessas estrangeiras que encontraram neste «Jardim da Europa à beira-mar plantado” um terreno fértil para crescer. Veja-se os casos de James Rodríguez, Di María, Bruno Fernandes, Islam Slimani, Éder Militão, Alex Sandro ou de Casemiro, só para enumerar alguns.
Posto isto, escusado será dizer que a eleição de um melhor onze se configurará sempre como algo discutível e subjetivo. Aquando da elaboração desta equipa, tive por base a constância exibicional de cada um destes futebolistas, bem como a influência que cada um deles exerceu na conquista de títulos por parte dos respetivos clubes.
Nota: apenas foram considerados jogadores que atuaram, pelo menos duas épocas, na Primeira Liga.
Guarda-Redes – Helton Arruda
Registo na Primeira Liga, a partir da época 2009/2010: 140 jogos, 82 golos sofridos

Helton será para sempre recordado na esfera do futebol português. Para além da sua inegável qualidade e dos muitos títulos ganhos, o guardião brasileiro era um exemplo de fair-play dentro e fora do terreno de jogo.
Quando no verão de 2002, na altura com 24 anos, Helton da Silva Arruda aterrou em Portugal para representar a União de Leiria, o guardião brasileiro não esperava, decerto, que a sua carreira atingisse a tamanha notabilidade que efetivamente veio a alcançar no nosso país. Três anos volvidos, assinaria pelo FC Porto e, enquanto guarda-redes dos Dragões, Helton vivenciou os melhores anos da carreira (ganhou sete campeonatos!), tornando-se um ícone do clube. No total, este guarda-redes nascido no estado do Rio de Janeiro participou em 232 jogos na Primeira Liga, 140 deles entre as temporadas 2009/2010 e 2015/2016 (alcançando um notável registo de 82 golos sofridos durante esse período). Em termos coletivos e, também ao longo da última década, de realçar a conquista, de forma consecutiva, de três títulos de campeão do principal escalão do futebol português.
De entre as suas principais caraterísticas, de destacar a sua grande elasticidade, capacidade de reação e serenidade (evidenciada, de igual modo, fora do terreno de jogo). No entanto, e para além da vertente desportiva, a sua conduta exemplar tanto dentro como fora das quatro-linhas garantiram-lhe a admiração e o respeito de todos os adeptos do desporto-rei (inclusive daqueles que apoiavam os rivais da formação azul e branca).
Lateral Direiro – Maxi Pereira
Registo na Primeira Liga, a partir da época 2009/2010: 250 jogos, 13 golos e 48 assistências

Maxi Pereira, atualmente com 35 anos e sem clube, construiu uma carreira sólida no nosso país. A sua agressividade (por vezes em excesso), disponibilidade física e capacidade para apoiar no ataque eram a sua imagem de marca.
Tendo representado dois dos “Três Grandes” do futebol luso, SL Benfica e FC Porto, foi ao serviço do clube da capital portuguesa, ao qual chegou em julho de 2007, que o lateral direito uruguaio atingiu o auge. Ao serviço dos Encarnados, Maxi notabilizou-se pela sua enorme resistência, capacidade para avançar pela lateral e, sobretudo, pela garra (incontornável) que emprestava em cada disputa de bola. No total, e somente entre as épocas de 2009/2010 e 2014/2015, Super Maxi participou em 161 jogos, tendo marcado 10 golos e completado 28 assistências para golo. A nível coletivo, venceu o campeonato nacional por três ocasiões, merecendo particular destaque a conquista do bicampeonato decorrida a época 2014/2015.
Posteriormente, e já como atleta do FC Porto, o lateral nascido em Montevideu (capital do Uruguai) disputou 89 jogos na Primeira Liga, nos quais marcou três golos e efetuou 20 assistências. Para além disso, almejou a conquista do campeonato da Primeira Liga, na temporada 2017/2018.
Central – Ezequiel Garay
Registo na Primeira Liga: 78 jogos e nove golos

Ezequiel Garay, para além da solidez defensiva que oferecia à equipa, revelava-se também um jogador a ter em conta no ataque, por força da sua capacidade de finalização acima da média para um central.
Ezequiel Marcelo Garay foi, indiscutivelmente, um dos melhores centrais que já passaram pelo futebol português. Chegado ao SL Benfica em julho de 2011, vindo do Real Madrid, o defesa argentino rapidamente se consolidou no onze do conjunto lisboeta. Tratando-se de um defesa robusto e muito consistente a defender, Garay era, de igual modo, um excelente cabeceador, afigurando-se como um futebolista extremamente perigoso em lances de bola parada ofensiva.
No que se refere a títulos conquistados, de salientar que, apesar de ter permanecido no Benfica durante três temporadas, este defesa central nascido em Rosario somente por uma ocasião se sagrou campeão (na época 2013/2014).
Central – Mangala
Registo na Primeira Liga: 51 jogos, seis golos e uma assistência

Eliaquim Mangala, atualmente ao serviço do Valência CF, sobressaía pela sua capacidade de impulsão e velocidade.
Chegou ao FC Porto em agosto de 2011, com apenas 20 anos, e depois de uma época de estreia pautada pela pouca utilização, o jovem defesa central nascido em França afigurou-se uma mais-valia para os Dragões ao longo das duas temporadas seguintes. Mangala, central esquerdino, destacava-se, essencialmente, pela sua capacidade de desarme (principalmente, no corte em carrinho) e pela sua enorme disponibilidade física: além de ser um defensor rápido, a sua imponente estatura (1,88 metros e 84 quilogramas) e capacidade de impulsão tornavam-no numa ameaça no jogo aéreo.
Conquistou o bicampeonato pelo FC Porto, no final da época 2012/2013.
Lateral Esquerdo – Fábio Coentrão
Registo na Primeira Liga, a partir da época 2009/2010: 95 jogos, três golos e 21 assistências.

O futebolista internacional português viveu o auge da carreira, enquanto jogador do SL Benfica Fonte: João Santos/ Global Imagens
Natural da cidade de Vila do Conde, Fábio Coentrão fez a sua estreia no mais alto patamar do futebol português com apenas 17 anos, no dia 14 de outubro de 2005, ao serviço do clube onde se formou, o local Rio Ave FC. Aos 19 anos, o extremo esquerdino já figurava como um dos habituais titulares da turma vila-condense (na Segunda Liga), tendo sido contratado pelo SL Benfica, no verão de 2007. Após três sucessivos empréstimos (CD Nacional, Rio Ave FC e, por fim, ao Real Zaragoza, de Espanha), Coentrão retornou ao clube da Luz, para se afirmar como um dos melhores laterais da Primeira Liga. De entre as suas principais caraterísticas, destacava-se a enorme aptidão para se projetar no ataque, derivada da sua grande qualidade técnica (nomeadamente, ao nível da finta curta) e criatividade, bem como a fiabilidade que oferecia a nível defensivo. Ao serviço dos Encarnados, o lateral esquerdo nascido em Vila do Conde disputou 49 jogos, tendo sido um dos elementos em destaque (efetuou 9 assistências para golo) no conjunto orientado por Jorge Jesus que almejou a conquista do título de campeão da Primeira Liga no final da época de 2009/2010.
O regresso às origens:
Após seis temporadas no estrangeiro (fora vendido no verão de 2011 ao Real Madrid Club de Fútbol), Coentrão regressou ao país natal, ingressando no Sporting CP, em julho de 2017, por empréstimo do emblema madrileno. Sem conseguir alcançar a qualidade que apresentara no Benfica, Coentrão foi, todavia, o habitual dono da lateral esquerda dos Leões, tendo realizado três assistências e um golo em 25 partidas da Liga.
Já na temporada passada, e depois de terminar a sua ligação contratual ao clube da capital espanhola, o lateral esquerdo retornou ao clube que o havia lançado como profissional, o Rio Ave FC. Ao serviço dos Vilacondenses, Fábio voltou a experimentar terrenos mais avançados, tendo sido maioritariamente utilizado como extremo (a sua posição de origem). Ao todo, somou cinco assistências em 21 partidas referentes ao principal escalão do futebol luso.
Médio – Luis Óscar “Lucho” González
Registo na Primeira Liga, somente a partir da época 2011/2012: 57 jogos, oito golos e oito assistências

À capacidade para efetuar passes milimétricos e para, num ápice, disferir um remate colocado «do meio da rua», “Lucho” juntava um enorme sentido de liderança, sacrificando-se em prol do coletivo (sobretudo em tarefas defensivas). Em suma, personificava na íntegra aquilo que os adeptos portistas percebiam como mística do clube.
Depois de uma memorável primeira passagem pelo FC Porto no decurso da qual se sagrou tetracampeão (entre 2006 e 2009), “Lucho” rumou ao Olympique de Marseille, emblema no qual permaneceu durante três épocas. No entanto, o facto de ter sido um dos futebolistas mais bem-sucedidos e, consequentemente, um dos mais acarinhados pelos adeptos «azuis e brancos» enquanto estivera no clube, levou a que, terminado o contrato com o clube do sul de França, Lucho González retornasse à Invicta, em janeiro de 2012.
De facto, o seu regresso não poderia ter sido mais oportuno, uma vez que o meio-campista argentino acabou por ser um dos futebolistas mais utilizados durante a espetacular segunda volta protagonizada pelos Dragões, que culminou com a obtenção do título de campeão. Todavia, a sua influência no conjunto portista aumentaria na época seguinte, ao passar a envergar a braçadeira de capitão (foi, de resto, o primeiro estrangeiro a ostentar tal estatuto) e a assumir-se como uma peça fulcral (totalizou seis golos e cinco assistências, em 29 partidas) para assegurar a revalidação do título.
Médio – Nemanja Matic
Registo na Primeira Liga: 56 jogos, seis golos

Chegou ao SL Benfica como parte do negócio da venda de David Luiz ao Chelsea FC e até demorou a conquistar o seu espaço no plantel encarnado (em grande parte devido à forte concorrência).
Porém, após a venda do espanhol Javí Garcia, o seu principal competidor, o médio sérvio começou a dispor de mais oportunidades e correspondeu (ou melhor, foi capaz impressionar pela positiva). Sendo (muito) mais capacitado na construção de jogo e com melhor chegada à área que o seu antecessor, o trinco sérvio que aliava uma imponente estampa física a uma técnica acima da média rapidamente se tornou um dos preferidos dos adeptos. Após duas épocas e meia de grande nível como jogador das Águias, Matic foi vendido, em janeiro de 2014, ao Chelsea.
Extremo Direito – “Hulk”
Registo, a partir da época 2009/2010): 74 jogos, 46 golos e 36 assistências

“Hulk Paraíba” foi, na minha opinião, um dos jogadores mais exuberantes que passou por Portugal. Rápido, forte fisicamente e detentor de um remate potentíssimo, o extremo brasileiro constituiu um verdadeiro carrasco para as equipas adversárias Fonte: Globo Esporte
Recordar aquela que foi a última década do FC Porto, sem se fazer referência a “Hulk” é quase como que «ir a Roma e não ver o Papa», tal foi êxito (os números falam por si) granjeado por este extremo brasileiro, de Dragão ao peito.
Proveniente da periférica J2 League (segunda principal divisão do futebol japonês), o atacante nascido na Campina Grande (estado da Paraíba) chegou ao clube como um perfeito desconhecido, pese embora a considerável quantidade de golos que trazia na bagagem. Ainda assim, tal não foi impeditivo para que o futebolista se cimentasse como titular dos Azuis e Brancos, à passagem da 10.ª jornada do campeonato, na sua primeira época ao serviço do clube (2008/2009). Nas temporadas seguintes, a preponderância de “Hulk” acresceu, e, para além dos já habituais desequilíbrios (decorrentes da grande capacidade de drible e poder físico), passou também a refletir-se numa fenomenal veia goleadora (23 golos em 26 jogos, na temporada 2010/2011, que o tornaram no melhor marcador da Liga; 16 golos em 26 jogos na época subsequente).
A nível coletivo, o contributo do extremo canarinho repercutiu-se na conquista do tricampeonato, no final da época 2012/2013 (visto que ainda participou em três partidas da referida temporada, antes de rumar ao FC Zenit Saint Petersburg).
Extremo Esquerdo – Nicólas Gaitán
Registo na Primeira Liga: 152 jogos, 25 golos e 60 assistências

Para além das inúmeras assistências concedidas, “Nico” encantou os adeptos do bom futebol em Portugal, dada a sua grande espontaneidade e capacidade técnica.
Nicólas Gaitán foi durante seis épocas (entre os anos de 2011 e 2016) um dos principais municiadores do ataque do SL Benfica. Tecnicista e extremamente criativo, o extremo esquerdo argentino revelava-se, de igual modo, um exímio cruzador e cobrador de lances de bola parada, logrando, por isso, uma média de 10 assistências por época em jogos relativos à Primeira Liga.
Em termos coletivos, a sua passagem pelo Estádio da Luz, culminou na conquista do tricampeonato, finda a temporada de 2015/2016.
Avançado – Alan Osório
Registo na Primeira Liga, a partir da época 2009/2010: 200 jogos, 31 golos e 35 assistências

À semelhança do que aconteceu com o seu compatriota Helton no FC Porto, também Alan se tornou numa das referências do SC Braga, clube onde atualmente exerce responsabilidades diretivas, e da Primeira Liga.
Um ícone do SC Braga e um (raro) exemplo de regularidade e longevidade no mais alto patamar do futebol luso (manteve-se na Primeira Liga até aos 37 anos!). Alan Osório, nascido no Rio de Janeiro, veio para Portugal em 2001, na altura para ingressar no CS Marítimo. Após passar por FC Porto e Vitória SC (por empréstimo dos Dragões), estabilizou-se no SC Braga e desde então e, até encerrar a carreira, não mais voltou a conhecer outro país (obtendo, por via disso, acesso à nacionalidade portuguesa).
Enquanto jogador dos Guerreiros do Minho, Alan exerceu um papel de destaque ao longo de nove temporadas (desde a época 2008/2009), tendo marcado 33 golos e feito 41 assistências em 230 jogos da Primeira Liga! Quanto a conquistas propriamente ditas ao serviço do emblema bracarense, o extremo luso-brasileiro venceu uma Taça da Liga (em 2013) e uma Taça de Portugal, em 2016.
Se se contabilizar a sua passagem pelo FC Porto, Alan logrou ainda a conquista de bicampeonato em 2007.
Ponta de Lança – Jackson Martínez
Registo até ao momento: 128 jogos, 76 golos, 14 assistências

O ponta de lança colombiano, na sua melhor forma física, era praticamente imparável.
Antes de falar no percurso deste futebolista, permitam-me um desabafo: “O futebol, por vezes, consegue ser bastante ingrato”.
O atual ponta de lança do Portimonense SC (participou, até ao momento, em 11 partidas na presente edição da Primeira Liga), que exerce a sua atividade com evidentes debilidades físicas, como consequência das várias lesões contraídas ao longo da carreira (após a sua primeira passagem por Portugal) foi, no seu auge, um dos mais produtivos (e completos) avançados que atuaram no nosso país, no decorrer dos últimos dez anos.
Após aterrar em Portugal no verão de 2012, para representar o FC Porto, Jackson Martínez alcançou a proeza de se sagrar o melhor marcador do principal escalão do futebol luso por… três vezes consecutivas! Ademais, para além da capacidade concretização, este futebolista nascido em Quibdó (Colômbia) destacava-se, acima de tudo, pela sua inteligência a jogar de costas para a baliza (caraterística que conserva até hoje), além de possuir uma técnica bastante razoável para um jogador da sua envergadura.
No total, ao serviço dos Dragões, Cha-Cha-Cha marcou 67 golos em 90 jogos, além de ter completado 11 assistências. A nível coletivo e, em termos de performance na principal divisão do futebol português, Jackson conquistou, apenas, um título de campeão.
Artigo revisto por Inês Vieira Brandão








