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Hoje falamo-vos dos guarda-redes em destaque da Primeira Liga. Curioso, pois esta posição nunca teve muito importância para mim quando era mais novo. Durante anos foram como que figuras secundárias para mim, talvez influenciado pelos tempos de escola em que o menos dotado tecnicamente ouvia – “vais para a baliza” -, ou vidrado pela classe, capacidade técnica e dinâmica dos jogadores de campos.
Desde há uns anos para cá e quanto mais fui estudando a posição, cresceu o interesse, cresceu a admiração e posso dizer que hoje é das minhas posições favoritas. O guarda-redes além de ser a posição mais complexa e mais difícil, assume um papel absolutamente fundamental, não só no futebol de 11, como no futebol de praia, no futsal, no hóquei ou no andebol. Simplesmente em qualquer um destes desportos, ou a equipa tem um guarda-redes de topo ou dificilmente atingirá os níveis de rendimento pretendidos. Sendo assim, vamos fazer uma viagem pela Primeira Liga e analisar os cinco guardiões que mais me têm impressionado esta época.
5.

Diogo Costa (FC Porto) – O único não titular desta lista. Pode parecer estranho que eu não destaque Marchesin, Luís Maximiano ou Matheus, mas tem uma explicação: expectativas. Diogo Costa tem vinte anos e encontrou a difícil conjuntura de jogar apenas em jogos da Taça de Portugal e da Taça da Liga. É verdade que fez apenas doze jogos ao serviço do FC Porto, mas quando jogou demonstrou maturidade e uma capacidade de assumir no imediato a baliza azul e branca. Nos primeiros seis jogos sofreu zero golos e por poucos minutos não estabeleceu um recorde. A carreira de Diogo Costa terá de ser gerida com pinças daqui para a frente. As decisões de carreira que tomar nos próximos dois anos poderão ditar o nível a que pode chegar. Neste momento, é dos guardiões com maior potencial para ser titular do FC Porto e da Seleção Nacional, mas já alguns jogadores estiveram nesta situação e simplesmente “desapareceram” da ribalta. Este tinha sido um bom ano para apostar em Diogo, à semelhança do que o Sporting CP fez com Maximiano, mas o FC Porto preferiu contratar Marchesin. Enquanto a política for esta, Diogo Costa vai ter vida difícil para impor e demonstrar a imensa qualidade que possui. Merece figurar na lista por ser o jogador revelação e por ser, na minha opinião, o suplente que mais se aproxima do titular em termos qualitativos.
4.
Amir Abedzadeh (Club Sport Marítimo) – Apesar da época menos conseguida dos insulares, que obviamente influencia o rendimento menos brilhante do guardião iraniano, não consigo deixar de ficar maravilhado de cada vez que vejo Amir em campo. É um guarda-redes com características um pouco distintas dos restantes nomes desta lista, na medida em que é mais energético, “impulsivo” e menos cerebral que os restantes. Tem algumas lacunas ainda por lapidar, mas com 27 anos feitos o mês passado, tem ainda bastante margem para melhorar. Reflexos fantásticos, bom jogo de pés, acaba por ser traído na saída dos postes. Não que seja baixo ou que de uma forma geral seja mau a sair da baliza, mas de tão impulsivo e de tanta vontade que tem em cortar certos lances logo pela raiz, acaba por abusar da forma como aborda algumas jogadas, às vezes com consequências nefastas para a equipa. No entanto, confesso que acho que é o jogador com mais potencial nesta lista. Se continuar a evoluir, conseguir serenar os seus impulsos e tiver oportunidade nos clubes certos, vai com certeza ser um guardião de topo.
3.

Odysseas Vlachodimos (SL Benfica) – Na minha modesta opinião, o melhor guardião da Liga. Tentei fazer um esforço para olhar essencialmente para Guarda-Redes fora dos “três grandes”, mas não posso ignorar o rendimento do jogador Grego. Seguro, discreto, aprece nos momentos decisivos e demonstra uma “frieza” que já vimos anteriormente em Oblak e que valeram ao esloveno uma espetacular progressão de carreira. Vlachodimos já vai com mais de 80 jogos de águia ao peito, com uma média de golos sofridos bastante baixa, e com um conjunto de intervenções absolutamente decisivas. Não tem assumido mais destaque a nível interno pela sua postura “low profile” e a nível internacional fruto das fracas prestações dos encarnados na Liga dos Campeões nos últimos dois anos. O SL Benfica tem aqui um Guarda-Redes que oferece garantias para vários anos, resta saber se não vão cair no erro de o desvalorizar em detrimento da contratação de um nome mais sonante que obrigue o grego a sair de Portugal.
2.

Helton Leite (Boavista FC) – O Boavista sempre nos habituou a Guarda-Redes de qualidade. Nem sempre foram unânimes, mas foram sempre nomes incontornáveis do futebol português. Quem não se lembra de Ricardo ou de William? Mesmo nos últimos anos, tanto Vagner como Mika foram assumindo a baliza e deixando os adeptos axadrezados com o sentimento de que tinham a sua baliza bem entregue. Depois surgiu Helton Leite, oriundo do Botafogo, que rapidamente assumiu o seu espaço com excelentes intervenções e assumindo um papel principal na equipa. No final da época 2019/2020 já se falava no interesse do Benfica, mas uma lesão acabou por adiar aquilo que parece uma transferência anunciada. A confirmar-se, parece-me uma escolha infeliz, porque Helton Leite apesar de ter bastante qualidade não exibe ainda o nível de Vlachodimos. Se sair para um clube onde possa continuar a jogar, evoluir e a exibir o nível que tem demonstrado na invicta, com certeza será um guarda-redes para continuar a ser falado nos próximos anos.
1.

Cláudio Ramos (CD Tondela) – Previsível, não era? Além de estarmos perante um internacional português, estamos a falar de um totalista. 24 jogos a cumprir os 90 minutos sempre em alta intensidade. Um jogador que acumula minutos, experiência, defesas e que é destaque quase todos os fins de semana. Curioso ou não, é dos jogadores dentro da posição com estatura mais baixa, numa clara demonstração de que a altura de um “goleiro” pode ajudar, mas é apenas um complemento. A surpresa aqui trata-se apenas do facto de nenhum grande o ter ainda “pescado”, sendo que já tem várias épocas de Primeira Liga, sempre a um nível altíssimo. O próprio jogador já mostrou vontade de abraçar um novo projeto. O meu palpite aponta que em 2020/2021 já não estará na nossa Liga.
Artigo revisto por Diogo Teixeira














