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Os 5 jogadores mais subvalorizados da Liga Portuguesa

Inês Figueiredo Mendanha · 7 min

Liga Portuguesa
Foto: SC Braga

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A Liga Portuguesa vai ficando gradualmente mais equilibrado, à medida que os anos passam e a hegemonia dos “três grandes” vai sendo ameaçada. Para isso contribui o desleixo e o “descanso à sombra da bananeira” dos clubes mais habituados a ganhar títulos, mas sobretudo o crescimento de outros clubes, quer através das academias que formam jogadores para as equipas principais, quer por maior poderio financeiro e melhor organização administrativa.

Enquanto vão surgindo jogadores com nível para disputar outros palcos nos clubes que aspiram a ser candidatos ao título, aparecem também talentos não reconhecidos; jogadores que ou levam tempo a afirmar-se e a deixar a sua marca no jogo da equipa ou que desempenham o seu papel tão bem, mas tão discretamente, que mal damos por eles; parecemos apenas dar pela sua ausência, dado que o futebol da equipa não flui quando eles não estão em campo. Assim sendo, fica aqui uma lista dos jogadores mais subvalorizados da Liga Portuguesa.

5.

Guga Rodrigues – Não era fácil sobressair no miolo do FC Famalicão na época passada. Numa equipa que contava com Gustavo Assunção, que parece provar que “quem sai aos seus não degenera”, com Racic a dar músculo à equipa, e com a magia de Pedro Gonçalves, qualquer outro jogador iria parecer supérfluo a este trio fantástico. Ainda assim, podemos ver Guga a ganhar o seu espaço nos famalicenses.

Este jovem médio-centro, que há alguns anos, enquanto ainda militava na equipa B do SL Benfica, era apontado como o próximo cérebro da equipa principal dos encarnados, viu a sua qualidade traída por duas lesões gravíssimas que o afastaram do relvado da catedral. A meio da época 2018/2019, com vista a dar um novo rumo à carreira, Guga mudou-se para o Panaitolikos GFS, da Grécia, onde a sua qualidade chamou a atenção dos responsáveis do FC Famalicão.

Nunca esteve em causa o talento de Guga: a qualidade de passe não engana, tal como o posicionamento, a garra e a capacidade de fazer a equipa chegar-se para a frente. Mais aguerrido que Gustavo Assunção, mais técnico que Racic, Guga oferecia ao clube nortenho uma alternativa diferente para o meio-campo e, mesmo com concorrência feroz, acabou por fazer 29 jogos ao longo da temporada, marcando ainda dois golos. Tem agora mais uma época para se afirmar e libertar todo o seu futebol.

4.

João Afonso – O CD Santa Clara bateu o seu recorde de pontos na Primeira Liga Portuguesa na época passada, terminando em 9.º lugar, a melhor classificação da história do clube. Foi portanto, uma época memorável para os Bravos Açorianos que desde o seu ressurgimento na divisão maior do futebol nacional, nos habituaram ao seu bom futebol e vontade de vencer cada encontro. Um dos nomes mais sonantes do clube é Fábio Cardoso, o capitão de equipa e pilar da defesa, mas na época passada, um outro jogador da linha defensiva do clube se evidenciou: João Afonso.

O defesa-central formado no Benfica de Castelo Branco e antiga promessa da outra equipa do Castelo, o Vitória SC, assinou a melhor temporada da carreira, disputando 38 jogos e contribuindo com quatro golos e, sobretudo, fazendo aquilo que lhe faltou muitas vezes ao longo da carreira: assumindo-se como uma referência defensiva.

A capacidade de desarme e a ocupação dos espaços são apenas algumas aptidões do seu repertório que o tornaram muitas vezes num muro na defesa açoriana. A sua afirmação como referência defensiva no Santa Clara veio algo tarde (João Afonso tem 30 anos), mas no futebol, nunca é tarde para deixar uma marca.

3.

Fábio Pacheco – A evolução e consolidação do Moreirense FC na primeira divisão tem sido um regalo para os olhos dos adeptos. Depois de um inédito 6.º lugar em 2018/2019, a equipa de Moreira de Cónegos conseguiu na temporada transacta um honroso 8.º lugar. Havendo vários jogadores a brilhar na equipa, desde o guarda-redes Pasinato, ao matador Fábio Abreu, é normal que um dos motores da equipa passe despercebido, dados os pezinhos de lã com que executa as suas funções; falo de Fábio Pacheco, o médio-defensivo da equipa que muito me tem surpreendido.

Tendo já passado por vários clubes da Primeira Liga Portuguesa, como FC Paços de Ferreira, CD Tondela, CS Marítimo, Fábio Pacheco trouxe na época 2018/2019 toda a sua experiência para o Moreirense e, até agora, pode-se considerar uma união feliz. Tendo tomado parte nas duas melhores classificações da história da equipa, o trinco conseguiu também afirmar-se definitivamente e relançar a carreira.

O que mais me surpreende em Fábio Pacheco é a maneira como ele fecha os espaços no meio-campo. Parece fácil, posicionar-se com excelência, ler o jogo com segundos de antecipação e ter capacidade para impedir a progressão dos adversários, mas não é. No entanto, o médio-defensivo do Moreirense domina essa arte com mestria, ainda tendo a clarividência de sair a jogar com a bola. Um talento subaproveitado e muito subvalorizado também. Ainda bem que as coisas lhe estão a sair bem no Moreirense. Merece.

2.

Claude Gonçalves – Apesar de a temporada já ter acabado, continuo a celebrar interiormente e absolutamente impressionada com o facto do Gil Vicente FC ter conseguido não só a tão almejada manutenção, como também um espantoso 10.º lugar, com um plantel construído essencialmente de raiz, que contava pelos dedos das mãos, os jogadores com experiência de Primeira Liga Portuguesa.

Nas asas de muitos jogadores talentosos, desde Lourency, Sandro Lima e Kraev, os barcelenses mostraram à Liga qual é o seu lugar, brindando os adeptos com resultados e exibições memoráveis. No entanto, outro dos obreiros da excelente temporada passada, passou despercebido a muita gente: Claude Gonçalves. Com uma linha defensiva segura, um guarda-redes de categoria e muita gente com faro para golo, esquecemo-nos do essencial: construir.

O fio de jogo do Gil passou sempre por Claude Gonçalves, que, enquanto Soares ajudava na defesa e Kraev deslizava por todo o campo, ficava encarregue de fazer os outros jogar. Fê-lo sempre bem, fazendo jus à imagem de médio completo que já tinha deixado da sua passagem pêlo CD Tondela. Com uma grande visão de jogo e um excelente posicionamento, aliados a uma capacidade técnica invejável, Claude foi sempre o cérebro da construção de jogo do Gil Vicente, fazendo a transição ofensiva com pés de veludo e fazendo a equipa subir no terreno.

Participou em 28 jogos de galo ao peito e apontou dois golos, fazendo da última uma das melhores épocas da sua carreira. Com ainda larga margem de progressão, o médio dos barcelenses tem agora a oportunidade de continuar a evoluir e a cimentar o seu futebol no escalão máximo do futebol português. Desejo-lhe muitos anos a pegar na batuta do Gil Vicente e muita sorte.

1.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Galeno – Já aqui alertei várias vezes para a possibilidade de o SC Braga, este ano, ombrear com os “três grandes” e poder vir mesmo a conquistar o título da Liga Portuguesa. Com tantos craques a chegar à cidade dos arcebispos, pode acontecer a Galeno o que lhe sucedeu no FC Porto: ficar para trás. O que seria uma pena, já que Galeno agarrou com unhas e dentes a oportunidade que lhe surgiu no SC Braga.

Com poucos minutos no Porto, foi emprestado ao Portimonense, onde já não teve muito tempo para fazer a diferença; na época seguinte, aproveitou a oportunidade concedida pelo Rio Ave FC e, em 36 jogos, apontou nove golos. Na época anterior, explodiu no Braga, participando em 41 partidas e fazendo sete golos.

Foi a época de afirmação do jovem extremo brasileiro no futebol português, no qual deixou vir ao de cima todo o seu talento, quer em termos técnicos, com dribles impróprios para pessoas com problemas de visão, quer em termos de maior desenvoltura e sangue-frio no ataque. Galeno encheu os corredores da equipa e, sabendo do seu tremendo potencial, espero que não lhe fechem agora as portas, pois ainda tem muito a dar, quer ao futebol português, quer ao Braga.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Inês Figueiredo Mendanha

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