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[tps_title]10.º Kevin-Prince Boateng[/tps_title]

Qual é a sua posição? Percebo que me digam que não é a escolha mais óbvia para esta lista, mas incluí-o porque simboliza o típico jogador cujo nome impõe respeito por já estar tão mitificado mas que, na prática, poucas vezes corresponde ao potencial que lhe é apontado. Tecnicamente é acima da média, mas falta-lhe maturidade táctica e emocional. Encarna na perfeição o estereótipo de futebolista caro e pouco produtivo para aquilo que custa e, além do mais, é potencialmente conflituoso, tendo estado dois anos afastado da sua selecção.
[tps_title]9.º David Beckham[/tps_title]

Honra lhe seja feita: tinha uma visão de jogo notável e um grande pé direito. Os seus livres, cantos e cruzamentos para a área ficaram famosos e marcaram de facto uma era no futebol inglês. O problema é que isso, por si só, não lhe garante um lugar nos melhores de sempre. O seu futebol pouco agressivo, bastante bombeado e fértil em variações de flanco era típico de um determinado período da História da modalidade e já estava bastante datado mesmo quando ele jogava. A prova disso é que Beckham saiu da Europa relativamente cedo, preferindo rumar a um campeonato “de brincar” e voltando depois para jogar de forma intermitente na decadente Serie A pós-Calciocaos. Antes, em Madrid, tinha encarnado na perfeição o perfil de um galáctico: “muita parra e pouca uva”. Em quatro anos, apenas um campeonato e uma Supertaça. Mesmo fustigado por lesões, o seu menos mediático compatriota Steve McManaman não foi inferior a Beckham nos quatro anos que passou na capital espanhola, tanto a nível exibicional como de conquistas.
Além disso, apesar de ter aprimorado com mérito os seus pontos fortes, não se pode dizer que os argumentos de que dispunha fossem muito diversificados. A falta de capacidade atlética para jogar na linha, nomeadamente através de desequilíbrios drible ou em velocidade, permite afirmar que, muito provavelmente, o sucesso do Spice Boy teria sido menor caso jogasse nos dias de hoje. Claro que tanto o facto de ser inglês como um ícone da moda também o ajudaram a atingir um estatuto de lenda que, a meu ver, não merece. Giggs, seu companheiro de tantos anos no Manchester United e que jogava no flanco oposto, foi bastante melhor jogador.
[tps_title]8.º Sergio Busquets[/tps_title]

No futebol, a qualidade é contagiante. Aqueles que a têm para dar e vender acabam por beneficiar os colegas e, com Busquets, foi exactamente isso que se passou. O Barcelona dos últimos anos ficará para a História como a equipa de sonho onde actuavam Xavi, Iniesta e Messi, mas as muitas competições ganhas pelo colectivo fazem com que o estatuto de lenda alastre a vários outros jogadores. Busquets foi quem mais beneficiou com isso. Na grande máquina perfeita que era o Barcelona de Guardiola, o médio defensivo era uma das peças menos preponderantes. E, não querendo de todo retirar-lhe a totalidade do mérito, foi essa a sua grande sorte. Este é o típico jogador que se adaptou a um determinado estilo de jogo, o do Barça, mas que não teria um destaque particularmente grande fora desse contexto. Dificilmente algum dia sairá do seu clube actual, não só porque é lá que se sente confortável mas também porque é improvável que alguma equipa entre em loucuras financeiras por ele.
[tps_title]7.º Hulk[/tps_title]

É a 22.ª transferência mais cara de sempre (quase 45M€, se alguém quisesse lavar dinheiro sujo não agiria de forma diferente) e um exemplo de como o jogador brasileiro se tornou quase uma “marca de sucesso” – curiosamente à medida que o futebol do país foi entrando em crise de resultados internacionais. Craque em Portugal, bom jogador na Rússia, potencial para ser um reforço interessante de uma equipa da primeira metade da tabela da Premier League… mas nunca na vida um jogador de classe mundial. Evoluiu muito no Porto, é verdade, mas nem por sombras até esse estatuto. Ir jogar para a Rússia decerto também não o ajuda a desenvolver-se. No entanto, não é isso que o impede de atingir o topo; simplesmente, ao contrário do que tantas vezes se quer fazer crer, o mundo não está dividido entre craques e maus jogadores. Um grande número de futebolistas situa-se algures entre esses dois extremos e Hulk, embora seja um executante acima da média, faz parte dessa imensidão de atletas.
[tps_title]6.º Fernando Gago[/tps_title]

Uma coisa é o que se quer, outra é o que se consegue. O entusiasmo desmedido de adeptos e imprensa elevou Gago ao estatuto de sucessor do genial Fernando Redondo, menosprezando o facto de existirem óbvias diferenças de qualidade entre o campeonato argentino e as melhores ligas europeias. A transferência para o Real Madrid aos 21 anos também não o ajudou, mas a verdade é que Gago teve várias oportunidades em boas equipas e nunca esteve em grande destaque.
Eminentemente defensivo, relativamente tímido em campo e com poucas valências na construção, só mesmo no primeiro nome, no cabelo, na posição ocupada e no facto de o apelido ser um adjectivo é que é possível encontrar semelhanças com Redondo. Aos 26 anos, já com o estatuto de ex-promessa, Gago voltou à Argentina, mantendo-se no seu país desde então. A alvi-celeste, pese embora ter chegado à final do Mundial 2014, não realizou prestações de encher o olho. E Gago, por sua vez, foi um dos elementos mais apagados.
[tps_title]5.º David Luiz[/tps_title]

Talvez o central mais sobrevalorizado da actualidade. O que escrevi para Hulk e Gago aplica-se também a David Luiz: há que ter a noção de que um grande jogador num determinado campeonato o não é necessariamente em ligas de maior renome e grau de dificuldade. Tecnicamente evoluído, o defesa brasileiro apresenta, contudo, algumas das características mais comprometedoras num central: é demasiado aventureiro, demasiado impetuoso na abordagem aos lances (não falo apenas de dureza, mas acima de tudo de capacidade de ler as jogadas e de tomar a decisão mais adequada), apresenta níveis de concentração e de posicionamento medianos e que o levam, por vezes, a cometer erros pouco desculpáveis no nível das equipas em que joga.
É verdade que as exibições contra Porto e Liverpool ao serviço do Benfica (aqui foi lateral, mas há princípios que são comuns às duas posições) ou contra a Alemanha no último Mundial são os piores exemplos, mas o facto é que este jogador intercala frequentemente boas partidas com prestações comprometedoras. A sua irregularidade é pouco recomendável num central, e os ofensivos 50M€ que o PSG pagou por ele fazem com que seja uma presença obrigatória nesta lista. Anedótico ter integrado a equipa do ano de 2014.
[tps_title]4.º Claudio Ranieri[/tps_title]

É o único não-jogador desta lista e o homem que me dá mais esperanças de eu um dia vir a ser um treinador de renome. Treinou Inter, Juventus, Roma, Fiorentina, Chelsea, Valencia, Atlético de Madrid, entre outros, e ganhou apenas duas taças, uma Supertaça nacional e outra europeia (neste último caso, apenas concluiu o trabalho iniciado por Rafael Benítez, outro técnico a meu ver sobrevalorizado, que vencera a Taça Uefa com o Valencia no ano anterior).
Era o treinador do Chelsea no primeiro ano de Abramovich, mas não soube fazer a renovação geracional que Mourinho levaria a cabo; não conseguiu colocar a Juventus na luta pelo título depois da subida de divisão, embora tenha tido dois anos para o fazer; na Roma esteve perto de conquistar o scudetto, mas uma derrota em casa com a Sampdoria deitou tudo a perder e, na segunda época, foi despedido – ficou também célebre o dia em que quis substituir Totti e o capitão lhe “ordenou” que tirasse outro colega; como “prémio” foi para o Inter, que vencera 5 dos últimos 6 campeonatos e, pela primeira vez em 13 anos, os milaneses ficaram abaixo do 5º lugar; no Mónaco, com um plantel de luxo, ficou a 9 pontos do campeão; por último, foi despedido de seleccionador grego ao fim de quatro jogos, após uma derrota caseira com as Ilhas Faroé e com apenas um ponto somado.
A falta de resultados fala por si. No entanto, de forma inexplicável, Ranieri continua a ter trabalho em bons clubes. (Menção “honrosa” para Arsène Wenger, que começou bem a sua aventura no Arsenal mas que parece não ter compreendido a evolução do futebol).
[tps_title]3.º Andy Carrol[/tps_title]

Simboliza os gastos astronómicos e imorais dos clubes ingleses, e do Liverpool em particular. Também podiam estar aqui Downing ou Lallana, mas os 41M€ que os reds pagaram por um jogador que começava apenas a despontar são imbatíveis e representam um exemplo de péssima gestão (se não de lavagens de dinheiro, que ao fim e ao cabo é por isso que os grandes magnatas se interessam pelo desporto-rei…).
58 jogos no Liverpool, 11 golos, apenas 6 no campeonato. Pelo meio, insinuações do então seleccionador inglês Fabio Capello acerca dos excessos alcoólicos cometidos por este jogador. Se os futebolistas ingleses se tornaram tão irrealisticamente sobrevalorizados, não faria mais sentido gastar menos e melhor em duas ou três contratações com pés e cabeça em vez de estoirar tudo num atleta que não provou nada?
[tps_title]2.º Sergio Ramos[/tps_title]

Provavelmente escolhi uma má altura para incluir este jogador, mas penso que continua a fazer todo o sentido. Em todas as eras há um punhado de “meninos bonitos” a quem a imprensa dá a mão. Sergio Ramos é um dos mais recentes. Em Espanha é herói. Em 2014, ano estrondoso de Ronaldo, o As já tinha iniciado uma campanha para se atribuir a Bola de Ouro ao central espanhol, e que só foi esfriada com a péssima prestação de Ramos e do seu país no Mundial. Na verdade Sergio Ramos nem sequer é o melhor central do Real Madrid, quanto mais do mundo… Pensar nele para a Bola de Ouro é apenas delirante.
Em poucas palavras, descreveria este jogador como um central que ataca melhor do que defende. Ora, isto é inconcebível num clube como o Real Madrid. Ao longo dos últimos anos, os merengues sofreram golos em quase todos os jogos e isso, em boa parte, deve-se aos erros de Ramos – seja a nível de posicionamento, de abordagem negligente aos lances, de excesso de confiança ou de falhas de concentração. A sua agressividade desmedida só não tem outras consequências porque se trata de um jogador do Real.
[tps_title]1.º Mario Balotelli[/tps_title]

Neymar disse recentemente que “será complicado ultrapassar Messi e Ronaldo“; Balotelli afirmou em tempos que “só existe um jogador que é um pouco melhor que eu: Messi“. A frase do brasileiro é o primeiro passo para se continuar a aproximar dos dois monstros do futebol; a do italiano mostra arrogância, falta de noção e infantilidade. Esta última palavra é, de resto, a que melhor define Mario Balotelli, ainda que o ponta-de-lança lhe junte algumas doses de loucura. Os dardos lançados aos juniores de um dos seus ex-clubes ou o facto de ter incendiado a própria casa com fogo-de-artifício são apenas dois exemplos. Sim, ambos se passaram fora de campo. Mas dizem muito sobre a estabilidade mental do atleta em questão.
Há jogadores razoáveis e bons tecnicamente que se conseguem tornar muito bons porque apostam no desenvolvimento de capacidades tácticas, mentais e de trabalho. Balotelli é o contrário: um miúdo que nasceu com enorme talento para jogar à bola mas a quem falta tudo o resto. E o problema é que agora já não é miúdo. As suas atitudes insólitas e a personalidade instável também acabaram por lhe granjear demasiada popularidade e por o elevar a um nível que ele talvez nunca tenha tido. Os zero golos em 12 jogos pelo Liverpool no campeonato são o fracasso mais recente de uma carreira feita aos repelões, e que está tudo menos a melhorar. Não é por se ter sido uma grande promessa que se vai ser um grande jogador. E o maior culpado de tudo isto é o próprio Balotelli. Se eu fosse treinador de um clube milionário, este seria o último jogador que contrataria.










