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Brasil 0-0 Paraguai (4-3 g.p.): “Canarinha” sofre para ultrapassar “autocarro” paraguaio

Filipe Carvalho · 3 min

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No primeiro jogo referente aos quartos de final da Copa América 2019, o Brasil venceu o Paraguai por 4-3 no desempate pela marcação de grandes penalidades, após um 0-0 durante o tempo regulamentar.

Como anfitrião e perante os seus adeptos exigentes (dada a quantidade e qualidade dos jogadores que têm ao seu dispor) o encontro começou, como seria de esperar, com a “Canarinha” a tomar iniciativa na construção de jogo e com pressa em visar a baliza paraguaia.

Do outro lado estava um Paraguai a procurar a velocidade de Derlis González (hoje como ponta-de-lança), tendo como elemento de ligação, o criativo Miguel Almirón, utilizando como principal arma para ferir o Brasil, o contra-ataque. O estilo típico de formações de menor nomeada: “dar” a bola ao adversário e tentar surpreender após a recuperação de bola.

É caso para dizer que o argentino Eduardo Berizzo estacionou, não um, mas dois autocarros em frente à baliza de “Gatito” Fernández. Não tendo o mesmo tipo de recursos que o Brasil, montou um sistema de 4-4-1-1, com as linhas muito próximas, de forma a não dar espaço entre linhas ao Escrete.

À passagem do primeiro quarto de hora, a “torcida” dos homens da casa começava a ficar impaciente, perante o jogo previsível e sem ninguém para desequilibrar ou mexer com o jogo. Pairava no ar o “fantasma” de Neymar…

A maior ocasião de perigo da primeira parte pertenceu ao Paraguai. Até então, frente a um Brasil com muita bola, muito esforçado, mas a jogar mais com o coração do que com a cabeça.

Fonte: CBF – Confederação Brasileira de Futebol

Já no segundo tempo, quando se esperava que Tite deixasse o seu conservadorismo personificado pelos dois pivôs que mantinha à frente da defesa (Allan e Arthur) e metesse toda a “carne no assador”, o sistema defensivo de Berizzo continuava a funcionar.

Ao minuto 54′ foi assinalado penálti para o Brasil, mas após a análise do VAR o árbitro retificou a decisão e marcou livre e consequente expulsão de Balbuena. Intervenção acertada, mas mais uma vez, como temos sido habituados nesta Copa, com bastante tempo perdido.

Com uma unidade a mais, o Escrete fez notar a superioridade numérica e deu-se início a um autêntico festival de golos falhados. Primeiro Gabriel Jesus, depois Firmino, Éverton, Willian… era uma daquelas noites em que parecia que a bola não queria entrar. Foi preciso o desempate pela marca dos 11 metros.

Na lotaria dos penáltis, para os homens da casa, marcaram Willian, Marquinhos, Coutinho e Gabriel Jesus, enquanto que Almirón, Váldez e Rojas fizeram os tentos da “Albirroja”.

O Brasil é assim o primeiro semifinalista, e aguarda pelo vencedor do Venezuela – Argentina, que será o seu próximo adversário.

 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Brasil: Alisson, Filipe Luís (Alex Sandro, ’46), Thiago Silva, Marquinhos, Dani Alves (Lucas Paquetá, ’85), Allan (Willian, ’70), Arthur, Coutinho, Everton, Gabriel Jesus e Firmino.

Paraguai: Fernandez, Piris, Gomez, Balbuena, Alonso, Arzamendia (Váldez, ’61), Pérez (Rojas, ’74), Ortiz, Sanchez (Escobar, ’78), Almirón e Derlis Gonzalez.

A FIGURA

Fonte: APF – Asociación Paraguaya de Fútbol

Miguel Almirón – O médio do Newcastle foi a figura em maior evidência neste jogo. Numa partida sem nenhuma individualidade da equipa vencedora a sobressair, teve de ser Almirón a assumir todos os papéis. Defendeu, segurou a bola em função da equipa, investiu várias vezes contra a defesa contrária, pena que a sua seleção não tenha estado à sua altura no momento ofensivo. Foi o “carregador de piano” ao mesmo tempo que exercia funções de “maestro”, pautando o jogo no pouco tempo que o Paraguai teve a bola. Para além de ter tido pilhas até aos ’90. Notável. E com uma margem de progressão enorme.

O FORA DE JOGO

Fonte: CBF – Confederação Brasileira de Futebol

Tite – O conservadorismo habitual. Nada comum para um treinador sul americano. Com todo o respeito pela nação paraguaia, o Brasil devia ter ganho este jogo no tempo regulamentar. Tem armas mais que valiosas para isso. Deveria ter dominado o Paraguai do primeiro ao último minuto. Tal não aconteceu. Só por volta dos ’70 é que se começou a notar o “Escrete” a funcionar como um todo. Não se percebe o porquê de colocar dois médios defensivos/de ligação em partidas de baixo grau de dificuldade. Depois não há quem faça golos. Pouco ambicioso, ou demasiado receoso, a meu ver.

Foto de Capa:  Confederação Brasileira de Futebol

Filipe Carvalho

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