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Hoje em dia já se torna menos necessário explicar a técnica do Triplo Salto e no que o mesmo consiste. Felizmente, tanto a nível nacional quanto internacional, o interesse por este tipo de Salto tem crescido bastante e é hoje uma das disciplinas favoritas de muitos adeptos e curiosos do nosso desporto. Ainda assim, explicando muito resumidamente, podemos dizer que o Triplo Salto – tal como o nome indica – é composto por três saltos sucessivos: um salto a pé coxinho (hop), uma passada saltada (step) e um salto final (jump), que terminará com a queda na caixa de areia.

Fonte: pinimg
No mundo de língua portuguesa, e nomeadamente no Brasil, o Triplo Salto é uma disciplina com história. Adhemar Ferreira da Silva, Nelson Prudência, João Carlos Oliveira e Jadel Gregório, todos eles atletas medalhados em grandes competições foram importantes atletas ao longo da história, sendo que Jadel Gregório – embora nunca tenha vencido um Ouro em eventos globais – detém mesmo o recorde do Triplo entre países falantes da língua portuguesa, com 17.90.
Já em Portugal, Nelson Évora, uma estrela respeitada no circuito mundial e um dos nomes para sempre imortalizados da disciplina, detém o recorde absoluto português do Triplo (17,74), ao ar livre e em pista coberta.

Fonte: Zimio
Foi campeão mundial (Osaka 2007), campeão olímpico (Pequim 2008) e ainda alcançou mais uma medalha de Prata (Berlim 2009) e duas de Bronze (Pequim 2015 e Londres 2017) em Mundiais. Foi também campeão europeu de Pista Coberta por duas vezes (Praga 2015 e Belgrado 2017) e alcançou um Bronze num Mundial Indoor (Valencia 2008). Aos 33 anos, ainda a um nível altíssimo e com uma carreira marcada por lesões graves, fica sempre a pergunta no ar: até onde Évora poderia ter ido sem lesões? Ficará para sempre essa interrogação que, ainda assim, em nada belisca a carreira de um dos nomes maiores da história do Atletismo português. As 32 melhores marcas da história nacional pertencem a Nelson Évora (o cenário deverá mudar com a nacionalização de Pichardo) e a seguir a ele apenas temos um único outro atleta nacional que saltou mais de 17 metros, Carlos Calado (com 17,09 em Pista Coberta).
Até ao aparecimento de Patrícia Mamona e Susana Costa, a tradição de Portugal no Triplo feminino a nível global era praticamente inexistente. Nunca qualquer atleta portuguesa tinha estado numa final olímpica do Triplo Salto (convém dizer também que apenas faz parte do programa olímpico feminino desde 1996) e para se perceber o feito destas meninas, entraram logo as duas directamente para a final do Rio, sendo Portugal o único país duplamente representado nessa final. No ano passado, em Londres, repetiram o feito e ambas marcaram presença na final dos Mundiais. Mamona é a recordista nacional (14,65), com a marca obtida no Rio e Susana Costa é a segunda melhor de sempre (com 14.35 no ano passado).
Esquecendo estas duas atletas de nível de elite, a terceira que mais saltou foi Cristina Morujão a uns distantes 13.57. Quanto a medalhas, Patrícia Mamona já conta, aos 29 anos, com um Ouro nos Europeus de Amesterdão em 2016, depois de uma Prata em Helsínquia 2012. Também conquistou uma Prata no ano passado nos Europeus de Pista Coberta em Belgrado, ano em que venceu a IAAF World Indoor Tour.

Fonte: Zimbio
Lá fora, o circuito mundial masculino tem tido um nome forte, acima de todos os outros: Christian Taylor (USA), que tem dominado por completo a disciplina (2 Ouros em Jogos Olímpicos e 3 Ouros em Mundiais) e não esconde a sua ambição em querer mais e chegar ao recorde mundial.

Fonte: Diamond League
Depois temos o seu compatriota, Will Claye (USA) que tem vivido à sombra de Taylor, com 2 Pratas em Jogos Olímpicos, 1 Prata e 2 Bronzes em Mundiais e um Ouro Indoor; Teddy Tamgho (FRA), o monstro que chocou o mundo ao saltar mais de 18 metros no título mundial (em Moscovo 2013), que é também o recordista mundial indoor e que tem sido bastante fustigado por lesões, não conseguindo encontrar o nível de há 5 anos atrás e Pedro Pablo Pichardo (CUB/POR), o atleta nascido em Cuba, agora português, que muito também prometeu – saltou 18.08 já! – conquistando inclusive duas medalhas de Prata em Mundiais (2013 e 2015), mas que tem, também, sido castigado por lesões e situações burocráticas complexas. Ainda assim, Pichardo, aos 24 anos, vai bem a tempo de fazer história com a bandeira portuguesa!
No feminino, há 3 atletas que se destacam claramente face à concorrência: Caterine Ibarguen (COL), nome gigante da modalidade (já saltou 15.31), campeã olímpica (Rio 2016) e dupla campeã mundial (Moscovo 2013 e Pequim 2015), com mais uma Prata olímpica e uma Prata e um Bronze em Mundiais parece finalmente, à beira de completar 34 anos, estar a passar o testemunho a Yulimar Rojas (VEN).

Fonte: Getty Images
A jovem venezuelana, de 22 anos, é a actual campeã mundial ao Ar Livre (Londres 2017) e Pista Coberta (Portland 2016), depois de ter conseguido uma Prata nos Jogos Olímpicos do Rio e do alto dos seus 1.92 metros é uma séria candidata a dominar por completo a disciplina nos próximos anos. Por fim, Olga Rypakova (KAZ). Também como Ibarguen, já nos seus 33 anos, deverá por esta altura ter atingido o seu nível máximo (quando saltou os incríveis 15.14 em Doha). Foi campeã olímpica em Londres, mas desde aí o Bronze tem sido a sua medalha nos maiores eventos mundiais.
Quanto aos atuais recordes mundiais, curiosamente ambos foram alcançados nos Mundiais de Gotemburgo em 1995! Sim, leram bem: Há quase 23 anos que estes recordes perduram. E todos os anos ouvimos dizer que a queda de ambos está para breve. Seria Ibarguen a bater o feminino certamente, dizia-se. Pois, já não nos parece que seja. Yulimar Rojas (VEN) poderá ser quem terá uma palavra a dizer nesta equação, mas é sempre uma incógnita. Andamos ainda longe do recorde mundial da ucraniana Inessa Kravets (15.50) e recordemos que há poucos anos, a camaronesa Françoise Mbango Etone (15.38) e a russa Tatyana Lebedeva (15.36) até já andaram mais próximas do que a própria Ibarguen (15.31). Rojas já passou dos 15 metros (15.02) e tem apenas 22 anos. Será?
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No Masculino, a obsessão é grande e o próprio Christian Taylor confessou já algum desespero por saber que tem andado tão próximo, mas não tem conseguido bater o salto mais longo da história. A melhor marca de Taylor é 18.21. O recorde mundial do inglês Jonathan Edwards é de 18.29.
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Taylor é o segundo homem da história a saltar mais no Triplo Salto. Será que o que tem guardado será o suficiente e veremos um dia o norte-americano com o recorde mundial? Aos 27 anos, Taylor até já disse que este ano vai-se dedicar a outras coisas para não sentir tanta pressão (sem abdicar de algumas provas do Triplo onde tentará o recorde, irá experimentar os 400 metros esta época), mas tem alguns adversários à espera de lhe roubar o lugar.
Uma coisa é certa: tanto no masculino, quanto no feminino, a “maldição” de Gotemburgo perdura e os recordes do Triplo – que estão sempre para cair – ainda por cá se mantêm. Até quando não sabemos e essa é a beleza do nosso desporto.
Foto de Capa: COP










