Redação Bola na Rede

Rui Gonçalves

55 artigos publicados · no Bola na Rede desde 2025

Licenciado em Sociologia, o Rui Gonçalves aborda o futebol dentro e fora das quatro linhas. Através de um olhar crítico, escreve sobre tática, gestão desportiva e os seus impactos individuais e sociais.

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Benfica

A hora de Andreas Schjelderup | Benfica

Ainda não chegamos ao solstício de primavera, mas a hora já mudou: é hora de Schjelderup. Face à ironia, porque jovens como o extremo nórdico precisam de tempo. Tempo de jogo, tempo de treino e tempo para errar, crescer, aprender e mostrar o talento que os clubes julgam que o jogador dispõe (ou não). Há sempre quem diga que não há tempo a perder, mas o tempo é o maior arquiteto da realidade e também se dá tempo ao tempo. Nos últimos tempos, Andreas Schjelderup tem subido de rendimento, mesmo que isso nem sempre seja notório com golos e assistências. Ainda assim, foi recompensado por um jogo de grande qualidade frente ao Real Madrid com um bis e já chegou a marcar para o campeonato depois desse mesmo jogo. Friso esta relação com a baliza porque, muitas vezes, Schjelderup é acusado de “não ter golo”- volta a ironia, porque o melhor jogo de Schjelderup com a camisola do Benfica foi no passado sábado, frente ao AFS, onde nem marcou, nem assistiu.

Rui Gonçalves · 3 min de leitura
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Opinião

A Batalha Eterna | Braga x Vitória SC

Continua a eterna batalha entre guerreiros e conquistadores, desta vez com palco na cidade de Braga. Pouco mais de um mês depois, joga-se novamente o domínio pela região do Minho, que marca vantagem tangencial para a equipa de Guimarães, após a vitória na final da Taça da Liga. Tem sido uma época atípica para ambos os clubes. Muitas vezes reconhecidos como “os maiores de Portugal depois dos grandes”, têm encontrado resistência e dificuldades internas no que se pode descrever, para ambos os casos, como um ano zero. Ainda que tenham protagonizado uma final, há o sentimento que, entre treinador e jogadores, podia ser melhor e, enquanto estatuto de clube, tinha que ser melhor.

Rui Gonçalves · 4 min de leitura
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Força da Tática

Força da Tática: FC Porto x Sporting

FC Porto e Sporting encontraram-se uma vez mais na cidade Invicta para um clássico que prometeu muito, mas que entregou pouco. Sendo um jogo decisivo para as contas do título, havia expectativa para perceber que rumo este jogo levaria e qual seria o seu fatídico desfecho. Sob olhar atento de águia sonhadora, Portugal viu Farioli e Rui Borges respeitarem-se durante grande parte do jogo e, embora a proatividade do treinador italiano tenha colhido frutos, o empate final acabou por ser um resultado justo. Durante mais de uma hora de jogo, as balizas pareceram acessórios decorativos num relvado que teimava que aquela era a hora do banho. Foi um embate enrodilhado a meio-campo, onde os encaixes das duas equipas no miolo são chave para percebermos o que aconteceu.

Rui Gonçalves · 4 min de leitura
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Opinião

Águia aponta às estrelas | Benfica x Estrela da Amadora

De regresso de Turim, o Benfica continua a sua ‘caça aos rivais’ e, mesmo voando baixo, aponta às estrelas, ou melhor, à estrela solitária da Amadora. Do outro lado, vem um conjunto que se prepara para fugir à luta pela manutenção; mas não vêm de muito longe, que da Reboleira ao Estádio da Luz faz-se num instante. Assim vai o derby da linha azul do metro de Lisboa. Condenada à perseguição ao segundo lugar, a equipa da Luz ganhou uma nova cara nos últimos jogos. Com as lesões de Enzo e Richard Ríos e com Manu ainda a ganhar ritmo, José Mourinho viu-se forçado a reimaginar o meio campo das águias. Com isto, Barreiro voltou a descer no terreno, Aursnes voltou, enfim, à sua posição natural e Sudakov completou o triângulo, jogando atrás do ponta de lança.

Rui Gonçalves · 5 min de leitura
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Premier League

Ruben Amorim | Pela boca morre o peixe

Por terras de Sua Majestade, Ruben Amorim aprendeu que pela boca morre o peixe. O treinador português havia chegado em novembro de 2024 para substituir Erik ten Hag a cargo do Manchester United. Pouco mais de um ano depois, o ciclo foi fechado depois de uma conferência de imprensa explosiva. Ao fim ao cabo, foi uma experiência desastrosa e o percurso de Ruben Amorim no Manchester United pode ser descrito como um fracasso, mas auguro que de muita aprendizagem também. A verdade é que Ruben Amorim não foi despedido porque terminou em 15.º ou porque perdeu jogos contra equipas reduzidas a 10 homens, ou porque empatou contra equipas que são forçadas a lutar pela manutenção ou porque, em um ano, teve uma taxa de vitória de 33%. Ruben Amorim foi despedido porque se impôs publicamente à estrutura e expôs a mediocridade da mesma.

Rui Gonçalves · 5 min de leitura
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Benfica

Os opostos atraem-se | Benfica x Braga

Tenho para mim que Benfica e Braga querem coisas completamente diferentes do jogo, e por isso mesmo, voltam-se a enfrentar semana e meia depois. É mesmo verdade, os opostos atraem-se. Neste caso, atraem-se tanto figurativamente, como literalmente, dentro de campo. O carrossel minhoto e a pressão homem a homem do Benfica desenham um belo de um jogo à la gato e rato.  Recuando a cassete para o jogo na Pedreira, percebemos que o mesmo entregou exatamente aquilo que prometeu e mostrou-nos como cada uma das equipas se comporta quando exerce controlo sobre a outra: nos primeiros 45, o Benfica teve muitas dificuldades na pressão, os movimentos constantes dos jogadores bracarenses deixavam os jogadores do Benfica com dúvidas se acompanhavam o jogador ou mantinham a sua posição - como aconteceu com Pau Victor e Tomás Araújo. Desta forma, a equipa da casa conseguia bater a pressão e instalar-se no meio-campo adversário, jogando como queria e fazendo proveito de dinâmicas ofensivas entre Zalazar, Pau Victor e Ricardo Horta.

Rui Gonçalves · 5 min de leitura
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Olheiro BnR

Olheiro BnR | Sidny Lopes Cabral

Sidny Lopes Cabral é reforço do Benfica no próximo mercado de janeiro, num negócio que, segundo noticiado, ultrapassa os seis milhões de euros, com o Estrela da Amadora a reter uma percentagem do passe do jogador. Esta é então a primeira contratação da era José Mourinho e corresponde a um perfil que talvez não seja único no plantel, mas que é importante pela sua polivalência e pelo leque de opções que dá ao treinador encarnado.

Rui Gonçalves · 3 min de leitura
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FC Porto

Dragão sobre estrelas | FC Porto 3-1 Estrela da Amadora

Numa noite de segunda-feira fria e chuvosa no Estádio do Dragão, o FC Porto recebeu e venceu o Estrela da Amadora por 3-1, com dois golos de Samu e um de Francisco Moura. Abraham Marcus, que protagonizou a ‘lei do ex’, marcou o único golo do Estrel.. Farioli não proporcionou grandes alterações no 11 inicial, apenas o regresso de Alan Varela em detrimento de Pablo Rosário. Vale o destaque para a manutenção de Rodrigo Mora no estatuto de titular, onde vive o melhor momento da temporada. Também João Nuno apenas promoveu uma alteração desde o jogo frente ao Arouca, com a entrada de Alexandre Sola por Jovane Cabral no 11 titular.

Rui Gonçalves · 4 min de leitura
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Benfica

Benfica e Ajax | Dois históricos europeus nas sombras

Benfica e Ajax são dois históricos europeus que vivem nas sombras, mas cresceram na luz. Hoje, despidos de identidade, são uma amostra do poderio que outrora emanavam. Ainda assim, há momentos onde a história se torna o presente. Os gigantes adormecidos medem forças, mais uma vez. É dia de jogo, jogam Benfica e Ajax. Eusébio veste o manto que se tornou sagrado quando tocou na sua pele, camisola vermelha aguerrida com uma gola em “v” sempre reconhecível. Leva o 10 nas costas. Johan Cruyff calça as suas chuteiras pretas e veste a sua camisola de manga comprida, toda ela branca, não fosse pela larga risca vermelha ao meio. O número 14 marca-lhe as costas, porque não faz parte do rebanho, mas define-o. Revoluciona o relvado por o pisar, revoluciona um número por o usar. Os dois encontram-se no túnel e partilham um abraço antes do jogo, porque a amizade dos dois transcende mais que os próximos 90 minutos, simboliza o respeito pela construção de um legado que não haveria de ser maior, mas igual a eles próprios. É dia de jogo, jogam Eusébio e Cruyff. 

Rui Gonçalves · 4 min de leitura
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FC Porto

A que Porto leva este Farioli?

A que Porto leva este Farioli? O treinador italiano chegou à Invicta este verão e o FC Porto, guiado por este farol, tem viajado em velocidade de cruzeiro em mar brando, onde só conheceu a tempestade quando visitou Nottingham. Desde cedo, o treinador proveniente do Ajax registou a sua identidade: pressão alta, homem a homem a campo inteiro. Apesar de Farioli ter-se vindo a adaptar ao contexto em que se insere ao longo da sua carreira, a base começa aí: recuperação em zonas altas, de forma a promover transições rápidas. Gosta, também, que as suas equipas construam desde a sua própria baliza e encontrem espaços com mecanismos atrair-fixar-soltar, através de automatismos que também tem vindo a implementar nesta equipa do Porto.

Rui Gonçalves · 5 min de leitura
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Benfica

À segunda é de vez | Benfica x Casa Pia

É um jogo que marca um virar de página para o Benfica e para o Casa Pia. Do lado da equipa da casa, fecha-se, por fim, o capítulo das eleições aos órgãos sociais. Do lado do Casa Pia, é o primeiro jogo desde o despedimento de João Pereira, um treinador novo e que se mostrou promissor, mas que não resistiu aos maus resultados, fruto também de ter visto a sua equipa despida de uma época para a outra. Dentro de campo, que é onde mais importa, as equipas oscilam. José Mourinho talvez tenha encontrado uma base para conseguir fazer este Benfica jogar à bola: pressão homem a homem e forçar ataques rápidos a partir da recuperação em zona alta. Repare-se, não que o futebol seja uma ciência exata, mas há duas fórmulas mais convenientes para uma equipa grande portuguesa se impôr em contexto nacional e que encaixam no que é o futebol moderno: jogo posicional e pressão alta.

Rui Gonçalves · 5 min de leitura
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Benfica

O povo é quem mais ordena | Benfica x Arouca

Não é o evento mais importante em torno do Benfica este sábado, mas o campeonato nacional volta ao Estádio da Luz, depois de tempo de paragem para jogos internacionais. O Benfica vem de um período de forte instabilidade, onde José Mourinho ainda procura “meter o dedo” nesta equipa que teve um início de época atribulado. Já o Arouca, equipa protagonizada pelo romantismo habitual de Vasco Seabra, montou um plantel técnico e entusiasmante, mas tem vindo a desiludir nos jogos grandes, ainda que o plano de jogo para os mesmos fosse percetível e razoável. Ainda com o peso da derrota frente ao Newcastle, o Benfica prepara já o próximo jogo. Há que rever o que há de errado, melhorar o que há de bom e explorar opções em posições debilitadas, até porque Dedic está lesionado. Talvez me precipitei quando referi que Mourinho já havia selecionado um 11 base, creio que o treinador português ainda procura os melhores jogadores para cada posição e ainda torce o nariz a alguns elementos do plantel. Desta forma, tenho dúvidas se Dahl ou Schjelderup terão um papel mais predominante do que até então.

Rui Gonçalves · 5 min de leitura
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Benfica

José Mourinho e os jogos contra as equipas pequenas

José Mourinho é treinador do Benfica desde o dia 18 de setembro de 2025. Bem sei que a pausa internacional devorou metade do tempo, mas já lá vai quase um mês desde o seu regresso à Luz. Há um par de ilações a tirar sobre as mais recentes exibições do Benfica e expectativas para um futuro próximo. No seio benfiquista, paira a mesma dúvida agora que não se calava há dois meses atrás: como é que vai ser contra as equipas “pequenas”? Vale, desde já, destacar as boas exibições que o Benfica deixou em Londres e no Porto, muito principalmente do ponto de vista defensivo. Tanto num jogo como no outro, as missões atribuídas a jogadores em termos de marcação homem a homem (Ríos, Enzo) e a ocupação dos espaços (diferentes papéis de Sudakov e Aursnes) foram acertadas e contribuíram para uma estrutura coesa - isto não quer dizer que não existisse espaço, existia, mas era o espaço que a equipa de Mourinho escolhia dar.

Rui Gonçalves · 5 min de leitura
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Sporting

O novo Sporting

Há um “novo” Sporting, com ênfase nas aspas. Já foi uma equipa com um cunho muito forte do seu treinador, mas Ruben Amorim já saiu há quase um ano. Com a época em andamento e um plantel com a identidade do atual treinador do Manchester United tão vincada, Rui Borges preocupou-se em adaptar-se ao plantel (e bem) até ter tempo para impor o seu próprio estilo de jogo em Alvalade. Findada a época e com duas taças no bolso, era tempo de descansar e pensar na temporada 2025/2026, onde Rui Borges tem promovido algumas mudanças táticas, mas mantendo algumas bases. Os preparativos para esta mudança começaram no mercado de transferências leonino: era importante trazer perfis novos, principalmente na defesa. Rui Borges aprecia laterais subidos e confortáveis em dar largura e chegada ao último terço e o único perfil do plantel do Sporting que encaixava nesta descrição era o de Maxi Araújo. Por isso mesmo, Ricardo Mangas e Vagiannidis foram alvos identificados pelos leões. Ao mesmo tempo, era preciso arrumar a casa no que toca ao setor de defesas centrais (ainda que o caso St. Juste seja constrangedor) e Kochorashvili traz mais opções e um perfil novo para o miolo.

Rui Gonçalves · 6 min de leitura
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Benfica

O legado de Bruno Lage no Benfica

Em modo dejá vu, Bruno Lage deixa um legado de controvérsia e um plantel com prestações aquém das expetativas. Depois de uma derrota histórica frente ao Qarabag, mediante julgamentos dos seus, no inferno (gélido) da Luz, o treinador sadino não resistiu à pressão do terceiro anel e Rui Costa tomou, novamente, a decisão que se recusou a tomar há meses atrás. Fim da linha para Bruno Lage, segue-se José Mourinho enquanto treinador do Sport Lisboa e Benfica. Bruno Lage chegou ao Benfica há pouco mais de um ano, numa situação pós-apocalíptica. Caiu de paraquedas. Perceba-se: Bruno Lage é a consequência da inação de Rui Costa e a sua direção, que não tomaram a decisão de romper com Roger Schmidt no tempo certo e apresentar um sucessor à altura atempadamente, recomeçando o projeto. Deixando a época começar, já em situação de descontentamento, foram obrigados a tomar uma decisão simples no tempo errado ao invés de tomar uma decisão difícil no tempo certo. Com a época em andamento e poucos treinadores disponíveis, a única opção era uma cara conhecida. Chegaram tarde ao mercado e já não havia marisco, restou Bruno Lage.

Rui Gonçalves · 5 min de leitura
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Opinião

Benfica x Qarabag | Afogar as mágoas

Depois de um desaire açoriano, o Benfica procura afogar as mágoas junto dos seus, a contar para a competição milionária. O Qarabag, sonha como pode fora de portas, o seu objetivo principal na competição já foi atingido, mas pode surpreender? O Benfica tem um calendário de Champions competitivo e desafiador, ou, para os adeptos mais pessimistas, aterrador. Acentua-se ainda mais até se pensarmos nos jogos para o campeonato existentes entre os jogos da Champions- ir a Londres a meio da semana e acabar no Porto ao fim de semana dá um bom itinerário para férias, mas é mais cansativo quando se vai jogar à bola.

Rui Gonçalves · 5 min de leitura
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