Em entrevista ao Bola na Rede, Ricardo Pessoa abordou o potencial de Camilo Durán, avançado que tem brilhado na época de estreia pelo Celtic.
Ricardo Pessoa foi um dos treinadores com maior influência na carreira de Camilo Durán, fomentando a sua evolução ao serviço do Lusitânia e, de seguida, no Portimonense. Este verão, o avançado deixou o Qarabag por 5,5 milhões de euros rumo ao Celtic, onde já soma seis golos e três assistências em 12 jogos. Em entrevista ao Bola na Rede, o técnico começou por abordar a evolução do colombiano:
«o projeto que nós tínhamos aqui era muito acreditar em jovens que estavam, entre aspas, perdidos ou que se tinham desviado de um caminho positivo, como foi o caso dele (Camilo Durán) e de outros que tinham passado no Benfica e Sporting. O caso dele acaba por ser mais fácil de falar, porque foi aquele que chegou mais longe de todos aqueles que passaram durante estes dois anos aqui, apesar de termos alguns jogadores que, entretanto, também tiveram bons percursos e que chegaram a alguns clubes grandes de Primeira Liga e outros que acabaram por andar a jogar no Distrital e Campeonato de Portugal e que hoje em dia estão a jogar a Liga 3. Ele é o caso mais flagrante porque realmente era um talento, mas faltava-lhe outro tipo de coisas. O talento estava lá, mas faltava-lhe o trabalhar diariamente, faltava-lhe aprender a sofrer, porque ele sabia que realmente era muito bom, mas achava que, por ser muito bom, se calhar não tinha que trabalhar tanto. O meu papel com ele a nível tático, trabalhámos o processo defensivo dele. Ainda há pouco tempo, ele já estava no Celtic e disse-me: ‘Mister, agora é até corro para frente e para trás’. E eu dizia: ‘Não, tu sempre conseguiste correr, tu é que não o querias fazer tanto, porque sabias que eras bom e o nível era baixo’. A nível mental, ele hoje é um jogador muito mais maduro. É um jogador que está preparado para as dificuldades e para ficar de fora. Eu levei-o para o Portimonense porque acreditava que ele ia ter sucesso, mas não foi fácil para ele no início. Ele não foi logo titular porque vinha do Campeonato de Portugal para a Segunda Liga e o contexto é diferente: a rapidez com que se joga, o tempo que nós temos para nos virar é completamente diferente e ele vinha habituado a ter esse tempo e espaço. Sendo um jogador que era melhor que os outros, aquele tempo não lhe fazia diferença, mas quando chegou à Segunda Liga, o tempo para reagir e pensar é muito menor e ele teve algumas dificuldades no início e não foi titular».
Ricardo Pessoa destacou o potencial de Camilo Durán:
«Mas eu sabia e sempre disse que era um jogador que, quando se impusesse, iria dar sucesso e foi isso que aconteceu. Acima de tudo, foi trabalhar com ele a parte mental, trabalhar este aspecto do jogo defensivo. É um craque e acredito que ele não vai ficar por aqui. Tenho uma fé enorme que ele vá ser chamado à seleção, já lhe disse há um mês atrás, e acredito que este passo para o Celtic vai permitir que, daqui a um ou dois anos, possa dar mais um salto. Foi muito bom trabalhar com os jovens, fazer crescer muitos deles, fazermos algo que era quase impossível. Não digo impossível, mas foi uma tarefa muito difícil conseguirmos subir dois anos consecutivos.»
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