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A alvorada incerta de um dragão entre sombras e promessas | Palmeiras 0-0 FC Porto

Na terra onde Bruce Springsteen cantou o desalento da juventude americana, foi a voz grave de Cláudio Ramos que se impôs no silêncio do MetLife Stadium. O FC Porto estreou-se no Mundial de Clubes com um empate a zero frente ao Palmeiras, numa noite em que as bancadas não mentiram à televisão – ainda que as câmaras o tentassem – e o futebol oscilou entre o caos sul-americano e a busca frustrada por ordem europeia. Sob o céu quente e carregado de New Jersey, dragões e verdões anularam-se num duelo de ritmos desencontrados, técnica emergente e promessas por cumprir. Havia no ar um contraste evidente entre projetos: de um lado, o Palmeiras, de Abel Ferreira, consolidado, enraizado, competitivo como sempre; do outro, o FC Porto, de Martín Anselmi, ainda à procura da sua voz, num esboço de identidade a carvão. Os dragões chegavam feridos, vindos de uma temporada atípica e sem brilho, apoiados por uma minoria ruidosa de emigrantes azuis e brancos, desejosos de um sinal. Tiveram-no, não através de um golo, mas de uma resistência.

Raul Saraiva · 6 min de leitura
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