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Natural da comunidade de Navarra, no norte de Espanha, Javi Gracia é actualmente, ainda que pouco mediático, um dos técnicos mais cotados do futebol espanhol, e muito desse reconhecimento prende-se com as duas temporadas de elevada qualidade que realizou no Málaga CF. O técnico de 46 anos conduziu os Boquerones a um meritório oitavo lugar na Liga BBVA na temporada passada, conseguindo, ainda assim e apesar de todos os problemas estruturais e financeiros da equipa, superar aquilo que havia feito na primeira época em que orientou o emblema andaluz. Após ter vencido a Liga Russa em 2008 e 2009 e de ter conseguido um terceiro lugar na temporada seguinte, sempre com Kurban Berdyev ao leme da equipa, o FC Rubin Kazan não conseguiu melhor do que o sexto lugar desde então, tendo mesmo terminado na décima posição na época passada.
Um misto de problemas de ordem financeira e estrutural, com uma mudança de treinador pelo caminho, fizeram da época passada um episódio que os adeptos do clube seguramente quererão esquecer o mais rapidamente possível. Nem Rinat Bilyaletdinov, nem Valeriy Chaly foram capazes de colocar a formação tártara no rumo certo, ainda que no último jogo da temporada tenha estado a uma “unha negra” de impedir que o PFC CSKA Moscovo se sagrasse campeão.

Fonte: sport-express.ru
Dadas as circunstâncias, imperava a necessidade de mudança no emblema que representa a cidade de Kazan, e, após alguma especulação sobre quem seria o novo técnico do FC Rubin Kazan, Javi Gracia foi o escolhido para liderar um projecto que aparenta ser ambicioso, a julgar não só pela duração do próprio contrato, mas também pela qualidade dos jogadores que o clube contratou este Verão.
O técnico nascido em Pamplona terá sido, segundo alguns meios de comunicação russos, a alternativa encontrada face ao falhanço das negociações com o lendário astro romeno Gheorghe “Gica” Hagi, que terá recusado, em duas ocasiões, ofertas milionárias para orientar o emblema do Tartaristão, facto que não retira a Javi Gracia qualidade para liderar um clube que procura voltar a marcar a sua posição, tanto na Liga Russa, como no futebol do velho continente.
Ainda que não tenha chegado à Rússia há muito tempo, Javi Gracia parece, pelo menos e para já, ter conquistado o respeito dos adeptos e dos media russos. Na conferência de impressa marcada para a sua apresentação, o técnico espanhol, quando questionado sobre se o frio do Inverno russo o assustava, respondeu quase de forma imediata que era “de Pamplona, uma cidade no norte de Espanha em que corremos à frente dos touros”, espalhando imediatamente gargalhadas por toda a sala e deixando no ar a ideia de que estava pronto para o desafio hercúleo que tem pela frente.
A chegada de Javi Gracia ao FC Rubin Kazan marca, desde já, um ponto de viragem para o clube, que, para além de fazer chegar alguns nomes sonantes, começa também aos poucos a livrar-se de uma parte substancial dos jogadores que compuseram a equipa nas últimas temporadas. A apenas uma semana do início da Liga Russa, são já muitos os reforços que chegaram à República do Tartaristão, sendo talvez Sergio Sánchez, Maxime Lestienne, Rubén Rochina, Samu Garcia, Carlos Zambrano e Alex Song aqueles que merecem maior destaque.
Numa entrevista recente ao website do clube, o experiente defesa espanhol Sergio Sánchez, que na temporada passada representou o Panathinaikos FC da Grécia e que em 2014-15 trabalhou com Javi Gracia em La Rosaleda, mostrou-se bastante entusiasmado com este novo projecto na sua carreira e garantiu que o técnico de 46 anos é um excelente profissional e que certamente tudo fará para devolver ao clube a importância que ele merece. Sergio Sánchez será, porventura, o esteio da defesa do FC Rubin Kazan esta temporada e, pelo que foi dado a entender durante os jogos e treinos de pré-temporada, terá por companheiro o internacional russo Taras Burlak, que na época passada esteve por empréstimo no FC Krylya Sovetov, ainda que o também internacional, mas pela Geórgia, Solomon Kvirkvelia seja uma opção mais que viável para ocupar esse lugar.

Fonte: bombardir.ru
Sánchez, um jogador extremamente interventivo em todos os momentos do jogo, fez questão em afirmar nessa mesma entrevista que pretende ser uma “extensão” de Javi Gracia dentro do terreno de jogo, passando para os seus companheiros as ideias do treinador. Para gáudio dos adeptos e jornalistas russos, Sánchez manifestou uma vontade férrea em aprender a língua russa rapidamente de forma a conseguir obter uma comunicação mais eficaz com os seus companheiros, algo não muito comum nos jogadores estrangeiros que rumam ao futebol russo. Outro reforço que tem estado em especial destaque esta pré-temporada é o belga Maxime Lestienne.
O versátil extremo de 24 anos tem, de certa forma e contra todas as expectativas, passado ao lado de uma grande carreira, mas tem nesta sua aventura russa uma grande oportunidade para relançar a sua carreira, que tem estado em particular declínio desde que deixou o Club Brugge KV, em 2014. Samuel Garcia, mais conhecido no mundo do futebol por Samu, é outro dos reforços em especial destaque nesta equipa do FC Rubin Kazan. Após ter trabalhado com Javi Gracia em 2014-15, Samu rumou ao Villarreal CF na temporada passada, mas agora volta para junto do técnico que o fez “ganhar nome” na divisão maior do futebol espanhol há dois anos.
O último dos nomes sonantes a juntar-se à equipa tártara foi o internacional camaronês Alex Song, que, aos 28 anos de idade, procura dar um novo rumo à sua carreira. A sua estada em Kazan estará, no entanto, pendente do aval do FC Barcelona, com quem tem mais um ano de contrato mas que o autorizou a treinar com a formação de Javi Gracia, sendo previsto que o liberte caso o jogador consiga convencer os responsáveis do emblema russo.

Fonte: matchtv.ru
Para além dos sonantes reforços, o FC Rubin Kazan contava já nas suas fileiras com jogadores de elevada qualidade que certamente irão ser de grande utilidade para o técnico espanhol. O internacional jovem croata Mijo Caktas e os internacionais russos Magomed Ozdoev, Maksim Kanunnikov, Elmir Nabiullin e o experiente guarda-redes de 35 anos Sergey Ryzhikov darão seguramente a Javi Gracia garantias para uma temporada sem grandes sobressaltos.
Javi Gracia trocou o calor da Andaluzia pelo frio de Kazan, abraçando, ao mesmo tempo, um projecto que é não só apelativo financeiramente, como também interessante na sua vertente desportiva. Aos 46 anos de idade, o técnico, que punha em prática um futebol de posse defensiva num CA Osasuna em estado quase vegetativo e um contra-ataque venenoso num Málaga CF de poucos recursos, será agora, nas palavras de Sergio Sánchez, o maestro de um FC Rubin Kazan que anda terrivelmente desafinado há uma mão cheia de anos.
Foto de capa: bombardir.ru









