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Itália 3-4 Portugal: A doce loucura de uma final que nos dá um pronúncio de glória

Pedro Machado · 4 min

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Nos ombros de Jota,  Trincão e companhia pesava a responsabilidade de tornar a amargura das finais de 2003, 2014 e 2017 numa memória distante. Para o fazer, tinham de levar a melhor sobre a Itália e oferecer, a Portugal, o primeiro título europeu de Sub19. Pois bem, assim o fizeram. E, curiosamente, tudo começou num ombro. O ombro de Trincão, que abriu caminho para o primeiro golo de Jota.

Mas comecemos pelo início. Se o fardo de vingar uma nação era pesado, isso não se notou na forma de jogar da seleção portuguesa, que entrou a pressionar de forma alta, negando qualquer ensaio de saída ao seu adversário ao mesmo tempo que lhe invadia o meio-campo. Isto resultou em quatro situações de perigo nos primeiros 25 minutos que só tiveram resposta num remate perigoso solitário de Frattesi aos 28’.

A intensidade do jogo foi-se diluindo com o passar dos minutos e já ninguém duvidava de um eventual 0-0 ao intervalo. Uma jogada de génio, porém, mudou tudo. No último minuto de descontos, José Gomes, sobre a esquerda do ataque, encontrou Trincão na área, este tocou, com o ombro (lá está), para Jota e o jogador do Benfica não se fez rogado – parou a bola no peito e fez o 1-0 (com uma ajudinha do guarda-redes italiano) para Portugal.

A final do Euro Sub19 teve muita luta
Fonte: UEFA

A Itália entrou mais atrevida (Moise Keane substituiu Pinamonti e deu outra dinâmica ao ataque) no segundo tempo, apostada em inverter o rumo dos acontecimentos. Portugal, maduro, reconheceu a fogosidade do adversário, deu-lhe a bola, defendeu-se (muito bem) e esperou a melhor altura para atacar.

A seleção portuguesa não tinha tanta bola nos pés mas tinha o jogo nas mãos. Não espantou, por isso, que pertencessem a Portugal as melhores oportunidades do jogo. Trincão ameaçou aos 57′ e aos 58’… e concretizou aos 73′. E mais uma vez através de um lance fantástico – Florentino passou longo, a bola encontrou Jota que, com uma receção fantástica, tirou o marcador directo do caminho, rematou para defesa incompleta e, na recarga, Trincão ampliou a vantagem.

Parecia tudo decidido. Parecia. A Itália ficou ferida no orgulho e houve um jogador em particular que despertou a besta dentro dele. Moise Keane. O jogador da Juventus, em dois minutos (75′ e 76′), repôs a igualdade ao concluir duas jogadas de uma forma que só está ao alcance de quem nasceu para fazer golos.

Scamacca fez o 3-3 no prolongamento
Fonte: UEFA

Portugal acusou o toque, caiu de produção. A Itália valorizou a vantagem e resguardou-se. O prolongamento chegou sem surpresas. E foi sem surpresa, também, que o ritmo do jogo baixou ainda mais. Era preciso um rasgo de génio para que o empate fosse desfeito. E mais uma vez, quando tudo parecia calmo, eis que surge, novamente, Jota. Desta vez beneficiou do trabalho de Pedro Correia, que lhe proporcionou a entrada para mais um tiro na história. 3-2 à beira do intervalo do prolongamento.

Mas as coisas não estavam decididas. Longe disso. A Itália voltou a reagir de forma intensa, em busca do empate perdido e, mais uma vez, voltou a recuperá-lo – Scamacca, de cabeça fez o 3-3 aos 108′. Desta vez, porém, Portugal não acusou o toque e, apenas 120 segundos depois do golo italiano, voltou a colocar-se na frente do marcador – Jota devolveu o favor a Pedro Correia e assistiu o ponta-de-lança para o 4-3.

O resultado não se voltaria a alterar. Ao recuperar, por duas vezes, a vantagem, estes miúdos confirmavam as credenciais de uma equipa diferente das outras. A única na Europa a conseguir juntar o título de Sub17 (em 2016) ao de Sub19. A única a conseguir trazer para Portugal o Europeu Sub19. E talvez a única que, quem sabe um dia, nos pode dar um Campeonato do Mundo. O futuro é promissor.

ONZES INICIAIS:

PORTUGAL: João Virgínia, Thierry Correia, Romain Correia,  David Carmo, Rúben Vinagre; Florentino (Pedro Correia 101′), Nuno Pina e Domingos Quina (Nuno Santos 90′); Jota (Francisco Moura 119′), Trincão e Zé Gomes (Dju 83′).

ITÁLIA: Plizzari, Bellanova, Bettella, Zanandrea, Tripaldelli (Candela 65′); Tonali (Marcuci 91′), Frattesi, Zaniolo; Melegoni (Capone 59′), Scamacca e Pinamonti (Moise Keane 45’).

A FIGURA

Fonte: UEFA

Jota – Dois golos e uma assistência a coroar uma exibição fantástica, aperaltada pela habitual qualidade técnica e pela irreverência que lhe é característica. A estas valias, João Filipe aliou força mental que permitiu desbravar o caminho da vitória com naturalidade – abriu o caminho para a vitória, fez o golo que devolveu a liderança e, depois disto, ainda assistiu Pedro Correia para o golo decisivo.
Sem ele, seria mais complicado

FORA-DE-JOGO

Plizzari – Sofreu quatro golos e teve responsabilidades nos dois primeiros. Sem eles, a Itália poderia sair da Finlândia com o título europeu de Sub19, pelo que, apesar de ser cruel atribuir este prémio a um miúdo com 19 anos, ainda para mais num jogo tão intenso e tão bom como este, é o guardião italiano que fica com ele.

Pedro Machado

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