Análise das Seleções Presentes no Mundial | Andebol

GRUPO B

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França

A França é uma favorita crónica a ganhar o Mundial de andebol. Venceu a competição por 6 ocasiões, a primeira das quais em 1995, na Islândia. A primeira presença gaulesa na competição foi em 1954, com os franceses a falhar a qualificação apenas em quatro ocasiões, a última foi em 1986. Desde 1993, a França apenas não chegou às meias-finais do Campeonato do Mundo de andebol por duas ocasiões (em 1999 e em 2013).

A França chega à Polónia como campeã olímpica de Tóquio e como terceira classificada do Euro 2022, depois de vencer os campeões do Mundo em título. Nos jogos de preparação mais recentes, pulverizou os Países Baixos com uma vitória por 44-32 e ganhou pela margem mínima frente à seleção do Egito.

Os franceses chegam ao Mundial com duas baixas em relação aos Jogos Olímpicos, com o lateral esquerdo do Barça, Timothey N’Guessan, a recuperar de um dedo partido e por sua vez, Hugo Descat, considerado o melhor ponta esquerdo de Tóquio 2020 e jogador do Montpellier, ficou de fora devido a uma lesão no joelho. A estas duas baixas, acrescem as ausências de dois colegas de Descat: Karl Konan, lateral esquerdo, e Kyllian Villeminot, central do Montpellier. Ambos contraíram lesões recentes que os deixaram de fora do Mundial.

Ainda assim, os gauleses vão contar com dois jogadores diferenciadores de grande qualidade. São eles Dika Mem, lateral direito do Barcelona. Aos 25 anos, o jovem gaulês já venceu duas Champions consecutivas ao serviço dos catalães e destaca-se muito pela sua velocidade. Na lateral esquerda, outro jogador a ter debaixo do radar é Nikola Karabatic, veterano de 38 anos que foi já campeão olímpico por 3 ocasiões e que insere experiência valiosa na equipa. Nomes como Ludovic Fabregas e Luka Karabatic, também devem ser mantidos debaixo de olho.

Polónia

Uma das seleções anfitriãs, a Polónia chega ao Campeonato do Mundo em grande forma, depois de vencer (de forma clara) os 3 jogos amigáveis que realizou, frente ao Irão, a Marrocos e á Bélgica. Chega á fase preliminar do Mundial, com excelentes hipóteses de acabar num segundo lugar do grupo, sendo que o jogo de abertura da competição, frente á França, vai permitir identificar o eventual teto da prestação polaca no Campeonato do Mundo

Os polacos têm um bom registo na competição, arrecadando já diversas medalhas (a última das quais uma de bronze em 2015), mas sem nunca ter ganho qualquer competição internacional.  O andebol polaco tem, ao invés, vindo a ultrapassar um período mais instável, tendo caído para a Taça do Presidente (destinada ao último de cada grupo no Mundial) e falhado mesmo a qualificação para o campeonato de 2019.

Apesar das ambições altas, a Polónia entra no Campeonato do Mundo, já com uma baixa de peso na forma de Kamil Syprzak, pivô polaco que atua ao serviço do PSG, que se lesionou no último jogo da Champions League que os parisienses realizaram em 2022 e da qual Syprzak é, atualmente, o melhor marcador. Os adeptos portugueses vão encontrar uma cara familiar nesta seleção. Os polacos levam na convocatória, Patryk Walczak, pivô recentemente contratado pelo Sporting.

Arábia Saudita

Uma das claras favoritas a cair para a Taça do Presidente, a Arábia Saudita é, aparentemente, a equipa mais fraca num autêntico “grupo da morte” o que torna difícil para os sauditas acabar nos três primeiros lugares do grupo, de forma a tentar melhorar o seu melhor registo de sempre em Mundiais: um 19 lugar conquistado tanto em Portugal como em Espanha.

Nas últimas quatro presenças em Mundiais, a Arábia Saudita caiu sempre para a Taça do Presidente e, tendo falhado a participação em 2021, a simples presença no Campeonato do Mundo já é um feito notório para a seleção da Arábia Saudita que vai tentar desafiar todas as previsões.

Os sauditas fizeram três jogos de preparação que não se revelaram um bom presságio para o que podem fazer em Katowice. Três derrotas, uma frente ao Bahrein e outras duas, bem expressivas, frente á Dinamarca, não indicam que a equipa da Arábia Saudita possa fazer muita coisa num grupo com três excelentes equipas, mas não seria a primeira vez que uma formação teoricamente mais fraca, surpreendia no mundo do andebol. Todos os jogadores convocados atuam na liga saudita.

Eslovénia

Já a Eslovénia prepara a nona participação em campeonatos do Mundo. Tem efetivamente um bom historial na modalidade com duas presenças nas meias-finais de Campeonatos do Mundo, em 2013 e em 2017, com a última destas a valer a única medalha (o bronze) da Eslovénia em campeonatos do Mundo.

Á semelhança do que acontece com a Polónia, a Eslovénia também tem excelentes resultados internacionais, mas nunca foi capaz de ganhar uma competição de seleções. O melhor registo é a presença na final de um Europeu, jogado na Rússia, em 2004.

Eslovénia e Polónia têm tudo, portanto, para protagonizar um dos confrontos mais interessantes do Campeonato do Mundo com ambas as seleções á procura de voltar aos bons resultados em competições internacionais, com os eslovenos a terem falhado o apuramento para o Campeonato do Mundo de 2019 e a terem obtido apenas o nono posto no Campeonato de 2021.

Para preparar a campanha na Polónia e na Suécia, os eslovenos realizaram dois jogos de preparação, ambos frente á Hungria com a Eslovénia a perder um e a ganhar o segundo. Um grupo B que promete ser cheio de emoção com uma França que tem tudo para avançar em primeiro, uma Arábia Saudita que vai tentar surpreender, assim como uma Polónia e uma Eslovénia muito niveladas entre si.

Filipe Pereira
Filipe Pereira
Licenciado em Ciências da Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o Filipe é apaixonado por política e desporto. Completamente cativado por ciclismo e wrestling, não perde a hipótese de acompanhar outras modalidades e de conhecer as histórias menos convencionais. Escreve com acordo ortográfico.

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