100 METROS: Usain Bolt (JAM)

Nos anos após os recordes mundiais de Pequim e Berlim, Usain Bolt (JAM) continuou a ser o líder incontestável da velocidade mundial. Uma falsa partida em Daegu (2011) impediu-o de renovar o primeiro título global deste período, mas um ano depois iria a Londres (2012) dar ares da sua graça, correndo em 9.63 segundos, a 2.ª marca mais rápida de sempre na distância!

Em Moscovo (2013) voltou a tornar-se campeão mundial e mesmo quando os especialistas duvidavam da sua capacidade de renovar o título – em 2015, Justin Gatlin tinha os tempos mais rápidos do circuito e Bolt enfrentava sérios problemas físicos – foi a Pequim (2015) renovar o título mundial no que por muitos foi visto como uma batalha do bem (Bolt) contra o mal (Gatlin), tendo em conta o passado polémico do norte-americano.

No Rio (2016) renovou o seu título olímpico e confirmou o seu estatuto de maior nome da história da velocidade mundial, fechando a carreira com seis títulos globais de 100 metros (quatro neste período), além de contribuir para mais seis títulos de estafeta. Yohan Blake (JAM) nos Mundiais de Daegu (2011), Justin Gatlin (USA) nos Mundiais de Londres (2017) e Christian Coleman (USA) nos Mundiais de Doha (2019, já sem Bolt) foram os outros atletas a conquistar títulos globais, mas nenhum se aproximou da grandeza do astro jamaicano que ainda hoje possui um recorde mundial (9.58) que parece indestrutível por muitos anos.

200 METROS: Usain Bolt (JAM)

O raio jamaicano participou em seis campeonatos globais nesta distância nos últimos 10 anos e conquistou o Ouro em todas as ocasiões! Bolt nunca escondeu que esta era a sua distância predileta, embora tivesse noção da popularidade maior dos 100 metros, facto que o terá levado a optar por fazer apenas essa distância nos últimos Mundiais da sua carreira. Bolt não foi o atleta com o tempo mais rápido nesta década – Blake voou no meeting de Bruxelas, em 2011, com 19.26, a 2.ª melhor marca da história –, mas nos grandes momentos esteve sempre em grande plano, com o título mundial de Daegu (19.40 em 2011) e olímpico de Londres (19.34 em 2012) a serem a 6.ª e 4.ª melhores marcas da história.

Os dois campeonatos sem Bolt foram vencidos por Ramil Guliyev (TUR) em Londres e Noah Lyles (USA) em Doha e, embora Lyles seja um sério candidato a grande figura da velocidade mundial (e muitos acreditam com potencial para ser o recordista mundial da distância), a verdade é que o palmarés do jamaicano será algo quase impossível de ser ultrapassado.

400 METROS: Wayde van Niekerk (RSA)

Num evento fortemente dominado pelos norte-americanos – no período pré-van Niekerk, os USA conquistaram 10 dos 14 ouros em Mundiais e 19 dos 26 ouros em Jogos Olímpicos (de 1984 a 2008 apenas norte-americanos venceram em Jogos Olímpicos!) – quem diria que o atleta que marcaria este período seria um sul-africano?! Mas Wayde van Niekerk merece claramente esse estatuto.

2015 foi o ano em que a estrela treinada por Ans Botha (de 77 anos de idade) despontou, conquistando logo aí o título mundial em Pequim, batendo grandes nomes como LaShawn Merrit (USA) ou Kirani James (GRN), atletas que tinham dividido os cinco títulos globais anteriores. Nesse dia Wayde correu em 43.48 segundos, uma marca verdadeiramente impressionante para quem havia começado a temporada com um melhor de 44.38 segundos!

Em 2016, o sul-africano tornou-se no primeiro homem da história a correr os 100 metros abaixo dos 10 segundos, os 200 metros abaixo dos 20 segundos e os 400 metros abaixo dos 44 segundos, sendo que para o final desse ano ainda estava reservada a cereja no topo do bolo. Nos Jogos do Rio, Wayde van Niekerk espantou ainda mais o mundo ao percorrer a distância mais rápido do que muitos pensavam ser possível, terminando em 43.03 segundos (!). Destruiu por completo um mítico recorde de Michael Johnson (43.18), que durava há quase 17 anos e que muitos diziam ser imbatível.

Em 2017 renovou o seu título mundial em Londres, sendo que dois dias depois viria a ser Prata nos 200 metros. Desde aí tem sido atormentado por uma gravíssima lesão que colocou (coloca?!) em causa a continuidade da sua carreira e falhou os Mundiais de Doha, mas é o atleta que marca a década pelos três títulos globais e pelo enorme recorde mundial, sendo o único desta década com duas marcas no top-10 da disciplina. Kirani James que conquistou dois títulos globais neste período (Daegu 2011 e Londres 2012) merece também ser destacado, sem esquecermos a recente e surpreendente grande marca de Steven Gardiner (BAH) em Doha (43.48), que lhe deu o título mundial e a 8.ª marca mais rápida da história.

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O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.