800 METROS: David Rudisha (KEN)

Os dois últimos campeonatos mundiais deram-nos dois pódios totalmente diferentes, sendo que os que conquistaram medalhas em Londres nem sequer chegaram à final em Doha! Tal imprevisibilidade demonstra na perfeição o que tem sido esta disciplina desde que David Rudisha (KEN) se lesionou com alguma gravidade e se perdeu nas sucessivas recuperações após os Jogos do Rio.

O queniano mostrou recentemente nas redes sociais que está de regresso – embora numa forma um pouco… redonda – e que espera em 2020 renovar o seu título olímpico e o seu regresso é muito bem-vindo e importante para o nosso desporto. Afinal falamos de um atleta que, nestes dez anos, conquistou quatro títulos globais (dois Mundiais e os dois Olímpicos), tendo inclusive batido nos Jogos de Londres o recorde mundial da disciplina em impensáveis 1:40.91!

Rudisha tem seis dos oito tempos mais rápidos da história (dez dos vinte e os três mais rápidos…), o que diz muito da sua superioridade nesta distância. Durante este período houve outros a correr bastante rápido sem títulos globais (Nijel Amos…) e houve três outros campeões, em Mundiais que Rudisha falhou por lesão (Mohammed Amman, Pierre Ambroise-Bosse e Donavan Brazier venceram em 2013, 2017 e 2019, respetivamente), embora Brazier seja uma enorme promessa e Amos ainda pareça ter muito no tanque, com Rudisha em pista a história é sempre outra.

Anúncio Publicitário

1.500 METROS: Asbel Kiprop (KEN)

Escolha difícil se considerarmos o passado recente e o presente de Kiprop. O atleta queniano falhou um controlo antidoping em novembro de 2017 e cumpre neste momento uma suspensão de quatro anos. Kiprop sempre afirmou a sua inocência e, depois de ver confirmada a sua suspensão, tem disparado em todas as direções, apontando o dedo à IAAF e a agentes antidoping que terão – na versão do próprio – incriminado o atleta por não lhes ter dado dinheiro, conforme pretendiam.

De qualquer forma, a justiça desportiva determinou que Kiprop foi mesmo culpado, não retirando, ainda assim, qualquer um dos seus títulos, que foram anteriores a essa análise. A verdade é que na primeira metade desta década, Asbel Kiprop foi mesmo o grande dominador. Venceu os três títulos mundiais desse período (2011, 2013 e 2015), embora tenha falhado os dois títulos olímpicos (venceu, antes, em 2008), os quais foram para o argelino Taoufik Makhloufi (2012) e para o norte-americano Matthew Centrowitz (2016), ambos de forma algo surpreendente.

Nos últimos dois anos, outros quenianos, Elijah Manangoi (ouro em Londres 2017) e Timothy Cheruiyot (ouro em Doha 2019) têm dominado a distância e formam hoje um dos duelos mais interessantes do circuito. Ainda assim, ninguém venceu mais do que um título global nestes 10 anos, exceção feita a Asbel Kiprop, que também venceu três Diamond League no período (este feito também foi igualado por Cheruiyot nesta temporada).

Não menos importante, em julho de 2015, Kiprop correu, no Mónaco, a distância em 3:26.69, tornando-se no 3.º atleta a correr abaixo dos 3:27 em toda a história do evento (El Guerrouj e Lagat são os outros dois). O presente de Kiprop é negro e o futuro da distância está bem assegurado pela rivalidade Manangoi-Cheruiyot. Ainda assim, o atleta que marca este período na distância só pode ser ele mesmo.

5.000 METROS: Mo Farah (GBR)

Há quem diga que Mo Farah teve a sorte de não ter enfrentado os melhores de sempre nas distâncias longas em pista e, por isso, foi tão dominante. Muitos afirmam que teve a sorte de ter competido num daqueles períodos sem grandes nomes numa determinada disciplina e esses críticos utilizam as suas marcas para argumentarem a favor dessa teoria. É verdade que o recorde pessoal de Mo Farah na distância – 12:53.11 – o coloca “apenas” como o 34.º mais rápido da história (os 26:46.57 nos 10.000 colocam-no como 16.º nessa distância), mas também é verdade que vários dos que se encontram à sua frente nessa tabela, competiram com o britânico e não o bateram em grandes eventos.

A verdade é que Mo sempre foi um atleta de títulos, um atleta tático, que sempre apostou mais em medalhas do que em marcas ou recordes. O seu controlo das provas aliado a uma ponta final verdadeiramente demolidora fizeram de Farah um dos mais temíveis de sempre em pista, conquistando os dois títulos olímpicos da distância nesta década, bem como três dos quatro Mundiais em que competiu, perdendo apenas o último, em casa, no último suspiro. Pelo caminho venceu ainda uma Diamond League – ainda que nunca tenha sido a sua verdadeira aposta na distância – e outros três títulos europeus.

Só um outro atleta venceu títulos globais nesta década e esse foi Muktar Edris (ETH). Edris irá para sempre ser conhecido como o atleta que bateu Farah na última final em pista do britânico (e em Londres!), mas ainda mais surpreendente foi ver o etíope renovar o seu título mundial, este ano, em Doha, depois de um longo período de lesão, pelo que merece uma especial menção.

1
2
3
4
5
6
7
8
Artigo anteriorA estratégia sem estratégia
Próximo artigoSL Benfica 90-79 Bakken Bears: Encarnados regressam às vitórias europeias
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.