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As 5 contratações mais sonantes do mercado | Ciclismo

Ricardo Rebelo · 10 min

Foto: La Vuelta

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A temporada de ciclismo referente ao ano civil de 2021 está prestes a começar. Apesar do otimismo de que teremos um ano mais estável para a modalidade, a situação pandémica a nível mundial faz-nos mergulhar na incerteza quanto à realização de várias provas e de outros percalços passíveis de se originarem a qualquer momento, sobretudo no seio das organizações competitivas do World Tour.

Sobre ciclismo, sobre um desporto que se tem mantido de pé apesar de imensos contratempos, o Bola na Rede trabalha agora na antevisão para a época de 2021, elaborando, desta vez, uma lista das cinco contratações mais marcantes – por diversos motivos – da janela de transferências atual e que se podem revelar fundamentais para levar a sua nova equipa à glória.

Ranking sem ordem específica

Foto de capa: La Vuelta

1.

Chris Froome (Israel Start-Up Nation) – A confirmação relativamente ao corte de relações profissionais de Chris Froome com a Ineos Grenadiers chegou com a assinatura de Dave Brailsford. O carismático diretor da equipa britânica indicou a intenção em não avançar para a renovação de contrato de Froomey, algo que já vinha a ser solenemente projetado pela comunicação social. A primeira grande bomba do mercado de transferências do ciclismo rebentava a julho de 2020, sendo de conhecimento público que o namoro entre Froome e a Israel Start-Up Nation estaria também perto de ser oficializado.

É intratável não relacionar a decisão tomada pela formação de Terras de Sua Majestade com a sucessiva incapacidade demonstrada pelo ciclista veterano em voltar a demonstrar-se ao nível que lhe é, ou era, reconhecido. Uma queda, sim, um momento de azar, num treino de reconhecimento no Critérium du Dauphiné de 2019, precipitou tudo. Obviamente, um momento de tal maneira marcante, que envolveu uma recuperação lenta e estragos profundos a nível psicológico, hipotecou de forma drástica o desempenho do inglês entre a elite ciclística.

Agora, com 35 anos, é irrealista não olhar para o auge do atleta nascido no Quénia como algo que faz parte do passado. Uma das principais perguntas para este 2021 recai exatamente naquilo que Froome vai ser capaz de exibir ao serviço da sua nova equipa. O objetivo? Esse passa por voltar aos grandes palcos, voltar a ser o ciclista mais temível, voltar, sobretudo, a aparecer em grande plano no Tour de France. Contudo, será sempre uma incógnita prever qual o seu papel no meio de tanta juventude ameaçadora e de ciclistas no auge das suas capacidades.

Em termos internos, há que destacar a contratação de bons valores, num esforço para elevar o estatuto da turma israelita por parte dos seus patrocinadores, com um investimento, diga-se, assinalável. Independentemente das armas que Froome terá a seu lado, e ignorando a lógica especulação sobre a sua condição física, é obrigatório referir que o inglês, apesar dos reforços – como Michael Woods ou Alessandro De Marchi – e de elementos importantes de trabalho na sua equipa, não vai ter o privilégio de estar rodeado pelo o plantel mais dominador do pelotão, como outrora esteve.

A concorrência feroz, que o obrigará a lidar com um largo leque de candidatos, teoricamente, com mais condições para se sagrarem vencedores do Tour e das demais competições propensas a voltistas, é também outro fator estranho a Froome, sobretudo devido à imagem manifestamente superior que sempre apresentou e que é agora irrepetível. O veterano parte então como um outsider, algo que pode dar-lhe alguma margem de manobra, contudo, não se recomenda a banalização nem o descuido sobre a ameaça que o inglês (ainda) representa. Resta-nos, em suma, esperar para ver como tudo se vai desenrolar.

2.

Tom Pidcock (Ineos Grenadiers) – A próxima estrela do pelotão mundial proveniente do Cyclo-cross já tem nome: Tom Pidcock. Exagerado ou não, o sentimento de que esta afirmação está longe de fugir à verdade é assegurado com as prestações consistentes de um miúdo habituado a grandes andanças, não estivesse em constante disputa com os dois tubarões da disciplina: Mathieu Van der Poel e Wout Van Aert.

Na medida em que cada vez mais talentos da nova geração surgem do Cyclo-cross, e ainda para mais sendo este de nacionalidade inglesa, Tom Pidcock, entre as inúmeras contratações de renome da Ineos Grenadiers, é provavelmente a melhor aquisição do mercado na relação qualidade evidenciada e um futuro que se espera recheado de vitórias.

No auge dos seus 21 anos, Pidcock é reforço a partir de fevereiro próximo, realizando assim a sua primeira temporada ao serviço de uma equipa do escalão máximo do World Tour. Responsabilidades, essas, não serão muitas, será um ano de aprendizagem e de adaptação, mas que não significa necessariamente que as oportunidades para visualizar o talento inglês na discussão de provas importantes serão poucas.

A Volta ao Algarve, por exemplo, está na sua lista, assim como os Jogos Olímpicos de Tokyo, a Strade Bianche e, provavelmente, a La Vuelta. Antes disso, os campeonatos do Mundo de Cyclo-cross, a realizar no final do presente mês de janeiro, na Bélgica. Sobre o perfil deste ciclista, figura a ideia de estar em desenvolvimento um atleta explosivo, ágil, resistente e com bases importantes para desenvolver… qualquer especialidade possível.

Recorde-se que o inglês venceu, por exemplo, o Giro D´Itália e o Paris-Roubaix no escalão sub-23, sendo também competente em esforços por contrarrelógio. É de realçar o equilíbrio enquanto corredor e o fator em comum com outros grandes campeões: o domínio, similar ao de talentos como Remco Evenepoel ou Wout Van Aert com a mesma idade. Está em causa um prodígio que se perspetiva ser o futuro do ciclismo britânico, fazendo todo o sentido a aposta por parte da formação mais rica do pelotão internacional. No meio de tantos wonderkids que prometem espetáculo, Pidcock é mais um para se juntar à loucura dos anos 20, uma década de ciclismo que promete, e muito!

3.

Mark Cavendish (Deceuninck Quick-Step) – E por falar em nomes com uma dimensão impactante no ciclismo, Mark Cavendish é um dos senhores do ciclismo que ainda se mantém no ativo. A realidade, comparável à do seu compatriota Chris Froome, leva-nos para uma análise fria se atentarmos àquilo que o Manxman é capaz de oferecer nesta fase descendente da sua carreira.

O antigo campeão do mundo de ciclismo tem estado arredado das grandes decisões desde 2017, ano em que foi diagnosticado com o vírus Epstein-Barr, responsável por influenciar seriamente a sua condição física e que até o obrigou a fazer uma pausa na carreira. Desde então, o ciclista por 30 vezes vencedor de etapas no Tour de France tem feito uma autêntica travessia pelo deserto, numa luta para voltar às grandes aparições do passado.

Sem sucesso, marcado por quedas – as mazelas sofridas na polémica queda com Peter Sagan no Tour de 2017 tardaram em sarar – e com resultados muito aquém das expectativas: o período de tempo que se sucedeu a esse ano complicado para Cavendish não reservou muitas coisas boas para aquele que é considerado por muitos como o melhor sprinter da História.

Agora com 35 anos, o que mudou? O regresso à estrutura da Deceuninck Quick-Step, da qual fez parte entre 2013 e 2015, e onde sempre fez questão de demonstrar o quão entrosado, feliz e motivado se sentiu enquanto correu pela equipa belga, leva-nos a admitir que estão criadas as condições amímicas para o velocista sair da sombra que tem sido, porém, qual será a verdadeira função de Cavendish na equipa de Patrick Lefevere?

Não é segredo para ninguém que o sprinter é um atleta extremamente ambicioso, assim como o objetivo de se tornar como o ciclista mais vitorioso de sempre no Tour é um desejo meio que descartado pela generalidade do público, mas que na cabeça de Cavendish… ainda é possível. As suas palavras condizem exatamente com isso, com a vontade de voltar a ser uma figura de destaque: «Não estou à procura de um final feliz, eu sei que ainda sou bom».

Experiência, liderança, impacto e sabedoria é algo que o veterano certamente trará a uma equipa jovem, muito jovem. Esse papel é inquestionavelmente o que fará mais sentido na ótica dos diretores da Deceuninck Quick-Step. Numa situação semelhante a Froome, e também Cavendish com uma vasta concorrência, será interessante observar a trajetória do sprinter britânico ao longo da temporada de 2021 em termos individuais.

Superficialmente, trata-se de um regresso ao passado de uma das associações que mais frutos originou na história recente do sprint e, inclusive, em termos técnicos, em termos de domínio, de preparação para o sprint e dos tão famosos “comboios”. Será Cavendish capaz de voltar a ser a figura de proa do sprint mundial?

4.

Marc Hirschi (UAE Team Emirates) – A movimentação surpreendente – confirmada há cerca de uma semana – do prodígio do ciclismo helvético para a equipa dos Emirados Árabes Unidos exalta um aspeto por demais evidente nos horizontes de Joxean Fernández “Matxín” e da respetiva estrutura do Médio Oriente: O plano de construção de um plantel com cada vez mais qualidade e capacidade de alargar o raio de alcance competitivo com um objetivo singular: vencer.

Falar de Marc Hirschi é exatamente debruçar-se sobre triunfar. Para além de partilhar a aparente apetência para vencer, o ciclista suíço é uma das grandes esperanças para o futuro da modalidade. Logo por aí, podemos avaliar esta contratação como uma das jogadas mais importante deste mercado naquilo que é a ideia de uma aposta a longo prazo, de garantir um ciclista que oferece o poder de discutir provas de alto gabarito e ainda com espaço para evoluir e alargar a sua pegada competitiva daqui em diante.

A par de nomes como Tadej Pogačar, Mikkel Bjerg, Brandon Mcnulty ou os gémeos Rui e Ivo Oliveira, a aposta em jovens valores do ciclismo, nos mais variados parâmetros competitivos, instala-se cada vez mais como uma diretriz estratégica de uma equipa que pretende ombrear sistematicamente com as melhores turmas do Ranking UCI.

Agora com Hirschi, a UAE Team Emirates garante mais uma arma importante e que vai de encontro à mentalidade acima explicada. Prognostica-se uma contratação capaz de se refletir vitoriosa numa realidade cada vez mais competitiva, com habilidade para triunfar não só em provas de um dia, com uma longa quilometragem e de características explosivas, mas também em etapas de grandes voltas ou em corridas que terminem com finais rápidos, onde o jovem desportista se consegue adaptar em grupos restritos.

5.

Romain Bardet (Team DSM) – Não é uma contratação similarmente sonante no mundo do ciclismo como outros nomes desta lista, no entanto, estamos a falar da transferência de Romain Bardet, que pode significar um novo ciclo e um recomeço positivo para o experiente ciclista francês.

O facto de se tratar de uma saída da AG2R Citroën Team é também bastante relevante visto que se dá perante uma mudança imperativa na mentalidade da formação francesa, que vai agora concentrar-se acima de tudo em clássicas de um dia – entradas de Greg Van Avermaet e Bob Jungels e permanências de Benoit Conesfroy e Olivier Naesen.

As míseras cinco vitórias em todo o ano civil de 2020 ajudam a explicar esta mudança radical no foco da organização gaulesa. Esta conjuntura em torno da saída de um líder máximo em virtude de uma nova concessão de objetivos para a nova temporada diferencia a movimentação de Romain Bardet em relação à mudança de outros ciclistas propensos ao mesmo tipo de terreno e com características e um destaque idêntico.

Adam Yates, Daniel Martínez e Richie Porte numa aposta fortíssima da Ineos Grenadiers; Wilco Kelderman e Sam Oomen de saída da Team Sunweb para a Bora-Hansgrohe e Team Jumbo-Visma, respetivamente; Miguel Ángel López numa transferência polémica para a Movistar, depois de deixar a Astana-Premier Tech; Rafal Majka a assinar com a UAE Team Emirates, que viu sair Fábio Aru para a Team Qhubeka-Assos e ainda a situação de Ilnur Zakarin, que desceu um escalão para representar a Gazprom-Rusvelo.

Sobre Bardet, agora com a mudança para a Team DSM (antiga Team Sunweb), perspetiva-se a natural responsabilidade de envergar a “braçadeira” de líder, a par de Jai Hindley. O francês predestinado a vencer o Tour de France, que tarda em confirmar as elevadas esperanças depositadas em si, abraça agora um novo desafio na equipa germânica.

Ricardo Rebelo

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