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Fórmula 1: Top 10 pilotos do ano

Redação BnR · 8 min

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A época acabou, mas as análises não. Numa época hegemónica para a Mercedes, a verdade é que não podemos, de todo, descartar os pilotos das outras equipas, em que, em alguns casos, até conseguem ter mais destaque que os próprios campeões.

Sendo assim, desta vez, a redação de Fórmula 1 do Bola na Rede traz uma seleção dos melhores dez pilotos da época, que, positivamente, se destacaram e tiveram ênfase nesta temporada de 2019.

Foto De Capa: Formula 1

Artigo de Angelina Barreiro e Luís Manuel Barros

10.

Fonte: Racing Point F1

Sergio Perez (Racing Point)- Sem grandes performances, nem a conduzir um grande carro, a verdade é que o piloto mexicano conseguiu “esquivar-se” para o décimo lugar do campeonato geral de pilotos, sem sequer nos darmos conta disso.

Na última corrida, na luta de posição com Lando Norris, o mexicano afirma ter sido “a melhor ultrapassagem da carreira dele”. Diria que ficar no top 10, num Racing Point que nada promete há já algum tempo, também o foi.

9.

Fonte: Formula 1

Lando Norris (McLaren)- Há um ano atrás, analisei as equipas apresentadas para o ano de 2019, e olhei com ceticismo para a inclusão do Lando Norris da parte da McLaren. Apesar da segunda posição do campeonato de Fórmula 2, achava que ainda faltava maturidade e consistência, que o melhor para ele era ficar mais um ano na categoria antes de dar o salto. Não precisei de muito tempo para engolir as minhas palavras.

A McLaren ressurgiu com uma aura de esperança e motivação que não se via desde antes de o Fernando Alonso ir para lá, a equipa fez reset e colocou dois jovens atrás do volante, e que dois jovens eles são (um deles falarei mais à frente). Lando Norris chegava por um lado cheio de hype, e por outro cheio de desconfiança, e para um miúdo, a resposta não poderia ter sido melhor. Os seu 49 pontos e 11.º lugar no campeonato, não contam de todo a história da época.

O Lando teve a sua dose de azar em várias corridas da época, como por exemplo a suspensão a derreter no Canadá, ou o carro decidir deixar de andar a uma volta do fim quando estava em quinto lugar na Bélgica. Para uma primeira época, a performance foi fantástica, vencendo até o seu colega de equipa muito mais experiente nas qualificações, apesar que ainda se notar que há muito a melhorar nos domingos, que já são bastante bons, e isso pura e simplesmente assusta. Por isso, que continuem os memes e a personalidade fantástica, porque nos próximos anos, tenho a certeza que o Lando Norris vai subir ainda mais esta escada.

8.

Fonte: Renault F1 Team

Daniel Ricciardo (Renault)- Após cinco anos numa das grandes equipas (Red Bull), o seu ano de estreia numa das equipas do “meio pelotão” não podia ter sido mais favorável para o australiano.

Com vontade de abraçar o desafio com um dos maiores sorrisos do paddock, Daniel Ricciardo consegue o nono lugar no campeonato de pilotos, num ano em que a Renault foi ultrapassada pela McLaren na equipa “best of the rest”, e o piloto mostrou-se sempre superior ao seu ex-colega de equipa, Nico Hulkenberg.

7.

Fonte: Formula 1

Sebastian Vettel (Ferrari)- Onde está o tetracampeão? Essa é a pergunta que mais se tem feito nos últimos três anos. Para muitos ele não existiu, sendo que o Adrien Newey conseguiu construir um carro que se conduzia sozinho nos tempos da Red Bull.

Mas no fundo todos sabemos o talento fabuloso que Vettel tem, que tem andado desaparecido, só aparecendo ocasionalmente. A Ferrari, apesar da segunda classificação no campeonato, mais uma vez tropeçou nela própria, criando um carro que não era suficientemente bom, fomentando atritos entre Charles Leclerc e Sebastian Vettel ao designar estratégias sem sentido nenhum. Mas isto é só uma parte do que influenciou a queda de Vettel este ano.

Para começar, Sebastian Vettel foi bastante favorecido pela equipa estratégica da Ferrari no início da época, mesmo quando Leclerc era mais rápido, e quando ele era mais rápido, os erros apareciam. Desde embater na traseira de Max Verstappen em Inglaterra, a despistar-se sozinho em Monza, e ao reentrar na pista embater em Lance Stroll (Racing Point). Vários exemplos de comportamento errático e amador de alguém que é um tetracampeão de Fórmula 1 e que não está sequer perto de uma idade em que se considere a reforma.

Apesar de todos estes males, houve provas de que o Vettel antigo existe, como na Alemanha, em que se redimiu do desastre do ano passado para ir de último para segundo numa corrida caótica, ou em Singapura, onde otimizou ao máximo a estratégia da equipa com um undercut fabuloso. Há muito a melhorar para Vettel, pois um piloto no seu segundo ano de carreira (Charles Leclerc) supostamente não deveria fazer o que quer de um veterano campeão. Para o ano, se as coisas não melhoram, não estou a ver a Ferrari a dar continuidade a Vettel.

6.

Fonte: Red Bull Racing

Alexander Albon (Red Bull)- Considerado o rookie do ano, a verdade é que Alex Albon chegou, este ano, à Fórmula 1, na Toro Rosso e, como se de um golpe de sorte se tratasse, acabou na Red Bull.

Com o descuido de Pierre Gasly na Red Bull, o piloto tailandês teve aqui a oportunidade de se mostrar com um carro muito mais competitivo. E conseguiu. Não tão competitivo como o colega de equipa, Max Verstappen, mas mesmo assim, foi o suficiente para se destacar e continuar na equipa para 2020.

5.

Fonte: Formula 1

Valtteri Bottas (Mercedes)- Após a primeira corrida da época, o mundo da Fórmula 1 ficou parvo perante a nova versão de Valtteri Bottas. Mais agressivo, mais rápido, mais disposto a contrariar a equipa a seu favor.

Por momentos, todos achamos que ele iria dar luta pelo campeonato e durante as primeiras corridas esse sentimento pairou no ar, com várias vitórias e poles. Até que mais ou menos a partir do Canadá, tudo voltou ao normal, e Bottas voltou a desaparecer e a comportar-se como um segundo piloto.

Valtteri Bottas não é um Lewis Hamilton, nem lá perto, e este ano isso ficou ainda mais comprovado. Com o mesmo carro dominante, ele não tem a capacidade de manter a consistência de campeão até ao final, parecendo até desinteressado nas corridas e a vaguear sozinho atrás de quem for em primeiro.

Apesar disto, este ano foi uma clara melhoria comparado com 2018, apesar da falta de consistência, mas continua a sensação, de que está a ocupar um lugar que não lhe pertence. Valtteri Bottas parece mais um excelente piloto para o pelotão como um Hulkenberg ou um Perez, do que um piloto para estar nos lugares cimeiros.

4.

Fonte: Scuderia Ferrari

Charles Leclerc (Ferrari)- O “menino de ouro” chegado da Alfa Romeo, mostrou e deixou os tifosi ao rubro. Primeiro, com o triunfo em Spa-Francorchamp e depois, com a vitória ansiada da Ferrari no GP de Itália.

Apesar dos erros “estúpidos” que fez durante o ano, o piloto monegasco faz também um total de sete pole positions no seu ano de estreia pela scuderia italiana e ameaçou, muitas vezes, os homens da Mercedes, bem como se mostrou superior ao experiente colega de equipa, Sebastian Vettel.

3.

Fonte: Formula 1

Max Verstappen (Red Bull)- Dizer que na primeira metade da época Max Verstappen foi o melhor piloto da Fórmula 1, mostra bem como as coisas lhe correram na segunda para cair para terceiro. Até à pausa de verão, Max Verstappen parecia o único piloto da grelha capaz de combater taco a taco com Lewis Hamilton.

O piloto holandês mostrou uma consistência e maior maturidade que não tínhamos visto da parte dele, mas que todos achavam que era o que lhe faltava para ser dos melhores. Porém, na segunda metade do ano, o carro da Red Bull não se mostrava bom o suficiente para batalhar a ressurgente Ferrari e a Mercedes, e Verstappen esteve envolvido em alguns acidentes, como em Spa e Suzuka. O ano acabou por terminar da melhor forma, com três pódios seguidos, incluindo uma vitória na corrida louca no Brasil, onde teve de lutar várias vezes com Hamilton e saiu a ganhar.

No geral foi um ano extremamente positivo de Max Verstappen, à velocidade pura acrescentou uma maior maturidade e consistência. Agora só falta ter carro suficiente para ser campeão e com certeza que será capaz de travar o domínio da Mercedes.

2.

Fonte: Mercedes AMG-F1

Lewis Hamilton (Mercedes)- Desta vez, deixamos o seis vezes campeão do mundo em segundo lugar (algo à qual o próprio não está habituado).

Mais um ano em que a Mercedes se mostra a equipa superior, Lewis Hamilton não vacila. O piloto britânico teve, mais uma vez, uma época brilhante, em que muitos recordes foram batidos, e o sexto campeonato foi conquistado.

Com cerca de metade das corridas ganhas pelo britânico, não nos deixa muito a dizer, a não ser que, a partir daqui, podemos afirmar que Lewis Hamilton é um dos melhores pilotos da atualidade e contra factos não há argumentos.

1.

Fonte: McLaren

Carlos Sainz (McLaren)- O campeão da “Fórmula 1.5” ficou à frente do campeão da Fórmula 1 e é normal que muitos possam achar isso estranho, mas há uma boa explicação para tal.

Carlos Sainz foi o piloto com mais consistência e excelência do ano, poucos o viram, mas ele estava quase sempre lá, nos pontos, muitas vezes a vir do fundo da grelha para os pontos, sem ter um carro de topo. E é isso que o destaca de Lewis Hamilton. Enquanto Lewis Hamilton foi um campeão dominador num carro muito superior aos seus competidores, o pelotão do meio da grelha é muito mais equilibrado, com Renault, Toro Rosso, Racing Point e Alfa Romeo consistentemente a tentar lutar pelo lugar de “best of the rest”.

Ainda assim, apesar desse equilíbrio, Carlos Sainz conseguia ser absolutamente dominador, acabando com 42 pontos de vantagem para o rival mais próximo e um pódio (primeiro da McLaren desde 2014). O espanhol desapontou um pouco na Renault no ano passado, mas este ano, ele mostrou aquilo que achava que ele podia ser: um dos melhores pilotos da grelha.

Ele é a prova de que não é preciso aparecer muito nas câmaras durante a corrida para se destacar, sendo que ele por várias vezes começava no fundo da grelha ou fora do top 10, e quando dávamos conta, lá estava ele em sexto ou sétimo, sem grande dificuldade. No final de corrida vamos ver os destaques dele. Por um lado, tem uma condução agressiva com algumas das melhores ultrapassagens do ano, por outro tem uma condução extremamente segura, capaz de cuidar dos pneus até à última partícula de borracha. O espanhol surpreendeu, a McLaren surpreendeu, e que se ouça muito mais vezes a “Smooth Operator” nos próximos anos, de preferência regado de champanhe.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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