Ivan Domingues: A primeira volta de uma longa corrida

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31 de maio de 2025. Barcelona. Sprint Race da Fórmula 3. O regresso da Portuguesa ao universo da Fórmula 1. O hino que há tanto tempo não ecoava. Ivan Domingues foi o protagonista. Era o início de uma história maior. A primeira volta de uma longa corrida.

Tinham passado mais de nove anos desde que a bandeira nacional se ergueu nas categorias de acesso à Fórmula 1. 20 de novembro de 2016, Macau. António Félix da Costa venceu o Grande Prémio e depois disso… silêncio. Portugal parecia ausente desta sinfonia de velocidade. Até Barcelona.

A ironia é que nada estava escrito. Nos testes de pré-temporada, Ivan Domingues foi um dos pilotos com menos voltas. O carro não ajudava, a adaptação parecia lenta. Mas foi aí que surgiu a primeira lição: a Fórmula 3 não é só velocidade, é também resiliência.

Na estreia em Melbourne, o resultado confirmou as previsões: vigésimo primeiro lugar. Nada de holofotes. Nada de manchetes. O guião apontava para um rookie discreto, a aprender na sombra. Só que o automobilismo adora reviravoltas.

A grande reviravolta chegou em Barcelona. O asfalto ainda quente, o pelotão estava pronto para a Sprint Race. No caos das primeiras voltas, entre toques e acidentes, Ivan Domingues soube esperar. Quando a corrida lhe entregou a oportunidade, agarrou-a com a calma de quem parece veterano.

Cruzou a meta em primeiro, fez história e tornou-se o primeiro português a vencer uma corrida de FIA Fórmula 3. Um nome até então discreto passou a estar na memória de todos.

A vitória foi mais do que um troféu. Foi emoção nacional e, ao mesmo tempo, sinal de que o talento português pode voltar a ter espaço no automobilismo. Mas também mostrou a dualidade da sua temporada.

Se Barcelona provou a capacidade de agarrar a oportunidade, outras corridas evidenciaram as fragilidades. Faltou consistência, as qualificações complicaram as provas e o carro trouxe problemas que custaram resultados.

Ainda assim, já mostrou o mais difícil: a capacidade de ganhar. Agora o desafio será transformar a exceção em regra, a surpresa em hábito. A base está construída. 2026 será o verdadeiro teste. Este ano serviu para ganhar voltas e conhecimento. O próximo vai revelar até onde pode ir Ivan Domingues.

No entanto, ninguém lhe tira a vitória histórica. Para Portugal, tantas vezes afastado da Fórmula 1, ver um jovem de Leiria a escrever páginas inéditas na Fórmula 3 é um sinal de esperança.

Ivan Domingues ainda não chegou lá, mas já deu a primeira volta da corrida mais importante da sua vida. E todos sabemos: a primeira volta não decide a corrida, mas pode muito bem decidir a história.

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