O ano de 2020 está a acabar, e com isso vem os balanços. Um ano de futebol atípico por causa de todas as circunstâncias que sabemos. Em 366 dias muitos jogadores se destacaram, e muitas foram as surpresas que pelos relvados portugueses passaram. Entre despedidas de craques e chegadas de outros, encontramos muita qualidade nos 20 clubes que passaram pela Liga Portuguesa.
Um onze dominado pelo FC Porto, campeão de 2019/2020, mas com jogadores de cinco formações diferentes. Neste 11 encontramos também quem tenha aterrado em Portugal no verão, e outros que se despediram. A equipa está lançada, mas fico a aguardar pelas tuas opções e trocas.
O ano de 2020 revelou-se diferente e difícil, mas nem a pandemia que se instalou impediu o FC Porto de conquistar o Campeonato e a Taça de Portugal, fazendo então a famosa Dobradinha.
Apesar de ter sido conquistada fora de calendário habitual e sem a tradicional festa com os adeptos, foram títulos suados e que exigiram trabalho e compromisso mesmo até à última.
Entretanto nesta nova época, 2020/21, a equipa orientada por Sérgio Conceição, está na luta em todas as competições, em terceiro lugar no campeonato e passou à próxima fase na Champions, Taça de Portugal e Taça da Liga.
Com tudo isto, deixo aqui o 11 do ano do FC Porto, os jogadores que mais contribuíram para o sucesso em 2020.
A época de 2019-2020 não foi em nada semelhante às anteriores e tudo decorreu de forma inesperada e pouco planeada. Inevitavelmente o vírus da Covid-19 colocou o mundo em pausa e nem o futebol pôde fugir à regra. Jogadores e treinadores estiveram fora da atividade mais de dois meses consecutivos e a incerteza sobre o término dos campeonatos manteve-se até ao fim. Nas ligas de maior relevo houve espaço para as equipas disputarem os respetivos campeonatos até ao fim, com exceção de França, que deu por terminada a competição. Também a Liga dos Campeões, numa versão mais curta, pôde ser disputada em Lisboa, e por isso maior parte das equipas acabaram por, ainda que num reduzido espaço de tempo, cumprir o restante calendário.
Apesar de todo este contexto e do infinito tempo em que não vimos a bola rolar, todos os profissionais mostraram que não seria um vírus a tirar a beleza do futebol e continuaram a proporcionar-nos momentos incríveis, ainda que com os estádios vazios. Quem sabe nunca esquece e apesar das saudades que todos sentiram, as competições voltaram em grande nível e os jogadores continuaram a fazer o que melhor sabem.
Como acontece todos os anos, uns destacaram-se mais do que outros e elevaram assim as suas equipas a patamares superiores posicionadas no centro de todas as atenções. Fazemos então um 11 dos melhores jogadores da época de 2019/20 ainda que esta seja sempre uma missão injusta devido à enorme qualidade existente em todas as posições.
2020 foi, sem dúvida um ano de muitos desafios. Seja para os profissionais de saúde e líderes do mundo, seja para nós todos aí em casa. Porém, não nos podemos esquecer do quão difícil também foi para os nossos atletas profissionais, sejam os nossos portugueses ou os internacionais por aí fora.
Neste contexto, antes de apresentar este artigo, fazemos uma pequena nota a todos os profissionais do Desporto, que tiveram a coragem e a motivação para fazer com que 2020 não fosse apenas um ano para esquecer, mas sim para se superarem cada vez mais na sua modalidade.
Sendo assim, reunimos toda a nossa equipa de Redatores e Colaboradores, e juntamos os protagonistas de 2020 (sejam atleta do ano, seja equipa do ano) de mais de 20 Modalidades que cobrimos, aqui, no Bola na Rede.
A equipa de Modalidades do Bola na Rede deseja um Feliz Ano Novo a todos!
2020 foi um ano extremamente difícil pelas razões que todos conhecemos. No entanto, foi ainda mais difícil para quem é adepto do SL Benfica.
Aliado ao aparecimento de uma pandemia, que veio condicionar as nossas vidas, o descalabro desportivo encarnado contribui, de certeza, para um agravamento (ainda maior) do estado de espírito de milhões de portugueses.
Com o ano a aproximar-se do fim, esta semana decidimos eleger o melhor XI encarnado de 2020, composto pelos melhores jogadores que estão (e estiveram) ao serviço do Glorioso ao longo deste ano.
O ano de 2020 foi um ano atípico a todos os níveis. Nas nossas vidas, na sociedade e claro, no futebol. Para o Sporting CP também. O início da época 2019/20 não foi prometedora e o primeiro ano da nova década foi marcado por altos e baixos no clube de Alvalade.
Um mau começo, com derrotas contra SL Benfica, FC Porto e SC Braga num espaço de um mês, a venda de Bruno Fernandes por valores questionáveis ainda em janeiro, a eliminação precoce na Europa aos pés do Istanbul Başakşehir, o despedimento de Silas após derrota em Famalicão e a contratação milionária de Rúben Amorim pareciam criar uma espiral negativa sem fim.
A pandemia acabou por ser mais um balão de oxigénio para a direção, que com menos contestação (pelo menos visível), conseguiu apresentar melhores resultados no futebol, tanto no regresso em junho como na nova época. Tendo como base o 3-4-3 de Amorim, chega então o momento de destacar os protagonistas deste ano de 2020 no futebol do Sporting CP.
Nuno Miguel Sousa Pinto. Um herói que derrotou um linfoma e que se recusou a abandonar o barco em Setúbal, quando este afundou até ao Campeonato de Portugal. Agora, a luta é dentro de campo e o objetivo é trazer o Vitória FC de volta ao lugar a que pertence: a 1ª Liga. Prestes a tornar-se o jogador em atividade com mais partidas oficiais pelo Vitória FC, Nuno Pinto e os seus colegas debatem-se com ordenados em atraso desde o início da época. A claque do clube tem, literalmente, apoiado os jogadores e equipa técnica, numa altura em que o Vitória FC se prepara para ter eleições. Nuno Pinto recorda também Paulinho, funcionário do Vitória FC recentemente falecido, como alguém sempre presente e que deixa muitas saudades. Em tempos difíceis, o lateral encontra motivação no amor pelo clube pois, nas suas palavras, não nasceu vitoriano mas tornou-se vitoriano.
– Campeonato de Portugal, o novo normal –
Bola na Rede: Nuno, que tal o treino?
Nuno Pinto: Treinámos de manhã, lá foi mais um.
Bola na Rede: A rotina de trabalho mudou muito deste a época passada?
Nuno Pinto: Não, não tem mudado. É sempre treinos de manhã e treinamos 4ª à tarde. De resto tudo igual. Só não temos é estágios.
Bola na Rede: E folgas?
Nuno Pinto: É conforme o jogo. Jogamos sábado, folgamos domingo. Jogamos domingo, folgamos segunda. E depende sempre do próximo jogo.
Bola na Rede: Como está a ser a adaptação ao Campeonato de Portugal?
Nuno Pinto: Complicado, principalmente pelos relvados. Não têm nada a ver com os relvados da 1ª Liga, são relvados mais degradados. Os jogadores têm alguma qualidade, mas não tanta como os da 1ª Liga.
Bola na Rede: Qual é a diferença?
Nuno Pinto: A execução, são mais lentos a executar do que na 1ª Liga. Mas de resto há muita qualidade no Campeonato de Portugal.
Bola na Rede: Onde se vai buscar a motivação quando no ano passado estavam a jogar na Primeira Liga?
Nuno Pinto:A motivação é o amor ao clube. É saber que o clube precisa de nós, de mim, e sabermos a grandeza que o clube tem e que foi injusto ter descido na secretaria. Porque uma coisa é descer no campo, outra coisa é descer na secretaria. Nós vamos buscar forças a isso e a motivação é tentar meter o Vitória na divisão em que o clube merece estar.
Bola na Rede: Quais foram os objetivos definidos para esta época?
Nuno Pinto: Subir de divisão, sem dúvida. Sabemos que não é fácil, sabemos a situação que estamos a passar, o clube em si e os jogadores. Mas o objetivo mantém-se.
Bola na Rede: Estás a um jogo de igualar o jogador em atividade com mais jogos pela equipa principal do Vitória FC, [Frederico Venâncio]. Por isso, estás a dois de te tornares o jogador com mais jogos. Sabias deste registo?
Nuno Pinto: Não, não sabia. Sabia que dentro do balneário, pelo menos o ano passado, era o jogador com mais jogos de campeonato profissional, na 1ª Liga. Agora esse registo não sabia.
Bola na Rede: O que é que representa para ti?
Nuno Pinto: Fico feliz porque são muitos anos aqui no Vitória.
Bola na Rede: É caso para dizer que não nasceste vitoriano mas que te tornaste vitoriano?
Nuno Pinto: Exatamente. É caso para dizer isso e é caso para dizer que o amor pelo clube aumenta a cada dia que passa. Não sei explicar, não te sei dizer mas a realidade é essa. Tive muitas oportunidades para ir embora.
Bola na Rede: Neste verão?
Nuno Pinto: Sim. Tive muitas oportunidades para ir embora mas não fui e algo me dizia para ficar aqui. Não sei se fiz bem ou mal mas segui o que o coração me disse para fazer.
Bola na Rede: Assinaste contrato até quando?
Nuno Pinto: Este ano mais outro, dois.
Bola na Rede: De onde eram os clubes que estiveram interessados em ti?
Nuno Pinto: 2ª Liga.
Nuno Pinto vai ser titular no encontro de hoje entre o Vitória FC e o Rio Ave. pic.twitter.com/FJ6h4f3reL
— Diário de Transferências (@DTransferencias) May 18, 2019
Bola na Rede: Foste um dos resistentes da equipa que desceu da Primeira Liga e recusaste-te a abandonar o barco. Os adeptos do Vitória FC retribuem a tua fidelidade?
Nuno Pinto: Sim. Não só a mim mas a toda a gente.
Bola na Rede: A massa adepta do Vitória FC é exigente mas também é calorosa. O que é que eles te dizem quando te encontram na rua?
Nuno Pinto: Sim, é exigente sem dúvida nenhuma. Mas é exigente porque eles sabem a grandeza do clube. Eles sabem onde é que o clube merece estar, mesmo na 1ª Liga sabiam por que é que o clube podia lutar. É um clube com muitos títulos e o que eles queriam era que déssemos sempre o nosso melhor. Continuam a ser exigentes mas não tanto como eram na 1ª Liga porque eles sabem o que nós estamos a passar, as dificuldades financeiras que estamos a ter. Têm sido um grande apoio para nós, têm-nos ajudado, tanto aos jogadores como aos funcionários e só temos que lhes ficar gratos. Isso mostra que são verdadeiros vitorianos, que gostam mesmo do clube e querem que o clube vá para a frente tanto como nós jogadores queremos.
Bola na Rede: Houve pagamentos em atraso desde o início da época, esta situação já está regularizada?
Nuno Pinto: Não. Nós ainda não recebemos nenhum pagamento até agora.
Bola na Rede: Desde o início da época?
Nuno Pinto: Desde o início da época. Temos recebido algumas ajudas da parte da claque e do “Futebol para a vida”. Mas, até agora, nada mais.
Bola na Rede: A Direção já falou convosco sobre isso ou estipulou prazos para pagar?
Nuno Pinto: Não. Teve o presidente, o Paulo Rodrigues, que quando entrou disse que ia pagar. Infelizmente não o fez. Também não vou estar a adiantar muito sobre essa situação. Agora temos o presidente da mesa da assembleia, que é quem está a gerir o clube…
Bola na Rede: Até às eleições?
Nuno Pinto: Exatamente. Disse que está a fazer os possíveis para nos tentar ajudar de alguma forma mas, até ao dia de hoje, nada.
Bola na Rede: Quem está de fora acha que todos os futebolistas são milionários, têm ordenados em dia e que são ordenados altíssimos. Mas não corresponde à verdade.
Nuno Pinto: É, não corresponde à verdade. É chato, porque há famílias, há pessoas com vidas organizadas e que, com esta situação, se desorganiza tudo. Há que acreditar que as coisas se vão resolver o mais rápido possível e o clube vai começar a andar para a frente.
Bola na Rede: Na pesquisa para esta entrevista, descobri que não eras lateral de origem, pois não?
Nuno Pinto: Não, era médio.
Bola na Rede: Como se deu a mudança de posição?
Nuno Pinto: Foi no Boavista, no meu primeiro ano de sénior. Jogava a médio e o treinador era o Jaime Pacheco. Os laterais esquerdos eram o Mário Silva e o Fernando Dinis. Houve uma altura em que o Mário Silva se magoou num treino e ficou de fora. Então para os treinos de conjunto quem é que ia para lateral esquerdo? O miúdo ehehe.
Bola na Rede: Ehehe claro.
Nuno Pinto: O Jaime Pacheco gostou, ia falando comigo várias vezes e depois apostou em mim. Primeiro jogo que faço na Liga Portuguesa foi contra o Sporting.
Bola na Rede: A lateral esquerdo?
Nuno Pinto:: A lateral esquerdo. E o segundo jogo é contra o Benfica.
Bola na Rede: Como é que correram os jogos?
Nuno Pinto: Empatámos os dois. Eu com a camisola do Boavista nunca perdi.
Bola na Rede: Quem é que apanhaste pela frente contra o Sporting?
Nuno Pinto: Nani.
Bola na Rede: Ui. E contra o Benfica?
Nuno Pinto: Simão Sabrosa.
Bola na Rede: É difícil uma estreia melhor.
Nuno Pinto: É. Deves-te lembrar daquele mítico jogo, 0-0.
Bola na Rede: Aquele em que a bola não entrava por nada?
Nuno Pinto: Esse mesmo. Esse foi o meu segundo jogo.
Bola na Rede: Esta semana faleceu o Paulinho, uma pessoa muito querida no Vitória FC. Tu que o conheceste bem, quem era o Paulinho?
Nuno Pinto: O Paulinho era um funcionário do clube que estava sempre disposto a ajudar. Precisávamos de alguma coisa, o Paulinho estava presente. Precisávamos de ir a qualquer lado, o Paulinho estava presente. Se precisássemos de alguma coisa, o Paulinho nunca dizia que não. E isso cativa as pessoas. Sabíamos das dificuldades que o Paulinho e a família estavam a passar e mesmo assim era a primeira pessoa a chegar. Isso marca-nos porque não é normal. Pessoas que estão em dificuldades, que não recebem salários, andam tristes. E o Paulinho nunca andava triste, andava sempre feliz. Isso cativa e deixa saudades porque não é fácil, hoje em dia, entrar no Vitória e ver as pessoas felizes. Primeiro, devido à situação que o clube atravessa. Segundo, os ordenados em atraso. O Paulinho estava sempre presente, ou ajudava o futebol, ou ajudava a manutenção ou o andebol. Estava sempre presente e isso vai deixar saudades.
Num ano em que o futebol foi forçado a parar e em que a incerteza pairou sobre todas as competições de clubes e seleções, o mundo arrastou-se e lá conseguiu voltar ao seu eixo.
A muito custo, a Liga dos Campeões, a Liga Europa e os campeonatos profissionais retomaram atividade, mas competições como as distritais/amadoras, as de formação, os Jogos Olímpicos ou o Euro 2020 acabaram adiadas.
Num balanço muito direcionado para o futebol europeu, no qual ocorreram as maiores surpresas em termos de resultados, os integrantes deste top são expectáveis, mas não perdem o brilho ou espetacularidade com o passar do tempo. Que o digam os alemães, os que menos se queixam de 2020…
Apesar das constantes limitações, as Modalidades fizeram de tudo para não parar. Com menos competições, principalmente a nível nacional, podia pensar, caro leitor, que o artigo não ia ficar completo. No entanto, os nossos distintos atletas e equipas que acompanhamos não pararam de surpreender, mesmo em contexto de pandemia.
Alguns momentos causam sentimentos de tristeza, mas a maior parte deles exaltam o melhor que o Desporto nos pode dar. Quando o mundo está numa fase menos boa, podemos confiar nos bons profissionais que nos enchem o ecrã e os pavilhões quase todos os fins de semana.
Fecha-se a cortina de 2020, com a esperança que 2021 seja ainda melhor.
Nunca desejamos tanto que um ano acabasse como este. 2020 “fez-nos” a vontade e, alturas como esta, convidam à reflexão e ao balanço do longo ano que agora termina.
No futebol português foram vários os momentos dignos de registo e que valem a pena serem recordados. O Bola na Rede aponta aqueles que podem ser os cinco melhores momentos do ano no futebol nacional: