Ontem tinha tudo para ser mais um dia empolgante de Playoffs basketball na bolha da NBA em Orlando. Esperava-se que os Milwaukee Bucks fechassem a série contra os Orlando Magic no jogo cinco, com uma vitória algo confortável. Enquanto que no lado da conferência Oeste todos esperávamos pelo desenrolar da série Houston Rockets contra os Oklahoma City Thunder, série que se encontra empatada com duas vitórias para cada parte e ainda, ver o que conseguiam os Portland Trail Blazer com Damian Lillard debilitado fazer contra a força dos Los Angeles Lakers no jogo cinco.
Três jogos cinco, com três series com histórias diferentes, mas seis equipas com o mesmo propósito: exigir igualdade para todos.
O jogo cinco entre Milwaukee Bucks e Orlando Magic tinha começo às 21 horas em Portugal. Foi adiado depois de a equipa de Milwaukee se ter recusado a sair do balneário como forma de protesto devido à situação em Kenosha, no Wisconsin, cerca de 60 quilómetros de Milwaukee. Como forma de solidariedade, a quatro minutos do início da partida, os Orlando Magic também regressaram para o balneário, recusando-se a jogar.
Trata-se de um vídeo que se tornou viral, depois de Jacob Blake, de 29 anos, ter sido alvejado sete vezes nas costas pela Polícia do Estado do Wisconsin, em razões ainda por se apurarem.
Assim desta forma, a formação de Milwaukee decidiu protestar as injustiças raciais que há muito se mantêm nos Estados Unidos da América, não indo a jogo. Com esta indicação, a NBA decidiu também adiar os outros dois jogos 5 cinco que estavam então marcados, Thunder x Rockets e Lakers x Blazers.
Mais tarde, na mesma noite, os Milwaukee Bucks emitiram um comunicado da equipa: «Estamos fartos das mortes e das injustiças», referiu o base George Hill. «Os últimos quatro meses clarificaram as injustiças raciais que sofrem as nossas comunidades Afro-Americanas. Vários cidadãos usaram a sua voz e a sua plataforma para falar sobre estas más práticas. Nos últimos dias, no nosso estado natal em Wisconsin, vimos o vídeo horrendo de Jacob Blake ser baleado nas costas sete vezes por um agente da polícia em Kenosha e também o alvejamento dos protestantes. Apesar do enorme apelo para que houvesse mudança, nada foi feito, pelo que hoje o nosso foco não pode estar no basquetebol», referiu a equipa.
Ainda afirmaram, «sempre que entramos em campo e representamos Milwaukee e Wisconsin, esperam que joguemos ao mais alto nível, que demos o nosso melhor esforço e que nos comprometamos uns pelos os outros. Nós exigimos esse nível de nós próprios, e neste momento, nós estamos a exigir o mesmo dos nossos legisladores e das forças da autoridade», disse a equipa momentos mais tarde à imprensa presente na “bolha”.
Todos os jogadores da NBA presentes na “bolha” foram convidados para um reunião às 20 horas, hora Este nos Estados Unidos, para discutir o que fazer e como irão lidar com os jogos dos Playoffs daqui em diante. Fontes da ESPN dizem que a época pode estar em risco de ser cancelada. Alguns veteranos da NBA dizem que sentem o cansaço emocional dos jogadores de estarem confinados dentro do mesmo espaço e do stress dos jogos nestas condições.
Mais tarde, na mesma noite, o analista da TNT Kenny Smith, ex-jogador da NBA, também saiu do estúdio num ato solidário para com os jogadores e também como forma de protesto para as desigualdades sociais vividas nos Estados Unidos. “Para mim, como um Homem negro, como um ex-jogador, acho que o melhor que tenho a fazer é apoiar os jogadores e não estar aqui esta noite”, disse Kenny Smith enquanto retirava o microfone e saía do estúdio em direto.
Assim, ao que tudo indica, parece que a época da NBA se encontra em risco de ser cancelada uma vez mais. No entanto, desta vez, não é devido ao vírus, mas sim devido aos problemas sociais, algo que têm sido tema recorrente nas entrevistas a jogadores e treinadores durante toda esta época. Apesar dos esforços para o ativismo social, os problemas existem, precisam de ser analisados e é preciso o esforço continuo e o uso correto das plataformas para os combater.
Há muitos anos que defendo que todas as direcções do clube têm iludido os Sportinguistas, principalmente pela incapacidade de quem as compunha/compõe. Todos os anos iniciávamos a época futebolística a prometer aos Sócios e adeptos que seriamos candidatos ao título. A verdade é que em Dezembro, essa ideia sempre se esfumava com a diferença pontual que tínhamos relativamente aos primeiros.
Para um clube que tem agora a tradição de ganhar um campeonato nacional de 18 em 18 anos (este último jejum já ultrapassou essa marca), adicionar a pressão de obrigatoriedade em ganhar um título sem que se tenha preparado antecipadamente para isso, é suicídio.
Bem sei que a exigência em ganhar deve estar no ADN do clube, no entanto, neste momento não está. E não vale a pena dizer que vamos ganhar, ou que somos candidatos ao que quer que seja, se não temos condições para isso.
Assim, ao ouvir um administrador do clube dizer que na próxima época vamos lutar por melhorar o quarto lugar, e ao contrário de muitos Sportinguistas que vieram criticar a falta de ambição, deixa-me satisfeito. Não por dizer que não vamos lutar pelo título, mas porque pelo menos mostra realismo.
No entanto, esse realismo só tem de ser encarado pela incompetência da estrutura que está a preparar a próxima época, uma vez que, e como também alguém da direcção disse, temos todos os alvos principais contratados, e comparando com os nossos mais directos adversários para os primeiros lugares, os nomes que chegam a Alcochete não entusiasmam a massa adepta, pelo menos para nos permitir ambicionar mais que o terceiro ou quarto lugar (mas como já ouvi adeptos rivais dizer, é o nosso lugar. E não podemos rebater dadas as evidências).
Vamos, portanto, baixar as expectativas para o próximo ano, porque a ver pelos planteis rivais, mesmo o quarto lugar terá muita concorrência. Quer isto dizer que o próximo campeonato de futebol vai ser bem interessante, mas apenas mais um ano de sofrimento para os já calejados adeptos e sócios Sportinguistas.
Quero no entanto deixar o seguinte pedido à direcção em funções e às futuras. A exigência de vitória e competência deve ser, em primeiro lugar, tida em conta na escolha dos órgãos sociais, depois na estrutura que irá planear contratações. Se não houver competência de base, nunca a teremos numa equipa de futebol que ambicione ganhar títulos nacionais. Portanto, sejam competentes para que não tenham que nos iludir com candidaturas a título ou realismos de incapacidade de lutar pelos mesmos.
Após um início de defeso marcado pelas contratações de jogadores para reforçar o plantel do SL Benfica, o cenário acalmou um pouco nos últimos dias, ainda que, segundo tem sido noticiado, a toada seja para retomar, com vista a satisfazer as pretensões do técnico Jorge Jesus, nomeadamente para cumprir os objetivos que são esperados pelos exigentes adeptos do clube: domínio a nível interno e regresso às grandes campanhas europeias.
Todavia, numa época em que se prevê um recorde no que concerne ao nível de compras, é vital, por outro lado, vender alguns atletas para equilibrar as contas e manter estável a saúde financeira que tanto tem sido falada e enaltecida pelos responsáveis do clube encarnado, assim como para emagrecer o plantel.
Entre nomes de jogadores que, muito provavelmente, os adeptos não sentirão saudades, surgem também outros que são vistos como ativos importantes e que, na opinião de muitos, merecem ser aposta do treinador, sobretudo para alcançar o sucesso desportivo na temporada 2020/2021.
No meio de alguns empréstimos e vendas, estes são os nomes que, eventualmente, estarão na porta de saída do SL Benfica, sendo que, obviamente, nem todos sairão, mas parte deles é bastante possível.
Nos últimos tempos, a imprensa nacional tem apontado mais um nome para a lateral esquerda do FC Porto. Trata-se de Gideon Mensah, lateral esquerdo pertencente aos quadros do RB Salzburgo da Áustria. Quando ouvimos este nome, talvez não nos diga assim muito, mas o facto de pertencer a um clube conhecido pela sua qualidade em formar jovens ( o jogador tem 22 anos) e por ser um dos projetos mais aliciantes do futebol europeu (através da marca Red Bull) leva a que muitos dos adeptos portistas fiquem de olho bem aberto relativamente a esta possível contratação.
Antes de partirmos para uma análise mais profunda deste atleta natural do Gana, é preciso realçar que este lateral esquerdo não tem apenas a porta do Dragão. O Vitória SC, que é aliás o favorito à sua contratação nesta altura, segundo a imprensa nacional, o Sporting CP, Sporting Clube de Braga e outros emblemas europeus estão muito atentos a este jogador e isso pode levar o FC Porto a investir de uma forma mais concreta.
Falando de uma disputa que parece ser mais evidente entre o FC Porto e o Vitória SC, é importante alertar que o negócio não vai ser fácil para a equipa portista. Claro que é o campeão em título e joga competições europeias, mas pode haver alguns fatores a ter em conta do lado vimaranense. O Diretor Desportivo do Vitória SC, Carlos Freitas, tem sido um dos principais obreiros nas grandes contratações feitas pela equipa da Cidade Berço no futebol europeu, com jovens cheios de qualidade a serem repescados sem ninguém dar conta. Outro fator muito relevante é o facto de o Vitória SC já ter contratado um central ganês que é representado pela mesma agência de Gideon Mensah, como noticia o jornal A BOLA. Por fim, em Guimarães, seria muito provavelmente titular. No FC Porto, teria de esperar pela saída de Alex Telles e lutar por um lugar que poderia ter a possível concorrência de Zaidu (outro lateral esquerdo associado ao Dragão).
Falando agora do percurso deste jovem jogador e das suas características que não passaram despercebidas ao FC Porto, há alguns dados a ter em conta.
Na última temporada, Gideon Mensah esteve emprestado pelo RB Salzburgo ao SV Zulte Waregem, da Bélgica, onde cumpriu 23 jogos, em que fez três assistências e acabou por não ter nenhuma expulsão. Não é um campeonato de topo para se poder analisar de forma específica o rendimento de um jogador, mas há características que são sempre constantes.
O jovem ganês cumpriu grande parte da sua formação na Áustria, tendo passado por vários clubes do país, onde aprimorou as suas capacidades futebolísticas depois de deixar Gana.
A verdade é que nunca se afirmou no RB Salzburgo, mas nas camadas jovens acabou por brilhar da melhor forma: conquistou a UEFA Youth League numa jovem formação de ouro do futebol europeu que bateu, curiosamente, em 2016/2017 o SL Benfica. É um dado importante que mostra como Gideon Mensah é um jovem talento. Contudo, falta a afirmação numa equipa principal, e o jogador pode ver o FC Porto como uma boa opção para dar seguimento à sua carreira. A seleção principal do Gana também é um objetivo para este jogador, que, refira-se, já cumpriu a sua primeira internacionalização.
Antes de concluir este artigo, falta então traçar algumas das características deste atleta.
Pelo que consegui perceber, trata-se de um lateral esquerdo com uma irreverência notável, quer pela sua juventude, como pelos palcos onde fez a sua formação. Nota-se que não tem medo nenhum de arriscar, de driblar os adversários e encará-los de frente, faltando ainda uma maturidade e um desenvolvimento tático que pode ser desenvolvido com o tempo.
Não, não é um lateral esquerdo como o Alex Telles. Tem características muito mais de futebol de “rua” que o lateral brasileiro. Gosta também muito de buscar espaços interiores ao invés de ir à linha e cruzar (e usa isso até para enganar os adversários que não esperam estes movimentos de um lateral). Também costuma encontrar linhas de passe um pouco incomuns para a sua posição (muitas vezes um passe mais curto ou encontrar um buraquinho na profundidade para encontrar alguém), e tem uma velocidade interessante para aquilo que o futebol de Sérgio Conceição exige.
Pelas características que acabei de descrever, parece que se trata de um jogador de topo mundial. Não, não é. São características que têm vantagens e desvantagens e muitas vezes também não correm bem durante um jogo.
A verdade é que podemos estar perante uma aposta do FC Porto que até pode não entrar logo na equipa principal, mas que, se provar que realmente é o Gideon Mensah que se viu na UEFA Youth League, pode ser uma boa aposta para o futuro da equipa azul e branca.
O futuro vai ser imperial para a carreira deste jovem atleta.
O final desta temporada ficou marcado pela final a oito da Liga dos Campeões. Em moldes nunca vistos, a melhor competição de clubes do mundo jogou-se em território nacional e coroou o Bayern de Munique como rei da Europa. Um título justo que os alemães não venciam desde 2013. A chegada de Hansi Flick elevou o desempenho dos bávaros para um patamar superior do que apresentou no início da temporada, aproveitando a qualidade dos seus jogadores para criar uma equipa que, nesta competição, foi imbatível. 11 jogos, 11 vitórias e 43 golos marcados. Irrepreensível.
Nos antípodas do rendimento estão outras equipas e jogadores de quem se esperava mais do que aquilo que mostraram.
As apostas estão feitas e já rolam as bolas. O Vitória SC apostou em Tiago Mendes para liderar a equipa vimaranense por duas épocas. O técnico português é uma aposta interessante e um tanto surpreendente, devido a ser a sua primeira experiência ao comando de uma equipa profissional.
Tiago Mendes sempre se revelou curioso com a experiência, até chegou a ser apontado pelo Mourinho como um potencial futuro treinador devido à forma que fazia a leitura do jogo.
Até ao momento mantenha-se longe da liderança de um balneário, permanecendo enquanto adjunto de Simeone no Club Atlético de Madrid (onde chegou a fazer carreira de jogador, a par de outros grandes clubes), mas o bichinho pela sua própria experiência sempre morou no coração do ex-jogador profissional.
Uma surpresa para o público. O Vitória SC tenta assemelhar-se ao brilharete da época passado do seu rival, com a estrela no comando técnico de Rúben Amorim (atual Sporting CP). À semelhança do SC Braga, esta aposta é uma incógnita e arriscada, mas há que iniciar por algum lado! O tempo fica encarregue de decidir se há ou não competência.
💬 Tiago Mendes: “A exigência é máxima e sempre me habituei a ela”.
“Gosto de ter bola, mas mais do que falar, esperem para ver” palavras do técnico a reter da sua apresentação oficial no clube de Guimarães, sendo que lhe foi solicitado descrever-se enquanto treinador. Quando questionado sobre partilhar as ideias de Simeone, o técnico afirmou a sua intenção de trazer para os relvados portugueses a intensidade das equipas do técnico argentino. Ainda relacionado com a apresentação oficial, o técnico demonstrou uma boa capacidade comunicacional, conseguindo ainda defender-se das inevitáveis perguntas sobre a Europa (e realizou um balanço positivo para a sua equipa e a tarefa da Europa 2020/2021).
Resta aguardar pelos resultados desportivos do recente treinador, o discurso ambicioso deixou os vitorianos (e não só) com curiosidade sobre uma das maiores incógnitas da nova época.
Sérgio Paulinho é um dos mais consagrados atletas da história do ciclismo nacional e destacou-se ainda jovem ao alcançar a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004 e manteve-se na alta roda do ciclismo internacional durante mais de uma década, quer conquistando etapas no Tour e na Vuelta quer sacrificando-se ao serviço de estrelas como Alberto Contador e Alexander Vinokourov. Em 2017, regressou ao pelotão nacional e, em entrevista ao Bola na Rede, o veterano atleta da Efapel recorda alguns dos momentos da jálonga carreira.
Bola na Rede (BnR): Para começarmos, ia buscar um tema que atéeu próprio sósoube disto hápouco tempo e que éuma coisa pouco falada, que éo Festival Olímpico da Juventude Europeia de 1995 em que o Sérgio foi láganhar uma medalha. Conte-nos um bocadinho como éque surgiu essa oportunidade e como foi, na altura ainda tão jovem, ter essa oportunidade?
Sérgio Paulinho (SP): Se não me engano, o selecionador era o Orlando Alexandre. Aquilo foi em Bath, em Inglaterra, em que eram várias provas e a primeira prova foi a que eu ganhei, que era tipo uma cronoescalada, em que havia, não me recordo bem, mas penso que eram cinco ou seis grupos de dez corredores e, desses grupos todos, o melhor tempo ganhava. Eu ganhei o meu grupo, fiz o melhor tempo e, pronto, ganhei a medalha de ouro.
BnR: O Sérgio desde muito novo que anda pelas seleções.
SP: Sim, se não me engano, só mesmo no primeiro ano em que comecei a correr é que não fui à seleção, depois, a partir daí, até aos Elites ia quase todos os anos.
BnR: Dessas idas ao estrangeiro com a seleção enquanto jovem, alguma história engraçada que queira contar?
SP: Por exemplo, nesse ano em que foi as Jornadas Olímpicas da Juventude, comprei montes de recordações e deixei lá tudo (risos). Todas as seleções ficavam a dormir numa Universidade e no quarto onde eu estava deixei lá ficar tudo.
BnR: Isso éque épena. Ainda nesta questão das seleções nas camadas jovens, o primeiro grande feito do Sérgio foi a medalha nos Mundiais. Hoje em dia, um ciclista que tenha uma medalha nos Mundiais de sub23 tem logo contrato garantido pelo World Tour. Na altura, o Sérgio chegou a ser contactado por alguma equipa estrangeira?
SP: Não, na altura, quando faço terceiro no Mundial de sub 23 no contrarrelógio, não recebi nenhum convite. Recebi depois vários convites foi quando fiz segundo nos Jogos Olímpicos, mas em Mundiais não recebi nenhum convite.
BnR: Falando deste tema, o que éque acha desta questão da juventude entrar direta no World Tour? Na sua altura que era tão difícil chegar láe agora temos ciclistas que passam diretamente dos juniores para o World Tour, como éque vêisso?
SP: Talvez tenha uma opinião diferente por na minha altura isso muito raramente acontecer. Na minha opinião, acho que não é benéfico, porque ainda é um corpo de um ciclista júnior, ainda está em fase de adaptação, e passar de uma categoria júnior diretamente a profissional, em que os andamentos são completamente diferentes, vem-se de um método de treino diria razoável, ou se calhar ainda abaixo do razoável, para um método de treino muito exigente e em que o corpo ainda está em formação. Por isso, acho que, na minha opinião, não é benéfico. Mas, também sei que são os próprios corredores que querem passar logo a profissional, por isso, a partir daí, quando é o próprio corredor que quer passar, pouco se pode fazer.
A presença na seleção nacional foi uma constante ao longo da carreira Fonte: Federação Portuguesa de Ciclismo
BnR: Depois desses Mundiais, antes de ir para o estrangeiro e antes dos Jogos Olímpicos, ainda esteve por cámais uns tempos e, nessa altura, nas Voltas a Portugal de 2003 e 2004 também fez bons resultados. Que memórias tem desses tempos?
SP: Tenho boas memórias, ganhei duas etapas na Volta em 2004, ganhei também a Volta a Trás os Montes, nos Jogos faço segundo, eram anos diferentes,… não é que fossem anos melhores que agora, ou piores, acho que isto é como tudo na vida, tudo tem um ciclo e eram anos diferentes, em que desfrutava bastante com os meus colegas e adorei.
BnR: Láestá, depois dos Jogos Olímpicos, acaba por ter a oportunidade de ir para o estrangeiro, foi uma decisão fácil ou ficou na dúvida entre ficar cáe lutar por uma Volta a Portugal ou ir para o estrangeiro?
SP: Foi uma decisão fácil, eu sempre tinha um sonho de ir para o estrangeiro. Logo a seguir à Volta a Portugal, como se recorda eu estava na LA-PECOL, em que já havia um acordo para o ano seguinte com a Wurth em que dois ciclistas portugueses iriam no ano seguinte para a equipa Liberty Seguros-Wurth e, pronto, fui eu e o Nuno Ribeiro e acabou por ser uma decisão fácil na altura, porque esse era um dos meus sonhos, ainda para mais passar logo para uma equipa como a Liberty Seguros, que era a equipa do Manolo Sainz, claro que nem pensei duas vezes e aceitei logo.
BnR: No seu primeiro ano no estrangeiro, uma das coisas que o Sérgio fez foi correr o Paris-Roubaix, que não éuma prova que se diga muito adequada para ciclistas mais da montanha como o Sérgio. Como foi essa experiência?
SP: Eu, nesse primeiro ano, fiz Paris-Roubaix, fiz Tour de Flandres,… ou seja, todas as clássicas que havia para fazer fi-las. Na altura, o Manolo Sainz acabou por me explicar o porquê, foi para eu perceber e fazer uma adaptação ao ciclismo e foi essencialmente isso para ter uma noção do que era o ciclismo, do que eram as clássicas, porque a primeira parte da época fiz praticamente todas as clássicas que haviam para fazer. Na segunda parte, já foi mais provas por etapas e, então, ele acabou por fazer isso também para perceber onde é que eu podia estar mais incluído na equipa, que acabou por ser nas provas por etapas.
BnR: Mas, o pavé, uma vez para nunca mais.
SP: Sim, o Paris-Roubaix fiz uma vez e fiz-lhe uma cruz e nunca mais.
BnR: Nessa parte da sua carreira no estrangeiro, como era a questão da conciliação com a vida pessoal, estando longe de casa uma grande parte do ano?
SP: Ao inicio, foi o que mais me dificultou. Não é que tenha dificultado, mas… foi o que mais me custou. Fazia uma corrida de uma semana, vinha a casa dois dias, ia para outra corrida… Os primeiros cinco, seis meses da época acabou por ser sempre assim. Nesse ano, se não me engano, fiz cerca de 120 dias de competição e, no Tour de l’Avenir, tive uma queda e fiz uma fissura no cóccix e, então, acabei por acabar a época um bocadinho mais cedo. Mas, essa foi a parte que mais me custou, as viagens, o tempo fora de casa, foi o que mais me custou.
Depois de algumas dúvidas e adiamentos, o Tour De France tem o tiro de partida marcado para o dia 29 de agosto. Durante quase um mês, os melhores ciclistas da atualidade competem com os olhos postos camisola amarela e tentam gravar o nome como um dos poucos a levantar o troféu da competição mais prestigiante da modalidade.
São 21 etapas e 3470 quilómetros que separam a cidade de Nice e a típica chegada aos Campos Elísios, em Paris. A 107.ª edição promete ser diferente, devido ao contexto de pandemia, mas também porque muitos dos atletas favoritos caíram em competições anteriores e ficaram de fora do Tour.
Há quem diga que está quase, quase a chegar. Toni Martínez já não foge ao FC Porto e tornar-se-á dragão, depois de uma boa temporada ao serviço do FC Famalicão. O avançado conseguiu alcançar a marca dos 14 golos pelo clube minhoto na sua primeira temporada no futebol português, tornando-se numa das revelações da época. Três anos após a falha ao tentar impor-se na equipa principal do West Ham FC, o espanhol consegue uma nova oportunidade para jogar num grande europeu.
Para António Martínez, tudo começou no clube da sua terra, o Real Murcia CF. A qualidade do miúdo de 16 anos deu nas vistas e o Valencia CF chegou-se à frente para conseguir aquele que era ainda uma jovem promessa na altura. O primeiro desafio como “Che” foi na equipa secundária de juniores onde cumpriu inteiramente com as expetativas – 24 golos em 15 jogos. No mesmo ano ascendeu à equipa B do Valencia CF, com apenas 17 anos. Durante três anos, de 2013 a 2016, rodou entre a equipa B e os juniores, tendo sido nos sub-19 que chamara a atenção de outros clubes.
O West Ham FC, clube da Primeira Liga Inglesa, viu nele potencial para brilhar em solo britânico. Toni não desilude assim que chega e faz 14 golos em 14 jogos pelos sub-23 dos Hammers. Inclusive, é chamado à equipa sénior, mas sem conseguir estrear-se acaba por ser emprestado ao Oxford United FC para ganhar experiência, onde teve uma passagem despercebida.
We can confirm that U23 forward Toni Martinez has joined @OUFCOfficial on a loan for the remainder of the season
Toni Martínez fez apenas três golos em 17 jogos pelo Oxford United FC
Regressara ao clube londrino após o empréstimo, voltando novamente à casa de partida – as camadas jovens. Mais uma vez voltou a dizer “presente” e registou 12 golos em 18 jogos pelos sub-21 e sub-23. A sua estreia no plantel principal finalmente acontecia num jogo a contar para a Taça de Inglaterra frente ao Shrewsbury Town FC. Slaven Bilic acreditava no espanhol e deu-lhe a oportunidade em mais jogos da FA Cup, mas o jovem avançado não conseguiu mostrar o seu valor.
Assim se deu o regresso a Espanha, nomeadamente ao Real Valladolid CD da Segunda Divisão Espanhola. Lá marcara o seu primeiro golo profissional, tendo sido também o único durante o seu empréstimo de meia época. No ano seguinte sucedeu-se a mesma situação e Toni voltava para o seu país natal – empréstimo de agosto a janeiro ao Rayo Majadahonda e de fevereiro até ao fim da temporada ao CD Lugo. Este período instável para Toni certamente que abalou a sua confiança e isso refletiu-se dentro de campo, uma vez que os golos foram escassos (dois no Rayo e um no Lugo).
O verão de 2019 traria mudanças para a carreira de Toni Martínez. Um clube português recém-promovido à Primeira Liga estaria interessado em contratá-lo e o projeto interessava o suficiente ao avançado. O FC Famalicão teve um arranque excecional no campeonato e Toni também – um golo no primeiro jogo do campeonato. Apesar de ter tido um período de seca de sete jogos em marcar, Toni voltaria a encontrar a sua forma e termina a temporada com 14 golos e três assistências em todas as competições.
Este foi o primeiro capítulo da história de Toni Martínez em Portugal e o espanhol já mostrou que gosta de chegar, ver e marcar. Agora que a sua oficialização no FC Porto está prestes a acontecer, será que o ponta de lança vai continuar a balançar as redes como acontecera em Famalicão? A fasquia subiu para jovem de 23 anos, resta saber se está pronto para querer ultrapassá-la constantemente. Esperemos que seja tão bom como o último Martínez que o FC Porto viu brilhar.
A CRÓNICA: A MALDIÇÃO É MAIS FORTE QUE O PROVÉRBIO
À terceira não foi de vez. Acabou de novo sem glória a presença na final da UEFA Youth League do Sport Lisboa e Benfica, com os encarnados a serem derrotados pelo Real Madrid CF por 3-2. Num jogo equilibrado, mas com duas partes distintas – a primeira dominada pelos merengues, a segunda pelas águias -, os espanhóis levaram a melhor e conquistaram a prova pela primeira vez na sua… primeira vez.
Num duelo em que se decidia qual dos países ibéricos seria o primeiro país a ter dois clubes vencedores da Youth League, a Espanha superou Portugal e tem agora FC Barcelona e Real Madrid CF com a prova nos respetivos palmarés – curiosamente, os dois clubes espanhóis que também já foram campeões europeus em seniores. O gigante espanhol sucede, assim, ao FC Porto. Vamos às incidências da partida.
Após 25 minutos de equilíbrio tático, sem oportunidades clamorosas para qualquer dos lados, eis que a equipa espanhola chegou, de forma algo inesperada, ao golo. Cabeceamento certeiro de Pablo Rodríguez – que se lesionou e saiu dois minutos mais tarde – em correspondência ao cruzamento de pé canhoto de Arribas.
Momento de desconcentração e de coordenação da defensiva encarnada, que não se soube recompor em condições e com rapidez após a dobra de Morato a João Ferreira, pelo corredor esquerdo. O central brasileiro compensou a ausência do lateral português e cortou para fora. Na sequência, ambos os jogadores ficaram a conversar sobre o sucedido, deixando os merengues em superioridade na área. Tomás Araújo tentou ainda a marcação ao dianteiro blanco, mas já chegou tarde.
O golo alcançado deu aos madrilenos a confiança que necessitavam para se sentirem confortáveis na “sua pele”. Apesar de os pergaminhos do clube indicarem que o Real Madrid CF é sempre uma equipa dominadora, ofensiva e monopolizadora da posse de bola, os pupilos de Raúl González demonstraram várias vezes que não têm quaisquer problemas em jogar com um bloco baixo e na expetativa, tentando depois ferir o adversário em ataques rápidos e contra-ataques.
Para que uma estratégia expectante resulte, é vital que a equipa que a coloca em prática tenha a maturidade tática e competitiva necessária para não tremer no momento defensivo e ser letal nas saídas ofensivas. E, acima de todas as outras características, o Real Madrid CF provou durante a final e durante toda a prova ser uma equipa anormalmente madura para o escalão.
Assim, por mais paciência que o SL Benfica demonstrasse, por mais variações de flancos que executasse, por mais passes que realizasse entre corredores e setores, não conseguia ferir a turma espanhola, que, por sua vez, se revelava mortífera. Na primeira grande oportunidade após o golo inaugural, alcançaram o 2-0, mesmo em cima do intervalo.
Após uma má entrega de bola das águias, que terminou nos pés de Santos, Arribas foi lançado em velocidade pelo flanco direito pelo colega de corredor, recebeu a bola, esperou e cruzou rasteiro, encontrando na área… Henrique Jocu. A tentativa de interceção em deslize do médio defensivo encarnado resultou num deslize, passe a redundância, estando Kokubo imediata e inevitavelmente batido.
Foi com uma confortável vantagem de dois golos que o Real Madrid CF foi para os balneários, vantagem essa que abria perspetivas de uma segunda parte dominada pelo SL Benfica, com a “permissão” dos blancos, que tentariam mimetizar o feito na primeira parte, procurando alargar a vantagem através de ataques fulminantes.
No entanto, a estratégia do Real Madrid CF sofreu o primeiro revés logo no terceiro minuto da segunda metade da partida. O que não havia resultado no primeiro tempo pela parte do SL Benfica resultou a abrir a segunda parte. Embaló cruzou rasteiro para a área pela direita, de forma atrasada, encontrando Gonçalo Ramos numa zona onde também estava Henrique Araújo.
O primeiro remate de Ramos não deu golo, a recarga de Araújo também não, mas a insistência compensou e Ramos fez mesmo o golo. Adivinhava-se o equilibrar da partida pelas águias. Contudo, o Real Madrid CF encarregou-se de rapidamente provar que não há adivinhos por algum motivo.
Nem um minuto depois, Marvin Park escapou com categoria a Tiago Araújo que tentava fechar o lado esquerdo que ao intervalo passou a ser seu e cruzou rasteiro, uma moda neste jogo. Ninguém mostrou interesse na bola que por ali passava e também ninguém mostrou interesse em Gutiérrez. O lateral esquerdo blanco decidiu juntar-se à também desprezada bola e juntos fizeram o 3-1.
Exigia-se integridade psicológica, individual e coletiva, ao SL Benfica. Exigia-se o 3-2 a uma equipa que merecia, pelo menos, sonhar. Não foi imediata a resposta, mas não foi tardia igualmente. Dez minutos após o golo encaixado, um canto fechado batido pelo pé esquerdo de Tiago Araújo levou a bola a pingar no ponto central da área merengue e Gonçalo Ramos foi lá acima encontrar-se com ela.
Escusado será dizer, mas que se diga, que Ramos fez o que aparentemente está talhado para fazer: bisou na partida. Voltavam a acreditar os encarnados e voltava a emoção à sétima final da UEFA Youth League. E o que gera maior emoção numa partida de futebol? A antecipação de um golo. E um dos momentos que maior antecipação cria é o de uma grande penalidade.
Aos 68 minutos, foi uma assinalada a favor do SL Benfica. Tiago Dantas perante Luis López levou a pior, tendo o guardião espanhol feito uma excelente defesa. Em bom plano o guarda-redes espanhol, em mau plano o homólogo japonês ao serviço do SL Benfica.
Aos 75 minutos, Kokubo respondeu fisicamente a uma discussão com Arribas e viu o cartão amarelo, que podia ter sido de outra cor. O árbitro de escola inglesa, Chris Kavanagh, que havia deixado por assinalar uma grande penalidade a favor das águias minutos antes, não entendeu dessa forma.
Até final, o SL Benfica gladiou pelo empate, mas a maturidade e “chico-espertice” madrilena e a exibição de Luis López foram suficientes para contrapor as inglórias tentativas encarnadas.
Sergio Arribas – O médio/ala espanhol foi com o seu guardião as peças mais importantes da vitória merengue. Luis López defendeu uma grande penalidade e o resultado, é certo; no entanto, o futebol vive de estratégia, de rigor tático, de eficiência de processos e de golos e, claro, assistências. Arribas deu (quase) tudo isto ao Real Madrid CF, contribuindo para a vitória final com duas assistências (uma das quais para o autogolo de Jocu). Não inscreveu o seu nome no registo de golos, mas inscreveu-o na história da competição e nesta página deste rescaldo (que é tanto ou mais importante).
O FORA DE JOGO
Fonte: SL Benfica B
João Ferreira – O lateral do SL Benfica, primeiro esquerdo, depois direito, comprometeu no primeiro e terceiro golos do Real Madrid CF e não foi capaz de dar à equipa o que esta precisava de si no momento ofensivo. No primeiro golo sofrido, reparte o cartório de culpas com Morato e não só, mas o central brasileiro e os restantes colegas não estiveram tão mal como Ferreira esteve, no cômputo geral.
ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA
A turma de Luís Castro alinhou num 4-3-3 já habitual, com Jocu, Dantas e Ramos no miolo, fazendo o último muitas vezes companhia a Henrique Araújo, que alinhava no centro do tridente ofensivo, ladeado por Embaló e Tiago Araújo. Durante o primeiro tempo, tanto em igualdade, como em desvantagem, as águias procuraram fugir ao preenchimento blanco do corredor central com variações de flanco.
Aí chegada a bola, a ideia passava por endereçá-la à área merengue, onde se esperava que Henrique Araújo e Gonçalo Ramos pudessem vencer os duelos com os centrais espanhóis. Nunca aconteceu. Na segunda metade, sobretudo após o 3-1, Ramos e Araújo começaram a ser mais um casal de ataque e não dois amigos que por vezes se encontravam.
Tiago Araújo desceu a lateral esquerdo. Brito, Camará, Dantas e Embaló (mais tarde, Martim Neto) formavam o meio-campo encarnado. A circulação de bola melhorou, a intensidade ofensiva e na pressão também e a chegada à área com perigo igualmente, conforme se constatou no primeiro golo encarnado, com Ramos e Araújo a usufruírem de mais oportunidades.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Kokubo (4)
Filipe Cruz (5)
Tomás Araújo (7)
Morato (6)
João Ferreira (4)
Henrique Jocu (5)
Gonçalo Ramos (8)
Tiago Dantas (7)
Úmaro Embaló (6)
Tiago Araújo (7)
Henrique Araújo (7)
SUBS UTILIZADOS
Rafael Brito (7)
Ronaldo Camará (7)
Luís Lopes (7)
Martim Neto (6)
ANÁLISE TÁTICA – REAL MADRID CF
A equipa orientada por Raúl apresentou-se num 4-4-2 com uma frente ofensiva bastante móvel, envolvendo movimentos circulares de Park e recuos de Rodríguez e, após a saída deste, de Jordi. No momento defensivo, os merengues posicionavam-se num 5-3-2 que permitia uma pressão bem efetuada sobre os três construtores encarnados mais recuados (os dois centrais e o médio-defensivo) e um controlo completo do meio-campo das águias, que com a descida de Jocu para a construção ficava em inferioridade numérica ou em igualdade numérica quando Ramos (forçosamente) se aproxiamava do papel de médio e abandonava o papel de acompanhante de Henrique Araújo.
A linha de cinco controlava, então, com facilidade, os movimentos verticais dos extremos do SL Benfica e os três homens do eixo colocavam Henrique Araújo no bolso. Foi assim que os blancos tornaram todo o jogo adversário inócuo durante o primeiro tempo. Na segunda parte, as águias foram mais fortes e o Real Madrid CF respondeu defendendo ainda mais aguerridamente, congelando o jogo sem bola e quebrando o ímpeto encarnado com inteligência, maturidade e, não raras vezes, com anti-jogo.
As saídas rápidas por Park e Arribas foram praticamente o único recurso utilizado pelos madrilenos para chegar à área adversária, tendo mesmo a turma de Raúl alcançado o terceiro e decisivo golo dessa forma.