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SL Benfica | Uma defesa de manteiga?

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Mesmo depois da sofrida vitória frente ao Rio Ave FC, continuam evidentes as dificuldades exibicionais que o SL Benfica tem atravessado. Ofensivamente, mas sobretudo defensivamente.

Se no início da temporada vimos um SL Benfica caracterizado pela solidez defensiva e pelos pouquíssimos golos sofridos, neste momento o cenário é bem diferente. Nos últimos 13 jogos os encarnados sofreram golos em 11 partidas. Dos 17 golos sofridos no campeonato, um número bastante positivo, nove surgiram nas últimas oito jornadas.

Esta má fase a nível defensivo aparece apesar de a equipa das águias sofrer apenas 6.3 remates por jogo, sendo apenas 1.7 direcionados à baliza de Odysseas Vlachodimos. A equipa de Bruno Lage é também a formação com mais desarmes por jogo com 19.

Estas estatísticas demonstram que, apesar de o adversário não chegar muitas vezes à baliza dos encarnados, consegue sempre criar oportunidades perigosas e somar golos.

Ao longo da temporada, Ferro tem sido utilizado como o bode expiatório para o mau momento defensivo da equipa. Se é certo que o jovem central português está longe da melhor forma e tem cometido vários erros defensivos, o problema está longe de ser algo estritamente individual. Como central à esquerda, Ferro é exposto continuamente à ausência defensiva de Grimaldo. Mas, mais uma vez, o problema não é só do lateral espanhol. O treinador tem, ou deveria ter, perfeita consciência das características dos jogadores e das dinâmicas que lhes são pedidas.

Se um jogador possui debilidades num certo momento do jogo, estas devem ser “mascaradas” do ponto de vista coletivo, mas Bruno Lage nunca o conseguiu fazer. As debilidades à esquerda ficam ainda mais evidentes quando Cervi não está em campo. O baixinho argentino dá um contributo muito grande no lado defensivo do jogo, quiçá até maior que o contributo ofensivo. Com Rafa a conversa é outra. Defensivamente contribui pouco, raramente acompanhando as incursões ofensivas do lateral adversário, deixando quase sempre Ferro exposto a um “1 para 2”.

Ferro tem sido, injustamente, utilizado como um bode expiatório para justificar as dificuldades a nível defensivo
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Neste momento de inferioridade numérica seria importante o apoio do meio campo. Weigl, o pivot do meio campo, apesar de ser bom a ler o jogo, é um jogador mais virado para a distribuição de jogo e marcação dos ritmos do que propriamente para a recuperação da posse de bola. No entanto, temos visto algum desenvolvimento defensivo do jogador, mas sempre relacionado à inteligência e leitura do jogo e não propriamente ao poder físico.

Gabriel, apesar do mau momento de forma, é um jogador muito importante do ponto de vista defensivo, sobretudo fruto do seu bom jogo aéreo e capacidade física. A sua ausência também contribuiu para esta quebra da equipa a nível defensivo.

O ideal para ajudar a corrigir os problemas defensivos na ala esquerda, sem Cervi em campo, seria o médio mais defensivo fazer as famosas “dobras” do lateral, como tanto víamos com Rui Vitória ou Jorge Jesus. Contudo, Weigl não tem de fazer este movimento. Nem seria ideal, porque estaríamos a condicionar muito as grandes qualidades do médio alemão.

Florentino desempenharia esta função na perfeição, mas desapareceu completamente das opções. As opções do treinador não são questionáveis, o que é questionável é a coerência e por vezes a teimosia das mesmas.

Isto é por demais evidente nos jogos em que a equipa encarnada cede, sem qualquer necessidade, a iniciativa de jogo ao adversário. Frente ao Portimonense SC, foi esta cedência de iniciativa e passividade que permitiu à equipa algarvia crescer. Com toda a qualidade e profundidade no meio campo do SL Benfica controlar o jogo, mas mantendo a posse de bola e a iniciativa seria facílimo.

As bolas paradas defensivas têm sido outro dos grandes problemas da equipa de Bruno Lage e Veríssimo (creditado pelo trabalho nas bolas paradas). O golo sofrido frente ao Portimonense SC é quase inacreditável. Marcação à zona com seis jogadores a defender o primeiro poste e apenas três entre a marca de penalty e o segundo poste (onde estavam quatro jogadores da equipa de Paulo Sérgio). A marcação à zona privilegia a atenção à bola, mas tem de ter em consideração o posicionamento e movimentação dos atacantes. Isso não aconteceu de todo. Frente ao Rio Ave FC, mais um golo de bola parada (Taremi apareceu completamente sozinho para a segunda bola).

Os problemas defensivos do SL Benfica surgiram fruto de maus momentos de forma de jogadores preponderantes neste setor, alguma passividade em certos momentos chave, algum azar, mas sobretudo de decisões quase incompressíveis da equipa técnica das águias.

Os problemas defensivos estão à vista e todas as equipas continuam, semana sim semana sim, a explorar as debilidades da equipa. No entanto, pouco parece mudar ou ser corrigido

5 dados estatísticos do SL Benfica x CD Santa Clara

Sport Lisboa e Benfica e Clube Desportivo Santa Clara defrontam-se pela 11ª vez histórica, a décima em jogos referentes à Primeira Liga portuguesa. Quando passarem 15 minutos (ou 20, como é apanágio do nosso campeonato, que parece não conseguir iniciar uma partida à hora agendada) das 19 horas, a bola começará a rolar no Estádio da Luz.

O CD SANTA CLARA NÃO PERDE HÁ QUATRO JOGOS, MAS NUNCA CONSEGUIU VENCER O SL BENFICA. SERÁ DESTA QUE CONSEGUE A SURPRESA? APOSTA JÁ NA BET.PT!

Serão postas à prova as equipas e uma panóplia de estatísticas. Cinco delas são aqui apresentadas.

Fórmula 1: A última vez em Portugal?…

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A 22 de setembro de 1996 correu-se o Grande Prémio de Portugal. Na altura, a Fórmula 1 chegava ao nosso país e ia diretamente para o circuito do Estoril. Tivemos muitas corridas interessantes, renhidas e tivemos títulos vencidos em solo português. Para saber mais sobre algumas destas corridas, o Bola na Rede tem um artigo que já cobre isso.

Mas, com tudo já acertado para 1997, as obras demoraram mais do que deviam e Portugal disse adeus à Fórmula 1. Agora em 2020, os rumores já foram mais do que confirmados e hoje a Fórmula 1 está próxima de ir correr ao Autódromo Internacional do Algarve. A esperança é a última a morrer, por isso, vamos #Portimão2020.

Mas, voltamos a 1996. Ano do meu nascimento, ano do primeiro título de Tommi Mäkinen nos ralis com o Mitsubishi Lancer Evo 3 e ‘Mick’ Doohan campeão no MotoGP na Honda NSR500 (NV0W).

Na Fórmula 1, à chegada a Portugal, não havia campeão definido. Em 1996, Michael Schumacher trocava a Benetton pela Ferrari, enquanto Jean Alesi fazia o caminho inverso.

Mas, a defesa do campeonato do alemão não correu bem. A Williams e Damon Hill começaram logo com três vitórias e ao quarto Grande Prémio, na Alemanha, era Jacques Villeneuve quem vencia. Damon Hill vencia o Grande Prémio seguinte, em San Marino, dando cinco vitórias consecutivas a FW18.

O FW18, criação de Patrick Head e Adrian Newey, com um motor Renault 3.0l V10
Fonte: Williams Racing

À chegada ao Grande Prémio de Portugal, Damon Hill tinha sete vitórias em 13 corridas disputadas. Claramente que a disputa iria ser entre os companheiros de equipa, Hill e Villeneuve. Com o melhor carro, restava apenas aos outros tentarem chegarem lá.

Hill começaria na pole position, conseguindo ficar por 0.009s na frente de Villeneuve. As chances de Hill se tornar campeão do mundo eram cada vez maiores. Jean Alesi tinha feito uma partida melhor, mas Hill não o deixaria passar por dentro na primeira curva. Atrás, as coisas não estavam fáceis para Villeneuve, que se via relegado para quarto e as chances do título ficarem mais longe. Villeneuve teve depois a sorte de apanhar tráfego, na forma de Giovanni Lavagii no Minardi-Ford M195B, para conseguir passar Schumacher na curva que atualmente tem nome de Senna. Já a ultrapassagem a Alesi, derivou de uma estratégia diferente, com o Williams a vir às boxes na volta 18, enquanto Alesi só viria na volta 22. Quando o homem da Benetton regressou à pista, já o canadiano se tinha ido embora.

Mas, nunca se esqueçam. O Estoril dá sempre espetáculo. Hill viu-se retido atrás de dois pilotos atrasados, Ukyo Katayama no Tyrrell-Yamaha e Ricardo Rosset no Footwork Arrows. Numa volta apenas, Villeneuve tirou quase seis segundos do intervalo. Na volta seguinte, tirou mais dois segundos, mas trabalhar no trânsito não é fácil e o intervalo ficou por aí.

Mais uma fez, a estratégia nas boxes e nas voltas de entrada e saída ditaram o resultado final. Damon ao sair das boxes fez 1:44.861s, ou seja, significava que Villeneuve saía na frente, para o 1-2 da Rothmans Williams Renault, com a mítica decoração azul, branca e dourada da tabaqueira Rothmans.

Foto de Capa: Williams Racing

Regresso a Casa: A Liga dos Campeões e os 3 jogos de Messi em Lisboa

 

 

O Regresso a Casa é uma rubrica na qual os antigos redatores voltam a um lugar que bem conhecem e recordam os seus tempos remotos, escrevendo sobre assuntos actuais.

O amante de futebol vive um desafio: ver a maior quantidade de (bons) jogos, mesmo que nos últimos tempos ande a maior parte do seu tempo entre as divisões da sua casa, e que essas partidas sejam disputadas sem adeptos nas bancadas. Há quem siga esses encontros, mas há quem não tenha interesse em vê-los por considerar esta época perdida, devido à grande paragem provocada pela pandemia. Para este primeiro grupo de pessoas – para o qual eu sou suspeito – pergunto: quanta concentração precisamos para ver este futebol? É assim que devemos consumi-lo por tempo indeterminado?

O futebol à porta fechada não me encanta, porque não acredito ser necessária tanta concentração para desfrutarmos do jogo. O que está à volta deste desporto, como factor de união e auto-conhecimento, também nos cativa. Mas terá de ser desta forma que iremos ver campeonatos a serem decididos e a festa nas ruas não poderá ser feita – o que irá acontecer com a Liga dos Campeões, em Lisboa, tão perto de muitos que nos lêem.

A confirmação da vinda da maior competição do futebol Europeu nunca deixará de ser uma boa notícia para o país, mas a recepção e abordagem política ao evento não foi de todo a melhor. O Primeiro-Ministro, António Costa, exaltou que a realização da Liga dos Campeões em Lisboa era “uma vitória dos portugueses”, nomeadamente dos “profissionais de saúde”, que continuam a travar o crescimento de casos de covid-19.

A classe política governante, no seu inconsciente, à procura de se afirmar no poder no futuro, não se conseguiu conter com os frutos que a “Champions” pode trazer à economia nacional. Por breves momentos, reparámos num esquecimento do número crescente de casos na capital, arredores e infelizmente, outra vez, em outros pontos do país – não é exequível, neste panorama, supor que esta fase final da Liga dos Campeões seja feita com adeptos nos estádios. E assusta ainda mais o presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, afirmar tranquilamente que não existe um plano B, caso nada possa acontecer na capital portuguesa.

Toda a conjuntura em Lisboa preocupa, é vista atentamente lá fora e haverá certamente uma enorme pressão no universo político (talvez vergonha) em não voltar atrás, a uma situação próxima de confinamento. É necessário fortificar dois substantivos: lei e ordem, especialmente nesta altura de Verão, onde cresce a tentação de voltar a fazer uma vida normal e surgem problemas sazonais como os incêndios e a necessidade súbita das forças de socorro. O combate ainda não está ultrapassado, o “milagre português” não existiu – felizmente, a evolução da pandemia travou muito devido ao nosso forte confinamento – e é impensável estar ao sabor do número de casos, que nunca param de aumentar a cada dia que passa.

Portugal destacou-se pela organização de eventos desportivos como a final da Liga dos Campeões de 2014, a Liga das Nações de 2019 e ainda o Euro 2004, que tanta saudade nos deixa, vamos querer ser nós próprios a deitar todo esse trabalho e poder? Foi “prometida” uma final europeia na cidade do Porto até 2026, e no ano passado foi levantado um véu para uma eventual realização de um Campeonato do Mundo inédito e intercontinental com Espanha, e, quem sabe, Marrocos. Muito desse trabalho vai sendo feito e começa agora a ganhar novas proporções, especialmente na imagem de Portugal no universo futebolístico (melhorar a qualidade do seu campeonato e não apenas exportar o “seu produto para fora”) e em toda a sociedade que precisa de mais apoio e união do que nunca. O mesmo se aplica aos nossos festivais de música, à “gigante” WebSummit e outros grandes eventos pelo país – vamos mesmo querer perder isso tudo? Que esta Liga dos Campeões também trate de coroar a atitude da população portuguesa, que ainda precisa de se consciencializar sobre o tempo que vivemos.

Voltando ao futebol, muitos dos adeptos, tal como muitos que escrevem e lêem o Bola na Rede, tiveram outro desafio: o de se refugiarem na substância do jogo. Provavelmente nunca assistimos a tanto debate de ideias, como no BnR TV, ao acesso aos protagonistas de todas as idades e muitos conteúdos de recordação. Houve tempo para olhar para trás e aprender. Por isso, agora “regressei a casa”, a pensar no futuro, porque queremos voltar a ver bom futebol, queremos comunicá-lo ao maior número de pessoas possível, recuperar hábitos de trabalho, a nossa sanidade até, e saber que, mesmo à distância, vem aí Messi (e tantos outros craques) e a Liga dos Campeões a Lisboa. Foram em apenas três ocasiões que o astro argentino marcou presença nos relvados da nossa capital e vamos aqui relembrá-los.

Formação leonina | Fornadas express

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Há algumas semanas atrás escrevi neste mesmo espaço que, de repente, a formação do Sporting CP tinha passado do 8 ao 80 num esfregar de olhos, tendo sido necessário apenas um acrescento de condimentos que poderão confirmar no referido artigo.

Mas, segundo parece, neste Sporting CP de Frederico Varandas tudo é feito a uma velocidade estonteante. Velocidade essa que, por vezes, mais parece um passo de magia do que fruto de um trabalho com “cabeça, membros e pernas”.

Há uns dias, o Sporting CP emitiu um comunicado em que referia uma informação que me deixou a duvidar de todo o trabalho e tempo que eram necessários para formar um jogador de futebol. Aliás, fez-me questionar até se valerá a pena ter um investimento tão grande em infraestruturas e corpos técnicos para a vertente formativa, incluindo a qualidade dos colchões em que os nossos jovens atletas descansam.

Então, no comunicado (e o outro é que fazia muitos comunicados), era passada a ideia de que os jogadores de qualidade que estavam agora a aparecer na equipa principal do Sporting CP tinham sido formados em dois anos, curiosamente o mesmo número de anos em que esta direção ocupa o cargo à frente do clube. Isto não deixaria de ser um feito extraordinário se fosse verdade, o que colocaria o nosso clube de novo no topo dos melhores clubes formadores do mundo (será que alguma vez deixámos de ser?), mas também na inovação científica quanto ao desenvolvimento fisionómico do ser humano – ou não tivéssemos um médico como presidente.

Bem sei que muitos gostam de acreditar que muito do que veio da anterior direção foi mal feito e neste campo pecou apenas em apostar num treinador que é reconhecidamente pouco dado a apostar na formação, mas, por favor, não se aproveitem dessa má vontade para com quem foi demitido para dizer mentiras, achando que toda a gente vai comer e calar. Para piorar, fazem-no em comunicados oficiais do clube. Mais valia fazerem um “post” de Facebook.

formação
Nuno Mendes foi o último jovem da formação a estrear-se na equipa principal
Fonte: Sporting CP

Anteriormente, eu dizia que a formação do Sporting CP tinha passado do 8 ao 80 por obra de um alquimista que de repente transformou tudo em ouro. Mas agora já mais parece um passo de magia em que, juntando um presidente médico, um super-agente, e colchões da mais alta qualidade tecnológica, forma super-jogadores às pazadas em poucos meses.

Escrevo isto depois de um jogo muito bem conseguido da nossa equipa, com um onze recheado de jovens da formação de Alcochete, mas que não estão há apenas dois anos no clube. Já estavam lá quando esta direção chegou, a serem formados, apesar das noites menos bem dormidas. Escrevo isto depois de dois jogadores do Sporting CP estarem nomeados para o prémio “Golden Boy”, apesar de sabermos o que isso vale, a ver por alguns jogadores que o ganharam.

Escrevo isto, porque a qualidade já lá estava, tendo, agora sim, um treinador que não tem receio de apostar neles. (Não foi a direção que apostou neles, senão as dezenas de treinadores que passaram no clube nestes dois anos já teriam apostado em algum deles, que já tinham idade para isso). Escrevo isto, porque, apesar de não gostarem dos antecessores, não pode valer tudo.

Querem que reconheçamos o vosso trabalho, sigam o vosso caminho e valorizem-se fazendo melhor que os outros. Não tentem parecer melhores apenas tentando rebaixar o trabalho dos outros. Porque esse é a forma que os incompetentes encontraram para se promoverem à custa de terceiros.

Dito isto, temos excelentes jovens jogadores. Nunca deixámos de ter. Basta apostar neles. Não apareceram ontem em Alcochete por magia, até porque tentando vender essa ideia é só mais um tiro nos pés, desvalorizando o trabalho que se faz há anos na Academia. Com colchões ou sem eles, sempre teremos qualidade a sair de Alcochete. E o problema é mesmo esse. Essa qualidade vai sair, porque o alquimista já está a tratar disso.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Joana Mendes

Os 5 jogadores em destaque neste regresso da Liga

Com o regresso da Primeira Liga, muitas eram as vontades e desejos, mas também os receios. Desde o risco de lesões de jogadores, quebras de forma e ritmo ou enfraquecimento coletivo face aos mais diretos rivais, havia razões de sobra também para recear o regresso da competição.

Neste top, reuni um conjunto de jogadores que não estiveram com meias medidas na hora de voltar a pisar os relvados. Nem sempre conquistaram os três pontos, mas quase sempre estiveram ligados a golos ou à sua produção.

Os dois líderes desperdiçam pontos atrás de pontos em exibições cinzentas e envergonhadas, enquanto a cauda da classificação se esfola por sobreviver a mais um ano no principal escalão. Assim, este top será maioritariamente com jogadores extra-“três grandes”, sem grande surpresa.

Muitos outros podiam aqui figurar ao cabo de três jornadas após a retoma. No final, prevaleceram aquelas que mais surpreendem e temos até uma dupla de jogadores em destaque na Cidade do Futebol.

Super Rugby Aotearoa: Chiefs e Hurricanes desiludem

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Na semana em que a Nova Zelândia voltou a registar casos de COVID-19, o pontapé de saída da segunda jornada do Super Rugby Aotearoa deu-se com o embate entre as duas potências do norte do país, os Chiefs e os Blues. No domingo, foi o dia de Hurricanes e Crusaders medirem forças na capital neozelandesa.

Sobre a chuva de Hamilton e sob o olhar de 24 000 adeptos, os Blues levaram a melhor sobre os Chiefs. Desde 2011 que a franquia de Auckland não vencia numa deslocação ao FMG Waikato Stadium. Por outro lado, os Chiefs não perdiam três jogos consecutivos em casa desde 2002.

Na primeira parte, os Chiefs não conseguiram tirar partido das oportunidades que tiveram. Nos primeiros minutos foram duas, com um alinhamento a cinco metros que vieram a perder e com um turnover do incansável Quinn Tupaea a dez metros da linha de meta adversária. Numa fase inicial, conseguiram dominar o jogo no aspeto do território, mas as fases estáticas estiveram muito abaixo do esperado. A defesa dos Blues, por sua vez, ia-se mostrando indisciplinada, tendo Dalton Papalii visto um cartão amarelo por um turnover que pareceu ser completamente legal. Nos primeiros quarenta minutos, os Blues concederam dez penalidades, contrastando com as três do adversário.

Apesar do domínio inicial da equipa de Warren Gatland, foram os Blues a marcar o primeiro ensaio do jogo, com um pick and go de Hoskins Sotutu debaixo dos postes. Ao intervalo, o resultado estava a favor dos homens de Leon McDonald, 9-10.

Nos segundos quarenta minutos, os visitantes mudaram a abordagem ao breakdown e conseguiram assumir o controlo do jogo. Para tal, a mudança de Beauden Barrett para a posição de médio de abertura foi essencial, uma vez que foi o responsável por adiantar os Blues no marcador, com um drop e com um pontapé aos postes, e por trazer mais intensidade à linha de três quartos da sua equipa.

Já a poucos minutos do fim, Mark Telea garantiu os quatro pontos da vitória para os Blues, com um ensaio de grande qualidade. Rucks rápidos, excelentes transmissões de bola e capacidade de aceleração do ponta, originaram o ensaio que fechou o resultado em 12-24 para os Blues.

A equipa de Auckland continua invicta na competição, ao contrário dos Chiefs que ainda não venceram. No final do jogo, os treinadores mostraram o seu desagrado em relação à interpretação dos árbitros do breakdown. Recordo que este foi o jogo com menos penalidades nesta competição, com um total de 21.

Zé Luís: Do hat-trick e da bicicleta à queda livre de forma e de confiança

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Normalmente quando se fala em queda livre, uma das soluções passa por encontrar um para-quedas para evitar a dita queda.

Esta é uma frase que pode descrever no sentido mais figurativo aquilo que se tem passado com Zé Luís no FC Porto.

O avançado cabo-verdiano chegou ao dragão no verão de 2019 por uma verba a rondar os oito milhões e meio de euros, e as expetativas não eram as melhores, visto que até então não tinha mostrado ser um avançado de topo. Estava no FK Spartak de Moscovo, onde tinha marcado 14 golos em 36 jogos na época 2018/2019. Não são maus números, mas provavelmente o campeonato não seria o mais competitivo e a idade não ajudava nas expetativas…

É sempre polémico dizer que um jogador de 29 anos é um atleta de futuro, apesar de o futebol de hoje estar mais evoluído. Não é de certeza uma jovem promessa. Para além disso, Zé Luís tem características que podem começar a desaparecer com a idade. Sem essas características perde-se a essência do seu futebol.

Depois de representar em Portugal o Gil Vicente e o SC Braga, os portistas viram anunciada a contratação deste nome, que, confesso, nunca tinha ouvido falar. Pensava mesmo que seria mais um Waris que ia custar dinheiro aos cofres portistas, mas que depois não ia render o suficiente.

A verdade é que, mais uma vez, eu e muitos outros engolimos um belo sapo. Na segunda jornada do campeonato, o FC Porto bateu o Vitória FC por quatro a zero e Zé Luís marcou logo um hat-trick. A partir daí foi sempre a somar, tornando-se num destaque da equipa e até do campeonato. O golo marcado ao SL Benfica no Estádio da Luz e aquela “bicicleta” peculiar com os dois pés na mesma posição em simultâneo no ar, vão ficar marcadas na memória dos portistas.

 Tudo dava a entender que o avançado ia pegar de estaca no FC Porto e ia ser um artilheiro para meter qualquer defesa em sentido… Porém, o que vemos atualmente não é isso. Aquele pé esquerdo, velocidade, capacidade técnica e poder físico que faziam de Zé Luís um avançado até completo, pareceu desvanecer-se.

Claro que se pode contra-argumentar que merecia mais oportunidades nas alturas em que desapareceu da equipa, ou que os outros avançados também não estão a cumprir os mínimos objetivos exigidos, mas o que vimos no último jogo frente ao CD Aves foi um descalabro autêntico. Para além do penálti falhado, Zé Luís perdeu chances de golo incríveis e nunca tomava a melhor decisão. Notava-se uma falta de confiança tremenda.

É inegável que Zé Luís está numa má fase, mas essa má fase já perdura desde a altura do Natal. Os golos diminuíram e até parecia que o número 20 dos dragões não estava dentro do espírito de equipa.

Voltando assim ao título deste artigo de opinião, não há melhor forma de descrever o momento de forma de Zé Luís como uma queda livre. Queda de golos, qualidade, motivação e confiança. Há até quem associe todos estes problemas do jogador à sua namorada, que pode ser um motivo de distração para o futebolista. Por outro lado, também pode ser o impacto de uma transferência falhada para o Tottenham Hotspur FC de José Mourinho.

Independentemente disso, é preciso recuperar o jogador e perceber de uma vez por todas se aquilo que vimos no início da época foi apenas um engano, ou agora é que estamos a ver o jogador errado. Se a segunda hipótese for a correta, Zé Luís vai voltar a surpreender-me e mostrar que é o melhor avançado do FC Porto. Se for a primeira, ficamos com a desilusão de um jogador que não conseguiu manter o nível a que tão bem nos habituou.

Se o para-quedas não se abre, poderemos estar perante mais um dos grandes flops do futebol português… Ainda se vai a tempo!

Artigo revisto por Joana Mendes

 

Seis E-Prix de Berlim é a conta que a FIA fez

Já existe uma data para o regresso da Fórmula E às competições e a um modo de terminar a temporada o mais rápido, e seguramente possível. Caso ainda não tenham reparado, há uma pandemia pelo mundo que já infetou milhões e matou centenas de milhares, e que obrigou o mundo a parar, e isso inclui o mundo do desporto motorizado.

Na Fórmula E, vimos apenas cinco corridas antes de nos confinarmos devido à COVID-19, e agora sabemos que vamos ter mais seis no espaço de nove dias, todas elas no circuito de Berlim, como forma rápida e segura de terminar o campeonato.

Já sinto a pergunta: “Mas seis corridas em sequência no mesmo sítio não é aborrecido?” Ao que eu tenho a dizer que não, estamos a falar de três rondas seguidas, duas corridas em dias seguidos, cada ronda em traçados diferentes da pista, o que levando em conta que o circuito fica num aeroporto, facilita a criação de versões diferentes e entusiasmantes do mesmo. A data já está marcada, é 5 e 6, 8 e 9, 12 e 13 de agosto.

Outro fator que irá evitar as corridas aborrecidas é a própria Fórmula E em si. Temos de nos recordar que ao contrário da Fórmula 1, não há lugares reservados na grelha de partida, sendo que o equilíbrio de performance dos monolugares elétricos e a qualificação “invertida” da Fórmula E, promovem uma grelha mais imprevisível.

Em termos de saúde e segurança, está a ser levada extremamente a sério, não fosse a corrida na Alemanha. Estamos a falar de testes obrigatórios de coronavírus antes das corridas, exames todos os dias após a chegada à pista, o uso de máscaras faciais, distanciamento social e a tentativa de limitar ao máximo o movimento nos espaços de trabalho das equipas e staff, com zonas específicas definidas para os diferentes integrantes da organização e corrida em si.

Olhar para a tabela classificativa coloca um sorriso em qualquer português, o nosso António Félix da Costa (DS Techeetah) encontra-se no topo da mesma, com um total de 67 pontos, 11 de diferença para o segundo classificado, Mitch Evans (Jaguar Racing). Os pilotos da BMW Andretti Alexander Sims e Maximilian Guenther encontram-se em terceiro e quarto lugares respetivamente, mas a mais de 20 pontos de Félix da Costa. O campeão em título Jean-Éric Vergne protagoniza um dos seus tradicionais começos lentos, estando em oitavo, com menos de metade dos pontos do seu colega de equipa e líder de campeonato.

Temos um novo piloto na grelha, com René Rast a substituir Daniel Abt na Audi Sport. O bicampeão de DTM será o novo companheiro de Lucas di Grassi no que resta do campeonato. Para quem não sabe, Daniel Abt “baldou-se” de uma corrida virtual da Fórmula E, colocando um sim racer profissional a correr no seu lugar, a Audi tomou ação e suspendeu o piloto alemão que agora dá lugar a René Rast.

Seis corridas não parece muito para conseguir alterar as classificações, que comparativamente à época anterior são bem mais desequilibradas, mas convém relembrar que estamos a falar de Fórmula E, onde as corridas e os seus resultados são extremamente imprevisíveis. Basta um DNF de Félix da Costa e Mitch Evans, e volta a ficar tudo em aberto. Os BMW eram os carros mais consistentes antes da paragem, e não há nada que nos diga que assim não será, JEV é o bicampeão em título, e já provou por várias ocasiões que a segunda parte da temporada lhe pertence.

Apesar da almofada confortável de 11 pontos, António Félix da Costa tem de estar o mais focado possível. Uma má corrida, um acidente ou uma má qualificação podem deitar o campeonato a perder, e mesmo um campeonato tão atípico, vale a pena vencer.

Foto de Capa: Fórmula E

Artigo revisto por Joana Mendes

O melhor 11 da Liga Inglesa sem repetir clube e nacionalidade

Enquanto o futebol esteve pausado, surgiram nas redes sociais uma série de desafios deste estilo, e até o próprio Bola na Rede aderiu à “moda”, fazendo os melhores onzes com nacionalidades diferentes dos três grandes em Portugal. Desta vez, trago uma inovação nesse sentido, ao realizar o melhor 11 da Liga Inglesa sem poder repetir a nacionalidade nem o clube dos jogadores presentes. Ou seja, 11 países e 11 clubes.

Este tipo de onzes ficou viral quando o ex-jogador do Liverpool, Jamie Carragher, teve a iniciativa de selecionar a melhor equipa que já viu jogar com as mesmas condicionantes no método de escolha. James Milner fez o mesmo, mas apenas com jogadores que atuaram no campeonato inglês. Para não cansar esse modelo, decidi realizar a melhor equipa possível da atualidade a jogar em Inglaterra.

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