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Atalanta BC 3-2 SS Lazio: Reviravolta fantástica deixa Lazio longe da liderança

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A CRÓNICA: GOLOS? JÁ SE ESPERAVA…

O jogo mais aguardado na retoma do campeonato italiano não só opôs as duas equipas com a melhor série de resultados, como colocou frente a frente o melhor ataque e a melhor defesa da liga. Ganhou o poderoso ataque da Atalanta BC e com direito a reviravolta, deixando a SS Lazio mais distante da Juventus FC. Se o jogo em si defraudou as expetativas? Dificilmente.

Mesmo sem jogar há quase quatro meses, a Lazio entrou com tudo, ao ponto de traduzir duas transições mortíferas em… dois golos. Primeiro com um auto-golo de Marten de Roon após corte infeliz e, ainda na primeira dúzia de minutos, com um grande golo de Milinkovic-Savic de fora da área. Esperava-se, naturalmente, uma reação do conjunto da casa, habituado a marcar muitos golos. E, como tal, sucederam-se as oportunidades. Zapata falhava de um lado, Immobile do outro. Ainda assim, a primeira parte não terminaria sem antes Gosens finalizar uma bela jogada coletiva e reduzir a desvantagem.

No segundo tempo, perante uma Lazio mais recolhida, a Atalanta continuou a ir atrás do resultado e, depois de tanta insistência, o tento do empate chegaria através de um fantástico remate de Malinovskyi. A verdade é que quando uma equipa está talhada para marcar… está sempre mais perto do sucesso. E assim foi… A dez minutos do fim, a equipa orientada por Gasperini chegou mesmo à reviravolta por intermédio do central Palomino e ainda podia ter ampliado a vantagem na reta final. Este resultado deixa, assim, a Atalanta segura no quarto lugar (com possibilidade de lutar pelo pódio) e a Lazio, que não perdia desde janeiro, a quatro pontos da líder Juventus.

 

A FIGURA


Ruslan Malinovsky – Foi com alguma surpresa que apareceu no “onze” de Gasperini, mas tal qualidade não surpreende que tenha sido o melhor em campo. Jogou e fez jogar. Seguro nos duelos individuais, eficaz na condução, letal nas transições e perigoso a tentar a sua sorte junto da baliza adversária. Tudo isto levou a que o médio ucraniano assinasse o segundo golo da Atalanta (e que golo!) e tivesse ainda assistido para o tento da reviravolta.

 

O FORA DE JOGO


Duván Zapata – Há jogos assim… Uns mais felizes, outros mais ingratos. Zapata é, sem dúvida, uma das principais figuras desta Atalanta, mas esteve muito abaixo do esperado no duelo frente à segunda classificada. Bem marcado pela defensiva adversária, o colombiano não fez valer as suas capacidades, não causou mossa e falhou o pouco de que dispôs para marcar. Não foi de admirar a saída a meio da segunda parte.

 

ANÁLISE TÁTICA – ATALANTA BC

Gasperini decidiu fazer duas alterações em relação ao “onze” utilizado três dias antes: Tolói no eixo central e a aposta no médio Malinovskyi (fase à ausência do castigado Pasalic). A jogar em 3-4-1-2, será legítimo dizer que a habitual pressão alta acabou por trair a formação de Bérgamo no período inicial do encontro: duas perdas de bola lá na frente, dois pecados na transição defensiva, dois golos sofridos. Fiel à sua identidade, a formação da casa assentou o jogo, continuou a pressionar forte, a colocar muitas peças na área contrária e as oportunidades foram surgindo… ao ponto de conseguir uma fantástica reviravolta.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pierluigi Gollini (6)

José Luis Palomino (7)

Berat Djimsiti (7)

Rafael Tolói (6)

Robin Gosens (7)

Remo Freuler (7)

Marten de Roon (5)

Hans Hateboer (6)

Ruslan Malinovskyi (8)

Papu Gómez (7)

Duván Zapata (4)

SUBS UTILIZADOS

Timothy Castagne (6)

Luis Muriel (6)

Josip Ilicic (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – SS LAZIO

Com Lucas Leiva lesionado, Simone Inzaghi optou por lançar Cataldi (habitual suplente), mantendo, assim, o sistema 3-1-4-2. O muito tempo sem jogar nem se parecia fazer sentir na forma de jogar da Lazio que, logo a abrir, revelou ter a mestria necessária para vacilar as redes adversárias por duas vezes. Contudo, a estratégia para a segunda parte foi diferente. Com mais cautelas defensivas, a equipa de Roma baixou no terreno, deixou de atacar com regularidade e acabou por desperdiçar a vantagem madrugadora conquistada.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Thomas Strakosha (6)

Stefan Radu (6)

Francesco Acerbi (6)

Patric (5)

Jony (5)

Luis Alberto (6)

Danilo Cataldi (7)

Sergej Milinkovic-Savic (7)

Manuel Lazzari (6)

Joaquín Correa (6)

Ciro Immobile (5)

SUBS UTILIZADOS

Felipe Caicedo (5)

Marco Parolo (6)

André Anderson (6)

Jordan Lukaku (5)

Bastos (5)

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Força da Tática: O cérebro azul e branco #2

Depois de analisar a liderança de Moncho López, as preferências do técnico espanhol perante o seu modelo de jogo e aquilo que ele pede na organização ofensiva da equipa azul e branca, iremos avançar para a segunda fase da análise. Aqui, iremos abordar as referências defensivas do treinador portista e a organização defensiva proporcionada pelo próprio.

ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA

O FC Porto defende com grande intensidade no campo todo, iniciando a primeira fase da sua organização defensiva com grande pressão no portador da bola. Fruto das características físicas dos jogadores, a juntar à disciplina organizada e «agressiva» impulsionada por Moncho López, a equipa azul e branca tinha tudo para ser a equipa com melhor recorde defensivo da liga, ficando contudo bem atrás do esperado, terminando o campeonato com uma média de 75 pontos sofridos por jogo.

Todavia esta média menos bem conseguida, o FC Porto demonstrou fundamentos, e grande versatilidade no momento de defender, ao atacar as vulnerabilidades do adversário.

Ora, alternando entre uma defesa ao homem, para uma defesa à zona (por vezes), o técnico espanhol demonstrou estar à altura da responsabilidade, sendo que neste momento do jogo, o treinador azul e branco sempre apresentou ser dos melhores ao nível nacional.

Na defesa a campo todo, o clube azul e branco conseguiu perturbar as ações dos jogadores adversários, obrigando inúmeras vezes o oponente a lançamentos de difícil concretização. Não obstante, para realizar de forma efetiva este momento defensivo, o FC Porto tem que evoluir na conquista dos ressaltos defensivos, ao passo que com tantos postes de grande preponderância física, é imperativo que o FC Porto seja a principal equipa a dominar neste aspeto.

Em oposição, os azuis e brancos são apenas a quarta melhor equipa na conquista do ressalto defensivo atrás da UD Oliveirense, SL Benfica e Sporting CP. Na defesa à zona, o FC Porto costuma optar por uma defesa 3×2, não só para diminuir o desgaste físico e mental da equipa, como também para exibir um constrangimento abrupto ao adversário.

Aqui, o FC Porto com dois postes de referência perto do cesto e com 3 jogadores exteriores ativos a impedir o lançamento exterior obteve uma taxa de sucesso interessante, todavia seja uma defesa com as suas naturais deficiências, que podem ser aproveitadas pelo oponente.

A contribuir para a sua disciplina tática, Moncho contou com jogadores de elevado conhecimento estratégico e grande comprometimento perante o delineamento tático apresentado.

Desde logo, os jovens jogadores (com mais minutos na equipa) Voyto e Amarante apresentaram poucas falhas a este nível, demonstrando ter as bases e os fundamentos defensivos bem enraízados no seu jogo. Mentalmente, no geral, a equipa do FC Porto apresenta-se forte, com jogadores que atuam em alta intensidade e tendem a ser agressivos quer no jogador com bola, quer no jogador alvo sem bola (o jogador que poderá receber a bola com mais perigo). Entre os jogadores que se destacam nesta vertente do campo, destacamos o norte americano Preston Purifoy.

Olheiro BnR: Gonçalo Ramos

Natural de Olhão e nomeado para o Golden Boy 2020. Gonçalo Ramos destacou-se no clube da terra (Olhanense) e chegou ao SL Benfica na época de 2012/2013 com apenas 13 anos. O avançado percorreu todos os escalões de formação e já integrou, por duas vezes, as convocatórias de Bruno Lage para jogos da equipa sénior.

Percurso até à principal equipa do SL Benfica

Gonçalo é um jovem avançado português de 19 anos. Possante fisicamente (1,84m e 77kg), a nova máquina de golos do Seixal apresenta números incríveis nos escalões de formação: mais de 100 jogos e 51 golos marcados.

Uma característica singular de Gonçalo Ramos é que, devido à sua tenra idade, opta por jogar nos três escalões elegíveis (equipa B, sub-23 e juniores) durante a mesma época. Em 2019/2020, até à suspensão dos campeonatos de futebol devido à pandemia de covid-19, o jovem avançado contava com dois jogos e dois golos pela equipa de sub-23 e vinte jogos e quatro golos pela equipa B do Benfica. Além disto, também fez um jogo no campeonato nacional de juniores e seis na Youth League onde conta com seis jogos, quatro golos marcados e uma assistência.

O que pode trazer ao plantel das ‘Águias’

A equipa sénior do Benfica passa por grandes dificuldades e péssimas exibições. No momento defensivo, as lacunas são notórias ao nível da bola parada e da coesão entre os jogadores. A meio-campo, Weigl continua sem justificar o investimento de 20 milhões de euros e Gabriel mantém a má forma após lesão. No ataque, existe uma inconsistência relativamente ao titular da equipa: ora joga Vinícius, ora joga Seferovic, ora joga Dyego Sousa. De facto, nenhum dos três tem mostrado bons indícies exibicionais, exceto os 45 minutos de Vinícius frente ao CD Santa Clara, onde marcou dois golos e podia ter feito mais um ou dois.

Contudo, falta uma peça ao ataque ‘encarnado’: um avançado português, jovem e possante. É neste perfil que encaixa (na perfeição) Gonçalo Ramos. Com o contrato renovado em agosto do ano passado e com uma cláusula de rescisão fixada nos 80 milhões de euros, o algarvio é, sem dúvida, uma das grandes promessas do Seixal. Elogiado por Bruno Lage em diferentes momentos e apelidado por muitos como o ‘novo João Félix’, Gonçalo Ramos não acusa a pressão e já treina com a equipa principal do Benfica.

O jovem tem uma cláusula de rescisão de 80 milhões de euros
Fonte: SL Benfica

O internacional jovem por Portugal é um jogador polivalente que atua como segundo avançado, mas também como médio ofensivo. Ainda assim, é no setor mais ofensivo que se destaca dada a sua capacidade atlética, posicional e finalizadora.

Vice-campeão europeu de sub-19 no ano passado e melhor marcador do torneio, Gonçalo Ramos tem tudo para ter sucesso no Benfica. É, provavelmente, um dos jogadores que vai ‘subir de escalão’ e ser presença assídua na principal equipa dos ‘encarnados’, com ou sem Bruno Lage.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

O misterioso caso de Mamadou Loum: do relvado para a bancada

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Afinal de contas o que se passa com Mamadou Loum? O médio senegalês foi contratado ao SC Braga em janeiro de 2019 por 7,75 milhões de euros, enquanto representava o Moreirense FC a título de empréstimo. Foi em Moreira de Cónegos que se destacou e convenceu a direção portista a realizar um forte investimento.

A realidade é que desde a chegada ao Dragão, Loum ainda não mostrou o porquê do dinheiro investido, à exceção de um conjunto de jogos que alinhou no decorrer desta época desportiva. Atualmente, desde o reatamento do campeonato português, após a paragem devido à COVID-19, Loum é o único jogador de todo o plantel que ainda não foi convocado para qualquer partida.

O facto de Loum ainda não ter sido inscrito na ficha de jogo de Sérgio Conceição torna-se ainda mais misterioso porque o jogador não apresenta qualquer lesão ou problema físico e treina normalmente com a equipa no Olival. Além disso, agora são permitidas cinco substituições e é permitida a presença de nove elementos no banco de suplentes, logo, poderia ser convocado e não o é.

Em detrimento do senegalês, o técnico dos azuis e brancos tem convocado os jovens João Mário e Fábio Vieira, sendo que o último até já se estreou e fez uma assistência. Além destes, Vitinha também já obteve alguns minutos e já era opção regular antes da paragem da competição.

Desde a chegada de Loum ao FC Porto, os dragões realizaram 71 jogos e o médio de 23 anos apenas alinhou em dez deles, sendo que sete deles foram esta temporada. O primeiro foi em outubro contra o SC Coimbrões, a contar para a Taça de Portugal. Poucas semanas depois, Loum foi titular cinzo vezes seguidas, sendo que três delas foram para o campeonato (Boavista FC, FC Paços de Ferreira e Belenenses SAD), uma para a Taça (Vitória FC) e a outra na Liga Europa (BSC Young Boys).

Numa dessas partidas, chegou a marcar um dos golos da vitória dos portistas contra os pacenses e recebeu rasgados elogios de Sérgio Conceição, que apontou para uma oportunidade bem agarrada por parte do senegalês. Desde a partida contra o Belenenses, nessa série de participações de Loum no miolo dos dragões, foi opção apenas mais uma vez contra o Académico de Viseu FC, nas meias-finais da Taça de Portugal.

Desde esse momento, Loum nunca mais jogou pelo FC Porto e fez parte do banco de suplentes poucas vezes. Desde o regresso da liga, ainda não há sinais do senegalês, sendo o único jogador do plantel principal que ainda não fez parte das contas de Sérgio Conceição para a reta final do campeonato.

Esta decisão é um tanto estranha não só pela quantidade de dinheiro investido no jogador, como pela forma como o técnico do FC Porto falou do jogador pouco depois da sua chegada. Sérgio garantiu aos adeptos que podiam ficar descansados, pois iam ter um médio defensivo para muitos anos. A dúvida recai agora entre quebra de rendimento, pouco aproveitamento nos treinos, ou até mesmo falta de confiança do treinador no atleta.

Loum não está certamente na sua melhor fase a nível profissional e já referiu que quando a época terminar vai-se sentar com o empresário para tomar uma decisão sobre o futuro.

Foto de Capa: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Os 10 melhores marcadores de sempre da Liga Inglesa

A Liga Inglesa é, apesar da maior competitividade nas restantes ligas europeias, a melhor de todo o mundo. É por lá que passa a maior parte dos grandes jogadores que conhecemos e que mais saudades deixam no mundo do futebol. É algo difícil de explicar e até entender, mas em terras de Sua Majestade a cultura e a forma como se vive o desporto rei é diferente, fazendo dele o mais apelativo de toda a Europa.

O sonho de qualquer profissional de futebol passa por representar uma equipa deste belíssimo campeonato, seja ela qual for. Há, obviamente, umas maior do que outras, mas todas elas são dignas e exigem um nível de qualidade muito superior ao que é exigido em outras ligas mundiais.

Atualmente temos uma ideia bem definida de quem são as grandes equipas deste campeonato, mas importa não esquecer que nem sempre foi assim. Como sabemos, a beleza da Liga Inglesa advém também da sua grande competitividade, que acontece devido à qualidade presente em todas as equipas. Várias levantaram já o tão ambicionado troféu e contaram também com a presença de jogadores que vão ficar para sempre marcados na história da competição.

Fazemos então uma lista dos 10 melhores marcadores de sempre da Liga Inglesa, que rapidamente o vai remeter a bons velhos tempos, em que o poder estava mais dividido.

 

«Jorge Mendes perguntou-me onde queria jogar. Dois dias depois assinei pelo Benfica» – Entrevista BnR com Fábio Faria

“É para falar sobre o quê?”, perguntou. “Futebol de A a Z”, respondemos. Não mentimos, ainda que nos tenha faltado uma ou outra letra. André Pinto, Benfica, Capdevila, David Luiz, Emerson, Fábio Coentrão, Gaitán, Hulk, Jesus, Luisão, Mendes, Nuno Gomes, Peter Canyon, Quarto do Aimar, Rio Ave, Sampdoria, Tarantini, Vítor Pereira, Zé Gomes. Em exclusivo para o Bola na Rede, eis Fábio Faria.

– Filho de peixe sabe nadar –

“Coentrão dizia que eu ia ser um craque”

Bola na Rede [BnR]: Natural de Vila do Conde, passaste a tua infância nas Caxinas. Se tivesses feito o 7-1 de livre direto naquele Padroense x Rio Ave, qual era a probabilidade de nunca mais por lá apareceres?

Fábio Faria [FF]: [risos] Era um jogo de tudo ou nada para o Rio Ave, porque para subirem de divisão tinham de nos ganhar por uma diferença de sete golos, uma vez que estavam em igualdade pontual com o então segundo classificado, mas com uma diferença de seis golos negativos. Recordo-me de que os seus adversários diretos acabaram o respetivo jogo cinco minutos mais cedo e o Rio Ave precisava de mais um golo para ficar em primeiro; conseguiram-no, mas no último minuto houve um livre a nosso favor e era eu o encarregado de marcá-lo. Quando vou para bater a bola, o Fábio [Coentrão] – que já tinha aquele feitio que todos conhecem, aquela raça, aquela vontade de ganhar sempre – chegou ao pé de mim e ameaçou-me, mas é algo normal no futebol, onde fazemos tudo para poder ajudar o nosso clube. Por acaso a bola foi ao lado, mas se entrasse ia ser complicado para mim, ainda por cima sendo eu da terra. Curiosamente, no ano seguinte, sou dispensado pelo FC Porto e vou para o Rio Ave.

BnR: Onde voltas a encontrá-lo, desta feita como colega.

FF: Exatamente. Se hoje já não somos colegas no futebol, somo-lo no pádel: todos os dias me liga para irmos jogar e mantemos uma amizade desde esses tempos. Já agora, conto-te o início da nossa relação.

BnR: O palco é teu.

FF: O Fábio já me conhecia dos dois jogos contra o Padroense, em que as coisas me tinham corrido bem. Quando os diretores do Rio Ave souberam que fui dispensado, ligaram-me para ir fazer captações e fiquei logo; como vinha do FC Porto, era normal. No meu primeiro ano de juvenil no clube, o campeonato correu-me tão bem que subi diretamente para os juniores, onde o reencontrei – apesar de já treinar com os seniores, vinha jogar por nós – e comecei a destacar-me: era sempre o segundo melhor jogador da equipa, só atrás dele; limpava tudo lá atrás e foi nessa altura que ele começou a ficar com uma boa impressão minha. No final da época, assinei contrato profissional com o Rio Ave, comecei a treinar na equipa principal e lembro-me de, logo a seguir, ir escolher o número para a camisola: o 23 de Michael Jordan, o meu ídolo. A partir daí andava sempre com o Fábio e lembro-me de ele dizer aos colegas que eu ia ser um craque e que se fosse bem trabalhado podia ser um grande central. Sempre me deu muita moral e temos uma relação forte até hoje.

BnR: Oriundo de um núcleo piscatório, filho de peixe tem de saber nadar. Qual a influência do teu pai, Chico Faria, no caminho que escolheste?

FF: Nenhuma. Toda a gente dizia que ele era um craque, mas que não queria nada com aquilo: que era um preguiçoso, nunca treinava e só queria jogar. O meu pai, apesar de ter feito o seu percurso quase todo na Primeira Liga e ter ganho uma Taça de Portugal, acabou a carreira de uma forma que não gostou: com salários em atraso. Como ficou magoado com o futebol, fez tudo para que eu não passasse pelo mesmo: meteu-me a jogar basquetebol aos cinco anos – e joguei até aos 12 -, mas quis o destino que a minha vida passasse pelo futebol. Ele só começou a olhar verdadeiramente para a minha carreira quando assinei contrato profissional com o Rio Ave; até então não me dava moral e dizia-me “Não jogas nada. Dedica-te mas é aos estudos”. A partir dessa altura começou a dar-me conselhos e a ser mais presente, apesar de sempre ter ido ver os jogos todos. Desde então foi sempre o meu braço direito.

Facebook Fábio Faria

BnR: O teu pai que, como tu, é um fervoroso adepto do Benfica. É verdade que choraste quando ele foi a Vigo?

FF: É verdade. Eu era doente pelo Benfica desde pequenino e era para ter ido com ele, mas à última da hora não conseguiu arranjar bilhete para mim e foi com amigos. Recordo-me de ver o jogo em casa e o Benfica perder 7-0; chorei tanto (…) porque sabia que no dia a seguir, na escola, ia ser gozado.

BnR: Tens 1,90m e aos olhos dele continuas a ser o “baixinho”.

FF: Sim, é uma alcunha pela qual ele sempre me chamou e, curiosamente, um dos meus melhores amigos, o André Pinto, também me trata por esse nome, apesar de só ter mais um ou dois centímetros; a ele o meu pai chama-o “fraquinho”, porque nós fizemos a formação juntos no FC Porto e andávamos sempre um com o outro. É uma forma carinhosa de me tratarem. Outro gesto terno era uma forma muito especial de me chamar através de um assobio: quando eu jogava, e ele via que as coisas não estavam a correr bem, bastava-lhe dar aquele assobio, que eu olhava para ele, concentrava-me e as coisas começavam a correr melhor. Os meus pais foram sempre pessoas importantes: a minha mãe mais galinha, o meu pai mais distante, mas sempre presentes.

Fonte: Facebook Fábio Faria

BnR: Menos amor havia nos treinos do FC Porto se alguém levasse calções vermelhos.

FF: Isso foi quando fui às captações! O meu pai tinha uma escolinha de futebol e o equipamento eram as cores de Vila do Conde: camisola amarela e calções vermelhos. Como joguei basquetebol durante sete anos, só tinha calções dessa modalidade, então levei os vermelhos da escolinha do meu pai e uma camisola branca para não ir todo de vermelho; só que estas eram as cores do Benfica! Mas não fui numa de provocar, nem de chamar a atenção. Quando ia a entrar para o campo, um diretor chamou-me logo “Ó, onde é que vais com esses calções?”. “São os únicos calções que tenho”, disse-lhe. “Não, não, não! Vai ali falar com o roupeiro; se não tiver outros calções não podes treinar”. Foi aí que percebi que a mística do FC Porto é transmitida logo desde pequenino. Lembro-me que, mais tarde, o meu pai ofereceu-me no Natal umas Predator todas vermelhas, iguais às do Simão Sabrosa, e quando volto aos treinos, cheio de estilo com umas botas novas, não me deixaram treinar e tive de pintá-las de preto.

BnR: O roupeiro foi teu amigo.

FF: Arranjou-me uns calções azuis e lá fui treinar, muito envergonhado porque nunca tinha jogado futebol e só sabia o básico. Era muito maior em relação aos outros – eu e o André Pinto – e essa semana correu-me lindamente, porque apesar de taticamente andar perdido em campo, tinha qualidade técnica. O treinador achou que podia evoluir, gostou da minha altura e decidiram assinar comigo.

BnR: Qual é o processo de alguém que começa a formação a extremo-esquerdo e se afirma como defesa?

FF: Foi muito difícil. Comecei a extremo-esquerdo, fui baixando para “10”, depois meio-campo, mas nunca fui defesa. No meu primeiro ano de Padroense – o FC Porto utilizava este clube para ter duas equipas a competir na Nacional e para estarmos mais preparados quando voltássemos – o lateral-esquerdo foi chamado à equipa principal do FC Porto e o treinador meteu-me nessa posição; como era esquerdino… fiz uma época muito boa, fui o melhor marcador da equipa. Apesar disto, fui dispensado e vou para o Rio Ave para jogar a ponta-de-lança. Passados dois ou três dias, vamos fazer um jogo de treino e o treinador foi falar comigo e disse-me que ia jogar a central. Fiquei com uma azia… então todo cego, todo maluco, fiz tudo para que as coisas corressem mal, sabes? Mas tudo me saía bem: queria dar cuecas dentro da área e saíam-me bem, tudo me saiu bem. No final do jogo o treinador disse-me “Fábio, não gostei daquelas coisas que andaste a fazer, mas acho que se fores bem trabalhadinho podes ganhar muito dinheiro naquela posição”. E eu “Mister, desculpa lá, mas a central não quero jogar. Se não jogar a ponta-de-lança, não jogo em mais lado nenhum” e ele ficou doente comigo. Cheguei a casa e disse “Mãe, não quero jogar mais futebol” e estive uma semana sem treinar. Até que o treinador ligou à minha mãe, fomos a uma reunião no Rio Ave e a minha mãe gostou da forma como o treinador explicou a sua opção e fez-me um ultimato “Fábio, ou jogas a defesa-central ou não jogas mais futebol e é só escola”. Entretanto, as coisas começaram a correr bem, fui chamado à Seleção Nacional passados apenas dois meses, comecei e treinar com os juniores e foi tudo muito rápido. Quando assino contrato profissional com o Rio Ave, aparece uma proposta do FC Porto para voltar – achavam que tinham cometido um erro, não sabiam que ia evoluir tão rápido -, mas não aceitei, preferi ficar em Vila do Conde e o resto é história.

BnR: Nas camadas jovens cruzas-te com o já falado André Pinto, mas também com Candeias, Ukra ou Wilson Eduardo. Tens alguma história com algum destes que possas partilhar?

FF: Nós dávamo-nos muito bem, fazíamos muitas asneiras, mas histórias (…) lembro-me de que, quando estava no segundo ano de iniciados no FC Porto, o nosso treinador era o Vítor Pereira.

BnR: Como foi ser orientado pelo mister Vítor Pereira?

FF: Adorei! Tinha uma personalidade muito vincada e era um treinador muito exigente, que inclusive me mandou a mim e ao André Pinto para a equipa B, porque achava que nós éramos altos, mas não tínhamos estilo nenhum de jogadores – até foi um bocado mau, porque o André tinha rejeitado uma proposta para ir para o Sporting -, mas passado uma semana chamou-nos de volta e fizemos o campeonato inteiro a titulares. Guardo muito boas memórias do mister. Queres saber uma curiosidade?

BnR: Chuta.

FF: O ídolo do Vítor Pereira era o meu pai. Como o mister é de Espinho e o meu pai jogou lá durante dois anos, ele dizia-me muitas vezes “O teu pai é o meu ídolo! Adorava vê-lo jogar!”. Começámos a ter uma amizade, porque ele tinha uma relação muito boa com os jogadores. Tinha quase a certeza de que ele ia conseguir singrar no futebol.

10 jogadores em destaque no dérbi entre SC Braga e Vitória SC

SC Braga e Vitória SC defrontam-se no sempre escaldante dérbi minhoto, ainda que desta vez sem público na bancada. Depois da retoma, nenhuma das equipas venceu, o que torna ainda mais importante o jogo desta quinta-feira.

O DÉRBI DO MINHO PODE AJUDAR A DEFINIR QUEM PROLONGA A CRISE. DUAS EQUIPAS QUE AINDA NÃO GANHARAM DESTA A RETOMA VOLTAM A MEDIR FORÇAS. QUEM VENCERÁ? APOSTA JÁ NA BET.PT!

De um lado, a equipa orientada por Ivo Vieira, que vinha de uma série de três vitórias até à interrupção do campeonato, perdendo fulgor fruto dos três empates sucessivos e que deixaram os vimaranenses mais longe dos lugares europeus. Do outro lado, um já pressionado Custódio Castro, que viu fugir-lhe o terceiro lugar para o Sporting CP, depois de duas derrotas e um empate. Só a vitória interessa às duas equipas, num jogo que promete emoções fortes. Em jeito de antevisão, faço o lançamento do jogo olhando para os jogadores “mais” de cada equipa.

Top 5 jogadores que passaram por Portugal e nunca jogaram nos grandes

Ao longo dos anos têm sido vários os jogadores que passaram pelo campeonato português e que brilharam por cá ou por outros relvados sem, no entanto, terem passados pelos três grandes.

No Bola na Rede, compilamos o Top 5 de jogadores que jogarem em clubes da Primeira Liga e nunca passaram pelos “grandes”, mas outros jogadores poderiam também ser incluídos neste Top, pelo que os apontamos como Menções Honrosas: Nuno Frechaut, o português que se destacou em clubes como Boavista FC , Vitória FC e SC Braga; N’dinga, lenda do Vitória SC e Ismaily, o brasileiro lateral esquerdo que se notabilizou no SC Braga, entre outros.

O melhor 11 combinado de Atalanta BC e SS Lazio

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Mais do que um jogo grande, adivinha-se um grande jogo na 27.ª jornada da Serie A italiana. A segunda classificada, SS Lázio, desloca-se até ao terreno da equipa que ocupa a quarta posição da tabela classificativa, a sensacional Atalanta BC.

Por um lado, temos a formação romana com 62 pontos, a jogar a perseguição à líder Juventus que tem 66, mas mais um jogo que os adversários diretos. Em caso de vitória, a Lazio fica apenas a um ponto da vecchia signora. Em contraponto, é rara a ocasião em que a Atalanta entra em campo sem contar com o estatuto de favorita a vencer o jogo – e amanhã não deve ser exceção.

OS DOIS MELHORES ATAQUES DA SÉRIE A EM CONFRONTO. NO TOTAL, 134 GOLOS FORAM MARCADOS PELAS DUAS EQUIPAS NESTA COMPETIÇÃO. HÁ, POR ISSO, GARANTIA DE FUTEBOL ESPETÁCULO. EM QUEM APOSTAS COM A BET.PT?

Espera-se, à partida, um festival de futebol ofensivo (caso raro em Itália), visto que se enfrentam os dois melhores ataques do campeonato: a Lazio tem 60 golos marcados, contra uns extraordinários 74 golos já apontados pelos nerazurri da Atalanta. Não admira, portanto, que o jogo da primeira volta entre estas duas equipas, jogado a 19 de outubro, tenha tido um emocionante desfecho: acabou 3-3.

Em jeito de antevisão, o Bola na Rede vai sugerir aquele que seria o XI perfeito, montando um 3-5-2 com os melhores jogadores de cada um dos adversários.

3 jogadores que mereciam um Jamor com adeptos

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As boas línguas – e as más também – prodigalizaram a missiva de o CF Os Belenenses elencar o lote dos clubes, não só mais cotados como mais experientes, que povoam o futebol português, exibindo as suas pérolas pelos relvados de norte a sul. Matateu – talvez – seja a forma mais cândida e o cume de tal afirmação: referência autêntica do ataque azul e branco, sinónimo assertivo de golo e ícone do futebol nacional da década de 50. Contudo, o remar da embarcação portadora da Cruz de Cristo afrouxou, a pouco e pouco, a velocidade e o ritmo em direção à ribalta. E dividiu-se em metades assimétricas e incapazes de se lançarem ao mar sob a ação dos mesmos ventos.

O Belenenses SAD manteve o seu posto na liga principal, enquanto que o CF Os Belenenses perfurou o epicentro terrestre e atracou nas distritais. O logótipo sofreu alterações, a parte da massa adepta mais significativa sumiu e – na opinião de alguns – a essência escoou Tejo abaixo. O aparato é recente, mas, investido de uma autoridade (à qual não conheço poder executivo), considero-me capaz de reparar decisões e opinar sobre aptidão para as contratações efetuadas. O plantel não faz sonhar nem alimenta as quimeras dos adeptos, o futebol é trôpego e não se diferencia em posse, velocidade ou veia goleadora e, neste momento, o pé entra em estado de dormência em embates diante dos grandes do nosso futebol.

Ainda assim, destaco a presença de três jogadores que – no meu entender – constituem peças-chave na procura de algo mais que não se cinja à metade superior da tabela classificativa.