Se há alguma palavra que nunca falha ao Sporting CP é polémica. Todos os anos, não importa qual o presidente, treinador ou atleta que esteja no clube, há sempre um caso merecedor de destaque na comunicação social.
É impressionante e, diria eu, curioso o facto de todos os casos de confronto que existem no clube verde e branco serem, mais tarde, revelados nos órgãos de comunicação social, ao contrário daquilo que acontece nos outros clubes grandes – SL Benfica e FC Porto. Será isto provocado por uma instabilidade permanente que o Sporting vive, ou existe mais alguma explicação possível?
A mais recente polémica no seio do Sporting CP foi entre Rúben Amorim e Jeremy Mathieu. O treinador leonino explicou, perante a comunicação social, que Mathieu não havia sido escolhido para alinhar na vitória frente ao Paços de Ferreira, por 1-0, alegando que o francês não cumprira com a “linha” que o técnico estabeleceu. Dias depois, os jornais divulgavam que Mathieu havia recusado treinar e jogar a segunda parte da jornada anterior, frente ao Vitória SC, com o tal colete GPS, dispositivo que recolhe dados importantes para serem analisados pela Unidade de Performance.
A direção leonina reagiu com um comunicado que mais pareceu uma tentativa de desviar as atenções do sucedido, alegando que se tentou “colocar em causa o profissionalismo de Mathieu com histórias fictícias e desfasadas da realidade”. Afinal, a direção ficou do lado do treinador ou do atleta?
Passo então a apresentar outros cinco casos, com bastante mais relevância, que envolveram o nome da instituição de Alvalade, ao longo dos últimos anos.
O campeonato retomou há duas semanas e meia, e ainda falta pouco mais de um mês para o seu fim. As coisas vão-se compondo aos poucos, mas ainda falta para vermos tudo mais ou menos definido.
Na luta pelo título, não há, neste momento, quem possa afirmar convicto qual equipa é que será a próxima campeã, uma vez que a irregularidade das águias e dos dragões não o permite, bem como o facto de os dois partilharem a liderança com os mesmos pontos. As equipas de Bruno Lage e Sérgio Conceição têm sido criticadas pela inconstância exibicional apresentada e não têm conseguido aproveitar os deslizes de cada uma.
Vejo o calendário dos portistas ligeiramente mais acessível do que o dos rivais, embora isso possa funcionar de maneira diferente, como já ficou provado, sendo que ambos já caíram perante adversários teoricamente mais “fracos”. Apesar de a qualidade estar a ser nivelada por baixo, o equilíbrio atingiu o seu pico, e a constante perda de pontos faz com que a luta pelo primeiro lugar esteja ao rubro e em suspense.
Quem está num patamar diferente e a confirmar o excelente momento, que já vem desde o início da época, é o FC Famalicão. Aliás, se ajustarmos a classificação às primeiras três jornadas desde a retoma, o conjunto de João Pedro Sousa é um dos líderes – e daqueles que mais encanta no relvado! Teve a particularidade de bater o líder FC Porto e é já uma confirmação num ano que está a exceder todas as expectativas e que pode acabar com uma espantosa qualificação europeia.
Curiosamente, o Sporting CP também lidera neste regresso que tem sido feliz para os “leões”, numa clara aposta do novo técnico na formação de Alvalade. O dedo de Amorim já se faz sentir e o treinador promete não ficar por aqui, podendo atrapalhar as contas do título, uma vez que ainda jogará no Dragão e na Luz. O principal destaque da equipa e, a meu ver, deste regresso da bola tem sido Jovane Cabral. Jovane é um jogador que tem ganho cada vez mais protagonismo através do seu estilo irreverente e da potência que coloca em cada remate – características principais e que já lhe valeram dois golaços, sendo um dos principais agitadores do jogo leonino.
Leões e famalicenses são os que ganharam mais pontos depois da paragem forçada Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Em sentido inverso estão SC Braga e Vitória SC, que tiveram um arranque em falso neste regresso do campeonato. Têm sido as principais deceções em cena. Com o efeito Amorim a transferir-se para Lisboa, a equipa, que apenas fez um ponto em nove possíveis, não tem conseguido responder devidamente com Custódio. Ainda há tempo para reagir, mas o terceiro lugar não espera por quem não faz por ele.
Os vitorianos, com Ivo Vieira, já mostraram ser uma das melhores equipas a jogar futebol, mas voltaram da paragem algo intermitentes. No fundo, parecem ser uma equipa de momentos, e os resultados penalizadores não condizem com a qualidade existente. Parece que falta sempre alguma coisa para a equipa entrar no eixo das vitórias, embora sejam um dos melhores projetos futebolísticos do nosso campeonato, tal como o Rio Ave FC e os famalicenses.
Quem está na situação mais indesejada de todas no campeonato, o que, na verdade, já assim o era antes da paragem forçada, é o CD Aves. Com um ponto surpreendente conquistado na última ronda, os avenses estão mais para lá do que para cá, e a incapacidade da equipa em ferir os adversários é notória, tendo a descida no horizonte. A fazer-lhes companhia está o Portimonense SC. Embora a sua forma recente esteja numa espiral positiva, vai ser difícil fugir à atual posição, se o FC Paços de Ferreira mantiver esta bitola. Os pacenses são um dos melhores deste novo cenário, tendo já alcançado o CS Marítimo, e têm uma almofada de sete pontos para gerir no que toca à permanência no campeonato.
Sporting CP e FC Famalicão estão na frente da classificação e são seguidos por FC Paços de Ferrera e Boavista FC. Por outro lado, Gil Vicente FC, SC Braga e CD Aves ocupam os últimos lugares do campeonato após três jornadas da retoma. Ainda faltam sete rondas, e a mensagem passa por desfrutarmos daquilo que ainda falta jogar do campeonato, aguardando pelos próximos episódios, que serão praticamente diários.
Hoje falo-vos dos jogadores mais valiosos em termos de valor de mercado, segundo o transfermakrt.pt, enumerando um por anos de nascimento. É certo que o futebol português não vive o melhor momento mas no que à qualidade futebolística se refere, é sempre um bom patamar competitivo para a evolução dos jovens jogadores que tanto prometem como um refúgio para os que com o passar do tempo pretendem estar a um bom nível num campeonato, apesar de tudo, com alguma intensidade e qualidade no panorama europeu.
Os valores referidos remetem-se até à data 08/04/2020. De ressalvar também que com o surgimento da pandemia em que ainda nos encontramos, os valores de todos os jogadores sofreram quebras.
De referir que não existem jogadores com 18 anos com avaliação do seu valor de mercado, portanto, não foi possível eleger o mais valioso.
Faz sentido começar pela mensagem, na íntegra, das jogadoras de futebol em Portugal:
“Lutei anos para fazer o que mais amo, para jogar futebol. Contra a discriminação, contra o preconceito, lutei para chegar onde estou. É devastador e vergonhoso, em pleno séc. XXI, ter de lutar CONTRA a criação do TETO SALARIAL no FUTEBOL FEMININO em PORTUGAL”.
Pois é. O futebol português conheceu, recentemente, mais um triste episódio de uma série com temporadas a mais para quem gosta do jogo e da equidade. A Federação Portuguesa de Futebol decidiu implementar um limite salarial de 550 mil euros aos planteis de futebol feminino. Este limite consiste no corte abrupto ao investimento dos clubes nos seus planteis, o que significa, no imediato, um desinvestimento na vertente feminina do futebol.
Estamos no século XXI. Numa altura em que muito se fala de racismo e discriminação, eis que a Federação Portuguesa de Futebol surge com uma medida que visa acabar com a qualidade crescente que se verificava no futebol feminino em Portugal. A Federação justificou a medida com os efeitos da COVID-19 (algo que parece agora ser usado como desculpa para as péssimas decisões tomadas) e com o propósito de promover maior igualdade entre as diferentes equipas.
Ora, isto nivela realmente os campeonatos. Nivela por baixo. A qualidade, essa, não parece interessar em nada a uma Federação que segue sem rumo e se rege por uma política de show off: receber uma final a oito de Liga dos Campeões é mais importante do que realizar uma “final a oito” entre os clubes do Campeonato de Portugal. A Federação está cheia de incoerências e de defeitos estruturais, e a forma como o assunto do futebol amador, o futebol de formação e o futebol feminino está a ser tratado revela toda a junção de esforços por parte da Federação para que só alguns assuntos sejam trazidos a público e outros caiam no esquecimento.
Contudo, apesar dessas tentativas, as pessoas que mais protagonismo devem ter no futebol falaram. As jogadoras uniram-se e criaram um movimento na rede social Instagram. O Movimento Futebol Sem Género visa expor a atitude discriminatória que a Federação Portuguesa de Futebol teve com as futebolistas, desde as internacionais até às jovens que sonham um dia poderem ser profissionais de futebol em Portugal. O Futebol Sem Género já chegou a meios conceituados de comunicação social em Espanha e tem sido debatido um pouco por toda a Europa, embora em Portugal a forma de informar e dar destaque a este tipo de problemáticas seja ínfima. Nada mais seria de esperar num país onde o conceito de cultura desportiva é substituído pela clubite.
Para além da legalidade desta medida ser altamente duvidosa, o que mais choca é o ato moral da mesma. Parece inacreditável que, em pleno século XXI, com toda uma história por trás, que deveria ensinar as pessoas a zelarem pela igualdade de género, estejamos perante situações destas no nosso país. É impensável que 140 jogadoras (as que assinaram a carta entregue à justiça) procurem uma certa emancipação. É triste, revoltante e angustiante que nenhum canal de televisão tenha tido a decência de fazer uma investigação e que nenhum meio de comunicação social tenha tido a coragem de fazer uma manchete com este tema.
Era louvável que os próprios jogadores de futebol masculino se associassem a esta causa e demonstrassem a sua indignação, e era fundamental que os próprios clubes assumissem uma posição forte nesta luta desigual contra algo completamente ilógico e infundado.
A atitude do Sindicato de Jogadores, repudiando a revolta feminina e apoiando a Federação, é de quem tem mais a perder do que a ganhar ao juntar-se a causas justas. É irrevogável que um sindicato existe para proteger a sua classe (neste caso, os jogadores), mas este Sindicato em particular parece existir mais para defender e difundir as ações da Federação Portuguesa de Futebol. Limitar o crescimento dos clubes não profissionais e impedir os clubes profissionais de contratarem boas jogadoras estrangeiras é o mesmo do que matar aos poucos um campeonato que estava em crescimento puro. Algo com reflexo imediato nas seleções, das mais jovens até à seleção A, onde a melhoria competitiva e qualitativa são por demais evidentes. É elementar que o primeiro passo para colher frutos de algo no futuro é o investimento. Desinvestir em algo que demorou muitos anos a ter resultados é um ato de incompetência e de desrespeito para quem tanto dá pela modalidade.
O caminho é afinal mais longo do que imaginávamos. Porque não há nada mais complicado e demorado do que alterar mentalidades tão macabramente enraizadas na nossa sociedade e no nosso desporto.
Continuam as novidades relativas à reformulação das competições europeias de clubes nas mais variadas modalidades e à conclusão da atual edição da prova europeia mais importante. O Futsal não foi exceção e, com todo o transtorno que esta crise pandémica veio trazer às nossas vidas, tornou-se imperativo mudar a data e, em muitos casos, o local de realização das provas.
Num ano normal, já teríamos um novo campeão europeu desde finais de Abril. No entanto, o ano de 2020 não permitiu que isso acontecesse, e, portanto, a UEFA Futsal Champions League foi realocada para a cidade de Barcelona e irá acontecer entre os dias 8 e 11 de Outubro deste ano. Note-se que a cidade originalmente planeada seria Minsk.
A capital da Bielorrússia irá organizar a Final Four no ano de 2021, sendo que a presente edição se irá disputar no mítico Palau Blaugrana, casa de um dos participantes desta fase final: o FC Barcelona. Ironicamente, esta era a primeira edição a ser disputada em terreno neutro, mas esta inovação terá de esperar até ao próximo ano.
🏆The 2020 #UCLFutsal finals will be played from 8 to 11 October at Palau Blaugrana, Barcelona
🏆Arena Minsk will now host the 2021 finals next April
Os clubes participantes, infelizmente (e estranhamente) para Portugal, não incluem nenhum participante português, dado que o Sporting CP, campeão em título e a equipa mais assídua nesta fase nos últimos anos, e o SL Benfica, campeão continental em 2010, foram eliminados na ronda de Elite.
Em Outubro, para além do FC Barcelona, estarão também presentes o ElPozo Múrcia FS, o KPRF Moscovo e o FK Tyumen, numa edição que é excecionalmente mais tarde do que o costume, mas que (esperemos nós) irá regressar em datas normais a partir de 2021.
Depois de quatro participações em seis possíveis, o campeão europeu Sporting CP está de fora de decisão final Fonte: UEFA
Muitas outras coisas ficaram decididas nessa reunião, sobretudo em termos de ajuste na data de eventos de campeonatos da Europa e do Mundo. Mas voltaremos a abordar essas alterações quando for mais oportuno e conveniente.
O alinhamento desta competição inclui dois confrontos entre espanhóis e russos, com o FC Barcelona a defrontar o KPRF e o ElPozo Múrcia FS a disputar o acesso à final com o FK Tyumen. Como habitualmente, haverá um encontro de disputa do terceiro e quarto lugares antes da grande final para se encontrar o sucessor do Sporting CP.
O SL Benfica atravessa um período conturbado. Apesar de estar na primeira posição da Primeira Liga, a par do FC Porto, as “águias” não têm tido atuações convincentes nas últimas partidas. Já é conhecido que Grimaldo falhará o resto da época devido a uma lesão nos ligamentos, pelo que Bruno Lage terá de fazer, forçosamente, algumas alterações no seu onze-tipo.
Numa altura em que os encarnados somam apenas uma vitória nos últimos três jogos desde a retoma da Primeira Liga, esta semana apresentamos quatro jogadores encarnados que merecem mais minutos e que podem, porventura, acrescentar qualidade ao jogo dos encarnados.
Findo o pior da pandemia, é tempo de regressar a alguma normalidade. A retoma do desporto é um dos temas quentes deste verão, com tratamentos diferenciados para algumas modalidades e receios sobre como lidar da melhor forma com o público. O Ciclismo não é exceção e, tanto a nível local como internacional, há muitas questões levantadas.
No pelotão World Tour, o calendário ajustado é completamente centrado no Tour, com as outras Grandes Voltas e os Monumentos a serem muito mal tratados. Como é habitual com este Presidente, a UCI parece às ordens da ASO. Sem surpresas, são as provas da sua principal rival, a RCS, que mais sofrem. O Giro d’Italia foi colocado numa posição que força a maior parte das estrelas a não aparecer em Itália, e os Monumentos Milano Sanremo e Il Lombardia fizeram os italianos arrancar cabelos, tentando várias vezes mudar as datas dos mesmos, mas acabando por ter de se contentar com posições no calendário longe das ideais.
Mads Pedersen terá poucas oportunidades para se vestir de arco-íris Fonte: José Baptista/Bola na Rede
Dois outros fatores merecem também clara repreensão. Foi criada do nada e a meio da temporada uma versão feminina inscrita de forma facilitada no World Tour – mais uma evidência da omnipotência da ASO. Se compararmos a reação da UCI a este fator com forma como foi tratada a Velon, cuja Hammer Series feminina poderia ser um verdadeiro game changer, percebemos facilmente quais as prioridades da organização. A realização dos Mundiais na data prevista é uma vergonhosa ofensa aos campeões em título. Toda a época é atrasada, mas eles só se poderão vestir de arco-íris numa pequena parte da mesma. Triste.
Por Portugal, tristes também foram as declarações do Secretário de Estado do Desporto e Juventude, que manteve constante a fraca qualidade a que já nos habituou. João Paulo Rebelo mostrou estar totalmente desfasado da realidade ao sugerir que o Troféu Joaquim Agostinho (reagendado para uma semana antes da Volta) seria um teste para saber se esta poderia ir para a frente. Como se uma organização tão complexa pudesse ser tratada em apenas uma semana…
Felizmente, tanto a Federação Portuguesa de Ciclismo como a Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, de novo liderada por Paulo Couto nove anos depois, não foram em cantigas e exigiram publicamente a retoma da competição. A pressão estará a funcionar, porque a DGS já deu indicação pública de que o plano sanitário apresentado pela Federação está conforme.
A organização liderada por Delmino Pereira não perdeu tempo e já lançou o calendário para os tempos mais próximos, com a Volta a Portugal na data já esperada e o regresso à competição no primeiro fim de semana de julho num contrarrelógio individual na Anadia. É verdade que o trabalho de Delmino Pereira não é perfeito. Mas não há dúvida de que o ex-ciclista tem sido uma melhoria face a lideranças anteriores, sendo que continua a marcar pontos pela positiva. A forma como tem lidado com esta situação vai ao encontro daquilo que os adeptos, dirigentes, patrocinadores e atletas desejam. Esperemos que a ação governativa não impeça que esta conjugação de vontades dê frutos.
Há algum tempo, escrevi sobre os problemas de criatividade no duplo pivô portista. Falei da necessidade de apostar numa dupla que consiga ter mais critério no passe e que seja mais imprevisível. Na altura, a opção que achei mais clara foi a de Otávio, movendo-o da ala para o centro em definitivo. No entanto, parece-me, atualmente, que a aposta nos jovens pode ser a que traz mais frutos à equipa do Dragão.
No último jogo contra o Desportivo das Aves, o FC Porto até conseguiu criar algumas situações de perigo. A equipa alinhou apenas com um avançado, Zé Luis, e com um maior reforço na linha média, com Sérgio Oliveira, Uribe e Otávio. Sérgio Conceição apostou neste onze mais móvel para, como disse na conferência de imprensa após o jogo, não dar tantas referências na frente à defesa em bloco baixo do Aves. Ainda que a ideia tenha sido, na minha opinião, acertada, Conceição poderia ter sido mais arrojado na escolha dos intervenientes. Uribe, que jogou ligeiramente à frente de Sérgio Oliveira, não é um jogador que se destaca pela criatividade, mas sim na recuperação de bola e num jogo de passe mais simples. Contra um Aves que se perspetivava tão defensivo, este lugar do meio-campo podia facilmente ter sido ocupado por Vitinha ou Fábio Vieira. Foi claro que, quando este primeiro entrou na partida, o meio-campo portista cresceu. Só aquele passe para Marega nos instantes finais mostrou isso mesmo.
O grande problema do FC Porto nos últimos jogos tem sido a definição do último passe. Basta olhar para qualquer um dos quatro elementos que normalmente jogam no meio (dois médios centros e dois avançados). São quatro jogadores que, simplesmente, não têm um perfil criativo. O forte de Danilo não é o jogo de passe, claramente, e mesmo Sérgio Oliveira não tem a melhor definição na bola final, optando muitas vezes pelo remate. Quando se joga apenas com estes dois médios, é fundamental que um dos avançados tenha um perfil mais móvel e que se diferencie pela qualidade técnica – o que não acontece com Soares, Marega ou até Zé Luis. É redundante jogar com dois destes três avançados, especialmente quando se enfrentam equipas que não dão espaço nenhum na profundidade.
As soluções para estes dois problemas podem muito bem estar na juventude portista. Ao lado de um jogador que assume bem as responsabilidades defensivas pode encaixar Vitinha: um 8 puro, com grande capacidade de retenção, transporte e passe de bola. E ligeiramente atrás de um dos pontas-de-lança há espaço para Fábio Vieira, que pode atuar como um 10, posição que traz mais partido do seu fortíssimo último passe, bem como da boa chegada à área e do muito bom remate – características que já revelou ter inúmeras vezes ao serviço do FC Porto B e das seleções nacionais jovens.
A 3ª vitória dos #Sub21 rumo ao Euro teve 3 golos para ver e rever: aqui estão eles! 👁 #TodosPortugal
É verdade que estes dois são ainda muito jovens e que têm ainda muito a provar no mundo do futebol. Mas, perante todos os problemas que a equipa do FC Porto tem enfrentado, seriam certamente uma lufada de ar fresco. Mesmo que a aposta em ambos ao mesmo tempo não aconteça ainda esta época, pode ser uma solução muito viável para a próxima. Com a necessidade de vender ativos, surge uma oportunidade de ouro para apostar nesta fantástica geração de jovens Dragões. E diga-se, os dois jogadores são jovens, sim, mas têm já 20 anos, dois a mais do que Tomás Esteves e Fábio Silva, que ainda tem 17. Vitinha e Fábio Vieira, que têm até um grande entendimento do jogo de um do outro, proveniente de muitos anos lado a lado, são o futuro do FC Porto. Agora só resta perceber se Sérgio Conceição os vai tornar o presente também.
A CRÓNICA: BRACARENSES INCAPAZES PERANTE UM FC FAMALICÃO RESIGNADO
No outro dérbi do Minho desta jornada da Primeira Liga Portuguesa, o SC Braga deslocou-se ao terreno da sensação do campeonato, o FC Famalicão. O resultado da primeira volta (2-2) e a forma atual das equipas faziam prever uma partida com golos, mas tal não se verificou durante os 93 minutos.
Numa primeira parte aberta e bem disputada, ficou a faltar o perigo junto às balizas dos guardiões brasileiros. Foi por demais evidente a falta de esclarecimento dos bracarenses no ataque à baliza. Num dos lances com mais qualidade, Esgaio recebe um passe longo junto à linha de fundo e cruza de pronto para Paulinho. O avançado português atira de cabeça contra Nehuén Pérez e Galeno, mas, na recarga, a bola sai por cima.
A fechar o primeiro tempo, Trincão aproveitou um alívio da defesa famalicense na sequência de um canto e atirou a rasar o poste direito de Vaná. O brasileiro estava batido e o apito para o intervalo foi como um balão de oxigénio.
Para a segunda parte, Custódio apresentou um SC Braga mais pressionante e à procura da batuta da partida. Sem nunca abdicar de construir a partir de trás, o FC Famalicão teve muitas dificuldades em transpor a bola para o meio campo contrário em futebol apoiado, como havia feito diversas vezes na primeira parte.
Os arsenalistas pressionaram, logo na primeira fase, o adversário, mas sem nunca aproveitar recuperações adiantadas ou erros dos da casa. Contudo, foram os famalicenses os primeiros a criar uma verdadeira situação de perigo na segunda etapa.
Toni Martínez foi lançado na profundidade, ganhou no choque e na velocidade a Bruno Viana e ficou, sem dificuldade, cara a cara com Matheus. A última definição tramou Martínez, que, ao contornar o jogador, perdeu a bola e deu oportunidade a que esta fosse recuperada pela defesa forasteira. Devia ter feito melhor.
Dois minutos depois, Horta surpreendeu na cobrança de um livre, atirando para o lado do guarda redes, mas a bola foi desviada pelo poste. As aproximações do SC Braga à área contrária acumulavam-se, mas o perigo só chegaria a 10 minutos do fim. Esgaio cruzou para um pequeno encosto, mas Paulinho não chegou. Ricardo Horta recolheu e cruzou atrasado, e Trincão rematou um pouco ao lado, desperdiçando, assim, a última grande oportunidade da partida.
Até ao fim, destaque ainda para os 12 minutos desastrosos de Patrick William: um amarelo quatro minutos depois de entrar, um duelo perdido, uma bola perdida e segundo amarelo oito minutos depois do primeiro.
A FIGURA
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Fransérgio – Sem o brilhantismo de outros jogos, foi o peso e o pêndulo bracarense. Não se envolveu no ataque como de costume e quando o fez até acusou alguma falta de esclarecimento e discernimento. No entanto, foi na compensação defensiva que se destacou, permitindo que os colegas pressionassem sempre em cima e que a segunda parte no Municipal de Famalicão fosse vermelha e branca.
O FORA DE JOGO
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Trincão – Não foi mau, bem longe disso. O problema foi não estar à altura do que nos tem habituado. É nestes jogos extremamente enlaçados que a magia de Trincão é essencial. Ao invés disso, o jovem recém-contratado pelo colosso catalão falhou as duas grandes oportunidades de que dispôs, somando-lhe bastantes passes errados e apenas um drible bem sucedido.
ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO
O Famalicão apresentou uma defesa camaleónica, alternando entre quatro e cinco elementos, o que fez oscilar a formação entre um 4-3-3 e um 5-2-3. Roderick iniciou como pivot defensivo, plantado à frente dos centrais, mas não raras vezes vimo-lo como terceiro central a fechar os caminhos da baliza de Vaná.
Sofreu bastante com a pressão bracarense da segunda parte, mas cedo aceitou a divisão de pontos e até se deu bem nesse papel, entregando a bola a um adversário pouco criativo esta noite.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Vaná (6)
Ivo Pinto (6)
Riccieli (7)
Roderick (6)
Nehuén Pérez (7)
Centelles (7)
Uros Racic (7)
Guga Rodrigues (6)
Diogo Gonçalves (6)
Toni Martínez (7)
Rúben Lameiras (6)
SUBS UTILIZADOS
Walterson (6)
Gustavo Assunção (6)
Patrick William (4)
Coly (-)
Anderson Silva (-)
ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA
Os bracarenses apresentaram o já rotinado 4-4-2, com Ricardo Horta mais solto no apoio a Paulinho e a dupla Trincão/Galeno mais encostados às alas.
O jogo, em geral, foi muito apagado por parte das individualidades bracarenses, e nem as substituições vieram a tempo de surtir qualquer efeito – destaque para apenas três substituições de Custódio, deixando mais duas hipóteses por utilizar.
Mas nem tudo foi cinzento. Os laterais tiveram uma projeção que até se adivinhava difícil antes do jogo. Tanto Esgaio como Sequeira alcançaram terrenos adiantados, grande envolvência no ataque e foram nos seus cruzamentos que se iniciaram as jogadas mais perigosas.
Galeno perdeu-se nas arrancadas individuais e falhou muito a ligação com Paulinho, um pouco perdido entre tantos defesas. Pedia-se um segundo avançado para auxiliar Paulinho entre os centrais, arrastar jogo e libertar espaço para as diagonais de Trincão e Galeno ou, mais tarde, Wilson Eduardo. Rui Fonte apareceu tarde no jogo – pouco ou nada acrescentou.
A jornada 30 trouxe duelo entre dois dos Big Six’s da Premier League. Mais de três meses depois dos últimos jogos disputados pelas duas equipas, Tottenham e Manchester United entraram em campo com vários jogadores recuperados de lesões prolongadas, com destaque para os melhores marcadores de ambas as formações, Harry Kane e Marcus Rashford, respetivamente.
O jogo começou com a equipa da casa expectante. Os londrinos cerraram fileiras e concederam a posse de bola ao United que não mostrou grande inspiração. A exceção ocorreu num lance fortuito aos 21 minutos. Após jogada de insistência pela direita, Bruno Fernandes fez um cruzamento na zona central que foi intercetado por Davinson Sánchez. No entanto, o corte do colombiano foi deficiente e acabou nos pés de Rashford que teve tudo para, de pé esquerdo, fazer o primeiro golo da partida. Valeu a excelente intervenção de Lloris.
Quatro minutos depois Bruno Fernandes voltou a testar Lloris com um remate cruzado de pé esquerdo. Não aproveitou o Manchester United, aproveitou o Tottenham. Aos 27 minutos, os londrinos encontraram o que procuravam: um desposicionamento da defesa do United. Lloris esticou longo na frente, após pressão alta dos red devils, a bola sobrou para Bergwijn, que furou, com a bola controlada e em velocidade, o espaço entre os defesas centrais Maguire e Lindelöf, e rematou para o fundo das redes. De Gea ainda tocou no esférico.
Apenas quatro minutos depois, o Tottenham foi rapidíssimo a desferir um perigoso ataque pela direita. Aurier lançou Bergwijn que, nas costas de Luke Shaw, cruzou ao segundo poste para Son. O sul coreano cabeceou para uma enorme defesa de De Gea.
Lamela foi um dos melhores elementos dos spurs na primeira parte com apontamentos técnicos deslumbrantes. Descaiu muitas vezes para a esquerda do ataque. Atraindo os defesas do Manchester United, abriu espaço para, do lado direito, Bergwijn e Aurier se projetarem e criarem perigo. Um pouco como os carteiristas que nos fazem ter atenção a um lado e nos roubam do outro. Para fechar a primeira parte, Bruno Fernandes desenvencilhou-se de Winks e rematou forte, mas à figura do guardião francês do Tottenham.
No reatar da partida, o Manchester United apareceu com novas dinâmicas entre os três homens da frente, Rashford, Martial e James. Mais agressiva com bola, a equipa obrigou o Tottenham a passar muitas dificuldades. Bruno Fernandes, indomável, rematou de pé direito com a bola a tirar tinta ao poste esquerdo. Solskjaer, técnico dos visitantes, lançou Pogba no jogo. O francês alinhou ao lado de Bruno Fernandes com McTominay nas costas destes dois.
Martial, aos 66 minutos, obrigou Lloris a uma intervenção extraordinária. O avançado, já dentro de área, rematou, mas viu o seu compatriota esticar-se todo e evitar o empate. Era um aviso para o que aí vinha. A entrada de Pogba veio a dar frutos quando, a dez minutos do fim da partida, junto à linha de fundo, já dentro de área, o francês, que não jogava desde dezembro passado, abriu o livro (de magia) e deu um nó cego impossível de desfazer em Dier, que recorreu à falta para o parar. Assinalada a grande penalidade, Bruno Fernandes encarregou-se de a transformar em golo e empatar o jogo.
O Manchester United quase arrancou novo penálti, mas o VAR entendeu que Dier não tinha cometido falta sobre Bruno Fernandes e reverteu a decisão do árbitro Jonathan Moss. Num último esforço para virar o resultado, Greenwood, que entrou na segunda parte, encarou Davies, puxou a bola para o pé esquerdo e quase que era feliz. No entanto, as equipas empataram e o Manchester United mantém a distância para o Tottenham na luta pelos lugares de acesso aos lugares europeus.
A FIGURA
Man Utd near penalty record after Bruno Fernandes’ spot-kick
Bruno Fernandes – tentou de todas as formas liderar a equipa. Rematou muitas vezes de meia distância, mas não foi feliz. Na primeira parte, juntou-se muito aos avançados, mas na segunda desceu uns metros no terreno para participar mais no jogo e ajudar a furar a defesa cerrada dos londrinos. Mostrou pormenores de quem pensa à frente dos outros. Marcou através da marca de grande penalidade, ajudando o Manchester United a somar um ponto.
O FORA DE JOGO
Fonte: Tottenham Hotspur
Harry Kane – Não jogava desde janeiro e está longe da sua melhor forma. Foi incapaz de ser influente e andou sempre longe do golo.
ANÁLISE TÁTICA – TOTTENHAM HOTSPUR
O Tottenham deu a iniciativa de jogo ao Manchester United e agrupou-se em bloco baixo, reduzindo o espaço entre linhas. Organizou-se em 4‑2‑3-1 e, nos poucos momentos em que procurou construir, projetou o lateral-direito Aurier e fez Davies se juntar aos centrais, iniciando a construção a três
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Lloris (7)
Sánchez (6)
Dier (6)
Aurier (6)
Davies (6)
Son (6)
Winks (6)
Lamela (7)
Sissoko (7)
Bergwijn (7)
Kane (5)
SUBS UTILIZADOS
Lo Celso (7)
Gedson (5)
ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER UNITED FC
Alinhou, à semelhança do Tottenham, em 4-2-3-1 e procurou assumir o jogo com bola, a prova de que não é por usarmos todos a mesma roupa que ela nos vai assentar da mesma forma. Contruiu a três com o lateral-direito Bissaka a juntar-se aos dois centrais e o lateral-esquerdo a projetar-se. Na segunda parte, também Bissaka se teve que incorporar mais no ataque para procurar um resultado mais positivo. O triângulo de meio-campo desenhado, inicialmente, em 2/1 acabou em 1/2 fruto do balanceamento ofensivo da equipa.