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Os 5 melhores avançados do século, até agora

Um festejo ou uma lágrima. A loucura coletiva ou o olhar de desilusão. Abraços chegados ou corações destroçados.

O que seria do Futebol sem golos? Teria muito menos de todos os sentimentos e estados de espírito acima narrados. Não haveria tantos adeptos, comentadores, curiosos nem treinadores de bancada.

Com isto leia-se: o avançado é o espírito do Futebol. É por causa deles que começámos a gostar do desporto, são eles que vendem mais camisolas e são eles que mais vezes nos fazem levar as mãos à cabeça por não acreditar na tamanha genialidade a que estamos a assistir.

Hoje, o Bola na Rede debruça-se sobre os cinco melhores avançados do século, até agora.

E só digo até agora porque, infelizmente, ainda não é aceitável colocar Mbappé nesta lista. Assunto para outra altura.

«AC Milan não deu garantias bancárias e colocou nos jornais que eu tinha um problema nos dentes» – Entrevista BnR com Cissokho

Aly Cissokho atende-nos de Inglaterra, onde aguarda o regresso à Turquia para terminar a época ao serviço do Antalyaspor. Do vaticínio de Daúto Faquirá que se confirmou à dobradinha no FC Porto, Cissokho revela também a verdade sobre o negócio falhado com o AC Milan. Sobre a época no Valência, fala da importância de Mathieu e deixa rasgados elogios a Jonas. Termina o contrato este verão, e está livre para assinar por quem quiser, não pondo de parte o regresso a Portugal. Pormenor: falamos em inglês mais de meia hora e, quando a entrevista termina, Cissokho diz num português perfeito que pode gravar o vídeo de promoção da entrevista em português. Toma lá que é fresquinha!

– O vaticínio de Daúto Faquirá e a dobradinha no FC Porto –

Bola na Rede [BnR]: Aly, you’re still fluent in portuguese?

Cissokho [C]: [Primeiro “Ahhh” prolongado, seguido de uma gargalhada sonora] Ahhh, I can try to speak a bit portuguese. I can speak a bit.

BnR: Quais foram as primeiras palavras que aprendeste em português?

C: Ahhh, os palavrões claro. [Cissokho reproduz dois ou três deles enquanto se ri a bom rir].

BnR: Ehehe. Tens saudades do Porto?

C: Claro, claro. Tenho saudades de Portugal no geral, e do Porto, claro. Gostei muito de viver lá. Também passei bons momentos em Setúbal.

BnR: Em qual gostaste mais de viver?

C: O Porto é maior e tem zonas ótimas, como a Foz e Matosinhos. Setúbal é mais pequeno, mas a comida é ótima, tem excelente peixe. E o clima é mais quente.

BnR: Qual é que foi a tua primeira impressão quando chegaste a Portugal?

C: Foi um impacto grande, porque eu antes de chegar a Portugal jogava numa equipa pequena. Quando cheguei a Portugal, lembro-me do Daúto Faquirá, treinador do Vitória de Setúbal, dizer-me “Se me ouvires e se treinares bem, vais para um clube grande. Tenho a certeza!”. Eu confiei nele e, depois de cinco ou seis jogos, o FC Porto já estava atrás de mim. Fiquei muito feliz, porque o FC Porto é uma grande equipa, de nível mundial.

BnR: Como soubeste do interesse do FC Porto em ti?

C: O FC Porto falou com o meu agente, e ele falou comigo. Disse-me que o Porto viria ver jogos meus, assim como outros clubes que estavam interessados. Foi uma altura especial para mim perceber que havia um clube tão grande como o FC Porto interessado em mim.

BnR: Muitos nervos na chegada ao Porto?

C: Sim, era uma realidade completamente diferente para mim. Quando se chega a uma equipa deste nível, as expetativas sobre ti são enormes. Tens de ganhar sempre. E estás a jogar com grandes jogadores de nível internacional. Tens de estar no teu melhor.


BnR: Fizeram-te alguma praxe quando chegaste?

C: [Sai mais um “Ahhh”, seguido de gargalhada forte] Sim, lembro-me de que tivemos um almoço grande com a equipa toda e queriam que eu bebesse qualquer coisa que eu não sabia o que era. Eu só dizia que não e eles todos a quererem que eu bebesse. E acabei por não beber.

BnR: Chegaste a saber o que era a bebida?

C: Acho que era Vinho do Porto. Mas havia um grande ambiente na equipa.

BnR: Quem eram os líderes dessa equipa do FC Porto?

C: Lucho González e Nuno, o guarda-redes.

BnR: Quem era o melhor exemplo de um “jogador à Porto”?

C: Eu gostava de olhar para os que jogavam na mesma posição, por isso tenho de dizer Fucile. Ele era um grande exemplo, porque era um lutador incansável, dava tudo nos jogos e fazia umas entradas malucas, eheheh. Era um jogador sempre muito focado e concentrado.

BnR: Como é que o Jesualdo Ferreira se relacionava com os jogadores?

C: Tive uma relação muito especial com ele, porque eu era muito novo e ele dava especial atenção aos jovens. Falava muito connosco e perguntava como é que nós estávamos. Com os jogadores mais velhos, como o Raúl Meireles e o Pedro Emanuel, ele dava-lhes mais espaço. Ele era bom com os jogadores e fez um grande trabalho esse ano. Até ganhámos a Liga e a Taça.

Melhor 11 português do século XXI na Liga Inglesa

É nas Terras de Sua Majestade que encontramos o melhor campeonato do Mundo. E como não podia faltar, os portugueses marcam presença, ano após ano, mostrando a qualidade que nos é reconhecida. Talvez nem sempre, de entre os 72 lusos que contam com passagem pela liga com maior mediatismo, seja possível encontrar as mais variadíssimas histórias de sucesso e insucesso, não fosse o pioneiro destas andanças, de seu nome Calita, nunca se ter estreado oficialmente.

Em 2018/2019, o contingente nacional em Inglaterra bateu recorde – eram 20 os nomes. Esta temporada foram 17. Cristiano Ronaldo é provavelmente aquele que maior protagonismo teve. Contudo, não é quem detém o recorde de jogos. Mas já lá vamos. A relação entre portugueses e Liga Inglesa parece que veio para durar, e tornou-se já numa montra tanto para jovens jogadores, como para atletas mais experientes. Nesta viagem pelo (ainda curto) século XXI, a tarefa demonstrou-se árdua, e lançar o onze foi uma dor de cabeça com tamanha qualidade. Em relação ao treinador que há em ti, que alterações fazias?

O Leite fará bem às águias?

Por não serem animais mamíferos, as águias não consomem leite. No entanto, as águias do SL Benfica parecem estar prestes a adquirir 1,96m de Leite. O guardião brasileiro do Boavista FC, Helton Leite, estará a caminho dos ainda campeões nacionais, confiando nas notícias veiculadas.

A confirmar-se a sua chegada aos encarnados, o futebolista de 29 anos será sombra de Vlachodimos, acreditando, mais uma vez, que todas as notícias desportivas nacionais são verdadeiras (um mau princípio). Desta forma, o guardião grego permanecerá no clube da Luz. Ficaria desta forma solucionada a problemática da alternativa ao titular da baliza encarnada e, quiçá, a problemática do seu sucessor.

Com a contratação de Helton, Varela e Zlobin deverão conhecer o fim dos seus vínculos ao SL Benfica. Já Svilar deverá ter a oportunidade de dar seguimento à sua evolução num outro clube português, por empréstimo dos encarnados. Kokubo será, acredito, o eleito para fazer a ponte entre a titularidade na equipa B e a posição de terceiro guarda-redes do plantel principal.

Gosta muito da ideia de jogar no SL Benfica” (pai de Helton Leite sobre o filho, ao jornal O Jogo, dia 26 de maio de 2020)

Apesar da idade, não se pode asseverar que as águias adquirem um guarda-redes experiente. Pelo menos não no panorama internacional. As duas épocas que está prestes a completar no Bessa constituem a sua primeira experiência fora do Brasil. No seu país natal, Leite destacou-se no Botafogo de Futebol e Regatas, clube carioca ao qual os axadrezados adquiriram o seu passe.

Ainda assim, os dez anos de experiência sénior dar-lhe-ão, por certo, uma bagagem interessante. Todavia, mesmo sem a bagagem de guarda-redes que Júlio Cesar, que, não há muito tempo, se despediu dos encarnados, tem, Helton Leite aparenta ter qualidade, ou qualidades, que o tornam um bom ativo para as águias rentabilizarem desportivamente (financeiramente, já não haverá grande proveito a usufruir).

Fazendo (bom) uso da sua envergadura e altura, o brasileiro tem demonstrado competência nas bolas aéreas e nos remates de meia altura para cima, bem como no encurtamento dos espaços, graças à larga passada, e na execução da “mancha”. Tem igualmente revelado ser destemido e inteligente nos duelos um para um com jogadores adversários, incluindo nas saídas aos seus pés.

Helton Leite revela alguma agilidade e rapidez e, sobretudo, capacidade técnica nos confrontos diretos com adversários
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

A sua capacidade de encaixe a remates de meia e longa distância é para lá de razoável. Por outro lado, remates de curta distância – sobretudo se rentes à relva – provocam-lhe dificuldades, não sendo a sua agilidade por vezes suficiente para compensar as suas dimensões físicas (1,96m e 92Kg). Contudo, Helton Leite consegue, por inúmeras vezes, fazer uso da sua capacidade mental e do conhecimento alargado que tem das lides da sua posição para suprir as eventuais lacunas físicas que possa apresentar.

O seu jogo de pés, ainda que não muito conhecido, não pode ser considerado mau. Ainda assim, a equipa técnica encarnada terá que empenhar algum tempo no trabalho de pés do guardião brasileiro. Eu acredito que esse empenho terá frutos, visto que quem se há pronunciado sobre a forma de trabalho de Leite revelou sempre que o “90” dos boavisteiros é dotado de excelente carácter, motivação e vontade de trabalhar.

Após duas épocas sem uma alternativa credível a Vlachodimos, os encarnados preparam-se para – por fim! – contratar um digno concorrente à titularidade da baliza benfiquista. Ainda por cima, o “módico” pagamento é de cerca de dois milhões de euros. Na presunção de que Helton assina pelos encarnados e de que nenhuma lesão o impede de mostrar serviço e todo o seu talento (como há acontecido no Boavista FC, na corrente época), afigura-se-me seguro afirmar que Leite fará muito bem às águias.

Artigo revisto por Mariana Plácido 

Bruno de Carvalho é absolvido. E agora?

Ao fim de seis meses de sessões de julgamento, Portugal ficou a conhecer o desfecho do “Processo de Alcochete”, que inclui as condenações e as absolvições. Um julgamento que, diga-se de passagem, correu os seus termos de uma forma muito célere, num claro contraste com a lentidão que caracteriza sistema judicial português. Entre os arguidos absolvidos da prática dos crimes pelos quais foram acusados, está o ex-Presidente do Sporting CP, Bruno de Carvalho.

Uma primeira nota que gostaria de realçar é acerca da deturpação imediata do dispositivo da sentença feita por muitos “comentadores” e por alguns órgãos. Com efeito, afirmou-se desde logo que Bruno de Carvalho foi absolvido por não existirem provas suficientes sobre a sua autoria moral, mas que “não foi considerado inocente”. Isto é uma falácia grotesca, que pode levar o público que não conhece, nem tem de conhecer, o Direito a ficar confuso.  Percebo o desespero dos muitos que fizeram “julgamentos” nas televisões e nos jornais.

O Tribunal não declara “inocentes”. O Tribunal apenas decreta se a prática de um crime foi ou não provada, e, por conseguinte, condena ou absolve o arguido. Isto é assim por decorrência de um dos princípios de Direito mais importantes que norteiam a nossa sociedade, e que, durante os últimos dois anos, foi atropelado vezes sem conta: qualquer arguido é inocente até prova em contrário.

Uma segunda nota diz respeito ao “aviso” deixado pela M. Juiz de Direito Sílvia Pires: “A prova faz-se aqui [no Tribunal], não é no café. O Estado tem regras”. É uma atitude de firmeza que reacende a minha esperança na independência e na força do Poder Judicial do nosso país.

De facto, nos últimos dois anos, o cidadão português Bruno de Carvalho foi submetido a um linchamento sem ímpar na História de Portugal. Não me lembro de nenhum criminoso, pedófilo, político corrupto, assassino, violador, etc., que tenha sido, juntamente com a sua família, vilipendiado desta maneira.

O “ataque” de Alcochete foi prontamente baptizado de “terrorismo” para servir de mote a uma campanha de destruição maciça da pessoa do anterior Presidente do Sporting CP. Foi precisamente a qualificação desse triste acontecimento como acto de terrorismo que permitiu um “sem-número” de atrocidades cometidas a um cidadão igual a nós, como a sua detenção num domingo à noite, em frente da sua família.

Nos dias que se seguiram ao ataque, a televisão bombardeou-nos de modo incessante e consecutivo com programas de linchamento de Bruno de Carvalho e de achincalhamento da própria Instituição Sporting CP. Cheguei a ver num programa da “televisão por cabo” uma suposta “profissional” da psicologia a traçar o perfil psíquico do cidadão Bruno de Carvalho, como se se tratasse de um serial killer.

Pior. Muito pior. E os Sportinguistas que sentem o seu Clube nunca se esquecerão. Vimos o Presidente da República, o Primeiro-Ministro e o Presidente da Assembleia da República, quais representantes máximos da República Portuguesa, a fazerem comentários demagógicos, irresponsáveis e até vergonhosos sobre o Sporting CP e o seu então Presidente. Todavia, nunca vi estes altos representantes a tecer a mínima consideração sobre o que se havia passado em Guimarães uns meses antes, ou sequer sobre actos de violência protagonizados por adeptos de outros clubes que originaram, nomeadamente, a morte de um adepto italiano, há três anos.

Pergunto enquanto cidadão e contribuinte que sustenta o aparelho governamental: o que têm agora a dizer? A confirmar-se a sentença com o seu trânsito em julgado, há um pedido de retractação pública de que os Sportinguistas estão à espera.

Em suma, o que fizeram com o cidadão Bruno de Carvalho não só foi desumano e imoral, como também representou uma verdadeira mutilação do Estado de Direito, princípio que rege as democracias ocidentais, algo característico de países como a Coreia do Norte.

E aqui fica o repto para uma questão que gostaria de ver abordada por quem conhece o Direito: que investigação foi realmente feita pelo Ministério Público? A detenção de cidadãos e a sua acusação pela prática de um crime gravíssimo, como é o crime de terrorismo, exigia que essa investigação levada a cabo pelos magistrados do Ministério Público fosse blindada e apresentasse provas mais do que evidentes! Ora, o que aconteceu foi que uma outra magistrada (a M. Juiz), perante os factos vertidos na Acusação, considerou que nada daquilo estava provado relativamente a Bruno de Carvalho e outros arguidos (!). Terá havido pressões para acusar o ex-Presidente leonino?

No que concerne ao sócio do Sporting CP Bruno de Carvalho, vimo-lo a ser escorraçado do Clube com base numa nota de culpa assinada por uma “comissão de fiscalização” não eleita pelos sócios, que deu origem à primeira e única “AG destitutiva” da história do Clube. Uma AG que não foi mais do que uma fantochada, na qual aconteceram coisas pouco legítimas – a encomenda de uma fornada de delegados “jotinhas” afectos à actual Direcção para “controlar a legalidade” nas urnas e a não permissão, por parte da MAG, da presença de delegados indicados pela anterior Direcção nas mesas de voto. Imaginem que vão votar nas eleições legislativas e na vossa mesa de voto apenas encontram delegados da Juventude Popular do CDS. Foi tal e qual o que eu e muitos Sportinguistas presenciaram, com muito desprazer e repugnância, nessa malfadada AG.

É facto público e notório que a tal nota de culpa baseou-se única e quase exclusivamente na imputação a Bruno de Carvalho da autoria moral do ataque à Academia, para concluir pela alegada “violação grave dos Estatutos do Sporting CP”, sancionada com a pena de expulsão de sócio.

Aparte do desfecho do processo judicial, no qual se discute a validade da “AG destitutiva”, é um dever moral e, sobretudo, de justiça a reintegração de Bruno de Carvalho como sócio do Sporting CP, já que desapareceu a razão que justificava o seu afastamento. E é uma iniciativa que tem de partir da actual MAG da Assembleia Geral do Sporting CP. Nada na Lei o impede.

Chegados até aqui, e no fim de contas, resta-me dizer que a absolvição do seu ex-Presidente representa uma grande vitória para o Sporting CP. O ataque foi capitalizado por muitos opinion makers (vulgos cartilheiros) para achincalhar, rebaixar e enfraquecer a imagem da Instituição.

Goste-se ou não da figura do ex-Presidente leonino, qualquer Sportinguista tem de ficar, no mínimo, satisfeito em saber que o seu ex-Presidente foi absolvido da prática de crimes alegadamente cometidos no exercício do seu mandato. Muitos adeptos de outros clubes não poderão dizer o mesmo.

A actual Direcção do Sporting CP deveria ser a primeira a sublinhar este aspecto e a expressar regozijo pelo facto de o bom nome do Sporting CP ter sido reposto através da absolvição do seu anterior represente máximo. Talvez assim desse até um pequeno contributo para a união dos Sportinguistas. Mas não. A Direcção de Frederico Varandas resolveu, sim, emitir mais um comunicado patético, no qual só faltou expressar a sua tristeza pela absolvição de Bruno de Carvalho.

Bruno de Carvalho está absolvido por um Tribunal do Estado Português e a imagem do Sporting CP sai imaculada deste turbulento processo criminal. Àqueles que contribuíram para o seu linchamento durante dois anos, e que o chegaram a apelidar como o “maior cancro” do futebol português eu pergunto: e agora?

Artigo revisto por Mariana Plácido

O Caça e Pesca e a viagem pelo INATEL

Até às primeiras décadas de mil e novecentos, o turismo era uma atividade de luxo e bastante exclusiva, reservada aos mais favorecidos. A ocupação dos tempos livres dos trabalhadores centrava-se em associações e sociedades populares de educação e em atividades de excursionismo e relacionadas com a música e leitura. O desenvolvimento do “turismo social” mais próximo a aquilo que é hoje só conhece um efeito desenvolvimento em meados dos anos trinta. E o impulso decisivo deve-se, em grande parte, à criação, em Junho de 1935, da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT).

A FNAT manteve esta designação até 3 de abril de 1975, quando passou a denominar-se Instituto Nacional para o Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores – INATEL –, passando a ter a missão clara de recriar, prosseguir e renovar a sua herança e património, e atuando na prestação de serviços sociais, com ênfase na Cultura, Desporto e Turismo Social. Em 25 de junho de 2008, o INATEL deixou de pertencer à administração central do Estado, concretizando-se a sua extinção e instituição de uma nova fundação privada de utilidade pública — a Fundação INATEL —, que lhe sucede em todos os seus direitos e obrigações, bem como no exercício das suas competências e na prossecução das suas atribuições de serviço público. A Fundação INATEL é, neste momento, responsável pelo desenvolvimento e organização do quadro competitivo de variadas modalidades:

  • Modalidades individuais

Atletismo, natação, pesca desportiva, tiro e ténis de mesa.

  • Modalidades coletivas

Andebol, basquetebol, futebol, futsal e voleibol.

No dia 7 de junho de 2018, os cerca de 7.000 praticantes de futebol da Fundação INATEL foram integrados na Federação Portuguesa de Futebol (FPF), após um protocolo assinado em Oeiras pelo presidente da FPF, Fernando Gomes, pelo Presidente do Conselho de Administração da Fundação INATEL, Francisco Madelino, e pelos respetivos líderes das associações distritais. Este acordo passou a enquadrar os praticantes de futebol na esfera da FPF, o que permite tirar dividendos no processo de formação de atletas e garantir que a prática das competições INATEL seja feita nas melhores condições de segurança e saúde. Muitos clubes de primeira linha têm escolhido as competições INATEL como competição principal para os seus escalões de formação e modalidades. Referir ainda que esta parceria tem procurado igualmente criar melhores condições para a formação para árbitros.

Só no que ao futebol diz respeito, a Fundação INATEL tem 83 anos de história e de campeonatos que juntam quase 300 equipas e sete mil praticantes em distritos como Braga, Viana do Castelo, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Santarém, Lisboa, Setúbal, Beja, Évora – Duas grandes entidades escolheram hoje construir em conjunto o seu futuro“, disse Fernando Gomes, aquando da assinatura do protocolo.

Depois de alguns anos no futebol de formação, que acabei por interromper para estar mais ligado à área do treino e para seguir outros caminhos profissionais aos quais me dedico atualmente, recebi, em 2017, um convite para competir na Liga INATEL de futebol de 11 (Porto 1ª Fase). Assim, fui jogar no SC Montezelo, clube histórico de Gondomar, que me permitiu ter um primeiro contacto com esta competição. O modelo competitivo no Porto, nesse primeiro ano, seguiu um regime distinto do atual: as equipas eram divididas por dois grupos, sendo que os primeiros oito classificados de cada grupo iriam disputar o Play off de campeão num “minicampeonato” entre essas equipas. Depois, existia a taça INATEL, seguindo aquilo que é o formato normal das taças, com jogos a eliminar.

Após uma primeira época de altos e baixos num ano muito difícil, até porque as condições nem sempre eram as melhores, o que acabou por condicionar o rendimento de muitos atletas (para dar um exemplo, o campo era pelado e não existia qualquer relvado sintético), em 2018 surge a oportunidade de representar o Clube de Caça e Pesca de Aguiar (CCPA). Um clube fundado por sete homens empreendedores, em dezembro de 1963, que deixou o seu legado na caça e pesca desportiva, na qual, inclusivamente, chegaram a ter o único campo de tiro ao prato coberto da península Ibérica (e um dos melhores da Europa). Continua a ser uma das coletividades com melhores instalações no Concelho de Gondomar, tendo ainda uma localização estratégica com vista privilegiada para o Douro e suas margens.

O clube, que tem na sua génese e história a conquista de troféus em todas as modalidades existentes, encerrou a sua participação no futebol durante vários anos, por motivos financeiros. Estava, assim, em 2018, a ser criado um projeto novo. Um projeto de retoma com a intenção de voltar a colocar o CCPA no topo da Liga INATEL. Confesso que, quando me falaram no clube pela primeira vez, não gostei do nome. Achava um contrassenso que uma equipa que queria impor-se no futebol tivesse no seu nome referência a outras modalidades.

No entanto, o convite que me foi endereçado foi mais do que “apenas” jogar futebol. Por isso, aceitei a mudança para Aguiar, não só para fazer parte do plantel de futebol de 11, mas como para ajudar na Direção do clube e desempenhar um papel relevante no marketing e comunicação da equipa. O desafio era enorme: organização dos ciclos de treino, agendamento dos jogos de pré-época, gestão dos equipamentos de treino e jogo para a nova época, melhoria de instalações, criação de uma forte política de comunicação, etc. Mas era algo bastante aliciante e obrigou-me a estudar o passado do clube. Rapidamente entendi a mística do nome e da sigla CCPA e apercebi-me do privilégio e da responsabilidade que tinha em cima dos ombros, em conjunto com os meus colegas de balneário e de Direção para o futebol.

A verdade é que, puxando a brasa para a minha sardinha, o clube tem tido um crescimento fantástico, com uma melhoria visível das condições de trabalho e uma política de imagem e comunicação ao nível dos clubes profissionais em Portugal.

No que à competição diz respeito, este ano o modelo foi diferente e seguiu o regime de campeonato puro. 24 equipas jogaram entre si a uma só mão, o que nos permitiu fazer um ano de “estreia” com muitas peripécias e viagens essencialmente pela zona do Porto/Gondomar/Trofa/Gaia. Infelizmente, e pelos motivos de saúde que toda a gente conhece, o campeonato acabou por ser interrompido a seis jornadas do seu final.

O INATEL não são apenas jogos de fim de semana. O INATEL não é apenas convívio de fim de semana. É uma prova de superação semanal, com milhares de atletas que correm entre a sua vida pessoal e profissional, para estarem em forma e disponíveis para treinos e jogos, na prova clara de que quem corre por gosto não cansa. À boa maneira portuguesa, há um pouco de tudo: grandes jogadas, grandes golos, “sarrafada” para dar e vender, expulsões, adeptos mais efusivos, festejos de guardar na retina e muitas memórias que levarei para sempre comigo.

O segredo (como em qualquer equipa, diria) tem sido a união e espírito de grupo que nos faz conviver diariamente, seja presencialmente ou por telemóvel. Não posso deixar de agradecer a todos os atletas a forma como se comprometeram com o projeto. Claro que não deixamos de ouvir aquelas bocas de amigos e famílias quando não vamos tomar aquele café ou jantar fora porque temos treino ou jogo, mas não há visão que mais me encha de ambição do que levantar a taça de campeão, ou ganhar a taça INATEL juntamente com os meus atuais companheiros de luta.

E eu sei que esse dia vai acontecer. Foi com essa ambição que integrei o clube, que decidi fazer parte da direção, e é a única forma de honrarmos a história do CCPA. Se não conheciam bem o clube e a realidade INATEL, venham daí. Há muito futebol, muitos momentos e prometo que vai valer a pena.

 

Artigo revisto por Mariana Plácido

 

 

E se os “três grandes” não existissem no futebol português?

O futebol é, sem dúvida, o desporto que mais move emoções, opiniões, dinheiro e até desavenças no nosso país. A questão monetária, aliada ao aparente controlo da pandemia, terá sido, aliás, o fator decisivo para a retoma do Campeonato Nacional já no próximo dia três de junho. Uma escolha ansiada e desejada pelos adeptos do futebol, mas também receada pelos riscos que poderá trazer consigo. De qualquer forma, a decisão está tomada, e, na próxima quarta-feira, a bola volta a rolar nos campos nacionais.

Analisando a história do futebol português, facilmente percebemos que FC Porto, SL Benfica e Sporting CP, também conhecidos entre os amantes do futebol como os “três grandes”, dominam claramente as preferências dos adeptos. Esta simpatia generalizada por estes três clubes justificar-se-á por terem dominado entre si, ao longo dos anos, o primeiro lugar da classificação, e por serem os principais vencedores das restantes taças em disputa. Assim, naturalmente, são os maiores detentores de títulos.

O clube da Luz é aquele que mais vezes foi campeão nacional – 37 vezes. Segue-se o FC Porto, com 28 títulos, e o Sporting, com 18. Apenas o CF “Os Belenenses”, na época 1945/46, e o Boavista FC, em 2000/01, conseguiram intrometer-se no império dos “três grandes”.

Mas e se estes clubes nunca tivessem existido?

Vamos então analisar este cenário hipotético. Para tal, percorremos época a época e excluímos estes três emblemas, atribuindo o título ao clube melhor classificado após esta alteração.

Fonte: Diana Oliveira / Bola na Rede

Assim, na primeira temporada do Campeonato Nacional, realizada em 1935/36 – inicialmente denominada Campeonato da I Liga Experimental –, o título iria parar ao Belenenses, ao invés do FC Porto. O clube da “Cruz de Cristo” seria mesmo o emblema com mais troféus até ao momento, conquistando o campeonato 25 vezes.

A maioria destes títulos (22) seria arrecadada entre as décadas de 1930 e 1950, traduzindo-se numa era dourada para o emblema lisboeta. Na realidade, foi dentro deste período temporal que o Belenenses efetivamente ganhou o seu único título de campeão nacional, na época 1945/46 (disputada entre 12 equipas).

O Boavista FC seria o segundo clube com mais êxito, com 16 troféus no seu palmarés. Neste caso, os axadrezados atingiriam o seu auge na década de 90 (sete vezes campeões), com o último título, um tetracampeonato, a ser alcançado em 2001/02. Também aqui há uma aproximação à realidade, na medida em que o clube nortenho foi campeão nacional pela única vez na sua história na temporada 2000/01.

Sem surpresas, este contexto alternativo mostra-nos que o Vitória SC e o SC Braga seriam os clubes que se seguiriam no ranking português, com 14 conquistas do Campeonato Nacional cada um. Os dois clubes minhotos são igualmente, na atualidade, aqueles que mais têm conseguido fazer frente à dinastia imposta pelos “três grandes”.

Fonte: Diana Oliveira / Bola na Rede

Neste exercício, os restantes clubes que ousariam vencer o campeonato nacional seriam: Vitória FC, por quatro vezes; Atlético CP e CD Nacional, três vezes cada; e GD Fabril do Barreiro e Académica OAF, em duas épocas cada. O GD Estoril Praia, FC Paços Ferreira e Carcavelinhos FC conseguiriam conquistar o troféu por uma vez cada um.

Este cenário hipotético permite-nos perceber que, caso não existissem os “três grandes”, muitos outros clubes conseguiriam alcançar o sucesso no futebol português, resultando numa maior competitividade do que aquela que assistimos atualmente. Provavelmente o orçamento destes emblemas seria bem maior que o da realidade, pois o sucesso e as conquistas trazem consigo mais “margem de manobra” em negociações com patrocinadores, clubes e restantes intervenientes no futebol.

Ainda assim, como verificámos nesta análise, o número de clubes a ter a oportunidade de arrecadarem entre si a maioria dos títulos de Campeão Nacional seria reduzido, apesar de não ser uma diferença tão díspar entre eles como efetivamente existe. Além disso, mais clubes conseguiriam alcançar este feito. Tal não se vê na realidade, na qual apenas o Belenenses e o Boavista conseguiram quebrar a norma imposta.

Num cenário sem FC Porto, SL Benfica ou Sporting CP… qual clube apoiarias na Primeira Liga?

Artigo revisto por Mariana Plácido

Regresso a Casa: Estado de Ecletismo

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O Regresso a Casa é uma rubrica onde os antigos redatores voltam a um lugar que bem conhecem e recordam os seus tempos antigos escrevendo sobre assuntos atuais.

Foi com muito entusiasmo que aceitei o desafio de voltar a escrever um artigo para o Bola na Rede e, como não poderia deixar de ser, os temas são o ecletismo e as Modalidades do Sporting Clube de Portugal, a marca mais indelével do Clube fundado por José Alvalade!

Desde o meu último artigo no BnR (“O Ano Verde e Branco”), datado de 31 de Dezembro de 2018, muita coisa aconteceu. Se em termos nacionais nenhuma das quatro Modalidades de Pavilhão revalidou o título na temporada 18/19, no panorama Europeu assistiu-se a uma conjugação única: o Andebol atingiu os Oitavos-de-Final da EHF Champions League, o Voleibol masculino atingiu o marco histórico das Meias-Finais da CEV Challenge Cup, o Hóquei em Patins rejubilou com a conquista da Liga Europeia em pleno Pavilhão João Rocha duas semanas depois do Futsal ter feito magia no Cazaquistão (à terceira foi de vez!).

Isto sem esquecer o Goalball que venceu a Super European Goalball League, quer em masculinos, quer em femininos, e o Atletismo feminino que se sagrou Bicampeão Europeu de Corta-Mato! No final de 2019, o Hóquei em Patins viria ainda a vencer de forma inédita a Taça Continental, vulgo Supertaça Europeia, que também se disputou no Pavilhão João Rocha e o Judo revalidou o título de Campeão Europeu! Além das conquistas mencionadas (e ainda mais outras), é importante referir ainda o surgimento de novas equipas no Clube, nomeadamente o Basquetebol sénior masculino e o Hóquei em Patins feminino!

Fazer hoje uma reflexão sobre o Ecletismo do Sporting Clube de Portugal implica debruçarmo-nos também sobre o profundo impacto causado pela pandemia da Covid-19. A crise sanitária e, consequentemente, económica não poupa nenhum quadrante da sociedade, e o desporto não é excepção! A diminuição de receitas é inevitável, quer por força da redução de patrocínios e quotizações (situação que já se verificava anteriormente pelo fraccionamento do Clube e que agora será agravada pela crise económica), quer por força da ausência de bilhética em virtude da paragem obrigatória das competições e de mensalidades decorrentes da prática de modalidades, como são exemplos a ginástica e a natação.

Como tal, surge a necessidade de redimensionar despesas, não só pela reformulação de plantéis (ao longo destas semanas o Clube tem anunciado vários términos de contratos), onde é expectável que se procurem renovações com redução de salários e que comece a haver uma aposta maior nos valores da formação, como também através de alterações estruturais, como por exemplo a cessação das competências de scouting e contratação atribuídas ao gabinete olímpico totalmente independentes de cada uma das secções do Clube. Toda esta situação torna-se ainda mais complicada pela incerteza aliada à natural indefinição da evolução sanitária (possível existência de uma segunda vaga, por exemplo), aliado à falta de “proteccionismo” das entidades competentes quando comparada ao tratamento dado ao Futebol (leia-se, Primeira Liga).

Os tempos não serão certamente de facilidades, mas o Ecletismo do Sporting Clube de Portugal resistirá, com a resiliência que lhe é apanágio e com que sempre se pautaram aqueles que o servem dedicadamente e desinteressadamente! Um bem haja a todos aqueles que sempre souberam e sabem manter o ADN Eclético do Sporting Clube de Portugal!

 

Artigo revisto por Joana Mendes

BnR TV: José Mota prefere Mourinho a Guardiola e explica porquê

O Mourinhos vs. Guardiolas desta semana contou com a presença de José Mota, experiente treinador português. Depois da saída do GD Chaves, atualmente está sem clube e, por enquanto, não está a pensar resolver o seu futuro. Contudo, revelou que o mercado estrangeiro pode ser uma grande opção.

No programa, recordou-se a grande equipa do FC Paços de Ferreira de 2001/02, que o treinador confessou ter sido a melhor equipa que já treinou, devido à qualidade existente na equipa pacense da altura. Inevitavelmente, outra formação que foi orientada por José Mota e a ser relembrada na conversa foi o Leixões SC de 2008/09.

A história da vitória do CD Aves na Taça de Portugal de 2017/18 contra o Sporting CP não foi esquecida e o treinador português contou que realizou um sonho de criança. José Mota ainda se sentiu que «foi uma injustiça muito grande o CD Aves não ter ido à Liga Europa. Ainda hoje, pergunto porque tinha de acontecer connosco». O treinador ainda explicou, através da sua tática, a maneira como bateu os leões nessa final.

O treinador português explicou ainda: «Para o treinador comum? Guardiola. Para aquele que estuda, aquele que pense, que olha para a forma que vou descaraterizar a outra equipa. Não tenho a capacidade de, mas eu tenho de fazer algo para desmoronar a equipa adversária. Acho que nesse aspeto Mourinho é mais treinador do que o Guardiola».

Artigo revisto por Joana Mendes

José Fernando Rio: o retrato de um candidato à presidência do FC Porto

Após explorar algumas das propostas que o candidato à presidência do FC Porto pela lista B, Nuno Lobo, apresentou aos sócios em recentes aparições, resta olhar para a lista C, encabeçada por José Fernando Rio.

Jurista de cinquenta e dois anos (sócio há mais de duas décadas), José Fernando Rio é um rosto conhecido da maioria do universo portista, muito por conta das suas corriqueiras aparições em espaços televisivos de debate desportivo.

Descontente com o rumo que o clube tomou recentemente, decidiu que estava na hora de “chegar-se à frente” e ir a votos nos dias seis e sete do próximo mês de junho.

Bom, e porque não começar por aí, pela data das eleições? José Fernando Rio tem sido particularmente crítico desta escolha, uma vez que, na sua ótica, as condições de segurança ainda não estarão reunidas para que o processo eleitoral decorra na primeira semana de junho.

Em adição a isso, recorda que ainda não houve espaço para debate entre os três candidatos à presidência do emblema azul e branco, o que impossibilita, em parte, o esclarecimento dos sócios relativamente às ideias que cada uma das listas possui.

No entanto, apesar do debate a três ainda não se ter materializado, o líder da lista C tem procurado divulgar ao máximo os seus projetos, projetos esses que assentam, essencialmente, em três pilares: equilíbrio das contas, aposta na formação e modalidades.

José Fernando Rio, ao longo das suas recentes aparições públicas, tem demonstrado uma enorme preocupação com a esfera financeira do clube, chegando a afirmar, em entrevista ao Record, que o “clube corre o risco de perder a sua grandeza” caso não equilibre de forma célere as suas contas.

Essa tarefa, contudo, promete ser difícil, visto que, conforme o próprio candidato relembrou em entrevista concedida à página Super Portistas, num futuro próximo haverão empréstimos obrigacionistas por saldar, bem como haverá a necessidade de dar a volta às dezenas de milhões de prejuízo apresentadas no último relatório de contas.

O presente desequilíbrio financeiro, na visão do candidato, está intrinsecamente conectado aos recentes insucessos desportivos, uma vez que a má gestão, muitas das vezes, tem impedido que o clube administre da melhor forma situações complicadas, como a de jogadores em final de contrato.

A solução, segundo revelou o candidato à presidência do FC Porto num podcast intitulado A culpa é do Cavani, passará por uma restruturação da dívida, assim como por estabelecer um limite de dívida, visto que “a SAD do FC Porto não se pode endividar infinitamente, não pode estar sempre a recorrer a empréstimos”.

Na sua opinião, é imprescindível colocar um travão nos gastos, nomeadamente com salários e premiações. Nesse âmbito, o aspirante à presidência propõe um corte de 50% nas remunerações da administração portista, bem como uma não atribuição de prémios à estrutura do clube, caso o FC Porto não chegue ao título.

As medidas de alívio da folha salarial, todavia, não se restringiriam apenas à administração dos dragões. Os encargos salariais com a equipa principal também sofreriam um corte, corte esse que surgiria como consequência de uma maior aposta nos jovens da casa, jogadores que não exigiriam um esforço financeiro tão grande aos cofres do clube da Invicta.

 E essa acaba por ser outra das bandeiras da candidatura do jurista de cinquenta e dois anos: uma aposta efetiva na formação. Para que tal ocorra, segundo revelou a O JOGO, um ponto é fundamental: a criação de uma Academia que permita aos atletas “viverem, estudarem e treinarem sem andar com a casa às costas”.

Para além da formação, o candidato pela lista C compromete-se a investir num aspeto que outrora revelou ser preponderante para os lados do Dragão: a rede de scouting.

De modo a materializar esta ideia (a de voltar a ser uma referência na “descoberta” de jogadores), o jurista acredita que o clube precisa de colocar de lado a política de negociar apenas com alguns agentes desportivos; de modo a aumentar as probabilidades de sucesso no que à captação de jovens atletas diz respeito, defende que o FC Porto deverá trabalhar num “mercado livre de empresários”.

Para além disso, há que mexer na estrutura do futebol, incluir um diretor geral. O perfil já está traçado: o líder da lista C procura um nome de impacto para o cargo, alguém com uma passagem pelos dragões no currículo, seja dentro das quatro linhas (ex-jogador), seja fora delas (ex-treinador).

Na esfera das modalidades, José Fernando Rio é particularmente crítico. Crê que a condução desta vertente não tem sido a melhor e os resultados estão à vista: o número de modalidades diminuiu durante o “reinado” de Pinto da Costa e as que restaram, por vezes, não possuem as ideais infraestruturas.

O objetivo desta lista passa por aumentar o número de modalidades (futsal, voleibol masculino, atletismo), assim como dirigir uma atenção especial para a vertente feminina, que, do ponto de vista de José Fernando Rio, tem sido muitas das vezes esquecida.

Relativamente às infraestruturas, com a finalidade de colmatar as lacunas atuais, o candidato confessou que tentará erguer um novo pavilhão, tendo também revelado que equaciona uma academia direcionada para as modalidades.

 

Artigo revisto por Joana Mendes