O BnRTV junta-se agora para o rescaldo da WWE Wrestlemania! Junta-te a nós para ajudares na análise ao evento! Tens tudo nesta emissão em direto deste BnR TV.
Com Mário Cagica Oliveira, Afonso Santos e André Conde.
A Liga Inglesa é, sem dúvida, um dos melhores (senão o melhor) campeonatos de futebol do mundo e isso não vem de agora, antes pelo contrário. Se és adepto de futebol e, como eu, é fã de futebol inglês, então tens mesmo de ver este jogo.
Arsenal FC e Manchester United FC representam uma das maiores rivalidades do futebol inglês e houve um jogo, no longínquo ano de 2005, que se tornou instantaneamente um clássico na história desta rivalidade. Arsenal vs United, Londres vs Manchester, Wenger vs Ferguson e um jovem português a brilhar.
Mas primeiro vamos ao contexto. No primeiro dia de fevereiro da temporada 2004/2005, disputava-se a jornada 25 do campeonato inglês e os red devils, com um jovem Cristiano Ronaldo no elenco, a quatro dias de festejar o seu vigésimo aniversário, visitavam o velhinho Highbury Park para defrontar o Arsenal num duelo importantíssimo para as aspirações de ambas as equipas na luta pelo título. Uma derrota para qualquer das formações significava “morrer na praia”, visto que os blues, orientados por José Mourinho, ocupavam o topo da tabela classificativa com 11 pontos de avanço para o Manchester United – segundo classificado – e os gunners à perna – em terceiro.
A expetativa de um grande jogo era alta e a tensão era ainda maior. A batalha começou muito antes do apito inicial, quando ainda no túnel de acesso ao relvado, Roy Keane, lendário capitão do Manchester United, se envolveu numa acesa troca de palavras com o capitão do Arsenal, Patrick Vieira, o que espelhava a grande rivalidade entre os dois conjuntos.
Numa partida intensa desde o início, foi ao minuto 8’ que a rede balançou pela primeira vez, com Patrick Vieira a dar o melhor seguimento possível a um canto batido pelo compatriota Thierry Henry. A vantagem durou apenas dez minutos, com Ryan Giggs, o mágico galês, a restaurar a igualdade no marcador. Num primeiro tempo dominado pela formação da casa, foram mesmo os gunners a ir para os balneários em vantagem, depois de um golo de Dennis Bergkamp já em período de descontos do primeiro tempo.
A segunda parte prometia ainda mais espetáculo, tal foi a intensidade e agressividade da primeira. O Arsenal voltou a entrar melhor, mas Cristiano Ronaldo, algo adormecido no primeiro tempo, acordou para dar show nos restantes 45 minutos, empatando a partida à passagem do minuto 54’. Endiabrado e de pé quente, voltou a marcar apenas três minutos depois e mandou calar os adeptos da casa – como já tinha feito no primeiro tento – que não lhe deram descanso, talvez por culpa de um momento mais aceso com Henry ainda na primeira parte.
O Arsenal corria atrás do prejuízo e viu, ao minuto 70, Mikaël Silvestre receber ordem de expulsão por dar uma cabeçada ao sueco Fredrik Ljungberg. Ronaldo foi o sacrificado e teve de dar lugar a Wes Brown, para que o United pudesse reforçar a linha defensiva. Em superioridade numérica nos restantes 20 minutos do encontro e apesar de ameaçarem constantemente a baliza do Manchester United, acabariam por ser os pupilos de Alex Fergunson a marcar novamente, com John O’Shea a dar a machadada final no encontro, ao ‘picar’ o esférico por cima de Almunia e matando, assim, as esperanças da formação londrina em revalidar o título conquistado na temporada anterior.
Com esta vitória, o Manchester United aproximava-se do topo da tabela, recuperando do mau início de temporada, mas mostrou-se ser um triunfo insuficiente, pois seria mesmo o Chelsea de Mourinho a vencer o campeonato naquele ano.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
Arsenal FC: Almunia, Lauren (Fàbregas, 82’), Campbell (Hoyte, 78’), Cygan, A. Cole, Vieira, Flamini (Reyes, 69’), Pirès, Ljungberg, Henry, Bergkamp.
Manchester United FC: Carrol, G. Neville, Ferdinand, Silvestre, Heinze, Fletcher (O’Shea, 60’), Scholes, Roy Keane, Giggs (Saha, 76’), Rooney, Ronaldo (Brown, 69’).
Nasceu em 1978, em Opole, na Polónia, onde o seu pai jogava profissionalmente futebol. Mas foi no país vizinho, Alemanha, que se tornou uma lenda. É considerado um dos melhores pontas de lança da história do futebol. Com muita frieza na finalização, Klose era letal em frente à baliza. O seu jogo de cabeça era um dos seus pontos fortes. Era um verdadeiro “homem de área”, muito forte na antecipação e na leitura de jogo, posicionando-se no sítio certo à hora exata. Ao longo da sua carreira, marcou 302 golos em 756 oficiais. Atualmente, é treinador nas camadas jovens do FC Bayern Munique.
Klose estreou-se como sénior no modesto FC 08 Homburg. Daí mudou-se para o FC Kaiserslautern, onde na primeira época (1999/00) apenas fez dois jogos, sem marcar qualquer golo. Na temporada seguinte, assegurou a titularidade, marcando dez golos em 45 jogos, e ajudou a sua equipa a alcançar as meias finais da Taça Uefa (atual Liga Europa).
Após cumprir a quinta época ao serviço do FC Kaiserslautern, Klose mudou-se para o SV Werder Bremen a troco de cinco milhões de euros. Na segunda época ao serviço do clube, o avançado alemão fez o melhor registo de toda a sua carreira em termos de golos: 31 remates certeiros em 40 partidas. Nessa temporada, o SV Werder Bremen ficou em segundo lugar na tabela classificativa, sendo que Klose foi o melhor marcador do campeonato e considerado o melhor jogador da competição, e em 2006 venceu a Taça da Liga alemã. Na terceira e última época no SV Werder Bremen, a sua equipa foi eliminada nas meias finais da Taça Uefa e acabou em terceiro lugar no campeonato.
Miroslav Klose a celebrar um golo fazendo um “mortal à frente” Fonte: Germany Football Team
Em 2007, transferiu-se para o FC Bayern Munique por cerca de 15 milhões de euros. Apesar de bons números em termos de golos nas duas primeiras épocas, 21 golos em 2007/08 e 20 em 2008/09, nas duas épocas seguintes as suas prestações baixaram de nível. Ao serviço do emblema “Bávaro”, em 2007/08, venceu o campeonato e a Taça da Alemanha. Em 2009/10, voltou a ser campeão nestas duas competições, adicionando a Supertaça alemã, torneio que voltou a ganhar a 2010/11. Também conquistou a Taça da Liga ao serviço do FC Bayern Munique, conquistando-a por mais duas ocasiões, em 2007 e 2008.
Na época 2011/12, transferiu-se para a SS Lazio, clube que representou durante cinco temporadas. A sua época mais produtiva foi 2012/13, na qual venceu a Taça de Itália. Nesta mesma temporada apontou 16 golos, os mesmos que registou em 2014/2015.
Ao serviço da principal seleção alemã, apontou 71 golos em 137 internacionalizações, sendo o melhor marcador de sempre na “Mannschaft”. No Campeonato do Mundo de 2002, o avançado apontou cinco golos, todos eles de cabeça. É o melhor marcador em fases finais de Mundiais no futebol masculino, com 16 golos marcados em quatro edições da competição. Em 2006, foi o melhor marcador do torneio, com cinco remates certeiros. Foi campeão do mundo em 2014, marcando dois golos, um deles apontado na célebre goleada de 7-1 sobre o Brasil, nas meias finais da competição.
Apesar de não ser um jogador brilhante, era um jogador que cumpria a sua tarefa em campo. Não fazia jogadas de fintar meia equipa adversária ou golos de “levantar o estádio”. Distinguia-se bem dentro das quatro linhas pela sua inteligência posicional e pelo seu “instinto matador”, fazendo das defesas adversárias, as suas presas. Apesar da Alemanha não ser o seu país de nascença, é a nação pela qual bateu recordes e fez história. Uma mente futebolística perspicaz e uma cabeça precisa.
O rol de emprestados é extenso, mas nem todos têm perspetivas de voltar a integrar o plantel do SL Benfica na próxima época (seja lá quando ela for). Uns por estarem em fim de linha, como Fejsa, outros por estarem no início da mesma, como Nuno Santos, outros por simplesmente não contarem, como Caio Lucas ou Cádiz.
Alguns serão seguramente vendidos, outros novamente emprestados, outros colocados nas equipas secundárias. No entanto, três emprestados podem integrar o próximo plantel encarnado, dada a qualidade e consistência demonstradas e as lacunas e necessidades dos quadros principais do clube da Luz.
Segue a lista desses mesmos três futebolistas, em ordem crescente de qualidade e probabilidade de virem, de facto, a integrar o plantel.
Todos nós vibramos com a época das transferências, para um adepto de futebol, cada dia é uma nova esperança para o clube do seu coração contratar aquele jogador tão desejado que se poderá tornar num ídolo. Imagine-se que todos os rumores que faziam a manchete das capas dos jornais tornavam-se reais. Não só os plantéis ascendiam a número elevado de atletas, mas, no caso do FC Porto, recrutaria jogadores que, atualmente, são de classe mundial.
O Bola na Rede foi à procura dos rumores de mercado de transferências dos últimos dez anos e encontrou dezenas de jogadores que se tornaram verdadeiros atletas de topo. De todos, reunimos onze que, neste momento, dariam luta por títulos europeus.
Assim terminou a Wrestlemania 36, com o concretizar de todo o potencial que sempre fora associado a Drew McIntyre. Mas o escocês não foi o único a conquistar um título nesta noite, que ainda contou com um combate brutal e outro, no mínimo, intrigante.
Esta noite não foi tão boa como a primeira, mas cumpriu o propósito de entreter todos os fãs de Wrestling nesta altura em que todos precisamos.
Nascido e criado no Montijo, Fernando Manuel Antunes Mendes mudou-se para Alvalade ainda menino e moço, onde se fez jogador. De discurso franco e contagiante, revisitou com o Bola na Rede uma carreira longa e recheada de peripécias dignas da Divina Comédia: no Benfica viveu o Inferno, no Belenenses passou pelo Purgatório e acabou no Paraíso das Antas, sem esquecer a raça boavisteira. Na Amadora não teve a Estrela que viria a encontrar num Setúbal liderado por Jesus, a quem tece rasgados elogios.
– A bênção do king, a infância sacrificada e uma controversa ascensão –
“No futebol, a sorte de uns é o azar de outros”
BnR: Antes de iniciarmos a entrevista, quero agradecer-te por teres aceitado o nosso convite, Fernandes Mendes.
Fernando Mendes: [risos] Quando assinei pelo Benfica, o grande King, o grande Eusébio, não sabia bem o meu nome e chamava-me Fernandes Mendes. Era uma forma carinhosa de me tratar da parte dele.
BnR: “Até que enfim que o Benfica tem um grande extremo-esquerdo!”, disse-te Eusébio quando te viu jogar pela primeira vez. Se é verdade que te afirmaste como lateral, não é menos verdade que, naquele campo ao pé de casa da tua mãe e nos jogos pelo Cancela, jogavas a extremo, até o pai do Futre te atirar para a defesa.
Fernando Mendes: Exatamente! Quando era miúdo, havia aqui aqueles pequenos torneios entre o meu bairro – onde eu cresci e no qual a minha mãe continua a morar – e os outros à volta e fazíamos uma série de jogos naqueles “campitos” de areia com balizas feitas de calhaus grandes no chão, que era o que havia… E que faz falta hoje em dia, sabes? Perdeu-se aquele típico jogador de rua; havia muitos jogadores aqui [no Montijo], sobretudo nos anos 80… A Margem Sul era um alimentador de jogadores para as camadas jovens do Benfica, do Sporting, do Belenenses… E eu jogava a extremo-esquerdo, até que com dez ou onze anos comecei a jogar nessa equipa do Cancela e o pai do Futre pôs-me para trás. Eu era rápido, mas como extremo tinha mais dificuldade. Normalmente, nessa posição está-se mais marcado do que os laterais, levas com um jogador praticamente em cima, e ele pôs-me para trás e a partir daí fiz a minha carreira toda como lateral-esquerdo.
BnR: Naquelas coincidências que os deuses do futebol gostam de idealizar, nasces poucos meses depois do Mundial de 1966, competição na qual Eusébio se destacou com 9 golos. Natural do Montijo, mudas-te para o lar do jogador do antigo Estádio de Alvalade ainda adolescente. Para além do sonho, o que levaste contigo?
Fernando Mendes: Repara: na altura, não era uma situação fácil. Tive de abdicar de muitas coisas, porque antigamente havia uma dificuldade que atualmente não existe. Fui obrigado a deixar de estudar muito cedo [até surgir a opção de ir viver para o centro de estágio do Sporting]. Posso dizer-te que apanhava o barco das quatro horas no Montijo e acabava as aulas às três e meia; ia a correr da escola até ao terminal, porque a distância entre eles são para aí uns quatro quilómetros, e só havia barco de hora a hora ou de hora e meia em hora e meia. A viagem demorava uma hora e vinte – e eu miúdo, com 13 anos -, mas não acabava aí: o barco atracava no Terreiro do Paço e tinha de ir a correr até ao Rossio, para apanhar o metro até Entrecampos e de lá ia a correr até ao Estádio de Alvalade. Recordo-me que na primeira experiência que tive como miúdo nessa rotina fui logo assaltado.
BnR: Deixa-me adivinhar: roubaram-te um fio de ouro com um dentinho?
Fernando Mendes: Com o meu primeiro dente! Antigamente fazia-se muito isso: punha-se o primeiro dente a cair num fiozinho. Aconteceu-me isto na primeira vez que fui sozinho. Depois andei uma série de três ou quatro anos até haver a opção de ficar a viver no lar do jogador. Mas também estive lá pouco tempo, porque passados uns meses, quando comecei a treinar com os seniores, fui viver para a Quinta do Lambert com o Litos.
BnR: Antes da mudança para Lisboa, chegaste a dormir no cais quando perdias o último barco.
Fernando Mendes: Acontecia muitas vezes! O último barco era às dez horas – a alternativa era ir pelo Barreiro, mas ainda era mais longe! – e aconteceu umas quinze ou vinte vezes. E quando conseguia apanhar, chegava a casa tardíssimo. Havia outra dificuldade: muitas vezes também fiquei em Lisboa por causa do nevoeiro; o barco não arrancava enquanto não houvesse visibilidade suficiente e o meu pai também não conseguia atravessar a ponte para vir buscar-me.
BnR: Voltando ao velhinho Alvalade, pode dizer-se que estavas no lugar certo na hora certa quando o Romeu se lesionou?
Fernando Mendes: Antes de responder, deixa-me dizer que tenho uma relação fantástica com o Romeu, um ser humano fantástico! Não o desejo a ninguém, mas no futebol o azar de uns é a sorte de outros. Tive a felicidade de, quando subi a sénior, – o Romeu [que era o dono do lugar de lateral-esquerdo] teve uma lombalgia – o Manuel José me ter dado uma oportunidade, que agarrei.
BnR: Mas lembras-te do porquê de estares na bancada a assistir ao treino dos seniores quando isso aconteceu…
Fernando Mendes: Lembro-me. Fui suspenso dos juniores por um desaguisado com uma pessoa por quem também tenho um carinho enorme, o mister Fernando Tomé… Eu tinha o meu feitio… Foram duas situações seguidas: numa tive culpa e fiquei mesmo chateado – foi num jogo de juniores frente ao Vitória FC e quando fui substituído, pouco depois do intervalo, despi a camisola e mandei-a para o chão -, mas na outra não tive intenção, porque o que aconteceu, e foi aqui que começaram a surgir alguns problemas, foi que quando fui substituído – estávamos empatados ou a perder 1-0 -, para sair rápido de campo peguei na braçadeira e, para dá-la mais depressa ao meu colega, mandei-a e caiu no chão. Aquilo foi uma confusão tremenda, porque as pessoas pensavam que ainda tinha a ver com que se passara no jogo anterior. Acabou por ser a minha sorte, ter sido suspenso, porque foram tantas seguidas: foram essas duas, mais alguns problemas devido ao meu feitio – muitas delas com o diretor do departamento de futebol, o senhor Petronilho, e com o senhor Ferrão. Acabei por ter sorte, como estás a dizer, por estar a ver um treino da equipa A e faltar um jogador. A partir daí, comecei a treinar com a equipa principal e estreei-me, curiosamente, contra o Setúbal, frente ao qual tinha tido aquele problema nos juniores. Vencemos e o treinador já era o Pedro Gomes, que substituiu o Toshack.
Este período de confinamento em que passamos mais tempo em casa, proporciona-nos, pelo menos, a possibilidade de revermos alguns jogos de futebol que nos trazem boas lembranças e outras menos boas.
No pouco tempo que me é possível ver televisão, para quem vive 24 sobre 24 horas com três filhos enclausurados em casa, aproveito para ver alguns dérbis e clássicos do futebol português, assim como alguns jogos de fases finais dos Europeus de futebol.
Relativamente a estes últimos, olhando para o lote de jogadores que surgiam nos convocados e, principalmente, para os que compunham o núcleo duro das várias selecções, ao longo dos anos, tínhamos sempre vários jogadores representativos da nossa formação, e muitos deles ainda a representar naquele momento a equipa do Sporting.
Foi sempre um dos estandartes do Sporting poder dizer que era a formação leonina que alimentava as selecções e, por ser verdade, onde se viu o exponente máximo dessa realidade foi no campeonato europeu de 2016, em França, onde Portugal se tornou Campeão Europeu com vários jogadores formados em Alvalade.
Na equipa titular que entrou em campo no dia da final estavam Rui Patrício, William Carvalho, Adrien Silva e João Mário que, naquele momento, representavam ainda o Sporting. Para além desses, estavam ainda na equipa Cédric Soares, José Fonte, Nani e Cristiano Ronaldo, que saíram da formação leonina. (Pepe, apesar de ter passado jovem por Alcochete, não esteve tempo suficiente para poder ser considerado como formado nas escolas do Sporting.) Nesse jogo entraram ainda Ricardo Quaresma e João Moutinho. Ou seja, no jogo da final, onde podiam participar no máximo catorze jogadores, dez eram oriundos da formação verde e branca.
Atualmente, Max é o único formado no clube com lugar cativo no onze Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Não querendo estar a partidarizar uma conquista tão bonita e importante para o futebol português no seu todo, ter tantos jogadores que iniciaram as suas carreiras no Sporting, deixa-me duplamente orgulhoso. Primeiro como português e depois como Sportinguista.
No entanto, estamos a passar do 80 para o 8 em muito pouco tempo, porque apesar de quase todos os jogadores acima mencionados ainda serem chamados pelo actual seleccionador nacional, já nenhum representa o Sporting. E pior que isso é não ver no actual plantel do Sporting alguém a representar a equipa das quinas, ou a poder, num futuro próximo, vir a ser seleccionável.
Eu acho que isso não acontece por falta de qualidade, mas sim porque deixou de se apostar nos jovens que são formados em Alcochete. Em vez disso, preferem vendê-los ao desbarato, emprestá-los através de cedências com cláusulas que não lembram ao diabo e preencher os lugares que estes poderiam ocupar com jogadores caros e de qualidade duvidosa. É o poder das comissões, eu sei.
Mas, assim, seguindo este caminho em que os jovens leoninos passam anos a ser emprestados para poderem provar o seu valor, mas nunca lhes sendo dada qualquer hipótese de entrar na equipa principal do Sporting, nunca mais teremos um jogador seleccionável para a “equipa de todos nós”. Isto mesmo estava a acontecer, por exemplo, com William Carvalho que andava perdido na Bélgica, e com Adrien que estava na Académica de Coimbra, até que alguém chegou e exigiu que eles ficassem no plantel. E, assim, finalmente puderam provar que tinham qualidade técnica para representar o clube leonino. O resto é história.
As comissões voltaram a ter muito peso no Sporting e, por este andar, o velho estandarte da formação de Alcochete na selecção nacional passará, como muitas coisas no nosso clube, a ser apenas história. Algo que nos orgulharemos eternamente, que para sempre será um argumento de grandeza, mas apenas isso. Nada que nos traga vitórias no presente. Será mais uma memória para nos fazer lembrar como era bom ser do Sporting. Já perdemos tanta coisa, não deixem perder mais uma.
Football Manager é o jogo certo para a tua quarentena numa altura complicada devido ao vírus Covid-19. Se gostas de futebol, se tens paixão pela área do treino e se gostas de jogos de computador, este pode passar a ser o teu passatempo. Os jogadores experientes de Football Manager sabem das pequenas rotinas ou superstições deste jogo de computador: vestir fato em dia de final é eventualmente o exemplo mais conhecido de todos. Mas e se houvesse mais ainda a acrescentar? Passo a partilhar uma pequena experiência com vocês, daquilo que é um dia de Football Manager, para mim, numa espécie de diário com uma realidade virtual. Divirtam-se, sejam responsáveis e fiquem em casa. Porque não a jogar Football Manager?
“É plena madrugada e acordo com um salto, como se tivesse acabado de ter um pesadelo. Fixo o teto por breves instantes até olhar para o relógio. São 4h da manhã. Pego no telemóvel, entro num instante nas redes sociais e faço um rápido scroll, no sentido de ver se há algum jogador acordado. Nem um. Respiro fundo e coloco Beethoven como a grande arma secreta que me fará regressar à terra dos sonhos. Resulta sempre. Resultou mais uma vez.
8h
Bom dia, alegria! Chegou o dia. Antes sequer de sair da cama faço uma rápida revisão de tudo o que tenciono fazer antes do jogo. Por fim, levanto-me, tomo o pequeno almoço e preparo-me para trabalhar um pouco mais antes de ir ter com a equipa para o habitual treino matinal, que fazemos em dia de jogo. Vejo o blazer preparado como se fosse um jogador à espera para entrar. É dia de final da Taça. É dia de ir bem vestido.
Chego ao centro de treinos onde me encontro com a minha equipa técnica, mas primeiro surge o presidente:
-Mister, bom dia. Como se sente?
-Bom dia, senhor presidente. Estamos tranquilos.
-Independentemente do resultado, quero que saiba que…
-Sr. Presidente, nós vamos ganhar. Confiança.
-Nem preciso de dizer mais nada! Bom trabalho e logo falamos novamente.
O futebol é simples de entender. São duas grandes equipas num jogo único e sei perfeitamente que o nosso adversário se preparou da melhor forma para nos enfrentar. Mas a minha confiança é inabalável e tenho de a transmitir a toda a gente como chefe de um grupo de trabalho.
Os jogadores chegam todos bem antes da hora marcada para o nosso encontro. Nota-se que é dia de jogo grande: poucas piadas, pouco ruído, caras de concentração, de foco.
Chegou a hora do nosso pequeno treino matinal, onde nos centramos na marcação e defesa de bolas paradas. Em jogos tão equilibrados como o que se espera de hoje, a bola parada pode ter uma importância muito grande na definição de um resultado. Intensifico o meu discurso na forma como quero que estejamos posicionados numa possível transição do adversário, após um canto a nosso favor. Eles têm dois jogadores muito rápidos que nos podem ferir se estivermos fora das nossas posições. Os jogadores entenderam o que pretendo. Eficiência e concentração.
Falamos um pouco após o treino, onde lhes peço uma coisa simples: tranquilidade até à hora do jogo.
-Desfrutem daquilo que vão fazer, porque o futebol é isto mesmo e nem todas as equipas têm o privilégio de chegar a uma final de uma competição. Mantenham-se relaxados, falem uns com os outros, distraiam-se. Faltam muitas horas.
Os jogadores perceberam o que quis dizer. Apesar de um ou dois atritos com jogadores que não tinham tantos minutos e que queriam jogar, tenho uma relação excecional com este plantel. Todos têm uma fome de vencer enorme, e quando assim é, e quando entendem que a preparação e o treino são fundamentais na obtenção de vitórias, facilitam a minha vida enquanto treinador. Toda a gente quer jogar e eu não tenho um 11 certo: tenho um plantel de 25 jogadores em que qualquer um pode ser chamado. E faço questão que eles saibam isso.
Almoçamos juntos no nosso centro de treinos. Nota-se agora um ambiente mais descontraído entre todos. A comida tem esse efeito. Sou o primeiro a sair da mesa e a dirigir-me ao meu escritório, sozinho. Faço uma retrospectiva daquilo que acredito que vai acontecer no jogo e daquilo que é a nossa estratégia para os vários momentos do mesmo. Está tudo mais que preparado. Tiro sempre 15 minutos por dia para meditar, mas hoje tirei quase uma hora. Por vezes é preciso um pouco de silêncio e eu estava a precisar do meu momento de silêncio.
17h
Chegou a hora de saída e, tal como me prometeram durante a semana, não há vislumbre de ninguém à porta do nosso centro de treinos. A nossa segurança fez, efetivamente, um ótimo trabalho. A partir da chegada ao Estádio, estamos em modo de jogo. Até lá, precisamos de serenidade. Fazemos a viagem, curta, com música, com conversas aleatórias, com a ingestão de uma peça de fruta ou de algum produto energético recomendado pelo nosso nutricionista. Aos poucos começamos a ver uma grande clareira no céu, fruto da iluminação artificial do estádio da final. Estamos a chegar e já se notam filas e filas de carros estacionados. “Esta gente vai ser toda multada”, penso. Foi o pensamento mais aleatório que tive nesse dia. Chegámos. Uma autêntica multidão de adeptos cerca o nosso autocarro com inúmeros cânticos de apoio que se tornam ensurdecedores.
Olho para os jogadores e sinto-me orgulhoso: estão a sorrir.Nota-se que sentem o que está a acontecer e é precisamente esse o grande segredo que quero levar para o jogo: o querer mais do que eles.
Balneário. Limpo, e arrumado com todo o material que precisávamos. Estava tudo pronto. Os jogadores sabem o que têm de fazer. Sem mais nenhuma palavra sobre o jogo, digo-lhes que está na hora do aquecimento. Eles vão como se de uma prisão estivessem a sair. Sempre pensei que esta vontade de jogar, como se fossem crianças, era importante. Hoje, sei que é fundamental.
Falta meia hora para o início do jogo e chegou a hora da nossa última conversa. Estamos todos reunidos em círculo. Coloco uma camisola do nosso clube no centro desse círculo e junto-me aos jogadores:
– O futebol é para se jogar pelas pessoas. O nosso é por eles, que estão à vossa espera. Sabemos aquilo que valemos e só nós sabemos aquilo que passámos para chegar até aqui. Mostrem o quanto queremos ganhar isto. Divirtam-se e bom jogo, malta. Tenho muito orgulho em vocês.
Palavras curtas repletas de uma simplicidade completamente enganadora. Estava tão ansioso quanto eles. Noutro dia teria feito uma palestra com pormenores tácticos e motivacionais, mas desta vez não. Era o momento de lhes fazer ver que confio neles.
O estádio está ao rubro e está um ambiente indescritível.
Respiro fundo e bebo um gole de água.
Chegou o momento. Carrego na tecla espaço. Game on.”
O momento que vivemos é difícil e insólito para todos nós. Sejam criativos como um treinador, sejam tecnicistas como um extremo e sólidos como um guarda redes. Entretenham-se. Joguem Football Manager, por exemplo. Fiquem em casa e ajudem a salvar-nos a todos. Bons saves!
As finais dos Jogos de Tóquio foram adiados para 2021, o que parecia uma inevitabilidade, sendo a primeira vez – excluindo os períodos de guerra mundial – que se passarão cinco anos entre duas edições de Jogos Olímpicos. A situação mundial assim o obriga e a certeza é que para o ano que vem a celebração do desporto mundial será ainda maior e mais efusiva.
Entretanto, de forma a aguçar o apetite e aumentar ainda mais a nossa fome de Jogos Olímpicos, vamos procurar, este ano, em artigos regulares – intercalados com outros que se justifiquem – relembrar os melhores momentos da História dos Jogos.
No artigo desta semana, partilhamos 12 finais especiais de 100 metros, todas elas vencidas por atletas norte-americanos/as ou jamaicanos/as, o que comprova o domínio destas duas potências no que à velocidade diz respeito. E sim, foi de propósito que decidimos excluir a vergonhosa final masculina de 88.