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Olheiro BnR: Odsonne Édouard

É certo que o campeonato escocês não está entre os mais populares da Europa. É também certo que quando se ouve falar da Escócia no mundo do futebol ocorre uma rápida associação a dois clubes icónicos de Glasgow, que contam com uma longa rivalidade: Celtic FC e Rangers FC. E é para um desses clubes que olhamos agora. Ou melhor, para o jovem jogador Odsonne Édouard, francês que tem feito a diferença na luta pelo título.

A atuar pelo Celtic desde 2017 – na altura por empréstimo do Paris Saint-Germain – Édouard tem sido, na presente temporada, o jogador a dar mais que falar no seio do futebol escocês. Não resultou em França, onde, além de ter feito a sua formação em Paris, foi emprestado ao Toulouse, mas viria a resultar num campeonato muitas vezes esquecido no ocidente da Europa.

Em 102 jogos com a camisola dos celts, o ponta de lança de 22 anos – curiosamente com a camisola 22 – já apontou 61 golos e promete não ficar por aqui, a menos que na próxima janela de transferências seja transferido para um clube que atue num campeonato de maior visibilidade. Certo é que na Escócia trata-se de um talento que não tem passado despercebido…e os números no Celtic falam por si.

Se é verdade que na primeira época jogou em apenas 30 partidas (marcando 11 golos), o avançado viria a ser uma peça letal na equipa orientada na altura por Brendan Rodgers, na sua segunda época na liga escocesa. Mesmo com a saída do técnico irlandês para o Leicester – e consequente chegada do atual treinador Neil Lennon –, o jogador foi apresentando sempre uma margem de progressão pautada por uma maior regularidade e, claro, também qualidade.

O jovem do Celtic com o troféu de “jogador do mês” do campeonato escocês
Fonte: Celtic FC

Marcou 23 golos em 50 encontros disputados na temporada passada, mas tem-se superado a si mesmo esta época, que se encontra atualmente suspensa devido ao surto de COVID-19 espalhado pela Europa e pelo Mundo. Ainda assim, realçam-se os seguintes números com a camisola do atual primeiro classificado escocês: 42 jogos, 27 golos e 8 assistências.

Números que evoluem se, a isso, se acrescentar os quatro jogos disputados pela seleção nacional de sub-21, tendo sido responsável por 7 dos 14 golos marcados pela França na fase de qualificação para o Euro 2021.

E sabe o porquê destes números? Porque se trata de um jogador completo. Cobrador exímio de livres diretos, forte na pressão, essencial ao vir buscar jogo atrás, eficaz na capacidade de trocar as voltas aos opositores e o engenho de aparecer no sítio certo à hora certa. É difícil pedir melhor a um atacante que começa a dar os primeiros passos no mundo do futebol e, quem sabe, com um futuro bastante risonho.

A evolução tem sido galopante e a ambição em alcançar outros voos – nomeadamente atuando pelos grandes da Europa – é inteiramente legítima. Odsonne Édouard não é um ponta de lança propriamente alto – tem 1,87 metros –, mas tem sido mais do que suficiente para brilhar, quer ao serviço do seu clube, quer ao serviço da seleção. Estaremos nós perante o próximo avançado de referência da seleção de França? A seu tempo saberemos…

Que filmes e séries ver nesta quarentena? Sunderland ‘til I die

A série Sunderland ‘til I die relata o panorama do detentor de seis títulos do Campeonato Inglês e de duas Taças de Inglaterra, o Sunderland AFC viveu uma das duas piores épocas da sua história na disputa da Championship de 2017/2018.

Sunderland ‘til I die é um universo imenso que envolve a paixão pelo clube da terra. Um olhar íntimo e consciente do funcionamento interno de uma organização desportiva e toda a política que é envolvida no universo do desportivo (em especial no futebol).

Centra na experiência pessoal de pessoas que amam um clube, uma cidade, uma cor embora o clube tenha sido alvo de crises, má distribuição de funções e uma miséria inevitável. Realça a inevitável incerteza de um verdadeiro adepto e demonstra os esforços dos atletas, que tal como indivíduos normais falham apesar dos inúmeros esforços.

A série encontra-se disponível na Netflix e já conta com a segunda temporada, estreada a apenas há uns dias. A primeira temporada conta com oito episódio e a segunda é ligeiramente mais breve e conta com apenas seis episódios – sendo ainda mais emotiva do que a primeira. Apesar de todos saber inevitavelmente o final de cada temporada, é uma série que cativa e desperta emoções que não ficam alheia a nenhum ser humano.

Um dos melhores (e mais interessantes) documentários para adeptos de futebol independemente do clube. Qualquer um pode adquirir uma relação pessoal com o enredo – devido à proximidade que o documentário transmite através da demonstração do lado humano do desporto. Até quem não entende de futebol profissional pode aprender através da visualização. O berço do futebol certamente irá apreciar e degolar este documentário!

 

FIFA 20 (Ultimate Team) | A (ir)regularidade da Primeira Liga Portuguesa na Equipa da Semana

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O FIFA 20 pode tornar-se no nosso melhor amigo nos últimos dias. O Covid-19 acabou-nos com o futebol ao vivo (pelo menos para já). Para além de nos ter feito esta maldade, obriga-nos a estar em casa, cumprindo um isolamento preventivo essencial para que se evite o contágio generalizado desta pandemia. Para vocês, “gamers”, o sobejamente conhecido modo “Ultimate Team” (que vamos tratar ao longo do texto pela sua abreviatura “FUT”), presente no videojogo FIFA 20, é uma das válidas opções para que cumpra dois objetivos essenciais: mate as saudades do “desporto-rei” e passe o tempo sem que esteja aborrecido.

Uma das mecânicas mais engraçadas e que mais causa expectativa em todos aqueles que querem melhorar as suas equipas, é a “Equipa da Semana”, mais conhecida como “TOTW” (“Team Of The Week”). Aqui, a EA – empresa por detrás deste sucesso global – faz uma recolha de jogadores que se destacaram durante os fins-de-semana futebolísticos a que estamos tão habituados, revelando-os normalmente às quartas-feiras da semana seguinte.

O aliciante é que estes jogadores têm melhorias nas suas características – umas mais significativas que outras –, mas que se traduzem sempre num aumento quer da pontuação geral, quer da sua avaliação de mercado. Até ao aparecimento deste surto de Covid-19, que levou à suspensão dos campeonatos e consequentemente desta mecânica, o FUT tinha já 26 TOWT lançadas.

Aquilo a que me propus foi fazer uma recolha de todas as vezes que a nossa Primeira Liga Portuguesa apareceu na TOTW, através de jogadores que tiveram melhorias. Na Semana nove, o primeiro a aparecer foi Alex Telles, do FC Porto. Normal, um lateral que marca penalties, livres e cantos, jogando num clube grande, tem sempre mais visibilidade lá fora. Tanto, que viria mesmo a repetir a sua presença, ganhando uma “melhoria da melhoria”, já na TOTW 21. Depois temos os grandes em destaque: Jesús “Tecatito” Corona (17), Bruno Fernandes (18), Pizzi (14), Carlos Vinicius (13) e Vlachodimos (17).

A melhor TOTW do futebol português, a número 17, com a presença de quatro jogadores e representação de igual número de clubes
Fonte: EA Sports

Para além dos “três grandes” terem mais visibilidade, o que é normal, creio que as TOTW podiam ter mais presença de jogadores da nossa Primeira Liga Portuguesa, e já excluindo da equação SL Benfica, FC Porto e Sporting CP. Até ao momento, o SC Braga tem dois jogadores, Ricardo Horta e Matheus (17 e 18), o Famalicão FC tem Uros Racíc (17) e o Vitória SC tem João Carlos Teixeira (22).

As ligas de Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália, França e até Holanda têm muita representação, porque são as melhores, onde se joga melhor futebol e onde estão os melhores executantes. No entanto, na minha opinião, a Primeira Liga Portuguesa não é inferior à Liga Turca, Grega ou até mesmo a Chinesa (que aparece mais vezes do que aquilo que devia).

Por tudo isto tomei a liberdade de destacar alguns jogadores que, para mim, mereciam fazer parte da TOTW do FIFA 20:

Filipe Soares (Gil Vicente FC 1-5 Moreirense FC, Jornada 19): Jovem de grande qualidade com apenas 20 anos. É um médio com muito sentido posicional e que acrescenta a tudo isso a capacidade para finalizar. Neste jogo encheu o campo e marcou dois golos num terreno sempre difícil, em Barcelos.

Diogo Gonçalves (FC Famalicão 3-1 Sporting CP, Jornada 23): Mais uma presença de um jogador famalicense parece-me justa. O jovem formado no SL Benfica fez a cabeça em água à defesa leonina, numa partida que contava com um Silas já na porta de saída de Alvalade. Grande época e mais dois golos, exibindo-se a um grande nível para os “grandes” verem.

Mehdi Taremi (CD Aves 0-4 Rio Ave FC, Jornada 20): Tem sido uma das principais figuras dos vila-condenses, que se encontram em quinto lugar. Neste jogo só marcou um golo, de penalti, mas pelo que faz jogar, pela inteligência de movimentos, permite que os colegas apareçam em zonas de finalização.

Ricardo Costa (Boavista FC 2-0 Vitória SC, Jornada 19): É certo, não deslumbram pelo futebol bonito, de constante pressão e de ataque às balizas adversárias, mas a verdade é que estão tranquilos no meio da tabela, fruto de uma boa solidez defensiva. Isto muito se deve ao veteraníssimo Ricardo Costa, um central que sabe muito do processo defensivo e, neste desafio, manietou de forma clara um Vitória SC que gosto de muito de ver jogar.

Edmond Tapsoba (Vitória SC 5-0 Belenenses SAD, Jornada 9): Sim, já não mora na cidade berço, mas também Bruno Fernandes já não está no Sporting CP e teve direito a uma carta TOTW. Jogo imperial na defesa, à semelhança de muitos outros, onde se via que ia ficar em Portugal por pouco tempo. O central de “gelo”, pela sua frieza a marcar penalties. Nem que fosse por isto, merecia ter entrado para selecção do FIFA 20.

Com certeza que haveria mais, mas deixo ao vosso critério: Concordam com a selecção? Que jogadores consideram poder ter feito parte da “Equipa da Semana” no Ultimate Team?

 

 

WWE Wrestlemania Noite 1: Expectativas Superadas

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Mais uma vez, quando menos se espera, a WWE arranja uma maneira de produzir um evento que supere todas as expectativas. A primeira noite da Wrestlemania foi muito boa, teve óptimos combates, nunca se tornou aborrecida de assistir e, mais importante, entreteve todo e qualquer fã de Wrestling que tenha visto o evento.

O facto de só ter durado três horas ajudou a que o público de casa não ficasse cansado, também não houve nenhum combate despropositado e todos os lutadores envolvidos deram o melhor que tinham.

Nota do evento: 8/10

Jogadores Que Admiro #112 – Ezequiel Garay

Ezequiel Marcelo Garay González foi um dos jogadores que mais prazer me deu ver jogar pelo Sport Lisboa e Benfica. O argentino, natural de Rosário, chegou à Europa em 2005 e desde então que se tem afirmado como um central de topo no panorama mundial do futebol.

A vinda do argentino para a Luz, a troco da módica quantia de 10 milhões de euros, foi uma das movimentações improváveis do mercado de verão de 2011, visto que o defesa central, à época com 25 anos, se encontrava no Real Madrid CF e era um jogador com alguma rotação no plantel principal dos “merengues”.

No entanto, sem perspetivas de se tornar numa aposta regular em Madrid, Garay fez as malas e mudou-se para Lisboa onde, ao serviço dos encarnados, jogou, provavelmente, o melhor futebol da sua carreira. O jovem defesa central encontrava no SL Benfica uma boa opção para jogar regularmente num cenário competitivo interessante, em que lhe era permitido disputar as competições europeias.

Assim, o argentino podia sonhar com um lugar na seleção albiceleste. De resto, foi durante a sua passagem nas “águias” que o conseguiu fazer, tendo disputado os jogos de qualificação e ido, efetivamente, ao Mundial de 2014 no Brasil.

Apesar de ter 1,89m, Garay mostrava uma enorme agilidade e velocidade no momento do desarme
Fonte: SL Benfica

Com um jogo aéreo fortíssimo, velocidade de raciocínio e leitura de jogo acima da média e um enorme à vontade e qualidade a construir jogo, Garay depressa conquistou lugar no onze titular dos encarnados, formando com Luisão uma das melhores duplas da Europa.

O reflexo disso foi a caminhada europeia dos encarnados nesse período de tempo, ao chegar por duas vezes consecutivas à final da Liga Europa. As “águias” não tremiam defensivamente independentemente do adversário, muito por culpa da dupla Luisão-Garay.

A vinda de Garay veio revolucionar o paradigma de centrais do Benfica. Foi o primeiro grande “central moderno” que o Benfica teve no que a construir jogo diz respeito – não, não me estou a esquecer de David Luiz, mas o brasileiro não tem a capacidade de construção que o argentino apresenta -, pelo que tornou claro a importância de ter defesas que se sintam confortáveis com a bola nos pés de modo a libertar outros jogadores da primeira fase de construção do jogo.

Queria também deixar uma palavra de apoio ao Garay, que, como é conhecido, se encontra infetado com COVID-19. É apenas mais um adversário que te tenta driblar, mas que tenho a convicção de que vais conseguir desarmar com um daqueles cortes maravilhosos a que nos habituaste. Força, campeão!

Foto de capa: SL Benfica

BnR TV Modalidades: Antevisão WWE Wrestlemania

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O BnRTV junta-se para uma antevisão à WWE Wrestlemania! As dificuldades na realização do evento, a ausência de vários lutadores e a análise de cada combate. Tens tudo nesta emissão em direto deste BnR TV.

Com Mário Cagica Oliveira, Afonso Santos e André Conde.

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Que jogos rever nesta quarentena? FC Porto x AS Roma

Em 2018/2019 – época que se seguiu à conquista do campeonato português -, o FC Porto teve uma prestação de gala na Liga dos Campeões, com resultados e exibições que elevaram o clube. Depois de terem sido a melhor equipa da fase de grupos da liga milionária, com 16 pontos em 18 possíveis, o FC Porto mediu forças com o AS Roma, nos oitavos-de-final da prova, um velho conhecido que já havia derrotado em 2016, na altura no play-off de acesso à Liga dos Campeões.

O primeiro jogo entre as duas equipas aconteceu em Itália, com o AS Roma a vencer por 2-1. Mas a reviravolta da eliminatória aconteceu no Dragão no dia 6 de Março de 2019.O FC Porto chegou a este jogo bastante fragilizado, isto porque no fim de semana anterior havia perdido a liderança do campeonato, em casa, para o rival Benfica. A juntar este deslize com a derrota na primeira mão em Itália, a equipa de Sérgio Conceição estava debaixo de uma grande pressão que, apesar de todos os sobressaltos, levou de vencida.

Com o treinador a efetuar algumas mudanças no onze, face à equipa habitual, foram os portistas a entrar bem na partida e a conseguir colocar-se à frente da eliminatória, com um golo de Soares aos 26 minutos.

 

Já no prolongamento, Alex Telles, de grande penalidade garantiu a passagem do FC Porto aos quartos-de-final da Liga dos Campeões
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

O golo da equipa da casa justificava a superioridade evidenciada até então, mas uma falta disparatada de Militão na grande área originou uma grande penalidade para a equipa italiana que, aos 37′, repôs a igualdade na partida através de De Rossi, passando novamente para a frente da eliminatória. Um golo que gelou as bancadas do Dragão principalmente pelos festejos efusivos do jogador.

Na segunda parte, foram novamente os portistas a entrar melhor e, poucos minutos depois, Marega voltou a dar ânimo aos adeptos com o segundo golo para o FC Porto. A vencer, mas ainda assim com a eliminatória empatada, foi a equipa de Sérgio Conceição que correu atrás do resultado, mas algum desacerto e nervosismo impediram o golo. Até ao final dos 90 minutos, o marcador não voltou a sofrer alterações e a eliminatória foi decidida no prolongamento.

Nessa fase do jogo, com os adeptos a apoiar a equipa de forma efusiva, foi o AS Roma a ter duas oportunidades de golo flagrantes através de Dzeko, que esteve muito perto de marcar, após dois erros defensivos do FC Porto.

Os nervos apoderaram-se das duas equipas e foram os italianos que cometeram um deslize, com Florenzi a comentar uma grande penalidade, depois de agarrar Fernando Andrade na grande área. Debaixo de muita pressão, o brasileiro Alex Telles foi chamado a bater e não vacilou. O lateral esquerdo portista marcou a grande penalidade e carimbou assim a passagem do FC Porto aos quartos-de-final da Liga dos Campeões.

No entanto, e depois deste jogo bastante emotivo, a equipa portista acabaria eliminada pelo Liverpool FC na fase seguinte.

Olheiro BnR: Eduardo Camavinga

Se há cerca de um ano atrás o nome “Camavinga” não era reconhecido pela generalidade dos adeptos de futebol, hoje o cenário é bastante diferente! Eduardo, de seu nome próprio, tem 17 anos de idade (sim, só) e é a maior promessa de todo o futebol africano na atualidade.

Nascido em Angola, mudou-se para França com apenas um ano, onde descobriu a paixão pelo futebol. Aos cinco anos, começou a jogar no Drapeau Fougères, clube onde foi “pescado” pelo Stade Rennais, em 2013. Desde então que atua no clube da Bretanha, onde teve uma ascensão meteórica durante a temporada passada. No espaço de nove meses, passou da equipa de sub17 ao plantel principal, onde se estreou em abril de 2019. Cerca de um mês depois do primeiro jogo, já era titular na formação de Julien Stéphan e com papel de destaque.

A temporada atual, até ao momento da paragem forçada, estava a ser a de afirmação do centrocampista ainda adolescente. Com já 35 jogos disputados em cinco competições diferentes, Camavinga apontou o seu primeiro golo como profissional na Liga Francesa, ao dar a vitória à sua equipa no terreno do Lyon. Todavia, não é pela capacidade finalizadora (que nem é das suas características mais desenvolvidas) que tem chamado a atenção do mundo do futebol. Em campo, o médio canhoto faz-se notar através da brilhante leitura do jogo que consegue fazer em poucos segundos, a que alia a extraordinária capacidade de passe que demonstra em todas as partidas.

A capacidade de passe do jovem franco-angolano é foco de atração em todos os encontros que disputa
Fonte: Stade Rennais FC

Em tão tenra idade e com exibições tão convincentes, tem sido apontado a vários gigantes do futebol mundial, naturalmente. Apesar de ter renovado com o Rennes no verão de 2019, prolongando o vínculo até 2022, o jovem médio tem sido fortemente ligado a uma transferência para o Real Madrid, como alternativa direta a Casemiro. Também esteve durante vários meses relacionado com o Barcelona, mas os alegados 50 milhões de euros que o Rennes pretende conseguir com a venda do seu passe fizeram o clube “blaugrana” sair de cena.

A nível de seleções, Eduardo Camavinga tem o futuro em aberto. Detentor de dupla nacionalidade, francesa e angolana, é já internacional sub21 pelos “gauleses”, mas não está ainda comprometido com nenhuma das duas nações. Se o seu crescimento continuar como até agora e chegar ao patamar que se prevê, o mais natural é que seja internacional por França. No entanto, caso o seu lado emocional esteja “preso” a Angola, tal fator pode jogar a favor dos “palancas negras”, pelo que a sua carreira nos palcos internacionais permanece uma incógnita.

O futuro prevê-se brilhante para o jovem atleta, que é ainda um “diamante em bruto”. Uma possível ida para o Real Madrid poderia ser bastante benéfica para o crescimento de Camavinga, uma vez que estaria a crescer junto de vários dos melhores jogadores do mundo e, com companheiros e treinadores franceses, a adaptação seria facilitada. Ainda assim, caso não se transfira para Espanha, não deve ser aguentado pelo Rennes por muito mais tempo. A sua qualidade é inegável e, caso tudo corra pelo melhor, estamos perante um dos melhores talentos da sua geração. 

Que jogos devo rever nesta quarentena? Manchester United FC 2-1 FC Bayern Munchen, Final da Liga dos Campeões 1999

Até ao lavar dos cestos é vindima, o primeiro milho é para os pardais, quem ri por último ri melhor, a esperança é a última a morrer, os últimos são os primeiros. Deixo-lhe um desafio: decore estes provérbios e no final do artigo escolha qual se adequa mais a este jogo.

A final da Liga dos Campeões de 1999 ficará para sempre na história como a final ganha em tempo de descontos, a reviravolta das reviravoltas. Manchester United e Bayern Munchen enfrentaram-se num Camp Nou a transbordar com 90.000 adeptos a dizer presente. Com Pierluigi Colina no apito, o Bayern tem uma entrada fulminante no jogo e adianta-se logo aos cinco minutos por intermédio de Basler, na cobrança de um livre direto à entrada da área.

O Manchester United chega a esta final bastante desfalcado no meio-campo, devido às ausências dos castigados Roy Keane e Paul Scholes. Não é por isso de estranhar que a equipa perca a batalha na linha intermédia e veja jogadores como Matthäus, Effenberg e Jeremies ocupar essa zona e ditar a lei.

Se as ausências forçadas no Bayern não se notavam tanto (Lizarazu e Élber, ambos lesionados), as do Manchester eram por demais evidentes. A equipa estava demasiado dependente das iniciativas de David Beckham, neste dia a jogar mais no centro do terreno, mas o 7 inglês tinha dificuldade em soltar-se da marcação do adversário. Por outro lado, a defesa de cinco homens do Bayern (Matthäus como líbero juntava-se aos quatro defesas no momento defensivo) ia apagando Andy Cole e Dwight Yorke do jogo. Apesar da maior posse de bola, o United não consegue chegar ao empate e vê o Bayern lançar vários contra-ataques perigosos.

No segundo tempo, com os minutos a passarem, Alex Ferguson percebe que precisa de mexer com o jogo. A verdade é que o técnico escocês consegue, do banco, mudar a história desta final, com duas substituições que viram o tabuleiro a seu favor e a cidade de Manchester de pernas para o ar. Sheringham entra aos 67’ e empata o jogo aos 90+1’, num canto em que até Schemeichel sobe à área adversária.

Sheringham empatou aos 90+1’ e fez a assistência para o golo da vitória aos 90+3’
Fonte: Manchester United FC

A euforia é total do lado inglês, ainda maior é a desilusão do lado dos alemães. Enquanto o Bayern se está a refazer do golo sofrido, o United já está de novo ao ataque e conquista mais um canto a seu favor. Beckham volta a bater para a área, Sheringham assiste e Solskjaer faz o golo da vitória aos 90+3’, ele que tinha entrado a dez minutos do fim. O “baby faced assassin” fez jus ao nome e assassinou as expetativas dos adeptos alemães, trazendo a glória e o rejúbilo aos milhares de adeptos do United em Camp Nou.

O Manchester United esteve a perder desde os cinco minutos de jogo mas, com dois golos no período de descontos, deu a volta ao jogo e levou a “orelhuda” para Manchester. Há até relatos de adeptos ingleses que, na euforia dos festejos do primeiro golo, não se aperceberam do golo de Solskjaer logo a seguir e, por isso, quando Colina apitou para o final, pensaram que vinha aí prolongamento.

Outro facto insólito é o de Lennart Johansson, Presidente da UEFA nessa altura, sair da bancada e descer ao relvado para entregar a taça ao vencedor ainda antes de Sheringham fazer o empate. Quando efetivamente chega ao relvado, o jogo está terminado e Johansson está incrédulo: “Não acredito nisto. Os vencedores estão a chorar e os derrotados estão a dançar.”

O que se passou nesta noite do dia 26 de maio de 1999 mostra-nos que o jogo só está terminado quando o árbitro apita para o fim. E agora o meu desafio: qual dos provérbios melhor ilustra o que se passou nesta final?

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Manchester United FC: Peter Schmeichel, Gary Neville, Jaap Stam, Denis Irwin, Ronny Johnsen, Nicky Butt, Blomqvist (Sheringham, 67’), Ryan Giggs, David Beckham, Andy Cole (Solskjaer, 81’) e Dwight Yorke.

FC Bayern Munchen: Oliver Kahn, Markus Babbel, Kuffour, Linke, Tarnat, Jens Jeremies, Lotar Matthäus (Fink, 80’), Stefan Effenberg, Mario Basler (Salihamidžić, 89’), Jancker e Zickler (Mehmet Scholl, 71’).

Carta aberta à nossa primeira grande paixão: o Futebol

Querido futebol,

Nesta altura complicada graças ao vírus Covid-19, temos de nos agarrar às nossas melhores recordações e tu deste-me algumas das mais felizes; a mim e aos milhões de adeptos que tanto gostam de ti. Sabes porquê que significas tanto para nós? Porque onze meses por ano, durante 90 minutos semanais fazes com que sejamos maiores que nós.

No meu caso, a nossa ligação é fácil de compreender: aprendi a andar para poder correr atrás de uma bola, e desde aí, nunca mais me separei do futebol. Para os restantes milhões de adeptos, a história não é diferente, pois também tiveram em ti, a primeira grande paixão.

Quando nasceste, em meados do século XIX, na Inglaterra (deves ser quase da idade da Rainha) eras só mais um desporto para entreter as elites enfadadas, mas rapidamente a tua alegria se estendeu a todos. Num ápice, o futebol virou a motivação de operários, que suportavam semanas de trabalho árduo para poderem jogar o melhor desporto já inventado, e tornaste-te no orgulho das aldeias desses trabalhadores, que finalmente, tiveram algo que lhes provasse não serem inferiores aos manda-chuvas, uma luz ao fundo do túnel.

Com o passar do tempo, foste crescendo e viajando para todos os continentes, onde conquistaste o coração de milhões de pessoas que, finalmente ganharam algo em que acreditar graças ao futebol. Isso tudo em 200 anos. Hoje em dia e ao contrário do que se diz por aí, és muito mais que 22 pessoas a correr atrás de uma bola e muito mais que um negócio.

Queres ver? Em primeiro lugar, és a motivação de imensas pessoas solitárias, com um trabalho difícil e uma vida monótona, que passam a semana em contagem decrescente para o dia em que o seu clube joga. És também tradição, que os pais gostam de ensinar aos filhos: o amor ao clube, o hino, a cor e os jogadores. És um factor de união, capaz de juntar pessoas que nunca se viram para apoiarem juntas o seu clube ou a selecção.

Quantos apertos de mão e abraços a desconhecidos eu já dei (na pré-pandemia, claro), quando o SL Benfica marca golo, quando o Gil Vicente FC ganha um jogo, ou quando a selecção foi campeã. És solidariedade, quando chamas a atenção para problemas da sociedade, como o racismo, a xenofobia ou a pobreza. És família, porque dás um sentimento de pertença a quem não tem ninguém.

Quando vamos ao estádio, importa pouco quem somos e o que fazemos, só interessa que o nosso apoio empurre 11 guerreiros para a vitória. És obras de arte, como aquela bicicleta do Ronaldo que atropelou uma velha senhora, ou aquele tomahawk do Alex Telles que bateu a resistência do Portimonense SC, ou aquele drible do Trincão, ou aquela arrancada do Nuno Santos, ou aquele cruzamento do Fernando Fonseca, ou aquele corte do Mathieu, ou aquele passe do Gabriel, ou aquela defesa do Cláudio Ramos. És o orgulho de tanta gente que tem pouco mais para sorrir do que ver a sua equipa jogar.

Tens a capacidade extraordinária de nos fazer sentir vivos e de acelerar o nosso ritmo cardíaco, mesmo não estando no relvado a jogar. Quantas vezes já me deste uma alegria desmesurada, como o golo do Júnior Caiçara aos 90 minutos, na meia-final da taça da liga de 2011-2012, ou aquele golo do Éder na final do Euro 2016, ou a Reconquista do SL Benfica no ano passado. E quantas vezes me despedaçaste o coração, quando vi a lenda do Jonas despedir-se dos relvados ou a lenda do Eusébio despedir-se do mundo.

Fazes-nos ser maiores que nós porque os nossos cânticos, as nossas palmas e o nosso apoio incondicional, marcam golos, fazem cortes em cima da linha, vencem jogos e ganham campeonatos. É por isso que ao fim-de-semana, largo tudo para ver os meus a jogar.

Tenho saudades desses 90 minutos, em que ganho uma nova família e fico sem compromissos, problemas e dores de cabeça, de gritar pelo meu clube até ficar sem voz, de desesperar com mais um penalti falhado do Pizzi, de festejar um golo do Sandro Lima, de me arrepiar com o hino da Champions ou com o apoio dos nossos adeptos. Sinto falta do mundo normal, em que ao fim-de-semana, largámos tudo para ver os nossos jogar. Quando voltares, estaremos lá, como sempre. Até lá, vou ficar com saudade, uma palavra tão portuguesa e que tão bem descreve os nossos pensamentos de hoje em dia.

Obrigada por todas as alegrias e tristezas, que nos fazem tanta falta e que nos fazem crescer enquanto seres humanos. Obrigada, sobretudo, por existires. Volta rápido.

Com imensa saudade, de uma adepta que está em contagem decrescente para largar tudo, para poder voltar para ti.