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Olheiro BnR: Xavier

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Uma das revelações desta segunda metade da Primeira Liga é um extremo português que vai brilhando na Ilha da Madeira, mais concretamente Xavier, jovem de 21 anos que até começou a época integrado no Marítimo B, mas que rapidamente atingiu um lugar no onze inicial da equipa agora orientada por Ivo Vieira.

Rápido, desequilibrador e desconcertante, Xavier é claramente uma pérola por lapidar, sendo inegável que estamos perante um jogador com capacidade para, num futuro próximo, dar o salto para uma equipa com outros pergaminhos e, inclusivamente, sonhar com a chegada à “Equipa das Quinas”.

Um filho de Guimarães

António Manuel Pereira Xavier nasceu a 6 de Julho de 1992 em Guimarães e fez toda a sua formação no Vitória local, apenas mudando para o Tourizense, em 2011/12, na transição para o futebol sénior. Aí, na II Divisão B, somou 32 jogos e um golo e conseguiu saltar para a Segunda Liga, curiosamente para representar a equipa secundária do maior rival do Vitória de Guimarães: o Sporting de Braga.

No Braga B, na temporada de 2012/13, somou 25 jogos, mas apenas cinco como titular, mudando-se na época seguinte para o Feirense (24 jogos) e, seis meses depois, para o Leixões (12 jogos), último clube que representou antes de saltar para o Marítimo no Verão de 2014.

Xavier pegou de estaca na equipa insular Fonte: Facebook do Marítimo
Xavier pegou de estaca na equipa insular
Fonte: Facebook do Marítimo

Impacto na B garantiu-lhe o salto

Quando chegou aos insulares, e sabendo os maritimistas que Xavier apenas tinha rotinas de Segunda Liga, pensou-se que seria mais adequado ao jovem de 21 anos que começasse pela porta da equipa B, sendo que este não desmoralizou com a ideia, brilhando com a camisola da equipa B verde-rubra, somando 17 jogos e sete golos, e merecendo a justa promoção à equipa principal.

Aí, aliás, estreou-se a 14 de Dezembro de 2014, num Marítimo-Estoril (0-0) para a 14.ª jornada do campeonato nacional, tendo tido impacto imediato, ao ponto de nunca mais ter voltado ao Marítimo B e já somar 19 jogos e dois golos pela equipa principal do emblema insular.

Extremo veloz e criativo

Xavier é um esquerdino rápido e tecnicista, que se destaca pela sua capacidade de desequilíbrio (que bem sabe utilizar em lances de um contra um), verticalidade, qualidade no passe/cruzamento e boa capacidade de finalização, seja a curta ou longa distância.

Capaz de actuar em qualquer dos flancos, o jovem criativo, ainda assim, atinge a plenitude das suas capacidades a actuar como extremo-esquerdo, uma vez que é canhoto e privilegia dar profundidade ao flanco para procurar constantemente ganhar a linha, ao invés de forçar as diagonais para a zona central.

É de sublinhar, também, que se trata de um jogador tacticamente muito inteligente e abnegado no processo defensivo, características extremamente importantes no futebol moderno e que podem ser um factor crucial para que Xavier, num futuro próximo, consiga dar o salto para um clube com outros pergaminhos. Certo é que, a manter-se esta espiral evolutiva, esse voo será apenas uma questão de tempo.

Foto de capa: Facebook do Marítimo

XXXIV Torneio da Pontinha: Liga dos (Pequenos) Campeões

cab reportagem bola na rede

Para grande parte dos moradores do Bairro Padre Cruz, em Carnide, o fim de semana de Páscoa é já sinónimo de três dias recheados de futebol, com direito a clássicos e derbies e por onde passam algumas das estrelas do futuro do futebol nacional.

Este ano, ainda que sem o glamour de algumas das equipas que normalmente marcam presença neste Torneio Internacional da Pontinha, foi mais uma exibição recheada de bons jogos e jogadores e com uma organização bastante boa, tendo em conta a dimensão deste evento. O Bola na Rede esteve presente nos três dias da competição e em todos os jogos, onde pôde testemunhar em primeira mão o que faz deste Torneio um dos mais prestigiados do Mundo no que diz respeito ao Futebol Infantil.

A acompanhar a equipa da casa, o Clube Atlético e Cultural (CAC), estiveram presentes os três grandes do futebol português, com a curiosidade de todos terem vencido o torneio por oito vezes cada um, o que tornava a vitória na final ainda mais apetecível. De Espanha vieram o Deportivo La Coruña e o Recreativo de Huelva; de Itália os jovens do Perugia; e por fim o A.D. Carmelita, que viajou desde a Costa Rica para participar no Torneio.

Nas bancadas estiveram sempre inúmeras personalidades ligadas ao futebol português; antigos internacionais portugueses como Tamagnini Néné, Fernando Bandeirinha ou Jorge Andrade e até o ex-árbitro Pedro Proença. Durante o torneio, alguns árbitros de primeira categoria também marcaram presença, apitando alguns dos jogos. Duarte Gomes, Hugo Miguel, João Capela e Bruno Paixão assumiram sempre uma postura mais pedagógica, interrompendo as partidas e dialogando com os jovens jogadores.
De louvar também as bancadas sempre animadas por parte das claques de cada um dos clubes presentes; claques essas compostas muitas vezes pelos familiares dos jogadores, que nunca se cansaram de apoiar as equipas, emprestando um tom de festa e animação a este torneio.

No que diz respeito ao torneio em si, o Porto passeou com facilidade durante a fase de grupos, goleando o Depor (5-0), o Carmelita (7-0) e o CAC (5-0). Fábio Silva, ponta de lança dos azuis e brancos, foi um dos destaques destes primeiros jogos da competição, apontando 5 golos nos primeiros dois jogos. Também Bernardo Folha, médio ofensivo dos dragões esteve em particular evidência, não só pelos golos que marcou mas também pela capacidade de passe e inteligência que colocou em campo. Nas restantes equipas deste grupo A, destaque ainda para Jairo Figueiroa e Luís Fernando.

Figueiroa, médio do Deportivo com claras semelhanças na maneira de jogar a Óliver Torres, raramente falhando um passe e com uma protecção de bola muito interessante promete ser um nome a seguir no futuro. Já Luís Fernando, central do CAC, é um jogador baixo para a posição em questão, mas com uma boa capacidade de desarme e antecipação, não sendo de estranhar que após este torneio existam equipas de maior dimensão a mantê-lo debaixo de olho.

O Grupo B desta edição colocava frente a frente os rivais de Lisboa e ainda Perugia e Huelva. Tanto Sporting como Benfica bateram com alguma felicidade os italianos do Perugia, e venceram pela margem mínima os andaluzes do Huelva, deixando o primeiro derby para a última jornada deste grupo, onde o Sporting foi claramente superior ao Benfica, vencendo o jogo por 3-2. De realçar a exibição de Daniel Rodrigues nesta partida. O número 6 do Sporting, jogador com bom porte físico e velocidade mas ainda com melhor controlo de bola, foi anulando o jogo encarnado e levando o Sporting para a frente, criando vários desequilíbrios no meio campo do Benfica.

Do lado encarnado, o melhor destaque desta fase de grupos foi o lateral Rafael Rodrigues, marcador de todas as bolas paradas e um médio com bastante pendor ofensivo. No outro jogo desta última jornada, o Perugia acabou por vencer o Recreativo de Huelva, com o golo transalpino a ser apontado pelo regista Tomaso Finetti, médio evoluído tecnicamente e de remate fácil. Do lado do Huelva, de ressalvar o facto de ser uma equipa muito faltosa, com pouca capacidade para aguentar a pressão e bastante agressiva; o jogador mais em destaque acabou por ser o central José Garcia, mas também ele acabou por não conseguir manter o sangue frio em algumas situações.

sporting torneio da pontinha
O Torneio da Pontinha teve excelentes momentos de futebol e o Bola na Rede esteve presente no evento

Terminada a fase de grupos, foi com naturalidade que os três grandes se apuraram para as meias finais, tendo a companhia do Deportivo de Jairo Figueiroa. No jogo de atribuição do 7.º e 8.º lugares aconteceu o momento mais caricato e negativo do torneiro. Já com o CAC a vencer o jogo por uma bola a zero, um jogador da equipa da casa é rasteirado por um oponente, dando a árbitra Sofia Gama a lei da vantagem.

Os jogadores do CAC, vendo que o seu colega estava lesionado, param o jogo para a entrada da equipa médica, não ficando a bola, todavia, fora de jogo. Os jogadores espanhoís aproveitam esta desconcentração dos jovens do CAC e partem em contra-ataque, com cinco avançados contra apenas dois defesas, marcando assim um golo fácil; um golo legal, que, no entanto, para todos os efeitos, vai contra uma das premissas mais básicas do fair-play. A partida viria a terminar empatada a uma bola e os espanhóis venceriam o desempate por grandes penalidades, um resultado injusto para o CAC e que premeia o anti-jogo demonstrado pelo Huelva.

No quinto lugar da classificação, ficou com inteira naturalidade o Perugia, que bateu os costa-riquenhos dos AD Carmelita por 8-2. Nas meias finais, o Sporting bateu os galegos do Coruña por seis golos sem resposta e o Benfica venceu o Porto por 3-1. No jogo dos leões, o Sporting marcou cedo e acabou por mais uma vez dominar o jogo a meio campo, com os três médios a comandar as operações.

Na outra meia-final, o Benfica mostrou-se superior ao rival, marcando primeiro pelo avançado Henrique Pereira. Os dragões ainda empataram através de um grande golo de Fábio Silva, que com um chapéu de enorme qualidade bateu o guardião encarnado. Ainda assim, as jovens águias não se deixaram esmorecer e marcaram por mais duas vezes, marcando assim lugar na final frente ao Sporting. O destaque desta partida vai para o extremo Filipe Cruz, que conseguiu criar várias ameaças do lado esquerdo do ataque encarnado e acabou por apontar o último golo benfiquista.

Chegámos assim à última tarde do torneio, onde se iria disputar o jogo de atribuição do 3.º e 4.º lugares e a grande final. Na disputa pelo último lugar do pódio, o FC Porto voltou a enfrentar o Deportivo, voltando também a golear os galegos, desta vez por seis a zero. Fábio Silva aumentou ainda mais a sua conta pessoal marcando mais dois golos nesta partida e garantindo o lugar de melhor marcador da competição; no entanto, o destaque vai para o hat-trick de Diogo Silva.

Antes da mais importante partida do torneio, foi altura da homenagem do CAC – através do seu presidente Henrique Marques – ao antigo árbitro internacional Bruno Paixão, e da chegada da bola oficial da final do torneio, que chegou ao recinto através de um desfile de pára-quedismo. Com as equipas perfiladas no terreno de jogo e após ser escutado o Hino Nacional, chegou então a altura da grande final.

Os jovens leões entraram em campo sentindo o peso do favoritismo e não conseguiram nunca dominar o jogo como no primeiro confronto entre as duas equipas. Mérito para o Benfica, que nunca perdeu a sua ideia de jogo e acabou por equilibrar a partida, tendo inclusivamente criado mais perigo do que os rivais. Ainda assim, a partida foi para o intervalo empatada a zero. Na segunda parte, o jogo continuou bastante equilibrado, e foi apenas na sequência de um canto que o Sporting se adiantou no marcador, através do ponta de lança Rodrigo Costa. A resposta encarnada foi imediata, e após um livre do lado esquerdo, Henrique Pereira alcançou a igualdade num cabeceamento sem hipóteses para Raimundo Duarte. O jogo acabou por ficar partido, e com o aproximar do final da partida o nervosismo e ansiedade acabaram por imperar. Foi já a cinco minutos do final da partida que o capitão, Rafael Fernandes, a meias com Gonçalo Batalha, conseguiu marcar o golo decisivo.

De novo através de um livre a meio campo, Batalha coloca a bola perto da linha da pequena área e Rafael Fernandes com um pequeno desvio bate o guarda-redes benfiquista. O jogo chegou ao fim sem mais grandes oportunidades de perigo, com a vitória a sorrir ao Sporting por 2-1. Mérito para a exibição dos jovens encarnados, que conseguiram equilibrar um jogo frente a uma equipa com maior organização e talento que a sua. No entanto, o Sporting acabou por vencer com mérito um torneio onde foi sem dúvida a equipa mais forte e regular.

Por fim, aproveitamos para agradecer ao Clube Atlético e Cultural e a toda a organização pela simpatia com que fomos tratados ao longo destes três dias de competição. Tendo em conta as limitações físicas que existem, ressalvar o óptimo trabalho que têm vindo fazer ao longo destas três décadas, que esperemos que continuem a realizar. Existem algumas questões a ser resolvidas, mas muitos parabéns pelo excelente trabalho realizado. Até para o ano!

Reportagem de:
Filipe Coelho
Ricardo Almeida
Vítor Miguel Gonçalves

Dynamo Kiev – O renascer de um velho gigante adormecido

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Numa entrevista recente a um famoso canal desportivo de língua inglesa, a antiga estrela do Dynamo Kiev e actual treinador do outrora colosso do futebol europeu, Sergei Rebrov, afirmou que em tempos difíceis como aqueles que o seu país actualmente atravessa, o futebol proporciona uma espécie de lufada de ar fresco nas vidas das pessoas, que têm sido atormentadas pela sangrenta guerra civil que continua a assolar o país.

Em contraste com aquilo que tem vindo a acontecer naquela antiga república Soviética, Sergei Rebrov, desde que assumiu o leme da equipa em Abril do ano passado (rendendo Oleg Blokhin, outra lenda do clube e do futebol soviético), tem feito renascer o velho gigante adormecido quer no plano nacional, quer no plano internacional. É legitimo dizer-se que este novo Dynamo está ainda muito distante daquele que, sob a batuta do lendário Valeriy Lobanovksiy, venceu a Taça UEFA em 1986 e mesmo daquele que foi derrotado pelo FC Porto na meia-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus um ano depois, mas há, todavia, que saber reconhecer o trabalho de um jovem treinador, que, através de um futebol simples e prático assente num 4-3-3 altamente moldável, está a devolver à equipa ucraniana alguma daquela pujança que há muito parecia perdida.

Sergei Rebrov era um dos meninos de ouro da famosa equipa do Dynamo do final da década de 1990, também ela comandada por Valeriy Lobanovksiy (já na fase final da sua vida) e onde figuravam, entre outros, jogadores como Andriy Schevchenko e Oleksandr Shovkovskiy, que atingiu as meias-finais da Liga dos Campeões em 1999, sendo eliminado pelo poderoso Bayern de Munique.

Rebrov passou de melhor marcador de sempre do campeonato ucraniano a uma “espécie” de herdeiro dos ensinamentos do velho mestre Lobanovskiy e está aos poucos a transportar o Dynamo para uns patamares bem mais elevados do que aqueles, bastante modestos, que a equipa atingiu, por exemplo, nos últimos seis anos. Ao fim de 17 jogos, o “novo” Dynamo de Sergei Rebrov ocupa o primeiro lugar da Liga Ucraniana com 15 vitórias e 3 empates, dez pontos à frente dos seus grandes e maiores rivais, Shakhtar Donetsk (-1 jogo à data deste artigo) e mais oito que o Dnipro.

Sergey Rebrov, o homem que está a fazer renascer o Dynamo Fonte: Facebook do Dynamo Kiev
Sergei Rebrov, o homem que está a fazer renascer o Dynamo
Fonte: Facebook do Dynamo Kiev

Composta por um número significativo de jogadores ucranianos, entre os quais se destacam o versátil avançado Andriy Yarmolenko, o jovem médio Serhiy Sydorchuk e o experiente guarda-redes Oleksandr Shovkovskiy, este Dynamo, renascido das cinzas, conta também com alguns jogadores estrangeiros de boa qualidade, como são os casos dos portugueses Miguel Veloso e Antunes, do internacional holandês Jeremain Lens e do defesa austríaco, actualmente já bastante cobiçado em Inglaterra, Aleksandar Dragovic.

Para além da excelente campanha interna, o Dynamo Kiev está também a puxar pelos galões na Liga Europa, onde, após ter eliminado os ingleses do Everton no mês passado, conquistou um lugar nos quartos-de-final da competição, onde irá enfrentar a sempre imprevisível Fiorentina de Vincenzo Montella. Foi precisamente no jogo da segunda mão contra os ingleses que o defesa esquerdo português ex-Málaga, Antunes, deixou a sua marca com um disparo do meio da rua que deu origem ao quinto golo da equipa Ucraniana.

O futebol consegue, frequentemente, atirar para o baú do esquecimento equipas como o Dynamo Kiev, que muito contribuíram, especialmente durante a década de 1980, para o desenvolvimento táctico e técnico da modalidade, sendo por isso sempre importante relembrar que também se joga bom futebol para além das fronteiras das grandes ligas Europeias e que equipas como este Dynamo poderão ainda voltar a ter uma palavra a dizer no futuro próximo.

Foto de Capa: Facebook do Dynamo Kiev

UFC Fight Night 63: Mendes vs Lamas – o (vice) Rei dos Peso Pena

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Chad Mendes criou um problema neste passado sábado. Mendes lutou contra Ricardo Lamas, o adversário que muitos (seja por questões promocionais ou não) consideravam ser o seu mais difícil, à parte do campeão José Aldo, com quem Mendes já por duas vezes saiu derrotado. Resolvida a questão Lamas, muitas outras se levantaram.

Antes de nos debruçarmos sobre estas questões, analisaremos o evento: o primeiro combate do cartaz principal deu-lhe um bom começo. Dustin Poirier, actual número 6 no ranking de Peso Pena, regressou à categoria de Peso Leve, na qual já tinha combatido no WEC, e disse sentir-se mais confortável, para enfrentar Diego Ferreira, que vinha de uma derrota, a primeira, contra Beneil Dariush. Ferreira entrou com pressão, à qual Poirier respondeu com duas boas direitas. Após um momento de clinch na rede e algumas trocas, Poirier acertou uma esquerda que teve efeito visível em Ferreira, que procurou levar o jogo para o chão como forma de se defender, algo que acabou por não resultar. Poirier acertou uma combinação que abalou Ferreira, golpeando Ferreira através da sua meia guarda até o árbitro parar o combate, aos 3:45 da primeira ronda. Boa estreia na categoria, na UFC, para Poirier.

A este combate seguiu-se o confronto entre um favorito dos fãs, Clay Guida, contra Robbie Peralta. Todo o combate entre estes Peso Pena foi unidirecional, pelo que há pouco mais a dizer: Guida dominou Peralta através do seu wrestling ronda após ronda, ao som dos cânticos do público, conseguindo algumas projecções visualmente impressionantes. De Peralta pouco se viu, tirando nos breves momentos em que o combate decorria em pé. Guida tratou de que isso acontecesse poucas vezes, pelo que Robbie “Problems” Peralta não mostrou ser um grande problema para Guida. No final, este venceu, justamente, por decisão unânime.

Legenda: Juliana Pena (calções amarelos) regressou ao octógono após lesão de forma dominante e pronta para finalmente se afirmar como alguém a temer na sua divisão Fonte: Ufc.com
Juliana Pena (calções amarelos) regressou ao octógono após lesão de forma dominante e pronta para finalmente se afirmar como alguém a temer na sua divisão
Fonte: UFC

No terceiro combate da noite tivemos o regresso da vencedora do TUF 15, Julianna Pena, que esteve afastada do octógono durante quase dois anos, após uma lesão no joelho. Era, portanto, difícil de prever qual seria o estado e a forma de Pena, uma questão para a qual rapidamente se obteve resposta, neste combate contra Milana Dudieva. A russa tentou uma projecção, que Pena defendeu, e acabou por levar o combate para a rede, conseguindo mais tarde aquilo que inicialmente tentou. Na confusão, Pena tentou uma chave de braço, acabando por se levantar dado o insucesso da manobra. De seguida, Pena conseguiu raspar Dudieva, passar para a montada e usar o seu ground and pound, dando alguns socos de martelo e cotoveladas. Dudieva tentou escapar-se da montada, mas Pena rapidamente repôs. A russa nunca se conseguiu defender de Pena, acabando por perder o combate por paragem do árbitro, aos 3:59 da primeira ronda. Pena voltou saudável e com vontade de confirmar o estatuto como uma das promessas da categoria de Peso Galo feminino, dominada pela mega-estrela Ronda Rousey.

Michael Chiesa, outro vencedor do TUF 15, e Mitch Clarke opuseram-se no quarto combate do cartaz principal. Clarke, infelizmente para ele e para o combate, “acordou” para este demasiado tarde. Na primeira ronda pouco fez para parar Chiesa, com excepção para alguns clinches na rede e defesas de ataques. A primeira ronda foi, portanto, para Chiesa, que conseguiu algumas projecções e acertou alguns golpes. Na segunda ronda pouco mais para além do mesmo da primeira. Na terceira, no entanto, Clarke, talvez por saber que estava a perder nos cartões de pontuação, procurou levar a luta a Chiesa, algo que deveria ter feito desde início. Conseguiu acertar algumas sequências, aproveitando-se do cansaço de Chiesa, que, mesmo assim, conseguiu marcar alguns pontos. Terminada a ronda, era fácil de prever o resultado, que acabou por se confirmar: vitória para Michael Chiesa por decisão unânime. Certamente esperará entrar para o ranking de Peso Leve num futuro próximo e lutar contra um adversário de perfil mais elevado.

O co-evento principal ficou marcado pela controvérsia do resultado final. Os Peso Leve Jorge Masvidal, número 14 do ranking, e Al Iaquinta, número 15 do ranking, lutaram também eles por uma subida neste mesmo, que lhes pudesse garantir lutas de perfil mais elevado – Masvidal tinha mesmo como adversário previsto Benson Henderson, ex-campeão da categoria. E, de facto, Masvidal entrou na luta como se fosse lutar com um ex-campeão, não dando chances a Iaquinta de impor o seu jogo, usando a sua vantagem de envergadura para conectar algumas combinações, com destaque para dois jabs e uma direita que abalaram Iaquinta, que acabou a ronda com um corte feio na maçã do rosto.

Na segunda ronda, Masvidal entrou mais calculista, sempre mantendo a distância que a sua vantagem de envergadura lhe permitia, apostando em counters às investidas de Iaquinta, que procurou algumas projecções, mas sem sucesso. À entrada para a terceira ronda, Masvidal tinha vantagem a nível de golpes acertados e 100% de defesa de projecções, ou seja, tinha sido sempre superior nas duas anteriores rondas. Na terceira, Al Iaquinta foi claramente superior, acertando uns pontapés à zona inferior do corpo e umas combinações de socos, mantendo sempre a pressão alta. Apesar da melhor prestação nessa ronda, não seria o suficiente para vencer Masvidal. Mas a verdade é que, na hora da decisão do júri, a vitória foi entregue a Iaquinta… Para choque de todos no recinto. A decisão e Iaquinta receberam fortes apupos do público, que mereceu uma resposta deste último, que disse não merecer essa reacção após ter trabalhado tanto, culminando num bastante explícito “f’ you”.

Chad Mendes (calções vermelhos) venceu facilmente Lamas e confirmou o seu estatuto de segundo-melhor Peso Pena da UFC  Fonte: Ufc.com
Chad Mendes (calções vermelhos) venceu facilmente Lamas e confirmou o seu estatuto de segundo-melhor Peso Pena da UFC
Fonte: UFC

A controvérsia do penúltimo combate da noite aqueceu o público para um evento principal que viria a ser o culminar perfeito para este Fight Night. Chad Mendes, número 1 do ranking, e Ricardo Lamas, número quatro, opuseram-se num combate que provavelmente viria a decidir quem seria o próximo a combater pelo título de Peso Pena. Chad Mendes foi rápido a resolver essa questão: começou a ronda a, como o próprio disse, sentir o adversário, os golpes, o ritmo. Feita essa introdução, partiu imediatamente para a conclusão. Desferiu uma direita que derrubou Lamas, passando imediatamente para o ground and pound. Lamas conseguiu escapar, ainda que a cambalear, só para cair novamente e provar mais do mesmo. Novamente, afastou-se e caiu. Continuou a ser golpeado por Mendes, que só parou quando o árbitro assim o entendeu. Em 2 minutos e 45 Mendes segurou o estatuto de ameaça-maior a José Aldo.

Esta vitória coloca Mendes novamente na rota do título, o qual Conor McGregor tentará tirar das mãos de Aldo em Julho, no UFC 189. As duas derrotas de Mendes contra Aldo fazem-nos questionar sobre se este merece uma nova oportunidade contra o actual campeão tão cedo, ou se terá o que é preciso para ser o primeiro a derrotar McGregor na UFC, se este vencer Aldo pelo título. Como será, afinal, ele capaz se nem o homem que por duas vezes o venceu conseguiu fazê-lo? Este combate deveria ter acontecido após o combate entre o  campeão brasileiro e o irlandês pelo título, pois só aí se poderá traçar um futuro para Mendes, que, até lá, vai ficar no limbo. Esperemos até Julho.

Foto de Capa: UFC

FC Porto 5-0 Estoril: O condão de Harry Potter

Pronúncia do Norte

Um jogo de sentido único – assim se pode sintetizar aquilo a que 29.230 espectadores assistiram hoje no Dragão. Após os desaires na Madeira – o empate contra o Nacional para o campeonato e a eliminação da Taça da Liga pelo Marítimo -, os pupilos de Lopetegui não podiam dar-se ao luxo de claudicar. E assim aconteceu – o FC Porto marcou cinco golos e geriu o jogo; o Estoril fez zero remates (a SportTV conseguiu contabilizar um, eu não) e só chegou ao primeiro canto nos descontos de tempo. É este o espelho de noventa minutos.

O FC Porto começou por cima. Não de rompante, que o Estoril até jogou com três centrais nos primeiros 5/10 minutos e o FC Porto até atacou de forma relativamente lenta e previsível no início do jogo, mas por cima. Bailando sobre a defesa dentro da área, foi Brahimi o primeiro a dar um chuto na monotonia – um chuto que ia dando o primeiro da partida, não fosse Vagner a fazer a mancha -, estavam decorridos 15 minutos.

Uns quantos ataques mais tarde, Quaresma começou a abrir definitivamente o livro: “partiu” Ruben Fernandes, levou o lateral esquerdo do Estoril a recorrer à “tesourada” para o travar à entrada da área e o árbitro a mostrar a este último um cartão amarelo que o condicionaria no resto da partida. É que, depois disso, Quaresma fez o que quis. Só na primeira parte: fintas com fartura, um ou outro centro disparatado e… duas assistências para golo. Ao intervalo, 2-0. Óliver (30′) e Aboubakar (45′) só tiveram de encostar para o fundo das redes dois cruzamentos praticamente iguais, ao segundo poste.

No regresso dos balneários, mais Harry Potter. Desta vez não assistiu, mas marcou – primeiro convertendo um penalty inexistente sobre Brahimi (não há dúvidas em relação à existência de falta, poucas dúvidas restarão de que ela é cometida fora da grande área), depois batendo o guarda-redes canarinho no um para um e atirando para fixar o marcador nos 5-0 (embora pareça ter havido uma falta na recuperação de bola). Pelo meio, o melhor de todos os golos: Danilo recebeu sobre a direita, tabelou com Hernâni à procura do espaço interior, entregou a Aboubakar e o camaronês usou o calcanhar para servir o capitão portista: olhando para o lado, qual Ronaldinho, Danilo finalizou com classe.

No duelo de capitães brasileiros, o lateral portista levou a melhor  Fonte: Facebook do FC Porto
No duelo de capitães brasileiros, o lateral portista levou a melhor
Fonte: Facebook do FC Porto

Sem deslumbrar, o FC Porto voltou às vitórias e cumpriu a sua obrigação. Não permitiu veleidades ao adversário; dominou, controlou e geriu a partida. Aboubakar voltou a marcar (até agora, marcou sempre que foi titular no Dragão), os jovens Ruben Neves, Hernâni e Quintero tiveram mais minutos, Herrera e Óliver puderam descansar, o Harry Potter impôs um Avada Kedavra a um Estoril debilitado. O próximo duelo é no Estádio dos Arcos, em Vila do Conde, e o Rio Ave já provou na última jornada que é uma equipa venenosa – é imperial triunfar no último compromisso antes dos quartos-de-final da Liga dos Campeões para mostrar que os fantasmas da Madeira já lá vão!

A Figura

Ricardo Quaresma – toda a defesa fez um jogo irrepreensível (e tranquilo), Óliver espalhou classe e Brahimi teve alguns fogachos, mas não há como não nomear Ricardo Quaresma o melhor da partida – dois golos, duas assistências e a atitude certa.

O Fora-de-Jogo

Hernâni – só porque ninguém esteve particularmente mal e o extremo português mostrou demasiado nervosismo, decidindo quase sempre mal ao longo da meia hora que jogou na segunda parte.

Renovar ou virar a página?

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raçaquerer

Pode dizer-se que Jorge Jesus consegue extremar as opiniões dentro do universo encarnado. Ou se idolatra ou se odeia. Para os benfiquistas que veneram o seu treinador, a questão da renovação nem sequer é um assunto: Jorge Jesus deve continuar aconteça o que acontecer na reta final da temporada. Para os outros, é tempo de mudar o ciclo, de mostrar gratidão em relação ao técnico, mas sobretudo é tempo de trazer para a Luz alguém com ideias novas, que consiga consolidar o crescimento do Benfica a nível interno e o fortalecimento em termos europeus. Depois ainda há um terceiro grupo, onde eu me incluo juntamente, ao que parece, com o presidente Vieira, que pensa que a renovação deve avançar apenas se a equipa se sagrar campeã nacional.

Se olharmos para os títulos da era Jesus, o cenário não é positivo: dois campeonatos nacionais, uma Taça de Portugal, cinco Taças da Liga e uma Supertaça em cinco épocas completas é um palmarés que fica aquém das expetativas dos adeptos, principalmente da parte dos que não são a favor da continuação de Jorge Jesus. Estes criticam a forma como a equipa deixou escapar, já na reta final do campeonato, os títulos em 2012 e, principalmente, em 2013. Questionam as opções do treinador nos jogos em que a equipa se encontra em desvantagem e também em algumas partidas decisivas. Não perdoam as derrotas nas finais da Liga Europa nem a falta de aposta em jogadores vindos da formação. Reprovam a forma, por vezes arrogante, com que JJ se dirige aos jornalistas e também a sua postura no banco.

Jorge Jesus recuperou o apoio de uma parte dos adeptos depois do triplete da última época; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Jorge Jesus recuperou o apoio de uma parte dos adeptos depois do triplete da última época;
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Para aqueles que prezam a estabilidade e cuja confiança no treinador saiu fortalecida com o triplete de 2013/2014, Luís Filipe Vieira deveria apresentar o mais rapidamente possível uma proposta de renovação a Jesus, antes que chegue ao técnico uma proposta irrecusável de um grande colosso europeu ou então um contrato milionário das Arábias (embora este último cenário seja menos provável, uma vez que, segundo algumas notícias, Jesus já declinou vários convites deste tipo, mostrando que, para ele, o dinheiro não é uma prioridade). Para além disso, deve-se valorizar a forma como Jesus conseguiu colocar o Benfica a lutar pelo título de campeão todos os anos (com exceção da época 2010/2011), tendo ganhado dois campeonatos, e o facto de a equipa ter recuperado o seu prestígio na Europa. Para esta parte dos adeptos, as derrotas com Chelsea e Sevilha não beliscam o processo de reafirmação do clube nos grandes palcos europeus. Por outro lado, preferem destacar a experiência do treinador ao comando da equipa nos momentos de grande pressão e a forma como JJ valoriza os jogadores, ajudando o clube a encaixar umas indispensáveis dezenas de milhões de euros em vendas e principalmente a sua capacidade em colmatar, quase sempre com apostas certeiras, as posições deixadas vagas no onze.

De acordo com um inquérito lançado no mês passado pelo jornal Record, 60% dos leitores defendem a renovação do contrato, e os restantes 40% não concordam com a continuidade de Jesus. Aparentemente, Vieira ainda não decidiu o que vai fazer e, se já o fez, o futuro do treinador tem estado bem guardado. Embora pareça escusado tentar prever a decisão do presidente (no final da época 2012/2013, parecia certa a saída de Jesus, mas Vieira acabou por acenar com um contrato de dois anos, que acabará a 30 de junho), o que parece inevitável é uma revisão em baixa do salário anual do técnico, que se afigura cada vez mais incomportável para a SAD.

Inglaterra como exemplo, mais uma vez

futebol nacional cabeçalho

Entre a amostra total de adeptos do futebol nacional, são uma minoria aqueles que privilegiam as cores dos clubes da sua terra sobre as de qualquer um dos chamados três grandes. Em Coimbra encontrar-se-ão vários “sofredores” da Académica ou do União de Coimbra, em Barcelos com certeza se encontra gente exclusivamente afecta ao Gil Vicente, e em Penafiel não faltará gente com o coração exclusivamente vermelho e preto. Porém, infelizmente, não há muita gente assim, e os clubes ressentem-se, porque as assistências ao Domingo à tarde são ridiculamente baixas, principalmente para clubes como a Académica ou o Beira-Mar, que são representativos de cidades com relativo dinamismo económico, têm à volta de uma centena de milhar de habitantes (143 mil em Coimbra e 78 mil em Aveiro, segundo os Census de 2011) e dispõem de boas e abundantes (30 mil lugares disponíveis) condições de acomodação dos seus adeptos.

Na corrente temporada, ao Municipal de Coimbra foram 75 mil adeptos, metade da população da cidade (aliás, menos, porque, obviamente, há adeptos que repetem a sua presença), fazendo a taxa média de ocupação ficar-se pelos 15,94%, dados os 4741 adeptos, em média, por jogo, que acompanham os jogos da Briosa. No Municipal de Aveiro, o caso é mais grave – o estádio tem disponibilidade para acolher 30 mil adeptos mas, em média, por jogo disputado, só lá vão 661 (!!). 2,38% de taxa média de ocupação. Números, todos eles, retirados do site da Liga, organismo que, por ser fornecedor dos mesmos, terá conhecimento deles e que, apesar de ser competente para alterar esta tendência, ainda nada de efectivo fez para a alterar.

Não me conformo em ver o futebol português assim. Muito tem que mudar. E não só a Liga, com a longa batalha dos direitos televisivos, mas também os próprios clubes. Os departamentos de marketing e comunicação têm de deixar de servir de tachos para o compadrio, de forma a promover-se o futebol como fonte de emoções que mais nenhum espectáculo pode proporcionar, o preço dos bilhetes tem de baixar e as iniciativas de ida ao estádio têm de aumentar, não é difícil implementar o modelo básico da “amostra grátis” para que o consumidor experimente, primeiro, todo o ambiente e toda a adrenalina que um jogo de futebol pode proporcionar, para ficar “agarrado” e repetir a presença, mesmo tendo de pagar por essa experiência. As tesourarias, estou certo, sem ter de encomendar grandes estudos sobre o assunto, não se ressentiriam de forma grave no curto prazo, e a tendência de crescimento, com o contágio próprio que um desporto ou um clube pode ter numa localidade, seria evidente no longo prazo.

BnR Coimbra
Sexta-feira passada, no Municipal de Coimbra, 3928 pessoas assistiram ao Académica – Rio Ave. Ficaram 26072 lugares por ocupar

Assim dar-se-ia um passo rumo àquilo que se toma como exemplo e se vê nos jogos da Bundesliga ou da Premier League, com taxas de ocupação quase sempre acima dos 90% em todos os jogos da competição. Assim, a Liga e os clubes teriam margem de negociação quer perante o monopólio dos direitos televisivos detido em Portugal quer perante o emergente mercado asiático, que tão bem paga, para negociar direitos televisivos dos jogos da competição.

As mentalidades mudam-se, mesmo em povos teimosos e fiéis às preferências e à rotina estabelecida como é o português, e acredito que essa seja a via para o sucesso (quer a nível local, com a aproximação ao clube da cidade, como já se verifica, por exemplo, em Braga e, sobretudo, em Guimarães; quer a nível corporativo, com a introdução do profissionalismo nas decisões relacionadas com departamentos de marketing e comunicação e com a destruição definitiva do monopólio dos direitos das transmissões de jogos), para que daqui a uns anos haja um grupo de amigos, em Inglaterra, tão entusiasmado por assistir a um derby da Linha entre Belenenses e Estoril quanto eu estava, neste Domingo de Páscoa, para assistir ao Tyne-Wear derby entre Sunderland e Newcastle. Inglaterra como exemplo, mais uma vez.

Foto de Capa: Facebook do Sunderland

Before the midnight

diva de alvalade catarina

Não sei bem o que o futuro nos espera. O mundo anda louco, as pessoas loucas andam, a comunidade oscila entre ser a origem da loucura ou deixar-se contaminar por aquela que lhe é exógena.

Sempre fui fã maior do planeamento. De um planeamento estratégico. Das pessoas que não só sabem onde querem chegar, como sabem arquitectar os caminhos a percorrer, no entretanto. Que o percorrem, efectivamente. Ainda mais daquelas que o fazem com dignidade. Com elevação. Aqueles que escolhem repercutir, em cada pequeno passo que dão, os bons valores que (ainda) existem. Os que não passam por cima de ninguém e que percebem que, se sozinhos chegamos mais rápido, juntos chegamos mais longe.

Alvalade é uma Escola de bons valores. Nós criámos – e criamos – alguns dos maiores talentos desportivos, para lá de futebolísticos, deste mundo. Criámo-los de forma sustentada, tornámo-los homens e depois oferecemos-lhes o mundo. Contudo, olhando para trás, não consigo não achar que falhámos – quase sempre – num dos momentos mais importantes do planeamento: o momento de dar o salto, de fazer render, de consolidar o valor, de ser excelente de forma não só contínua como, sobretudo, sustentada. Esta última fase do crescimento, se virem bem, deixámos sempre ao cuidado de terceiros.

Isto é – sempre foi, a meu ver -, um dos critérios maiores da distinção entre os bons e os excelentes. Nós temos de nos tornar sustentadamente excelentes. Nós somos o Sporting. Não podemos continuar a viver na dimensão do “quase”, do “quase que lá chegámos” em que vivemos desde que me lembro de existir.

Nós temos a obrigação, até o “devir”, de fazer acontecer. Com as armas que temos, que são muitas, e boas. A diferença das nossas armas é essa: vêm de dentro, não as importamos, não nos apoderamos do que não é nosso. São prata da casa que, até agora, só se tornaram ouro quando saídas de Alvalade.

Este é o nosso desafio maior a médio prazo: encher os cofres – entenda-se, primeiramente os relvados – com barras de ouro, e não com tustos de latão, como até agora temos feito.

Precisamos de nos socorrer do tal planeamento de que há pouco falava.

Quando Bruno foi eleito, lembro-me de comentar que esse planeamento, à época uma necessidade ainda mais premente, não podia ser feito a 1/2 anos, mas devia, antes, ser feito a 5/8 anos. Com confiança nas estruturas, nas bases, nas rotinas que se criam. Que têm de ser de excelência, ainda que essa excelência não chegue para, no imediato, levar de vencidos os milhões de que outros dispõem.

Este é um sentimento ambíguo: se, por um lado, temos de dar oportunidade aos nossos pequenos para se tornarem, errando se preciso for, grandes, por outro vivemos sob a necessidade de apresentar resultados. Vitórias.

Por muito que me custe dizê-lo, parece-me que na próxima época viveremos esta ambiguidade como nunca. Espero estar enganada, evidentemente, mas não posso chegar a outra conclusão face aos (parcos) indícios que vão surgindo. Não teremos Nani, provavelmente não teremos La Culebra, e Slimani também está no mercado. Pior do que isso, não temos in house quem ocupe, indiscutivelmente e com qualidade, os seus lugares, e ainda menos dispomos de meios para ir ao mercado buscar indiscutíveis.

Posto isto, resta-me contar-vos um dos meus piores defeitos: no fundo, bem lá no fundo, sou uma optimista (ainda não percebi bem porquê….). Eu acredito no futuro. Eu acredito – tenho de acreditar – no nosso crescimento. Sustentado. Equilibrado. Contínuo.

Mais do que isso, eu tenho de acreditar que os meus filhos vão crescer a ver o Sporting vencer de forma reiterada. Como eu não cresci. Como os meus netos crescerão, espero (e acredito). E aí, nós vamos rejubilar a dobrar. É esse um dos dias que eu mais quero ver chegar. Sempre quis.

É esse o dia em que eu vou acordar, olhar para cima e dizer: ” Obrigada, Avô, por me ensinares esta coisa tão diferente que é ser Sporting.”

SL, 1906

Foto de capa: Sporting.pt

Que futuro para a Fórmula 1?

cab desportos motorizados

A Fórmula 1 (F1) já não é o que era. Esta frase resume o pensamento de muita gente que gosta da categoria rainha do desporto motorizado, e o sentimento quase aumenta de dia para dia. Longe vão os tempos em que a F1 reunia os melhores pilotos, e mesmo alguns com carros próprios, e não aqueles com mais capacidade financeira, que, através de patrocinadores, compram o seu lugar nas equipas.

A juntar a isto estamos a assistir a uma cada vez maior desertificação das provas europeias no seu calendário, provas estas que marcam a história da competição e que são as que mais gozo dão à grande maioria dos pilotos, precisamente por serem os lugares clássicos da competição.

Este artigo está a ser escrito na sequência da saída do GP da Alemanha do calendário de 2015, uma das provas com mais história e tradição. A prova começou a contar para o mundial em 1951 – o mundial começou em 1950 – e desde esta data apenas três vezes não se realizou. Mas porque sai a prova do calendário? Porque, para haver a prova, a organização tinha de pagar 16 milhões de euros.

A competição, que é gerida desde os anos 70 por Bernie Ecclestone, de 84 anos, tem vindo a mudar o seu espaço geográfico no que toca a provas, indo cada vez mais para os locais onde o petróleo impera e que querem promover os seus territórios, podendo pagar assim os elevados custos que Ecclestone exige para a assinatura do contrato de realização da prova.

Mas sendo da Europa a grande maioria das equipas presentes – só a Force India não é -, e sendo os motores igualmente quase todos de construtores europeus – só os motores Honda da McLaren não são -, e ainda sendo 15 dos 20 pilotos do continente europeu, qual é a lógica da ida deste campeonato para estes mercados sem qualquer história na modalidade e que só estão neste calendário devido ao dinheiro que podem pagar em relação a outras economias?

Por outro lado, também têm aparecido provas em mercados apetecíveis para as marcas por estarem em claro desenvolvimento, como o da Rússia, desde 2014, a Índia, de 2011 a 2013, a Coreia do Sul, de 2010 a 2013, ou mesmo a Turquia, entre 2005 e 2011. O interesse das marcas também é algo a ter em conta pois sem elas a competição não existe, é verdade, mas e sem adeptos?

Fonte: Ryan Bayona
Bernie Ecclestone é o atual presidente e CEO da Fórmula 1
Fonte: Ryan Bayona

A Alemanha, que, fora o que já escrevi em cima, é a grande potência económica da Europa, que tem neste momento a equipa mais forte da competição – Mercedes -, dois dos principais pilotos do campeonato – Rosberg e Vettel -, e tem em Michael Schumacher o recordista de quase tudo aquilo de que se pode ter um recorde na competição, não conseguiu manter a sua prova no calendário por motivos económicos. Começam a lançar-se sérias dúvidas sobre o futuro europeu desta competição.

O próximo GP a sair do calendário parece ser Monza. Ecclestone exige 20 milhões/ano para a realização da prova no mítico circuito italiano, que recebe a prova desde 1950, ou seja, desde que existe mundial de F1. Este dinheiro exigido está a ser considerado excessivo por parte dos italianos, que, pagando os 12 milhões/ano do contrato em vigor até este ano, já sentem dificuldades em ser sustentáveis, principalmente nos anos maus da Ferrari.

Mas a situação para a Europa não está para melhorar, pois em 2016 acabam os contratos das provas de Espanha e Bélgica, sendo especialmente a prova belga uma das históricas da competição no mítico circuito de Spa-Francorchamps. Se Monza depende da Ferrari, Espanha depende de Alonso e, como a época não parece vir a ser grande coisa para o espanhol na McLaren-Honda, as contas da prova de Barcelona vão dar resultados negativos novamente. Na Bélgica, espera-se que voltar a haver um holandês entre os pilotos do grande circo ajude na venda de bilhetes e assim conseguir não ter os números no vermelho.

Os tempos que se seguem não parecem vir a ser fáceis para os lados europeus, principalmente enquanto Ecclestone tiver mais interesse em aumentar a sua fortuna do que em respeitar os adeptos europeus de F1. Assim, a competição vai morrendo no velho continente, como se pode ver quer pelo número de pessoas a assistir ao vivo nas provas (fora da Europa, quase todas as provas também registam cada vez menos gente), quer pelos que ficam em frente à televisão a ver.

Foto de Capa: Ungry Young Man

Paços de Ferreira 1-1 Sporting: Passividade do banco custa pontos

rugir do leao duarte

O Sporting jogava em Paços de Ferreira, terreno tradicionalmente difícil para a equipa de Alvalade, sem qualquer tipo de pressão: o Braga, apesar de ter vencido na deslocação a Barcelos, já se encontra a uma distância considerável e alcançar o FC Porto não passa de uma miragem. Posto isto, os comandados de Marco Silva tinham todas as condições para realizar uma partida tranquila; será importante dizer que tal aconteceu, mas apenas durante uma hora do encontro

Marco Silva foi obrigado a mexer na equipa relativamente ao jogo com o Vitória de Guimarães, onde o Sporting venceu a equipa vimaranense por 4-1: Tobias Figueiredo substituiu Paulo Oliveira, que havia sido expulso na jornada anterior; Miguel Lopes, aproveitando o momento menos bom de Cedric, manteve-se no onze. Por último, André Martins teve mais uma oportunidade como titular, fruto de Adrien Silva se encontrar a cumprir castigo. Contudo, e mesmo tendo em conta estas 3 alterações, o Sporting entrou melhor e chegou mesmo à vantagem, com toda a justiça, por intermedio de Slimani, após um belo cruzamento de Nani. O resultado ao intervalo era, assim, justíssimo.

A equipa de Alvalade entrou para o segundo o tempo com vontade de resolver a partida, e até o podia ter feito; João Mário, primeiro, e André Carrillo, depois, deveriam ter sentenciado o encontro. É certo e sabido que no futebol quem não marca sofre. Pois bem, foi exatamente isso que aconteceu. Paulo Fonseca, percebendo que tinha de alterar rapidamente o rumo dos acontecimentos, retirou Sérgio Oliveira e lançou Minhoca. Contrariamente, Marco Silva tardou em mexer na equipa e, consequentemente, esta ressentiu-se. João Mário, certamente vítima de algum desgaste, perde a bola em zona proibida e Rodrigo Galo assina o golo da noite. Daí em diante, o Sporting não foi capaz de criar dificuldades de maior aos pacenses.

O Sporting, mais uma vez nesta temporada, perdeu dois pontos devido à falta de experiencia que a equipa apresenta. Marco Silva foi demasiado lento a ler o jogo e sofreu as consequências disso mesmo. Uma nota bastante positiva para o desempenho da equipa de Paulo Fonseca, que, embora não tenha realizado a melhor das partidas, soube aproveitar as oportunidades que lhe foram surgindo.

Figura

Paulo Fonseca – A equipa melhorou substancialmente após as alterações promovidas pelo treinador pacense. O Paços volta a roubar pontos ao Sporting, alias como já tinha feito em Alvalade.

Fora-de-jogo

Marco Silva – O Sporting apresentou cerca de 60/65 de excelente qualidade, contudo, a quebra foi notória e a passividade do treinador certamente contribuiu para tal. A leitura errada de Marco Silva custou, novamente, pontos ao Sporting.

Foto de capa: FPF