Poucos, incluindo-me nessa categoria, acreditavam que este Chelsea de Mourinho tivesse qualidade suficiente para chegar onde está agora. Pelo menos assim tão rápido. Há pouco tempo escrevi aqui sobre o renascer da Juventus, e o mesmo podemos dizer deste Chelsea. Mas com uma pequena grande diferença: o novo fôlego dos blues deve-se quase inteiramente ao seu special one. José Mourinho nunca deixou de parte o regresso, e, depois de um trajecto não muito bem conseguido em Madrid, foi fácil a decisão de voltar a casa.
Mourinho tornou-se o filho pródigo, e essa época de regresso foi cheia de expectativas mas parca em concretizações. Depois da Liga dos Campeões com Di Matteo, título milagre que salvou um annus horribilis com Villas-Boas, e da Liga Europa com Benítez, os adeptos azuis ansiavam por mais. Ansiavam pela herança que Mourinho tinha deixado. Mas, com um orçamento muitos pontos abaixo do do rival City, o Chelsea não conseguiu melhor do que um terceiro lugar.
O técnico português não deu justificações, acertadamente, e deixou que as vitórias falassem por si. A temporada 2014/15 antevia-se difícil, mas hoje vemos que este é realmente um homem com uma qualidade e conhecimento do futebol inglês acima da média. Sim, Diego Costa e Matic vieram ajudar, mas Mourinho no banco dá uma confiança sem igual aos 11 rapazes vestidos com a cor do céu.
Hazard tem sido decisivo nos blues Fonte: Facebook do Chelsea
Diego Costa desiludiu no Mundial do Brasil, mas dá cartas na Premier League. Outra decisão acertada do técnico português foi Matic, que saltou imediatamente para a titularidade e assegura hoje o meio-campo firme dos blues. Meio-campo que conta com Hazard e Oscar, duas estrelas em ascensão, meninos irrequietos que levam aos cabelos as defesas adversárias. Rémy emerge como goleador e, por fim, Drogba voltou por Mourinho (recriando as duas traves-mestras do passado, com Terry), e o “melhor jogador que lhe passou pelas mãos”, citando o português, está no sítio certo à hora certa e decide em momentos de angústia.
Na época em que perderam o líder Lampard, os blues já contam com a Taça da Liga, e cimentaram a distância para o perseguidor Arsenal esta semana, com uma vitória em Stamford Bridge frente ao Stoke, por 2-1. Diego Costa preocupa com as suas lesões e inconstâncias, mas Mourinho desvaloriza e segue rumo a mais uma Premier League.
O special one, alcunha tão adequada, é um fenómeno de popularidade nunca visto em Inglaterra desde Alex Ferguson. Faz-nos ansiar pelo dia em que, segundo ele, irá conduzir a nossa selecção. Grande Mourinho.
A grande “invenção” de Jorge Jesus. O treinador do Benfica pegou num miúdo com uma técnica deslumbrante mas altamente inconsequente e transformou-o num dos melhores alas do planeta. Defende com grande eficácia e ataca com muita atitude. Deixou muitas saudades na Luz, onde virou ídolo.
Quando se joga em casa, o cenário é realmente outro. Se, nos jogos fora, o Benfica tem demonstrado uma dificuldade que não se percebe, entrando a perder ou não conseguindo segurar resultados, em casa, o campeão nacional faz da Luz o seu forte, sendo, na minha opinião, das equipas mais fortes da Europa a jogar no seu reduto, tal é a forma como passeia classe no seu relvado.
E foi de classe que se fez a primeira parte. Os números não enganam: o Nacional teve 36% de posse de bola e zero remates à baliza nos primeiros 45 minutos. O relvado da Luz parecia um salão de dança para Gaitan e Salvio dançarem o seu tango. Mas como o tango dança-se a dois, os craques argentinos tiveram como par os seus colegas cariocas. Primeiro Jonas e depois Lima. Aos 20 minutos, Gaitan fez uma recuperação fantástica, Maxi deu para Salvio, que correu com o esférico e só teve de entregar a Jonas, para este encostar. Quem mais, se não a melhor contratação desta época a abrir o marcador? Mas o ex-Valência não ficaria por aqui. Antes de voltar a espalhar magia, foi tempo de Gaítan voltar a dançar o tango, passando por João Aurélio e cruzando para Lima marcar de cabeça. O tango com um pouco de ritmo do samba que levava o Benfica para a frente. A par do jogo com o Estoril, os melhores 45 minutos do Benfica em casa, transpirando classe e mostrando quem é que manda em casa.
Equipa unida rumo ao 34 Fonte: Facebook do Benfica
Na segunda parte foi mais do mesmo. Eliseu, Salvio, Pizzi iam criando oportunidades, e o Benfica ia jogando a seu bel-prazer. Mas seria outra vez a dupla dançarina Sálvio e Jonas a meter a redondinha lá dentro. Mais uma arrancada de Salvio, e Jonas, ao primeiro toque, a fazer o golo da tarde. Começam a faltar os adjectivos para este goleador. Tanto com bola como sem bola, Jonas é sublime e é dos melhores do nosso campeonato. Veio a custo, que achado!
A partir do 3-0 o jogo acalmou. O Benfica controlava, e o Nacional tentava dar outra imagem de si. Apenas por escassos momentos o conseguiu, quando marcou um grande golo por Ângulo, e logo a seguir com Christian a atirar ao lado. Seriam as únicas oportunidades dignas de registo de um Nacional que está bastante mais fraco do que em temporadas anteriores.
Terminou 3-1. Podiam ter sido mais, mas o que interessa realçar é a forma como o Benfica passeia classe em casa. Não só contra equipas da parte de baixo da tabela mas também contra equipas como o Sporting de Braga ou o Vitória de Guimarães. Agora há que passar esta classe para os jogos fora, onde também o Benfica joga muitas vezes “em casa”. De resto, este Benfica está aqui para as curvas e cada vez mais perto do objectivo.
A Figura:
Nico Gaitan – O argentino é classe, é magia, é arte. Já há muito que se estabilizou como dos melhores da nossa liga, de qualidade para outros voos até. Com o argentino em forma, a vitória fica sempre mais perto de se concretizar.
O Fora-de-jogo:
Assobios na Luz – Quando o Nacional marcou e ganhou força no jogo. Ouviram assobios por parte dos adeptos do Benfica. Algo que não se percebe, que deixa a equipa nervosa e que é injusto para o que os jogadores tinham produzido até ao momento. Felizmente duraram minutos e quero acreditar que vieram de uma minoria. A mesma minoria que depois da derrota em Vila do Conde veio dizer que já estava tudo perdido.
A rotação de jogadores têm sido um tema muito discutida no desporto de competição e particularmente no futebol . Saber se a mesma é positiva ou não só o podemos afirmar no final da época com os resultados desportivos. Quem defende a rotação diz que o seu objectivo é ser competitivo em todas as frentes , ao mesmo tempo que pretende dar visibilidade ao maior número de atletas de forma a garantir futuros investimentos. Quem está contra diz que as equipas perdem rendimento e que complica muito a gestão dos titulares criando efeitos negativos na sua confiança. Face às lesões, castigos e fadiga não resta outra alternativa aos treinadores que no seja rodarem os jogadores fendo apelo aos suplentes.
Por opção táctica ou gestão do plantel o treinador pode implementar as trocas para motivar um grupo mais alargado e não apenas para quem joga regularmente. A rotação não é um fim em sim mesmo: é um instrumento de gestão de um plantel que, deve servir para manter a equipa competitiva em várias frentes até ao final da época.
Na tentativa de ultrapassar as dificuldades causadas pelo elevado número de competições a que as equipas estão sujeitas, a gestão do plantel tornou-se uma maior preocupação para os treinadores. Nos últimos anos, o aumento do número de jogos levaram a que começassem a procurar soluções que lhes permitissem continuar a competir em todas as frentes ao mais alto nível.
Neste sentido, foram registadas alterações na forma de encarar o treino e o jogo relativamente à gestão do tempo dos jogadores, nos momentos de maior densidade competitiva. Desde aí foram muitos os treinadores que começaram a efectuar uma gestão coerente do tempo de jogo dos atletas .
“Tenho de fazer rotações para manter toda a gente feliz” , disse Mourinho, em 2005. Curiosamente é criticado esta época no Chelsea por jogar quase sempre com os mesmos Fonte: Facebook do Chelsea
É sabido que só com bons jogadores não se ganham campeonatos, estes são ganhos sim por bons grupos. “Tenho de trocar duas ou três unidades. Não só porque alguns contam com alguns problemas, mas também porque alguns dos jogadores poucas vezes titulares merecem jogar. Prefiro ter o meu grupo alegre e motivado e é normal que mude algumas peças” (Mourinho, 2005)
O mesmo treinador revela grande preocupação com o cansaço dos jogadores. Assim diz optar por fazer alterações quando sente que alguns jogadores precisam de descansar.
Ninguém quer ser suplente
O tema é recorrente no basquetebol Universitário Norte americano (NCAA ) com as duas filosofias em confronto . Recentemente o treinador de Syracuse, Jim Boeheim, foi muito criticado porque dava muitos minutos ao cinco titular.
Em sua defesa saiu , naturalmente, o amigo Mike Krzyzewsk, que salientou o facto de Syracuse ter vários jogadores importantes lesionados: “Não é uma questão de minutos de jogo mas sim de lesões. Os jogadores não ficam cansados por jogarem muitos minutos. Eles ficam cansados é dos excessos nos treinos. Não há nenhum jogador no Mundo que se canse de jogar. Só ficam cansados se jogarem muito e treinarem muito. Nenhum jogador quer ser suplente. O problema está na forma como treinamos”.
O popular treinador já garantiu presença em mais uma Final4 este ano e não segue a tradicional regra do “Freshman Wally” que relega para a condição de suplentes os mais jovens. Okafor (30 m), Justise Winslow (29m), Tyus Jones(34m) e Quinn Cook (35m) são novatos na competição mas jogam a maioria do tempo.
“Os nossos treinos são curtos e sem muito contacto físico”, disse Krzyzewski. “Não queremos cansar os atletas , queremos sim que se mantenham em forma. Todos querem jogar os 40 minutos.”
A mesma opinião tem Mike Brey, treinador de Notre Dame, que também opta por dar muitos minutos ao cinco inicial. “Os jogadores mais velhos sabem bem como jogar os 40 minutos. Sabem combater a fadiga mental muito melhor do que os jovens.“
Brey afirmou ainda que: “Uma rotação diminuta ajuda a aumentar a eficiência ofensiva. Eles sabem bem o que fazer no jogo, passam bem a bola e são pacientes. Quando se joga com muitas jogadores o jogo fica mais complicado.”
Brey prepara a equipa para jogar desta forma a partir do primeiro treino. “Chegamos rápido ao jogo de 5 contra 5 e assim os jogadores ficam logo preparados para jogar. Ao longo da época vamos diminuindo o tempo de treino e os dias de repouso passam a ser muito importantes. Usamos muito no treino táctico o “walk-throughs” ( treino táctico a andar) e a partir de Janeiro não treinamos mais do que uma hora e quinze minutos.”
O recurso ao chiropractor contribuiu em muito para a longa e brilhante carreira de Jordan Fonte: fosteringwellness.net
Depois de um jogo não fazem um treino normal. “São os dias de recuperação. Visionamos o nosso último jogo e o do próximo adversário. Fazemos um pouco de “stretch” e alguma musculação. Não é um treino propriamente dito e o mais importante é mesmo o trabalho do “chiropractor “(um especialista em diagnósticos, tratamento e prevenção de problemas do sistema neuromuscular e os efeitos na saúde dos atletas).“
Diga-se o que se disser, quão má esteja a época a ser, há um facto que não se pode negar: Radamel Falcao é um dos melhores avançados do mundo.
Os melhores também erram. No caso do colombiano o lapso esteve na decisão de sair do Atlético de Madrid. Quis ser o rosto de um projecto ambicioso em França mas teve azar. Apesar de ter apresentado bom futebol não foi o Falcao que se esperava e uma lesão grave terminou com a sua época e afastou o sonho de jogar no Mundial. Depois de recuperar todos sabíamos que ia demorar algum tempo até termos o bom Falcao de volta. A meu ver o Mónaco parecia ser um bom sítio para recuperar confiança e o instinto matador antes de dar outro salto na carreira. Em vez disso, Falcao rumou para o Manchester United, onde, juntamente com Dí Maria, foi o rosto de uma revolução no plantel. O resultado está à vista: um jogador de nível mundial triste, sem confiança e sem golos.
Falcao é o sonho de muitos treinadores. Um avançado completo, rápido, forte, bom de cabeça e de pés e com rasgos de genialidade apenas ao alcance dos melhores. Encaixava perfeitamente no futebol ofensivo do Atlético (quem sabe, se ele tem ficado, os horrores que uma dupla entre ele e Diego Costa poderia ter causado no campeonato e na Liga dos Campeões). O Manchester United não é a opção, nem nunca deveria ter sido. O colombiano não encaixa no sistema táctico do clube inglês e está tapado por dois grandes avançados da casa, Van Persie e Rooney. Para além do mais, Van Gaal não é de nem de perto o técnico certo para restaurar a confiança e voltar a colocar Falcao entre os colossos, especialmente sobre a elevada pressão sob a qual o técnico holandês está. O United precisa de resultados urgentes e Falcao precisa de calma, confiança e apoio. Qual o rumo?
Espero voltar a ver em Falcão alegria e, mais importante que tudo, golos como só ele sabe fazer Fonte: Facebook de Falcao
Os rumores são muitos e não param. Eu não vejo Falcao como um jogador para o campeonato inglês (a não ser talvez no Chelsea, onde, só com um ponta de lança na frente e bem apoiado por um meio-campo constituído por Matic e Fàbregas, poderia fazer grandes estragos), penso que ficaria melhor no campeonato espanhol. O Real Madrid seria uma excelente opção para o colombiano, o clube madrileno precisa de um rato de área e de um jogador completo capaz de domar o último terço do terreno (Falcao já mostrou ser capaz de o fazer). Além disso era bom ter um avançado de qualidade que colocasse pressão nos ombros de Benzema, e não um jogador de banco e passivo como Chicharito sempre foi. Um eventual regresso ao Atlético também seria uma opção bastante viável. Da mesma forma que seria um clube italiano que jogue com um meio-campo forte e com um homem lá na frente.
Deixa-me triste ver um jogador que tanto admiro e com tanta qualidade afundar-se desta forma. Custa ainda mais que um técnico como Van Gaal não saiba ser um comandante de homens e deixe situações como esta agravarem-se desta maneira. Espero que Falcao faça desta vez a escolha certa, que regresse ao seu melhor num campeonato adequado à sua forma de jogar. Às vezes esquecemo-nos de que El Tigre já tem 29 anos… espero que ainda esteja a tempo de retomar a sua melhor forma e deixar a sua marca na história.
Duas equipas em fase ascendente encontraram-se no Municipal de Coimbra para dar início à jornada 27 da edição 2014/15 da Liga Nos. A Académica não perdia há oito jogos e reencontrou-se com os bons resultados depois de José Viterbo assumir o comando técnico dos estudantes. O Rio Ave, antes deste jogo, tinha conseguido bater o campeão nacional em título, o Benfica, por 2-1.
O início do jogo deixou bem evidenciada a confiança do Rio Ave, com Tarantini a dar o primeiro sinal de perigo com um cabeceamento potente, a obrigar Cristiano a uma defesa apertada. Parecia ser a equipa vilacondense quem estava por cima no encontro, mas o facto de não haver o tal medo de perder acabou por se transformar em falta de cautela, dando lugar a que o flanco direito do ataque da Académica fosse bastante produtivo na criação de oportunidades de perigo, quase sempre iniciadas por Ricardo Esgaio, muito em jogo no plano ofensivo, combinando muito bem com Hugo Seco para chegar perto da baliza de Ederson.
Juntos, conseguiram conceber condições para que Rafael Lopes tivesse à sua mercê duas oportunidades flagrantes para inaugurar o marcador, mas o ponta-de-lança português rematou à figura, na primeira, e para as nuvens, na segunda (Viterbo garantiu, na conferência de imprensa, que “tal como a Académica voltou a ganhar em casa passado um ano, também o Rafael vai voltar a marcar”).
Até ao final da primeira parte, a Académica foi assumindo as despesas do jogo e soube manietar, na perfeição, o adversário, criando superioridade a meio-campo fruto de uma boa combinação entre Fernando Alexandre e Obiorah, irrepreensíveis em termos posicionais. Porém, não conseguiram travar uma correria de Del Valle que culminou com um disparo fulminante, travado por uma defesa espectacular de Cristiano… um remate que disfarçou a exibição envergonhada que o Rio Ave vinha a fazer até então, depois de 5/10 minutos iniciais de superioridade. Pedro Martins teve, portanto, de mudar e retirou Marvin para colocar em jogo Boateng, ao intervalo. A equipa passou a jogar com um avançado mais posicional, uma referência ofensiva, caindo Del Valle para o flanco esquerdo, sendo capaz de travar as subidas de Esgaio, “encostando” mais no lateral-direito, cortando o “mal (isto é, o perigo criado pela equipa da casa) pela raiz”.
A “neutralização” de Esgaio teve um papel importante no resto do jogo, pois a Académica não teve oportunidades de real perigo na segunda parte, embora, conforme confirmou Pedro Martins em conferência de imprensa ao Bola na Rede, a mudança tivesse mais a ver com a condição física de Marvin do que com a preocupação com o jogador emprestado pelo Sporting à Briosa.
O Bola na Rede esteve presente no Estádio Cidade de Coimbra
Até ao final do jogo, não houve grandes oportunidades de perigo, mas a bola rondou ambas as balizas e pairou no ar a incerteza do resultado, embora, com o arrastar do jogo, se verificasse o decréscimo da qualidade de jogo, fruto do calor que se verificou em Coimbra – apontado como factor relevante para o desfecho do encontro por ambos os treinadores, em conferência de imprensa…
…uma sintonia que não se ficou por aqui, pois também concordaram que o empate era um resultado justo, embora fosse mais “verdadeiro” (reflexo fiel do que foi a partida) caso houvesse golos.
Os cerca de quatro mil adeptos deram por bem empregue o dinheiro gasto no bilhete. O jogo terminou sem golos, é certo, mas a Briosa demonstrou raça, determinação, confiança e bom entendimento ofensivo perante um adversário difícil que esteve à altura, criando condições para um jogo entretido a que só faltaram golos.
Apesar do nulo, assistiu-se a um bom jogo de futebol entre as duas equipas
A Figura:
Ricardo Esgaio – Foi o principal fornecedor de bolas com perigo do ataque da Académica na primeira parte, e não estamos a falar de um extremo ou de um avançado. O lateral-direito da Académica subiu sempre com critério e envolveu-se muito bem com os seus companheiros da zona adiantada, especialmente Hugo Seco, com quem combinou na perfeição. Na segunda parte foi alvo de marcação mais apertada e enfrentou uma equipa do Rio Ave que subiu de rendimento posicional, pelo que não conseguiu criar tanto perigo. Porém, a nível defensivo manteve-se irrepreensível.
O Fora-de-Jogo:
Rafael Lopes – Teve o golo nos pés por duas ocasiões e desperdiçou-as de forma clamorosa. Se o jogo terminou empatado a zero, isso deveu-se, em grande parte, à ineficácia do ponta-de-lança da Académica, pese embora o bom jogo posicional e a excelente dinâmica ofensiva que emprestou à equipa, principalmente na primeira parte, juntamente com Rui Pedro, Hugo Seco e, claro, Ricardo Esgaio.
O Caso do jogo:
Minuto 17 – Hugo Seco seguia para a baliza e foi travado por Tiago Pinto, que o impediu de ficar isolado frente a Ederson. Cartão amarelo. Punição que se entende pelo facto de Prince estar atrás da linha da bola, porém, a expulsão foi bastante pedida e também seria uma decisão acertada de Hugo Miguel. Uma situação que poderia ter implicações diferentes no resto do jogo.
José Viterbo, porém, manteve-se sereno na análise ao jogo e deu os parabéns à equipa de arbitragem pelo bom desempenho.
Numa fase em que a actual temporada ainda não terminou, mas já caminha vertiginosamente para o seu final, é natural que já se comecem a ver alguns esboços daquilo que poderão ser os planteis dos principais clubes portugueses para 2015/16, percebendo-se que, no caso do Sporting, poderá existir uma renovação assente em alguns elementos que vêm evoluindo preferencialmente na equipa B.
Um desses elementos, aliás, é o jovem internacional sub-21 escocês Ryan Gauld, futebolista que motivou um investimento leonino de 2,7 milhões de euros no último Verão e que, após um ano de maturação no Sporting B, estará finalmente preparado para se assumir como uma das figuras da equipa principal. Afinal, capacidade para tal é algo que o britânico tem de sobra.
Chegou cedo ao Dundee United
Ryan Gauld nasceu a 16 de Dezembro de 1995 em Aberdeen, Escócia, e começou a sua carreira no modesto Brechin City Boys Club: isto antes de chegar ao Dundee United em 2006, ou seja, quando tinha apenas 10 anos. No histórico clube escocês, o médio-ofensivo haveria de permanecer por oito anos, percorrendo os diversos escalões de formação e estreando-se na equipa principal em 2011/12, com apenas 16 anos, numa vitória no recinto do Motherwell (2-0).
Depois dessa estreia precoce na Premier League escocesa, Ryan Gauld continuou a sua ascensão na equipa principal do Dundee United, e, depois de uma temporada, a de 2012/13, em que atingiu os 11 jogos e até se estreou a marcar, haveria de se impor em definitivo em 2013/14, quando se assumiu como uma das figuras dos “Arabs”, marcando oito golos em 38 jogos.
O salto para Alvalade
Perante este excelente desempenho e a sua tenra idade, foi com naturalidade que começaram a chover interessados no concurso de um jovem que, aos 17 anos, já havia chegado à selecção escocesa de sub-21 – ainda que tenha sido o Sporting a ganhar a corrida por Ryan Gauld, pagando 2,7 milhões de euros ao Dundee United pelo seu concurso.
Ainda assim, apesar desse avultado investimento, o Sporting preferiu gerir tranquilamente a evolução do médio-ofensivo nesta sua primeira temporada em Alvalade, colocando-o a actuar preferencialmente no Sporting B, onde este soma 25 jogos e três golos, embora também já lhe tenha dado algumas oportunidades fugazes na equipa principal, pela qual soma cinco jogos e dois golos [ambos apontados na derrota com o Belenenses (2-3) para a Taça da Liga].
É apontado como um ‘Mini-Messi’, mas Gauld quer deixar a sua própria marca no futebol Fonte: Sporting Clube de Portugal
Um “dez” de traços continentais
Ryan Gauld contrasta completamente com aquela que é a imagem típica do futebolista britânico, apresentando características físicas verdadeiramente franzinas (168 cm e 59 kg) e uma criatividade e qualidade técnica que estamos mais habituados a encontrar na América Latina ou no sul da Europa.
O seu futebol, aliás, é o de um verdadeiro “dez”, uma vez que o jovem de 19 anos se destaca por ter velocidade de processos, evoluída técnica individual, boa capacidade de passe e superior visão de jogo, sendo ainda de destacar a sua boa capacidade finalizadora.
A raça que nos transporta para a Escócia
Mas, se o processo ofensivo nos transporta imediatamente para um futebolista latino, é pela recuperação defensiva e abnegação competitiva que nos lembramos, enfim, de que estamos perante um escocês, sendo que essas características serão muito bem vindas a equipas que gostam de pressionar o adversário logo na saída da sua grande área.
Aliás, essa raça e essa qualidade nas transições fizeram inclusivamente com que Ryan Gauld chegasse a merecer algumas oportunidades na posição “oito” no Sporting B, ainda que, pessoalmente, acredite que o internacional sub-21 escocês precisa de actuar mais próximo de zonas de definição para se apresentar no máximo das suas capacidades.
Ao longo das últimas semanas, tenho escrito não raras vezes no Bola na Rede que só acreditava num FC Porto vencedor se treinador e equipa começassem a perceber aquilo que era o campeonato e o futebol português. Disse-o logo após a primeira derrota nos Barreiros, num desaire que parecia ter levado a equipa para um abismo que acabou por não se confirmar, em virtude da derrota, no dia seguinte, do Benfica em Paços de Ferreira.
Mesmo com a distância pontual inalterada, fui alertando para os perigos que corria o clube ao ter construído um plantel destes: com jogadores com inegável qualidade mas com tremenda falta de “nervo”, era por demais evidente que, no caso de não haver uma solução divina a partir do banco, jogos como os que aconteceram nos Barreiros acabariam por acontecer com maior ou menor frequência. Enquanto espetador e analista do futebol português, há certas coisas que se revelam repetitivas com o passar dos anos. Deixando aqui de parte hipocrisias demagógicas, não é preciso ser-se muito inteligente para se perceber que desde há muito tempo que a qualidade da maior parte das equipas em Portugal diminuiu.
Em termos concretos, isto leva a que, sobretudo nos jogos fora de casa, as equipas grandes se vejam obrigadas a praticar em muitas ocasiões um estilo de jogo de que não gostam, onde por vezes um pontapé para a frente ou uma paragem simulada são premissas essenciais para que o ritmo de um jogo se parta. Outra das evidências que todos os que são minimamente inteligentes percebem é que há adversários que jogam mais contra umas equipas do que contra outras. Como não sou hipócrita, sei que este é um argumento que pode soar a demagógico mas que, para mim, é por demais evidente. Sejamos claros: há alguém que acha que o Sporting de Braga joga da mesma forma no Axa contra o Benfica ou contra o FC Porto? Há alguém que acha que, nos Barreiros, o Marítimo joga da mesma forma contra o Benfica e contra o FC Porto?
Bom, as perguntas deixadas em cima são apenas tópicos pelos quais se podem explicar muitos jogos do nosso campeonato e muitas batalhas que por vezes se revelam essenciais para a decisão de uma competição, seja campeonato, Taça de Portugal ou Taça da Liga. Tal como já disse em diversas ocasiões, creio que, ao ser construído um plantel como o que a estrutura portista construiu, nenhum destes pensamentos esteve na cabeça de quem manda no futebol portista. Objetivamente falando: há alguém que julgue que um treinador espanhol chega a Portugal e percebe, na abordagem a uma deslocação como os Barreiros, que é preciso colocar uma equipa “diferente”, que utilize mais intensidade e utilize armas não tão bonitas para o espetador mas mais pragmáticas para o resultado final? Há alguém que julgue que jogadores como Casemiro, Oliver, Brahimi ou Tello percebem que, numa partida como a de hoje, não é possível ser “macio” no jogo porque o adversário simplesmente vai colocar tudo em campo, disputando cada bola como se fosse a última das suas vidas?
Infelizmente, e tal como fui explicando ao longo das minhas crónicas no Bola na Rede, creio que ninguém na estrutura portista explicou isso a Lopetegui no início da temporada. Com muita pena minha, ver Rui Barros sentado junto ao treinador espanhol é quase apenas uma gota num oceano completamente desprovido de qualquer tipo de referências. No campo, Helton (que raramente tem sido utilizado) e Maicon são os únicos sinais que remetem os adeptos para um espírito que pautou a história do FC Porto nos últimos 30 anos. Infelizmente, hoje nada disso existe ao olhar para o plantel portista. Nestes espaços de opinião, fui escrevendo que construir um plantel como o que temos esta época acarretava riscos. Fui criticado, e grande parte dos adeptos não entenderam como poderia eu associar uma quebra de rendimento no campeonato a uma participação na Liga dos Campeões. Com um plantel e um treinador como estes, creio que esse era um resultado mais ou menos expectável. Quando se traz um técnico das seleções jovens de Espanha – e que se quer mostrar ao país de onde saiu para tentar uma carreira numa equipa – e se contratam (ou se recebem emprestados) jogadores que fazem do FC Porto um mero clube de passagem para voos mais altos, do que é que a estrutura do FC Porto estava à espera? Estava à espera de algo diferente disto?
Quaresma foi titular na derrota desta quinta-feira Fonte: FC Porto
As questões que deixo são muitas e levantam muitas questões e razões para o fracasso que tem sido a época portista. E sim, digo fracasso porque ficar sem as duas taças internas e estar dependente de um 0-2 na Luz para chegar à liderança do campeonato é para mim sinal suficiente e ilustrativo do desespero que a época do FC Porto tem sido. Aliás, considerar razoável que os portistas vencerão alguma coisa este ano é apenas uma utopia, que pode sair de um final de campeonato de sonho – e que tem de passar por uma vitória gorda na Luz – ou de uma prestação na Liga dos Campeões completamente contra todas as probabilidades.
Se bem se recorda, caro leitor, várias foram as vezes em que disse que, se o FC Porto não estava na liderança do campeonato, não era em virtude da derrota em casa frente ao Benfica. Aliás, esse desaire, num jogo de “tripla”, nunca me pareceu desculpa suficiente para se justificar o atraso pontual no campeonato português. Para mim, empates contra Boavista, Estoril, V. Guimarães e até Nacional, sem esquecer a derrota nos Barreiros, eram muito mais responsáveis pelo segundo lugar no campeonato. Em todos esses casos, e tal como aconteceu no jogo de hoje, mais uma vez se percebeu que Lopetegui e a equipa do FC Porto não estão preparados para jogar no nosso país e sobretudo contra algumas equipas.
O jogo de hoje foi apenas mais um exemplo disso: com sete titulares de fora (Fabiano, Danilo, A. Sandro, Herrera, Brahimi, Tello e Jackson Martinez), Lopetegui decidiu colocar no caldeirão dos Barreiros um onze alternativo em busca da final da Taça da Liga. Do lado maritimista, Ivo Vieira não inventou e decidiu lançar em campo o seu melhor onze. Sem permitir grandes espaços a um meio campo do FC Porto claramente sem o seu principal motor (Herrera), a equipa da casa esteve por cima nos primeiros 15 minutos de jogo, obrigando o FC Porto a recuar o bloco, deixando Aboubakar muito longe dos restantes setores da equipa.
A partir dos 20-25 minutos, os portistas começaram a subir linhas e mostraram capacidade para reagir. Depois de um remate com perigo de Hernâni, os azuis e brancos chegaram mesmo à vantagem após um forte remate de Evandro na sequência de um pontapé de canto. Ao contrário do que se poderia esperar, o que é facto é que o golo portista não trouxe estabilidade aos dragões e instabilidade aos madeirenses, bem pelo contrário. A reação maritimista foi excelente e, primeiro numa grande penalidade bem aproveitada por Bruno Gallo e depois um golo de cabeça de Marega (erro tremendo e infantil de marcação portista), fizeram uma reviravolta que tinha tanto de inesperada como de justa, tendo em conta a forte resposta dada pelos comandados de Ivo Vieira nos últimos 10 minutos do primeiro tempo.
No segundo tempo, acabou por não se verificar a reação portista que tanto se esperava. O intervalo não foi bom conselheiro para os portistas, e a segunda parte acabou por ser praticamente um passeio para a equipa da casa, tendo em conta o equilíbrio tático com que sempre parou as tentativas de construção de jogo ofensivo portistas. Mesmo com as entradas de Tello, Brahimi e Gonçalo Paciência, o FC Porto raramente se aproximou com perigo da baliza do guarda redes Salin, que praticamente, tal como Helton, não fez uma única intervenção de relevo ao longo da partida. A forma como o Marítimo fechou os espaços nas faixas e na zona interior foi notável, pelo que as mudanças e as invenções táticas feitas por Lopetegui ao longo do segundo tempo revelaram-se infrutíferas.
Com um rigor tático de assinalar e uma solidariedade incrível entre os setores, o Marítimo acaba por chegar com justiça e merecer o acesso à final da Taça da Liga, onde irá defrontar o Benfica no próximo dia 25 de abril, no Estádio Cidade de Coimbra. Para o FC Porto, resta mais uma desilusão por, à terceira tentativa, continuar a não conseguir vencer na Madeira. Para mim, o jogo de hoje foi apenas mais um exemplo demonstrativo daquilo que é o plantel desta época: com qualidade inegável mas com uma imaturidade e inexperiência que dificilmente permitirão ganhar alguma coisa. É pena é que, em 10 meses de temporada, ainda ninguém da direção se tenha lembrado de dizer que não pode vestir a melhor roupa apenas na Liga dos Campeões. Num clube como o FC Porto, acho incrível como ainda ninguém explicou àquele treinador e àqueles jogadores que a técnica da força é por vezes mais importante que a força da técnica. Agora já vão tarde para perceber. É que a inteligência também se vê nisto e infelizmente isso é coisa que tem faltado no reino do dragão. O que se calhar explica tudo.
A Figura:
Estratégia do Marítimo – Mesmo em desvantagem, a equipa de Ivo Vieira nunca se desmontou taticamente. Com um meio campo liderado por Danilo Pereira, os madeirenses conseguiram retirar sempre os espaços a um FC Porto que ficou invariavelmente sem ideias à medida que o jogo ia passando.
O Fora-de-Jogo:
Julen Lopetegui – O treinador do FC Porto deu esta noite mais um tiro no pé. Ao cair-se no exagero, o maior risco por que um homem passa é o de cair no ridículo. A alegoria poderia ser transposta para a história de Lopetegui e dos árbitros. Ouvir o treinador espanhol dizer que não é grande penalidade o lance de Ricardo é uma heresia que nem o maior fanático poderá acreditar. Se calhar é altura para se deixar do latim e de desculpas baratas e de perceber que para se ganhar em Portugal não basta ter os melhores artistas, é preciso adaptar-se aos diferentes espetáculos. Infelizmente, Lopetegui ainda não sabe do que falo e por isso é que provavelmente o FC Porto vai ficar a zero esta temporada relativamente a títulos.
Foto de Capa: Facebook Oficial do Club Sport Marítimo
Começam a surgir as primeiras notícias sobre possíveis movimentações – entradas e saídas – relativamente à formação do plantel do próximo ano. Algumas delas não passarão de especulação pura, provavelmente a maior parte delas, mas há um fio condutor comum a quase todas, que é o que dá conta da eventualidade de o número de jogadores a entrar e sair ser considerável.
Independentemente da credibilidade dos rumores, o tema tem interesse e será por isso aqui hoje analisado. Para tal escolhi três ideias centrais que, parece-me, devem ser observadas para que o plantel do Sporting possa melhorar o seu nível competitivo: manter, aumentar e reduzir. À priori parece que estas ideias são antagónicas, mas julgo que perceber-se-á no final que não.
Manter
A primeira ideia tem a ver com a estabilidade e vai em contra-ciclo com os rumores que apontam para grandes mexidas. O Sporting só tem a ganhar se mexer pouco na estrutura que suporta o plantel há duas épocas. A saída de Nani está já anunciada e é inevitável. Daí que o esforço pedido para que os jogadores que têm formado o núcleo duro dos 18 jogadores mais utilizados tenha que ser maior. E maior porque, como sabemos, alguns dos jogadores que compõem esse lote aproximam-se rapidamente do final do contrato, o que obriga a renovar ou a negociar os seus passes.
Compreender-se-á por isso que alguns deles saiam, até pela necessidade de realização de mais-valias que sustentem uma boa saúde financeira, menos aceitável será a debandada geral. Tal obrigaria a reconstruir a equipa, num ano em que seria desejável e até exigível um início ao melhor nível, por força do que se espera que venham a ser os compromissos de qualificação para Liga dos Campeões.
Na mesma linha, parece-me, inclui-se a manutenção do treinador. Isto porque é minha opinião que ela, não sendo obrigatória ou indispensável, seria desejável. Tal como uma maior articulação com o treinador na formação do treinador, o que notoriamente não aconteceu no ano anterior. Mudar de comando técnico e efectuar mudanças estruturais no plantel é certamente um risco que desejavelmente se deveria evitar.
Aumentar
Subir de nível competitivo é não apenas desejável como obrigatório para que o clube possa alcançar mais do que ficar estacionado indefinidamente abaixo dos dois lugares cimeiros. Para que isso aconteça, melhorar a competitividade interna e acrescentar qualidade é imprescindível, parecendo insuficientes em alguns pontos cruciais.
A este nível parece-me faltar um elemento ao centro da defesa, que possa, não só aportar mais qualidade à já existente, como oferecer luta pelo lugar a Tobias, Oliveira e Ewerton, se este permanecer.
No meio-campo muita coisa poderá acontecer, pelo que o exercício é mais difícil sem saber que elementos irão permanecer. Na actual configuração talvez falte sobretudo mais rotatividade, tendo sido notório que alguns elementos acusaram o esforço pedido de forma consecutiva. É meu entendimento que Martins e Wallyson poderiam ter intervindo mais com ganhos para todos.
Nos três lugares da frente será muito difícil substituir Nani e muito mais será se Carrillo também sair. Mantendo-se o peruano será bom dar-lhe concorrência. Onde o upgrade é necessário é no centro do ataque, porque é cada vez mais claro que Slimani e Montero não têm tudo o que é preciso.
Reduzir
Um clube que tem na formação uma das fontes primordiais de recrutamento tem de ter canais abertos para a circulação de jogadores desde a base. Até por razões motivacionais, porque sem horizontes de promoção a acomodação dos jogadores é quase inevitável. Daí que não faça muito sentido planteis extensos, com mais de dois jogadores por posição, sendo as falhas por lesão ou castigo suprimidas pelos jogadores do escalão inferior. Da A pela B e desta pelos júniores.
Obviamente que, para que tal suceda sem grandes perdas, é necessário que na formação dos respectivos plantéis os critérios de selecção sejam muito mais rigorosos do que o mero preenchimento numérico. O número actual de jogadores sob contrato, alguns deles bastante prolongados, seria um dos grandes principais óbices à obtenção deste objectivo.
“Estou envergonhado”, dizia Rudi Garcia após a eliminação da Liga Europa contra a Fiorentina. A equipa juntava mais uma derrota e continuava a prolongar o mau momento de forma. O técnico francês, que partia para esta temporada como o homem certo no lugar certo, tem agora de provar aos adeptos do clube que podem confiar em si.
A época de 2014/2015 prometia para os pupilos de Garcia. O investimento feito foi elevado e reuniu craques com experiência a jovens com um potencial enorme. As transferências de Juan Iturbe – ex-Porto –, Konstantinos Manolas, Ashley Cole, José Holebas, Nainggolan (adquirido em definitivo, foi uma das figuras na primeira metade da temporada), Mbiwa, Seydou Keita e Salih Uçan foram feitas de forma perspicaz e juntaram novas armas a Francesco Totti, Gervinho, Miralem Pjanic, Daniele De Rossi, Maicon ou Kevin Strootman.
O planeamento desta época passou por contratar jogadores que encaixassem em posições que tinham falta de qualidade/opções e que tivessem capacidade de elevar o nível da equipa para outro patamar competitivo. Sucintamente, preparou a equipa para ultrapassar o segundo lugar da época anterior.
Se o início foi ambicioso e causou confusão na linha da frente, o Inverno arrefeceu as expectativas do clube da Cidade Eterna. O emblema romano continuou a reforçar-se de maneira a tapar brechas no plantel e foi contratar dois avançados: Seydou Doumbia e Victor Ibarbo. Mais um investimento feito, mais um investimento falhado. O costa-marfinense tem sido uma sombra do jogador potente que brilhava por terras russas e ainda não facturou nos quatro jogos que realizou. A Roma continua a sofrer com a falta de uma referência ofensiva de qualidade, que seja garantia de golos.
Strootman é a baixa mais importante na estratégia da equipa Fonte: Facebook da AS Roma
As lesões também não têm ajudado e já foram vários os visados nesta época. Kevin Strootman, Maicon, Seydou Keita e Holebas (um dos laterais-esquerdos mais consistentes do futebol europeu) são os actuais clientes do departamento médico e debilitam bastante as opções do treinador francês. O holandês é mesmo uma das ausências mais notadas da equipa. Que falta tem feito. O jogador de 25 anos alia um físico portentoso a uma qualidade técnica notável, dominando com mestria o campo em toda a sua largura.
Três vitórias, oito empates e uma derrota nos últimos doze jogos são um pecúlio demasiado pobre para uma equipa que sonhava tão alto no início da temporada. Mas nem tudo é mau; jovens como Leandro Paredes e Daniele Verde já vão aparecendo na equipa e fazem acreditar num futuro risonho para um clube habituado a grandes jogadores e grandes vitórias. Continuam a faltar títulos.