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FC Porto: Defesa goleadora ou avançados sem pontaria?

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Segundo consta, nos principais campeonatos da Europa, o FC Porto é a única equipa que marcou em todas as jornadas do campeonato, seja com defesas ou avançados. Um dado que revela que a equipa de Sérgio Conceição tem conseguido concretizar, mas, ainda assim, e face aos resultados, também revela muitos golos sofridos. Mas não deixa de ser um bom registo, sobretudo se recuarmos aos anos anteriores em que os golos eram um problema para o clube.

No entanto, a pergunta que se faz é se a maior culpa desta registo é dos defesas ou dos avançados. O que é certo é que esta temporada o FC Porto tem em Alex Telles um elemento preponderante e que já se revelou decisivo em vários jogos. Até ao momento, o lateral direito já tem dez golos marcados em 39 jogos. Diante do SL Benfica foi decisivo ao marcar um dos golos de penálti, e frente ao Portimonense SC também o foi com o golo do triunfo que apontou já na reta final.

A par de Alex Telles, e ainda no setor defensivo, há também Ivan Marcano. O jogador polémico que traz dissabores a alguns adeptos, mas que tem calado com golos atrás de golos. Seja de cabeça ou de pé e independentemente do adversário, o central já marcou seis golos.

O FC Porto é a única equipa que marcou em todas as jornadas do campeonato. A questão é se a maior culpa desta registo é dos defesas ou dos avançados.
Alex Telles no festejo do golo diante do SL Benfica, no Estádio do Dragão
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Ainda na defesa, para além dos 16 golos apontados por Telles e Marcano – com 13 deles para o campeonato -, também Diogo Leite, Mbemba, Pepe e Manafá fizeram o gosto ao pé por cinco vezes.

No total a defesa azul e branca já marcou 21 golos para todas as competições, com maior impacto nos jogos do campeonato, em que marcaram 14.

No setor ofensivo, Soares tem sido o homem mais inspirado com 16 golos marcados, o registo até podia ser positivo, mas apenas sete golos foram marcados a contar para o campeonato. O mesmo acontece com Zé Luís, que soma dez golos, mas só sete no campeonato. Marega soma seis e Fábio Silva apenas um golo.

Isto significa que a contar para o campeonato os avançados contribuíram com 21 golos em 49 apontados, enquanto os  defesas conseguiram marcar 14 golos. A diferença é mínima e salienta com clareza que esta temporada a defesa tem estado com pontaria e o setor ofensivo apenas tem cumprido com os mínimos exigidos.

Ainda assim, é um registo que merece ser ressalvado e deve servir para motivar os jogadores e os levar ao rumo certo de quem recuperou oito pontos, está na liderança e sonha ser campeão.

Quanto vale um curso de treinador em Portugal?

A Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) voltou a manifestar “indignação e repúdio” pela contratação de Rúben Amorim como treinador por parte do Sporting Clube de Portugal devido ao nível de curso de treinador, apelidando a situação como um triste episódio, considerando que afeta gravemente a imagem do futebol português. No comunicado lançado no dia 05 de março de 2020, podemos encontrar trechos como: “Lamentamos que num país com os melhores jogadores e treinadores do mundo, se continue a assistir, impunemente, a constantes atropelos à lei e ao Regulamento de Competições da Liga, desconsiderando – desvalorizando até – o esforço dos treinadores cumpridores”.

 

Acresce ao descrito, um pedido da ANTF de que seja tomada posição por parte da Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, por forma a interromper o que apelida de um “reiterado incumprimento dos regulamentos”, e a necessidade de alteração do regime jurídico das federações desportivas, por forma a criar critérios de igualdade e de oportunidades para todos os treinadores de futebol. Relembramos que já quando da promoção de Rúben Amorim à equipa principal do SC Braga, a ANTF usou o mesmo meio de comunicação para tecer críticas à escolha de António Salvador.

Mas não só sobre Rúben Amorim incidiram as críticas por parte de ANTF, que num outro comunicado, emitido no mesmo dia, criticou igualmente a escolha de Custódio como treinador do Sporting de Braga, descrevendo a situação como “uma vergonha“, e talvez na tentativa de obter uma reação mais efusiva, apontou que se tratam de situações “reiteradas de desconsideração, desrespeito e afronta para com a secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, para com a Federação Portuguesa de Futebol, para com a própria Liga e para com os clubes e SAD’s cumpridoras da lei e dos regulamentos“.

Fonte: SC Braga

Ora, este debate sobre o grau de qualificação dos treinadores não é novo (lembramos, por exemplo, os casos de Paulo Bento e Silas no Sporting, ou de Costinha no Paços de Ferreira FC), mas a verdade é que estamos numa fase do futebol Português (e até mundial) em que muito mais facilmente se aposta num ex jogador sem qualificações do que num treinador que tenha já percorrido todos os níveis de formação, mas que não traz essa bagagem e experiência de balneário que vem sempre inerente aos ex atletas, principalmente se estivermos a falar de desportistas que jogaram no próprio clube que agora treinam.

Numa análise muito rápida, olhando para grandes clubes: FC Porto, Sporting CP, SC Braga, Real Madrid CF, Club Atlético de Madrid, Manchester United FC, Chelsea FC, Liverpool FC, Manchester City FC, Arsenal FC, Inter, Nápoles, AC Roma, SS Lazio, CA River Plate, só para citar alguns, são clubes que neste momento têm como técnicos principais ex jogadores, a maior parte deles com passagem no atual clube. Goste-se ou não da opção, parece ser um caminho que além de financeiramente mais vantajoso, tem dado frutos, até porque não raras vezes, são técnicos que já estão “guardados” na formação, à espera do momento certo para subirem na hierarquia.

Vamos então aos regulamentos. o Artigo 62.º do Regulamento de competições nacionais seniores da FPF com a epígrafe – Habilitações mínimas dos treinadores – escreve:

“1. Os Clubes participantes no Campeonato Nacional de Seniores devem obrigatoriamente inscrever um treinador principal e um treinador adjunto, os quais devem possuir as habilitações mínimas referidas nos números seguintes.

  1. Os treinadores principais devem ter obtido a habilitação de grau II (UEFA B) e os treinadores adjuntos a habilitação de grau I (UEFA C), devidamente comprovada através de cédula de treinador de desporto, verificando-se a correspondência dos graus nos termos da lei.
  2. Os Clubes cujo treinador principal se encontre impossibilitado de exercer funções, ou cuja equipa técnica não cumpra o disposto nos números 1 e 2, devem dar conhecimento desse facto à FPF, dispondo de um prazo de 15 dias contados da data em que se realize o primeiro jogo oficial em que o Clube não cumpra esta exigência regulamentar, para regularizar a situação.
  3. Sem prejuízo do previsto no número anterior, quando o treinador principal se encontre impedido pontualmente de desempenhar as suas funções, pode ser substituído pelo treinador-adjunto ou outro treinador que se encontre habilitado.
  4. No prazo indicado no número 3, o treinador-adjunto com o grau de habilitações mais elevado, deve constar da ficha técnica de jogo enquanto treinador principal.
  5. Salvo disposição em contrário, é obrigatória a obtenção de título profissional válido para o exercício da atividade de treinador.
  6. É nulo o contrato pelo qual alguém se obrigue a exercer a atividade de treinador de desporto sem título profissional válido.

(…) .” [sublinhado nosso].

Olhando agora para o que diz a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), no seu Regulamento de Competições, artigo 82.º, vêm previstas como qualificações obrigatórias:

 

clubes participantes na Primeira Liga:

  1. treinador principal: habilitação UEFA-Professional (Grau IV), sendo que para este efeito bastará que o treinador principal esteja a frequentar o curso de treinador para obtenção do grau exigido, devidamente comprovado por declaração emitida pela FPF e, no máximo, por seis meses;
  2. treinador adjunto: habilitação UEFA-Basic (Grau II);

 

Muitas têm sido as opiniões e críticas, havendo quem argumente que é das poucas profissões em que o curso de treinador pouco importa (o que se diga, não é bem verdade) mas à luz dos regulamentos e dos registos junto da LPFP, Sporting e Sporting de Braga não trocaram de treinador principal, já que Emanuel Ferro e Micael Sequeira continuam firmes no cargo. O que os dois clubes fizeram foi operar a transferência do Treinador-Adjunto mais caro do futebol mundial, sendo que no caso de Custódio, não existindo ainda clareza sobre o nível que este possui, podemos na realidade estar a falar da promoção a delegado da equipa sénior do até então treinador de juvenis do Sporting de Braga. Que grande confusão…

A verdade é que no futebol e em especial no futebol Português, tudo parece ser permitido, e o constante atropelo ou pelo menos o contornar das regras é uma constante, sem que sejam aplicadas as respetivas sanções. A confirmar-se esta falta de qualificação, de acordo com os Regulamentos, Custódio, não tendo o nível do curso de treinador exigido, não poderá emitir ordens para dentro do campo durante as partidas oficiais, não poderá participar em conferências de antevisão ou Flash interviews, um cenário que embora seja no mínimo caricato, não é uma realidade nova em Portugal.

O reverso da medalha está ligada à periodicidade dos cursos organizados pela ANTF, que ao não terem timings objetivamente definidos, podem obrigar um treinador a ficar cerca de 10 anos para conseguir progredir até ao topo de carreira, o que não se coaduna com a dança constante de treinadores e com a rapidez de resposta a que os clubes estão obrigados aquando da saída de um treinador, seja porque outro clube bateu a cláusula de rescisão, seja porque houve necessidade de mudança tendo e conta os maus resultados. Até porque muitas vezes encontrar treinadores credenciados com o curso de treinador e com um currículo robusto a meio de uma época desportiva pode ser uma missão muito complexa ou pelo menos onerosa.

Se calhar o segredo passa por deixar de extremar posições e entender que todos podem não estar a olhar para o quadro como um todo, ora por falta de abertura, ora por errada aplicação dos Regulamentos.

 

João Palhinha | O empréstimo de ouro

João Palhinha, dono e senhor do meio-campo arsenalista, aos 24 anos está no auge das suas capacidades. Sendo umas das peças-chaves da fase “Amorim”, a sua evolução não é de agora: desde a sua chegada a Braga que tem demonstrado o talento que muitos davam por perdido na sua passagem pelo Sporting CP.

Aquando da passagem pelos verdes e brancos, Palhinha detinha limitações técnicas relativamente ao passe, e a falta de criatividade acabando por limitar, em muito, a construção do ataque, nunca foi realmente opção. Aí chegou o empréstimo que daria um novo rumo à carreira do jogador, no SC Braga, onde foi sempre opção, começou a dinamizar mais o seu estilo de jogo e as limitações foram escondidas e encurtadas. O médio começou no Braga logo com o pé direito:

Na época 2018/19, foi utilizado em 32 jogos, na maioria como titular ajudando a equipa a conquistar o quarto lugar e lutar em todas as competições internas. A temporada corrente foi o seguimento da evolução sentida no primeiro ano com a equipa nortenha, o jogador conquistou o seu espaço e manteve-se regular, sendo o “tampão” da equipa, juntamente com Fransérgio, a equipa bracarense tem conquistado a maioria dos duelos na zona central do campo. Uma das suas armas está no físico, impondo-se sempre contra os adversários, faz-se sempre sentir na área adversária, quando sobe, é uma arma temível em bolas paradas.

A evolução do jogador, mostrou que, todo o potencial visto na formação era real, acabando por chamar à atenção de vários clubes disponíveis para a sua contratação, no último defeso – mercado de inverno – o Real Bétis Balompié esteve muito perto de contratar o jogador, outras equipas perguntaram pelo jogador, contudo sem efeito. Manteve-se no Sporting de Braga e continua a carimbar exibições vistosas.

O rendimento exibido pode garantir uma chamada à seleção nacional, com o Europeu cada vez mais perto, Palhinha tem de ser visto como opção, ainda sem nenhuma internacionalização pela equipa das quinas – juntamente com a baixa de rendimento de Danilo – a chamada de Fernando Santo pode estar ao virar da esquina.

O que se segue para o atleta?

Palhinha deverá voltar a vestir verde e branco na próxima época
Fonte: Sporting CP

O empréstimo com o SC Braga chega ao fim no final da época e o regresso ao Sporting é o destino mais provável, sendo o desejo dos adeptos o seu retorno juntamente com o anseio do jogador.

Luís Figo e o golo à Inglaterra no Euro’2000: «Senti que devia arriscar»

O Bola na Rede esteve hoje na apresentação da campanha publicitária da Volkswagen para o Euro 2020, cujo embaixador é Luís Figo. Questionado pelos jornalistas presentes no evento, o antigo internacional português falou sobre a contratação de Rúben Amorim, as possibilidades de Portugal revalidar o título de campeão europeu e houve ainda tempo para responder a uma questão do Bola na Rede.

Sobre a recente transferência de Rúben Amorim para o Sporting CP, Luís Figo afirmou que “é uma aposta importante da parte do clube: pela quantia de que estamos a falar, para um país como Portugal e pela situação financeira do Sporting“. Relativamente ao montante envolvido na transferência, na opinião do antigo internacional português “é uma loucura pagar esse valor por um treinador, mas é uma decisão de quem gere o clube e, certamente, tem mais informação do que eu para poder falar sobre a parte financeira.”

Luís Figo falou também sobre as hipóteses da seleção portuguesa no Euro 2020, destacando que Portugal “tem uma das melhores seleções mas está num grupo difícil, o chamado grupo da ‘morte’.” Ainda assim, depois da vitória no Euro 2016, o antigo internacional português acredita que “ temos todas as condições para fazermos um bom torneio”, até porque “Portugal quando joga com seleções teoricamente mais fortes tem melhores resultados.” Recorde-se que Portugal está no mesmo grupo que a Alemanha e a França, aguardando pela quarta seleção, que sairá da fase de playoff.

No âmbito do Campeonato da Europa que se avizinha, o Bola na Rede questionou Luís Figo sobre um momento histórico da sua carreira, que se passou precisamente no Campeonato da Europa há 20 anos. Portugal derrotou a Inglaterra por 3-2 na primeira jornada do Euro 2000, naquele que é um dos jogos mais memoráveis da nossa história.

A equipa das quinas esteve a perder por dois golos de diferença e Luís Figo foi o autor do golo que deu início à reviravolta de Portugal, um remate extraordinário a cerca de 30 metros da baliza. O Bola na Rede perguntou ao antigo jogador como viveu esse momento e o que lhe passou pela cabeça quando recebeu o passe de Rui Costa.

Luís Figo começou por afirmar que este foi “um jogo histórico e aquilo que pensei foi que já estávamos a perder 2-0 por isso tenho que arriscar”. Nas palavras do próprio, “recebo a bola do Rui, tenho muitos metros à minha frente e decido aproveitar o espaço livre para chegar mais perto da área. Senti que devia arriscar o remate, apesar da distância, e saiu-me bem. O golo permitiu-nos entrar no jogo outra vez e conseguir aquele resultado num jogo que ficou para a história”.

A infelicidade de Giorgi Makaridze

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Em vésperas do jogo que colocará frente a frente Vitória FC e SL Benfica, Giorgi Makaridze, o guardião da turma sadina, proferiu declarações, no mínimo, infelizes.

Makaridze chegou a ser associado ao clube da Luz no último defeso, rumor que o Benfica desmentiu através de um comunicado. Bem, a verdade é que esta situação parece não ter caído bem ao guarda redes georgiano, que, na flash interview do jogo com o Portimonense SC, disse algo que qualquer profissional nunca deveria dizer: “É um jogo muito especial para mim. Vou tentar tudo para não perder contra o Benfica. Prefiro não perder contra o Benfica e perder todos os jogos que restam”.

Claro está que querer ganhar um jogo é perfeitamente normal: até aí, nada de mal. O problema surge quando Makaridze diz que não se importa de perder todos os restantes jogos desde que ganhe ao SL Benfica. Estamos perante uma clara falta de profissionalismo, quase como se de uma “birra” se tratasse.

É perfeitamente normal um jogador querer ganhar um jogo, é perfeitamente normal um jogador querer fazer um brilharete contra um “grande”. O que não acho normal, e considero até desrespeitoso para com o clube que representa, é que esteja disposto a boicotar o que falta da temporada por uma vitória contra o Benfica.

Claro está que esta “troca” é irreal, não há forma de ser possível, mas as palavras de Makaridze e o seu pensamento são bastante condenáveis.

Makaridze é titular indiscutível do clube sadino, tendo disputado, nesta temporada, um total de 27 partidas
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

As declarações do jogador de 29 anos não caíram bem no seio do Vitória, chegando ao ponto de os próprios colegas de profissão se afastarem desta polémica através das redes sociais, tal como aconteceu com Sílvio, atleta que até já passou pelos quadros dos encarnados. Também o próprio clube já se pronunciou acerca desta situação, demarcando-se dos comentários do seu jogador.

A atitude de Makaridze demonstra uma clara falta de fair-play e de noção. Pensar sequer em hipotecar toda a temporada do clube que representa por uma vitória frente a um adversário diz muito da personalidade deste guarda redes.

Até se podia considerar uma falha linguística, mas a viver em Portugal há seis anos, e tendo em conta que Makaridze fala fluentemente a língua portuguesa, tudo isto se trata de pura falta de profissionalismo.

Giorgi Makaridze já se retratou, através do seu Instagram pessoal, pedindo desculpas e referindo que tem consciência que as questões pessoais nunca se deviam sobrepor ao coletivo.

Esta era a única atitude que Giorgi podia tomar. Contudo, este caso deveria ser sancionado pela Liga Portugal. Toda esta situação é grave, muito grave.

Os 8 substitutos do Grande Prémio da China

Com o fenómeno do Covid-19 a afetar vários países um pouco por todo mundo, mas particularmente a China, o Grande Prémio no Circuito Internacional de Xangai foi adiado, ainda sem data marcada. Isto acabou por criar rumores sobre outras corridas que possam tomar o lugar deste Grande Prémio.

Este pequeno exercício serve precisamente para isso, olhar para os inúmeros circuitos espalhados pelo mundo, e encontrar vários candidatos capazes de substituir o Grande Prémio da China. A FIA avalia os circuitos onde as competições sobre o seu aval tem lugar, e para tornar esta escolha mais desafiante e mais realista (senão eu ia querer carros de Fórmula 1 em Daytona), todos os circuitos deste artigo têm de ser avaliados com o nível um da FIA, o nível mais alto, e o único que pode receber corridas de Fórmula 1.

Académica OAF 3-0 FC Penafiel: Coimbra foi uma lição para os penafidelenses

A CRÓNICA: 11 CONTRA 11 E NO FIM VENCEU QUEM FOI (MUITO) MELHOR, A ACADÉMICA OAF

Abertura da jornada 24 em Coimbra, na já famosa noite de quinta-feira coimbrã, e vitória expressiva, esclarecedora e justa da melhor equipa em campo. Individual e coletivamente, houve mais e melhor Académica do que Penafiel e o resultado só peca por escasso. Assim, os da casa colocam fim a uma série de dois jogos sem vencer, enquanto os forasteiros igualam a pior série da época (oito jogos sem vencer) e averbam a maior derrota da temporada.

Primeiros quinze minutos pautados por um equilíbrio a todos os níveis, com oportunidades, pouco claras, a surgirem em ambas as áreas. O primeiro quarto de hora não fazia antever o que se seguiria na restante primeira parte. A Académica tomou as rédeas do jogo e não as deu sequer a experimentar aos forasteiros.

Aos 23 minutos, Chaby atirou em arco à junção dos ferros superior e direito da baliza à guarda de Luís Ribeiro. Primeiro aviso. Nove minutos volvidos e surge o segundo aviso, na forma de um castigo máximo, após falta sobre Mike Moura. Perdulário, o veterano Zé Castro rematou fraco e sem nexo pela relva e viu o guardião visitante não só defender mas agarrar a bola. No entanto, haviam sido entregues os dois avisos. À terceira, foi de vez. Traquina, lançado em profundidade, encarou Luís Ribeiro, endossou a bola para a sua direita para servir Leandro e este rematou para o golo, com a trajetória da bola a não ser intercetada por nenhum dos dois penafidelenses que tentaram travar a sua marcha até às redes.

A segunda parte iniciou-se com um Penafiel bem-intencionado e disposto a mudar (sempre o primeiro passo), mas com uma Académica mais perigosa do que o seu visitante. No entanto, a intenção precedeu, de facto, a ação e os forasteiros criaram perigo – e que perigo! – aos 53 minutos. Na sequência de um canto, Jeferson fez estremecer a trave da baliza defendida por Mika.

Aos 65 minutos, num dos poucos momentos de perfume futebolístico da segunda parte, João Mendes serpenteou pela defensiva adversária e, dentro da área penafidelense, desferiu um remate rasteiro que bateu Luís Ribeiro pela segunda vez. Um quarto de hora volvido e novo golo para os da casa, novo golo para João Mendes. Bola bombeada para a área penafidelense na sequência de um livre, mau alívio da defensiva alvirrubra e remate certeiro do “16” da Briosa. Até ao final, só deu Briosa, que criou mais um par de situações de perigo, valendo ao Penafiel Luís Ribeiro, guardião que merecia outro resultado. No entanto, foi mesmo com um 3-0 que se encerrou a partida.

A FIGURA

Fonte: Académica OAF

João Mendes – Excelente exibição do médio/avançado da Académica, coroada com dois golos. Mas não valeu apenas pelos tentos. João Mendes correu, jogou, fez jogar, ajudou a dar perfume ao futebol academista e auxiliou no (grande) dinamismo ofensivo apresentado pela Briosa. Apesar de exibições de grande nível de Traquina, Chaby, Osei, Dias, entre outros, conseguiu sobressair e ser a figura do encontro. 

O FORA DE JOGO

Fonte: FC Penafiel

FC Penafiel – Péssima exibição alvirrubra, sem que haja a possibilidade de apontar individualidades. Falhou todo o coletivo penafidelense, com extensão ao banco. Exceção feita aos primeiros minutos da partida e aos primeiros instantes do segundo tempo, nos quais o Penafiel traçou um esboço de futebol, os visitantes não conseguiram nunca impor-se, nem travar o ímpeto dos da casa. Foi muito pouco Penafiel para muita Académica.

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF

Não abdicou do seu habitual 4-4-2 clássico (três linhas) o timoneiro academista. Quer a atacar, quer a defender, Barnes Osei e João Mendes formaram a linha mais avançada do sistema da Académica. Ricardo Dias, com funções mais defensivas e de equilíbrio, e Leandro, nas lides mais ofensivas, constituíram o eixo da linha intermediária. Traquina e Chaby alinharam pelas alas esquerda e direita, respetivamente. No entanto e como já é hábito, procuraram várias vezes os terrenos interiores, abrindo alas para os laterais Moura e Moura – Mike pela direita e Francisco pela esquerda.

Apesar de o desenho ser o mesmo e as dinâmicas as habituais, a Briosa apresentou-se mais volátil do que tem sido costume e os seus futebolistas aparentaram ter mais alegria e perfume no seu jogo, durante o primeiro tempo. Na segunda metade, também por crescendo do Penafiel, os academistas preteriram o dinamismo pela segurança, o perfume ofensivo pela gestão defensiva. Ainda assim, fizeram dois golos. 

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (5)

Mike (6)

Arghus (6)

Zé Castro (6)

Francisco Moura (6)

Chaby (7)

Ricardo Dias (8)

Leandro (7)

Traquina (8)

João Mendes (9)

Osei (8)

SUBS UTILIZADOS

Brito (5)

Djousse (-)

Ki (-)

ANÁLISE TÁTICA – FC PENAFIEL

A teoria indicava um 4-1-4-1, a prática não o permitiu muitas vezes. Foi raro ver Ronaldo sozinho na frente de ataque, sendo comum Schons acompanhar o seu colega na manutenção da linha mais adiantada. Em particular, na pressão (na forma tentada) à construção academista, com o sistema de Miguel Leal a transmudar-se para um 4-4-2.

Quando a Académica transpunha essa pressão, Ronaldo ficava, de facto, na frente com a singela companhia dos centrais da casa, sendo o penafidelense com o menor compromisso defensivo (por indicação de Miguel Leal). No momento de construção (face pouco visível da exibição penafidelense), a turma visitante mantinha duas linhas muito recuadas e afastadas da linha da frente, onde três ou quatro homens trabalhavam em busca de espaço para atacar a profundidade. Quando o encontravam, um dos jogadores mais recuados procura a supressão de linhas com um passe vertical. Foi uma solução que nunca o chegou a ser, utilizada muitas vezes (talvez demasiadas) por um Penafiel que, percebia-se, não acreditava ter capacidade para elaborar uma construção mais complexa.

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Luís Ribeiro (6)

Coronas (4)

Felipe Macedo (4)

Jeferson (5)

Paulo Henrique (4)

Rafa Sousa (5)

Ludovic (4)

Romeu Ribeiro (4)

Alan Schons (4)

Gleison (4)

Ronaldo (5)

SUBS UTILIZADOS

Miguel T. (4)

Kalika (4)

Capela (4)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Penafiel

Bola na Rede: O FC Penafiel tinha, até hoje, sete derrotas: seis pela margem mínima e uma por 2-0, na primeira jornada do campeonato. Hoje, sofreu a pior derrota da época. Considera que foi também a pior exibição do Penafiel na temporada?

Miguel Leal: Foi das piores, com certeza. Defensivamente, costumamos ser mais coesos, mais organizados, e hoje um jogador da Académica fintava dois ou três jogadores e isso não é norma. Portanto, algo não esteve bem. Vamos ver o que podemos melhorar para o próximo jogo.

 

Académica OAF

Bola na Rede: A Académica entrou para este jogo a 15 pontas da manutenção matemática e a 15 pontos da subida. A dez jornadas do fim, a cabeça da Académica está a olhar para baixo, para cima ou não está nem para aí virada?

João Carlos Pereira: A cabeça da Académica está virada para o próximo jogo, porque não faz sentido de outra forma. Neste momento, já estamos a preparar o jogo, já estamos a delinear estratégias. Os nossos jogadores sentem que estamos a crescer enquanto equipa, temos tido um bom desempenho e é continuar.

A pequenez do nosso Portugal

Portugal não tem, neste momento, qualquer equipa em prova nas competições europeias, algo que constitui um negativo marco histórico. Importa perceber a razão, mas, mais do que isso, importa, e de forma urgente, encontrar soluções para o oceano de pobreza que impera no futebol português.

Todos conseguem entender que o campeonato português está ferido de qualidade e de competitividade. Como já proferiu várias vezes ao longo desta época Vítor Oliveira, treinador do Gil Vicente FC, o campeonato português é nivelado por baixo e as equipas grandes não têm jogadores tão bons como tinham há algumas temporadas. Se todos pensarem bem, entenderão e concordarão com isto, quanto mais não seja por constatar o óbvio: hoje em dia, uma equipa turca consegue golear uma equipa portuguesa da mesma forma que uma equipa ucraniana, que teve uma pausa de Inverno de cerca de dois meses, consegue ter mais intensidade de jogo que o atual campeão nacional português.

Preocupante? Sem dúvida. Mas mais do que nos preocuparmos em arranjar uma solução, é imperativo perceber o porquê de todos estes passos atrás que o futebol português tem dado época após época. É usual quando temos jogos (alguns recentes) como um FC Porto – Liverpool FC ou um Sporting CP – Real Madrid CF escutamos os treinadores das equipas portuguesas queixarem-se da diferença de orçamento e de poderio face a esse tipo de equipas.

Os milhões de portugueses não são nada comparados com os camiões de dinheiro que esses clubes têm. Contudo, se olharmos à realidade do nosso campeonato, estes milhões portugueses são um absurdo face a todos os outros clubes. Apetece dizer inclusivamente que um ordenado mediano de um jogador do SL Benfica ou do FC Porto paga uma época inteira a um clube pequeno. Sim, é assim tão grande a disparidade orçamental entre três clubes (independentemente do Sporting CP não viver um momento bom) e todos os outros da Primeira Liga.

Porém, se um desses treinadores vier exatamente com o mesmo discurso de enfatizar a diferença de poderio económico, é visto como um treinador fraco que está a arranjar desculpas para resultados que não consegue obter. É por aí que começa. Numa junção terrível de falta de cultura desportiva com uma diferença absurda no que diz respeito às tesourarias dos clubes, em que a repartição (ou falta dela) dos direitos televisivos tem uma percentagem fundamental na agudização desta situação. A partir do momento em que em Portugal o mais importante é a clubite e não o jogo, colocamo-nos imediatamente a anos luz de países verdadeiramente ricos no respeito e na igualdade.

O campeonato português está efetivamente nivelado por baixo. As equipas pequenas em geral, com incomparavelmente menos recursos, têm mantido uma base muito mais sólida do que há alguns anos. Hoje, contrata-se melhor e potencia-se também melhor a chamada “prata da casa” com clubes como o Rio Ave FC a liderarem os nacionais nos escalões de sub19 ou sub23. O facto da formação em Portugal estar mais nivelada, com alguns clubes a terem melhores infraestruturas para a formação do jovem jogador, com redes de recrutamento melhor delineadas, aliadas à indispensável competência de quem treina e de quem joga, contribui fortemente para uma consolidação maior destes clubes a nível de futebol sénior.

Mesmo que o clube grande vença, há um equilíbrio muito maior no jogo e hoje não é tão fácil prever um vencedor de forma “garantida” antes da realização do mesmo e isso não pode nem deve ser só atribuído à inquestionável falta de capacidade do clube grande. Há um mérito grande a atribuir aos outros clubes que se preparam, que têm capacidade e sabem jogar.

Rio Ave tem tido uma temporada brutal na formação
Fonte: Rio Ave FC

O problema do clube grande português na Europa é que não quer jogar em Portugal. Faço um paralelismo básico a outra modalidade: o atletismo. Quem está ligado a este desporto sabe que num campeonato nacional é 95% certo que uma corrida é “tática”, ou seja, colocada em bases lentas, em que o único objetivo é a medalha e não o tempo feito. Contudo, ao adotar este nível de mentalidade, não têm depois capacidade para competir verdadeiramente em campeonatos da Europa ou do Mundo porque não se querem dar ao nível de exigência que deveriam por cá.

No futebol é igual. SL Benfica e FC Porto, essencialmente, preparam a época com vista a serem campeões nacionais e não têm a visão, o projeto de competir a nível europeu. E, ao contrário do que muita gente diz, há condições para uma equipa portuguesa ser candidata a um troféu europeu. O facto é que o mais importante para esses clubes é verem se são maiores do que o rival, o que insere sempre uma guerra sem qualquer sentido na busca pela “verdade desportiva” que são, ironicamente, esses mesmos clubes a transformá-la numa grande mentira chamada futebol português.

Portugal é dos escassos países que não adotou a centralização dos direitos televisivos e os resultados estão à vista. Com a qualidade natural do treinador português, não tenho dúvidas que o campeonato em Portugal seria muito mais forte e competitiva em todos os sentidos se todos os clubes pudessem ter a possibilidade de investir em melhores jogadores, em melhoramentos nos seus estádios (relvados e campos de treino por exemplo) e em parcerias estratégicas ou patrocínios que viriam ajudar a credibilizar o nosso campeonato. Gostamos muito de dizer que “Em Inglaterra é que é!”, mas muito pouco fazemos para nos tornarmos um bocadinho como eles. Começa na mentalidade, passa pelo projeto e termina dentro de campo. Somos, a todos os níveis, um exemplo a não seguir.

Os mais clubistas dirão que Vitória SC e SC Braga também tiveram participação europeia e não foram longe. Num esforço de memória, podemos recordar que o Vitória SC estava inserido num grupo duríssimo (Arsenal FC, Eintracht Frankfurt e Standard de Liége), em que fez grandes exibições, surpreendendo a Europa do futebol, tendo perdido (ou até empatado) por detalhes. O SC Braga acabou por ser eliminado pelo Rangers FC no passado dia 27 de fevereiro.

SC Braga foi “apenas” o clube que melhor representou o país na Europa esta temporada, com exibições excelentes e resultados ótimos, tendo sido afastado por uma equipa que, na fase de grupos recorde-se, defrontou o FC Porto tendo empatado no Estádio do Dragão e vencido na Escócia. Importa dizer também que por muito que SC Braga e Vitória SC tenham por tendência recursos superiores aos restantes clubes da Primeira Liga, não se aproximam minimamente dos três grandes, nem que eles estejam em crise. O fosso é realmente grande e o mais importante para as pessoas que comentam, que opinam e que debatem, é falar de tudo…menos de futebol.

Enquanto tivermos a mentalidade do “ganhar justifica os meios” nunca seremos um país desenvolvido e muito menos um país competitivo. É uma vergonha o país que tem a seleção campeã da Europa, que tem a melhor escola de treinadores do mundo e que tem o melhor jogador do mundo tenha um campeonato tão fraco e tão desprovido de justiça.

Em vez de se lamentarem com a falsa questão de Portugal ser um país geograficamente pequeno (o que não tem rigorosamente nada a ver com a realidade que atravessamos), concentrem-se no vosso dever e naquilo para o qual são pagos: melhorar o futebol português. Não queremos futebol à terça-feira à noite, queremos sábados e domingos de famílias nos estádios. Não queremos criar crises sempre que um clube pequeno ganha a um grande, queremos realçar a qualidade de quem ganha. Não queremos fazer uma separação entre grandes e pequenos, queremos respeito e igualdade por todos os clubes. Queremos algum futebol, por favor.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

As 7 equipas sensação na Europa

A temporada 2019/2020 na Europa já vai a mais de meio gás e faltam pouco mais de dez jogos em todos os campeonatos. Alguns já estão praticamente decididos, como o francês e o inglês, com o Paris Saint-Germain e o Liverpool FC quase campeões, e outros estão ainda longe de serem decididos. Em Espanha, poucos pontos separam o Barcelona e o Real Madrid, na Alemanha ainda há um lote de equipas com aspirações de terminar no primeiro posto e em Itália há uma luta a três entre a Juventus FC, a SS Lazio e o FC Inter. Em Portugal, a luta promete ser até à última jornada, com apenas um ponto a separar os candidatos FC Porto e SL Benfica.

Em todas as ligas da Europa, há equipas que estão a surpreender e estão bem acima daquilo que se expectava antes da temporada começar. Algumas delas chegam mesmo a disputar o título com os principais candidatos. Vem daí ver quais são.

Será o fim da gratidão?

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Será o fim da gratidão? No próximo mês de Abril, o universo portista irá deparar-se com uma das burocracias oriundas do estado democrático, ou seja, com a realização de eleições para eleger quem comandará os destinos dos azuis e brancos nos próximos 4 anos. No entanto, ao contrário do que tem acontecido nos últimos anos ou até mesmo décadas, este período merecerá mais interesse por parte da massa associativa dos dragões, já que não se perspetivará como uma luta a solo, ou seja, o atual líder, Jorge Nuno Pinto da Costa, contará com concorrência, que desde já promete estar atenta ao que não tem corrido tão bem durante os anos mais recente, sob a mão do carismático presidente.

Na última década, o FC Porto tem vivido uma instabilidade, que ainda não tinha sido vista no reinado de Pinto de Costa de uma forma tão assertiva e contestada. Vários são os motivos que tem levado os adeptos a começarem a questionar a sua liderança, a começar pela perda da hegemonia do futebol nacional, na qual tem havido uma clara supremacia do SL Benfica, a perda de competitividade da equipa de futebol, o descalabro dos vários relatórios de contas, a incapacidade de segurar os maiores ativos do clube, a saída de vários jogadores em fim de contrato, assim como a ligação indireta de algumas personalidades menos bem cotadas pelos sócios na atividade corrente do emblema da invicta.

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Desta forma, estes são alguns dos motivos que têm deixado o mundo portista descontente com o presente que vive o FC Porto, que não é mentira nenhuma que vive uma situação no limite e que a qualquer momento pode descambar. Por conseguinte, é cada vez maior a voz critica à direção, que fez crescer o clube para outro panorama do futebol não só nacional, como europeu. Contudo parece estar a esgotar do crédito que gozava há alguns anos atrás e que agora os problemas terão de ser discutidos. Com isto, foi com alguma naturalidade, mas também com surpresa, que apareceram já candidatos, sendo eles José Fernando Rio, Nuno Lobo e Martins Soares, além da candidatura habitual de Pinto de Costa.

Pinto da Costa: A sua candidatura já é encarada com uma formalidade e algo natural. Contudo, ao contrário de outros tempos, a sua efetivação já não é vista de forma unânime ou o caminho para a estabilidade do emblema nortenho. Não é mentira nenhuma em afirmar que Pinto da Costa enfrentará as eleições mais contestadas, desde que assumiu os destinos do FC Porto. Será com alguma naturalidade que continuará à frente da presidência dos azuis e brancos e tem como principal bandeira da sua candidatura a construção de uma academia para a formação, que já é algo que tem vindo a prometer/desejar há algum tempo. Porém, não são esperadas grandes alterações no modelo de gestão, nem na estrutura, por isso será sempre vista como uma candidatura de continuidade.

José Fernando Rio: O jurista e comentador pode-se dizer que teve a coragem de dar voz à massa critica de Pinto da Costa e dar um sinal que nem todos concordam com o que se está a passar no clube e que tanto o presente como o futuro são uma preocupação para muitos. Na primeira declaração em que comunicou a sua intenção em entrar na corrida à presidência, o candidato afirmou logo que o seu objetivo primordial é discutir e levantar questões que todos os adeptos gostariam de ver respondidas. Naturalmente, também salientou o enorme respeito a Pinto da Costa e a todo o seu trajeto, mas reafirmou que isso não pode validar que tudo o que faça não possa ter as devidas consequências. Por outro lado, apoia e defende que o FC Porto deve passar por uma modernização e uma renovação, para que assim possa continuar competitivo em todas as modalidades que compõem a esfera “Porto” e continuar a elevar o seu nome no mundo do desporto.

Martins Soares: O médico para os adeptos mais jovens, pode ser alguém desconhecido, mas para quem já acompanha o FC Porto há mais tempo deve-se recordar certamente do seu nome , já que foi o único, até aqui, que teve a ousadia de rivalizar contra Pinto da Costa, em anteriores atos eletivos. Numa dessas tentativas até conseguiu uma percentagem assinalável, obtendo 22,4%, uma vitória que o mesmo considera, já que a conseguiu no auge do atual líder.

Tal como, José Fernando Rio, Martins Soares não desvaloriza tudo de bom que Pinto da Costa tem feito ao longo dos últimos 30 anos, mas em paralelo com o seu rival não fecha os olhos às obscuridades que tem marcado os últimos anos de gestão que se tem visto no FC Porto e pretende discutir até ao “dia D” esses atos de gestão mais duvidosos e que parecem não estar a levar o emblema nortenho para o rumo certo. Numa entrevista mais recente, pediu para se criar uma lista única, já que com o cenário corrente só levará à vitória da lista favorita, isto é, de Pinto da Costa. Além disso, afirma ainda que não percebeu bem a intenção de José Fernando Rio e que está à espera de que o candidato esclareça ainda alguns pontos sobre as suas motivações para o futuro do FC Porto.

Nuno Lobo: Por fim, o empresário que afirmou que será candidato às eleições de Abril, caso Pinto da Costa não faça certas modificações na lista que lhe agradem. O também professor de História, tal como os outros adversários, afirma que não está a lutar contra o atual presidente, mas sim a favor do FC Porto. Ainda não há um programa definido da sua lista, mas já expressou o desejo de contribuir para um debate e ideias, que possam ajudar o FC Porto a crescer no futuro. De realçar ainda que Nuno Lobo foi um dos membros da claque “Dragões Azuis”, que mais tarde deu lugar aos “Super Dragões”.

Fábio Silva tem sido a aposta de bandeira dos azuis e brancos, na formação
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Em jeito de conclusão, a candidatura de Pinto da Costa deverá ganhar, no entanto não se espera um valor tão consensual como nas últimas, já que a contestação tem vindo a crescer, bem como o atual panorama desportivo e financeiro. Por isso mesmo, as candidaturas de José Fernando Rio, de Nuno Lobo e de Martim Soares não são uma oposição direta ao atual presidente, mas sim à atual gestão e procuram esclarecer algumas obscuridades que têm acontecido no seu modelo de gestão. Por tudo isto, este ato eleitoral será um dos mais interessantes de seguir, desde que Pinto da Costa subiu ao lugar mais solene da estrutura do FC Porto.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão