Recentemente, o ATP foi “obrigado” a vir a público para clarificar uma situação relacionada com o número de títulos que Rafael Nadal e Guillermo Vilas têm em terra batida, e concluiu que Vilas está por enquanto no topo deste pódio específico.
Nunca tive o previlégio de ver Guillermo Vilas jogar ao mais alto nível; só o vi jogar no Vale do Lobo Grand Champions, com uma grande dose de humor e descontracção à mistura. Mas daquilo que são as histórias e os vídeos do tenista argentino é possível estabelecer “meia dúzia” de comparações entre ambos.
Antes de iniciar esse debate, a questão em dúvida era se Nadal teria já igualado o número de conquistas em terra batida, com o espanhol a registar 46 vitórias e Vilas a registar 49. Portanto, é normal que dentro de meses Rafael Nadal supere o número de títulos de Guillermo Vilas. No entanto, a questão em debate não é se Nadal ultrapassa ou não o argentino, que isso é tido praticamente como certo. E na verdade já o fez em número de títulos ganhos, em número de Grand Slams conquistados e na percentagem de vitórias de carreira.
A questão é se Rafael Nadal é ou não melhor jogador do que Guillermo Vilas, entrando aí no domínio da comparação de gerações. É possível comparar a geração de Vilas, dos anos 70, com a geração actual de Rafael Nadal?
Na altura em que Vilas atingiu o seu melhor ranking, o primeiro lugar era ocupado por Jimmy Connors e atrás do argentino estava Bjorn Borg, Rod Laver (embora mais velho) e Artur Ashe. Actualmente, Nadal tem Roger Federer e Novak Djokovic e, claro, podemos falar ainda de Andy Murray.
Não é também pela concorrência que Guillermo Vilas teve vida fácil ao longo da sua carreira, portanto só mesmo pela diferença de exigência dos anos 70 para a actualidade é que se pode comparar quem é o melhor entre Nadal e Vilas, e é neste ponto que entra a opinião de cada um.
No meu caso, seja no ténis, no futebol, ou em quase todas as modalidades, todos os super-campeões da actualidade têm mais mérito do que os do passado, isto porque a exigência actual do mundo desportivo é muito superior à de anos anteriores, onde os detalhes técnicos e tácticos, e consequentemente físicos e mentais, são superiores aos do passado.
Isto vem na linha do que defendi em artigos anteriores sobre a idade com que se atinge o pico de forma. Hoje em dia, os tenistas atingem os seus melhores resultados e os seus melhores rankings em idades cada vez mais avançadas.
Rafael Nadal tem assim maior dificuldade para atingir o topo do topo, para conquistar o que conquistou. Não é que, no tempo de Vilas, ele não tenha revolucionado o próprio ténis, não é que não tenha tido concorrência à altura, mas porque agora a exigência é de outro patamar, está um nível acima do que estava há 20 anos, assim como daqui a 20 anos estará certamente mais desenvolvido do que nos dias de hoje.
O Arouca deu na última jornada um passo importante rumo ao objetivo projetado no início da época: a manutenção na principal divisão do futebol nacional. Para isso, muito contribuiu a chegada em janeiro de duas pérolas emprestadas por Sporting e FC Porto: Iuri Medeiros e Joris Kayembe. Não são as estrelas do Euromilhões mas são elementos que podem assinar a continuidade do Arouca na Primeira Liga.
Estes dois jovens têm dado um importantíssimo contributo à turma orientada por Pedro Emanuel e estão de olhos postos nos plantéis principais dos seus clubes de origem na próxima temporada. O jovem açoriano tem feito boas exibições, quer a jogar atrás do avançado, quer numa das alas, marcou um golo ao Benfica depois de ter “tirado os rins” a Eliseu e abriu caminho à vitória frente ao Gil Vicente, rival direto do clube arouquense na luta pela permanência. Tem um magnífico pé esquerdo e é bom na finalização e no último passe. Já o belga Kayembe, que até jogou vários jogos como lateral esquerdo na equipa B dos “dragões”, tem jogado a extremo, a sua posição de origem, no Arouca, e estreou-se a marcar nesta jornada. Já tinha sido o melhor elemento da equipa frente ao Sporting e fez muita falta no Estádio do Dragão, numa das muitas ausências misteriosas mas, infelizmente, habituais no futebol português, em que um jogador emprestado não defronta o seu clube de origem.
Estes dois elementos vieram dar ao Arouca o tal clique que parecia necessário para a equipa melhorar os seus registos exibicionais e, assim, ter mais chances de garantir pontos para alcançar os seus objetivos. Pedro Emanuel já tinha ao seu dispor elementos bastante interessantes para algumas posições, como Mauro Goicoechea, que tem sido um dos melhores guarda redes do campeonato, Iván Balliu, lateral direito bastante regular vindo do Barcelona, os médios David Simão, Nuno Coelho, Rui Sampaio ou Bruno Amaro, que também são jogadores com qualidade suficiente para justificar que a equipa estivesse melhor classificada na tabela.
Contudo, existiam duas falhas graves: o centro da defesa e o municiamento do ataque. Na defesa, Nuno Coelho foi muitas vezes o “bombeiro de serviço” para completar a dupla de centrais, visto que Diego Galo e Miguel Oliveira parecem-me manifestamente pouco, tanto em qualidade como em quantidade, para uma equipa de Primeira Liga. As vindas de Fokobo, também emprestado pelo Sporting, e de Hugo Basto, que jogava no SC Braga B, vieram dar mais alguma qualidade ao setor, mas ainda assim o eixo defensivo é um dos pontos fracos do Arouca.
No que toca ao plano ofensivo, temos de olhar para a estratégia habitual do Arouca. A equipa joga normalmente com três elementos no meio campo, mas nenhum deles é especialmente bom no aspeto ofensivo. Nuno Coelho, David Simão e Rui Sampaio são jogadores combativos, com espírito de sacrifício, e David Simão até tem um excelente pé esquerdo, mas a equipa precisava de mais ambição ofensiva. Dado que, para garantir o equilíbrio da equipa, é necessário ter estes três elementos no centro do meio campo, há que ter mais criatividade, mais fantasia nas alas. Nesse sentido, Iuri Medeiros e Kayembe são duas opções muito melhores tecnicamente do que, por exemplo, Artur, Pintassilgo ou André Claro.
Além disso, fruto da idade que têm, são jogadores que não têm medo de arriscar, de ir para cima dos laterais e criar oportunidades para eles próprios finalizarem ou para servirem o ponta de lança, que costuma ser Roberto. O avançado português já apontou cinco golos nesta Liga, três deles desde que os dois reforços chegaram ao clube.
Kayembe quando foi apresentado como reforço do Arouca Fonte: Facebook do Futebol Clube de Arouca
Neste momento, o Arouca tem quatro pontos de vantagem sobre o Gil Vicente e seis sobre o Penafiel, equipas que estão abaixo da linha de água. A situação não é tranquila, mas penso que Pedro Emanuel tem todas as condições para conseguir a manutenção. Tem claramente melhor plantel do que o Penafiel e é também superior em relação aos gilistas. O problema da equipa da Serra da Freita tem sido a sua performance fora de casa: em 13 partidas disputadas fora do Municipal de Arouca, perderam nove e apenas conseguiram um triunfo. Dos 23 pontos alcançados até agora, 17 foram em casa, e é preciso que a equipa melhore fora de portas para ter um caminho mais tranquilo.
Até ao final, a equipa arouquense já não defrontará os três grandes nem o Sporting de Braga. Isto é bastante positivo, tendo em conta que os dois principais rivais nesta luta ainda terão de jogar contra águias, dragões e arsenalistas. As duas próximas jornadas, com a visita a Guimarães e a receção ao Belenenses, são teoricamente as mais complicadas, visto que serão contra equipas que estão noutra luta, a do acesso às competições europeias. Contudo, o jogo seguinte, em Penafiel, poderá ser uma oportunidade para dar uma machadada final neste adversário direto.
Se o Arouca já tinha uma equipa suficiente para garantir a manutenção, Iuri Medeiros e Kayembe vieram acrescentar muito mais qualidade. Acredito que na próxima época ouvir-se-á falar muito destas duas pérolas, uma em Alvalade, outra no Dragão. Assim haja oportunidade para que eles demonstrem o seu valor.
Após longos meses de espera, a temporada de 2015 do Mundial de motociclismo começa este fim-de-semana, no circuito de Losail, no Qatar. Um Grande Prémio que promete ser competitivo, tendo em conta os testes de pré-temporada e até mesmo o final da época 2014. O espectáculo das duas rodas terá como pano de fundo as luzes artificiais do circuito de Losail.
Fonte: Mundo Moto
Vejam-se, em primeiro lugar, os testes de Sepang e os dados que eles fornecem e que nos ajudam a criar expectativas sobre o Grande Prémio do Qatar, e até mesmo para a temporada de 2015.
A renovada Ducati, com Andrea Dovizioso e Andrea Iannone, surpreendeu nos testes de Inverno ao apresentar um bom ritmo e ao mostrar que os problemas de subviragem já poderão estar resolvidos. E logo a tempo da nova temporada. Contudo, o verdadeiro teste para os pilotos italianos, e até para a própria moto, começa este fim-de-semana, onde testarão o equipamento em longa distância e com ritmos bastante mais altos do que os registados, nos testes de Sepang.
Outra das novidades para 2015 prende-se com o regresso da Suzuki. Relembro o que escrevi, algures em 2014, sobre esse regresso. É uma equipa totalmente renovada, com uma moto muito mais competitiva do que aquela que abandonou o Mundial em 2012. Maverick Viñales e Aleix Espargaró foram os pilotos escolhidos e acreditam que, ao longo do campeonato, a moto poderá tornar-se ainda mais competitiva.
A Aprilia, comandada por Jorge Martinez Aspar, também está de regresso à classe rainha do Mundial de motociclismo. Contudo, a situação da Aprilia é diferente já que os pilotos, Álvaro Bautista e Marco Melandri, irão desenvolver uma moto completamente nova. Será uma época de testes para que em 2016 a moto possa ser mais competitiva e conseguir, assim, melhores resultados.
Dadas as novidades para 2015, é tempo de falar dos que são favoritos e que serão, certamente, os protagonistas.
A figura principal e claro favorito ao título é o espanhol Marc Márquez. Relembro os mais distraídos que Marquéz conquistou os dois últimos títulos mundiais, deixando para trás pilotos experientes, como Valentino Rossi, Dani Pedrosa e Jorge Lorenzo.
Marc Marquéz é o favorito para a temporada de 2015 Fonte: Site Oficial da MotoGP
Contudo, o espanhol tem uma opinião particular em relação aos seus opositores. Quem começou a ler as primeiras linhas deste texto poderia dar a Ducati como a principal opositora da Honda de Márquez. Mas para o piloto, os seus principais opositores serão os mesmos de sempre: Rossi, Lorenzo e Pedrosa. E talvez tenha razão. Porque, muitas vezes, o que conta é a experiência e nesse campo os pilotos da Honda e da Yamaha Movistar levam vantagem sobre os pilotos da Ducati.
Por outro lado, tanto Valentino Rossi como Jorge Lorenzo têm como principal objectivo a conquista do título mundial e prometem uma maior oposição a Marc Marquéz. O final da época de 2014 mostrou isso mesmo. Valentino Rossi, após algumas mudanças na sua equipa, mostrou-se bastante forte na recta final do campeonato, bem como Jorge Lorenzo que conseguiu diminuir a vantagem pontual para o italiano. Os pilotos da Yamaha Movistar não farão, com toda a certeza, a vida fácil ao jovem Marquez.
Mas não pensem que a classe rainha se resume à luta entre a Honda, a Yamaha e a Ducati. À semelhança da época passada, vai assistir-se, certamente, a lutas interessantes entre as equipas de satélite como a CWM LCR Honda, pilotada por Carl Crutchlow; a Estrella Galicia de Scott Reading ou a equipa Tech 3 Yamaha dos pilotos Bradley Smith e Pol Espargaró.
A temporada de 2015 conta com 25 pilotos na grelha de partida, sendo que 12 deles já conquistaram títulos mundiais: 18 no total. Já os estreantes são Viñales, Miller, Laverty e Baz.
Os dados estão lançados! E, no domingo, pelas 19h00, em Portugal Continental, dar-se-á início à primeira corrida da temporada de 2015.
A corrida à Bola de Ouro tem sido nos últimos anos bastante simples: Cristiano Ronaldo, Messi e alguém. Normalmente esse “alguém” é um jogador de grande qualidade e que realizou uma grande época mas teve o azar de jogar numa época em que existem dois monstros do futebol. A fava já calhou a jogadores como Xavi, Iniesta, Ribéry e, mais recentemente, Neuer.
Este ano a corrida está novamente aberta e Robben parecia estar a correr na direcção certa para ser a “fava”. Com a melhor média de golos de sempre (0,66 por jogo) e com uma influência cada vez mais notória num Bayern em que Ribéry se vai deixando superar, o holandês lesionou-se. Os azares acontecem a toda a gente, mas este veio particularmente em má hora e não só para o extremo holandês.
Um azar que veio na pior altura Fonte: Facebook de Robben
A sua candidatura ao lugar de “fava” pode ficar comprometida, especialmente com uma paragem estimada entre 6 a 8 semanas. Robben vai com certeza perder o ritmo fantástico com que se tem apresentado e quando regressar (já no final da época) pode ver a sua influência diminuída e ser superado no lugar de “fava” por outro jogador. Para o clube bávaro tal lesão em tão grande jogador não podia acontecer em pior altura.
É certo que ao Bayern não faltam soluções, mas Robben era até este momento um dos pilares da equipa. Sinceramente, não vejo ninguém no banco capaz de ser tão desequilibrador e de fazer tão bem a movimentação da ala para a área como o holandês tão bem faz (Shaqiri deve neste momento estar a desejar não ter saído. Finalmente tinha chegado o momento pelo qual tanto esperou). A lesão vem numa altura crucial da época e em que, apesar dos alemães terem a conquista do campeonato praticamente assegurada, não querem deixar escapar a Liga dos Campeões e de vencer a Taça da Alemanha (com certeza que todos têm saudades do épico triplete com Heynckes).
É com pena que vejo Robben a perder a que provavelmente seria a sua melhor época de sempre. Deixa-me triste que grandes jogadores como o holandês não tenham a oportunidade de ser premiados pelo seu grande futebol, mas todos temos azares e o azar de Robben, e de todos os outros jogadores do mundo, foi o de jogar na mesma altura que Cristiano Ronaldo e Messi. Quanto ao Bayern, este pode ser um golpe nas suas maiores aspirações, apesar de terem jogadores como Müller ou Goetze, que podem jogar na ala esquerda, para desenrascar a situação. Espero para ver se Robben volta a tempo de ser a “fava” de Ronaldo e Messi ou se o lugar de “fava” vai para qualquer outro talento do futebol.
Após um início de época de baixo rendimento e inconstante em termos exibicionais e no que concerne a resultados, o FC Barcelona está finalmente a produzir um futebol de elevada qualidade e os jogadores a verem os seus esforços serem recompensados, renascendo assim das “cinzas” da temporada passada, escassa em títulos e conquistas para as hostes catalãs. O emblema blaugrana encontra-se no comando de La Liga e carimbou, recentemente, a passagem aos quartos de final da Liga dos Campeões.
A primeira metade da época não foi, de todo, uma caminhada fácil para os catalães. A equipa não demonstrava o habitual entrosamento, os jogadores aparentavam não ter a confiança de outrora e, obviamente, os níveis de produção não se revelaram elevados. A contratação de um novo treinador para o comando técnico do clube também não ajudou nesta situação. Pelo menos nos primeiros tempos.
O técnico escolhido para fazer o Barça voltar à ribalta do futebol e à conquista de troféus foi Luis Enrique. O treinador espanhol tentou fazer uso do tão aclamado tiki-takaculé, desenvolvido por Pep Guardiola, mas tornou-o menos “mastigado” a nível de meio-campo, atribuindo-lhe uma maior faceta ofensiva. Nos dias que correm, apercebemo-nos de que os jogadores do Barcelona necessitam de uma menor quantidade de passes entre si para chegar à área dos adversários e criar perigo. Levou algum tempo até que os jogadores se adaptassem a esta nova maneira de utilizar o seu estilo de jogo, no qual denotam agora uma maior liberdade para demonstrarem o seu potencial técnico, como vemos nas fintas de Neymar, Messi e companhia, e partirem para a jogada individual.
No final da primeira volta da Liga Espanhola, após a 19ª jornada, o FC Barcelona seguia em segundo lugar, a quatro pontos do primeiro classificado, o seu rival Real Madrid, contando já com três derrotas e dois empates no principal escalão de futebol espanhol. Faltavam os golos e passes magistrais de Messi, a magia de Neymar e a pontaria afinada de Luis Suaréz (que havia sido contratado ao Liverpool por cerca de 80 milhões de euros).
Porém, após meados de janeiro, a situação ficou certamente diferente. Os blaugrana começaram a demonstrar, novamente, um excelente entrosamento entre si, a praticar um futebol mais vistoso aos olhos dos seus adeptos e de todos os amantes do futebol e os resultados tornaram-se mais de agrado para com o que o clube espera alcançar. Certo é que depois de estar a quatro pontos da liderança, o Barcelona está hoje em primeiro lugar com essa mesma diferença pontual para o Real Madrid, tendo aproveitado a tremenda quebra de rendimento que tem vindo a acentuar-se nos merengues com o decorrer da época.
Algo que merece ser apontado como umas das principais causas para este “renascer” do Barça passa pela avassaladora subida de rendimento de Lionel Messi, desde o mês de janeiro até então. Até aí ainda não havia aparecido o mago do futebol a que tanto nos habituámos, com capacidade para decidir os jogos e dar vitórias aos blaugrana através de todo o seu talento. Estava em baixo de forma, não demonstrava prazer em jogar, tanto até que perdeu a luta pela Bola de Ouro 2014 para Cristiano Ronaldo, troféu entregue precisamente no primeiro mês do presente ano. Esse momento revelou-se como um autêntico “clique” para La Pulga, pois desde então Leo tem estado numa forma absolutamente imparável.
2015 tem decorrido de forma quase perfeita para os blaugrana Fonte: Facebook do Barcelona
Chegou a estar com menos 13 golos que Ronaldo na liga, mas o argentino é hoje o principal artilheiro da mesma e, também, o melhor marcador em todas as competições, tento feito balançar as redes da baliza adversária por 43 vezes. Porém, não é apenas pelos golos mas também pelas suas jogadas, dribles e fintas incríveis e pelo facto de ter a mestria para desequilibrar uma partida a qualquer momento com um único golpe da sua “magia”. E com Messi em forma, a tarefa do Barcelona afigura-se, certamente, mais facilitada.
Todavia, não só Messi demonstrou melhoria no seu rendimento em campo após o começo de 2015. Luis Suárez, internacional uruguaio que custou uma elevada quantia para os cofres do Barça, tardou em adaptar-se ao estilo de jogo dos culés e em fazer valer a aposta feita pelos dirigentes do clube nos seus serviços. Demorou, mas conseguiu, algo que nem todos os avançados que passaram pelo emblema catalão nos últimos anos podem afirmar. Suárez é hoje um jogador totalmente adaptado à equipa e tem vindo a demonstrá-lo. Encontra-se cada vez mais presente na criação de lances de perigo e de golos, toma parte nas constantes diagonais no estilo de jogo blaugrana e os golos, naturalmente, começaram a surgir. Luisito conta atualmente com 14 golos em todas as competições e o mais importante foi, de acordo com o mesmo, no passado domingo, em que concretizou o tento que deu a vitória por 2-1 do Barcelona frente ao Real Madrid, encontro decisivo para as contas de La Liga.
Não só a linha atacante, denominada de MSN (Messi, Suárez, Neymar), tem feito furor. A defesa culé tem, também, merecido uma devida e bem atribuída distinção por parte da imprensa. A equipa é a menos batida da Liga Espanhola, tendo concedido apenas 17 golos em 28 jornadas, feito que merece, de facto, ser realçado. Para isso tem contribuído a estabilidade neste setor, algo que não tinha vindo a acontecer em tempos recentes para os lados de Barcelona. A aquisição do francês Jérémy Mathieu veio dar ao clube uma maior consistência defensiva, que se alia à boa temporada que Mascherano, Jordi Alba e até mesmo Piqué têm vindo a realizar. Aliado a isto, a baliza blaugrana foi reforçada com dois guarda-redes de peso, Claudio Bravo e Marc-André ter Stegen, que têm dividido o posto pelas competições.
No meio-campo, que não tem estado ao seu melhor nível, deve atribuir-se a devida atenção a Ivan Rakitić, croata contratado ao Sevilha, que tem tido um papel de destaque no Barça, face à baixa de rendimento de Andrés Iniesta e ao facto de Xavi, nos dias que correm e por decisão de Luis Enrique, estar mais tempo no banco do que dentro das quatro linhas. Por seu turno, Rafinha, irmão de Thiago Alcântara, tem sido chamado ao onze inicial com regularidade e está a corresponder, imprimindo virtuosismo, uma elevada qualidade técnica, boa qualidade de passe e velocidade à turma catalã.
Com os jogadores a exibirem-se a um bom nível nesta fase determinante da época, o FC Barcelona mantém-se em destaque em todas as frentes pelas quais luta. Na Liga Espanhola, os quatro pontos de avanço, conquistados após o El Clásico da última jornada, dão alguma segurança às hostes culés para a conquista do campeonato. No que concerne à Taça do Rei, as esperanças e motivação dos catalães estão em alta, poisirão marcar presença na final da competição, a realizar a 30 de maio, face ao Athletic Bilbao. A nível internacional, após uma eliminatória na qual a equipa demonstrou todo o seu poderio e qualidade de jogo invejáveis nas duas partidas que realizou contra o Manchester City, o Barça irá defrontar o PSG nos quartos de final da Champions League, afirmando-se, de momento, como um dos favoritos à conquista do troféu. Serão, então, os blaugrana capazes de conquistar o “tri”?
Bruno de Carvalho completará no próximo dia 27 dois anos na liderança do Sporting. Está, portanto, a meio da viagem do mandato que lhe foi conferido pelos sócios. Um momento natural para se fazerem as tradicionais avaliações – será o que aqui hoje se tentará fazer. A sua nomeação em exclusivo e não de uma equipa parece-me fazer aqui todo o sentido tal tem sido o cunho pessoal e centralizador imprimido à tomada de decisões.
Numa análise como esta há matérias sobre as quais é possível emitir uma opinião definitiva, outras há que, pela sua complexidade, só o tempo deixará perceber o produto resultante da tomada de algumas decisões. Depois há os condicionalismos resultantes do facto de a gestão de um clube estar muito ligada aos resultados desportivos, em particular o futebol, o grande gerador e consumidor de receitas, sendo estes determinantes para a definição do sucesso.
Elencar-se-ão de seguida, de forma resumida, aqueles que são considerados por mim os principais méritos na actual gestão, considerando desde já alguns aspectos e circunstâncias importantes que marcam a chegada de Bruno de Carvalho à presidência do clube:
– Um cenário particularmente difícil do ponto de vista financeiro, resultante da falência da gestão anterior, que se reflectiu na pior época de sempre no futebol, agravado pelo facto de ficarmos fora das competições europeias.
– Um clube há muito desaurido e estilhaçado por convulsões internas, em muito resultante da falta de vitórias e de liderança, com as consequências a fazerem-se sentir quer no espírito do clube e dos adeptos quer na forma como éramos visto de fora.
– Um clube a clamar por uma mudança na nomenclatura dos seus dirigentes de forma a acabar com álibis de alguns e pôr fim a muitos interesses instalados.
Méritos
– Implementação da reestruturação financeira. Independentemente de quem seja a autoria – da direcção anterior, dos credores, ou da actual direcção – o mérito tem que ser tributado a quem a implementa. Ela era crucial para o clube poder sobreviver depois de quatro anos (Bettencourt e Godinho Lopes) de um elevado investimento do qual não resultou nem retorno financeiro nem retorno desportivo.
– Neste âmbito, os exercícios económicos positivos consecutivos merecem também destaque. Bem como melhores performances nos resultados obtidos com as vendas de jogadores, tão importantes para o reequilíbrio financeiro.
– Algumas medidas tomadas neste âmbito, nomeadamente o despedimento de funcionários, podem até ter sido injustas para alguns, o que é sempre de lamentar, mas é também verdade que a margem de manobra era muito limitada e o Sporting acumulava em quase todos os sectores gente a mais, acomodada e mal orientada.
– A re-aproximação do clube às bases, com a implementação de medidas que trouxeram o acréscimo do número de associados.
– A resolução de alguns problemas que se arrastavam no tempo e pareciam insolúveis, como a colocação das claques na mesma bancada, conseguida de forma simples e célere, ou a edificação do tão ansiado pavilhão, cujo lançamento da primeira pedra está a um par de dias de ocorrer. O início das emissões da Sporting TV.
– A reorganização das modalidades, sobretudo ao nível financeiro, com a diminuição de verbas, não correspondeu à tão temida perda de competitividade. É certo que também não melhoramos, mas dificilmente se consegue crescer sem pôr mais adubo, leia-se euros. A par disso juntou-se o hóquei às modalidades que regressaram integralmente ao clube, estimando-se que o mesmo venha a prosperar, como o basquetebol e o râguebi.
– Um dedo especial para a escolha dos treinadores. Grande parte do ressurgimento competitivo do clube, especialmente no futebol, advém de duas boas escolhas consecutivas, Leonardo Jardim e Marco Silva.
Fragilidades
– Ao contrário do que se podia esperar, a conflitualidade interna continua a ser um problema para o Sporting. As responsabilidades são de todos, maiores de quem ganhou porque, como em qualquer contenda, os termos da paz são ditados por quem vence. É minha convicção que aqui Bruno de Carvalho podia ter feito mais e melhor e os seus “pecados” nesta área são tanto por acção directa sua como dos seus apoiantes mais acérrimos.
– Mais importante do que analisar as estratégias, que podem ser diversas, são os respectivos resultados que contam. O isolamento institucional do Sporting mantém-se e é notória nas mais diversas ocorrências. Apesar de a postura hoje ser diferente, os resultados são os mesmos, com o Sporting a aparecer isolado e a não conseguir congregar à sua volta nenhuma outra instituição ou agente.
– Se houve actuação que ficou muito aquém das promessas eleitorais foi a política de aquisição e dispensas. Excesso de intervencionismo no mercado face às necessidades e possibilidades, (mais de 30 jogadores em 2 anos), acumulando-se a chegada de jogadores sem qualquer recomendação para incorporar uma equipa com as obrigações do Sporting.
– Excesso de intervencionismo na Academia, que era precisamente, apesar de muitos erros acumulados no passado, o que melhores e mais notórios resultados trazia ao clube. A “aposta na formação” tornou-se numa conversa recorrente, nem sempre com os melhores argumentos de parte a parte. Provavelmente os resultados das actuais intervenções só se conhecerão no médio prazo. São os hoje claros os dividendos de uma aposta efectuada há quase década e meia: Patrício, Cédric, Adrien, William, Tobias, Martins, João Mário, Wallyson, Mané, Iuri, Chaby, Nani e outros que já cá não estão só são possíveis por isso. Os sinais de aviso estão acesos: convocações para selecções desertas de jogadores, ausência inédita em fases finais.
– A comunicação excessivamente truculenta e desfasada do que me parecem ser as melhores práticas e até os valores do clube. As mudanças recentes são uma admissão de que nem tudo correu bem e, sobretudo, um sinal de reflexão e auto-crítica, indispensável para quem quer melhorar.
– Provavelmente o ponto mais polémico desta análise face ao que é o pensamento dominante hoje: os fundos. Uma guerra que sofreu notáveis mudanças, ao começar com a Doyen, pedindo a regulação da actividade até se generalizar a todo o tipo de partilha de passes, pedindo a sua extinção. Ao contrário do que se tem vinculado, e que merecerá em breve post próprio, os principais prejudicados serão os clubes com perfis semelhantes aos portugueses e que tenham no horizonte não apenas as prestações internas como também a sua competitividade internacional.
Bruno de Carvalho vai completar dois anos à frente do Sporting CP Fonte: Sporting Clube de Portugal
Momentos altos
– A eleição e respectiva aclamação no momento que se seguiu. O momento foi de natural festa mas foi também um momento importante de responsabilização.
– A conquista do segundo lugar no campeonato passado. É pouco, atendendo ao historial do clube, mas é muito atendendo ao ponto de onde se partiu e aos diferentes meios ao nosso alcance, face à concorrência.
Momentos infelizes
– A rábula com Manuel Fernandes, um símbolo do clube. Até porque as criticas de Manuel Fernandes não justificavam uma reacção tão violenta.
– A comunicação no Facebook nos momentos seguintes à derrota em Guimarães. É doloroso perder daquela forma mas o tempo veio demonstrar que se tratou de um acidente circunstancial.
– O “episódio Marco Silva”. Felizmente quer a intervenção dos adeptos quer a reflexão que se seguiu, permitiu corrigir a estratégia lançada para despedir o treinador, sem razões de fundo que a justificasse. Continua a faltar pôr no lugar o mandatado José Eduardo e acabar de vez com os rumores sobre o contrato e continuidade de Marco Silva.
Desafios para os próximos 2 anos
– A palavra determinante será consolidação e estabilização. Por exemplo, da reestruturação financeira, do projecto Pavilhão, da Sporting TV e de outros projectos importantes em curso, como a internacionalização da Academia, etc.
– Upgrade competitivo indispensável para que o Sporting se reencontre com a sua grandeza. Este não surgirá num ápice, requer paciência e sobretudo muita assertividade nas medidas, porque a margem é praticamente inexistente, face ao tempo perdido. Requer também convicção à prova dos primeiros dissabores.
– O ponto anterior é crucial no futebol, a mola real do clube. Será aqui que as principais ideias – é dizer também as principais guerras – de Bruno de Carvalho serão testadas: fazer mais com menos, as relações com os empresários, manter os melhores jogadores ou substituí-los por jogadores de valor igual, etc. e sobretudo alcançar resultados. Depois de duas épocas excepcionais – que foram do pior lugar de sempre ao regresso pela porta grande às competições internacionais -, o Sporting apresta-se a voltar a um “lugar natural”, que parece ditado pelas diferenças orçamentais. Contrariá-las com o rumo traçado parece ser a convicção do presidente e é, quanto a mim, o grande teste que terá, a bem do Sporting, de passar com distinção. Porque um Sporting sem títulos é um Sporting contra o seu próprio destino.
– Outras matérias terão igualmente importância crucial, cuja resolução marcará a competitividade do clube, pelas suas implicações financeiras. A renegociação do patrocínio das camisolas será o próximo grande desafio. Outros há como o aumento das receitas, as participações na SAD ou a centralização dos direitos televisivos, que serão algumas das próximas lutas a travar.
Quais eram as probabilidades de um miúdo canadiano, magrinho e não particularmente atlético, que fez o liceu num colégio privado na província da Columbia Britânica e jogou basquetebol universitário na pequena Universidade de Santa Clara, se tornar uma estrela da NBA? Uma em 500 milhões?
E quais as probabilidades de esse miúdo se tornar não apenas uma estrela, mas um dos melhores distribuidores e atiradores de sempre e alguém que mudou a forma como se joga na NBA? Uma em mil milhões? Menos ainda?
Mas foi isso mesmo que Stephen John Nash conseguiu. Não foi um percurso fácil até lá, mas, contrariando todas as probabilidades, o miúdo canadiano que foi assobiado pelos fãs dos Suns quando a equipa o escolheu na 15ª posição do draft de 1996 retirou-se este fim de semana como um dos melhores bases de sempre e um jogador que ficará eternamente na memória dos fãs e na história da liga. Depois de um começo de carreira em Phoenix, em que, num plantel com vários bases e atrás de Kevin Johnson, Sam Cassell e depois Jason Kidd, nunca foi muito utilizado, Steve Nash foi trocado para os Mavs em 1998.
Em Dallas, começou a desenvolver e a mostrar todo o seu talento para lançar, passar e orquestrar um ataque. Ao lado de Dirk Nowitzki e Michael Finley, tornou-se o maestro de um dos melhores ataques da liga e, em 2002, foi escolhido pela primeira vez para o All Star.
Em 2004, depois de os Mavs não igualarem a proposta dos Suns, voltou para Phoenix como free agent. E o basquetebol nunca mais foi o mesmo. Nash juntou-se a Amare Stoudemire, Shawn Marion e Joe Johnson para formar o ataque mais prolífico da liga (e o melhor da década, com uma média de 110.4 pts/jogo) e a equipa mais excitante de seguir do mundo. Os Suns, que na época anterior ganharam 29 jogos, acabaram com um record de 62-20 nessa temporada de 2004-05, foram até às Finais de Conferência (onde perderam com os eventuais campeões Spurs em cinco jogos) e Nash foi eleito o MVP da temporada.
Steve Nash e esses Suns dos “Sete Segundos Ou Menos” revolucionaram os ataques na NBA e mudaram a forma como se joga desse lado do campo. O pick and roll alto e os jogadores abertos foram popularizados por essa equipa e Nash (sob a batuta de Mike D’Antoni, justiça seja feita ao homem) foi o precursor desse ataque que hoje está generalizado na liga.Actualmente, não há nenhuma equipa na liga que não incorpore o pick and roll alto no seu ataque e a maioria delas fazem desse movimento a base do seu ataque. Todos os grandes bases desta geração fazem desse pick and roll o seu pão nosso de cada dia. E todos eles aprenderam com Nash.
Foi ao serviço dos Suns que Steve Nash mais brilhou ao longo da da sua carreira Fonte: Wikipedia
Muitos irão sempre apontar que faltou o título para coroar o legado do canadiano. Ou destacar a sua fraqueza do outro lado do campo. Mas isso não retira Nash do seu lugar na história. E não lhe diminui nenhum dos feitos alcançados:
– 2 vezes MVP da temporada (2005 e 2006; o único jogador com menos de 1,98m a ganhar o prémio por mais de uma vez)
– 8 vezes All Star
– 7 vezes All-NBA (3 vezes First Team; 2 vezes Second Team; 2 vezes Third Team)
– 3.º jogador com mais assistências de sempre (10.335)
– 7 temporadas com mais de 10 ast/jogo (3.ª melhor marca de sempre, só atrás de John Stockton e Magic Johnson)
– Melhor percentagem de lançamento livre na carreira de sempre (90.4%; são mais de 90%, não numa temporada, mas na carreira! Só mais um jogador conseguiu isso em toda a história da NBA: Mark Price, com 90.3%)
– 4 temporadas com 40-50-90 (lançar 40% de 3pts, 50% de 2pts e 90% de LL é um feito que só foi conseguido 10 vezes até agora; 4 dessas vezes são de Nash)
Qualquer um destes feitos por si só já lhe valeria um lugar no Olimpo da NBA. Junte-se a isso a marca que, como dissemos em cima, ele deixou no jogo e na forma como ele é jogado e só podemos dizer “Obrigado por tudo, Steve. Nunca te esqueceremos”.
Houve um tempo em que o Chelsea tinha estado 26 anos sem ganhar um único troféu. No entanto, quando um mágico vagabundo de 1.68 metros chegou a Londres, a tristeza estava destinada a dar lugar à alegria e à emoção. Estávamos na época de 96/97 e Ruud Gullit foi buscar ao Parma um jogador italiano chamado Gianfranco Zola, pagando por ele 4.5 milhões de libras. Este mágico italiano foi o homem que Maradona apontou como seu sucessor no Napoli e que vinha a maravilhar o campeonato italiano com golos, fintas e passes fenomenais. Em Inglaterra, quando choviam notícias de jogadores que o Chelsea iria contratar, o nome de Zola gerou receios e fantasias. Receios pela sua estatura e fantasias pela magia que o trequartista italiano espalhava em campo.
Zola não esperou muito para calar os críticos e logo no jogo de estreia marcou um golo fenomenal. A geração de Zola mostrou ao mundo os melhores trequartistas que este viu até aos dias de hoje, entre eles Del Piero e Roberto Baggio, mas há qualquer coisa em Zola que me faz ficar ainda mais encantado com ele do que com os outros. Se pelo facto de Zola ter empurrado o Chelsea para uma era de sucesso ímpar até à data ou pelo facto de ser dos três de que falei o que menos reconhecimento teve pelo talento que tinha, eu verdadeiramente não sei. Apenas sei que é um dos jogadores que mais admiro e um dos que mais talento tinha. E que talento era esse! O Magic Box, como em Inglaterra viria a ser chamado, era um jogador que simplesmente me enchia as medidas e entristece-me o coração o facto de não ser enaltecido como merece. Zola era um vagabundo em campo, sem posição definida, sem amarras táticas e apenas focado em fazer o que ele fazia melhor, espalhar magia e trazer alegria aos adeptos.
Zola foi feliz no Chelsea Fonte: Chelseafc.com
Com a sua chegada, o Chelsea passou de 26 anos sem ganhar nada para 4 anos seguidos a ganhar troféus. Mas, mais do que os troféus, acredito que o que fez de Franco um dos homens mais amados em Stamford Bridge foi a alegria contagiante do seu futebol, aquele pequeno génio que conseguia fintar 3 jogadores em simultâneo, marcar um golo a 30 metros ou fazer um passe de 35/40 metros para os pés de Hasselbaink. O Chelsea de Zola pode nunca ter ganho uma PremierLeague, mas era a equipa que toda a gente queria ver jogar – adeptos e rivais admiravam o futebol emocionante do Magic Box e só queriam nunca ver desvanecer aquela genialidade. Eles pediram e Zola deu-lhes. Em 2002/2003, o mágico da Sardenha faria a última época no Chelsea, com 36 anos. Nessa época, marcou 16 golos, o seu registo máximo ao serviço do Chelsea. Marcou o seu último golo contra o Everton com um fantástico chapéu e, na última vez que vestiu a camisola do Chelsea, jogou 20 minutos contra o Liverpool, fintou 4 defesas numa fantástica sequência de dribles, deixando o estádio ao rubro e sendo ovacionado por adeptos do Chelsea e do Liverpool.
Gianfranco Zola, deixou Londres, Inglaterra e o futebol inglês pela porta grande aos 36 anos. Voltou para Itália, para o Cagliari, clube da sua terra natal. Jogou por mais 2 épocas, retirando-se aos 38 anos, nas quais conduziu o Cagliari de volta à Série A, jogou 74 jogos e marcou 22 golos. A lenda e a sua magia permanecem agora em inúmeros vídeos do Youtube, onde quem, como eu, adora o futebol se delicia por horas.
A Juventus está nos quartos de final da Liga dos Campeões. Para meu júbilo, para ser sincera. A vecchia signora venceu categoricamente o Borussia Dortmund no Westfalenstadion por 3-0, e temos de o dizer: mesmo com a crise da equipa alemã, nem todos são capazes de o fazer. Mas a Juve não é uma equipa qualquer.
O séc. XXI começou bem, com a Bola de Ouro de Nedved e dois campeonatos consecutivos. Mas depois vieram os escândalos: corrupção, resultados combinados e subornos; a Juventus foi pontapeada para os escalões inferiores e obrigada a atingir novamente o palmarés de mais de um século. Degrau a degrau, ignorando as humilhações, com o apoio nas bancadas e a raça de Del Piero, os bianconeros regressaram à Serie A e fizeram o que ninguém esperava. Foram subindo na tabela, são tricampeões italianos e estão a caminho de mais um campeonato. Vai escapando a glória europeia.
Esta Juve da segunda década do século é diferente; tem juventude, garra, querer; quer ganhar, quer ser o que já foi. Pogba trouxe elegância e modernidade. Pode talvez estar cumprir a sua última temporada ao serviço da Juventus, mas fá-lo brilhantemente. Arturo Vidal é um excelente organizador, Tévez leva ao desespero os centrais e ainda tem lances de génio. E Morata. Dá a esta Juve o seu coração, e ela devolve, se tudo correr bem, com gratidão e títulos.
Pirlo, o maestro da Juve! Fonte: Wikipédia
Parágrafo para falar de coisas diferentes, de um homem diferente: Andrea Pirlo. Sempre o admirei enquanto jogava no Milan e como capitão da azurra, e foi com enormíssima alegria que o vi transferir-se para o meu clube italiano predilecto. Colmatou a dor da saída de Del Piero. É o maestro, o capitano ventuno; orquestra os outros 10 heróis que estão a repor a Juve no sítio onde ela merece estar. Passes magistrais, livres marcados como se estivesse a jogar PlayStation, subtileza a tocar na bola, como se de um filho se tratasse. Obrigada, Pirlo. Graças a ti escolhi ser médio-centro quando ainda nem tinha resistência para o ser.
Podia estar aqui o dia todo a elogiar Buffon, Chiellini, Evra e Llorente. Mas é mais importante dizer que todos estes jogadores, juntamente com aqueles que já saíram (como Felipe Melo), mostraram que é possível bater no fundo e voltar a estar no topo do Mundo. Que grande lição, que clube. A Juventus está nos quartos de final da Liga dos Campeões. Venha o Mónaco.
É em noites como esta que se percebe o verdadeiro valor de uma onda invicta: simultaneamente tudo e nada. Tudo para quem a carrega, nada para quem a enfrenta. LaFlare acusou o peso desta e das quatro vitórias seguidas por decisão, na UFC. Demian Maia mostrou indiferença ao recorde e que experiência pode valer mais do que um zero no registo de derrotas.
O que o Fight Night 62 tinha em falta de nomes sonantes certamente compensou em espectacularidade. Dos seis combates, cinco terminaram por finalização, e em todos estes se viu uma finalização diferente.
O começo do cartaz principal, com o combate entre Godofredo “Pepey” e Andre Fili, não poderia ter sido melhor. “Pepey” entrou frenético, com um pontapé saltado, a levar o combate a Fili. Eventualmente, consegue uma projecção. Fili recupera, levanta-se e encosta Godofredo à rede, no clinch. É nesta altura que o finalista do The Ultimate Fighter: Brazil, “Pepey”, tem um momento de génio. Fili levanta Godofredo para um slam, e este, usando a rede como apoio, propulsiona-se e prende as pernas em Fili, em preparação de Triângulo. Leva o combate para o chão, encaixa bem a manobra e, após o desgaste de Fili, faz com que este bata, aos três minutos e 14 segundos da primeira ronda. Esta finalização fez com que arrecadasse, merecidamente, um prémio de performance da noite, o terceiro seguido. Segue-se um combate contra um lutador do ranking para “Pepey”?
Godofredo “Pepey” a preparar o triângulo que mais tarde lhe daria a vitória sobre Andre Fili Fonte: UFC
Após um óptimo começo, Gilbert Burns e Alex Oliveira tinham a missão de manter o nível estabelecido por “Pepey”, algo que fizeram com sucesso. Na sua estreia pela UFC, Alex Oliveira mostrou toda a sua qualidade, entrando solto e com vontade de assumir as rédeas do combate, levando constantemente a luta a Burns, que ao final da primeira ronda já ostentava algumas “medalhas” na cara, atribuídas por Oliveira com um belíssimo trabalho de mãos. Na segunda ronda, apesar de algumas tentativas de derrube por parte de Burns, viu-se mais do mesmo. À entrada para a terceira ronda ouviu-se, do canto de “Cowboy” Oliveira, “Mais uma ronda e o mundo saberá quem tu és”. Mas foi nessa mesma ronda que Oliveira caiu. Não podemos saber se essas palavras o afectaram, mas a realidade é que Burns entrou forte, com uma projecção, e rapidamente conseguiu a montada. Tentou um Triângulo, que se tornou em Omoplata.
Persistiu nesta manobra na maior parte da ronda, mas Oliveira ia defendendo com sucesso e acabou por se conseguir soltar. Burns rapidamente tentou outro Triângulo, mas Oliveira conseguiu, mais uma vez, impedir que Burns encaixasse a manobra. No entanto, e num erro que demonstra a falta de experiência em Jiu-Jitsu de Oliveira, este deixa o braço, oferecendo a Burns a oportunidade de um Armlock que não a desperdiçou, fazendo Oliveira bater aos quatro minutos e 14 da última ronda. Apesar da derrota de Oliveira no papel, neste combate, e pelo espetáculo que deram, ambos saíram vencedores. Burns ampliou o seu registo de invencibilidade para 10-0, e Alex Oliveira deu-se, apesar de tudo, a conhecer ao mundo.
A única luta feminina do cartaz principal foi uma das mais curtas, mas uma das mais interessantes. Amanda Nunes e Shayna Baszler procuraram, neste domingo, mostrar que tinham valor para “voos mais altos”. Amanda Nunes, no entanto, foi a única que mostrou ter esse valor, derrotando uma das pioneiras do MMA feminino com relativa facilidade. Nunes fez bom uso da sua força, ao mesmo tempo que soube calcular e ser certeira, distribuindo alguns pontapés baixos a Baszler, que se encontrava estática. Uma sequência de socos na cara seguido de um pontapé frontal à barriga magoaram Baszler ainda mais, sem que esta mostrasse qualquer tipo de reacção.
Ao minuto e 54 segundos, Amanda Nunes acerta outro pontapé baixo ao joelho de Baszler, que cede e fica de joelhos no octógono, à espera da paragem do combate, algo que o árbitro Mario Yamasaki rapidamente fez. Amanda Nunes, com esta vitória através de K.O técnico, reinseriu-se assim na lista de candidatas ao título de Ronda Rousey. Baszler, no entanto, ainda não conseguiu vencer na UFC.
Tony Martin e Leonardo Santos continuaram a tendência do evento, protagonizando mais um combate com finalização. Os pesos leves ofereceram-nos uma primeira ronda algo apática, com muito jogo encostado à rede. A segunda ronda, no entanto, foi completamente diferente. A entrada foi, desta vez, mais agressiva por parte de ambos. Tony tentou a projecção de Santos, mas foi o último quem acabou por raspar, de forma fenomenal, diga-se, conseguindo a montada. Tony, em tentativa de defesa, dá as costas a Santos, que facilmente capitaliza, encaixando um Mata-Leão e submetendo assim Tony Martin, que leva agora três derrotas seguidas, aos dois minutos e 29 segundos da segunda ronda.
No co-evento principal, Erick Silva e John Koscheck protagonizaram mais um combate rápido. Koscheck aceitou esta luta em curto prazo, disponibilizando-se assim para combater apenas três semanas depois de ter perdido contra Jake Ellenberger. O seu desejo era, obviamente, mostrar que ainda tinha valor enquanto lutador. No entanto, parece que o tiro lhe saiu pela culatra. “Kos” entrou, de facto, com vontade de ganhar cedo, agressivo. Rapidamente tentou uma projecção a Silva, acabando por encostá-lo à rede e desferir uma forte cotovelada de direita.
Após separação do árbitro por empate do combate, Silva consegue desferir uma esquerda a Koscheck, que o abala mas acaba por conseguir controlar Silva na guarda, que aproveita para desferir mais alguns golpes. Com o combate de novo em pé, Silva passou a controlar. Após uma tentativa de projecção por parte de Koscheck, Silva aproveita a exposição do pescoço do americano para encaixar uma guilhotina, levando-o para o chão e fechando a guarda, não dando chance de escapatória a Koscheck, que acabou por bater. Após mais uma derrota, a quinta seguida, será certamente esta a altura certa para Koscheck se retirar e não manchar (mais) um legado incontornável na história da UFC. Erick Silva, esse, catapulta-se novamente para combates de perfil mais elevado, nos quais provavelmente espera conseguir afirmar-se de vez.
O evento principal foi o único que não terminou com uma finalização. Isso, no entanto, não fez com que este combate se tornasse desinteressante, nem com que a sua espectacularidade diminuísse, antes pelo contrário. Damien Maia e Ryan LaFlare proporcionaram-nos um combate ao estilo “professor vs aprendiz”. Infelizmente para LaFlare, este teve que se contentar com o último papel. Podemos usar a mesma síntese para todas as rondas, à excepção da última: Damien Maia projecta LaFlare, controla-o no chão, seja nos 100 quilos, seja na montada. Por vezes procura uma submissão, por outras limita-se a distribuir alguns socos, até ao final da ronda.
Todo o combate foi assim. Damien Maia (calções azuis) fez aquilo que bem entendeu e deu a LaFlare uma verdadeira lição Fonte: UFC
Maia venceu quatro rondas ao usar sempre o mesmo jogo. LaFlare só na última ronda se apercebeu daquilo que tinha de fazer: impedir que o jogo fosse para o chão, encurtar os espaços a Maia e levar-lhe a luta, não o contrário. Parece, de facto, incrível que só ao final de quatro rondas a ser completamente dominado por Maia no Jiu-Jitsu LaFlare encontrasse o rumo que tinha de tomar. Por essa altura, era tarde demais. Maia apercebeu-se de que a nova postura de LaFlare no combate representava um perigo, pelo que propositadamente se ia colocando no chão, como forma de queimar tempo e cortar o ritmo do combate. Já tinha ganhado por decisão, o combate já era dele. Foi uma verdadeira lição de Maia, que, aos 37 anos, mostra ter uma nova vida na categoria. Talvez não para combater pelo título de Robbie Lawler mas para servir de “gatekeeper” da divisão, onde só entra quem por ele passar. Quanto a LaFlare? Que a quinta ronda deste combate lhe sirva como ponto de viragem. Vai ter de voltar à tabula rasa para mais tarde poder bater novamente à porta.